Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

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A MINHA CAMPANHA. Leiam jornais de referência em papel. Ouçam fado e hip-hop em CD. Vejam teatro. Apoiem a informação e a cultura portuguesa.



29.2.08

SALAZAR ESTRELA POP


Agora que passam quarenta anos da queda da cadeira que conduziu Salazar ao abandono do poder político, e depois de concursos na televisão (o português mais conhecido), livros e promessa de um museu, o jornal Correio da Manhã vai começar a editar uma colecção de livros intitulada Os anos de Salazar.

Olhando os mupis, se Andy Wharol conhecesse Salazar, não desdenharia pintar o velho ditador. Salazar, artista pop art, poderia ser igualmente punk ou pós-moderno, a fazer roer de inveja os cantores Miguel Ângelo, dos Delfins, e Roberto Leal, ou o jogador de futebol Abel Xavier. Ele é cabelo azul, vermelho, amarelo. Ele são lábios verdes, vermelhos, talvez pretos.

Reconstruções psicadélicas. A realidade foi mais pesada!


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DESIGN MAGNÍFICO DE PÁGINAS


Do ponto de vista estético, gostei muito destas páginas do Diário de Notícias de hoje.

Já da revista "Notícias TV" não gostei! Mas valeria a pena comentar as páginas 3, 4, 6 e 7.

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458 HORAS DE PUBLICIDADE NAS TELEVISÕES EM JANEIRO


Este é o título da análise da MediaMonitor (da Marktest) sobre a publicidade passada nos quatro canais de sinal aberto em Janeiro passado.

Os pesquisadores da
Marktest contabilizaram 56622 peças publicitárias passadas nos écrãs da RTP1, RTP2, SIC e TVI, "considerando todos os tipos de publicidade à excepção das auto-promoções dos canais. Este montante equivale a uma média diária de 457 inserções de publicidade por canal" ou 3 horas e 41 minutos diários por canal. Os dados agora divulgados falam num acréscimo de 6,1% face a período homólogo do ano anterior.

O primeiro gráfico dá conta do total de peças publicitárias ao longo de um ano, ao passo que o segundo gráfico mostra a duração média de cada período publicitário nos referidos quatro canais de televisão.



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28.2.08

SAPATOS E MOBILIÁRIO


Leio a notícia no Público de hoje: Portugal foi convidado a organizar um evento especial numa das próximas edições da Micam, a mostra de calçado italiano e a mais importante na Europa. Há crescimentos acima dos 10% em 2008, previsões que ultrapassam em muito as expectativas macroeconómicas nacionais e o abrandamento económico europeu. A notícia indica que igualmente o sector do mobiliário português pode vir a ser convidado para expor em Milão, a capital do design.

Um responsável da área do calçado disse que Portugal tem falta de gente com competências técnicas no design e no marketing. À atenção dos jovens estudantes universitários!

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UMBERTO ECO - OU UM INTERVALO ENTRE AS NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO


Volto a escrever sobre A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco - ver, por exemplo, em
22 de Abril de 2005 ou o meu livro Indústrias Culturais -, agora com outras perspectivas. Defendo que o livro - para além da inegável reconstituição histórica da época de vida de Eco, tornado Giambattista Bodoni, aliás Yambo - representa uma via importante para a compreensão do hipertexto e interpretação. O livro é, sobretudo, sobre a perda da memória biográfica da principal personagem, vítima de um AVC - mas onde se realçam essas duas categorias.

A aula de hoje serviu para reorganizar o que se sabe sobre o autor e a obra. A interpretação que fizemos (ou a sua reinterpretação) surge também como um reconhecimento ou uma reaprendizagem do mundo exterior e das relações que Bodoni aliás Yambo mantinha: com a mulher, com os familiares, com os amigos, no seu negócio de alfarrabista muito cotado. Nós aprendemos o mundo lá fora através de três possibilidades: aprendizagem pessoal, informação veiculada por outras pessoas, media.

Bodoni aliás Yambo recomeçou a viver graças à informação veiculada pelos outros (primeira parte) e pelos media (segunda parte). Há no livro um sentido muito hegeliano das coisas, com a parte inicial a ser a redescoberta ou nevoeiro (saída da escuridão), com a segunda parte a ser do domínio da clareza (ou reconstituição do passado através das releituras de infância e adolescência e a última o regresso ao pesadelo do AVC (mas uma escuridão luminosa, se é permitido assim interpretar).



Em Eco, aprendemos o que é a falsificação literária (a partir de materiais reais forma-se uma trama ficcional). Ou, de outro ângulo, ele usa os materiais como um romancista histórico, misturando habilmente situações verdadeiras (ou conjuntos de ordem social) e personagens fictícias, dando à sua literatura a curiosidade e suspense do romance policial. Diria mais apropriadamente que ele junta a semiótica (a sua verdadeira profissão) com a ficção (o seu ganha pão mais evidente). E, embora recorra a exemplos históricos, a sua semiótica é uma cultura a-histórica. Essa semiótica é visível logo na primeira parte quando usa oposições como nevoeiro e chama (há uma misteriosa chama, lê-se na página 69: "o que significa uma «misteriosa chama»?". "Não sei, mas saiu-me". E há a curiosidade em saber o que é a misteriosa chama e a rainha Loana (aí os alunos disseram: professor, não conte a história do livro pois ainda não acabamos a sua leitura).

