segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

CONFERÊNCIA SOBRE JORNALISMO


Amanhã, dia 26, pelas 10:00, o professor Rosental Alves (Universidade do Texas, Austin) profere a conferência Da desconstrução do jornalismo da Era Industrial à construção do jornalismo da Era Digital: ameaças e oportunidades. Local: auditório 3 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, à Avenida de Berna, em Lisboa.

BIBLIOTECA ON-LINE DE FILOSOFIA

LusoSofia é uma Biblioteca On-line de Filosofia, com sede no Instituto de Filosofia Prática - LabCom da Universidade da Beira Interior.

Merece uma visita para ler textos como os de Georg Simmel (
A Mulher e a Moda [PDF]), Immanuel Kant (Resposta à pergunta: "Que é o Iluminismo?" (1784) [PDF]), Karl Marx (Para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel [PDF]), Johann Fichte (Reinvidicação da liberdade de pensamento [PDF]e Conferências sobre a vocação do sábio [PDF]) e Max Weber (A ciência como vocação [PDF] e Três tipos de poder legítimo [PDF]).

REVISTA ELECTRÓNICA


O número mais recente da ECO-Pós, revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRJ (Rio de Janeiro, Brasil), encontra-se já disponível no endereço http://www.e-papers.com.br/ecopos.

A edição traz um dossiê temático dedicado à Comunicação & Melodrama e artigos sobre variados assuntos na secção Perspectivas, além de uma nota de conjuntura, quatro resenhas de livros e uma entrevista com a professora Maria Immacolata Vassalo Lopes.

CONFERÊNCIA SOBRE MEDIA


O LabCom e o Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior organizam um ciclo de conferências Media, Identidades, Minorias, nos dias 28 e 29 de Fevereiro (pólo 1 da Universidade da Beira Interior, na Covilhã).

CONFERÊNCIA SOBRE FOTOGRAFIA


Na próxima quinta-feira, dia 28, às 21:30, a fotógrafa Ana Paula Carvalho vai abordar no Instituto Português de Fotografia do Porto (Rua da Vitória, 129), o tema da Fotografia de Arquitectura e Interiores.

EXPOSIÇÃO DE LÍLIA CATARINA


O título da exposição de Lília Catarina é Medo Orgulho Vergonha Culpa.

Escreve João Baeta, curador da exposição: "Lília Catarina desenvolve o seu trabalho devagar, sem pressas e de forma metódica, de modo quase orgânico em osmose com o seu universo intímo e de autoestruturação. As memórias e os registos pessoais vão-se enrolando na teia. As peças que produz são repositório de aprendizagens cognitivas e sensoriais".

No Espaço Ilimitado - Núcleo de Difusão Cultural (Rua de Cedofeita, 187, 1º, Porto), de 1 de Março a 5 de Abril.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL NA GULBENKIAN

domingo, 24 de fevereiro de 2008

UM MUSEU INTERACTIVO DOS MEDIA


O Newseum, o museu mais interactivo do mundo, vai abrir portas no próximo dia 11 de Abril, na avenida Pennsylvania, em Washington D.C., Estados Unidos (imagens retiradas do sítio do museu).

São cinco séculos de história dos media associada à tecnologia e à inovação, com 14 galerias principais, 15 teatros e dois estúdios de audiovisual, onde se pode ter uma experiência de viagem no tempo em quatro dimensões!


Muito obrigado ao leitor anónimo que me deu esta importante informação, sugerindo que eu programasse uma visita com os meus alunos.

REFERÊNCIA AO LIVRO INDÚSTRIAS CULTURAIS


Sabe bem ler comentários sobre o nosso trabalho noutros blogues, como este mouselandmouseland_patrícia gouveia 06_07_08, publicado hoje. Escreve a autora:
  • Acabei de ler um livro curioso, Indústrias Culturais, Imagens, Valores e Consumos, de Rogério Santos, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Católica. O livro é editado pelas edições setenta e é o resultado de um apanhado de textos escritos no blog do autor que tem como título Indústrias Culturais e está on-line desde 2003. Neste documento são relatados e documentados alguns acontecimentos e estudos recentes, numa linguagem bastante simples e fácil de seguir, sobre imprensa, rádio, fotografia, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, manga, música, livros e centros comerciais. O autor centra-se bastante nos casos portugueses nomeadamente nas análises que faz de alguns reality shows e telenovelas que passaram na televisão e em alguns programas de rádio. Focam-se ainda curiosidades nacionais retiradas de arquivos fotográficos e textos académicos. Acho que o mais interessante deste livro é o lado descritivo e etnográfico que reúne, em quase quatrocentas páginas, opiniões críticas do autor em viagens, filmes que viu, espectáculos que assistiu, recolha de bibliografia e documentação variadíssima. Torna-se uma leitura obrigatória para quem quer compreender conceitos como “indústrias culturais”, “indústrias criativas”, “cadeia de valor”, entre outros.


