Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

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A MINHA CAMPANHA. Leiam jornais de referência em papel. Ouçam fado e hip-hop em CD. Vejam teatro. Apoiem a informação e a cultura portuguesa.



31.1.08

GRAFITEIRO REGICIDA


Vai uma excitação no país, agora que se comemoram os cem anos do regicídio de D. Carlos, o penúltimo rei português. Há fanfarras, estátuas, colóquios, textos a favor e contra - parece que foi o último grande acontecimento do país.

Hoje, num edifício privado, fotografei este graffiti. Trata-se de trabalho profissional. Para memória futura.


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VIDA DO CIMJ


O CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo) elegeu, no sábado passado, os seus novos corpos gerentes para o biénio 2008/2009. Com lista única, a Direcção passa a ser representada por Nelson Traquina (presidente), Ana Cabrera e Carla Baptista (vice-presidentes), Pedro Diniz de Sousa (secretário) e Carla Martins (tesoureira). Já a Assembleia Geral conta com Jorge Pedro de Sousa (presidente), Susana Salgado (vice-presidente) e Marisa Torres da Silva (vogal), ao passo que o Conselho Fiscal conta com Telmo Gonçalves (presidente) e Carla Rodrigues Cardoso e Carla Ganito (vogais).

O CIMJ é uma associação sem fins lucrativos fundada em 1997, cujo objecto visa desenvolver a investigação científica, promover a reflexão e o debate sobre temas relacionados com as áreas dos media e do jornalismo. Já realizou dois seminários internacionais, tem vários projectos de investigação concluídos e outros em curso, e edita uma revista (Media & Jornalismo) e uma colecção de livros dedicados ao jornalismo.

Refira-se que houve um rejuvenescimento dos corpos gerentes, passando a ocupar mais lugares a segunda geração de investigadores ligados ao centro. O blogueiro deseja muitos sucessos à nova direcção e restantes órgãos dirigentes.

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OBSCENA


O nº 9 da Obscena, revista independente de artes performativas, em papel, tem os seguintes locais de distribuição na região de Lisboa: Culturgest, CCB, S. Luiz - Teatro Municipal, Café no Chiado, Teatro Nacional D. Maria II, Maria Matos - Teatro Municipal, Livrarias Bulhosa (Entrecampos, Oeiras Parque, Amoreiras, Cascais, Linda a Velha, Campo de Ourique), Teatro Taborda, Teatro Municipal de Almada, Comuna - Teatro de Pesquisa, Fundação Calouste Gulbenkian (edifício-sede e Centro de Arte Moderna).

À
Obscena também se pode aceder em formato digital.

Obrigado ao António Quadros Ferro por me ter chamado a atenção para a publicação.

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FERNANDA DE CASTRO VISTA PELA BISNETA


Maria Ana Ferro, do blogue segundo - Impacto, deixou um comentário na minha mensagem do blogue cópia do Indústrias (Dragão de Papel) sobre AS MENINAS DOS TELEFONES, por Fernanda de Castro.

Fernanda de Castro viveu 95 anos, morreu em 1995. Adorava falar ao telefone, com as amigas. Combinava chás em sua casa, embora não pudesse levantar-se da cama. Havia sempre bolinhos e doces e chocolates, num cofre, porque de facto tudo aquilo era um tesouro. Havia restos de tecidos velhos que pareciam ter pertencido a príncipes e princesas, havia sempre flores em vaso e havia cheiro a pó-de-arroz.
Hoje, guardo nesse cofre as cartas antigas, fiquei com um dos tecidos velhos, mais do que um tecido, um vestido do menino Jesus de um antigo presépio, fiquei com o amor às plantas e fiquei com todos os cheiros na memória.
Para além de tudo, a admiração e a saudade.
Vivi quase 10 anos naquela magia.


Maria Ana Ferro é bisneta de Fernanda de Castro e António Ferro.


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30.1.08

O SERVIÇO DA NETCABO


Ao quinto dia, a Netcabo resolveu o meu problema de correio electrónico. Mas após muitas insistências e telefonemas.

Hoje, os passos que me indicaram para recuperar a caixa electrónica foram diferentes dos informados nos dias anteriores. Depois, fiquei a saber que o MyTVCabo esteve inoperante durante dois destes cinco dias, pelo que a recuperação do correio electrónico era impossível. Para culminar, disseram ter-me enviado uma mensagem SMS ontem, o que não aconteceu, mas apenas depois de eu ter telefonado. Isto é, contactei a Netcabo para saber o desenvolvimento do meu processo por volta das 11:00 e recebi o SMS às 11:35:19 (remetente: 965990300). Pelo SMS, é possível perceber o desnorte da Netcabo, pois lê-se: "ultrapassada uma anomalia no portal mytvcabo".

Conclusão: a Netcabo está a funcionar mal, não informa devidamente os clientes, melhor, engana-os. Trata-se de um problema das empresas que cresceram e estão com posição de mercado dominante. Se calhar, os clientes são uma ameaça constante, colocando problemas permanentemente; o melhor é despedir os clientes, fonte dessa ameaça.