Ora, onde Eco é forte - pelo menos na primeira parte do livro, que foi o que estudámos - é no domínio do hipertexto. Eu encontro pontos fortes nele, tais como maleabilidade e capacidade de procurar (mas ressalto um ponto fraco, o esquecimento, a procura aleatória nos sítios da Internet que nos leva longe do tema inicial). E o hipertexto salta de Eco para os seus fãs, como o ilustra o sítio,
queenloana, projecto iniciado por Erik Ketzan em torno da obra de Umberto Eco, e que dá muitas pistas, nomeadamente para a compreensão das suas múltiplas referências literárias.



Mas igualmente descubro o texto
Edgar Roberto Kirchof e Isabella Vieira de Bem, dedicado à hipertextualidade e efeito multimedia no livro impresso e, em particular, neste livro. Nele pode ler-se nomeadamente:

"Uma das principais características do hipertexto é a ruptura quanto à forma linear da leitura, devido ao seu caráter eminentemente não-seqüencial. Nesse sentido, como afirma o próprio Eco, mesmo antes da tecnologia digital, nós já temos lido livros de forma hipertextual: “Nós lemos uma página e pulamos, principalmente quando a estamos relendo. Pense na Bíblia. Quando as pessoas a lêem, elas sempre estão pulando aqui e ali, constantemente ligando várias citações.

"[...]Os romances de Umberto Eco, nesse sentido, são exemplares, pois constituem verdadeiras redes dotadas de uma gama impressionante de referências a obras provindas dos contextos mais variados. Embora essa estratégia também esteja presente em O nome da rosa, O pêndulo de Foucault, A ilha do dia anterior e Baudolino, a seguir, será abordada, ainda que em breves traços, a partir do romance A misteriosa chama da rainha Loana. Como notou Caesar (1999), a leitura bem sucedida de um romance de Umberto Eco pressuporia um leitor dotado de um conhecimento enciclopédico tão vasto como o do próprio autor. As referências intertextuais, na obra de Eco, são tantas que foi criada, por um de seus tradutores, Erik Ketzan, uma página na internet (MFoQL Project/
http://queenloana.wikispaces.com/), com tecnologia Wiki, na qual os internautas são convidados a explicar as inúmeras passagens que se reportam, implícita ou explicitamente, a obras das mais variadas procedências".

Para outra ocasião, se houver, fica a promessa de explorar uma também importante característica deste livro - a análise dos meios de massa (media) - tarefa ingente que Umberto Eco começou desde que passou pela RAI (televisão pública italiana) e pelo livro Apocalípticos e Integrados, por exemplo.

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27.2.08

ENCONTRO DE ESTUDANTES DE MARKETING E COMUNICAÇÃO


Virgínia Coutinho e Hugo Soares são os organizadores do I Encontro Nacional de Estudantes de Marketing e de Comunicação, a decorrer em Oeiras nos dias 12 e 13 de Abril.

Segundo eles, "Os objectivos do I ENEMC passam por conjugar uma vertente formativa, com o estabelecer de relações interpessoais entre estudantes de todas as instituições de ensino superior das áreas, sem esquecer o muito divertimento".


Mais informações a partir do email
encontromarketing@gmail.com ou da consulta do blogue http://enemktcom.blogspot.com/.

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UMA SELECÇÃO DE MÚSICA PORTUGUESA EDITADA EM 2007


CONFORME A ESCOLHA DO BLOGE A NOSSA RÁDIO:
  • Festival Intercéltico: 15 Anos de Histórias, de Vários
    Terra: Antologia 1972-2006, de Ganhões de Castro Verde
    Posta Restante, de Chuchurumel
    Parainfernália, de Diabo a Sete
    Romances de Peregrino, de Eduardo Ramos
    Canto da Terra, de Roberto Leal
    Sulitânia, de Ronda dos Quatro Caminhos
    Sol, de Stockholm Lisboa Project
    Não Sou Daqui, de Amélia Muge
    Vinho dos Amantes, de Janita Salomé
    Senhor Poeta, de Frei Fado d’El Rei
    Abril, de Cristina Branco
    Ao Vivo: A Preto e Branco, de Vitorino
    Você e Eu, de Teresa Salgueiro & Septeto de João Cristal
    Viviane, de Viviane
    Geografias, de Júlio Pereira
    Mudar de Bina, de Norberto Lobo
    À Espera de Armandinho, de Pedro Jóia
    Nas Veias de Uma Guitarra: Tributo a Fernando Alvim, de Ricardo Parreira
    A Música e a Guitarra: Clube de Fado, de Mário Pacheco
    Minha Alma de Amor Sedenta, de António dos Santos
    Outro Sentido, de António Zambujo
    À Noite, de Carlos do Carmo
    Sementes do Fado, de Os Músicos do Tejo
    Convexo: A Música de Zeca Afonso, de Jacinta
    Memórias de Quem, de João Paulo Esteves da Silva
    Espaço, de Mário Laginha Trio
Continua a ler-se na mesma mensagem do blogue A Nossa Rádio, assinada por Álvaro José Ferreira (a lista de discos editados é muito maior):

