sexta-feira, 20 de maio de 2005

O SUCESSO DO CANAL PANDA

Segundo informação disponibilizada ontem pela newsletter da Marktest.com, o canal por cabo Panda regista um grande sucesso. Razão: os desenhos animados japoneses.

Como se lê na mesma newsletter, o canal está orientado para o público infantil, tendo mais de dez mil espectadores diários, o que o torna o segundo canal mais visto na televisão por cabo. Com programação baseada em desenhos animados, mais da metade do seu público-alvo é constituído por espectadores da faixa etária 4-14 anos. O maior volume de produção dos desenhos animados vem do Japão.

Embora pouco perceptível na mensagem, o gráfico ao lado mostra o perfil etário dos jovens espectadores (para uma leitura mais adequada, aconselho a consulta da newsletter acima indicada, fonte desta informação). O sucesso do canal tem uma forte compensação em termos de investimento publicitário, retirando-o dos canais generalistas que transmitem em sinal aberto. Por isso, embora eu não tenha estudos à mão que o comprovem, as produções nacionais, que constituiram uma fórmula de sucesso de canais como a RTP, estão a regredir. Pelo simples facto de haver uma grande fidelização a um canal que passa todo o dia desenhos animados, o que não sucede com canais generalistas, que dedicam uma parcela pequena da sua programação a tais formatos.

O último quadro (também mais visível na newsletter de onde extraí a informação) mostra os programas com maior audiência. Recupero os exibidos este ano: Monstros Rancher (84200 espectadores), DoReM (78500), Digimon (72400), Pequenas Histórias (60100) e Jimbo (58200) são os mais vistos. De notar que as cinco séries passam depois das 20 horas, em especial às terças e quintas-feiras.

Perguntas: qual a qualidade das mensagens? O que nos contam as séries? Estarão os adultos pais de crianças dos 4 aos 14 anos atentos ao que elas narram? Lembro uma mensagem que aqui coloquei, a partir de um trabalho académico de Carla Pereira, em 1 de Abril último, sobre a violência das séries de desenhos animados.

Observação: conforme escrevi no topo do post, a informação factual e os quadros foram retirados da newsletter da Marktest.com. A interpretação dos dados é da minha responsabilidade.

4 comentários:

rititas disse...

Tenho um irmão com 7 anos que está completamente alienado ao Canal Panda... Mas ultimamente não tanto, porque instalámos o Disney Channel, porque a minha mãe dizia que os desenhos do Panda eram muito violentos ou "virados para o mal".
Disney Channel ou Panda, para mim é a mesma coisa.. O meu irmão é só uma criança agressiva, com mania que lança feitiços e muito inquieto. É isto que o Canal Panda faz às crianças!! (não quero generalizar os comportamentos, mas tenho conhecimento de vários casos semelhantes).

Sandra Matos disse...

Olá!
O meu filhote (21 meses) adora o Panda, principalmente naqueles horários em que dá o Noddy, o Novita e aquela menina francesa a cantar...mas em desenhos animados...são videoclips...será que sabe o nome da menina ou grupo?
Sandra

Maria Cachucha disse...

O facto de se colocar japanimation (anime, desenhos animados japoneses, se bem que chamá-los de desenhos animados é um nome bastante depreciativo, não têm nada a ver com os cartoons básicos ocidentais) deriva do preconceito geral de se achar, na Europa, que tudo o que meta animação pelo meio é para crianças: resultado, miúdos pequenos a ver anime de rating Teen (exemplo concreto, há cerca de 6 anos, Samurai X no batatoon, um anime excelente mas de rating teen com sangue e violência, outro exemplo: Bishoujo senshi sailor moon, vulgarmente conhecido por "navegantes da lua" cujas personagens ainda que aparentassem estilo infantil, este anime é virado para adolescentes e adultos jovens) e, para cúmulo da idiotice, dobrado em espanhol e legendado em português. E claro, isto tem ponta por onde se lhe pegue? Não. Além de que o panda tem vindo a emitir anime cada vez mais velho, de má qualidade ou com enredos fracos (exemplos: lady oscar, megaman, entre outros). Pronto, resumindo, se as pessoas tivessem a decência de colocar animes das diversas faixas etárias em horários decentes (animes mais virados para teenagers em horário mais tardio e anime mais infantil a horário mais "conveniente"), não haveria este problema da "violência" na televisão. (além de que quem ainda acha que anime é totalmente e exclusivamente para crianças deve pegar no comando e mudar para a Sic radical: é capaz de se impressionar, com, por exemplo, Hellsing.)

Gostei do blog :D

Cumprimentos

Querias! disse...

Sempre vi animes e não é por isso que ando aos pontapés a tudo o que vejo...
Se têm filhos violentos, não culpem os pobres dos digimons, culpem-se a vocês, que não os sabem educar!!!
Agora os japoneses é que têm culpa de todo o mal que há neste mundo? Poupem-me...