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RECUPERADAS FOTOGRAFIAS DE ROBERT CAPA


Cerca de 3500 imagens feitas pelo fotógrafo de guerra Robert Capa foram recuperadas pelo International Center of Photography em Nova Iorque. Fotografias da Guerra Civil de Espanha estavam perdidas até serem agora descobertas no México. Entre elas, a fotografia de 1936 do soldado republicano abatido por uma bala. Um vídeo com explicações sobre a descoberta e o tratamento dos negativos pode ser visto no sítio da France 24.

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INDICADORES DA RÁDIO SEGUNDO A MARKTEST


Conforme os dados agora divulgados pela Marktest relativos ao ano de 2007, "a audiência acumulada de véspera de rádio foi de 54,6%, percentagem de residentes no Continente com 15 e mais anos que contactaram com o meio na véspera". Com dados estatísticos observados desde 2003, a mesma empresa indica que o indicador atingira o ponto mais baixo no penúltimo trimestre de 2007: 53,4%, de acordo com o quadro seguinte.


Quanto à liderança das audiências de rádio é da RFM, seguida da Rádio Renascença e da Rádio Comercial, como se observa no quadro seguinte, com valores desde 2003, e que tem sido constante nestes anos.


No meu entender, a regularidade em termos de rádios mais escutadas ilustra o conservadorismo dos consumidores dos media, os quais não dão oportunidade a novas ofertas. Ou, então, não há inovação na oferta, o que se repercute no imobilismo do consumo. E, embora de modo muito lento, nota-se alguma erosão relativamente a este indicador, o que pode prenunciar uma migração dos ouvintes para outros media, admitindo que consomem as mesmas horas em termos de media (a minha explicação vem a seguir).

Ainda de acordo com os mesmos dados da Marktest, "Os quadros médios e superiores e os jovens dos 25 aos 34 anos são os targets com maior afinidade com o meio, ao registar audiências superiores, respectivamente 71,9% e 70,9%. Os homens, os residentes no Grande Porto e no Litoral Norte, bem como os indivíduos da classe social alta registam audiências superiores à média do universo, enquanto a menor afinidade com o meio se encontra junto dos idosos, das domésticas e dos indivíduos da classe social baixa".

Na minha leitura, idosos, domésticas e indivíduos de classes sociais mais baixas transferiram-se para a televisão, com programas mais vistosos nos canais populares e orientados exactamente para eles. Possivelmente, a perda de ouvintes da rádio reside nestas classes sociais e etárias.

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29.1.08

REVISTA OS MEUS LIVROS


Os Meus Livros está uma revista mais bonita em termos de design, a começar pelo número de Janeiro e a continuar no número de Fevereiro, que já me chegou hoje.

No número de Janeiro, o meu destaque foi para o Kindle, o aparelho da Amazon que se propõe substituir o livro em papel, e a entrevista de Sandra Silva, da editora 101 noites, que publicou recentemente vários audiolivros e que eu aqui fiz referência recente de uma conferência sua.

No número de Fevereiro, destaco as publicações de banda desenhada projectadas para este ano, os livros sobre cozinha e o perfil de Isaías Gomes Teixeira, do novo grupo livreiro Leya, e que tem acompanhado Miguel Paes do Amaral há vários anos nos seus projectos empresariais.


Parabéns ao director, João Morales, pela revista!

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PROGRAMAS JUVENIS DE TELEVISÃO


Recolho da edição em papel do Público a informação que três investigadores de Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho vão fazer um estudo sobre as séries juvenis e de desenhos animados que passam nos canais de televisão - Estudo da programação para a infância dos canais generalistas portugueses - uma encomenda da ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

A coordenadora desse grupo é Sara Pereira, que disse ao jornal que "apesar da internet e dos videojogos, a televisão continua a ser central na vida das crianças".

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DECISÃO DE TRIBUNAL FACE A ARTIGO DE CINTRA TORRES


Ontem, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) decidiu-se pela não-pronúncia dos arguidos Eduardo Cintra Torres e José Manuel Fernandes (respectivamente articulista e director do jornal Público).

Em causa, estava o artigo que o primeiro daqueles escrevera no Público, a 20 de Agosto de 2006, intitulado "Como se Faz Censura em Portugal", e que levou a uma queixa-crime apresentada pela RTP e pelos então membros da Direcção de Informação, assim como a uma deliberação da ERC.

Cintra Torres considera esta "decisão um alento para a liberdade de imprensa em Portugal, para a liberdade em concreto dos jornalistas e dos comentadores dos media em Portugal".


Observação: eu comentara aqui sobre esse assunto (7 de Dezembro de 2006).

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REMODELAÇÕES NO GOVERNO


  • O primeiro-ministro, José Sócrates, já tem em curso a remodelação do Governo. Estão de saída pelo menos o ministro da Saúde, Correia de Campos, e a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, avançou a Rádio Renascença, que cita fonte governamental (fonte: Público, 15:15).
Quanto à cultura, o blogueiro aplaude a decisão.

