Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

30.1.14

Portugal e a Eurovisão. 50 anos de canções (1964-2014)

Portugal e a Eurovisão. 50 Anos de Canções (1964-2014) foi um pequeno livro de Jorge Mangorrinha lançado e apresentado na Sociedade Portuguesa de Autores, num projeto alargado à Hemeroteca Municipal, RTP e Universidade Lusófona. O livro foi o pretexto para juntar artistas que concorreram a festivais em representação de Portugal, como António Calvário, que esteve no primeiro festival em 1964, e Madalena Iglésias.
Para Mangorrinha, o trabalho foi feito sem preconceitos, onde se aborda um tema até agora arredado dos estudos universitários: a música ligeira e os seus cantores. Para ele, o festival é um grande acontecimento na música portuguesa, pelo número de pessoas reunidas na sua efectivação, pela promoção do país neste evento anual na Europa e pelas características das canções, pelo papel da televisão pública e pela necessidade de partenariado em edições próximas.
 
No livro, escreve o autor: "Naquele domingo, pouco depois das 22:30, o realizador Raul Ferrão mandou avançar uma câmara para Maria Helena Fialho Gouveia e Henrique Mendes, e estes iniciaram a apresentação do primeiro festival, que contou com 12 canções na final (das 127 submetidas) defendidas por António Calvário, Artur Garcia, Madalena Iglésias, Simone de Oliveira, Gina Maria e Guilherme Kjolner".
 
A música, foi dito neste encontro, representa 3% do PIB nacional, sendo comparada com a actividade do futebol, que representa 1,5%. Em nome dos artistas, António Calvário recordou a importância da orquestra ao vivo a acompanhar o cantor no festival da Eurovisão onde esteve e as perguntas dos jornalistas que lhes foram dirigidas sobre o regime de Salazar. Tozé Brito, que presidia à sessão, falou da dicotomia entre o envolvimento de compositores e artistas e o seu afastamento versus canais de televisão público e privados. Na época em que António Calvário ou Madalena Iglésias cantavam, havia um só canal e a preto e branco, hoje há múltiplas opções. A uma pergunta sobre a visibilidade dada pela RTP, um responsável desta empresa, José Poiares, lembrava exactamente a concorrência audiovisual como elemento de diluição do impacto do género televisivo.


A Hemeroteca Municipal colocou a partir de hoje muita informação sobre a matéria, e que pode ser consultada a partir desta ligação: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/EFEMERIDES/festival/festivaldacancao.htm, de onde retiramos as páginas da publicação Rádio & Televisão, nº 395, de 28 de Março de 1964, pp. 6-7.

Sem comentários: