30.7.09
FÉRIAS E CONCLUSÃO DE TRABALHOS DO BLOGUE
PROVAS DE DOUTORAMENTO DE MARISA TORRES DA SILVA
RITUAIS, PROFISSIONALISMO E AUSTERIDADE
Já em Espanha, o vestuário específico dos membros do júri é um simples fato habitual de saída, com gravata. Do júri (cinco ou sete elementos) não faz parte o orientador. A sala está também aberta à presença do público, que assiste à apresentação prévia de síntese do trabalho pelo aluno e depois à réplica pelo júri, modelo próximo do português. O tempo de duração da prova é semelhante ao de Portugal. A cerimónia leva à festa: o candidato convida o júri para almoçar (o comer). Tive uma única mas inolvidável experiência na Complutense (Madrid).
Uma arguência muito recente no Reino Unido (Lincoln), deu-me outra visão: o júri tem apenas três membros (a presença de um quarto elemento é uma espécie de garantia de que tudo corre bem, sem qualquer intervenção nas provas e retirando-se antes da decisão da aprovação). Antes da prova, o júri reune, debate as questões mais salientes do trabalho a examinar ao vivo (diz-se viva) - as forças e as fraquezas do texto em discussão - e distribui as perguntas entre si, numa divisão clara de tarefas. Não é uma prova pública, pois apenas estão o candidato e o júri, com aquele a fazer um exame perante este, com uma duração entre uma e duas horas. Ao orientador é dada a permissão de estar presente na sala mas sem qualquer envolvência. O júri veste ainda mais informalmente que em Espanha. A prova começa exactamente com perguntas e não é dada a possibilidade ao candidato de fugir a uma pergunta (em Portugal, o arguente levanta um conjunto de perguntas e, por vezes, até indica que o aluno pode não responder a uma ou outra). No Reino Unido, o aluno sai com a recomendação de fazer emendas (em maior ou menor quantidade), de modo a melhorar o trabalho - o minor amendment. A crítica construtiva visa tornar o trabalho mais apto para a leitura pela comunidade científica [as imagens a seguir foram tiradas em Lincoln].







29.7.09
O MILHÃO CHEGOU HOJE

Ups, o milhão de visitantes veio mais cedo que eu previra. Chegou às 5:06:30, estava ainda a dormir, proveniente do Brasil à procura de texto sobre spots radiofónicos, que publiquei em 4 de Junho de 2009.
Com um milhão de visitantes no Indústrias, o que posso dizer? Atingi o último objectivo pretendido. O blogue serviu de complemento de aulas, no começo, permitiu conhecer outros blogueiros em almoços e jantares, contactos com alguns dos quais se transformaram em amizade, fiz duas conferências em países fora de Portugal, editei um livro com textos retirados do blogue, organizei um encontro de blogues na universidade, fui arguente de uma dissertação de mestrado sobre indústrias culturais. Agora alcancei um número simbólico de visitas.
Por isso, mereço férias. Talvez deixe de escrever com a regularidade destes anos, talvez me reforme da actividade. Estou contente. Até breve.
LIVRO SOBRE COMUNICAÇÃO E SAÚDE

