O número 10, com data de Dezembro de 2009, do BD'/10, Boletim de Informação do CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem) da câmara da Amadora é dedicado à 20ª edição do Amadora BD, realizada em Outubro último.
O álbum Metrópole Feérica - Terra Incógnita, volume 1, de Luís Henriques (desenho) e José Carlos Fernandes (argumento) foi o vencedor em três categorias destinadas a autores nacionais - melhor álbum, melhor desenho, melhor argumento. François Schuiten e Benoït Peeters ganharam dois prémios, aquele com o melhor álbum estrangeiro, este com o prémio Juventude, pelo álbum A Teoria do Grão de Areia. O 1º prémio cartoon foi ganho por Bruno Sá.
A edição de 2009 do festival de banda desenhada serviu ainda para homenagear Artur Correia (revistas Papagaio e Cavaleiro Andante) e Maurício de Sousa (brasileiro, ilustrador do suplemento infantil do jornal O Estado de S. Paulo).
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
AUDIÊNCIAS DOS MEDIA
Já foram publicados os valores de audiência de rádio e jornais pela Marktest referentes ao último trimestre de 2009. Os quadros seguintes dão esses valores e a sua comparação com o último trimestre de 2008 (dados recolhidos da publicação online Meios & Publicidade de hoje, aqui e aqui).
Na rádio, as estações da Media Capital viram subir as audiências de véspera, nomeadamente a Rádio Comercial e a M80 (esta irá ocupar as frequências do Rádio Clube, por troca, o que significa que aumentará provavelmente as audiências dada a melhor cobertura). Nos jornais, houve aumentos de índices de leitura, o que indicia recuperação (as vendas parecem-me um melhor indicador, porque entram na economia real). Isto excepto os gratuitos, que registaram fortes quebras.
Na rádio, as estações da Media Capital viram subir as audiências de véspera, nomeadamente a Rádio Comercial e a M80 (esta irá ocupar as frequências do Rádio Clube, por troca, o que significa que aumentará provavelmente as audiências dada a melhor cobertura). Nos jornais, houve aumentos de índices de leitura, o que indicia recuperação (as vendas parecem-me um melhor indicador, porque entram na economia real). Isto excepto os gratuitos, que registaram fortes quebras.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
A COMPRA DA TVI
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não permitiu a compra da TVI pela Ongoing enquanto esta não vender a participação na Impresa (SIC, Expresso, Visão). Esta situação de aquisição reporta a Setembro de 2009.
COLÓQUIO METAMORFOSES DA CRIATIVIDADE
Conforme indicado, realizou-se hoje o colóquio Metamorfoses da Criatividade. Na primeira imagem, e da esquerda para a direita: Miguel Serras Pereira, Isabel Gil, Joana Vasconcelos e Alexandre Castro Caldas. A realização foi conjunta da Faculdade de Ciências Humanas daquela universidade e do Centro Nacional de Cultura.
CONFERENCE ON MEDIA AND COMMUNICATION AT OPORTO UNIVERSITY
Call for papers for Selling Politics and War - I International graduate conference on media and communication (ICMC). University of Porto, May 13-14 2010.
The conference is organized by the Centro para as Ciências da Comunicação (C2COM -University of Porto) and the European Communication Research and Education Association’s Young Scholars’ Network (YECREA). Invited speakers include Paolo Mancini (Università di Perugia) and Philip Hammond (London South Bank University). The conference will provide a timely opportunity to spark a discussion on the dynamics between media and the political world, in different countries, with a particular focus on the role of the media in exceptional times: the way candidates and parties are covered during elections campaigns and the media performance in wartime periods.
An electronic version of the extended abstract, with a preferred length between 750 to 1000 words, accompanied by contact details and a brief bio on a separate page, should be sent no later than February 28th. All proposals should be submitted to the email: icmc2010abstracts@icicom.up.pt. Notification of acceptance will be sent by March 15. For more information, please visit: http://icmc2010.wordpress.com/.
The conference is organized by the Centro para as Ciências da Comunicação (C2COM -University of Porto) and the European Communication Research and Education Association’s Young Scholars’ Network (YECREA). Invited speakers include Paolo Mancini (Università di Perugia) and Philip Hammond (London South Bank University). The conference will provide a timely opportunity to spark a discussion on the dynamics between media and the political world, in different countries, with a particular focus on the role of the media in exceptional times: the way candidates and parties are covered during elections campaigns and the media performance in wartime periods.
An electronic version of the extended abstract, with a preferred length between 750 to 1000 words, accompanied by contact details and a brief bio on a separate page, should be sent no later than February 28th. All proposals should be submitted to the email: icmc2010abstracts@icicom.up.pt. Notification of acceptance will be sent by March 15. For more information, please visit: http://icmc2010.wordpress.com/.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
REFLEXÃO EM TORNO DOS GRAFFITI
O termo graffiti tem a sua origem nos signos desenhados e gravados na pedra. Mais perto de nós, graffiti relaciona-se com a cultura do hip-hop, "um meio de expressão social e de comunicação específica, normalmente realizado por jovens, num determinado suporte. Utiliza normalmente como riscador o aerossol e é composto por composições onde predominam figuras e fundos ou figuras, fundos e texto, com preocupações de ordem estética. É realizado com diferentes cores e com traços que o identificam, distinguindo-o de outra qualquer expressão visual" (Almeida, Oliveira e Costa, 2005, p. 362, publicado aqui, e de onde retirei as imagens montadas a seguir). As mesmas autoras distinguem, nos espaços urbanos, graffiti móveis, estáticos e mistos, com os primeiros exectuados em comboios e os segundos para protecção de obras.
