Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

18.12.16

Museu de Música Mecânica, de novo

No Museu de Música Mecânica (Pinhal Novo, Palmela), aprendi hoje que, antes da gravação de discos, houve gravação em cilindros. O equipamento era usado nomeadamente em escritórios em que as secretárias deixavam mensagens ao patrão sobre o expediente e restantes atividades comerciais da empresa. O que melhora a minha compreensão do registo sonoro. Na rádio, é dito que o registo inicial foi em disco. Será que as primeiras estações de rádio gravaram música em cilindros?

Na fotografia, uma das primeiras juke boxes, marca Regina, de seis cilindros (Estados Unidos, 1912). Colocada num sítio público, funcionava com uma moeda, com seis melodias cujos títulos se expunham na parte superior do aparelho.

No vídeo, o colecionador dr. Luís Cangueiro em três momentos da visita guiada: 1) fonógrafo de Edison, 2) Frank Sinatra numa canção de Natal, 3) canção Auld Lang Syne, melodia popular tradicional, conhecida em países ingleses e cantada para comemorar o começo do ano novo. Robert Burns em 1788 adaptou-a com um poema seu, conhecida como The Song that Nobody Knows, porque ninguém se lembra desse poema, que começa assim: Should auld acquaintance be forgot / and never brought to mind? / Should auld acquaintance be forgot/ and days of auld lang syne? / For auld lang syne, my dear, / for auld lang syne, / we'll take a cup of kindness yet, / for auld lang syne.

 

Atualização em 25 de janeiro de 2017: um leitor enviou-me a seguinte mensagem, que coloco aqui:

"Caro Professor Rogério Santos, descobri há pouco o seu blog, sobre o qual o felicito pela excelente compilação de artigos. No entanto, e sendo esta a minha área profissional, queria clarificar um pormenor no artigo "Museu da Música Mecânica, de novo" (https://industrias-culturais.hypotheses.org/27200).

"A hipótese que levanta sobre a possibilidade da gravação sonora em cilindro nas rádios carece clarificação. De facto, quando as rádios, nomeadamente em Portugal, iniciam a sua emissão sonora (exceptuando a rádio-telegrafia que não contém informação sonora), já a gravação em cilindros se encontrava em declínio. Adicionalmente, a gravação sonora em cilindro possui fraca qualidade de som, o seu suporte era extremamente frágil e o número de leituras era reduzido. Por esse motivo, no final dos anos de 1920, foi desenvolvida a gravação em "disco instantâneo" (também conhecidos por Laquers).

"A título de exemplo, cerca de 1912 a Colombia deixou de utilizar cilindros. O mesmo aconteceu por volta 1929 com Edison. Por fim, foi em 1925 que foi efectuada a transição da tecnologia de gravação em disco do domínio mecânico (conhecido por gravação acústica) para o domínio electromecânico (gravação eléctrica).

"Os melhores cumprimentos,

"Isaac Raimundo"

1 comentário:

Jorge Guimarães Silva disse...

Nunca se gravou, para a rádio, em cilindros. Sempre foi em disco e em fio de aço magnetizado. O fio de aço foi substituído pela fita magnética (totalmente na década de 1960), sendo um "standard" de registo áudio até ao inicio do século XXI. A gravação em disco durou até à década de 1940.