  • E agora a pergunta sacramental: quantos dos discos acima destacados estão representados nas playlists das Antenas 1 e 3? Os dedos de uma só mão chegam (e sobram) para os contar. Em face desta clamorosa e aberrante situação, cumpre-me lançar um apelo a quem tem por responsabilidade fiscalizar e avaliar o serviço público de rádio: faça-se uma monitorização à programação musical das referidas antenas e averigue-se, à luz da legislação que enquadra e regulamenta o serviço público de rádio, se objectivamente não existe uma clara e evidente discrepância entre o que é expectável da rádio do Estado e os conteúdos musicais actualmente dominantes nas respectivas playlists.
A ver e conferir.

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NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (5)


No livro de José Augusto Mourão e Maria Augusta Babo (Semiótica. Genealogias e cartografias), o capítulo sobre Charles Saunders Peirce (1839-1914) é dos mais difíceis mas mais estimulantes.

Mourão (p. 161) apresenta-nos a definição de semiótica em Peirce como “a ciência das leis necessárias do pensamento (já que o pensamento ocorre sempre por meio de signos), considerando não apenas a verdade, mas também as condições gerais dos signos se tornarem signos”.

A faneroscopia de Peirce (o que está diante do espírito ou da consciência) divide-se em três elementos (Mourão, p. 156), expressas por três categorias, presentes em todos os signos. A Primeiridade associa-se com liberdade, sentimento e independência (sabores, fragrâncias, qualidades), a Secundaridade é experimentada como alteridade, fonte de constrangimento e luta, caso do exemplo da porta entreaberta, e a Terceiridade é a categoria da mediação e da síntese, e, também, da generalidade, continuidade, difusão, crescimento e inteligência.


A semiótica origina-se na lógica (Mourão, p. 155). O princípio fundamental é o da interpretação dos signos (semiose) e o seu enunciado mais simples e geral é “A é B” (regra de inferência). O termo semiose designa o meta-modelo da semiótica, a teoria geral. Assim, a semiótica é o discurso teórico sobre os fenómenos semiósicos (Mourão, p. 162). A semiose é uma cooperação de três sujeitos: o signo, o seu objecto e o seu interpretante. Na teoria de Peirce, a semiose ou a produção da significação é um processo triádico que põe em relação um signo ou representamen, um objecto e um interpretante.

O representamen é o signo enquanto se apresenta. O signo é um lugar virtual de conhecimento, determinado por um lado por algo diferente de si mesmo, chamado o seu objecto, e por outro lado determina um certo espírito actual ou potencial, o interpretante, criado pelo signo de modo que o espírito que interpreta é mediatamente determinado pelo objecto. O interpretante é também um signo que remete para o objecto da mesma maneira que o representamen. O objecto é tudo para que o interpretante remeta o representamen. O interpretante é o significado próprio do signo; nomeadamente o interpretante imediato tem todas as funções do conceito saussuriano. O representamen pode ser a imagem sonora ou visual de uma palavra (por exemplo, Granada); o interpretante, a imagem mental associada (a cidade); o objecto, que pode ser real, imaginável ou inimaginável (a própria cidade de Granada).

Leitura: José Augusto Mourão e Maria Augusta Babo (2007). Semiótica. Genealogias e cartografias. Coimbra: MinervaCoimbra. Os autores são docentes na Universidade Nova de Lisboa

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POESIA NO FRÁGIL

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26.2.08

CONCERTO


A mensagem - mais a ideia - não é minha; foi-me enviada por email. Mas aqui fica:

  • O concerto do amor não aconteceu. Mas, já se sabe, no amor e na guerra, vale tudo. Até repetir o espectáculo. Só não vale desistir. A Feromona, mesmo sem bateria, mostra energia suficiente para dar concertos desligada da corrente. É quinta-feira, dia 28, no Europa (Cais do Sodré), só com baixo e guitarra acústicos, sem modernices nem tecnologias. Na mesma noite, Blarmino também sobe ao palco. www.myspace.com/feromona

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ANA CLARA GARMENDIA - UM BLOGUE SOBRE MODA


Já aqui falei sobre o blogue de Ana Clara Garmendia. Volto a fazer referência a ela, olhando para a mensagem que ontem escreveu. Em especial, quando diz: "Mas eu fiquei mesmo foi na festa da Cacharel".

Um blogue sobre moda, que eu sigo regularmente.

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GRANDE PRÉMIO APCE


Segundo informação da APCE (Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa), o grau de adesão ao Grande Prémio APCE 2007 ultrapassou as expectativas daquela associação.
Deram entrada mais de 150 trabalhos, propostos por mais de 50 organizações concorrentes.

De acordo com o comunicado recebido, "Esta edição do Grande Prémio – aposta forte da APCE no reconhecimento da excelência dos gestores e técnicos da Comunicação Institucional e das Relações Públicas - pretende ser ainda mais prestigiante para os galardoados, para a generalidade dos concorrentes e para a própria Associação".