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O MAU SERVIÇO DA NETCABO


A NETCABO ESTÁ A FUNCIONAR MAL!

Sábado passado, a Netcabo colocou-me um novo modem. O antigo estava a provocar-me problemas de acesso, nomeadamente se pretendia guardar imagens num servidor.

Após a instalação fiquei sem poder ler as mensagens do correio electrónico, o endereço que está no cabeçalho do blogue. Desde o final da manhã de sábado, venho insistindo com o fornecedor do serviço. Os assistentes e supervisores que me atendem indicam ir resolver a avaria rapidamente, embora oscilem entre duas e 24 horas nas suas previsões.

Estou muito zangado. O serviço da Netcabo não está a funcionar convenientemente. Tenho estado toda a manhã em casa à espera de um contacto, como ficou combinado - mas nada. E tenho mais que fazer do que estar em casa para receber um telefonema.

A NETCABO ESTÁ A PRESTAR UM MUITO, MUITO MESMO, MAU SERVIÇO. É UMA EMPRESA MAGESTÁTICA, MUITO PODEROSA E QUE ESMAGA QUALQUER CLIENTE, O QUAL TEM APENAS UM NÚMERO DE TELEFONE E UM EMAIL, QUE NÃO PASSAM DE GUARDIÕES DO TEMPLO.

A Netcabo ignora a importância do correio electrónico como instrumento de trabalho e de profissão. E, com o corte do endereço, uma coisa simples como comprar livros na Amazon fica inibida.

O que mais posso fazer? Queixo-me a um eventual provedor do cliente da Netcabo? Mudo de fornecedor e tenho de escrever a todos os meus contactos que mudei de endereço electrónico?

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28.1.08

FESTIVAL EUROPEU DE RÁDIO ARTE ON-LINE


Melhoro a informação, dada no dia 24, sobre um evento que diz respeito à rádio a decorrer no Goethe-Institut:

No dia 31 de Janeiro terá lugar no auditório do Goethe-Institut em Lisboa uma conferência sobre o Festival Europeu de Rádio Arte Online. Foram 16 países europeus que participaram neste evento de carácter inovador apresentando um largo espectro de concepções artísticas sonoras que testemunharam a elevada qualidade e diversidade que actualmente existe no campo de Arte Acústica de cada país.

Certamente que o teatro radiofónico se inclui neste repertório.

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COMUNICAÇÃO E CULTURA


Para os interessados, informa-se que estão disponíveis gratuitamente os dois primeiros números da revista Comunicação e Cultura, do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa), a partir do sítio da Quimera, a editora da revista.

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NÚMERO DE REVISTA SOBRE NOTICIÁRIOS TELEVISIVOS


Investigadores do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (CECS) vão editar um número da revista Comunicação e Sociedade (nº 15) dedicado aos noticiários televisivos (a RTP fez 50 anos no final do ano passado), mas convidam igualmente investigadores fora daquela universidade para escrever sobre o tema.

Os temas são os seguintes: 1) lugar do telejornal na programação dos canais generalistas ao longo de 50 anos, 2) alinhamentos dos noticiários (em período de monopólio e/ou pós-privadas), 3) informação e serviço público de televisão, 4) telejornal enquanto género em mutação, 5) tendências de evolução da informação televisiva no contexto do digital, 6) estado da arte sobre a investigação académica da informação televisiva, 7) linhas de estudo/análise da informação televisiva.

Os autores que desejem submeter artigos devem enviar os originais em formato electrónico até 30 de Abril para cecs@ics.uminho.pt e/ou felisbela@ics.uminho.pt. Igualmente, solicita-se que enviem duas cópias em papel para CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Campus de Gualtar, Universidade do Minho, 4710-057 Braga. Os organizadores do número indicam ainda que os trabalhos, objecto de arbitragem, precisam de seguir o formato de acordo com as normas de publicação da revista (ver o sítio do CECS).

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27.1.08

MANUAIS SOBRE MEDIA


Eu gosto de manuais sobre os media - eles são uma espécie de dicionários ou enciclopédias. Em Portugal não há tradição, apesar de haver muitos estudantes em cursos universitários de comunicação (diz-se que eles fotocopiam livros ou, como revela o destaque do Público de hoje, recolhem informação na wikipédia, o que não é nada agradável).

Mas, no Reino Unido, o esforço editorial é grande, o que leva, por outro lado, a que os docentes escrevam textos e publiquem antologias de textos. Estes últimos, embora não tragam trabalhos completos dos autores, incluem parcelas fundamentais de textos que, de outro modo, podem ser de difícil acesso.

Os livros, cujas capas publico a seguir, vão servir-me nos próximos meses. Detecto três tipos: 1) antologias, 2) textos originais de vários autores que escrevem sobre um grande tópico, 3) textos de um só autor.