O graffiti mais simples é o tag, que mostra o nome (tag) do writer (autor), através de letra estilizada, escrito rapidamente com aerossol, com um único traço e uma única cor, socialmente entendido como simples acto de vandalismo. O throwup é um tag com letras de maior dimensão. Há quem faça uma distinção do anterior, o bombing, uma assinatura mais elaborada, que se destaca visualmente pela cor, linhas e dimensões. A color piece é um trabalho realizado por um ou mais writers, com um deles a ser o orientador (Almeida, Oliveira e Costa, 2005: 365-366).
As imagens em cima e ao lado foram retiradas do sítio Fecal Face (fotografias de Jeremiah Garcia). A imagem em baixo foi feita por mim (Setembro de 2007).
Leitura: Susana Távora de Almeida, Rosa Maria Oliveira e Nilza Costa (2005). "O graffiti : uma perspectiva de comunicação na educação". In António Fidalgo, F. Ramos, J. P. Oliveira e Óscar Mealha Livro de Actas do 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, pp. 359-370
O graffiti mais simples é o tag, que mostra o nome (tag) do writer (autor), através de letra estilizada, escrito rapidamente com aerossol, com um único traço e uma única cor, socialmente entendido como simples acto de vandalismo. O throwup é um tag com letras de maior dimensão. Há quem faça uma distinção do anterior, o bombing, uma assinatura mais elaborada, que se destaca visualmente pela cor, linhas e dimensões. A color piece é um trabalho realizado por um ou mais writers, com um deles a ser o orientador (Almeida, Oliveira e Costa, 2005: 365-366).
As imagens em cima e ao lado foram retiradas do sítio Fecal Face (fotografias de Jeremiah Garcia). A imagem em baixo foi feita por mim (Setembro de 2007).
Leitura: Susana Távora de Almeida, Rosa Maria Oliveira e Nilza Costa (2005). "O graffiti : uma perspectiva de comunicação na educação". In António Fidalgo, F. Ramos, J. P. Oliveira e Óscar Mealha Livro de Actas do 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, pp. 359-370
METAMORFOSES DA CRIATIVIDADE
Amanhã, dia 14 de Janeiro, realiza-se a terceira e última conferência do programa Metamorfoses da Criatividade, realização do Centro Nacional de Cultura e da Universidade Católica Portuguesa. A conferência, subordinada ao tema A Natureza da Criatividade, moderada pela professora Isabel Gil, contará com as participações de Alexandre Castro Caldas, Miguel Serras Pereira e Joana Vasconcelos. Começa às 18:00, na Sala de Exposições (Edíficio da Biblioteca João Paulo II, 2º piso).
Em acção paralela, assistir-se-á à instalação de Patrícia Portela, com áudio-menus a circular a partir das 14:00. O bar é um dos locais onde se poderá usufruir deles.
Em acção paralela, assistir-se-á à instalação de Patrícia Portela, com áudio-menus a circular a partir das 14:00. O bar é um dos locais onde se poderá usufruir deles.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
EPÍGRAFES PARA DIVERTIMENTOS COM MUSA
Ô muse, amuse-moi!
Ó musa, amusa-me lá,
Diverte-me cá do tempo,
E destes olhos m'usa
Até finar-me lento.
Musing the muse it's all but amusing
Jorge Fazenda Lourenço (2009). Cutucando a musa. Lisboa: Relógio d'Água, p. 7
Um forte e grande abraço para o Jorge
Ó musa, amusa-me lá,
Diverte-me cá do tempo,
E destes olhos m'usa
Até finar-me lento.
Musing the muse it's all but amusing
Jorge Fazenda Lourenço (2009). Cutucando a musa. Lisboa: Relógio d'Água, p. 7
Um forte e grande abraço para o Jorge
MODA E VESTUÁRIO
Qual a ligação entre a moda e os seus públicos, como é produzida e estabelecida? Diane Crane (2008) apresenta uma proposta, partindo da ideia que a definição da moda reside na diferenciação social. A moda pode ser vista como conjunto de normas.
Quando as normas mudam rapidamente são modas. O vestuário pode ser visto como uma "língua", com imagens significativas em contextos sociais específicos. Do ponto de vista da semiótica, a roupa pode ver-se como significante cujo significado é passível de identificação. Se os significantes são abertos (conotações) cresce a ambiguidade dos significados da moda. As modas, repetindo, são normas e códigos que constituem estilos reconhecidos em períodos específicos.
A moda foi definida como meio de expressão para a diferenciação social, particularmente as distinções sociais. Compreender as alterações das roupas em voga pode ser conceptualizado como forma de capital cultural. Há também a definição da moda em termos de ambivalência de identidade social - juventude versus maturidade, masculinidade versus feminilidade, trabalho versus lazer, conformidade versus rebeldia.
