Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência mantida desde 2003.

9.11.16

Livro de Júlio Isidro


Hoje, ao final da tarde, foi apresentado o livro de Júlio Isidro, O Programa Segue Dentro de Momentos. Autobiografia, em edição da Marcador. A apresentação esteve a cargo de Nuno Markl. O veterano autor e apresentador de programas de rádio e televisão (56 anos de carreira) também falou e contou histórias da sua vida profissional e passou um pequeno filme com imagens de alguns programas ao vivo que fez para a televisão.

Sobre a rádio, no seu livro leem-se diversas páginas, a começar na 105, em que o autor reconhece ser dos poucos que começou na televisão e se deslocou para a rádio, quando, em 1967, concorreu para apresentador de Rádio Clube Português. Prestou provas mas o diretor da estação Álvaro Jorge não gostou totalmente da sua prestação. Apenas um ano depois ficaria ligado à estação, no programa FM 67, apesar de já ser junho de 1968, programa de madrugada produzido por Carlos Martins e onde alternava com Rui Paulo da Cruz. Júlio Isidro recorda do bom acolhimento dos veteranos de então, como Jaime da Silva Pinto e José do Nascimento. Logo depois, entraria para os noticiários, a convite de Luís Filipe Costa. Este deu-lhe algumas páginas com aquilo a que o agora autor biografado chama "a arte de bem noticiar a toda a sela" (p. 107): horários, tempos de cada serviço noticioso, ordem das notícias, inclusão de gravações, meteorologia e metodologia de trabalho. Oito profissionais garantiam 24 horas de notícias.

Então, Júlio Isidro ganhava à hora (25 escudos nos noticiários), surgindo depois convites para apresentar programas. Um deles foi Ruy Castelar, então a produzir A Noite é Nossa, de madrugada, celebrizado por fazer programas em direto de boîtes como o Porão das Naus, entretanto consignado ao produtor do programa (50 escudos por programa). Passou por outros programas como Clube das Donas de Casa (em parceria com Ana Zanatti), com o cabaz de Natal, Hora Bosch, Encontro no Ar, de José do Nascimento, com discos emprestados da discoteca A Havanesa (p. 116), e até Quando o Telefone Toca, a substituir Matos Maia. Júlio Isidro, que foi uma das vozes do programa Em Órbita, onde lia pequenos textos escritos por Jorge Gil (p. 123), chegou a fazer seis horas de noticiários seguido de outro tanto tempo como locutor de programas, além de outros compromissos em vários programas (p. 127).

Mais tarde, viriam, entre outros, Grafonola Ideal (p. 189), Febre de Sábado à Noite (p. 194), na rádio, e Passeio dos Alegres (p. 216), na televisão. E muitos mais, que eu estou a descobrir à medida que leio o livro.

Leitura: Júlio Isidro (2016). O Programa Segue Dentro de Momentos. Autobiografia. Barcarena: Marcador, 384 páginas, 19,95 euros

1 comentário:

Unknown disse...

Ao folhear o livro de Júlio Isidro, não vejo qualquer referência ao Major Batista Rosa, o homem a quem Júlio Isidro e outros profissionais ligados à Televisão e à Rádio tanto devem na atribuição das boas especialidades militares durante o S.M.O..
Creio que no caso do Júlio Isidro, a "sorte" bafejou-lhe a especialidade de Foto Cine do Exército. No reverso da medalha, conheço outros com licenciaturas diversas que não tiveram sorte idêntica, sendo-lhes atribuído a especialidade de Atiradores de Infantaria. Certamente faltou-lhes a "cunha" do Major...