Destaco duas tendências: 1) se Eoin Devereux trabalha no seu livro temas como globalização dos media, propriedade e concentração, produção e profissionais dos media, ideologia dos media, análise de conteúdo e audiências e recepção, os cinco livros organizados pela Open University desenvolvem esses temas em cada um dos livros, notando-se, se quisermos, uma fileira de pensamento (Understanding media. Inside celebrity; Media audiences; Media production; Analysing media texts; Media technologies, markets and regulation), 2) o livro de Paddy Scannell, Media and communication, o primeiro de uma trilogia ainda em publicação, segue uma forma elegante de escrever sobre de teorias da comunicação, falando destas e dos seus principais actores.

Todos eles - se quisermos ver melhor - associam jornalismo, media e indústrias culturais.

Espero escrever sobre eles durante os próximos tempos...


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26.1.08

O SERVIÇO DO PRESTADOR DE INTERNET


O técnico do servidor de internet que veio a casa demorou pouco tempo. Foi muito eficiente. Voltei a poder colocar imagens fixas e em movimento no blogue, sem restrições.

Mas fiquei sem acesso ao correio electrónico via Outlook. Reclamei para o serviço, responderam-me rapidamente. Prometeram resolver com a mesma velocidade. Mas continuo à espera de um contacto que me confirme que vão reparar a avaria.

Ou seja: eliminou-se um problema, surgiu outro. No final do mês, pago o mesmo valor? Ou a empresa que me fornece o serviço vai descontar no preço?

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PÂNICO MORAL


Diz-se, com frequência, que os media são responsáveis pelos males que acontecem à sociedade. Espalham dúvidas, amplificam medos, repetem vezes sem conta desastres naturais ou provocados pela acção humana. Por vezes, os próprios media reconhecem isso, e fazem declarações, fixam restrições - auto-regulam-se. Lembro-me, em 2001, da queda da ponte de Entre-os-Rios. Em 2007, foi o caso Maddie, a menina inglesa desaparecida.

Há muitos anos atrás, um sociólogo britânico, Stan Cohen, qualificou essa amplificação dos media como a de pânico moral - cada notícia desperta em nós um medo: o da morte, o do desemprego, o do assalto, o da simples falta de água na torneira. Ao repetir à exaustão um acontecimento, ele transforma-se em pesadelo e nós ficámos esgotados, querendo fugir ou desligar da realidade mediática. É que a imagem repetida produz efeitos, pode afectar a nossa vida.

Não quero tomar partido, até porque não possuo uma informação precisa e distanciada, mas a audição das gravações de chamadas telefónicas ligadas a pedidos de ambulâncias, como as que se ouviram ontem e hoje, visa ir além dos agentes sociais directamente envolvidos. Porque se trata de um tópico que interessa a todos os cidadãos, o do serviço nacional de saúde, convém ter-se sentido dessa importância. Se alguém está a lesar esse serviço, o melhor é impedi-lo de continuar a fazê-lo. Mas, parece-me, começa a entrar-se na gritaria, na confusão, na falta de discernimento.

Observação: no final do ano passado, passou pelos ecrãs do cinema um filme sobre os hospitais de Bucareste, capital da Roménia, onde foi desarticulado o serviço nacional de saúde do país. A personagem principal do filme, um homem velho, acabaria por morrer porque os paramédicos andaram com ele de hospital em hospital em busca de uma vaga em cama. Não queremos que Portugal se atrase igualmente.

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CANAIS PARA DIVERSOS GOSTOS


O pai descansa ao observar o bilhar transmitido pelo canal da televisão. Uma tela quase toda verde, com a bola a percorrer um conjunto de linhas geométricas. O homem ajusta o taco com uma precisão como se fosse o relógio ou a máquina mais exacta do universo. Há uma longa filosofia por detrás da tacada, a qual pode decidir um jogo. E muita elasticidade.

Já o filho prefere ver o canal do ténis. É mais frenético, mais musculado. Não tem a elegância do bailado, mas aproxima-se, e é um igual esforço suado. O ténis tem vedetas, que aparecem nas capas das revistas. Muitas dessas vedetas vêm da luminosa Europa de leste. Como no bilhar, aprecia-se a elasticidade. E, como naquele, o tempo está sincopado.

No Japão, há canais temáticos que apenas transmitem programas sobre água, flores, peixes, cores. São feitos para recuperar a harmonia intrapessoal. Trata-se, pois, de um consumo privado: o lar como espaço de repouso e de aconchego. Aqui, o espaço ganha sobre o tempo - que não é preciso para nada.

O saudoso Eduardo Prado Coelho escreveu, um dia, sobre o prazer que obtinha de passar uns minutos a ver o canal de moda. Modelos esguios, diria anoréticos, mostram-se pelas passarelas enquanto uma música dance acompanha esses movimentos. O ritmo volta a adquirir força, com igual sentido de harmonia, equilíbrio e elasticidade.