Comunicação e Saúde é um livro organizado por Fernando Oliveira Paulino e editado pela Casa das Musas, em Brasília. No prefácio, indica-se que o livro apresenta múltiplas abordagens da comunicação para a promoção da saúde e que a publicação, juntamente com outros produtos audiovisuais elaborados por jovens de Planaltina, Varjão, Ceilândia e São Sebastião, resulta do projecto Saúde e Comunicação Comunitária apoiado pelo ministério brasileiro da Educação. De entre outros objectivos, o projecto visou ampliar o acesso aos media na promoção da saúde e estimular a criação de novas linguagens audiovisuais. Com o artigo "Blogues e a promoção da saúde", participei com muito agrado no projecto agora publicado.
Fernando Oliveira Paulino tem doutoramento em Comunicação pela Universidade de Brasília, é docente universitário e ouvidor (provedor) das rádios da Empresa Brasil de Comunicação EBC.
ÚLTIMA TEMPORADA DE TELEVISÃO SEGUNDO O JORNAL DE NOTÍCIAS
28.7.09
FREQUÊNCIA DO CINEMA
Os dados indicam que, dos residentes no Continente com 15 e mais anos, 2,607 milhões costumam ir ao cinema, o que representa 31,4% do universo em estudo. O estudo revela grande diferenciação se analisada a idade dos entrevistados: os jovens são os que têm maior afinidade com o cinema, com 64,2% dos jovens dos 15 aos 17 anos a afirmarem ir com regularidade e 68,0% dos jovens dos 18 aos 24 anos a manifestarem igual interesse. 51,6% são mulheres, 66,6% são jovens com menos de 35 anos, 42,1% são estudantes ou quadros médios e superiores, 43,2% residem na Grande Lisboa ou Litoral Norte e 58,7% pertencem às classes sociais média ou média baixa. Dos espectadores, 29,3% vão ao cinema ao sábado, 13,4% à sexta-feira e 10,5% ao domingo.
PERTO DO MILHÃO
Faltam 250 visitantes. Amanhã, com certeza, atinjo o milhão de visitantes únicos no Indústrias.É uma marca simbólica. Depois, posso ir de férias.
PÚBLICO
- A secretária já não é a mesma e até já mudou uma dúzia de vezes. A sala já não é a mesma e também já mudou uma boa meia dúzia de vezes. Os vizinhos de secretária mudaram, as secções mudaram. Nem o edifício é o mesmo. E a rua já não é a mesma. Nem sequer o bairro. E o jornal também já não é o mesmo.
Este é o começo da última crónica de José Vítor Malheiros no Público enquanto jornalista daquele diário, "autor da casa", como escreveu. Ele, em Setembro e em princípio, regressa apenas como cronista.
Nos vinte anos que levou de Público, o jornalista diz que assistiu a uma profunda revolução na informação. Na crónica assinada hoje, fala de equipas que coordenou: "Passámos muitas horas febris a discutir entusiasmados os novos desafios à frente dos nossos olhos - num tempo onde havia tempo e alma para discutir". E lembrou o "capitão que iniciou o que foi uma bela aventura, Vicente Jorge Silva". Habituei-me a ler José Vítor Malheiros, a respeitá-lo. Como ele diz a propósito do capitão e da forma de escrever jornalismo: "com honra e com paixão, usando do bom senso e sem abdicar do bom gosto, com rigor e ao serviço do público, com imaginação e com irreverência, com sentido crítico e sem subserviência perante nenhum poder".
Sim, o Público mudou. O jornal está muito estranho. Começo a não o reconhecer.
ARQUITECTURA ROMENA
MESTRADO EM ILUSTRAÇÃO (JORNAL OJE, 28.7.2009)
TEATRO EM SÃO PAULO
De 4 a 16 de Agosto, o Teatro de Dança organiza a 1ª edição do projecto Plataforma Estado da Dança. em São Paulo, Brasil. Os 21 espectáculos, entre eles 15 premiados no último Programa de Acção Cultural, vão decorrer em três lugares diferentes (Centro Cultural São Paulo, Pateo do Colégio e no palco do próprio TD). A programação inclui mesas redondas com curadores e programadores do universo da dança, nacional e internacional.
27.7.09
UBICINEMA
O formulário para a inscrição das propostas de comunicações está disponível aqui.
PRÉMIOS DE AQUISIÇÃO NA XV BIENAL DE ARTE INTERNACIONAL DE CERVEIRA
1) aquisições patrocinadas pela Câmara Municipal de V.N.Cerveira e Lavazza: Em cima da terra e debaixo do céu, de Isaque Pinheiro, Sem título e Sem título, ambos de Milica Rakic, três peças da série Escavação, de Samuel Rama, Interestrelar, de André Sier, Sem título (da série The strong man, de Mário Ambrózio), Limit II, de Marta Moura, No-Return 7, de Pavel Forman, e Auto-Retratos Modernos Latino Americanos/Europeus (Malevich), de Albano Afonso,
2) aquisição Águas do Minho e Lima: Parade of Vanity, de M.Fagundes Vasconcelos,
3) Prémio I.P.J – Instituto Português da Juventude – Obra de Arte Digital, em ex-aequo: Lemeh 42 e Marcin Dudek.
PEÇA NO TEATRO ABERTO
Devido ao êxito da peça O Deus da Matança, de Yasmina Reza, com encenação de João Lourenço, o Teatro Aberto vai continuar com as representações (de 4 de Setembro a 25 de Outubro). Os actores da peça são Joana Seixas, Paulo Pires, Sofia de Portugal e Sérgio Praia. A adaptação norte-americana do texto ganhou, no mês passado, o prémio de melhor peça do ano em Nova Iorque (Tony Award).
REMODELAÇÃO NA DIRECÇÃO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Fonte: Meios & Publicidade.
FESTIVAL DE PROGRAMAS AUDIOVISUAIS
Para saber mais, ver em FIPA e no Facebook.
26.7.09
CANAIS GENERALISTAS NÃO VÃO MORRER
PROMOÇÃO MUSICAL EM PORTUGAL
Foi em 1991 que se criou a promotora Música no Coração, de Luís Montez e Álvaro Covões, doravante a grande organizadora de espectáculos. A reedição do Festival de Mouros (1996) e do Festival do Sudoeste, na Zambujeira do Mar (1997), foram marcas de água da empresa. Depois, em 2007, os dois sócios separaram-se e Covões criou a Everything Is New. Montez controla o Festival do Sudoeste e o Super Bock Super Rock, Covões o Optimus Alive. Daquele a notícia não indica os ganhos, deste diz que detém 30% do mercado, incluindo os espectáculos realizados pelo Estado e por autarquias. Covões tem dez colaboradores permanentes, Montez tem estações de rádios como a Radar e a Oxigénio. Por norma, o artista ganha cerca de 90% das receitas e o promotor fica com 10%. A queda de vendas de discos levou os artistas a darem mais concertos. Os promotores, além dos contactos com os músicos, procuram sempre patrocinadores, entidades que apoiam os custos de produção dos espectáculos.
MUSICAIS
Não sou grande apreciador de teatro musical, embora reconheça que se aprende bastante quanto a públicos (e comportamentos). A semana passada fiz uma experiência e vi dois musicais, Wicked (Apollo Victoria Theatre) e We will rock you (Dominion Theatre), o primeiro contando a história das bruxas de Oz e o segundo baseado no repositório das músicas da banda Queen. Os espectadores do Apollo são ingleses de classe média e mais jovens (vi pais com filhos pequenos); os do Dominion, pelo menos desde há sete anos em que o musical está em cena, são turistas estrangeiros e de diferentes níveis etários (os mais jovens sabiam as letras de cor, como se os Queen fossem uma banda de hoje). Aquela peça musical tem enredo, a segunda baseia-se nas músicas de Fred Mercury e seus colegas (um deles, Roger Taylor faz hoje 60 anos), com o público a agitar-se como se estivesse num concerto de música pop. O musical no Dominion tem a particularidade do português Ricardo Afonso fazer de Galileo, uma das personagens com mais destaque na história e a actuar há mais de um ano. As duas salas estavam cheias (o Dominion tem 2069 lugares) - e os preços não são propriamente populares.Depois, nos teatros e salas de espectáculos ingleses há uma democrática venda de bebidas e gelados dentro da plateia, antes do começo da exibição e nos intervalos. Isso inclui vinho e cerveja. Recordo-me que, num outro ano, num musical, junto a nós duas jovens bebiam vinho à vontade e exalavam um cheiro quase insuportável. Num concerto dos Promenade, no Royal Albert Hall, os espectadores da arena comportavam-se do mesmo modo. Para além do bilhete de ingresso na sala, a bebida constitui igualmente uma receita importante. Proíbidos são o consumo de tabaco e as conversas entre a assistência.
Tudo isto lembra-me o livro de Richard Butsch (2008), The citizen audience. Crowds, publics, and individuals, onde o autor traça a evolução das indústrias criativas e sua relação com a expressão nos espaços públicos e destaca a lenta evolução das salas (teatro, cinema), espaços inicialmente barulhentos e onde era permitido comer e beber para sítios recomendáveis e locais de cultura por excelência.



