Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

12.5.16

Memórias em torno da história da rádio

Do livro de José Maria Pinto de Almeida (50 Anos de Rádio em Angola, p. 107, pp. 112-113), retiro o seguinte:

1) "Estive lá [Angola, um reino mágico como Camelot ou a Atlântida] uma dúzia de anos fabulosos. Lá casei e conheci gente fantástica. A melhor e a pior. De lá consegui ficar com a mulher, o cão, as fotografias do casamento, duas ou três mudas de roupa e as recordações. Acho que fiquei com o importante. Em 73, recusei uma proposta para ficar na América a trabalhar. E quando ampliaram a proposta lembro-me de ter dito: «Não vale a pena... não saio de Angola por dinheiro nenhum». A verdade é que saí meses depois, mas de facto não foi por dinheiro nenhum" (João Fernandes, que, no texto, recorda João Sebag, Herberto Hélder, Edite Soeiro e Acácio Barradas, entre outros).

2) João Saldanha foi comentarista em Rádio Guanabara (1960) e trabalhou na TV Rio [de Janeiro]. Quando começou a ditadura no Brasil, ele passou a viajar com frequência para a Europa, até que o convidam para selecionador de futebol (1969). E o meu passado de comunista, perguntou? No curto período em que foi selecionador, nunca perdeu a oportunidade de falar das torturas e dos presos e dos desaparecidos do seu país. Ele gostava de ser entrevistado por repórteres da rádio. Um dia, à entrada do estádio Maracanã, perguntaram se ia ver o jogo. Respondeu: "não, vim visitar o museu do índio". Dentro do estádio, outro repórter perguntou se tinha gostado da relva. Respondeu: "aguenta aí companheiro, ainda não a provei".

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