Falta um canal sobre escultura: da grega até à de Brancusi. Nesse canal temático inexistente, o ritmo nada deveria ao tempo mas sim à forma e à harmonia. Seria igualmente um canal íntimo, colorido, doce. A precisar de música. Eis uma proposta séria para a televisão digital terrestre.

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AS INDÚSTRIAS CULTURAIS SEGUNDO A MINISTRA DA CULTURA


Na cerimónia de apresentação de resultados preliminares no Inquérito ao Sector do Livro (ver mensagem abaixo), Isabel Pires de Lima falou da importância das indústrias culturais e das indústrias criativas no PIB dos países.

Segundo ela, em Novembro passado, durante a presidência portuguesa da UE, os países membros acordaram a cooperação política no sector, tendo em conta a sua importância. A ministra da Cultura referiu valer o sector das indústrias culturais e das indústrias criativas perto de 2,6% do PIB.

A ministra salientou ainda a importância dos estudos sobre a cultura no nosso país, tendo destacado quatro em curso (ou já concluídos): plano nacional da leitura, a cultura em Portugal, estatísticas da cultura e estudo do livro (apresentado exactamente ontem).

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APRESENTADOS RESULTADOS PRELIMINARES DO INQUÉRITO AO SECTOR DO LIVRO


Ontem, na Biblioteca Nacional de Portugal, o OAC (Observatório de Actividades Culturais) apresentou os resultados preliminares ao Inquérito ao Sector do Livro, pela voz do coordenador do projecto, José Soares Neves.

Organismo fundado em Setembro de 1996 como parceria do Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais e Instituto Nacional de Estatística, o OAC tem desenvolvido meritórios estudos, nomeadamente sobre públicos de cultura, museus e bibliotecas, como aqui tenho vindo a destacar ao longo dos anos.

Neste momento, o OAC está a desenvolver um projecto de caracterização do sector do livro, pelo que trabalha na criação de uma base de dados e na implementação de um inquérito aos elementos da cadeia de valor da indústria do livro, após realizar 36 entrevistas a agentes do sector (e cujas apreciações o vídeo anexo fornece). Dos tópicos que entram no projecto, destacam-se: emprego e formação académica, produção de livros, estatísticas, modelos de produção, comércio do livro, direitos de propriedade intelectual, indicadores físicos e financeiros e panorama editorial.


LIVRO de Rogério Santos no Vimeo.

Alguns números que retirei da apresentação de José Soares Neves: 10102 títulos publicados em 2005, distintos por áreas como língua e literatura (34,6%), ciências sociais (25,3%) e generalidades (17,8%), entre outros, e 418 empresas em 2005, 86,2% das quais tinha 20 ou mais empregados.

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MÁSCARAS EM LISBOA


A 3 e 4 de Maio, pela Praça do Comércio, Rua Augusta e Rossio (Lisboa) vai passar o 3º desfile da Máscara Ibérica. A apontar na agenda e a não perder.


O meu obrigado a Carlos Filipe Maia, meu fornecedor habitual de informações de acontecimentos e agendas culturais.

FESTIVAL DE LOULÉ


O festivalmed (Festival do Mediterrâneo de Loulé) vai decorrer de 25 a 29 de Junho, em 5ª edição.

Mais informações em
www.festivalmed.com.pt.

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FEIRA ALTERNATIVA


Nos dias 26 e 27, o Centro Cultural Dr. Magalhães Lima (Alfama, Lisboa) promove a 11ª edição do Ladralternativa. Vão-se encontrar artigos de bijutaria, cerâmica, roupa e acessórios de moda, utensílios para a casa. Para saber informações suplementares, enviar email para ladralternativa@gmail.com.

ESTUDOS OEIRENSES


Até 15 de Maio, às quintas-feiras, decorre o V Ciclo de Estudos Oeirenses, este ano dedicado ao tema Viagens. Procurar mais informações no sítio da Câmara Municipal de Oeiras.

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ENCONTRO DE CULTURA


De 20 a 23 de Fevereiro, Guimarães vai ser palco de encontro(s) de culturas(s).
Promotor: alcultur.

Para saber mais, procurar em
www.alcultur.org.

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25.1.08

NOVA ESCOLA DE BERLIM


De 31 de Janeiro a 6 de Fevereiro, no cinema São Jorge (Lisboa), projectam-se filmes de jovens realizadores alemães ligados à Nova Escola de Berlim, movimento cinematográfico com origem na dffb, uma academia independente de cinema em Berlim. Os seus filmes têm-se destacado em vários festivais com um cinema fluído e narrativo, baseado numa fotografia límpida e em argumentos que espelham o mal-estar social e pessoal das sociedades em que vivemos.

Segundo a organização, destaque para a presença de Christian Petzold, que apresentará WOLFSBURG e GESPENSTER a 6 de Fevereiro, e para os filmes de Angela Schanelec, nomeadamente NACHMITTAG , adaptação de A Gaivota, de Tchékhov.

