Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

27.12.16

Maria Leonor Magro

O semanário Ponto não chegou a durar dois anos (1980-1981). Um dos seus jornalistas era Baptista Bastos, com boas entrevistas. Uma delas foi a Maria Leonor Magro, locutora famosa na sua época (edição de 19 de fevereiro de 1981).

Na entrevista, apresenta-se como mulher que luta com problemas de solidão e sem esperança. Então, tinha 58 anos de idade e 36 anos de profissão, um filho de 31 anos e divorciada de Pedro Moutinho, outro locutor famoso na época. Na altura da entrevista era diretora de programas do canal 1 da RDP. Em 1978, ganhava 9934$00, em 1981 atingia 24 mil escudos líquidos como diretora. Ela nascera em Lisboa, no bairro da Estrela, e vivia na Calçada das Necessidades - aqui misturando simbolismo com ironia.

Sagaz, o jornalista perguntou-lhe o que sentira com o 25 de abril de 1974, ao que ela respondeu ter podido ser uma coisa boa. E tinha a certeza de não ser saneada na onda de despedimentos de então, porque tinha ficha na PIDE. Ela nunca recebera uma condecoração nem fizera reportagem de eventos em Angola ou Açores, por exemplo. Costumava dizer que era socialista ativa, cristã e independente.

Foi perguntada a sua opinião sobre alguns locutores. De Pedro Moutinho considerava uma voz única mas ter perdido a atualidade, porque a rádio deixara de precisar de vozes pomposas, de Artur Agostinho entendia que superava a sua fraca voz radiofónica pelo grande profissionalismo e de D. João da Câmara apelidou-o de grande senhor mas sem continuadores, por ter um estilo único e próprio.

Da rádio pública, esperava dela como estação e não como apeadeiro. Dos desfiles de moda e de beleza, apoiava se houvesse possibilidades de intercâmbio das suas representantes mas não mostras de carne e de formas.




3 comentários:

Paula Lima disse...

Só com este seu artigo descobri o apelido da que lá por casa era conhecida como "Maria Leonor". Alguém que se escutava nas apresentações de programas e que tinha uma voz única!

Rogério Santos disse...

Maria Leonor era uma espécie de marca (branding, como se diz) da Emissora Nacional. Depois do divórcio com Pedro Moutinho, deixou cair o nome do marido e ficou apenas Maria Leonor. Eu, que gosto do nome de família de cada pessoa, escrevo sempre o nome de solteira dela.

Mister Vertigo disse...

Recordo-me bem da voz inconfundível de Maria Leonor na Emissora Nacional, nos meus tempos de criança em que a rádio estava sempre a tocar "lá por casa".
O "Semanário Ponto", que foi feito maioritariamente por jornalistas do Diário Popular, descontentes com a linha editorial do jornal após a saída/destituição de Jacinto Baptista, teve infelizmente uma vida curta.
Votos de um Bom Ano 2017!