Muito obrigado!

A MINHA RUA É UM MUNDO


Na minha rua, o comércio de bairro está a alterar-se rapidamente. Numa fileira de três ou quatro prédios, várias lojas fecharam, caso das do peixe congelado e da tabacaria, para além da filial de um banco. Fiquei com pena do fecho da loja do peixe, pois a proprietária era simpática e chegámos a comprar lá produtos alimentares por diversas vezes; já o responsável da tabacaria era distante e ignorava os seus clientes quando se cruzava com eles na rua. Uma loja de representações comerciais já está fechada há mais de dez anos. Um restaurante abriu, fechou, voltou a abrir, voltou a fechar, alterou o nome mas continuou fechado (cheguei a comer lá bom peixe). Mantém-se um restaurante afamado, com longas filas à sexta-feira à noite, procurado por freguesia jovem. Mas, por outro lado, abriu uma livraria (já lá comprei o último livro do Pedro Costa sobre actividades culturais em Lisboa, ainda não analisado no blogue) e um supermercado de produtos biológicos e macrobióticos (aprecio muito o pão que vendem às quintas-feiras) - parecem governadas por gente nova e activa. Desejo muito sucesso para as suas actividades.

Depois, há actividades variadas: uma pizzaria, uma igreja evangélica, uma loja para pessoas com problemas de audição, uma típica mercearia de bairro que teima em permanecer, uma loja de moda feminina muito requintada e procurada por gente de notoriedade pública, um pequeno centro comercial que dá para outra avenida, a retrosaria (onde se encontram botões como em nenhuma outra parte da cidade), a farmácia onde se discute de futebol (um dos empregados tem afectos clubísticos diferentes dos nossos), pequenas pastelarias e restaurantes, uma loja de pneus e três lojas de mobílias e decoração (para diversos gostos e poder económico), uma loja chinesa, um talho (a carne é boa), a lavandaria (onde um dos responsáveis está frequentemente a telefonar na rua, não sei se a tratar de negócios), um espaço de divertimento masculino nocturno (que não gostamos muito), uma clínica e um centro de massagens, bem como a florista.


Por outro lado, há renovação de prédios. Há dias, um prédio velho foi demolido e já há obras para nova edificação. A fachada de um outro, com uma imagem histórica em azulejos, está a ser recuperada. Na rua, mora muita gente e, durante a semana, mais pessoas circulam, trabalhando em departamentos do Estado ou em escritórios na rua e nas ruas próximas, o que a torna permanentemente animada.

A minha rua é um mundo. Gosto muito de viver nela.

AS PERNAS DE ARMANDO VARA


No primeiro caderno do Expresso de ontem, vinha uma notícia dando conta do prémio recebido pelo jornal: o de melhor design de jornal em todo o mundo.

Abri o segundo caderno, dobrado, e saltou-me ao olhar um par de elegantes pernas ao lado do título "Armando Vara foi uma boa surpresa". O que faz o leitor? Toma o significante por significado (à Barthes) e conclui pela elegância do dito senhor.

Tendo-me já cruzado na rua com Armando Vara (ele é uma figura pública), fiquei com dúvidas. Mas reflecti melhor: se o Expresso tem o melhor design do mundo, o jornal lá sabe o que faz.



Precisei de desdobrar o jornal para perceber o meu equívoco. As elegantes pernas traziam uns sapatos de salto alto e serviam de imagem ao título Calçado português é o único na Europa com saldo positivo. Imagem de senhora, portanto.

Alegria minha - o calçado é um indústria criativa a que gostaria, mas não tenho conseguido, dar mais atenção. Ainda por cima, sendo um sucesso nacional.

Dois erros do jornal com melhor design do mundo: o primeiro é que a parte superior das pernas entra no alinhamento da notícia sobre Vara, levando à confusão. O segundo é que a imagem não traz indicação de autor (fotógrafo). E fica a pergunta: a quem pertencem as pernas tão elegantes?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

AINDA OS MEDIA DOS PRODUTORES AMADORES


Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram publicaram o ano passado um livro intitulado The design of everyday life. De que trata o livro? Do papel das actividades domésticas nomeadas frequentemente de bricolagem: pintar as paredes de uma sala, arranjar a fechadura de uma porta, mudar uma simples lâmpada ou reparar um pequeno electrodoméstico, associado à sociedade de consumo e, por via disso, à sociologia do consumo ou estudos de consumo e cultura.

Mas, obviamente, e daí o meu interesse pelo livro, este aborda um tema que eu comecei a escrever nos dias anteriores: os media dos produtores amadores (ou domésticos). Os quatro autores estudam as máquinas de imagem digital e o impacto que elas têm no comportamento e conhecimentos dos amadores. São os efeitos materiais e tangíveis no quotidiano que eles trazem para reflexão. Shove e os seus colegas perguntam: como é que conceptualizamos os materiais da cultura material e como olhamos os objectos e as práticas que envolvem essa cultura material? Esta pode ser perspectivada em termos de género, idade, identidade e poder. A cultura material associa-se ao DIY (do it yourself), que poderíamos fixar em FVM (faça você mesmo).

Projectos DIY, competências adquiridas, o plástico como um dos materiais chave da cultura material, teorias e práticas do design de produto, processos e práticas - são alguns dos pontos essenciais do livro. E, igualmente, a reprodução de fotografias digitais. Os quatro autores partem das seguintes ideias: há coexistência de formas profissionais e amadoras, com ambas a integrarem elementos diferentes e complexos, a exigirem envolvimento e competência e a seguirem a ideia de projecto.

Depois, Shove e os colegas entendem a fotografia como um modo de identificação da vida individual, pois a fotografia reflecte os gostos e as opções pessoais. Ser fotógrafo significa uma prática, uma dinâmica, cujo reverso de desinteresse é dado pela ocupação do tempo noutras actividades. Isto é, a prática fotográfica pode aparecer e desenvolver-se, mas igualmente perder importância.

Fazendo uma rápida viagem à história da fotografia, ela surge nos anos de 1830, em especial com a introdução do daguerreotipo em 1837. Apesar da contínua evolução, o custo do equipamento e o tempo a ela dedicada tornavam a fotografia uma paixão de muito pouca gente. Em 1883, George Eastman começou a produzir rolos de filme, simplificando o processo de fazer fotografias. A Kodak Brownie surgia em 1901 - a primeira máquina para o mercado de massa. A mensagem publicitária era: "carregue no botão que nós fazemos o resto". Por volta dos anos de 1960, a máquina fotográfica alcançava o estatuto de bem presente em qualquer momento da vida pessoal. E os sociólogos passaram a prestar atenção a esta actividade: Bourdieu escreveu sobre os profissionais e os amadores, Sontag sobre a imagem visual, a memória e o significado dos álbuns de família. No início dos anos de 1970, começa a desenvolver-se a tecnologia digital, mas o mercado de consumo apenas arrancou na década de 1990. Mais perto de nós, em 2004, máquinas mais baratas e de boa qualidade começam a ser vendidas, incluindo as que estão alojadas nos telemóveis.

O capítulo do livro de Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram, que venho seguindo, dá particular relevo ao processo tecnológico, aquilo a que chamam mudança para o digital, dadas as implicações estéticas e sociais operadas. E referenciam histórias de vida, como o profissional que achou ser uma traição abandonar o equipamento analógico, que fornecia melhor qualidade de imagem; contudo, após a aquisição de equipamento digital, verificou a muito maior facilidade de controlar movimentos e as enormes possibilidades de manipular as imagens através do software instalado no seu computador. O capítulo também conta a história de uma adolescente, cuja permissão de uso da máquina analógica era intermitente, dado o custo da máquina e dos filmes e revelação, passando a usufruir de total liberdade e abundância de imagens quando adquiriu uma máquina digital.