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25.2.08

NOVO RELATÓRIO SOBRE INDÚSTRIAS CRIATIVAS


De Peter Higgs, Stuart Cunningham e Hasan Bakhshi, foi agora editado o relatório Beyond the creative industries: Mapping the creative economy in the United Kingdom.

As indústrias criativas têm vindo a ser definidas como as originadas na criatividade, competência e talento individual, com potencial para a criação de riqueza e de emprego através da geração e exploração da propriedade intelectual, em treze sectores diferentes. No Reino Unido, as indústrias criativas são um dos principais contribuintes para a economia do país.

Higgs, Cunningham e Bakhshi, a partir dos dados do censo de 2001, identificam 26 grupos ligados às actividades criativas, incluindo planificadores urbanos e designers gráficos, gestores de publicidade e designers de mobiliário, actores e bibliotecários, jornalistas e profissionais de software, arquitectos e arquivistas. Estes grupos ocupacionais, a que os censos de 1981 e 1991 não haviam dado importância, tem evoluído ao longo dos anos. É que aqueles tipos de profissionais nem sempre estiveram ligados às indústrias criativas. O departamento estatal inglês ligado à cultura, media e desporto (DCMS) estima em 800 mil empregos ligados externamente às indústrias criativas no ano de 2006, o que eleva para 1,1 milhão de empregos nestas indústrias [ver quadro abaixo]. Conforme o relatório agora publicitado, a economia criativa vale 7% do emprego no Reino Unido.

O modelo de Higgs, Cunningham e Bakhshi possui cinco vantagens sobre outros modelos, a saber: 1) foca-se nas indústrias criativas centrais onde há valor acrescentado e exclui actividades em cadeias de valor não centrais ao processo criativo, como a distribuição ou o retalho, 2) mapeia com mais nitidez a extensão do trabalho criativo, 3) distingue entre indivíduos criativos e outros que trabalham nas indústrias criativas, uma ferramenta útil para o desenvolvimento de actividade, 4) usa o censo de modo mais exaustivo que inquéritos de amostra, e 5) determina os ganhos totais vindos do trabalho criativo, indicador útil do seu valor económico.

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CONFERÊNCIA SOBRE JORNALISMO


Amanhã, dia 26, pelas 10:00, o professor Rosental Alves (Universidade do Texas, Austin) profere a conferência Da desconstrução do jornalismo da Era Industrial à construção do jornalismo da Era Digital: ameaças e oportunidades. Local: auditório 3 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, à Avenida de Berna, em Lisboa.

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BIBLIOTECA ON-LINE DE FILOSOFIA

REVISTA ELECTRÓNICA


O número mais recente da ECO-Pós, revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRJ (Rio de Janeiro, Brasil), encontra-se já disponível no endereço http://www.e-papers.com.br/ecopos.

A edição traz um dossiê temático dedicado à Comunicação & Melodrama e artigos sobre variados assuntos na secção Perspectivas, além de uma nota de conjuntura, quatro resenhas de livros e uma entrevista com a professora Maria Immacolata Vassalo Lopes.

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CONFERÊNCIA SOBRE MEDIA


O LabCom e o Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior organizam um ciclo de conferências Media, Identidades, Minorias, nos dias 28 e 29 de Fevereiro (pólo 1 da Universidade da Beira Interior, na Covilhã).

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CONFERÊNCIA SOBRE FOTOGRAFIA


Na próxima quinta-feira, dia 28, às 21:30, a fotógrafa Ana Paula Carvalho vai abordar no Instituto Português de Fotografia do Porto (Rua da Vitória, 129), o tema da Fotografia de Arquitectura e Interiores.

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EXPOSIÇÃO DE LÍLIA CATARINA


O título da exposição de Lília Catarina é Medo Orgulho Vergonha Culpa.

Escreve João Baeta, curador da exposição: "Lília Catarina desenvolve o seu trabalho devagar, sem pressas e de forma metódica, de modo quase orgânico em osmose com o seu universo intímo e de autoestruturação. As memórias e os registos pessoais vão-se enrolando na teia. As peças que produz são repositório de aprendizagens cognitivas e sensoriais".

No Espaço Ilimitado - Núcleo de Difusão Cultural (Rua de Cedofeita, 187, 1º, Porto), de 1 de Março a 5 de Abril.

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PROGRAMAÇÃO CULTURAL NA GULBENKIAN

24.2.08

UM MUSEU INTERACTIVO DOS MEDIA


O Newseum, o museu mais interactivo do mundo, vai abrir portas no próximo dia 11 de Abril, na avenida Pennsylvania, em Washington D.C., Estados Unidos (imagens retiradas do sítio do museu).

São cinco séculos de história dos media associada à tecnologia e à inovação, com 14 galerias principais, 15 teatros e dois estúdios de audiovisual, onde se pode ter uma experiência de viagem no tempo em quatro dimensões!


Muito obrigado ao leitor anónimo que me deu esta importante informação, sugerindo que eu programasse uma visita com os meus alunos.