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24.1.08

TEATRO RADIOFÓNICO EM DISCUSSÃO NO INSTITUTO ALEMÃO


A rádio - ou melhor, um dos seus mais dedicados géneros, o teatro radiofónico - estará em análise no Instituto Alemão (Goethe-Institut Portugal, Campo dos Mártires da Pátria, Lisboa) na próxima quinta-feira, dia 31, das 17:00 às 18:00. A rádio pública portuguesa e a rádio alemã marcarão presença. Pelo que me disseram, Carmen Dolores estará entre os participantes.

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OS VÍDEOS DE MÁRIO PIRES EM RETORTA


Mário Pires tem um conjunto de vídeos muito interessantes no endereço Retorta.

Ver, por exemplo, estes dois vídeos, um projecto a solo de Vasco Casais (OMIRI), no Teatro Ibérico:


OMIRI - Teatro Ibérico from retorta on Vimeo.


OMIRI - Teatro Ibérico from retorta on Vimeo.

Para mim, são trabalhos de muito profissionalismo mas com uma grande dose de experimentalidade, dentro do conceito de videoarte. Imagens desfocadas, arrastadas ou com maior velocidade (slow versus fast), impressas em cima de outras, com uma janela dentro da imagem maior, cores vivas, denotação da iluminação (feixe luminoso incidindo directamente na máquina), são algumas das características destes vídeos.

Dos outros, o melhor é ver!

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COMENTÁRIO POLÍTICO EM RITA FIGUEIRAS


Anteontem, foi lançado o livro de Rita Figueiras, docente da Universidade Católica, O Comentário Político e a Política do Comentário. Na imagem, para além de Rita Figueiras, vêem-se o reitor da Universidade, Manuel Braga da Cruz, a apresentar a autora, e José Pacheco Pereira, que comentaria a obra (o blogueiro espera colocar um resumo da comunicação de Pacheco Pereira num dos próximos dias, após resolução da dificuldade de colocação de imagens no blogue via computador pessoal).

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ESTUDO DO LIVRO


Amanhã, 25 de Janeiro, pelas 11:00, vai decorrer, no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, a sessão pública de apresentação de resultados preliminares do projecto Inquérito ao Sector do Livro, desenvolvido pelo Observatório das Actividades Culturais (OAC). Para ver o programa da sessão clicar duplamente na imagem abaixo.

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EMPREGO


João Giovani é operador de câmara e operador de steadicam, trabalhando com o seu próprio equipamento. Vive em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, Brasil, e tem 23 anos. Procura alargar o seu mercado de trabalho, fazendo novas parcerias. O currículo pode ser encontrado aqui.


Uma forma fácil de o contactar é através do email: viktorgiovani@hotmail.com.

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23.1.08

VOLTANDO AO DIGITAL VERSUS ANALÓGICO


1. Os rapazinhos que me servem de observação em análise de videojogos e cultura karaoke foram vistos a jogar o Monopólio, um velho jogo da Majora onde alugar um terreno custa 180 escudos e comprar um hotel no Rossio talvez uns dois contos. Eles lançavam os dados, servidos pela irmã pequena de um deles. Creio que não dominavam bem o jogo, pois não havia grande empreendedorismo. As casinhas vermelhas e os hotéis verdes continuavam dentro da caixa. Fiquei perplexo. Os jogos de computador ou de consola portátil, ficavam, por largos minutos, sem uso. Vá lá, o computador estava ligado e um dos jovens colocou um ficheiro musical do YouTube, embora nenhum deles conhecesse a banda e um ainda solicitou para "pôr" o Titanic. Porquê esta pausa? Alguém lhes ofereceu um jogo quase pré-televisão? Descobriram que há mundo para além do digital? Concluiram que o brincar passa pelos modos analógicos? Viva o analógico!

2. Na insónia que tive, revi o sonho que acabara pouco antes. Não tinha lógica, como costuma acontecer aos sonhos, mas era divertido. Recordei amigos antigos - muito activos e cheios de imaginação. De repente, prolongando a insónia, dei-me conta que o cérebro é digital durante o sono. Explico-me melhor: as ideias fluem dispersas, efémeras e fragmentárias, sem grandes narrativas a suportá-las. Há conexões (os links), imagens, silhuetas, clarões. Por vezes, os sonhos são coloridos, outras vezes, são a preto e cinzentos e brancos, algumas vezes, as figuras são descarnadas e a uma dimensão, outras ainda, têm massa e forma volumétrica. Os impulsos do cérebro são, conclui-se, digitais. Viva o digital!

3. Os franceses e os espanhóis falam de numérico quando se referem ao digital. Numérico diz respeito aos zeros e uns da mensagem informática, no que parece mais preciso. Nós seguimos a palavra inglesa e mais universal - digital. Se quisermos, numérico é mais maquínico e digital, parece contacto superficial. Habituamo-nos a opor digital a analógico, sendo este um equivalente eléctrico de uma actividade humana, algo de cópia homem-máquina, com a máquina a ter uma comportamento antropomórfico. Digital (ou numérico) é a desmaterialização da máquina, a perda da inocência da cópia e a autonomia do mundo da máquina.

