sábado, 5 de maio de 2007

TELEVISÃO DIGITAL - I


No dia 21 do mês passado, o semanário Expresso dedicou longo espaço à televisão (incluindo a digital) - como aqui destaquei.

Hoje, a televisão digital volta a ocupar um lugar nobre no mesmo semanário: duas páginas. Poucas novidades traz além do já conhecido há duas semanas. Mas realinha o material informativo, a partir de palavras contidas no antetítulo, título e pós-título do conjunto de peças noticiosas: "conflito de interesses", "guerra" e "cenários", tudo com base em proposta governamental sobre a televisão digital. Estas palavras-ideias remetem para um próximo anúncio governamental sobre o tema, com as várias forças (económicas, empresariais na área dos media) a alinharem expectativas.

A matéria informativa divide-se em três partes, a primeira com contextualização - agentes políticos (com citação de Arons de Carvalho, deputado da maioria parlamentar, e alusão à prudência na assunção de ideias por parte do ministro Santos Silva antes do regulamento de atribuição de licença em sinal aberto), historial de situações internacionais (Reino Unido e Espanha, com casos de insucesso de pacotes pagos na televisão digital) e análise da decisão prometida para final do ano. A segunda peça refere o switch-off previsto para 2012 (passagem do sistema de transmissão analógico para digital em toda a UE) e o número de lares potenciais a receber televisão digital terrestre: 1,6 milhões de lares, num universo de 3,6 milhões.

A terceira peça é, para mim, a mais importante. É uma espécie de radiografia das perspectivas dos diferentes grandes actores empresariais de televisão (e os putativos). Há agentes já instalados no mercado, e que terão garantidos canais na televisão digital terrestre: RTP, SIC e TVI. Dos agentes mediáticos putativos (Controlinveste e Cofina), a novidade está na Cofina, pois já está pronto um projecto de canal generalista. Nomes que delinearam esse projecto: Manuel Fonseca (ex-director de programas da SIC) e Margarida Marante, jornalista conhecida.

Fixo-me na coluna "SIC digitalizada". O jornalista escreve que ainda não há uma posição oficial por parte da empresa, mas o jornal - que pertence ao mesmo grupo de media - já sabe e cita fonte da empresa ("se quisessemos podíamos transmitir em TDT já amanhã"). Não há posição oficial mas alguém fala sobre essa posição - estranho, não é?

A minha leitura sobre o espaço nobre dado ao tema é a importância vital da televisão no grupo mediático a que pertence o Expresso. Garantir um canal na nova televisão é assunto resolvido; as questões advêm da nova concorrência, chame-se Cofina ou Controlinveste, pois disputarão os investimentos publicitários agora repartidos por SIC, TVI e RTP, esta em lugar mais recuado. Por outro lado, aumentam ainda mais as dificuldades em termos de uma repartição de publicidade para os canais existentes quando o PSD fala em introduzir no seu futuro programa de governo a (discussão da) privatização do primeiro canal da RTP.



1 comentário:

Anónimo disse...

Esse artigo é uma peça de jornalismo tão brilhante que, na "caixa" dedicada a explicar ao leitor o que é a televisão digital terrestre, se começa por afirmar que "dentro de alguns anos deixará de haver antenas nos telhados..."
Alguém deve ter dito ao estagiário que preparou o texto que a TDT se recebia através do "dedo" enfiado na tomada de antena...