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REFERÊNCIA AO LIVRO INDÚSTRIAS CULTURAIS


Sabe bem ler comentários sobre o nosso trabalho noutros blogues, como este mouselandmouseland_patrícia gouveia 06_07_08, publicado hoje. Escreve a autora:
  • Acabei de ler um livro curioso, Indústrias Culturais, Imagens, Valores e Consumos, de Rogério Santos, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Católica. O livro é editado pelas edições setenta e é o resultado de um apanhado de textos escritos no blog do autor que tem como título Indústrias Culturais e está on-line desde 2003. Neste documento são relatados e documentados alguns acontecimentos e estudos recentes, numa linguagem bastante simples e fácil de seguir, sobre imprensa, rádio, fotografia, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, manga, música, livros e centros comerciais. O autor centra-se bastante nos casos portugueses nomeadamente nas análises que faz de alguns reality shows e telenovelas que passaram na televisão e em alguns programas de rádio. Focam-se ainda curiosidades nacionais retiradas de arquivos fotográficos e textos académicos. Acho que o mais interessante deste livro é o lado descritivo e etnográfico que reúne, em quase quatrocentas páginas, opiniões críticas do autor em viagens, filmes que viu, espectáculos que assistiu, recolha de bibliografia e documentação variadíssima. Torna-se uma leitura obrigatória para quem quer compreender conceitos como “indústrias culturais”, “indústrias criativas”, “cadeia de valor”, entre outros.


Muito obrigado!

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A MINHA RUA É UM MUNDO


Na minha rua, o comércio de bairro está a alterar-se rapidamente. Numa fileira de três ou quatro prédios, várias lojas fecharam, caso das do peixe congelado e da tabacaria, para além da filial de um banco. Fiquei com pena do fecho da loja do peixe, pois a proprietária era simpática e chegámos a comprar lá produtos alimentares por diversas vezes; já o responsável da tabacaria era distante e ignorava os seus clientes quando se cruzava com eles na rua. Uma loja de representações comerciais já está fechada há mais de dez anos. Um restaurante abriu, fechou, voltou a abrir, voltou a fechar, alterou o nome mas continuou fechado (cheguei a comer lá bom peixe). Mantém-se um restaurante afamado, com longas filas à sexta-feira à noite, procurado por freguesia jovem. Mas, por outro lado, abriu uma livraria (já lá comprei o último livro do Pedro Costa sobre actividades culturais em Lisboa, ainda não analisado no blogue) e um supermercado de produtos biológicos e macrobióticos (aprecio muito o pão que vendem às quintas-feiras) - parecem governadas por gente nova e activa. Desejo muito sucesso para as suas actividades.

Depois, há actividades variadas: uma pizzaria, uma igreja evangélica, uma loja para pessoas com problemas de audição, uma típica mercearia de bairro que teima em permanecer, uma loja de moda feminina muito requintada e procurada por gente de notoriedade pública, um pequeno centro comercial que dá para outra avenida, a retrosaria (onde se encontram botões como em nenhuma outra parte da cidade), a farmácia onde se discute de futebol (um dos empregados tem afectos clubísticos diferentes dos nossos), pequenas pastelarias e restaurantes, uma loja de pneus e três lojas de mobílias e decoração (para diversos gostos e poder económico), uma loja chinesa, um talho (a carne é boa), a lavandaria (onde um dos responsáveis está frequentemente a telefonar na rua, não sei se a tratar de negócios), um espaço de divertimento masculino nocturno (que não gostamos muito), uma clínica e um centro de massagens, bem como a florista.


Por outro lado, há renovação de prédios. Há dias, um prédio velho foi demolido e já há obras para nova edificação. A fachada de um outro, com uma imagem histórica em azulejos, está a ser recuperada. Na rua, mora muita gente e, durante a semana, mais pessoas circulam, trabalhando em departamentos do Estado ou em escritórios na rua e nas ruas próximas, o que a torna permanentemente animada.

A minha rua é um mundo. Gosto muito de viver nela.

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AS PERNAS DE ARMANDO VARA


No primeiro caderno do Expresso de ontem, vinha uma notícia dando conta do prémio recebido pelo jornal: o de melhor design de jornal em todo o mundo.

Abri o segundo caderno, dobrado, e saltou-me ao olhar um par de elegantes pernas ao lado do título "Armando Vara foi uma boa surpresa". O que faz o leitor? Toma o significante por significado (à Barthes) e conclui pela elegância do dito senhor.

Tendo-me já cruzado na rua com Armando Vara (ele é uma figura pública), fiquei com dúvidas. Mas reflecti melhor: se o Expresso tem o melhor design do mundo, o jornal lá sabe o que faz.



Precisei de desdobrar o jornal para perceber o meu equívoco. As elegantes pernas traziam uns sapatos de salto alto e serviam de imagem ao título Calçado português é o único na Europa com saldo positivo. Imagem de senhora, portanto.

Alegria minha - o calçado é um indústria criativa a que gostaria, mas não tenho conseguido, dar mais atenção. Ainda por cima, sendo um sucesso nacional.