25.7.09
FÃS
Racional do fã: 1) todo o mundo é fã de qualquer coisa, 2) há estrelas e fã por causa dos media, 3) o fã tem níveis diferenciados de envolvimento (até ao topo, a obsessão), 4) a relação entre fã e estrela exige que esta tenha uma produção ou esteja envolvida numa linha contínua de novidade e/ou extravagância e/ou polémica, e 5) relação com a estrela sempre actualizada.
PEDRO LINO E "ART DOESN'T CHANGE ANYTHING"
Há imagens da exposição disponíveis no blogue do autor (de onde retirei algumas) e imagens-videos dos trabalhos no sítio do autor (daqui tirei um pequeno vídeo).




24.7.09
CURSO DE PERITAGEM DE ARTE
MUSEU DO DESIGN (LONDRES)






Super Contemporary é uma das exposições temporárias actualmente patente no Museu do Design em Londres, numa parceria do museu com a Beefeater 24, onde se patenteia o design visionário dos criadores londrinos ao longo das últimas quatro décadas. A outra exposição mostra a criação do catalão Javier Mariscal.
ACORDO SIC E PT
Isto significa mais produção e desenvolvimento de conteúdos próprios para a SIC e aproveitamento do investimento em fibra óptica para a Portugal Telecom. Além dos canais temáticos já em funcionamento - Notícias, Mulher e Radical, disponíveis quer no Meo (PT) quer na ZON -, a partir do começo do próximo ano, haverá a distribuição de um canal infantil. O acordo engloba ainda a internet, com os sítios da SIC a passarem para a rede Sapo (PT).
O acordo surge quase um mês depois da PT ter falhado a compra de uma participação na TVI (Media Capital). O blogueiro tinha preconizado uma associação (ou aquisição) entre as duas empresas, após a possível compra da TVI ter sido liminarmente rejeitada pelo governo, após acusações da oposição parlamentar. Agora, que não se deve esperar nova reacção política, é previsível (especula o blogueiro) um melhor alinhamento de um putativo outro bloco - o da TVI com a ZON -, dados os investimentos e a necessidade de maior cooperação entre telecomunicações interactivas e media.
23.7.09
MERCADO DO BOM SUCESSO, PORTO

Fernando Sá, Presidente da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte, Paula Sequeiros e Pedro Figueiredo são um grupo de cidadãos que decidiu opor-se à demolição do Mercado do Bom Sucesso para que ali se construa um hotel, um "shopping", escritórios e um parque de estacionamento. As formas são de um abaixo-assinado - em que se manifestam contra a incapacidade de gestão do património público revelada pela Câmara Municipal do Porto - e do blogue Mercado do Bom Sucesso Vivo, onde se podem observar fotos de mercados congéneres de Valência, Barcelona, Toulouse, Londres, Hamburgo e Veneza, em plena actividade.O Bom Sucesso é apenas mais um edifício notável posto à venda após a tentativa falhada de destruição do Mercado do Bolhão e do recente negócio do Pavilhão Rosa Mota, que incluiu, no mesmo pacote, a alienação de parte dos jardins do Palácio de Cristal [texto e imagem de Carlos Romão].
Assine a petição.
MSN

O Messenger (MSN), aplicação da Microsoft que estabelece contacto em tempo real entre pessoas, nasceu há dez anos. Hoje, tem 330 milhões de utilizadores e a concorrência de aplicações como o Skype e o Google Chat (Público Última Hora).
MITO - MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO DE OEIRAS
Mostra Internacional de Teatro de Oeiras (MITO), de 3 a 13 de Setembro. Mais informações: sítio do MITO.
FUTURISMO
Foi há cem anos que começou o futurismo, com Filippo Tommaso Marinetti a escrever o seu manifesto (Paris, 20 de Fevereiro de 1909), rapidamente reconhecido e admirado em toda a Europa. Marinetti e os seus colegas artistas (Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo, Gino Severini) geraram um forte movimento que se pode acompanhar até 1915, no início da Primeira Guerra Mundial. 1912 foi um ano chave e aí se vê o cruzamento de correntes, vindas do divisionismo italiano do século XIX, do cubismo, do movimento anarquista, do simbolismo, do cubo-futurismo russo, do vorticismo inglês, ligando ainda teatro, cinema, escultura e política.No futurismo, os seus autores inspiraram-se em Bergson, cujo argumento se poderia sintetizar em consciência em fluxo criando uma simultaneidade de experiência. Os futuristas elogiam a luz eléctrica nas ruas das cidades, mas também os comboios rápidos e os fios do telégrafo enquanto exaltação do futuro. Os futuristas viam na comunicação os elementos fundamentais para a sua arte de vanguarda. Aliás, Marcel Duchamp, entre outros, partilhava com os futuristas o gosto e admiração pelas máquinas. Na exposição de 1912, os pintores do movimento escreveram no catálogo sobre a deslocação e o desmembramento dos objectos, o derrame e a fusão de detalhes livres da lógica dominante, independentes de outros.
Em Luigi Russolo (La Rivolta, 1911; imagem retirada do sítio Mart e figura central do cartaz da exposição na Tate Modern, em Londres), a multidão é apresentada como massa anónima, sem distinção de qualidades e qualquer contexto social ou político. Mas, apesar desta obra, a política exerceu fascínio sobre o movimento, nomeadamente a sua atracção pela guerra (a guerra representa purga e limpeza dos males), a misoginia e a trágica transformação de ideais anarquistas no fascismo.