Grandes mudanças nos estilos de roupa são indicadores de importantes alterações nas relações sociais e nos níveis de tensão social. Assim, a autora estabelece a diferenciação entre moda de classe e moda de consumo. A moda de classe prevaleceu nos séculos XIX e começo do século XX, com identificação da posição social. Tinha regras rígidas sobre o uso de acessórios. A moda de consumo é multifacetada e satisfaz as exigências dos consumidores, em especial os jovens. Há uma grande gama de opções e muita diversidade estilística, com menor consenso sobre o que é moda. Estilos diferentes têm públicos (consumidores) diferentes. A idade substitui o status social como variável. Os estilos em grupos sócio-económicos mais baixos são criados por adolescentes pertencentes a subculturas urbanas ou determinadas tribos. Há vestuários com regras rigorosas (os fatos para os homens e as saias-casaco para as mulheres de actividades de serviços; os uniformes) e vestuários de lazer (sem regras para quem os usa, misturando peças para expressar identidade pessoal).
Os estilos de moda foram influenciados, no final do século XX, por mudanças na relação entre lazer, classe social, género e cultura popular. Com base na nova cultura - cinema, música e desporto -, a cultura de lazer permitiu a expressão de novas identidades. No final da década de 1960, jovens criadores da classe operária passaram a estudar em escolas de artes, absorvendo subculturas da classe operária e produzindo designs subversivos. Muitos adolescentes escolhem as suas roupas para expressar a sua identidade, acreditando que assim revelam o seu "eu" interior. Se o conceito que têm de si próprio muda, as roupas e o seu estilo mudam no indivíduo.
Leitura: Diane Crane (2008). "Reflexões sobre a moda: o vestuário como fenônemo social". In Maria Lucia Bueno e Luiz Octávio de Lima Camargo Cultura e consumo. Estilos vida na contemporaneidade. São Paulo: Senac, pp. 157-172
Quando as normas mudam rapidamente são modas. O vestuário pode ser visto como uma "língua", com imagens significativas em contextos sociais específicos. Do ponto de vista da semiótica, a roupa pode ver-se como significante cujo significado é passível de identificação. Se os significantes são abertos (conotações) cresce a ambiguidade dos significados da moda. As modas, repetindo, são normas e códigos que constituem estilos reconhecidos em períodos específicos.
A moda foi definida como meio de expressão para a diferenciação social, particularmente as distinções sociais. Compreender as alterações das roupas em voga pode ser conceptualizado como forma de capital cultural. Há também a definição da moda em termos de ambivalência de identidade social - juventude versus maturidade, masculinidade versus feminilidade, trabalho versus lazer, conformidade versus rebeldia.
Grandes mudanças nos estilos de roupa são indicadores de importantes alterações nas relações sociais e nos níveis de tensão social. Assim, a autora estabelece a diferenciação entre moda de classe e moda de consumo. A moda de classe prevaleceu nos séculos XIX e começo do século XX, com identificação da posição social. Tinha regras rígidas sobre o uso de acessórios. A moda de consumo é multifacetada e satisfaz as exigências dos consumidores, em especial os jovens. Há uma grande gama de opções e muita diversidade estilística, com menor consenso sobre o que é moda. Estilos diferentes têm públicos (consumidores) diferentes. A idade substitui o status social como variável. Os estilos em grupos sócio-económicos mais baixos são criados por adolescentes pertencentes a subculturas urbanas ou determinadas tribos. Há vestuários com regras rigorosas (os fatos para os homens e as saias-casaco para as mulheres de actividades de serviços; os uniformes) e vestuários de lazer (sem regras para quem os usa, misturando peças para expressar identidade pessoal).
Os estilos de moda foram influenciados, no final do século XX, por mudanças na relação entre lazer, classe social, género e cultura popular. Com base na nova cultura - cinema, música e desporto -, a cultura de lazer permitiu a expressão de novas identidades. No final da década de 1960, jovens criadores da classe operária passaram a estudar em escolas de artes, absorvendo subculturas da classe operária e produzindo designs subversivos. Muitos adolescentes escolhem as suas roupas para expressar a sua identidade, acreditando que assim revelam o seu "eu" interior. Se o conceito que têm de si próprio muda, as roupas e o seu estilo mudam no indivíduo.
Leitura: Diane Crane (2008). "Reflexões sobre a moda: o vestuário como fenônemo social". In Maria Lucia Bueno e Luiz Octávio de Lima Camargo Cultura e consumo. Estilos vida na contemporaneidade. São Paulo: Senac, pp. 157-172
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
SOBRE O BLOGUE
- Indústrias Culturais É uma referência incontornável para quem gosta de reflectir sobre as indústrias culturais em geral e, em particular, sobre as questões relacionadas com o futuro dos media.
SONDAGENS E OPINIÃO PÚBLICA
Nos Estados Unidos, entre 1935 e 1940, George Gallup, que trocou o ensino do jornalismo pela publicidade, inventou as técnicas de sondagem e deu-lhe legitimidade e sentido de eficácia política (1). Numa conferência pronunciada em 1939 na Universidade de Princeton, na altura da instalação do American Institute of Public Opinion, Gallup desenvolveu os conceitos de vontade popular, democracia representativa, grupos de pressão, inquéritos de opinião e sua fiabilidade, e efeito de arrastamento (bandwagon), que leva os indivíduos a acreditarem naquilo que os outros acreditam. Estes assuntos encontram-se também no seu estudo The pulse of economy (1940). As sondagens conduzidas por Gallup, Crossley e Ropper ganharam grande popularidade quando acertaram nos resultados eleitorais de 1940 e 1944, mas enganaram-se em 1948. No pós-Segunda Guerra Mundial, a deslocação de populações dos meios rurais para as cidades alterou o conhecimento dado pelo censo de 1940, questionando o método da amostra por quotas (2).
