6.2.17

Tópicos para a compreeensão das editoras discográficas portuguesas na década de 1980

(mensagem totalmente baseada em texto publicado no sítio  Sinfonias de Aço)

Distingo editoras grandes (Valentim de Carvalho, Estúdio RPE/Angel Studio, Rádio Triunfo, Arnaldo Trindade, Musicorde, Namouche) e outras.

A Valentim de Carvalho iniciou a sua atividade de gravação no início da década de 1930. Em janeiro de 1963, inaugurou o novo estúdio de áudio em Paço de Arcos, por onde passaram grandes nomes da música portuguesa. Tó Pinheiro da Silva entrou em 1980 para engenheiro de som desses estúdios Paço de Arcos, onde conheceu nomes como Hugo Ribeiro e José Fortes. Em 1988, os preços eram de 7200 escudos (estúdio 2) e 9500 escudos (estúdio 1), passando à noite e fins-de-semana para 11500 escudos (estúdio 1) e 10300 escudos (estúdio 2) [imagens retiradas de entrevista a Hugo Ribeiro, publicada pela Restart].


Estúdio RPE. Em 1979, o maestro Fernando Correia Martins convidou José Fortes para ir gravar no estúdio RPE – Rádio Produções Europa. Fortes remodelou o estúdio e criou condições profissionais para boas gravações, mudando o nome para Angel Studio e tornando-se sócio. O álbum Ar de Rock, de Rui Veloso, foi o primeiro a ser gravado na mesa de 24 pistas do estúdio RPE. O single Robot, dos Salada de Frutas, também foi aí gravado, do mesmo modo que Por Este Rio Acima. Também aí gravaram nomes como José Afonso, Lena d'Água e Júlio Pereira, bem como artistas da Polygram (Táxi, Heróis do Mar e Mler Ife Dada. Havia dois estúdios autónomos: Angel Studio I na rua D. Fuas Roupinho, 50 A e II na rua da Centieira, 35. Em 1988, os preços por períodos de quatro horas eram de dezasseis contos (I) e vinte e seis contos (II), reduzindo para metade aos fins de semana e feriados. O Angel Studio associou-se à Valentim de Carvalho no início da década de 1900.

Rádio Triunfo. Em 1969, José Fortes foi convidado para dirigir os estúdios de Lisboa da Rádio Triunfo, onde permaneceu cerca de dez anos. Neste estúdio gravavam os nomes de Rádio Triunfo, depois Orfeu. Moreno Pinto foi um dos técnicos ligados a estes estúdios. Em 1981, Paulo Junqueiro tinha gravado 12 fados com António Chainho.

Musicorde (Campo de Ourique). No verão de 1979, Eugénia Melo e Castro gravou neste estúdio uma maqueta de quatro originais que se destinavam ao seu primeiro álbum. A edição em CD, com o nome de Recomeço, inclui na capa um documento da editora. Em 1971, Rui Remígio entrou para a RDP e, no ano seguinte, foi convidado para trabalhar no estúdio Musicorde por Alberto Nunes (dono e sócio). Aí gravaram publicidade radiofónica, José Carlos Ary, ranchos folclóricos e bandas filarmónicas e nomes como Táxi, Lena d’Água e Trovante. Além disso, discos de José Afonso, Paulo de Carvalho, Pedro Caldeira Cabral e Ama Romanta. Em 1988 a equipa técnica era formada por Rui Remígio, Fernando Santos e Alberto Nunes. A gravação directa com duas pistas estéreo era a 2000 escudos e mais 500 escudos no caso de oito pistas.

Namouche. Tó Pinheiro da Silva entrou para estes estúdios em 1983, trabalhando também Guilherme Inês e José da Ponte. Usavam uma tecnologia diferente, a do áudio para vídeo que permitia trabalhar em pós-produção. Uma das fileiras foi a gravação para publicidade. Depois de ter estado no Brasil, Paulo Junqueiro regressou a Lisboa, mas, desentendido com Fernando Albuquerque quanto à construção dos novos estúdios da Namouche, partiu em 1985 para São Paulo. O single Barcos Gregos, dos Xutos e Pontapés, foi gravado em fevereiro de 1986, acontecendo o mesmo com Bairro do Amor, de Jorge Palma, e A Preto e Branco, de Fausto. Em 1988 tinham dois estúdios a funcionar em Benfica, um com 24 pistas e outro com oito. O estúdio de Campolide já estava desativado. Os técnicos eram Tó Pinheiro da Silva, João Pedro Leitão, João Magalhães e Luís Oliveira. Os preços eram a 3,5 contos por hora no de oito pistas e 8,5 contos por hora no outro.