A fácil manipulação de uma máquina digital, a possibilidade de fazer centenas de imagens sem custo acrescentado e o envio e troca dessas imagens através da internet, a que se junta o tempo disponível de muitos consumidores, nomeadamente jovens, faz destes especialistas - que estudam entradas de luz, velocidades de disparo, multiplicidade de imagens sobre o mesmo objecto para melhor escolha. Há uma crescente expertise que seria mais lenta com os equipamentos analógicos, dados os factores custo e lentidão de obter os resultados (processo de revelação).

Mas a fotografia digital traz outras mudanças na rotina de um fotógrafo. Dantes, as fotografias eram arquivadas num sentido, tal como a data e o motivo. Agora, a memória dos cartões é despejada no computador e, embora fique a data, a quantidade de imagens arquivadas dificulta a selecção e a arrumação.

Os autores identificam outra alteração: a máquina digital tem um muito maior uso que a analógica, mas esta ainda está associada ao filme, à estética. Por seu lado, a imagem tirada num telemóvel é do domínio do fugaz e do instantâneo. Se quisermos, esta última e do momento de felicidade partilhada ou do momento de acontecimento inédito ou dificilmente repetido, e que a portabilidade do telemóvel permite guardar, sem preocupações estéticas.

Finalmente, termos como pro-am (profissional-amador) ou pro-con (profissional-consumidor) entram no jargão quotidiano. O interesse nisto é verificar que os media - a fotografia, neste caso - se usam simultaneamente por profissionais e pelos outros, os amadores ou consumidores. Cada consumidor pode ser produtor de media, sem perder o estatuto de amador mesmo que especialista.


Leitura: Elizabet Shove, Matthew Watson, Martin Hand e Jack Ingram (2007). The design of everyday life. Berg: Oxford e Nova Iorque, pp. 70-92

MAIS MUPIS


Como há valores-notícia - que servem de âncora para definir que acontecimentos podem ser notícia - e que têm tópicos como o escândalo ou o insólito, também podemos dizer que a publicidade tem um elevado nível de insólito ou imprevisto. Talvez seja isso que nos leva a fixar os olhos nas mensagens dos outdoors de passeio de rua, aqui dando conta que tudo está a um preço tão bom como 0% ou zero euros (dois euros é um valor muito aceitável).

Outros anúncios apelam à cultura geral. Confundir spread com banda musical, eurobor com uma equipa de futebol ou Dow Jones com um actor de filmes de acção é entrar no domínio da actualidade: saber ou não saber coisas que podem estar na tomada de decisões fundamentais na nossa vida. Aqui, há um privilegiar o humor (nonsense).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

OS MEDIA DOS PRODUTORES AMADORES


Ontem, quando coloquei a mensagem Os media dos produtores, pareceu-me faltar alguma coisa no título.

Hoje, ao ler uma notícia da newsletter
Meios e Publicidade sobre um concurso a promover por um dos operadores de telefones celulares, resolvi o enigma. Produtores sempre houve, tendo-se profissionalizado e dado origem a empresas - nomeadamente de rádio e televisão. Nos primeiros anos da rádio, surgiram muitos amadores, fenómeno repetido nos anos 1980, com as rádios piratas ou livres. Ora, isto não aconteceu com a televisão. A interpretação que faço é que uma empresa de televisão custa muito dinheiro em termos de estrutura técnica e de recursos humanos, valor muito mais baixo na rádio. Possivelmente, com a internet surgirão produtores amadores de imagem.

O concurso que agora se anuncia tem a ver com a realização de curtas metragens feitas através dos celulares e a propósito do Fantasporto. O operador de telefones móveis vai desafiar os seus clientes com mais de 16 anos a realizarem pequenos filmes, até três minutos, dentro do género cinematográfico daquele festival de cinema do Porto. O principal prémio é sedutor: um curso de realização, na New York Film Academy.

Isto já não é um concurso semelhante aos de fotografias, realizados até alguns anos antes. Envolve muito mais criatividade e usando um meio tecnológico ainda em desenvolvimento - a máquina de filmar num telemóvel, aparelho que alargou funções e se tornou multiusos. À maior mobilidade e leveza do equipamento corresponde uma menor qualidade de imagem e de enquadramento. Sem pensar em mais características, o que um esforço teórico permitirá, entendo que a ligação profissional-amador (pro-am) que Chris Anderson descrevia no seu livro A cauda longa está mais perto de concretizar: a informação e a estética servem igualmente o profissional e o amador.


