12.9.06

PORTO

No Porto, detectam-se dois pares de oposições ou complementaridades: cosmopolitismo versus tradição, anacronismo e provincianismo.


A jovem americana, estudante de pintura, estava a fazer o seu primeiro trabalho no Porto, onde vai permanecer durante duas semanas na "adorável cidade", como me disse, trouxe cosmopolitismo. Com ela, um grupo de pintoras mais velhas, todas falando inglês, lembrava os artistas que se iniciam copiando obras de mestres, no Louvre. A mesa no restaurante próximo estava reservada para elas, que se revezavam. Não muito longe dali, no rio Douro, os rapazes (e as raparigas) que se atiravam do molhe do rio e do tabuleiro inferior da ponte D. Luís olharam com espanto o pequeno vídeo que produzi e lhes mostrei, como se eu fosse Manoel de Oliveira e estivesse a fazer o filme Aniki Bobó. É o lado da tradição.

A tradição e o cosmopolitismo também se detectam nas duas diferentes gerações de transportes de tracção eléctrica da cidade. Há ainda um relevo ao lazer e ao turismo, alargando a "pele" oceânica e ribeirinha. Eu nunca vira tantos turistas na cidade.

O anacronismo engloba os balcões bancários encerrados após movimentos de concentração do sector. Na parte mais nobre da cidade dói ver essas imensas superfícies abandonadas e grafitadas. Alguns dos edifícios têm uma traça arquitectónica interessante. A acompanhar este abandono, as obras de reparação da zona da estação ferroviária de S. Bento - que se seguiu à da avenida dos Aliados - provocaram rombos irreparáveis no comércio da zona, com lojas fechadas e outras antiquadas. Lojas e espaços comerciais e de serviços fechados são pragas que se alargam aos ainda em actividade, pois os clientes fogem da zona.


O provincianismo vai para a forma como a avenida dos Aliados foi deixada; os antigos jardins deram lugar a um áspero chão de cimento. A praça maior da cidade - muito mais bonita do que as praças principais de muitas cidades espanholas e tão ou mais bonita que a festejada praça de Venceslau em Praga - está triste. Infelizmente, o movimento cívico não impediu a vontade do presente poder político da cidade em tornar feia uma coisa bonita e alegre.












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