Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

27.8.16

A ecologia no filme Amanhã

Entusiasmei-me com a adesão de Portugal ao euro. Os anos mais recentes têm-me tornado prudente. Entre defensores e detratores do euro, começo a tender para os que veem muitos males na moeda europeia. Por isso, fiquei encantado com a ideia de moedas locais em várias cidades europeias como aparece descrita no filme Amanhã, de Cyril Dion e Mélanie Laurent (2015). Mostram eles que uma moeda local é um complemento da moeda nacional mas visa fazer girar a riqueza pelas múltiplas atividades dentro de uma comunidade, uma cidade por exemplo, e não continuar a existir a fuga do dinheiro para outros países ou paraísos fiscais.

Outras ideias que acolheram a minha simpatia foram as de permacultura, das hortas urbanas e de reciclagem, apresentadas de um modo que eu desconhecia totalmente. De repente, tive o sonho de abalar da cidade grande para uma aldeia, viver junto da natureza e produzir aí.


Outras ideias do filme provocaram-me admiração: os autores do filme obtiveram financiamento para o filme através de campanha lançada na plataforma de crowdfunding KissKissBankBank. Queriam reunir 200 mil euros em dois meses, o que conseguiram em apenas dois dias. No final dos dois meses, juntaram perto de 450 mil euros e quase um terço dos financiadores pediu para serem plantadas árvores como troca do donativo. Depois chegariam parceiros como France 2, Orange Cinema Séries, Agência Francesa de Desenvolvimento, fundação AKUO, rede Biocoop, empresa de energia Enercoop, Veja, Léa Nature, Distriborg, Hodzoni, Féminin bio. Com o orçamento de 1,2 milhões de euros, foi possível fazer o filme.

Cyril Dion é poeta, escritor, ator e ativista fundador do Mouvement Colibris, de que foi dirigente até 2013, com o objetivo de construir uma sociedade mais ecológica e humana, Mélanie Laurent é atriz e realizadora de cinema. O filme, vencedor do César de Melhor Documentário de 2016, parte de um estudo científico publicado na revista Nature em 2012, o qual anuncia o colapso dos nossos ecossistemas e o fim das condições de vida estáveis na Terra.

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