Por isso, o título mais adequado na mensagem de ontem seria: Os media dos produtores amadores.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (4)


Em texto editado em 1964, Roland Barthes escreveu sobre um anúncio da Panzani, empresas de massas (republicado no livro O óbvio e o obtuso).

Em Barthes (1915-1980), o signo remete para a relação de dois termos ou elementos [relata] que implicam ou não a representação psíquica de um deles, a analogia, a imediatez do estímulo e resposta, a coincidência e a ligação. Trata-se do significante e do significado.

Olhando para o anúncio a seguir exposto, o autor francês fala de uma primeira mensagem, a linguística, que inclui legendas, rótulos, um código (em língua francesa). O signo Panzani, nome da empresa, reflecte um significado complementar, o de "italianidade". Há, assim, denotação (nome) e conotação (italianidade).

Mas há uma segunda mensagem, a da imagem, fornecedora de uma série de signos descontínuos. Nela vêem-se um saco de rede, tomates, pimentões, cebolas, A imagem mostra um regresso do mercado, a frescura dos produtos prontos para a confecção de uma refeição. Mas a imagem chama igualmente a atenção para cores específicas, no caso o verde, o vermelho e o branco, as cores da bandeira italiana (a italianidade, de novo).

Barthes detecta mais signos: a) o conjunto de objectos diferentes dá a ideia de serviço culinário completo, ou seja, a Panzani garante uma refeição adequada, b) a fotografia tem uma composição estética, parece uma pintura tipo natureza morta.



Barthes refina a sua leitura e fala de três mensagens na fotografia acima representada: 1) mensagem linguística, 2) mensagem icónica codificada, e 3) mensagem icónica não codificada. A icónica não codificada remete, ao mesmo tempo, para a mensagem cultural. Barthes vai mais fundo: a mensagem literal aparece como suporte da mensagem simbólica. Aquela (mensagem literal) é denotada, esta (simbólica) é conotada.

Ora, toda a imagem é polissémica, continua Barthes, implicando que os significados despertam uma cadeia flutuante de significados, que o leitor escolhe ou rejeita. O que leva cada sociedade a desenvolver técnicas para evitar a alteração dos signos - a mensagem linguística é uma delas.


A segunda imagem é retirada do sítio da
Panzani, empresa francesa (sede: Lyon) mas recentemente comprada por um grupo espanhol (Ebro Puleva Ebro Azucarera, sede: Madrid). A italianidade continua muito presente.

Exemplos de vídeos publicitários da Panzani: 1969, Violaine.

Leitura: Roland Barthes (1984). O óbvio e o obtuso. Lisboa: Edições 70, pp. 28-31

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

OS MEDIA DOS PRODUTORES


As cheias que afectararm as áreas de Lisboa e Setúbal na passada segunda-feira marcaram, na minha óptica, uma nova forma de fazer os media. Passou-se, se quisermos, do conceito de media produzidas pelos operadores licenciados (canais de televisão, por exemplo, que têm licença para emitir em determinada frequência, com uma estrutura empresarial e com viabilidade através da publicidade) para media operados por produtores anónimos, que colocam a sua informação em canais mais informais e até agora gratuitos: fornecedores de alojamento como o YouTube ou o Sapo. O que aconteceu com os atentados de Londres e Madrid, quando se pediram imagens de cidadãos que tivessem presenciado os mesmos, aconteceu agora com as cheias nesta zona do nosso país.

Alteram-se as estéticas, o modo aparentemente objectivo e distanciado de reportagem profissional, o sentido de construção da narrativa. Os vídeos amadores não se preocupam com a qualidade da imagem, ouvem-se sons em off dos próprios produtores, as panorâmicas são rápidas (o que ilustra a inexperiência dos operadores e a ânsia de mostrar tudo sem usar a montagem), com imagens cruas e de significados múltiplos, porque não apurados para dar uma narrativa.

