terça-feira, 9 de janeiro de 2007

PRIMEIRAS PÁGINAS DE JORNAIS

Conforme o indicado, Luís Trindade apresentou a comunicação Primeiras Impressões. Entrar no mundo através das primeiras páginas dos jornais no II Seminário de cultura de massas em Portugal no século XX. A comunicação andou em torno do seu trabalho recentemente publicado, para o que ele convocou ideias como vida cultural e jornalística no começo do século XX, jornalismo enquanto veículo de imagens e acontecimento.

Trabalhando 45 acontecimentos da história política portuguesa e seu reflexo nos jornais, desde o regícidio do rei D. Carlos (finais do século XIX) até ao referendo em Timor-Leste (anos de 1990), Luís Trindade deu relevo principal às primeiras páginas devido às imagens (imagens, títulos e colocação e dimensão de títulos), a partir de dois pressupostos: 1) imagem como poder persuasivo maior do que qualquer outra forma de recepção, e 2) a imagem pode confundir-se com a própria realidade.

Luís Trindade tem uma tese: há uma despolitização crescente nos media (no caso do seu estudo, os jornais), em que o jornalismo político e o jornalismo informativo dão lugar ao fait-divers e ao sensacionalismo. A leitura de primeiras páginas em acontecimentos ao longo de mais de um século serviram para provar a sua perspectiva. Falando de jornais mais conservadores e de jornais mais modernos, de jornais identificados com o regime (Estado Novo, dada a sua longa duração e a presença do líder Salazar em mais de três décadas) e jornais oposicionistas, com claras demarcações, em especial durante os momentos de aniversário do regime.

Foram duas horas e meia de palestra e tertúlia, tempo que passou muito depressa e onde se apresentaram tópicos (e se discutiram os mesmos). Estes espaços de discussão são muito importantes, pois falta saber tanto da história dos media em Portugal. Mesmo que se tenham visões incompletas e se arrisquem hipóteses não comprováveis em estudos posteriores, é fundamental a apresentação de ideias e a sua partilha.

1 comentário:

Anónimo disse...

Seria possível informar-me qual a editora do livro. Estou deveras interessada! Obrigada.
computerarte@sapo.pt