A exposição, muito bem organizada e com um bom catálogo, resulta de uma concepção do Centre Pompidou (Paris), da Scuderie del Quirinale (Roma) e da Tate Modern (Londres), tendo já estado nas duas primeiras cidades.
22.7.09
A GRIPE, OS NÚMEROS E O QUE MUDOU NELA
Depois de ontem o número de casos de gripe A (H1N1) em Portugal ter acalmado, hoje o balanço volta a ser menos positivo: foram confirmados laboratorialmente mais 13 casos. A boa notícia é que são todos importados. O total situa-se agora nos 174, sendo que a maioria das pessoas já retomou a sua vida normal (Público Última Hora, texto de Romana Borja-Santos, às 18:58).Margaret Chan, a principal responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS), nasceu em Hong Kong há 62 anos, num ano do porco no calendário chinês. Começou por ensinar economia, chinês e inglês, quando o seu namorado foi estudar medicina para o Canadá. Ela seguiu-o, mas como ele tinha pouco tempo para lhe dedicar, por ocupado nas aulas, acabou por ingressar também em medicina. Licenciados, regressaram a Hong Kong. Mais tarde, Chan foi nomeada directora de saúde, à frente de uma equipa de sete mil pessoas. Por ela passou a condução da informação da gripe das aves - aquele ameaça vinda do oriente que nunca cá chegou. Ela, que continuou a comer frango, mandou matar 1,5 milhões de aves. Estávamos em 2003.
Logo depois, a senhora Chan - em fotografia aqui ao lado (de Laurent Gillieron, publicada no Guardian, de 16 de Julho último, de onde retiro toda a informação a partir de notícia de Aida Edemarian) - tornou-se a primeira chinesa a concorrer (e ganhar) a liderança de uma agência das Nações Unidas, a OMS. Corria o ano de 2006. 2007 foi, de novo, o ano do porco no calendário chinês. E, a 11 de Junho de 2009, ela tornava-se a primeira pessoa na OMS em 41 anos a anunciar ao mundo o aparecimento de um novo vírus a atingir proporções de pandemia. Um relatório de 2007 daquela agência da ONU previa uma pandemia de gripe que poderia afectar um quarto da população do mundo. Claro que há grupos e países de maior risco: grávidas, pessoas entre os 30 e os 50 anos; países com taxas elevadas de doenças como VIH, desnutrição ou diabetes ou com grandes concentrações populacionais em cidades.O quadro está quase traçado. Primeiro, Chan tem experiência em gripes associadas a animais: a primeira não terá tido impacto, a segunda certamente. Mas não nos podemos esquecer que ela mandou abater frangos. Segundo, a mutação do nome da gripe. Todos nos lembramos que começou por se chamar gripe mexicana, dado o primeiro surto ter nascido lá. Os mexicanos reagiram - e bem -, em especial os que têm interesses turísticos. Depois passou a chamar-se gripe suína. Por razões religiosas, os muçulmanos não usaram essa designação. A um outro nível, os produtores de porcos devem ter exercido pressão, pois não queriam associar o animal a uma possível quebra de vendas. Gripe A é mais simpático porque não há defensores da letra A, ou de outra letra ou número. Mas o número da gripe é H1N1, saúde em inglês e número um, o que é significativo. A designação H1N1 tem a assinatura da senhora Chan. Terceiro, a produção de Tamiflu, o antiviral já preparado desde o tempo da ameaça da gripe das aves, tem sido enorme. Só a Roche produziu 5,6 milhões de doses para o mundo desenvolvido e Margaret Chan quer mais 5 a 6 milhões de doses para os países pobres ou em vias de desenvolvimento. Por lembrança, há anualmente entre 250 e 500 mil pessoas que falecem com a gripe sazonal, número que não inclui os que morrem por dificuldades respiratórias ou ataques de coração. Quarto, os media foram obedientes a mudar a designação da gripe, a retirar-lhe carga conotativa, a higienizar o nome. Do mesmo modo, os media contabilizam dia a dia o número, como a notícia que encabeça esta mensagem (apesar da jornalista indicar que muitas pessoas já estão livres de perigo, fala em boa notícia: os casos assinalados hoje são importados, como se importado ou exportado fosse distinto). Isto é a estratégia da prevenção: aumentar o número. Em campanhas anteriores, mensurava-se o número dos diabéticos, dos doentes cancerosos por causa do tabaco, dos estropiados pelos acidentes de viação. A estratégia da prevenção aproxima-se da propaganda, e os media, de modo ligeiro, vão atrás.
Observação: não sou adepto de qualquer teoria da conspiração. Logo não digo que a senhora Chan exagerou, como no caso da gripe das aves. Mas a gripe pode ter interessados. Numa altura em que se põe em causa a ida dos americanos à Lua, com o argumento "então se eles foram há 40 anos porque não voltaram?", também se pode contestar a gripe, os seus nomes e os seus números. Espero que a agenda noticiosa mude e haja outras notícias.
INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO
Fonte: Meios & Publicidade.
LONDRES
21.7.09
TATUAGENS
DE COROT A MONET

A exposição Corot to Monet, na National Gallery (Londres), mostra quanto os impressionistas devem à tradição de pintar ao ar livre. A colecção de paisagens francesas da National Gallery abrange o período do naturalismo do começo do século XIX até às críticas ao impressionismo, com pinturas de Jean-Bapiste-Camille Corot, Simon Denis e Pierre Henri Valenciennes, pintores que estiveram em Roma e representaram paisagens em Campagna. A exposição mostra também obras da chamada Escola de Barbizon e pintores como Théodore Rousseau, Jean François Millet e Narcisse-Virgilio Diaz de la Peña.
Do meu ponto de vista, não é uma exposição grandiosa, dada a dimensão dos quadros (composições pequenas, raramente expostas, e que poderiam servir de modelo a obras maiores, ensaios ao ar livre em Itália, na floresta, junto à natureza). Também as salas não ajudam nem o catálogo. A meu ver, o vídeo que traça a história desse período é um elemento suplementar de elevado valor.
Mais informações no sítio da National Gallery.
LEICESTER SQUARE, SEIS DA TARDE
TRAFALGAR SQUARE, CINCO DA TARDE
MÚSICA DOS TOQUES DO CARAMULO

