Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

21.4.14

Afectos

Começaram a 9 de Setembro de 2013. Agora, a Oficina das Almas no Teatro da ARTA (Associação Recreativa Taberna das Almas), representa Pão, no Regueirão dos Anjos, 68/70, em Lisboa. O texto é do colectivo: um grupo de detidos conta as suas histórias: memórias, relações e desejos. O amor, a inocência, a experiência de seres humanos a caminho de Marte, a vida e o desespero, a alegria e o silêncio, os poemas e a escuridão. Nem todas as histórias possuem a mesma densidade, pois umas são mais saborosas do que outras, mas ficou a generosidade daquele conjunto de artistas. E os gestos (achei deliciosa a viagem de autocarro), os abraços, a partilha de sonhos, o deixar cada um falar por sua vez para chegar a uma conclusão aceite, à volta de uma mesa, a vontade de manter a liberdade, as referências irónicas à tecnologia (que parece preparar os jovens com futuro assegurado e asséptico). Na representação, leram-se os poemas Ode ao Pão, de Pablo Neruda, e A Casa, de Vinicius de Moraes.

No fim da representação, actores e actrizes estavam satisfeitos, a explicar ao público como tudo começara e se fizeram as ligações dos textos. E uma das jovens actrizes, com um chapéu, como se pertencesse a um grupo de saltimbancos, pediu pão ao público generoso; afinal, o espectáculo era gratuito e um apoio monetário ajuda sempre.


Direcção e encenação: Cândido Ferreira, João Jorge Meirim e Nicolas Brites. Com: António Figueiredo Marques, Catarina Carvalho, Eduarda Manso, Ethel Feldman, Geny Neto, João Raimundo, João Jorge Meirim, Mónica Paulo, Sara Teles e Vanda Guerreiro.


Uma nota suplementar e que não tem a ver com a representação: já não ia aquele espaço desde que a associação Abril em Maio saiu. Veio a recordação de estantes cheias de livros, folhas policopiadas, sessões de teatro, muitos voluntários de uma cultura alternativa. Porque estamos a passar de Abril a Maio, e devido à memória histórica, fica aqui a minha nota.

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