Dois erros do jornal com melhor design do mundo: o primeiro é que a parte superior das pernas entra no alinhamento da notícia sobre Vara, levando à confusão. O segundo é que a imagem não traz indicação de autor (fotógrafo). E fica a pergunta: a quem pertencem as pernas tão elegantes?

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23.2.08

AINDA OS MEDIA DOS PRODUTORES AMADORES


Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram publicaram o ano passado um livro intitulado The design of everyday life. De que trata o livro? Do papel das actividades domésticas nomeadas frequentemente de bricolagem: pintar as paredes de uma sala, arranjar a fechadura de uma porta, mudar uma simples lâmpada ou reparar um pequeno electrodoméstico, associado à sociedade de consumo e, por via disso, à sociologia do consumo ou estudos de consumo e cultura.

Mas, obviamente, e daí o meu interesse pelo livro, este aborda um tema que eu comecei a escrever nos dias anteriores: os media dos produtores amadores (ou domésticos). Os quatro autores estudam as máquinas de imagem digital e o impacto que elas têm no comportamento e conhecimentos dos amadores. São os efeitos materiais e tangíveis no quotidiano que eles trazem para reflexão. Shove e os seus colegas perguntam: como é que conceptualizamos os materiais da cultura material e como olhamos os objectos e as práticas que envolvem essa cultura material? Esta pode ser perspectivada em termos de género, idade, identidade e poder. A cultura material associa-se ao DIY (do it yourself), que poderíamos fixar em FVM (faça você mesmo).

Projectos DIY, competências adquiridas, o plástico como um dos materiais chave da cultura material, teorias e práticas do design de produto, processos e práticas - são alguns dos pontos essenciais do livro. E, igualmente, a reprodução de fotografias digitais. Os quatro autores partem das seguintes ideias: há coexistência de formas profissionais e amadoras, com ambas a integrarem elementos diferentes e complexos, a exigirem envolvimento e competência e a seguirem a ideia de projecto.

Depois, Shove e os colegas entendem a fotografia como um modo de identificação da vida individual, pois a fotografia reflecte os gostos e as opções pessoais. Ser fotógrafo significa uma prática, uma dinâmica, cujo reverso de desinteresse é dado pela ocupação do tempo noutras actividades. Isto é, a prática fotográfica pode aparecer e desenvolver-se, mas igualmente perder importância.

Fazendo uma rápida viagem à história da fotografia, ela surge nos anos de 1830, em especial com a introdução do daguerreotipo em 1837. Apesar da contínua evolução, o custo do equipamento e o tempo a ela dedicada tornavam a fotografia uma paixão de muito pouca gente. Em 1883, George Eastman começou a produzir rolos de filme, simplificando o processo de fazer fotografias. A Kodak Brownie surgia em 1901 - a primeira máquina para o mercado de massa. A mensagem publicitária era: "carregue no botão que nós fazemos o resto". Por volta dos anos de 1960, a máquina fotográfica alcançava o estatuto de bem presente em qualquer momento da vida pessoal. E os sociólogos passaram a prestar atenção a esta actividade: Bourdieu escreveu sobre os profissionais e os amadores, Sontag sobre a imagem visual, a memória e o significado dos álbuns de família. No início dos anos de 1970, começa a desenvolver-se a tecnologia digital, mas o mercado de consumo apenas arrancou na década de 1990. Mais perto de nós, em 2004, máquinas mais baratas e de boa qualidade começam a ser vendidas, incluindo as que estão alojadas nos telemóveis.

O capítulo do livro de Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram, que venho seguindo, dá particular relevo ao processo tecnológico, aquilo a que chamam mudança para o digital, dadas as implicações estéticas e sociais operadas. E referenciam histórias de vida, como o profissional que achou ser uma traição abandonar o equipamento analógico, que fornecia melhor qualidade de imagem; contudo, após a aquisição de equipamento digital, verificou a muito maior facilidade de controlar movimentos e as enormes possibilidades de manipular as imagens através do software instalado no seu computador. O capítulo também conta a história de uma adolescente, cuja permissão de uso da máquina analógica era intermitente, dado o custo da máquina e dos filmes e revelação, passando a usufruir de total liberdade e abundância de imagens quando adquiriu uma máquina digital.

A fácil manipulação de uma máquina digital, a possibilidade de fazer centenas de imagens sem custo acrescentado e o envio e troca dessas imagens através da internet, a que se junta o tempo disponível de muitos consumidores, nomeadamente jovens, faz destes especialistas - que estudam entradas de luz, velocidades de disparo, multiplicidade de imagens sobre o mesmo objecto para melhor escolha. Há uma crescente expertise que seria mais lenta com os equipamentos analógicos, dados os factores custo e lentidão de obter os resultados (processo de revelação).

Mas a fotografia digital traz outras mudanças na rotina de um fotógrafo. Dantes, as fotografias eram arquivadas num sentido, tal como a data e o motivo. Agora, a memória dos cartões é despejada no computador e, embora fique a data, a quantidade de imagens arquivadas dificulta a selecção e a arrumação.