Para saber mais, ver em Toques do Caramulo, D'Orfeu e D'Orfeu.
20.7.09
LICENCIATURAS EM VIDEOJOGOS
REFLEXÕES CURTAS - III
REFLEXÕES CURTAS - II
Apesar de não ser fã da forma de fazer jornalismo do 24 Horas, desejo as maiores felicidades ao Nuno.
REFLEXÕES CURTAS - I
Acaba ele o seu texto desta forma:
- Um dia, mesmo em novo auge da febre digital, talvez se leiam coisas como: "Renove a sua fé na imprensa. Sinta o subtil toque do papel, o inimitável som do virar das páginas, compre jornais!" Porque vinil preto e papel branco ainda não são coisas para deitar fora.
COMO NELSON RIBEIRO VÊ AS EMISSÕES DA BBC PARA PORTUGAL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
O centro da dissertação está na página 403. Na minha opinião, oferece uma brilhante conclusão: "Ao combinar a utilização da imprensa, a censura directa e a pressão diplomática, o Estado Novo tentou influenciar as emissões britânicas para Portugal". Conforme Ribeiro afirma mais adiante, Salazar teve uma interferência indirecta na BBC (p. 415). A BBC era uma estação muito apreciada pelos ouvintes portugueses devido à sua política de verdade. No entanto, no que respeita à questão da Armando Cortesão, um refugiado político na Inglaterra a trabalhar para a BBC, o regime de Salazar foi capaz de exercer a sua influência e conseguiu que fosse despedido. Se Salazar não usou directamente a rádio para discursos, foi capaz de manipular o seu uso, estendendo o seu peso a uma rádio que se reclamava livre e isenta.
19.7.09
A MORTE DE PINA BAUSCH

Pina Bausch nasceu em 1940 e morreu agora. Os jornais deram muito destaque a esta bailarina que revolucionou a dança. Várias vezes passou em Lisboa (reproduzo parcialmente a capa da revista "Actual" do Expresso de 4 de Julho último).
Retiro uma frase do texto de Cláudia Galhós no referido número da revista: "Nessas passagens [por Lisboa], ela não dava entrevistas. Era uma mulher silenciosa, de silhueta frágil, consumida por um mundo de emoções".
18.7.09
A SAGA DO CINEMA DE NOLLYWOOD

Primeiro foi Hollywood, mais recentemente Bollywood (cinema da Índia), agora é Nollywood (cinema da Nigéria, centrado na capital, Lagos). Luís Francisco, no Público de 5 de Julho último, conta os sucessos e os fracassos do cinema daquele país africano.
O volume de negócios do cinema nigeriano (mais de 200 milhões de euros) só é inferior ao indiano, em todo o mundo. Fazem-se quase dois mil filmes anuais, custando cada um 18 mil euros em média, com vendas de 20 a 30 mil DVD a um custo unitário de 5,5 ou 6,5 euros. Não há efeitos especiais nem cenários elaborados, os actores nem sempre decoram os seus papéis, os realizadores têm de acabar as filmagens ao fim de três ou quatro dias, mas formou-se um star system. As histórias cruzam temas de cultura popular, magia e religião, desafios da vida moderna, sida, direitos das mulheres.
O problema é que os filmes são feitos em vídeo, facilmente pirateados. Os contrafactores, na Nigéria ou na China, fazem baixar dramaticamente os preços dos DVD legais, no que pode levar à morte da fileira cinematográfica da Nigéria. A acrescentar a inexistência de salas de cinema, o que leva toda a produção directamente a passar no televisor ou no computador.
17.7.09
CASTANHEIRA DE PERA
A MODA NOS AVIÕES

Com texto de Ana Soromenho, retiro da revista "Única" (Expresso, 4 de Julho último) uma infografia das fardas usadas pelas hospedeiras da TAP, companhia área portuguesa, ao longo de 65 anos. Cortes coloniais, mini-saias dos anos 1960, do vermelho ao azul escuro no vestuário, dos chapéus às malas, há uma interessante história das fardas a rever. Curiosamente, não se conhece a assinatura de duas dessas fardas.
16.7.09
SERTÃ
ESPAÇOS DE CULTURA NO PORTO

Em duas páginas, o caderno local do Porto do jornal Público de 4 de Julho último (textos de João Pedro Barros e Mariana Duarte) traça um panorama dos novos espaços culturais ou da sua mudança geográfica.
O texto mais significativo refere a mudança, para Setembro, do espaço multidisciplinar Artes em Partes da rua Miguel Bombarda, rua que alberga quase 20 galerias de arte e é pólo central de vestuário e acessórios alternativos, para a rua do Rosário, uma rua perpendicular. Apesar de não se afastar muito, os clientes perdem a ideia de como seria viver num edifício do começo do século XX. Mas eventos, festas e comidas não se vão perder no novo sítio.
Noutro bairro, junto ao Rivoli (Rua Magalhães Lemos 105), a Villa foi inaugurada no começo deste mês. Tipo casa de cultura, ocupa três andares e dez salas, dedicadas a música, cinema, joalharia, design, moda, literatura, fotografia (ver indicações mais precisas em Villa Downtown). No primeiro andar, o Café Concerto vai servir de espaço de lançamento de artistas (fotografia, pintura), além de espectáculos de marionetas e tertúlias. Ao lado, irão funcionar a Sala de Som e Imagem da Universidade Católica, com filmes realizados pelos seus alunos, a Galeria, dinamizada pelos alunos da Escola Superior Artística do Porto, e a Loja de Joalharia, parceria com a escola Contacto Directo.
15.7.09
POLÍTICA E JORNALISMO EM PORTUGAL
Congratulations from London.
CENTROS COMERCIAIS