Os vídeos vêem-se nos fornecedores de alojamento gratuitos mas os media tradicionais serviram-se deles, na segunda-feira passada. Na página on-line do Público isso foi visível na área de vídeos. Num canal de televisão, o jornalista do noticiário dizia: "é um vídeo de um telespectador do canal". Mas omitia-se o nome do autor do vídeo, como se as peças informativas tenham dois tipos de produtores: os profissionais, que trabalham diariamente e têm um contrato de trabalho com o canal, e os espectadores, que contribuem graciosamente sem direitos de autor.

Há muitos anos atrás, os jornais publicavam fotografias dos leitores; chegou a vez dos espectadores enviarem vídeos, feitos pelo telemóvel ou por uma máquina digital. Mas noto duas diferenças: uma muito maior quantidade, uma maior eficácia. Isto porque os espectadores têm uma formação visual maior, pois usam frequentemente os seus aparelhos e porque consomem imagens em movimento desde tenra idade, o que os aproxima dos conhecimentos profissionais. Além de que um computador já traz, no seu software, pequenos programas de edição de vídeo.


Em baixo, vídeos que eu retirei dos seguintes sítios: Jonix World (os dois primeiros) e Sapo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

REVISTA VÍRUS


João Teixeira Lopes, sociólogo e docente da Universidade do Porto, vai ser o director de uma nova revista on-line, a Vírus. O seu lançamento será no próximo sábado, pelas 18:00, na Sala Nietzsche da Fábrica Braço de Prata. Segundo as palavras do seu director, "a revista congrega uma série de pessoas com plural activismo intelectual e político. Todas as sugestões, críticas e futuras colaborações serão bem-vindas".

Sobre Teixeira Lopes, o blogueiro cá de casa tem escrito com alguma atenção, em especial os seus trabalhos sobre públicos de cultura.

ANÁLISE SEMÂNTICA DOS DISCURSOS DO PRIMEIRO-MINISTRO


Paulo Querido, da rede de blogues Tubarão Esquilo, desenvolveu um projecto de análise semântica dos discursos do Primeiro Ministro (versão beta). A recolha de discursos parte do Portal do Governo e da análise a blogues.

Por exemplo, se pesquisarmos pela palavra emprego nos discursos de José Sócrates, vamos parar a esta
informação.

Dentro do mesmo projecto, serão lançados mais serviços, nomeadamente um mail com aviso de novos posts/notícias.

CALL FOR PAPERS


A revista Leopoldianum, Revista de Estudos e Comunicações da Universidade Católica de Santos (UniSantos), convida investigadores e docentes de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas a enviar artigos e resenhas, de carácter inédito, para a edição nº 92-93 (Janeiro/Agosto de 2008), até 14 de Abril, sob o tema Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Cultural e Paisagístico.

Informações sobre as normas de publicação da Revista podem ser obtidas no sítio da
editora Leopoldianum ou com o editor através do email revleopoldianum@unisantos.br.

MARCAS DE CONFIANÇA


A publicação Selecções do Reader’s Digest divulgou o resultado do seu estudo "Marcas de Confiança 2008" (a partir da newsletter Meios & Publicidade de hoje).

Nele são avaliados "os níveis de confiança dos consumidores através de 37 categorias de produtos (20 de âmbito global, analisadas em 16 países europeus, e 17 de carácter local, estudadas apenas em Portugal)". O estudo em Portugal baseou-se num total de 1012 inquéritos respondidos por escrito e sem qualquer sugestão inicial de marca.


Desta análise, retiro que a marca mais confiável são os correios CTT (87 respostas), a que se seguem os telemóveis Nokia (78), o óleo alimentar Fula (74), as vitaminas Centrum (68) e o detergente para a roupa Skip (67). No fim da tabela, vêm a marca de automóveis Mercedes Benz (18) - a minha explicação está em que a marca é boa mas os preços não são acessíveis à bolsa dos inquiridos - e o produto para o emagrecimento Fit Form (19) - o que quer dizer que as pessoas consomem este produto mas não acreditam na sua eficácia!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (3)


ROBERT MERTON VISTO POR PADDY SCANNELL

Robert Merton (1910-2003) é, a par de Talcott Parsons, um dos sociólogos americanos mais influentes da sua geração, dentro da teoria funcionalista. Merton foi, aliás, aluno de pós-doutoramento de Parsons, em Harvard, nos anos 1930. Se Parsons traduziu Max Weber do alemão para o inglês, Merton fez trabalho idêntico, dando a conhecer outro pai fundador da sociologia, Émile Durkheim, do francês para o inglês [imagem de Merton retirada do sítio
garfield.library].

