18.6.12

Teatro

O Doente Imaginário foi a última peça escrita por Molière. Ele já estava muito doente, pois morreu poucos dias depois da peça se estrear (fevereiro de 1673). Mas o papel que desempenhou na peça, Argão, mostrava um falso doente de uma grande vitalidade, que desdenhava da medicina de então, baseada no preconceito e ideias falsas e desvalorizando descobertas como a circulação sanguínea. Falso doente, Argão (Jorge Pinto) quer ter o médico sempre perto dele e entende que a filha deve casar com o filho do médico, médico também. Mas este é um pobre coitado, que decorou e decorou uma série de coisas que mais não servem do que perpetuar preconceitos e ideias falsas, uma retórica oca. Claro que Angélica (Vânia Mendes) tem outras pretensões e di-lo ao pai e à madrasta, que queria ficar com o dinheiro do velho tonto imaginariamente doente. No quadro complexo da história, a criada Tonieta é um furacão, procurando fazer ver ao senhor o ridículo das situações. Por isso, Emília Silvestre, que desempenha o papel de Tonieta, enche o palco todo com as suas capacidades de atriz. Encenação de Rogério de Carvalho, no Teatro Nacional de S. João (Porto) até 1 de julho.