Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

30.8.15

50 anos de carreira de João Paulo Dinis na rádio

Diário de Notícias: "Comemora amanhã 50 anos de carreira no jornalismo. Ainda se lembra do seu primeiro dia"? João Paulo Dinis: "Foi na Rádio Peninsular e pela mão de Augusto Poiares. Desde os 13 anos que lhe pedia constantemente que me deixasse fazer um teste na rádio. Tanto insisti que ele acedeu. Dias depois de fazer o teste, o meu pai telefonou-me e disse que tinham gostado do meu registo de voz. O radialista Aurélio Carlos Moreira tinha gostado da minha gravação e convidou-me para apresentar o Pajú, que era um passatempo juvenil. Tinha 16 anos" [retirado de entrevista publicada hoje no Diário de Notícias].

João Paulo Dinis, 66 anos, faz amanhã 50 anos de atividade na rádio. Na madrugada de 25 de abril de 1974, ele foi o locutor nos Emissores Associados de Lisboa que passou uma das senhas do movimento dos capitães. Retiro da mesma entrevista do Diário de Notícias: "E foi então que se escolheu a canção que eu teria que anunciar, logo após a transmissão da senha, que era a frase: «Faltam cinco minutos para as 24 horas». A hora foi depois antecipada e marcada para quando faltassem cinco minutos para as onze da noite. Ele queria que eu colocasse no ar uma cantiga do Zeca Afonso, que estava proibido de passar na rádio e eu sugeri a canção E Depois do Adeus, de Paulo de Carvalho". [recorte do Diário Popular, 23 de novembro de 1972]

Em entrevista que me concedeu para o meu projeto de investigação de rádio (13 de fevereiro de 2012), João Paulo Dinis recordou-me esse seu começo com Augusto Poiares: "«oh, senhor Poiares, deixe-me ir lá à rádio para fazer lá um teste, eu gostava tanto». E ele olhava para mim, pois sabes agora, não sei quê. Também com doze anos, ele devia querer dizer «cresce e aparece», não é? Houve uma vez que eu disse «oh, senhor Poiares, eu só gostava de saber se tenho algum jeito para isto ou não, pronto que é para não estar agora aqui com ideias e não sei quê». Bem, tanto dei cabo da cabeça ao pobre homem que ele disse: «nós vamos gravar no dia tal às tantas horas. Aparece lá». E eu fui. Fui, deram-me um texto, eu li, não sei quê. Dias depois, o meu pai telefona-me e diz-me: «Olha, sabes uma coisa? Telefonou-me o nosso amigo Poiares». «Ah, foi E, então que tal»? Fiquei apurado para pôr voz lá no programa Voz do Casa Pia [o pai de João Paulo Dinis era um dos dirigentes do Casa Pia] Lembro-me perfeitamente o meu pai disse: «Olha não só para isso, mas há mais». Disse: «Mais? Então o que é que se passa»? O que é que tinha acontecido? O técnico, o Irnério Monteiro, que tinha feito a gravação em fita magnética do meu teste de voz gostou. Sabia que o Aurélio Carlos Moreira precisava de uma voz masculina para o programa que ele fazia que era o Passatempo Juvenil, que mais tarde ficou a chamar-se Paju, PaJu, Passatempo Juvenil. E mostrou a gravação ao Aurélio, e o Aurélio gostou, não sei quê, disse: «eh pá, onde é que está o contacto dele, não sei que mais e tal»". Estava-se em 1965.

Parabéns, caro locutor.

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