13.2.16

A história da rádio segundo Álvaro de Andrade (6)

 No dia 8 de setembro de 1970, o Diário Popular editava a sexta história da rádio segundo Álvaro de Andrade. No texto, combinaram-se as duas maiores paixões do jornalista - a rádio, ele que fora funcionário da Emissora Nacional nos seus primeiros anos, e o teatro, ele que foi um persistente organizador de eventos teatrais, dada a sua ligação orgânica aquela indústria criativa.



Álvaro de Andrade, ao recordar a sua intervenção juntando essas duas paixões, convidaria artistas e críticos a pronunciarem-se sobre a representação radiofónica da peça A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas, numa espécie de estudo qualitativo de audiências. A peça era interpretada por Alexandre de Azevedo, António Sacramento e Henrique de Albuquerque, belas vozes claras e das melhores de então - 1936. O crítico não encontrava muita diferenciação nas cenas, com pouca allure (que poderei traduzir por elegância) e vibração. Por exemplo, Alexandre de Azevedo não dava "duplo colorido às frases". Isto é, como a peça só tinha vozes masculinas, graves, falhava a cor do espetáculo que outros tons podiam fornecer. Mesmo o bater de louças e vidros no começo da peça lembrava outra peça, envolvendo comensais velhinhos. A rádio, finalizo, e a propósito do Dia Mundial da Rádio, hoje comemorado, é o conjunto da voz, a palavra e os múltiplos cambiantes sonoros.

1 comentário:

maria franco disse...

Tinha já feito um comentário, mas quase de certeza não o enviei.
Volto agora apenas para dizer que a rádio sempre me acompanhou
desde criança e por isso sempre amei a rádio mais até do que
agora a televisão. Apenas vou recordar na impossibilidade evidente,
de tudo mencionar, os diálogos da Lélé e do Zequinha,o teatro
radiofónico, e sempre fui fiel à rádio pública, até hoje.
Vozes e programas de excepcional qualidade. Imaginário foi um
deles mas aqui rendo homenagem a dezenas de outros ao longo dos
anos. Sempre ficarei grata a quem os fez. Que viva a rádio e que
continue durante muitos mais anos.