Os autores identificam outra alteração: a máquina digital tem um muito maior uso que a analógica, mas esta ainda está associada ao filme, à estética. Por seu lado, a imagem tirada num telemóvel é do domínio do fugaz e do instantâneo. Se quisermos, esta última e do momento de felicidade partilhada ou do momento de acontecimento inédito ou dificilmente repetido, e que a portabilidade do telemóvel permite guardar, sem preocupações estéticas.

Finalmente, termos como pro-am (profissional-amador) ou pro-con (profissional-consumidor) entram no jargão quotidiano. O interesse nisto é verificar que os media - a fotografia, neste caso - se usam simultaneamente por profissionais e pelos outros, os amadores ou consumidores. Cada consumidor pode ser produtor de media, sem perder o estatuto de amador mesmo que especialista.


Leitura: Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram (2007). The design of everyday life. Berg: Oxford e Nova Iorque, pp. 70-92

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MAIS MUPIS


Como há valores-notícia - que servem de âncora para definir que acontecimentos podem ser notícia - e que têm tópicos como o escândalo ou o insólito, também podemos dizer que a publicidade tem um elevado nível de insólito ou imprevisto. Talvez seja isso que nos leva a fixar os olhos nas mensagens dos outdoors de passeio de rua, aqui dando conta que tudo está a um preço tão bom como 0% ou zero euros (dois euros é um valor muito aceitável).

Outros anúncios apelam à cultura geral. Confundir spread com banda musical, eurobor com uma equipa de futebol ou Dow Jones com um actor de filmes de acção é entrar no domínio da actualidade: saber ou não saber coisas que podem estar na tomada de decisões fundamentais na nossa vida. Aqui, há um privilegiar o humor (nonsense).

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22.2.08

OS MEDIA DOS PRODUTORES AMADORES


Ontem, quando coloquei a mensagem Os media dos produtores, pareceu-me faltar alguma coisa no título.

Hoje, ao ler uma notícia da newsletter
Meios e Publicidade sobre um concurso a promover por um dos operadores de telefones celulares, resolvi o enigma. Produtores sempre houve, tendo-se profissionalizado e dado origem a empresas - nomeadamente de rádio e televisão. Nos primeiros anos da rádio, surgiram muitos amadores, fenómeno repetido nos anos 1980, com as rádios piratas ou livres. Ora, isto não aconteceu com a televisão. A interpretação que faço é que uma empresa de televisão custa muito dinheiro em termos de estrutura técnica e de recursos humanos, valor muito mais baixo na rádio. Possivelmente, com a internet surgirão produtores amadores de imagem.

O concurso que agora se anuncia tem a ver com a realização de curtas metragens feitas através dos celulares e a propósito do Fantasporto. O operador de telefones móveis vai desafiar os seus clientes com mais de 16 anos a realizarem pequenos filmes, até três minutos, dentro do género cinematográfico daquele festival de cinema do Porto. O principal prémio é sedutor: um curso de realização, na New York Film Academy.

Isto já não é um concurso semelhante aos de fotografias, realizados até alguns anos antes. Envolve muito mais criatividade e usando um meio tecnológico ainda em desenvolvimento - a máquina de filmar num telemóvel, aparelho que alargou funções e se tornou multiusos. À maior mobilidade e leveza do equipamento corresponde uma menor qualidade de imagem e de enquadramento. Sem pensar em mais características, o que um esforço teórico permitirá, entendo que a ligação profissional-amador (pro-am) que Chris Anderson descrevia no seu livro A cauda longa está mais perto de concretizar: a informação e a estética servem igualmente o profissional e o amador.


Por isso, o título mais adequado na mensagem de ontem seria: Os media dos produtores amadores.

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NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (4)


Em texto editado em 1964, Roland Barthes escreveu sobre um anúncio da Panzani, empresas de massas (republicado no livro O óbvio e o obtuso).

Em Barthes (1915-1980), o signo remete para a relação de dois termos ou elementos [relata] que implicam ou não a representação psíquica de um deles, a analogia, a imediatez do estímulo e resposta, a coincidência e a ligação. Trata-se do significante e do significado.

Olhando para o anúncio a seguir exposto, o autor francês fala de uma primeira mensagem, a linguística, que inclui legendas, rótulos, um código (em língua francesa). O signo Panzani, nome da empresa, reflecte um significado complementar, o de "italianidade". Há, assim, denotação (nome) e conotação (italianidade).

Mas há uma segunda mensagem, a da imagem, fornecedora de uma série de signos descontínuos. Nela vêem-se um saco de rede, tomates, pimentões, cebolas, A imagem mostra um regresso do mercado, a frescura dos produtos prontos para a confecção de uma refeição. Mas a imagem chama igualmente a atenção para cores específicas, no caso o verde, o vermelho e o branco, as cores da bandeira italiana (a italianidade, de novo).

Barthes detecta mais signos: a) o conjunto de objectos diferentes dá a ideia de serviço culinário completo, ou seja, a Panzani garante uma refeição adequada, b) a fotografia tem uma composição estética, parece uma pintura tipo natureza morta.