4. Talvez, partindo desta última observação, os rapazinhos tenham amadurecido e reflectido na dupla condição do analógico e do numérico - a máquina tem ou não constituição própria? Nesse instante, abandonaram a superfície do ecrã, numérica e fria, pelo mundo sensorialmente mais rico num dispositivo físico a três ou quatro, um verdadeiro espaço acústico e visual, gozando o vagar analógico do tempo. Por um momento, McLuhan triunfou sobre Baudrillard.

Observação: o jogo Monopólio existia num tempo em que não se falava muito dele(s). Ou era uma palavra reservada no Estado Novo?

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22.1.08

AINDA O TRABALHO DO OBERCOM SOBRE A IMPRENSA (ONTEM DIVULGADO)


Imprensa sob pressão. As dinâmicas competitivas no mercado da imprensa escrita portuguesa entre 1985 e 2007 é, como escrevi ontem, o research report mais recente do OberCom, assinado por Sandro Mendonça, David Castro, Pedro Cavaco e Gonçalo Lopes.

Pela sua leitura percebe-se quais os pontos mais importantes na vida das empresas de imprensa no período em análise: 1) processo de privatizações na imprensa (segunda metade dos anos 1980), 2) aparecimento dos jornais on-line (década de 1990), e 3) fenómeno dos jornais gratuitos (presente década).

A meu ver, há outras marcas significativas, tais como a digitalização das redacções, a concorrência das televisões privadas, a entrada de novos jornalistas e técnicos de várias profissões com nível de licenciatura, o peso dos jornais regionais, o aparecimento das rádios locais e a sua venda posterior para grupos de rádio, o recente fenómeno YouTube que faz com que jornais e rádios nacionais coloquem vídeo-notícias nos seus sítios, a separação da redacção clássica face à sua congénere on-line nos anos 1990 e junção já na actual década. Nos jornais gratuitos (como nas televisões privadas), os autores não fazem qualquer comentário sobre os conteúdos (por volta da página 50, falam em conteúdos mas a partir de estatísticas do INE, cujos dados não têm o perfil adequado para se falar em conteúdos, trabalho que tem sido feito nas universidades usando fundamentalmente a análise de conteúdo, ferramenta que os autores não empregam neste estudo).

Já no tocante à dimensão económica, o estudo destaca a concentração (nos jornais mais visível a partir de 2005) e os ciclos económicos (com menor influência, apesar da importância da publicidade). A envolvente ecológica (com um modelo traçado na página 21) merece ser lida no original e na sua totalidade. Destaco o ponto de partida, a análise de Porter: 1) potenciais entrantes, 2) fornecedores, 3) rivais, 4) clientes, e 5) produtos substitutos. Aqui, a equipa liderada por Sandro Mendonça sinaliza os canais de televisão de carácter noticioso, a internet e os jornais gratuitos, acabando por evidenciar estes últimos, pois são os que mais pressionam a imprensa paga.

Da leitura deste estudo fica a impressão de uma má prestação da imprensa escrita paga, pois as vendas têm vindo a baixar: de 300 milhões de exemplares em 1999 para 210,6 milhões em 2005 (nas revistas não há esta tendência negativa mas um equilíbrio). Em especial a passagem de 2004 para 2005 marca de modo muito forte esta quebra. Os autores olham o Público e o Diário de Notícias como aqueles onde há maior fragilidade, questionando mesmo a sua existência no curto-médio prazo. Aliás, o texto em análise acaba deste modo:

O sector da Imprensa já conheceu melhores momentos mas, no entanto, é prematuro afirmar que estamos a presenciar o início do fim do jornal tradicional tal como o conhecemos. É verdade que as ameaças ao sector são mais reais que nunca e que este actualmente não é tão rentável como outrora, contudo isso não quer dizer que o sector não possa sobreviver na nova era digital assentando, porventura, noutro modelo de negócio. E quanto mais pensamos no sucesso dos jornais gratuitos mais nos questionamos se não passará por aí o futuro desta indústria.

De inegável interesse, o estudo enferma, a meu ver, de algumas deficiências. A bibliografia é escassa, atendendo a trabalhos de inegável valor que têm saído nos anos mais recentes. Estou a pensar nos textos de Paulo Faustino, por exemplo (que é um optimista, se oposto ao texto agora presente). Depois, o modelo em anexo (influência do preço na procura de jornais) está pouco explícito e pode originar leituras diferentes, dada a ambiguidade de definição dos conceitos. O facto de concluir pela ideia de possível desaparecimento dos jornais não traz nada de novo. O modelo económico dos media tradicionais como a imprensa pode estar em queda mas não se sabe muito se o modelo de negócio da internet vai ter êxito. A questão da publicidade parece-me de muito importante discussão. Sabemos que a maior fatia de publicidade vai para a televisão; contudo, se os preços reais estiverem 90% ou mais ainda abaixo do tabelado, o que conta na realidade? O estudo segue cegamente dados da Marktest, mas convém afiná-los, olhando, por exemplo, os relatórios das empresas cotadas na bolsa, pois aí consegue-se saber o que não se infere de dados fornecidos sem tratamento.