A importância de Merton surge por duas outras razões: a guerra na Europa (2ª Guerra Mundial) e a sua associação a Paul Lazarsfeld, primeiro na universidade de Columbia e depois no Radio Research Office, onde Merton conduziu uma investigação sobre o programa de Kate Smith na rádio quando esta angariou 45 milhões de dólares no apoio à participação americana na referida guerra.

Kate Smith, famosa cantora na época - notabilizada pela canção God Bless America, de Irving Berlim, uma espécie de hino no período da Guerra Mundial -, fez uma maratona na rádio (CBS), 18 horas seguidas em directo, conseguindo angariar 45 milhões de dólares em títulos de guerra (sobre ela escrevi a 23 de Agosto de 2004, tendo transcrito o texto para o meu livro Indústrias Culturais - Imagens, Valores e Consumos, editado em Outubro do ano passado).

Antes de entrar no Radio Research Office, Merton não tinha grande apetência pela investigação aplicada. Lazarsfeld mostrou a Merton a Little Anie, uma máquina que a CBS adquirira para registar respostas de entrevistados, numa perspectiva de grupos de foco. O seu uso forneceu o método empírico a Merton, baseado em três elementos inter-relacionados: 1) análise de conteúdo da emissão de Kate Smith, 2) entrevistas intensivas com 100 pessoas que ouviram o programa, 3) inquérito a mil pessoas. Metodologicamente, o estudo seria um clássico da sociologia da comunicação.

Como esclareceu Merton: o programa de Kate Smith não foi um exercício de propaganda, relação num só sentido, mas de persuasão, relação nos dois sentidos. Ao longo da maratona, as chamadas estabelecidas com a cantora fizeram as pessoas reagir do seguinte modo: "ela falou directamente para mim", "fiquei com a ideia de ela ser uma amiga pessoal". O sentimento de intimidade, a sua personalidade e a sua sinceridade transformaram essa jornada num exemplo do poder da rádio na persuasão das massas, aliás o título do livro de Merton: Mass persuasion.

Leitura: Paddy Scannell (2007). Media and communication. Los Angeles, Londres, Nova Deli e Singapura: Sage, pp. 63-69

aguasfurtadas


A aguasfurtadas, revista de literatura, música e artes visuais vai promover, a partir do começo do próximo mês, uma venda de obras de arte, na Galeria do JUP (núcelo de Jornalismo Académico do Porto, Rua Miguel Bombarda, 187, r/c, Porto). São fotografias, pinturas, ilustrações, pautas originais e múltiplos manuscritos dos mais diversos autores, portugueses e estrangeiros, que estarão à venda por €20 por peça.

O objectivo da venda é fazer dinheiro para editar a aguasfurtadas número 11.

Para mais informações, contactar através deste
e-mail. Ver também o blogue da revista.

ASSOCIAÇÃO DAS CIDADES E REGIÕES DA EUROPA PARA A CULTURA


De 28 de Fevereiro a 2 de Março, em Liverpool, uma das capitais europeias da cultura em 2008, reune-se o comité de
Les Rencontres, a associação de cidades e regiões europeias para a cultura.

O objectivo é realizar dois seminários temáticos em Liverpool. O primeiro, no dia 29, sobre a questão da entrada gratuita nos museus e em alguns monumentos das cidades europeias, usando o exemplo britânico e a experiência francesa (caso de Paris), procurando medir o impacto do número e o tipo de visitantes, o contexto cultural e os efeitos económicos. Já o segundo debruçar-se-á sobre a redacção do Livro Branco das políticas culturais das colectividades territoriais da Europa.

Além de Liverpool, também Stavanger (Noruega) é capital europeia da cultura neste ano. A reunião do comité em Stavanger ocorrerá entre 16 e 19 de Outubro.

Recorde-se que, em 9 de Novembro do ano passado, na Covilhã, foi discutido o tema O património industrial é um valor partilhado pelas políticas culturais locais e europeias na óptica do desenvolvimento sustentável?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A SEMIÓTICA EM PIERRE LÉVY

  • Para Lévy, os signos evocam "coisas ausentes" mas também, e especialmente, cenas, intrigas, séries completas de acontecimentos interligados (p. 70). Sem uma linguagem não se poderia contar uma história (ou estória?) ou colocar uma questão.

