quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

AINDA O PORTO

Claro que a Manuela D. L. Ramos, do blogue Aliados. Em defesa da Avenida dos Aliados e da Praça da Liberdade, tem razão, quando coloca um comentário ao meu postal anterior. Eu saí do metro e subi pela estação da Avenida dos Aliados e reparei nas obras (e já deitara as mãos à cabeça quando vi todo o jardim desfeito, quando por lá passei no dia anterior).

Mas o objectivo do IC é reflectir sobre indústrias culturais e criativas - e, de passagem, trabalhar, publicidade e lojas. Daí não ter referido esse lado desolado do Porto.

Já agora junto três imagens de um Porto mais feliz.



2 comentários:

MJE disse...

Imagens a reter porque, como dizia Matta, cada um deve fazer a sua própria poesia.

O 'olhar' sobre os objectos será sempre diferente para cada pessoa, assim como a experiência dos espaços, que será constantemente reconfigurada pela vivência das gentes de diferentes gerações.

E 'arte' não 'é' mas 'acontece', ou seja, como diz N Goodman, deveremos perguntar 'quando acontece arte' e não 'o que é arte'.

Para mim, acontece arte nessas 3 fotos do Porto :)

manueladlramos disse...

Belas fotos sem dúvida, e obrigada caro Rogério pela consideração. Apesar de todo o nosso desconsolo pelo avanço das obras e pela política do "facto consumado" hoje estou não diria mais feliz, mas francamente menos infeliz graças ao texto que o historiador e professor Helder Pacheco publicou no Jornal de Noticias. Vem um pouco tarde como tardia foi a nossa acção judicial mas é consolador ouvir alguém como ele dar-nos razão. Tomo a liberdade de transcrever a parte final do artigo que pode ser lido na íntegra aqui.
«A Avenida é, hoje, o espelho de meio século de políticas de desarrumação do centro, que conduziram à decadência da Baixa.

No entanto, se um vasto programa de revitalização e reabilitação deste espaço magistral e carismático se impõe como inadiável, nada justifica que se desfigure o que ainda resta do espírito do lugar - jardins, passeios e árvores, os seus atributos. A herança do Porto 2001, de alterar o chão e deixar o resto ao abandono, parece ter firmado raízes.

Requalificar o espaço da Avenida? Fazer regressar os bonitos candeeiros de ferro que foram substituídos pelos horrorosos postes de rotundas? Restituir à Praça a dignidade da sua placa central que, aos poucos, passou a uma nesga ovóide e vergonhosa? Acabar com as patológicas travessias de peões e resgatar a Praça para as pessoas? Substituir o túnel dos Congregados, retrato de uma sociedade que despreza os direitos dos deficientes à mobilidade? Acabar com o estacionamento selvagem de automóveis, e de autocarros a fazer horas? Transformar o espaço em redor da estátua de Garrett num sítio aprazível, com bancos (mas não de pedra), lagos, etc.? E mais coisas positivas? Sim, totalmente de acordo.
Agora que requalificadores promovidos a proprietários da História, em nome da transformação, abastardem as nossas referências e trapaceiem os nossos símbolos é um exercício absurdo de agressão à cidade. Com o visto do IPPAR! E o pior ainda está para vir, quando os requalificadores impuseram que das Cardosas à Câmara é Praça e tudo seja liberdade! E morra, de vez, a Avenida. É preciso ter desaforo!

Os pós-modernos devem aplaudir. Os apreciadores da modernização a martelo também. Por mim, que já vivi, vi e suportei muitas ofensas, direi, como meu pai, lojista honrado da Baixa do Porto, que estas coisas me revoltam as entranhas. Porque, afinal, o que está em causa não é só reinventar a Avenida, é falsificá-la.»

Saudações cordiais