Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

2.11.15

Eixos comerciais urbanos

Não quero comparar Madrid com o Porto, dado serem cidades de dimensões muito distintas, mas notar tendências novas.

No passado dia 15 de outubro, na Gran Vía, em Madrid, abriu a loja Primark, o gigante irlandês do low cost, como noticia o El País de domingo. A avenida central de Madrid, além de cinemas e salas de espetáculos, integra outras multinacionais do têxtil como a H&M e a Inditex (melhor: as suas diferentes marcas), levando mesmo ao desaparecimento já nesta década de um dos seus mais emblemáticos cafés, como escrevi aqui. Logo ao lado, as ruas Montera e Fuencarral (já no bairro da Chueca) e a praça do Callao são responsáveis por um grande tráfego de peões, o que eleva o potencial comercial da zona - ou a sua reinvenção.
Já no Porto, a colina junto à torre e igreja dos Clérigos - sem a dimensão territorial da Gran Vía (ou da avenida da Liberdade, aqui em Lisboa) - está a assistir a uma revitalização comercial apreciável, resultado da estética urbana desde 2001, da transformação de antigos armazéns em espaços de convívio (restauração) e da velha praça de Lisboa, hoje igualmente espaço de convívio e de lojas, além do muito recente restauro da igreja dos Clérigos. Por ali, circulam muitos turistas falando francês - com sotaque do Canadá, onde a promoção turística tem sido forte, além do peso dos voos de companhias low cost, visível um pouco mais a leste da cidade, caso da saída de metro da rua Fernandes Tomás, na confluência com a rua de Santa Catarina.

Sobre o comércio na colina dos Clérigos, retiro do jornal Público parte de um texto sobre as lojas Marques Soares: "São 55 anos de história e de presença na baixa do Porto, 55 anos de sucesso, muito espírito de resistência e de crescimento. A Marques Soares abriu a 5 de Novembro de 1960, pelas mãos de António Marques Pinho e Manuel Soares Antunes, para se tornar, ao longo de décadas, numa empresa incontornável do comércio tradicional da cidade. Com portas abertas noutros pontos do país. Os sócios fundadores já trabalhavam juntos, nos Armazéns do Norte, dos quais detinham uma quota minoritária, quando decidiram abrir o seu próprio negócio – uma loja de tecidos, que se comprometia a dar qualidade ao vestuário de quem os visitasse. Hoje, a Marques Soares cresceu, não só na loja onde começou, como por outras ruas do Porto, e outros pontos do país, como Braga, Aveiro ou Beja. [...] Este novo impulso destaca-se também na revitalização que a Baixa portuense tem sofrido nos últimos anos, com impacto visível na zona dos Clérigos, onde a Marques Soares se instalou em 1960. [...] A viragem que acontece actualmente, com a revitalização da Baixa, novas lojas e novos conceitos, é vista com agrado pela Marques Soares".

As lojas de rua e o movimento de circulação das pessoas volta a ser considerado, após um longo período dos centros comerciais, dentro e à volta das cidades. A cultura da Europa reside desde há muito neste tipo de tráfego.

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