9.11.15

5ª Divisão MFA













A sessão de apresentação do livro 5ª Divisão MFA. Revolução e Cultura, de Manuel Begonha, foi feita no dia 22 de outubro passado, na Casa da Imprensa. Begonha (1943), licenciado em Ciências Militares Navais, curso de Engenheiro Maquinista Naval, participou em todo o processo de 25 de abril de 1974 e foi membro da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, onde coordenou as campanhas de dinamização cultural.

Por isso, é importante ler a sua perspetiva da história de Portugal de há 40 anos. A minha pesquisa sobre a história da rádio em particular e dos media em geral conduziu-me ao livro. O primeiro registo da 5ª Divisão data de 28 de junho de 1974; a suspensão da 5ª Divisão seria a 25 de agosto de 1975. Dos nomes com mais impacto que ficaram dessa divisão seriam Varela Gomes, Ramiro Correia, Faria Paulino, Duran Clemente e Bouza Serrano. Este último seria presidente da Emissora Nacional.

Se o primeiro capítulo traça a história da 5ª Divisão e a perspetiva do autor quanto à história de Portugal no período de 1974-1975, os capítulos seguintes seguem aquilo a que Manuel Begonha identifica como as quatro atividades fundamentais: Comissão Dinamizadora Central (que ocupa o maior número de páginas), Centro de Esclarecimento e Informação Pública, Centro de Sociologia Militar e Centro de Relações Públicas. Do trabalho da Comissão Dinamizadora Central, o autor destaca a dinamização cultural nas áreas de artes plásticas e gráficas, teatro e fantoches, música, dança e canto, cinema, circo e apoio literário (p. 41). Begonha destaca a representação gráfica da revolução, que inclui obras de João Abel Manta, Marcelino Vespeira e Armando Alves (p. 48), e as brigadas móveis de cinema popular, coordenados, entre outros, por Vieira Marques e Vasco Granja (p. 56). As três fases das campanhas de dinamização cultural encontram-se apresentadas entre as páginas 60 e 76. Fico-me na descrição do que o autor chama de terceira fase (julho e agosto de 1975), que pretendia a descentralização dos meios de apoio técnico, a criação de órgãos regionais, a alfabetização em dez mil salas de aula e o apoio à reforma agrária (p. 73). Nessa página, Begonha dá conta da contestação militar à ação da 5ª Divisão e do episódio de jovens ligados às campanhas de alfabetização em Bragança, com rejeição popular e grande confusão.

[som de apresentação do livro 5ª Divisão MFA. Revolução e Cultura pelo autor, Manuel Begonha. Gravado com o telemóvel, o som não tem muita qualidade e audibilidade]

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