Sondagem foi igualmente o termo usado por Jean Stoetzel, quando em Maio de 1938 introduziu em França os inquéritos de opinião durante uma eleição presidencial (3). Na altura, muita gente não prestou atenção ou não quis acreditar nas vantagens das sondagens e dos inquéritos de opinião. A pergunta é: como se pode conhecer a opinião de um país através de um inquérito a mil ou duas mil pessoas? O cepticismo não se liga à idade, nível de instrução, inclinações políticas ou interesses pessoais (4), mas faz parte da desconfiança face aos meios empregues. Depois da Segunda Guerra Mundial, o mesmo Stoetzel constituiria o Instituto francês de Opinião Pública. Não cabe neste momento traçar a história da ideia da opinião pública e dos inquéritos e análises quantitativas perseguidas por Gallup, Lazarsfeld, Stoetzel e outros, e as críticas dirigidas por Adorno, Habermas e Bourdieu.

Já na década de 1960, na Europa, lançaram-se pesquisas sobre representações, atitudes e comportamentos dos cidadãos em diversos domínios das suas actividades sociais (5). Claro que os Estados desde há séculos tinham criado sistemas de informação para colectar impostos ou saber quantos cidadãos recrutar para uma mobilização militar. Os institutos nacionais de estatísticas são uma reforma mais recente. O português nasceu em 1935.
Com os anos, surgem vários interesses novos de informação: como se definem os públicos de cultura, como se consomem os bens materiais, quais as opiniões políticas do eleitorado, quais as audiências de televisão? O Instituto Nacional de Estatística (INE) cumpriria algumas destas funções, mas dado o custo – inquirir toda a população –, houve necessidade de tornar os estudos mais leves. As sondagens recorrem a amostras, que representam a população total em pequena escala, estudando-se as características de modo a corresponder essa amostra à população no todo.
Em Portugal, o primeiro estudo de audiência de imprensa foi realizado e publicado em 1952 por Salviano Cruz (6). Entre 1980 e 1982, a Teor instalou um painel semanal de audiência e avaliação dos progamas da RTP. Depois, a Norma realizou estudos de audiência de meios até 1990, criando a primeira base de dados interactiva online, com a audiência de todos os media, para utilização pelas agências de publicidade e outros clientes. Ainda em 1990, a Norma instalou um sistema de audimetria para a audiência de televisão (7), enquanto surgiam empresas como a Agb/Marktest e a Ecotel Portugal, preparadas para o arranque da televisão privada. Logo depois, em 1991, a Universidade Católica Portuguesa (CESOP - Centro de Estudos e Sondagens de Opinião) iniciava trabalhos na área das previsões eleitorais, continuadas em sondagens sobre temas de relevância política, social e cultural para vários media e entidades oficiais e particulares.
(1) Blondiaux, 2001: 167
(2) D’Ancona, 2004: 21
(3) Girard, 1989: 7; Riffault, 1989: 13
(4) Riffault, 1989: 21
(5) Rabier, 1989: 37
(6) Revista de Pesquisas Económicas e Sociais, vol.II, Setembro-Dezembro de 1952
(7) Informações prestadas por Mário Bacalhau em email enviado ao autor em 11 de Setembro de 2008
Bibliografia
Blondiaux, Loïc, e Dominique Reynié (coord.) (2001). "L’opinion publique. Perspectives anglo-saxonnes". Hermès, nº 31. Paris: CNRS Éditions
D’Ancona, María Ángeles (2004). Métodos de encuesta. Teoría y prática, errores e mejoras. Madrid: Editorial Síntesis
Girard, Alain, e Edmond Malinvaud (1989). Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
Rabier, Jacques-René (1989). "L’utilisation comparative et diachronique des données d’enquêtes par sondage". In Alain Girard e Edmond Malinvaud Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
Riffault, Hélène (1989). "La perception des enquêtes d’opinion". In Alain Girard e Edmond Malinvaud Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
Sondagem foi igualmente o termo usado por Jean Stoetzel, quando em Maio de 1938 introduziu em França os inquéritos de opinião durante uma eleição presidencial (3). Na altura, muita gente não prestou atenção ou não quis acreditar nas vantagens das sondagens e dos inquéritos de opinião. A pergunta é: como se pode conhecer a opinião de um país através de um inquérito a mil ou duas mil pessoas? O cepticismo não se liga à idade, nível de instrução, inclinações políticas ou interesses pessoais (4), mas faz parte da desconfiança face aos meios empregues. Depois da Segunda Guerra Mundial, o mesmo Stoetzel constituiria o Instituto francês de Opinião Pública. Não cabe neste momento traçar a história da ideia da opinião pública e dos inquéritos e análises quantitativas perseguidas por Gallup, Lazarsfeld, Stoetzel e outros, e as críticas dirigidas por Adorno, Habermas e Bourdieu.