Barthes refina a sua leitura e fala de três mensagens na fotografia acima representada: 1) mensagem linguística, 2) mensagem icónica codificada, e 3) mensagem icónica não codificada. A icónica não codificada remete, ao mesmo tempo, para a mensagem cultural. Barthes vai mais fundo: a mensagem literal aparece como suporte da mensagem simbólica. Aquela (mensagem literal) é denotada, esta (simbólica) é conotada.

Ora, toda a imagem é polissémica, continua Barthes, implicando que os significados despertam uma cadeia flutuante de significados, que o leitor escolhe ou rejeita. O que leva cada sociedade a desenvolver técnicas para evitar a alteração dos signos - a mensagem linguística é uma delas.


A segunda imagem é retirada do sítio da
Panzani, empresa francesa (sede: Lyon) mas recentemente comprada por um grupo espanhol (Ebro Puleva Ebro Azucarera, sede: Madrid). A italianidade continua muito presente.

Exemplos de vídeos publicitários da Panzani: 1969, Violaine.

Leitura: Roland Barthes (1984). O óbvio e o obtuso. Lisboa: Edições 70, pp. 28-31

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21.2.08

OS MEDIA DOS PRODUTORES


As cheias que afectararm as áreas de Lisboa e Setúbal na passada segunda-feira marcaram, na minha óptica, uma nova forma de fazer os media. Passou-se, se quisermos, do conceito de media produzidas pelos operadores licenciados (canais de televisão, por exemplo, que têm licença para emitir em determinada frequência, com uma estrutura empresarial e com viabilidade através da publicidade) para media operados por produtores anónimos, que colocam a sua informação em canais mais informais e até agora gratuitos: fornecedores de alojamento como o YouTube ou o Sapo. O que aconteceu com os atentados de Londres e Madrid, quando se pediram imagens de cidadãos que tivessem presenciado os mesmos, aconteceu agora com as cheias nesta zona do nosso país.

Alteram-se as estéticas, o modo aparentemente objectivo e distanciado de reportagem profissional, o sentido de construção da narrativa. Os vídeos amadores não se preocupam com a qualidade da imagem, ouvem-se sons em off dos próprios produtores, as panorâmicas são rápidas (o que ilustra a inexperiência dos operadores e a ânsia de mostrar tudo sem usar a montagem), com imagens cruas e de significados múltiplos, porque não apurados para dar uma narrativa.

Os vídeos vêem-se nos fornecedores de alojamento gratuitos mas os media tradicionais serviram-se deles, na segunda-feira passada. Na página on-line do Público isso foi visível na área de vídeos. Num canal de televisão, o jornalista do noticiário dizia: "é um vídeo de um telespectador do canal". Mas omitia-se o nome do autor do vídeo, como se as peças informativas tenham dois tipos de produtores: os profissionais, que trabalham diariamente e têm um contrato de trabalho com o canal, e os espectadores, que contribuem graciosamente sem direitos de autor.

Há muitos anos atrás, os jornais publicavam fotografias dos leitores; chegou a vez dos espectadores enviarem vídeos, feitos pelo telemóvel ou por uma máquina digital. Mas noto duas diferenças: uma muito maior quantidade, uma maior eficácia. Isto porque os espectadores têm uma formação visual maior, pois usam frequentemente os seus aparelhos e porque consomem imagens em movimento desde tenra idade, o que os aproxima dos conhecimentos profissionais. Além de que um computador já traz, no seu software, pequenos programas de edição de vídeo.


Em baixo, vídeos que eu retirei dos seguintes sítios: Jonix World (os dois primeiros) e Sapo.

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20.2.08

REVISTA VÍRUS


João Teixeira Lopes, sociólogo e docente da Universidade do Porto, vai ser o director de uma nova revista on-line, a Vírus. O seu lançamento será no próximo sábado, pelas 18:00, na Sala Nietzsche da Fábrica Braço de Prata. Segundo as palavras do seu director, "a revista congrega uma série de pessoas com plural activismo intelectual e político. Todas as sugestões, críticas e futuras colaborações serão bem-vindas".

Sobre Teixeira Lopes, o blogueiro cá de casa tem escrito com alguma atenção, em especial os seus trabalhos sobre públicos de cultura.

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ANÁLISE SEMÂNTICA DOS DISCURSOS DO PRIMEIRO-MINISTRO


Paulo Querido, da rede de blogues Tubarão Esquilo, desenvolveu um projecto de análise semântica dos discursos do Primeiro Ministro (versão beta). A recolha de discursos parte do Portal do Governo e da análise a blogues.

Por exemplo, se pesquisarmos pela palavra emprego nos discursos de José Sócrates, vamos parar a esta
informação.

Dentro do mesmo projecto, serão lançados mais serviços, nomeadamente um mail com aviso de novos posts/notícias.

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CALL FOR PAPERS


A revista Leopoldianum, Revista de Estudos e Comunicações da Universidade Católica de Santos (UniSantos), convida investigadores e docentes de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas a enviar artigos e resenhas, de carácter inédito, para a edição nº 92-93 (Janeiro/Agosto de 2008), até 14 de Abril, sob o tema Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Cultural e Paisagístico.

Informações sobre as normas de publicação da Revista podem ser obtidas no sítio da
editora Leopoldianum ou com o editor através do email revleopoldianum@unisantos.br.

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