Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

27.1.15

Pedro Portela defendeu hoje tese de doutoramento sobre rádio

O título da tese foi A Voz do Utilizador na Mediamorfose da Rádio: A Interactividade e os Consumos Radiofónicos do Início do Século XXI e o local a Universidade do Minho (Braga) [fotografia de Alberto Sá da Sala dos Actos do Instituto de Ciências Sociais, onde decorreu a prova]. Pedro Portela, cuja paixão pela rádio se torna evidente no texto da tese, trabalhou duas questões: 1) utilização da rádio pelos ouvintes, 2) oferta das ferramentas interactivas e usos e expectativas da audiência. Das principais conclusões da investigação, retiro as seguintes: 1) uso da rádio online equivalente ao da FM, com consumo de volta a casa (e não apenas dentro do automóvel), 2) fidelidade do ouvinte do online face às rádios aeriais, 3) relação nativos digitais e emigrantes (ou imigrantes) digitais, 4) passividade nas redes sociais (caso do Facebook). Depois deste trabalho, cuja parte empírica se enquadrou numa investigação em curso, o autor propõe novas investigações, nomeadamente em torno das concepções estéticas da rádio, análise das dinâmicas de transferência de FM para o online e propostas de novas formas de medição de audiências.

Das palavras que eu disse na prova, deixo aqui algumas ideias:

"Em primeiro lugar, manifesto a minha alegria por estar aqui no júri de uma muito boa tese de doutoramento. Depois, considero relevante evocar a memória da dissertação de mestrado do autor defendida aqui no final de 2006: Rádio na internet em Portugal – a abertura à participação num meio em mudança. Esse trabalho equacionou o meio rádio em mudança (após a introdução da internet) como perspectiva do exercício da cidadania. [...] Em Dezembro de 2006, notei um grande rigor científico. Ao levantamento preciso de conceitos e ao trabalho empírico notável, observei pessimismo nas conclusões. Volto agora a fazer eco desse rigor e do pessimismo (face à posição dominante de sublime tecnológico). Registo a irrepreensibilidade do trabalho em todas as fases do presente inquérito (montagem, recolha e análise de dados). [...] O primeiro ponto é a grande ideia da tese: substituição e deslocação dos media (pp. 245-246). Possivelmente, a substituição e deslocação dos media opera-se apenas a nível da tecnologia e não tanto do meio rádio. Aliás, o autor apresenta também a ideia de complementaridade (p. 254). Outra boa conclusão da tese é sobre os nativos digitais, que passam mais tempo em casa a ouvir rádio que os outros grupos etários (e de comportamentos)".

Na discussão da tese, falou-se de som e palavra, ouvir como contracultura, intimidade que a rádio traz, invisibilidade da rádio versus interioridade, proximidade, acumulação (o ouvinte de FM também ouve rádio online), paisagens sonoras. E de autores, como Arnheim e Lazarsfeld, Adorno e Brecht.

Parabéns, Pedro!

[as duas últimas imagens são retiradas do sítio do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho; no fundo: vídeo de fraca qualidade feito por mim]



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