12.2.15

Diário Popular

O Diário Popular foi fundado em 1942 e manteve-se como jornal vespertino lisboeta até 1991. Em 1962, com grafismo da agência de publicidade APA foi editado um livro-folheto sobre a actividade do jornal (as imagens seguintes representam algumas das páginas da publicação). Da sua leitura, apuramos o seguinte: António Tinoco, então secretário-geral da Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios (rua da Trindade, 20, 2º, Lisboa), reuniu com Brás de Medeiros e Barradas de Oliveira, com o objectivo de fundar um jornal (que evoluiu da ideia inicial de semanário para a de diário), dedicado às finanças e à política (depois transformar-se-ia, dando azo ao seu nome, em jornal popular e com muito espaço dedicado ao lazer e ao entretenimento). Dos accionistas fundadores do  Diário Popular, incluem-se os nomes de Carlos Alberto Farinha, Domingos Ferraz de Carvalho Megre, Francisco Pinto Balsemão e Henrique Pinto Balsemão (familiares do criador do semanário Expresso). Dos jornalistas iniciais, o diário contou com Fernando Teixeira, José de Freitas, Carlos Neves, José Augusto e outros.

Com o tempo, o jornal dispôs de gráfica e distribuidora próprias. Se em 1942 a edição média diária tinha 25 mil exemplares, em 1962, o jornal atingia uma tiragem média de 86 mil exemplares. O jornal custava um escudo.




 

A publicação tinha, a meu ver, um objectivo muito claro: mostrar aos anunciantes a capacidade e o impacto do jornal. Os seus responsáveis estimavam que cada exemplar alcançava várias pessoas, num total de cerca de 400 mil pessoas diariamente. Há um outro elemento muito objectivo, que me deu particular atenção: a censura, palavra repetida ao longo do texto. Sobre o repórter fotográfico, que se deslocava ao local do acontecimento, lia-se: "Num caso de crime tem actuação quase nula, graças à Censura. Mas, tratando-se de desastres, não rara se converte em vedeta da equipa adstringida a um serviço de rua". A censura deixava passar o acidente (relacionado com o destino e a natureza, interpreto) mas não o crime (coisa hedionda da mente humana, que o regime não tolerava).


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