Já na década de 1960, na Europa, lançaram-se pesquisas sobre representações, atitudes e comportamentos dos cidadãos em diversos domínios das suas actividades sociais (5). Claro que os Estados desde há séculos tinham criado sistemas de informação para colectar impostos ou saber quantos cidadãos recrutar para uma mobilização militar. Os institutos nacionais de estatísticas são uma reforma mais recente. O português nasceu em 1935.
Com os anos, surgem vários interesses novos de informação: como se definem os públicos de cultura, como se consomem os bens materiais, quais as opiniões políticas do eleitorado, quais as audiências de televisão? O Instituto Nacional de Estatística (INE) cumpriria algumas destas funções, mas dado o custo – inquirir toda a população –, houve necessidade de tornar os estudos mais leves. As sondagens recorrem a amostras, que representam a população total em pequena escala, estudando-se as características de modo a corresponder essa amostra à população no todo.
Em Portugal, o primeiro estudo de audiência de imprensa foi realizado e publicado em 1952 por Salviano Cruz (6). Entre 1980 e 1982, a Teor instalou um painel semanal de audiência e avaliação dos progamas da RTP. Depois, a Norma realizou estudos de audiência de meios até 1990, criando a primeira base de dados interactiva online, com a audiência de todos os media, para utilização pelas agências de publicidade e outros clientes. Ainda em 1990, a Norma instalou um sistema de audimetria para a audiência de televisão (7), enquanto surgiam empresas como a Agb/Marktest e a Ecotel Portugal, preparadas para o arranque da televisão privada. Logo depois, em 1991, a Universidade Católica Portuguesa (CESOP - Centro de Estudos e Sondagens de Opinião) iniciava trabalhos na área das previsões eleitorais, continuadas em sondagens sobre temas de relevância política, social e cultural para vários media e entidades oficiais e particulares.
(1) Blondiaux, 2001: 167
(2) D’Ancona, 2004: 21
(3) Girard, 1989: 7; Riffault, 1989: 13
(4) Riffault, 1989: 21
(5) Rabier, 1989: 37
(6) Revista de Pesquisas Económicas e Sociais, vol.II, Setembro-Dezembro de 1952
(7) Informações prestadas por Mário Bacalhau em email enviado ao autor em 11 de Setembro de 2008
Bibliografia
Blondiaux, Loïc, e Dominique Reynié (coord.) (2001). "L’opinion publique. Perspectives anglo-saxonnes". Hermès, nº 31. Paris: CNRS Éditions
D’Ancona, María Ángeles (2004). Métodos de encuesta. Teoría y prática, errores e mejoras. Madrid: Editorial Síntesis
Girard, Alain, e Edmond Malinvaud (1989). Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
Rabier, Jacques-René (1989). "L’utilisation comparative et diachronique des données d’enquêtes par sondage". In Alain Girard e Edmond Malinvaud Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
Riffault, Hélène (1989). "La perception des enquêtes d’opinion". In Alain Girard e Edmond Malinvaud Les enquêtes d’opinion et la recherché en sciences sociales. Paris: L’Harmattan
FILMES
Como seria ideal comparar Os amores de Astrea e Celedon (Eric Rohmer) com Avatar (James Cameron). Os druidas ou ninfas ou cavaleiros contra os ciborgues ou replicantes ou avatares.
A MORTE DE ERIC ROHMER
Morreu Eric Rohmer. Ele nascera a 4 de Abril de 1920.
Recordo o que aqui escrevi sobre ele 20 de Julho de 2008 e o seu filme Os amores de Astrea e Celedon.
Os amores de Astrea e de Celedon serão, com certeza, o testamento de Eric Rohmer. Velho e doente, talvez ele não filme mais.
Por isso, o filme já traz em si uma grande nostalgia pelos tempos perdidos, pela inocência desaparecida, pela levada pureza de sentimentos. A lembrar Manoel de Oliveira no modo teatral da representação, o filme não é verosímil. Druídas, ninfas, pastores e cavaleiros (estes não presentes) são os seres humanos e espirituais que povoam a história. Filmado num sítio que não era o ideal inicial do realizador, mas que teve de abdicar dada a degradação da paisagem natural, a história decorre numa floresta maravilhosa (ou encantada), onde o trabalho parece submeter-se à música, à juventude e à alegria, a par de um código ético e estético muito vincado e da honra em cumprir promesssas.
Astrea relega o amor de Celadon. Este, desgostoso, atira-de ao rio, querendo morrer. As ninfas encontram-no e devolvem-lhe a vida. Uma delas apaixona-se por ele e pretende mantê-lo cativo num castelo saído dos livros de cavalaria da Idade Média, quando a cultura celta saía do domínio romano. Celadon sai, disfarçado de mulher, disfarce que o há-de aproximar de Astrea.
O filme não é verosímil, anotei acima. Mas demonstra uma linha de fazer cinema que é distinta da americana, nomeadamente a de ficção científica, com pós-humanos, ciborgues, violência e espaços desertificados ou destruídos por uma qualquer guerra atómica. O cinema é uma arte da ficção, do irreal, do ainda não criado.
Recordo o que aqui escrevi sobre ele 20 de Julho de 2008 e o seu filme Os amores de Astrea e Celedon.
Os amores de Astrea e de Celedon serão, com certeza, o testamento de Eric Rohmer. Velho e doente, talvez ele não filme mais.
