Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

7.7.05

LEITURA DO BLOGUE JORNALISMO E COMUNICAÇÃO

Como sabem, tenho uma preferência pelas leituras do blogue Jornalismo e Comunicação [e, de modo imodesto, acho que a equipa daquele blogue tem uma atitude recíproca para com o I. C.].

No domingo, reflecti sobre o que Manuel Pinto colocou no blogue sobre o arrastão de Carcavelos a 10 de Junho passado. Ele lera uma pequena notícia (mais comentário ou apontamento) de Adelino Gomes no Público sobre um vídeo da jornalista Diana Andringa sobre o mesmo acontecimento. Eu também lera e dera a pensar comigo - que pena não ter sabido e ter dado uma espreitadela na Videoteca de Lisboa. arrastao.JPGO vídeo teria como objectivo desmontar "a ligeireza com que os canais generalistas - e os jornais, no seu rasto - construíram um acontecimento [o "arrastão"] que esteve muito longe de assumir a dimensão que os media lhe imprimiram" [retiro do blogue, mas não sei agora a quem atribuir a citação]. Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho deixava uma pergunta: "a existência deste trabalho de Diana Andringa já tinha sido divulgada em algum sítio"?

Dois outros blogueiros, João Paulo Meneses e Pedro Fonseca, muito atentos a estas coisas, apressaram-se a dar a indicação do sítio onde está alojado o vídeo: Era uma vez um arrastão [confesso que não consegui entrar no vídeo, mas isso relaciona-se com incompetência minha; mas pode ver-se a imagem de entrada do sítio de Andringa aqui no post].

Conclusão sumária: um blogue, instrumento fácil, económico e objectivo em termos de imediaticidade, consegue fornecer versões variadas e que se completam, a partir de uma fonte. No caso presente, a cadeia de desenvolvimento do tema envolveu dois jornalistas dos media clássicos, interagindo com outros jornalistas e analistas dos novos media (Andringa, vinda da televisão, usa já e também a internet para passagem do seu testemunho). As redes formais e hierárquicas são substituidas por redes informais, de geometria variável (número de elementos não constante) e de grande interactividade, que acrescentam informação. Eu li Adelino Gomes mas acedi ao trabalho de Diana Andringa através da mediação de blogues. Isto é, cada vez mais é fácil dar perspectivas alternativas de um acontecimento. Em tal contexto, a profissão de jornalista altera-se profundamente.

Conclusão menos sumária: o blogue não é de intervenção política (há-os bons na blogosfera) mas o blogueiro não é neutro em termos de sentimentos políticos: a ideia de Alberto João Jardim dizer que não quer chineses na Madeira - e há correlação entre o arrastão e o que disse o responsável máximo pela governação da região autónoma - poderia ler-se ao contrário (como referiram os jornais): e se os países de acolhimento de madeirenses dissessem "não queremos cá mais os madeirenses"? Não seria catastrófico, provocando arrastões mais violentos (ou mais bem encenados)?

Comentário meu colocado às 22:31: obrigado pelos comentários a este post. Foram todos igualmente apreciados por mim, apesar de distintos.

5 comentários:

mjr disse...

Como sempre, estão associadas neste post, uma competência profissional e uma análise crítica fundamentada, que ajudam o leitor deste blog a interpretar a realidade.

Manuel Pinto disse...

Bem visto, Rogério. Faço minhas as palavras do escritor anterior.

J. Fidalgo disse...

Este é um tema que me seduz particularmente: o das modificações da profissão de jornalista. Sobretudo porque, em meu entender, estas modificações vão-se fazendo por 'acrescentos' que complementam e não por 'substituições' que excluem. As formas tradicionais do exercício da profissão vão, elas próprias, ficando mais ricas e complexas através do diálogo e da interacção que estabelecem com as formas propiciadas pelos novos meios (de que a Internet é o elemento incontornável). Além disso, com elas coexistem formas próprias, inovadoras, de pesquisa, tratamento e difusão de informação que, podendo não se chamar nem ser "jornalismo" no sentido habitual (e qual o problema?...), contribuem também para a dinamização do debate público e para a mobilização dos cidadãos. Para mim resulta claro, portanto, que não vai acabar esta ou aquela forma mais tradicional de trabalhar a informação: vão surgindo novas formas, com um lugar próprio de características específicas, e essas novas formas vão contribuindo também para desafiar, enriquecer, complexificar, alterar, as formas a que nos tínhamos habituado. Modifica-se o trabalho dos jornalistas - e alarga-se esse tipo de trabalho a outros modos de fazer, digamos, não-jornalísticos. Não é preciso que tudo seja "jornalístico" para que seja "bom", no que respeita ao trabalho da informação no espaço público.

Workaholics disse...

Caro Rogério


Muita gente se esqueçe do tipo de condições que os emigrantes Portugueses têm nos outros países...serei a única a saber que a maioria trabalha em condições sub-humanas??que a maioria está servindo á mesa horas e horas sem descanso?Que acumulam trabalhos pra fazer frente as despesas?Serei a única que sabe que os Madeirenses (e não só) são vitimas de xenofobia diariamente em Londres??
Qual é o problema de o Alberto João Jardim dizer que não quer os chineses lá?Para quem conheçe a realidade madeirense e o continente percebe que o Sr não se referia aos chineses n sentido depreciativo como raça, mas sim como empresários. Cá no continente já nos habituamos as lojas chinesas e verifico que existe um certo exagero, na Madeira esse fenomeno é bastante recente e há ainda poucas lojas. Das palavras do AJJ depreendo que ele se refere as lojas chinesas que só prejudicam o comércio tradicional. Acham que o dinheiro que os chineses lucram nas suas lojas fica cá em PortugaL? não me parece!!Subscreo as palavras do AJJ e digo mais tambem quero os Espanhois longe! É por estas por outras razões que Portugal está como está! Gostava de perceber porque que apenas as declarações polémicas do AJJ é noticia no continente e o resto não!!

Ps: para quem não sabe neste último mês pela terceira vez que foram detectados Espanhois a pescar na nossa ZEE, chegando ao ponto de ameaçarem e e atirar objectos aos guardas.

Ps1:não, não sou a favor do AJJ e nem sou do PSD...

Marisela

Workaholics disse...

Afinal não sou a única a pensar assim, leiam este texto que se encontra publicado no Diário de Notícias da Madeira nas cartas do leitor