Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

27.5.15

Felisbela Lopes apresenta livro sobre jornalismo em Lisboa

Foi hoje ao fim da tarde que Carlos Magno, presidente da ERC (à esquerda) apresentou o livro de Felisbela Lopes, docente da Universidade do Minho (ao centro), e com Zita Seabra, responsável pela editora Alêtheia. O livro chama-se Jornalista. Profissão Ameaçada. Começa do seguinte modo: "Os jornalistas vivem hoje sob permanente pressão. Pressão para ser rentável. Pressão para fazer a cobertura de determinado acontecimento. Pressão para ouvir este ou aquele interlocutor".


Em poucas palavras de apresentação, a editora regozijou-se por, no livro, se juntar a academia e os profissionais da coisa. Depois, Carlos Magno, na linguagem simultaneamente jornalística e erudita que o caracteriza, referiu o texto como sendo de leitura não necessariamente linear mas uma obra para ser consultada e revisitada. Para ele, a autora apagou-se face aos inquiridos, deixou falar cem jornalistas, que responderam ao inquérito que está na base do livro e sem se importarem de responder a questões polémicas. O que significa que os profissionais estão à espera de ser desafiados na sua profissão, embora possam ter dificuldade de auto-reflexão. O livro, para Carlos Magno, mostra as pressões económicas, políticas e de mãos invisíveis que marcam a agenda mediática, e contra a qual os jornalistas se devem erguer.

Quer Carlos Magno quer Felisbela Lopes expressaram uma posição semelhante face à atual discussão sobre a legislação sobre a cobertura da campanha eleitoral que se avizinha. Para o primeiro, os diretores dos media devem fazer e conduzir a discussão. E devem defender o espaço editorial. Magno olha o problema de dois ângulos: 1) à profissionalização das fontes de informação corresponde a proletarização dos jornalistas, 2) recuperação do poder do editor como responsável do espaço editorial. Ele frisaria ainda mais dois pontos: 3) criar alternativas à existente agenda mediática, 4) juntar, como no presente livro, a experiência dos jornalistas e a investigação académica.

Este último tópico foi recuperado por Felisbela Lopes, que destacou a disponibilidade dos jornalistas para responderem às suas perguntas. A autora acredita no futuro do jornalismo, apesar de encontrar tensões agravadas (pressões económicas e políticas como o começo do seu livro anuncia). "A pressão de lucro não pode ser cega", num enunciado próximo do manifesto.

[ouvir parte da apresentação de Felisbela Lopes em  https://soundcloud.com/rog-rio-santos-6/felisbela-lopes]

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