quarta-feira, 23 de novembro de 2005

SOBRE O GMAIL

No passado domingo, o Sunday Times trazia uma página dedicada ao email da Google, o Gmail (Google Mail, no Reino Unido). É que há o receio do Gmail perder confidencialidade, podendo qualquer mensagem ser interceptada por alguém com menos escrúpulos.

sundaytimes20112005.jpgA história começou na Primavera do ano passado, quando Larry Page e Sergey Brin, os fundadores da empresa, delinearam um novo tipo de email, que queriam mais rápido, barato e inteligente. Planearam oferecer um espaço de um gigabyte (mil megabytes) a cada pessoa que abrisse uma conta na rede do Google, 500 vezes mais do que o oferecido pela Microsoft e 250 vezes mais que a Yahoo.

David Vise - em livro publicado pela MacMillan e com o título The Google Story, com extracto publicado no jornal e que eu sigo - narra o facto da Google, para tornar rentável o seu produto desde a fase de ensaio, colocar publicidade dentro de cada mensagem de correio electrónico. A publicidade tem uma "relevância contextual", adaptando-se ao que cada mensagem contém, através de palavras-chave. Isto é, há uma máquina que observa as mensagens e atribui a dita relevância contextual. Dizendo de outra maneira, as mensagens são lidas não apenas por quem envia a mensagem e por que a recebe. Tal põe em risco a reputação e o bom nome da Google, como escreveu Walt Mossberg, respeitado colunista de tecnologia do Wall Street Journal.

A questão levou políticos e grupos privados a atacarem a Google. A Privacy Rights Clearance, com sede em San Diego, na Califórnia, e outros trinta grupos de defesa dos direitos civis assinaram uma carta a pedir a suspensão do Gmail, assim como tornar explícitas as políticas e práticas em termos de partilha de dados. A carta de 6 de Abril de 2004 indicava que o uso de publicidade nas mensagens de correio electrónico reduzia em muito as expectativas quanto à privacidade das mesmas.

Foi então que os fundadores do Google se viraram para Brad Templeton, um especialista em internet e amigo de longa data de Larry Page e Sergey Brin. Templeton sugeriu que as mensagens fossem encriptadas, de modo a ser tecnicamente impossível procurar um arquivo completo. Uma outra questão associada é a do arquivo das mensagens electrónicas guardado por mais de 180 dias por parte da Google. Levanta-se a ideia da sociedade do Big Brother, a da vigilância de todos os movimentos de um cidadão. Esta possibilidade parecerá mais real se se encarar a hipótese de fusão dos motores de busca do Google com o Gmail.

2 comentários:

MJ disse...

Um alerta crucial numa blogosfera que a Google pretende amigável mas que é permanentemente bloqueada por interpelações virtuais fantasmáticas e implacáveis.

Sérgio Nunes disse...

Um texto claramente FUD (http://en.wikipedia.org/wiki/FUD).

Substituindo a palavra GMail por Hotmail, Yahoo!Mail ou qualquer outro serviço de mail, a interpretação pode ser a mesma.

Mesmo o mais básico serviço processa (de forma automática!) as mensagens para, por exemplo, fazer pesquisas. Isto é, só conseguimos pesquisar as nossas mensagens porque o conteúdo delas é processado por programas. É exactamente o acontece com os anúncios do Google.

Um problema mais real é o cruzamento de informação que o Google pode fazer entre serviços. Aí sim, acho que é necessário tomar algumas precauções.

Por outro lado, uma vantagem do Google em relação a outros serviços é a clareza com que apresentam a política de privacidade.