sábado, 18 de junho de 2005

Post dedicado às leitoras do blogue

SAPATARIAS

14.jpgO livro de Jane Eldershaw, escritora e ilustradora de revistas como a New Woman e a Vogue Australia, de onde é natural, é um texto divertido. A edição em língua inglesa é do ano passado, a madrilena MAEVA editou-a em espanhol já este ano, simplificando o título para Los zapatos de mi vida.

O que se lê na portada do livro? São as memórias ilustradas, cheias de humor e sabedoria da vida de uma mulher através dos sapatos. Sim, para Eldershaw, pode contar-se uma vida olhando para os sapatos que uma pessoa - neste caso, uma mulher - usa. Misto de antropologia, sociologia, economia, ilustração e non sense, eis um livro leve para consumir num dia quente de Verão, enquanto se experimenta um calçado ligeiro.

O ponto de partida é: a prova mais reveladora dos seus valores básicos reside no seu calçado. Escreve a autora: "Depois de anos a sair com rapazes cheguei a uma conclusão indiscutível: é assombroso o número de coisas que podes chegar a saber de um indivíduo baixando o olhar até essa parte do seu vestuário" (p. 71). Por norma, os homens desesperam porque as mulheres perdem tempos infindos a ver montras de sapatos. Explica Eldershaw que isso se deve a uma velhíssima divisão de tarefas que vem desde a pré-história: os homens, fanfarrões, dedicavam-se à caça de antílopes com lança, as mulheres, precavidas, recolhiam frutos e cuidavam das coisas domésticas. Comprar sapatos tem a ver com esta recatada tarefa de recolecta (p. 109). E, com a idade, a mulher aprende a usar sapatos cómodos e práticos, libertando-se das restrições de manter um aspecto perfeito na sua actividade profissional.

Como não posso reproduzir as belas imagens do interior do livro - pois não pedi antecipadamente autorização, e incorro em pena legal se o fizer -, deixo abaixo imagens das muitas sapatarias da Avenida de Roma, aqui perto de casa, para regalo dos olhos de quem quiser.

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17.JPGDesejo muitas boas compras. Conselho: compre calçado confortável, adequado à estação. Mas pode adquirir sapatos coloridos, abertos, às tiras, com salto ou quase sem ele. Há duas semanas, se a memória me não falha, o Expresso trazia recomendações em termos de vestuário e calçado aos empregados da Caixa Geral de Depósitos, cuja sede fica perto da Avenida de Roma. Aí encontra um outro tipo de conselho!

1 comentário:

sapateira disse...

Leio atentamente a interessante informação que aqui coloca sempre, a qual já comentei c nick diferente.

Achei graça a este post [q ñ serve só a mulheres] não só pelo q diz a autora do livro, mas pq qq mulher procura nos sapatos dos outros "o sinal para o contacto" ou a mensagem de "cuidado-desleixo", "vanguarda-preconceito", "afirmação-descontracção", entre mtas outras que, instintivamente, foi recoletando das colectas feitas pelas suas contemporâneas e antepassadas.

Bom trabalho o seu