Por isso, o filme já traz em si uma grande nostalgia pelos tempos perdidos, pela inocência desaparecida, pela levada pureza de sentimentos. A lembrar Manoel de Oliveira no modo teatral da representação, o filme não é verosímil. Druídas, ninfas, pastores e cavaleiros (estes não presentes) são os seres humanos e espirituais que povoam a história. Filmado num sítio que não era o ideal inicial do realizador, mas que teve de abdicar dada a degradação da paisagem natural, a história decorre numa floresta maravilhosa (ou encantada), onde o trabalho parece submeter-se à música, à juventude e à alegria, a par de um código ético e estético muito vincado e da honra em cumprir promesssas.
Astrea relega o amor de Celadon. Este, desgostoso, atira-de ao rio, querendo morrer. As ninfas encontram-no e devolvem-lhe a vida. Uma delas apaixona-se por ele e pretende mantê-lo cativo num castelo saído dos livros de cavalaria da Idade Média, quando a cultura celta saía do domínio romano. Celadon sai, disfarçado de mulher, disfarce que o há-de aproximar de Astrea.
O filme não é verosímil, anotei acima. Mas demonstra uma linha de fazer cinema que é distinta da americana, nomeadamente a de ficção científica, com pós-humanos, ciborgues, violência e espaços desertificados ou destruídos por uma qualquer guerra atómica. O cinema é uma arte da ficção, do irreal, do ainda não criado.
domingo, 10 de janeiro de 2010
MEDIA, JOURNALISM, AND DEMOCRACY
Call for papers III Congress "Media, Jornalismo e Democracia", Lisbon, Portugal, Faculty of Social and Human Sciences, New University of Lisbon, November 8 and 9th, 2010.
Accepted languages for proposal of papers of the Congress are: Portuguese, Spanish, Gallician, and English. The call for papers is open until the 31st of May, 2010 (Only the abstract should be sent for the paper competition). The abstract should be sent to: mediajornalismoedemocracia2010@gmail.com.
Accepted languages for proposal of papers of the Congress are: Portuguese, Spanish, Gallician, and English. The call for papers is open until the 31st of May, 2010 (Only the abstract should be sent for the paper competition). The abstract should be sent to: mediajornalismoedemocracia2010@gmail.com.
CONCERTO DE ANO NOVO
Na Sé Patriarcal de Lisboa, ontem à noite, com obras de Dieterich Buxtehude e Fr. Fernando de Almeida, pela Capella Patriarchal, dirigida pelo organista João Vaz. No final, o senhor cardeal fez votos de bom ano novo.
sábado, 9 de janeiro de 2010
CAFÉ CENTRAL, MADRID
Até amanhã à noite, actua no café Central (Madrid) o quarteto de José Luis Gutiérrez (saxos), com Jesús Parra (guitarra), Gerardo Ramos (contrabaixo) e Tommy Caggiani (bateria). Na Plaza del Angel, 10, o café vai já em 27 anos a apresentar música de jazz.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
TELENOVELA
Padrões de produção na telenovela latino-americana é um texto de Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske, publicado no Observatório da Digitalização, Democracia e Diversidade. Aí, lê-se: "No âmbito latino-americano, o incremento das opções de entretenimento na TV surge numa ambiência onde duas grandes emissoras, Globo e Televisa, detêm supremacia descomunal em audiência e faturamento, numa enorme disparidade de participação no mercado em comparação às demais concorrentes".
REVISTAS DE JORNALISMO E MEDIA
O número de Outono de 2009 dos Cahiers du Journalisme (nº 20) é dedicado à economia do jornalismo e resulta de uma jornada de estudo na Maison des Sciences de l'Homme Paris-nord em Julho de 2008 no quadro de trabalho do REJ (Réseau d'Études sur le Journalisme). A revista, propriedade da École Supérieure de Journalisme de Lille (França) e da Université Laval (Québec, Canadá), tem por objectivo a difusão das investigações e análises das práticas jornalísticas em França e no mundo, num cruzamento de investigadores e produtores da comunicação sobre os principais temas de reflexão actual. O texto de introdução do tema, assinado por Dominique Augey (Université Paul Cézanne, França) e por Franck Rebillard (Université de Lyon), observa que a economia do jornalismo é um território muito menos explorado que a economia dos media e a sociologia do jornalismo. Procura, assim, compreender a socioeconomia das indústrias culturais e mediáticas e o contributo da economia mais tradicional, e associa a economia da informação com a economia dos media. A publicação tem textos, entre outros, de Nathalie Sonnac (novo modelo de negócio da imprensa), Philippe Bouquillion (indústrias culturais e conteúdos), Jean-Marie Charon (estratégias dos grupos de imprensa), Philippe Gestin e outros (produção multi-suporte nos grupos mediáticos franceses), Marie Schweitzer (modelo dos gratuitos), Nikos Smyrnaios (grupos de imprensa americanos na internet), José-Manuel Nobre-Correia (media e União Europeia), Bertrand Cabedoche (obamania à francesa), Gervais Mbarga (retórica do telejornal nos Camarões), Moustapha Samb (media e regulação na África ocidental) e Vinciane Haudebourg (Casa dos Jornalistas).
