Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

15.11.13

Morte de Rui Valentim de Carvalho

Esta semana, morreu Rui Valentim de Carvalho, editor de Amália Rodrigues - entre 1952 e 1999 - e administrador da Valentim de Carvalho durante mais de 50 anos. Admirador da sua música, ele foi o editor de Amália Rodrigues de 1952 até ao ano de falecimento da fadista. Quando se torna seu editor, ele tinha 21 anos e ela 32 anos. Da notícia de onde extraio a informação (http://www.ionline.pt/artigos/mais/rui-valentim-carvalho-editor-exemplar/pag/-1), David Ferreira, sobrinho de Rui Valentim de Carvalho, contaria: "Tinham uma relação próxima, ele ia para o estúdio, não ficava fechado no gabinete. Naquelas famosas sessões em que ela levava arroz de pimentos e pastéis de bacalhau, ele estava lá. Também assiste a espectáculos pelo mundo fora e defende-a quando o fado de Amália choca muitos. Estava sempre do lado dela". Depois de 1974, quando as estéticas musicais eram outras, um momento difícil para Amália, conotada com o antigo regime, ele foi muito amigo dela, acontecendo o mesmo quando esteve doente. Ele criaria os estúdios Valentim de Carvalho, na década de 1960. Após a primeira gravação de Amália para a Editora Valentim de Carvalho, nos estúdios de Abbey Road (Londres), ele teve a vontade de fazer um estúdio semelhante no nosso país. Nos estúdios de Paço d’Arcos gravaram nomes como Júlio Iglésias, Cliff Richard, Shadows, Vinícius de Moraes e Rolling Stones. Além de Amália Rodrigues, ele trabalhou com outros grandes nomes do fado e da música como Carlos Paredes, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Carlos Ramos, Lucília do Carmo, Max, Maria Teresa de Noronha e Fernando Farinha, mas também com Quarteto 1111, Sheiks e Duo Ouro Negro, Rui Veloso, GNR e António Variações. Da mesma notícia que li (http://www.ionline.pt/artigos/mais/rui-valentim-carvalho-editor-exemplar/pag/-1), o musicólogo e especialista em fado Rui Vieira Nery apontaria que ele era um “editor exemplar [e] pessoa muito afectuosa, muito requintada e culta”. E acrescentaria: “No universo da indústria discográfica, há normalmente uma obsessão com o lucro. No Tim, como era conhecido, sempre vi o fascínio pela música, a paixão pela arte, a vontade de fazer coisas que ficassem como legados artísticos importantes”. Aos treze anos, ele vai trabalhar para a empresa fundada pelo tio em 1914. Nesse momento, ainda estudava no ensino técnico. A Valentim de Carvalho começou por vender gramofones e instrumentos musicais. Depois, tornou-se a primeira editora discográfica portuguesa.