São 105 centros comerciais (os hipermercados estão fora) e ocupam 3,4 milhões de metros quadrados em lojas (em ABL, área bruta locável, que não inclui corredores, parques de estacionamento e armazéns), o que daria para albergar os 10,2 milhões de habitantes do país, se toda a gente decidisse ir ao mesmo tempo para esses espaços, conclui Joana Pereira Bastos (Expresso, 4 de Julho último). Cada português vai uma vez por semana a um desses espaços; em 2007, contabilizaram-se perto de 500 milhões de visitas.
O conforto, a diversidade de oferta de produtos e os horários alargados são razões principais dessa preferência. Ao invés, o comércio tradicional não procura a adaptação a estas condições. Por isso, até 2011 prevê-se a abertura de mais doze centros comerciais.
O mesmo trabalho de Joana Pereira Bastos, com Isabel Paulo, aborda dois exemplos de adaptação e sucesso e dois casos de decadência ou fracasso total. Curiosamente, as jornalistas olharam para Lisboa (Fonte Nova e Apolo 70) no primeiro caso e Porto (Brasília e Dallas) no segundo caso, mas poderiam olhar para outros exemplos nessas cidades. Basta percorrer um pequeno centro comercial junto ao Saldanha e os que estão perto da sede da PT, na Av. Fontes Pereira de Melo.
Mas peguemos nos quatro exemplos inseridos na notícia do jornal. Na realidade, o Fonte Nova soube sobreviver ao gigante Colombo; embora haja alguma rotação de lojas, o supermercado, os cinemas, a loja de gelados, a loja de fotocópias, os restaurantes e cafetarias e outras lojas souberam aproveitar-se de uma arquitectura quase quadrada do centro. O Apolo 70, já sem cinema há muitos anos, visitado diariamente por 2500 pessoas, soube aguentar-se mesmo com a grande concorrência do centro comercial por baixo da praça de touros do Campo Pequeno. Se o Fonte Nova está numa boa zona residencial, o Apolo 70 combina residências com forte zona de serviços.
Já os centros do Porto acima exemplificados tiveram outra sorte, até por terem maior dimensão. O Brasília foi, durante anos, um dos maiores centros comerciais do norte do país, com cinema e muitas lojas, alargando inclusivé as instalações. Igualmente situado na Boavista, zona central da cidade, o Dallas parecia ser uma alternativa ao Brasília mas cedo os problemas de estrutura física (problemas de perigo de incêndio, por exemplo) ditaram o seu encerramento. E o Brasília enfrentou a concorrência de centros próximos como o junto ao mercado do Bom Sucesso, que abriria com uma pista de gelo, entretanto desactivada, e um conceito mais moderno de restauração e de cinema multiplex.
14.7.09
TESES DE DOUTORAMENTO
Depois de amanhã, dia 16, pelas 14:30, Nelson Ribeiro vai defender provas públicas de doutoramento na Universidade de Lincoln (cerca de 200 quilómetros a norte de Londres, Reino Unido). Título da prova: Radio broadcasting in Portugal during War II. Nelson Ribeiro é director de programas da Rádio Renascença e docente na Universidade Católica Portuguesa.
Desejo a ambos muitos sucessos.
FILMINHO ARRANCA DIA 16
13.7.09
LANÇAMENTO DO LIVRO DE ALBERTO PENA

Hoje, ao fim da tarde, foi lançado o livro de Alberto Pena, O que parece é, Salazar, Franco e a Propaganda Contra a Espanha Democrática, da editora Tinta da China. A apresentação, como já aqui indicara, pertenceu a Mário Mesquita e decorreu na Livraria Pó dos Livros, em Lisboa (na fotografia, da esquerda para a direita: Mário Mesquita, Alberto Pena e Inês Hugon. A capa e a composição pertencem a Vera Tavares.O livro narra e analisa a colaboração entre o movimento fascista espanhol e a ditadura portuguesa de Oliveira Salazar. Alberto Pena, docente da Universidade de Vigo (Espanha), observa o modo como a rádio e o cinema portugueses apoiaram a causa de Franco. Aliás, o autor defende que a vitória do movimento do caudilho se deveu ao apoio de Salazar aquele e contra o governo republicano de Madrid.
AQUELE QUERIDO MÊS DE JULHO (II)
12.7.09
FESTIVAL DE CURTAS DE VILA DO CONDE
O filme, de 34 minutos, rodado na cidade do Porto, entre o Shopping Brasília e o Museu de Serralves, tem argumento e realização de João Nicolau e conta no elenco com Norberto Lobo, Marta Sena, Ana Francisca, Helena Carneiro, Andreia Bertini e Miguel Gomes. Conta a história de João, único empregado visível no estabelecimento comercial Chaves Morais, que é também o filho do proprietário e não se coíbe de se ausentar do serviço para auscultar o sopro imaterial do seu coração gastando moeda atrás de moeda na Máquina do Amor. Marta do Monte é uma estudante de Belas Artes portadora de uma inusitada encomenda. A chave que para ela João copia abre mais que uma porta.
Nos Prémios da Competição Internacional, o filme Madam Butterfly de Tsai Ming Liang (Taiwan) venceu na categoria Ficção, Entrevista con la Terra de Nicolás Pereda (México) venceu na categoria Documentário. O Prémio Animação foi atribuído a Dust Kid de Jung Yumi (Coreia do Sul) e o Prix EFA Vila do Conde para a Melhor Curta Metragem Europeia foi atribuído a Renovare de Paul Negoescu (Alemanha, Roménia).
[informações da organização]
FESTIVAL AO LARGO
11.7.09
PROVA DE DOUTORAMENTO DE CARLA BAPTISTA
O blogueiro, que estará bastante distante do local da prova, por razões profissionais, deseja muitas felicidades à Carla, sabendo que todo o seu trabalho tem sido de uma enorme qualidade (e também do valor dos membros do júri que vai apreciar a tese). Referencio dois trabalhos ímpares da Carla Baptista: Portugal no olhar de Angola (MinervaCoimbra, 2002) e Jornalistas. Do ofício à profissão. Mudanças no jornalismo português (1956-1968) (co-autoria com Fernando Correia, Caminho, 2007). A autora foi jornalista no Diário de Notícias, fez estudos na Universidade Nova de Lisboa (licenciatura) e ISCTE (mestrado), voltando à Nova para fazer o doutoramento, escola onde lecciona. Presentemente, pertence à direcção do CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo).

