quarta-feira, 24 de agosto de 2005

MORANGOS COM AÇUCAR

Só agora destaco a publicação mensal 30 dias em Oeiras, a agenda cultural daquele concelho respeitante ao mês de Agosto. O tema de capa é a novela da TVI que se emite, durante o período escolar, todos os dias antes do noticiário das 20:00. A entrevistada é Patrícia Sequeira, coordenadora da novela desde Fevereiro último, a qual explica as razões do sucesso e as alterações que irão ocorrer agora no reinício das emissões (entrevistada por Guiomar Belo Marques)

Logo de início, Patrícia Sequeira destaca as grandes audiências devido a que, em cada série anual, "o elenco vai sendo renovado, já que tudo gira em torno de uma escola onde os alunos vão transitando de ano e partem". O mesmo ocorre com os professores do Colégio da Barra, o núcleo central. Do tempo do Pipo e da Joana, permanecem dois professores, um dos quais o Sapinho já não estará na escola. E também o casal principal, Simão e Ana Luísa, sairá, pois vão "para a faculdade". Ficam o Topê, porque chumbou, e o Zé Milho, que faz melhoria de nota e está associado ao hip hop, "tipo de música que os miúdos adoram", esclarece a entrevistada.

Para esta, o desenho da novela foi apontado "para um target entre os quatro e os vinte e poucos anos". O produto é mais descontraído que a novela da noite, continua, havendo sempre muitos mistérios e peripécias. Na última série, o mistério foi Calipso, uma rapariga que gostava muito da sua melhor amiga e lhe enviava mensagens secretas.

Com a série, tornaram-se famosos os DZR'T, cuja música enche salas. Confessa Patrícia Sequeira: "Os Morangos são, no fundo, uma maneira de melhor vender um produto, como uma vitrina fantástica". Isto é, para além das histórias, uma novela é um modelador de comportamentos (sentimentos) e um promotor potencial de merchandising (música, roupa, locais), assim como emprega o product-placement em determinadas cenas.

A criação da novela é da Casa da Criação, da NBP, e a responsável pelos actores (amadores) é Maria Henrique, apoiada por Rita Alagão. Patrícia Sequeira já tem muita experiência em novelas. Do seu porta-fólio destacam-se: Queridas feras (TVI), Segredo (no Brasil, para a RTP), Fúria de viver, O jogo e Ganância (SIC).

Observação: já escrevi sobre a série em 18 de Janeiro e 6 de Março deste ano (aproveitando mesmo trabalhos de alunos de licenciatura em Comunicação Social). Não tenho uma visão de tanta bonomia sobre a série como a do texto da agenda cultural 30 dias em Oeiras. A série é um programa comercial - nada tenho contra - mas é também um formador de comportamentos - e aí parece-me haver necessidade de acompanhar o programa. Uma determinada história num capítulo - o relacionamento amoroso ou a troca de par amoroso, por exemplo - tem, certamente, repercussões distintas num(a) jovem de vinte anos e numa criança de quatro anos - são públicos muito distintos mas que parecem de um só padrão para os organizadores da novela.

2 comentários:

Hoka Hei disse...

Sem dúvida, entender um público-alvo entre os 4 e os 20 e poucos como homogéneo é inocente/cínico, mas não é necessariamente mau. Aliás, o público-alvo poderia ter até todo a mesma idade que isso só por si seria também uma concepção homogénea de como o produto cultural seria assimilidade. Forma comportamentos? Só por si, dificilmente o definirá. Não com uma narrativa tão pobre. E, aliás, se todos os produtos culturais aparassem os cantos de forma a agradar/serem mais adequados a uma determinada franja do seu público-alvo não haveria produto cultural que sobrevivesse. A começar por um telejornal. Seria um pouco como o bolo de chocoloate do único rapaz da rua a que todas as raparigas decidem acrescentar o seu pormenor favorito e que ele, em boa educação, aquiesce para, no final, o produto final deixar de ser um bolo de chocolate mas uma papa intragável.

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