Outros estúdios seriam Tcha Tcha Tcha (fundado em 1986 por Ramón Galarza, empresa de produções musicais com estúdios próprios de gravação. Os dois estúdios ainda se mantêm. O álbum Muito Obrigado, dos Ocaso Épico, foi gravado neste estúdio), Aurastúdios (Paços de Brandão, fundado por Fernando Rocha, ex-FM), Aiksom (estúdio do compositor e produtor Ricardo Landum), Xangrilá (estúdio existente desde a década de 1970, com Luís Pedro Fonseca a tomar conta a partir de 1985. Gravaram no estúdio nomes como José Afonso, Fausto, Sérgio Godinho, Madredeus, Mísia e Rao Kyão. Outros dos nomes que se mantém ligado ao estúdio é Jorge Barata), Fortes & Rangel (estúdio do Porto fundado por José Fortes e Fernando Rangel em 1962),  Matos de Oliveira (ligado à Metro-Som situado na Rua Carlos Mardel, 5-2, Lisboa, mais pequeno que o estúdio Gravisom, virado para o apoio dos músicos da música ligeira. O preço por hora, em 1988, rondava os três contos), Discossete, Edit Studio (Amadora. Da equipa técnica destacavam-se os ex-Beatnicks, Ramiro Martins e Mário Casanova), Estúdio Midi (rua Dr. Faria de Vasconcelos, 4A- Lisboa. Em 1988, a equipa técnica era constituída por Manuel Cardoso, Pedro Luís e Pita. O preço era de três contos por hora, havendo preços especiais para maquetas), Espírito Santo (avenida 25 de Abril, Almada, ligado ao UHFsom. Da equipa de técnicos faziam parte Pedro Banha e Luís Espírito Santo, então elemento dos UHF. O preço por hora era dos mais baratos, 800 escudos ou metade em caso de artistas individuais), Hipolab (rua da Torre, nº5 em Oeiras. Um dos proprietários era Renato Júnior dos Barbarella. Em 1988, já tinham gravado vários singles e uma banda sonora portuguesa. 1500 escudos era o custo da hora de gravação. Permitia o ensaio durante oito horas seguidas ao preço de 1.000$00), Polycord (praça João do Rio, 8, 1 ºEsq, em Lisboa), Gravisom (criado em 1988 por Matos Oliveira, no bairro da Encarnação), AMP (montado por Paulo Miranda em Viana do Castelo. O seu proprietário orgulha-se de ter sido ali que foi registado, em 1988, o primeiro CD português para uma independente: o Riso e o Sizo, de Félix).

5 comentários:

az disse...

Por acaso já tinha pensado em sugerir-lhe que fizesse um resumo das crónicas de "David Ferreira a Contar" sobre José Fortes emitidas na semana passada. Aborda os vários estúdios por onde passou incluindo Rádio Triunfo e RPE. Aproveito para informar que os dados acima reproduzidos referem-se a estúdios e não a editoras e a fonte era http://arquivo.pt/wayback/20100531163120/http://anos80.no.sapo.pt/topicos.htm

az disse...

Fica aqui o link http://www.rtp.pt/play/p955/david-ferreira-a-contar Para aproveitar para solicitar que fizesse um "post" sobre o fim das páginas pessoais do sapo que levaram à perda de muitas páginas, algumas com conteúdos que poderiam ter interesse. No caso anterior o site "sinfonias" recuperou mas com certeza que existirão muitos que não tiveram essa sorte. Os donos da Sapo não tiveram em conta que há autores que já podem não estar disponíveis para migrar as páginas para outros locais.

az disse...

Artigo da revista Billboard (Jul/1980) sobre estúdios portugueses (pag 54/92 do ficheiro; ES-14 do suplemento) http://www.americanradiohistory.com/Archive-Billboard/80s/1980/BB-1980-07-26.pdf

Rogério Santos disse...

Obrigado pelos comentários aqui colocados, pela sua pertinência. Foi a partir da emissão de David Ferreira que procurei saber mais sobre José Fortes e cheguei aos estúdios de gravação nacional, a exemplo de livro que li recentemente e aqui coloquei uma indicação - Howard Massey(2015). The Great British Recording Studios. Mas o tempo ainda não deu para tudo.

Manuel Melo disse...

Viva,

A fonte é o site anos80.no.sapo.pt, cujo autor desconheço. Como o sapo descontinuou as páginas pessoais eu recuperei toda a informação a partir de um dos arquivos e adicionei ao meu site que indexa melhor nos motores de busca e permite uma gestão através de site dinâmico do lado do servidor, ou CMS.
Isso está referido na secção que criei na minha base de dados. Se alguém souber quem é o autor, informem-me por favor, para atribuir créditos. Posso até atribuir-lhe privilégios de administração para essa secção para que ele possa adicionar ou actualizar informação. Só que não sei quem é.

Cumprimentos,
Manuel Melo/Sinfonias de Aço