    A linguagem é um poder. Ela não é apenas o francês, o inglês ou o português, é também a linguagem visual ou plástica, a musical, a matemática. Quanto mais as linguagens se enriquecem mais aumentam as possibilidades de simular ou imaginar.


    Leitura: Pierre Lévy (2001). O que é virtual? Coimbra: Quarteto

“O MAIS OU O MENOS”



Para inscrição: sofia.aparicio@mail.cefa.pt ou silvia.valente@mail.cefa.pt. Ver programa aqui.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

CINEMA EM REVISTA ELECTRÓNICA


Call for papers para a revista electrónica Doc On-line 04. Tema: Documentário e Tecnologia. Prazo: 30 de Maio de 2008. Secções da revista: Artigos, Análise e crítica de filmes, Leituras, Dissertações e Teses, Entrevista.

Envio de trabalhos para Marcius Freire (
marciusfreire@terra.com.br) e Manuela Penafria (manuela.penafria@gmail.com).

LANÇAMENTO DE LIVRO DE DALILA RODRIGUES


Amanhã, pelas 18:30, no Grémio Literário (Rua Ivens, 37, em Lisboa), Dalila Rodrigues lança o seu livro Grão Vasco.


Dalila Rodrigues foi directora dos museus Grão Vasco (Viseu) e Nacional de Arte Antiga. Está actualmente ligada à Casa da Música e ao Politécnico de Viseu.

ARTES DECORATIVAS AO FIM DA TARDE


Trata-se de um ciclo de conferências no Museu da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. Assim, as "Artes Decorativas ao Fim da Tarde" começam no dia 27 de Fevereiro, pelas 18:00, com Mitologia na Azulejaria Barroca, por Ana Paula Rebelo Correia.

[mais informações no sítio do Museu da
Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva]

DISTRIBUIÇÃO E EXIBIÇÃO DE CINEMA EM 2007


O Diário de Notícias de hoje publica os números do mercado de distribuição e exibição cinematográficas em Portugal no ano de 2007, concluindo pelo domínio da Lusomundo Audiovisuais, com 118 filmes estreados, 8,2 milhões de espectadores e 35 milhões de euros nas bilheteiras (56,36% do mercado).


Na distribuição, em segundo lugar, aparece a Columbia Tri-Star Warner, com 27 filmes estreados e 15,4 milhões de euros (22,33% do mercado). Na exibição, em segundo lugar, surge a Socorama, Castello Cinemas, com 3,1 milhões de espectadores e 12,9 milhões de euros de receita bruta (18,75% de quota de mercado).

Os filmes com mais espectadores foram Shrek (818.904) e Ratatui (664.639).


[observação: no sítio do Instituto do Cinema e do Audiovisual só descobri dados referentes a 2006]

CINEMA NA CINEMATECA


Diz o comunicado:

  • Qual tem sido, em Portugal, o lugar dos ricos e dos pobres no Cinema? Qual vai sendo o lugar dos ricos e dos pobres na Arquitectura? Como é que o Cinema pensa e olha essa Arquitectura? Pode a Arquitectura pensar e construir-se também a partir desse Cinema? Foram estas questões que levaram o Núcleo de Cinema da Faculdade de Arquitectura da U.T.L. a propor à Cinemateca Portuguesa a realização de um Ciclo de doze filmes, a exibir quinzenalmente entre Outubro de 2007 e Março de 2008.

No dia 22, pelas 21:30, na Cinemateca, exibe-se o filme Uma rapariga no Verão, de Victor Gonçalves, com Isabel Galhardo, Diogo Dória e José Manuel Mendes. De 1986, o filme "foi uma das melhores surpresas do cinema português dos anos 80 e, até à data, o único filme para cinema de Victor Gonçalves. Revelou Isabel Galhardo e é também o único filme da actriz. Um filme sobre a vida que passa, num dos mais perturbantes e sinceros retratos intimistas do cinema português, que quem viu não esquece".

A sessão vai contar com as presenças de Victor Gonçalves e Duarte Cabral de Mello.