Também com data do Outono de 2009, e no seu número 15, a revista Trajectos, dirigida por José Rebelo e propriedade do ISCTE, tem como tema de capa a crise. Com um grafismo muito bonito, em especial no interior, a apresentação do responsável da publicação parte da dicotomia virtudes do mercado versus papel do Estado. Cita um estudo apresentado neste número, de Diana Andringa, em que a palavra crise surgiu em 1252 notícias no sítio da RTP, televisão pública, de Novembro de 2007 a Setembro de 2009. A crise, considera, deixa de ser tema de mediatização para se impor por si mesma. Embora de modo não explícito como os Cahiers du Journalisme, a Trajectos combina o trabalho de académicos e jornalistas que seguem agora estudos universitários de doutoramento, caso de Diana Andringa mas igualmente Adelino Gomes. É do trabalho editado por este que quero dedicar algum espaço, dado que escreve sobre o possível (ou não) desaparecimento do jornalismo. Adelino Gomes parte de alguns exemplos publicados sobre a profissão e as pressões que se exercem sobre ela para chegar ao núcleo central do seu texto: os olhares portugueses, ou seja, os dois mais importantes textos publicados em 2009. A saber, os livros dirigidos por Gustavo Cardoso e por José Luís Garcia, o primeiro optimista (redes, produtores de mensagens, audiências) e o segundo pessimista (recomposição socioprofissional dos jornalistas, crise de identidade profissional, emergência de novo paradigma sem contornos precisos, novas lógicas empresariais). É um texto para se ler na totalidade e que não tenho tempo aqui para sintetizar, e que se faz acompanhar por outros textos, como os de Tito Cardoso e Cunha (crise e crítica), Jean-Pierre Dubois (crise do sistema e do político), Miguel Serras Pereira (economia e democracia), João Carlos Alvim (cultura e pessimismo), Viriato Soromenho Marques (crise do futuro), Carlos Vieira de Faria (crise e cidade), Vera França e Elton Antunes (jornalismo em mudança), Fernando Lattman-Weltman (media e política), Manuel Carvalho da Silva (crise e causas) e Diana Andringa (sobre a palavra crise).
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
VAN GOGH
A exposição The Real Van Gogh: The Artist And His Letters estará patente na Royal Academy of Arts, Burlington House, Mayfair, Londres (W1J 0BD), de 23 de Janeiro a 18 de Abril. Além de 35 cartas originais, raramente expostas devido à sua fragilidade, poder-se-ão ver 65 pinturas e 30 desenhos. Mais informação aqui.
THE EUROPEANNESS OF EUROPEAN CINEMA - CALL FOR PAPERS
CFP THE EUROPEANNESS OF EUROPEAN CINEMA. King's College London, 4 June 2010.
Areas of interest might include: pan-European production and distribution strategies; the label ‘Europe’ in film distribution and exhibition, including festival circuits; examples of films that engage with the idea of Europe; how particular national cinemas might simultaneously identify themselves as European; the issue of language, dubbing and subtitling; and how any of these questions might have shifted historically and with the advent of new European initiatives.
Submission deadline: 5 February 2010. Please submit an abstract (max. 300 words), contact information and short bio (max. 100 words) to: europeanness@kcl.ac.uk.
Areas of interest might include: pan-European production and distribution strategies; the label ‘Europe’ in film distribution and exhibition, including festival circuits; examples of films that engage with the idea of Europe; how particular national cinemas might simultaneously identify themselves as European; the issue of language, dubbing and subtitling; and how any of these questions might have shifted historically and with the advent of new European initiatives.
Submission deadline: 5 February 2010. Please submit an abstract (max. 300 words), contact information and short bio (max. 100 words) to: europeanness@kcl.ac.uk.
FOTOGRAFIA
MEF – Movimento de Expressão Fotográfica (geral@mef.pt; http://www.mef.pt/, http://movimentodeexpressaofotografica.wordpress.com/). Curso de iniciação da fotografia a 3 de Fevereiro.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
RODCHENKO & POPOVA
Aleksandr Rodchenko [Александр Родченко] e Liubov Popova [Любо́вь Попо́ва] foram as personagens mais influentes na exploração do construtivismo, através da linguagem da abstracção geométrica. Precedida pela ruptura do suprematismo de Malevich e acrescida pelos ideais trazidos pela revolução de 1917, a geração de Rodchenko e Popova traz para a arte a vanguarda militante, a que mistura um corte radical com a arte considerada burguesa, a da representação pictórica da realidade, com um modelo inspirado na arquitectura, na colagem, na indústria e nas máquinas, pressupõe também a substituição do modelo expositivo em que o museu é um espaço de conteúdo (Borja-Villel, catálogo da exposição).
O construtivismo, iniciado com a exposição 5x5=25 e a participação no pavilhão russo da Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes (Paris, 1925), é ainda definido como o fluxo das coisas na sua permanência, a relação entre a obra e o contexto espacial e entre o espectador e o texto. A nova ideologia estética junta outros artistas, como Varvara Stepanova [Варвара Степанова], mulher de Rodchenko, Varvara Bubnova, Nadezhda Udaltsova [Надежда Удальцова] e Alexandra Exter [Александра Экстер].
