Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

18.8.15

145 anos de jornais de empresa em exposição na Biblioteca Nacional

A Biblioteca Nacional acolhe, entre 6 de outubro e 31 de dezembro, uma exposição sobre jornais de empresa, cujo primeiro espécime foi publicado em Maio de 1869 pela Caixa de Crédito Industrial. Intitulada Imprensa Empresarial em Portugal: 145 Anos de Jornais de Empresa, a mostra é comissariada por João Moreira dos Santos.

"Tendo por base uma amostra alargada de publicações – representativas de um universo de cerca de 900 títulos publicados nos últimos 145 anos – e um extenso trabalho de investigação académica, a exposição permite seguir a história económica e política de Portugal dos séculos XIX e XX, revelando os seus reflexos na linha editorial e gráfica dos chamados jornais de empresa. Assim, ao tom paternalista e reverencial dos periódicos editados durante o Estado Novo opôs-se a postura reivindicativa e revolucionária que emergiu no pós 25 de Abril em publicações como a revista Lisnave e o boletim Águas Livres (CAL/EPAL). Uma questão central é a da censura prévia, ilustrando-se a forma como o regime de Salazar controlava também a informação empresarial, validando ou rejeitando tanto o conteúdo como os directores e editores dos periódicos. Outro tema em destaque na exposição é o envolvimento nos jornais de empresa de personalidades de vulto da cultura nacional, como Cottinelli Telmo e Augusto de Santa-Rita, e do desporto, particularmente o atleta olímpico Mário Simas, e também de ilustradores e designers, nomeadamente Fernando Bento e Daciano da Costa, de jornalistas, incluindo José Augusto, Homero Serpa, Morais Cabral e Sérgio Acúrcio Pereira, e, ainda, de fotógrafos, muito particularmente o histórico Horácio Novaes. A nível institucional, destaca-se o importante papel desempenhado por empresas como a CP, Marconi, Caixa Geral de Depósitos, Shell, Philips e Renault, e o fenómeno do associativismo, através da Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE). Para celebrar os 100 anos da edição do primeiro livro sobre os jornais de empresa, a exposição acolhe ainda uma inédita mostra de livros internacionais, exibindo obras raras editadas entre 1915 e 2011. Com tiragens por vezes superiores aos órgãos de comunicação social, os jornais de empresa – periódicos de carácter jornalístico destinados a trabalhadores, colaboradores, accionistas, clientes, fornecedores e revendedores – têm sido um género de imprensa negligenciado publicamente. O seu boom ocorreu nos anos oitenta, coincidindo com as mudanças políticas e económicas, sobretudo a liberalização e a abertura do mercado nacional" [imagem: capa digitalizada do número 1 do Boletim da CP, julho de 1929, com grafismo de Cottinelli Telmo].

João Moreira dos Santos é doutorando em Ciências da Comunicação (ISCTE) e tem realizado o seu percurso profissional entre os média e a comunicação empresarial. Actualmente, é autor do programa radiofónico diário Jazz a Dois (RTP/Antena 2), tendo colaborado nomeadamente nos jornais Expresso, Blitz, A CapitalJornal de Letras, em sites norte-americanos de referência e no seu próprio blogue, que fundou em 2003 (500 000 visitantes). Foi docente universitário e assessor de imprensa da Ministra da Saúde do XIV Governo Constitucional. A nível empresarial, dirigiu a comunicação do Banco de Fomento e Exterior, das multinacionais ABB e Ericsson, e da Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA, tendo fundado no ano 2000 a sua própria agência. O autor publicou o primeiro livro português sobre a temática da comunicação empresarial: Imprensa Empresarial: Da Informação à Comunicação (2005, Edições Asa). Criou e produziu ainda eventos culturais de referência, nomeadamente para o Ministério da Economia e para o Centro Cultural de Belém, um dos quais distinguido em 2012 pela UNESCO.

[o texto segue o comunicado de imprensa enviado]

1 comentário:

JMS disse...

Caro Professor Doutor Rogério Santos, muito obrigado pela divulgação neste seu blogue referencial.