Sobre os jornais gratuitos deixo as seguintes dúvidas: há controlo de tiragens face à sua distribuição? Dito de outro modo: as pessoas que recebem o jornal, lêem ou deixam-no no caixote do lixo mais próximo, como já vi algumas vezes? Depois: que impacto têm os jornais gratuitos na formação de cidadania, pois os textos são, muitas vezes, "takes" da agência noticiosa? Faltam análises de conteúdo, pois, senão, ficamos no mundo das aparências. E o impacto publicitário, será que os anúncios estão posicionados para os leitores do metro e dos autocarros? Já se fizeram inquéritos cientificos? Por outro lado, os jornais gratuitos têm publicidade porque não falam de casos que afrontam qualquer poder ou, se o fazem, são dados depois dos media influentes o fazerem. E por que é que as empresas dos jornais como o Público e o Diário de Notícias criaram jornais gratuitos? Haverá tempo suficiente para sabermos se o jornal gratuito é algo que veio para ficar ou a publicidade, depois da novidade, volta a fixar-se na televisão? A meu ver, há uma problema de focagem: quem garantia sucesso publicitário na internet antes de 2000-2001, deslumbra-se agora com os jornais gratuitos. Parece existir uma divisão etária: os jornais em papel e pagos para os mais velhos, a internet e os jornais gratuitos para os mais novos. Valeria a pena estudar estas questões.

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AUDIOLIVRO

21.1.08

O SOM DOS DISCOS


O ponto de partida é o último disco dos Radiohead. Vítor Belanciano (Público de hoje) considera que o som do mp3 é pior que o do CD e este pior do que o vinil. A compressão elimina frequências.


O texto faz um pouco da história da gravação musical, dos discos em cilindro ao vinil, da cassete ao CD e ao mp3. E aponta a discussão sempre que há um novo formato, com os conservadores a elogiarem o som antigo. Mas, com o mp3, chegada definitiva e irreversível ao digital, há uma unanimidade de perda de qualidade. Fala-se mesmo da morte da alta fidelidade, com o jornalista a recorrer à opinião de diversos especialistas.

Aconselho a leitura completa do artigo.

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ESTUDO DO OBERCOM SOBRE IMPRENSA


Saiu agora, em publicação pelo OberCom, a investigação Imprensa sob pressão. As dinâmicas competitivas no mercado da imprensa escrita portuguesa entre 1985 e 2007, de Sandro Mendonça, David Castro, Pedro Cavaco e Gonçalo Lopes.

Trata-se de um texto que ocupa 120 páginas. Dada a sua extensão, não tive ainda oportunidade de o ler, pelo que ficam aqui os pontos destacados no começo do trabalho como se fosse um sumário executivo (pp. 2-4):


1) O estudo faz a anatomia das grandes variáveis gerais que têm influenciado o contexto em que a imprensa opera (isto é, as macroenvolventes, as quais moldam o ambiente de negócios do sector) e mostra como a política de media e a regulação foram variáveis progressivamente ultrapassadas em influência pelas variáveis de natureza económica, tecnológica e sociológica,

2) O contexto próximo do sistema sectorial da imprensa escrita é definido neste trabalho pela interacção recíproca de um conjunto de forças estruturantes para o todo dos operadores (ou seja, as microenvolventes), e é argumentado que as forças que vêm exercendo a pressão mais determinante para a sobrevivência e para o desempenho das empresas têm sido a emergência de produtos substitutos (os jornais gratuitos, curiosamente não tanto os jornais online) e o aumento da rivalidade (não tanto por manipulações muito radicais da política de preços, embora já existam jornais generalistas que se estão a disponibilizar gratuitamente em certos canais de distribuição como hipermercados ou estações de serviço, mas sim através de iniciativas de tipo qualitativo que vão desde a multiplicação de suplementos, passando por ofertas de brindes, e indo até ao redesenho do próprio produto jornalístico e editorial),

3) O estudo dá conta da diversidade do sector e analisa as tendências na imprensa generalista e de especialidade (desportiva, económica, etc.), diária e semanal, jornais e revistas, etc.,

4) O estudo faz uma análise dos acontecimentos vitais (entradas, saídas, re-estruturações) que re-definem a todo o momento a vida económica da população de projectos editoriais e desta análise, baseada em dados originais produzidos pela primeira vez para o presente estudo, surgem dois factos estilizados básicos para compreender o sector (ver os dois pontos seguintes),

5) O perfil temporal dos nascimentos e mortes de jornais parece sugerir que as entradas e saídas tendem a ocorrer em momentos delimitados no tempo, ou seja, existem vários momentos distintos de rec