No catálogo da exposição, escreve Margarita Tupitsyn que os construtivistas convenceram-se que as formas não objectivas desempenhariam um papel chave na transformação da sociedade após Outubro de 1917. Rodchenko e Popova nomearam o construtivismo como a arte de produção, juntando collages abstractas e bordados de camponesas (em Popova), e ainda mobiliário, decoração, murais, desenhos, desenho gráfico, fotografia, cartazes, símbolos políticos, capas de revistas, cenários de teatro, cinema. Em 1918, fundava-se a Oficina dos Museus, dirigida por Rodchenko, artista bem engajado no compromisso comunista, e que começou a comprar e distribuir obras vanguardistas pelos museus regionais, traduzindo-se em dinheiro para os artistas envolvidos na sua produção. O conceito de pintor como artista isolado não fazia parte do novo ideário. Em finais de 1918, a obra de Malevitch, Quadrado negro, fez rebentar forte polémica, o que levou Rodchenko e os colegas à ruptura com o suprematismo e à apologia do construtivismo. A primeira exposição inaugurava-se na Primavera de 1919, ano de aproximação de Rodchenko e Stepanova a Kandinsky, em casa de quem viveram durante algum tempo, temperando as suas obras com o expressionismo deste. Já em 1921, o grupo dos construtivistas rebelava-se contra Kandisnky e a sua psicologia da percepção. 1921 foi ainda o ano de aproximação do grupo ao cineasta Dziga Vertov, com o seu noticiário Kino-Pravda (Cinema Verdade).
Christina Kiaer, no mesmo catálogo da exposição, prefere destacar a questão do género, realçando o facto de Popova ser mulher. Muito antes das lutas do feminismo na década de 1970, Liubov Popova representa um papel importante, dada a pequena quantidade de mulheres influentes nas vanguardas estéticas da Rússia soviética nas primeiras décadas do século XX. Contudo, Kiaer compara as inúmeras manifestações e exposições dedicadas a Rodchenko face a Popova para notar a assimetria entre os dois. Depois, Popova morreu cedo (e o seu filho também teve uma existência de apenas quatro anos e meio). Vestuário e desenhos de moda, cartazes e cenários para o teatro são algumas das áreas em que Popova se destacou mais.
Rodchenko e o seu construtivismo seriam marginalizados quando o realismo socialista de Estaline irrompeu e se tornou a arte oficial do regime.


A exposição patente no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid) tem a colaboração da Tate Modern (Londres) e de inúmeros museus que acederam a mostar obras das suas colecções.
O construtivismo, iniciado com a exposição 5x5=25 e a participação no pavilhão russo da Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes (Paris, 1925), é ainda definido como o fluxo das coisas na sua permanência, a relação entre a obra e o contexto espacial e entre o espectador e o texto. A nova ideologia estética junta outros artistas, como Varvara Stepanova [Варвара Степанова], mulher de Rodchenko, Varvara Bubnova, Nadezhda Udaltsova [Надежда Удальцова] e Alexandra Exter [Александра Экстер].
No catálogo da exposição, escreve Margarita Tupitsyn que os construtivistas convenceram-se que as formas não objectivas desempenhariam um papel chave na transformação da sociedade após Outubro de 1917. Rodchenko e Popova nomearam o construtivismo como a arte de produção, juntando collages abstractas e bordados de camponesas (em Popova), e ainda mobiliário, decoração, murais, desenhos, desenho gráfico, fotografia, cartazes, símbolos políticos, capas de revistas, cenários de teatro, cinema. Em 1918, fundava-se a Oficina dos Museus, dirigida por Rodchenko, artista bem engajado no compromisso comunista, e que começou a comprar e distribuir obras vanguardistas pelos museus regionais, traduzindo-se em dinheiro para os artistas envolvidos na sua produção. O conceito de pintor como artista isolado não fazia parte do novo ideário. Em finais de 1918, a obra de Malevitch, Quadrado negro, fez rebentar forte polémica, o que levou Rodchenko e os colegas à ruptura com o suprematismo e à apologia do construtivismo. A primeira exposição inaugurava-se na Primavera de 1919, ano de aproximação de Rodchenko e Stepanova a Kandinsky, em casa de quem viveram durante algum tempo, temperando as suas obras com o expressionismo deste. Já em 1921, o grupo dos construtivistas rebelava-se contra Kandisnky e a sua psicologia da percepção. 1921 foi ainda o ano de aproximação do grupo ao cineasta Dziga Vertov, com o seu noticiário Kino-Pravda (Cinema Verdade).
Christina Kiaer, no mesmo catálogo da exposição, prefere destacar a questão do género, realçando o facto de Popova ser mulher. Muito antes das lutas do feminismo na década de 1970, Liubov Popova representa um papel importante, dada a pequena quantidade de mulheres influentes nas vanguardas estéticas da Rússia soviética nas primeiras décadas do século XX. Contudo, Kiaer compara as inúmeras manifestações e exposições dedicadas a Rodchenko face a Popova para notar a assimetria entre os dois. Depois, Popova morreu cedo (e o seu filho também teve uma existência de apenas quatro anos e meio). Vestuário e desenhos de moda, cartazes e cenários para o teatro são algumas das áreas em que Popova se destacou mais.
Rodchenko e o seu construtivismo seriam marginalizados quando o realismo socialista de Estaline irrompeu e se tornou a arte oficial do regime.


A exposição patente no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid) tem a colaboração da Tate Modern (Londres) e de inúmeros museus que acederam a mostar obras das suas colecções.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
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