quinta-feira, 29 de setembro de 2005

DEPOIS DO PAPEL AZUL, OS POST-ITS AZUIS

Só ao fim-da-tarde de hoje é que me dediquei a ler os blogues de jornalismo e verificar que todos falaram ontem dos jornais vestidos de azul: Jornalismo e Comunicação, Blogouve-se, Atrium e Contrafactos.

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Lê-se em post de Luís António Santos, do Atrium: "Curiosamente, uma marca que se renova em busca de uma postura mais jovem, mais actualizada, optou por não alargar a campanha aos sites online dos diários seleccionados".

Eu tenho outra opinião. Quando se lança publicidade com slogans como Gostamos de fado, Gostamos de saltos altos, Gostamos de yuppies, Gostamos de almoços de graça, Gostamos de cozido, Gostamos de improvisar - como se lê nos post-its num dos anúncios -, isso quer dizer massificação. Da terceira geração de telemóveis. Os cibernautas já estão nessa onda, não precisam de saber o que já dominam. O Até já significa continuidade (de conversa) mas também necessidade (imperiosa) de mudar de equipamento para a geração UMTS. O slogan Gostamos de fotos desfocadas aponta para o serviço de imagem, o Gostamos de derbies evoca simultaneamente um serviço de mensagens e a internet.

Observação 1: mantenho a minha opinião de ontem - não gostei de ver os jornais com as capas e páginas opostas tingidas de azul. Mas reconheço que se trata de uma ideia engenhosa. Além disso, o jornal não é apenas informação. Também precisa de publicidade. Um jornal é uma empresa que vive de rendimentos (no caso dos media, venham da publicidade, das vendas ou das assinaturas). Os jornais gratuitos também se mancharam de azul. Foi um dia grande para os jornais em termos de publicidade. E não podemos esquecer que os investimentos publicitários nos jornais não têm sido famosos nos últimos anos. Não se pode ser hipócrita e querer bons jornais mas sem publicidade. Os jornais de ontem - apesar de não ter gostado, repito - estavam embrulhados, como se fosse o artista de instalações Christo a embrulhar uma ponte ou a estátua da Liberdade.

Observação 2: em 2004, o sector que mais investiu em publicidade foi a indústria alimentar (12,3% do total), seguindo-se a higiene pessoal (9,8%) e serviços e equipamentos de comunicação, onde se inclui a TMN (9,4%) (Anuário de Comunicação, 2004-2005, Obercom, p. 352). Ainda em 2004, a TMN foi a quarta empresa em termos de investimentos publicitários (€63 milhões), a seguir à Vodafone (primeira, com €82,7 milhões), Procter & Gamble e Modelo Continente (mesmo anuário, p. 355).

3 comentários:

Mário disse...

"Gostamos de fotos desfocadas"

Como isto faz troça dos fotógrafos, é como dizer: as nossas cameras incorporadas são uma bosta, já há bem melhor, mas voçês vão pagar bem por elas e ainda vão agradecer por serem tão mal servidos que não têm cérebro para mais!

Desculpe o desabafo, mas esta linha de pensamento dos publicitários irrita-me sobremaneira!!!

luis disse...

Rogério,

Mais uma salutar discordância.
Na minha opinião, a TMN (como a Coca-Cola, a Vodafone ou a Super Bock) já não faz publicidade para vender um produto há algum tempo; o que a TMN faz é reforço de imagem e a sua presença associada a eventos relacionados com os jovens, como os festivais de música, enquadra-se nesta estratégia.
É partindo deste entendimento que surge a minha observação e, como o Pedro Fonseca tão bem lembrou, a aposta da TMN é tão mais incompreensível quanto todos os indicadores apontam para a crescente importância de: 1)a publicidade online; 2)a presença da net nas nossas vidas diárias.
Honra seja feita à TMN - sempre teve destaque na net...quanto mais não seja através das inúmeras menções em blogs!
Um abraço,

Rogério Santos disse...

Obrigado, Mário. Obrigado Luís: a discordância é intelectual, logo é salutar - estou de acordo contigo.