4.4.13

Não fiques calado, pá!

teatro1Em 1963, há cinquenta anos, duas das peças de teatro de revista mais faladas e apreciadas foram Ó Pá Não Fiques Calado e Vamos Contar Mentiras. Estes títulos das revistas indiciam uma certa descompressão social. Mas o regime político endurecera, pois as guerras coloniais em África estavam no auge, e eu não conheço os cortes que a censura do SNI fez então. Ribeirinho era um actor consagrado, Aida Baptista, Camilo de Oliveira e Armando Cortez seguiam uma carreira já conhecida. Do mesmo modo, Florbela Queirós e Irene Cruz, cada qual em distintos géneros e modos de abordar o teatro, iam tornar-se estrelas do teatro nacional. Raul Solnado tornar-se-ia, ao longo da década, o actor mais popular do país. A publicidade retirei-as dos jornais O Século e Diário de Notícias. O design dos anúncios reflecte, claro, a cultura daquela época, que precisa de ser melhor estudada e identificada.

Observação: esta é a minha homenagem a todos os que ao longo dos dois últimos anos protestaram contra a atribuição de licenciatura a um ministro que hoje se demitiu. A entrevista de Nuno Crato, o responsável governamental pela pasta da Educação, ao canal SIC Notícias, terminada há minutos, foi objectiva quanto a isso. Ele falou em necessidade de credibilizar a universidade e de rever a legislação de atribuição, na universidade, de equivalências (ECTS) de modo indiscriminado. Todos os partidos do quadro parlamentar respiraram de alívio com a demissão anunciada hoje - e os cidadãos também. Talvez as grandoladas tenham acabado, porque surtiram já efeito.

Afinal, não ficar calado e contar mentiras vão no mesmo sentido - aquilo que devemos fazer e aquilo que temos de evitar. A minha questão é: que mais coisas pode o passado iluminar para compreendermos o que está de (profundamente) errado na sociedade portuguesa de hoje?

RS