10.7.09
FILHOS DE LUMIÈRE AMANHÃ NA BAIXA DA BANHEIRA
RELAÇÃO ENTRE OUVINTES E SÍTIOS DE RÁDIO
- "No âmbito da disciplina de Seminário, do 3º ano do curso de Ciências da Comunicação do ISCSP, um dos trabalhos deste ano, sobre as diferenças entre o analógico e o digital ao nível da linguagem e construção noticiosa no RCP, incluiu um questionário para complementar os dados obtidos na análise efectuada e, desta forma, avaliar a forma como a Internet permite uma maior aproximação entre ouvintes e a rádio, bem como as formas dessa aproximação. [...] Para o conjunto de inquiridos, apesar de alguma dispersão nas respostas, a escolha da estação mais vezes sintonizada recaiu sobre a Rádio Comercial, seguida da Cidade FM, Mega FM e Antena 3. Com menor preponderância surgiram a RFM, Orbital e M80. Fenómeno curioso, num contexto de audiências em que a RFM lidera as audiências, verificando-se, neste pequeno grupo, ser apenas a quarta opção em termos da estação que os inquiridos costumam ouvir".
BAILES EM LISBOA - A NÃO PERDER

Depois do sucesso no Porto (Serralves) e Barcelona, o Real Combo Lisbonense actua nas Festas de Lisboa, nos próximos dias 11 (sábado), pelas 22:00, no Castelo de S. Jorge, e 12 (domingo), pelas 18:00, no coreto do Jardim da Estrela. Primeira parte com a Roda de Choro de Lisboa.
9.7.09
COOLTURA
- O termo “cooltura” foi lançado em tom provocatório por Luís Rasquilha no primeiro evento sobre “Novas Tendências da Cultura”, promovido pela Agência Inova em parceria com o Museu do Fado, no passado dia 2 de Julho.
CIDADES CRIATIVAS
- "Foi ontem lançada, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, a Rede Internacional de Cidades Criativas, num evento promovido pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), o programa Austin-Portugal e a Câmara Municipal de Lisboa. Na conferência esteve também presente Will Wynn, ex-mayor da cidade de Austin, no Texas. Para integrar esta rede, para além das cidades de Austin, no Texas, e Lisboa, serão convidados municípios nacionais e internacionais, como Barcelona, Amsterdão, Helsínquia ou Madrid".
MUSEU DE ARTE POPULAR
O espólio contém materiais de cerâmica, cestaria, mobiliário e objectos em madeira, metal, couro e cortiça. A jornalista descreve o que viu: cerâmicas de Nisa, redes e cestos, embarcações de pesca artesanal, fechos de coleira para o gado, ex-votos e objectos ligados à vida religiosa. Um antropólogo do próprio Museu de Arte Popular, Alexandre Oliveira, está a preparar tese de doutoramento sobre esse espólio, onde poderá adiantar o seu valor na totalidade.
O museu, inaugurado a 15 de Julho de 1948, foi ideia e obra de António Ferro, o homem da propaganda ao serviço de Salazar, com o objectivo de reunir as particularidades do país, escreve ainda a jornalista. Mas onde se juntaram também artistas modernistas como Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmerico Nunes, Tomás de Melo. Apesar de mal amado, pelas conotações ideológicas, o museu seria o segundo mais visitado durante a década de 1960, por exemplo, a seguir ao museu dos Coches. Mais perto do seu encerramento, em 1998, atingia 32 mil visitas anuais.
O espólio é um tesouro, conforme outra expressão lida no artigo do jornal. Por isso, houve muita gente que se levantou quando Pires de Lima decidiu substituir o Museu de Arte Popular pelo Museu da Língua Portuguesa, de características virtuais. 4300 assinaturas numa petição indicam o peso dos que querem que o espólio continue a ser visto, e naquele local. O blogueiro, aqui e em devido tempo, também protestou contra o desmantelamento. Agora, a notícia traz alguma esperança quanto ao desfecho final.
PROJECTO CABRACEGA
FORMADORES EM AUDIOVISUAIS E MULTIMEDIA
AINDA SOBRE O DESCARREGAMENTO DE FICHEIROS NA INTERNET
Estas observações, encontradas na página 17 do texto de Felix Oberholzer-Gee e Koleman Strumpf (File-Sharing and Copyright, 2009, Harvard Business School; ver texto completo aqui), levam ao enfoque central do trabalho: as mudanças provocadas pelo uso social das tecnologias. Assim, o novo estudo releva e critica a escolha das amostras (muitos estudos olham o comportamento dos estudantes, os mais receptivos à partilha de ficheiros), os modos de medir a pirataria (as respostas podem esconder a realidade, pois toda a gente conhece os limites do legal e do ilegal) e a heterogeneidade não observada (por exemplo, os que fazem mais descarregamentos podem acabar por comprar mais álbuns).
A questão de fundo é: a tecnologia de partilha de ficheiros enfraquece a protecção de direitos de autor, primeiro na música e software, depois nos filmes, jogos e livros. Outra questão de fundo é: a tecnologia conduz directamente à redução de vendas, caso da música? Se alguns dados evidenciam o efeito de substituição, outros não encontram dados empíricos que relacionam pirataria e vendas de música. Uma conclusão suplementar: nunca em tempo algum se produziram tantos livros, filmes e álbuns de música, o que parece contrariar a evidência anterior.
8.7.09
DESCARREGAMENTO DE FICHEIROS NA INTERNET
Fonte: Independent Minds, de hoje, onde pode continuar a ler o texto.
CASA DA ACHADA - CENTRO MÁRIO DIONÍSIO
AGENDAS CULTURAIS

