8.4.17

O senhor Valery no Teatro da Trindade

Hoje foi o primeiro ator (José Raposo) a interpretar o texto de Gonçalo M. Tavares, As Vozes do Bairro. Na forma de teatro radiofónico levado à cena, com o ator a ler e Teresa Sobral (direção artística) e Miguel Sobrado Curado (sonoplastia) a apoiarem a representação como se fosse teatro radiofónico. Estavam lá o xilofone, a gravilha para imitar os passos e a máquina de fazer vento, com objetos do Museu da Rádio (RTP). Não contei o tempo da peça mas devem ter decorrido 50 minutos com histórias do senhor Valery, homem que leva a lógica aos limites a procurar explicar o mundo através de desenhos. Um dos exemplos foi quando dividiu a sua casa em uma ala direita e uma ala esquerda e traçou uma linha. A mão esquerda pegava nos objetos que estavam à esquerda e a mão direita os do outro lado. O seu animal doméstico, que nunca ninguém viu, vivia numa caixa com dois buracos - uma para alimentação e outro para dejeção. Da sua mulher, também nunca ninguém a viu. Valery tinha um emprego em que vendia objetos num dia e comprava objetos no dia seguinte, ganhando dinheiro suficiente para viver. Ele era pequenino mas, quando dava saltos, ficava da altura dos mais altos, só que menos tempo que estes. O programa trazia um excerto do livro de Eduardo Street sobre o teatro invisível - o teatro radiofónico.

Um enorme prazer assistir e ver a interação: quando uma espectadora não percebeu uma palavra (que eu também não entendera), ela pediu para repetir e o ator repetiu. As gargalhadas de alguns dos assistentes, pois o texto de Gonçalo M. Tavares é muito divertido porque observador e minucioso nas idiossincrasias de Valery, levavam o próprio José Raposo a parar para não se deixar contagiar com a boa reação do público.

A 13 de maio, será a vez do senhor Henri, pelo ator Filipe Duarte.


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