Hoje começa o Oeiras Sounds, festival inserido nas comemorações dos 250 anos do concelho de Oeiras, no jardim do Palácio do Marquês de Pombal. Barbara Hendricks é o nome para o espectáculo de hoje, seguindo-se nas próximas semanas Mariza, Melody Gardot e Stanley Clarke, Marcus Miller e Victor Wooten.
Quanto à agenda de Lisboa, destaco o Festival de Almada 2009, na sua extensão à capital, com os Artistas Unidos, por exemplo. E a colecção de arte tribal de José de Guimarães, objectos que se podem encarar pelo seu lado estético mas também como elementos únicos de sociedades e culturas desaparecidas ou em vias de desaparecimento. São expostas cerca de 400 peças no Páteo da Galé, no Terreiro do Paço, em Lisboa, entre 15 de Julho e 30 de Setembro, a não perder.SEMINÁRIO SOBRE MICHEL DE CERTEAU
CHEGOU AO FIM A EDIÇÃO EM PAPEL DE NOTICIÁRIOS DE BLOGUES
TEATRO NO PORTO
FESTIVAL INTERNACIONAL DE SAXOFONE DE PALMELA
7.7.09
LIVRO DE ALBERTO PENA

Apresentação do livro de Alberto Pena, O que parece é, por Mário Mesquita na Livraria Pó dos Livros (Av. Marques de Tomar, 89, Lisboa) no dia 13 de Julho pelas 18:30.
CONFERÊNCIA SOBRE VIDEOJOGOS
Datas:
Submissão Full Papers: 10 de Julho, 2009
Submissão Short Papers e Demos: 17 de Julho, 2009
Notificação de aceitação: 7 de Agosto, 2009
LIVRO SOBRE JORNALISTAS PORTUGUESES

Hoje, ao fim da tarde, na FNAC do Colombo (Lisboa), foi lançado o livro organizado por José Luís Garcia, Estudos sobre os Jornalistas Portugueses. Metamorfoses e Encruzilhadas no Limiar do Século XXI (edição ICS). A apresentar a obra, e para além de Cristiana Bastos, a responsável da editora, estiveram Adelino Gomes e José Pacheco Pereira.
Além de José Luís Garcia, que assina uma parte substancial do livro, há capítulos pertencentes a Filipa Subtil, Manuel Correia, Pedro Alcântara da Silva, Sara Meireles Graça, Hugo Mendes, Fernando Correia e Telmo Gonçalves.
O blogueiro prometeu fazer ele próprio a sua leitura. Outras actividades ainda não o permitiram comentar, apesar de já ter lido quatro capítulos.
SOBRE VIRILIO
6.7.09
11 FILMES NA COMPETIÇÃO NACIONAL NO 17º CURTAS VILA DO CONDE
Esta secção competitiva é composta pelos filmes “Augusta” (2009) de Vasco Araújo, “Canção de Amor e Saúde” (2009) de João Nicolau, “El Justiciero” (2009) de Tiago Sousa, “Listening to the silences” (2009) de Pedro Flores, “Matar o Tempo” (2009) de Margarida Leitão, “O Destino do Sr. Sousa” (2009) de João Constâncio, “Para onde vou” (2009) de Bruno Ramos, “Peixe-Aranha” (2009) de Edgar Medina, “Tony” (2009) de Bruno Lourenço, “Too many Daddies, Mommies and Babies” (2009) de Gabriel Abrantes e “Um Dia Frio” (2009) de Cláudia Varejão.
[informação dada pela organização do evento]
GALA DROP EM CONCERTO NA FUNDAÇÃO GULBENKIAN
TEATRO EM SÃO PAULO

Em Julho (dias 9 a 12), a programação do TD – Teatro de Dança (instituição vinculada à Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, gerida pela Associação Paulista de Amigos da Arte - APAA, Avenida Ipiranga, 344) apresenta o Ballet Stagium e o seu espectáculo Mané Gostoso. Este título é a alusão ao boneco feito em madeira – brinquedo infantil facilmente encontrado nas feiras do Nordeste brasileiro –, e que tem pernas e braços movimentados por meio de cordões. A coreografia é de Decio Otero, a banda sonora do grupo Quinteto Violado e a direcção teatral de Marika Gidali. Mais informações: Canal Aberto.
AQUELE QUERIDO MÊS DE JULHO
Festa popular e cerimónia religiosa (procissão) em Castanheira de Pera.
Quando fiz as imagens lembrei-me de Miguel Gomes e do seu filme Aquele Querido Mês de Agosto (2008) (ver o blogue aqui, com data de 20 de Maio último).
5.7.09
COMUNICAÇÃO E SAÚDE

O livro Comunicação e Saúde, organizado por Fernando Paulino, vai ser lançado, no dia 9 de Julho, às 19:00, no Restaurante Fausto e Manoel (104 Norte, Bloco A), em Brasília (Brasil). A publicação reúne múltiplas abordagens da comunicação para a promoção da saúde. Os artigos fazem uma reflexão de experiências realizadas em países de três continentes (Brasil, México, Portugal e Tanzânia).
A obra, apoiada pelo Ministério da Educação, conta ainda com entrevistas de especialistas na área. Para a jornalista e radialista Mara Régia, o rádio é um importante instrumento à promoção da saúde. Darlan Rosa relata a história de criação e de sucesso permanente do Zé Gotinha. Os médicos e professores Ubirajara Picanço e Maria Josenilda Gonçalves da Costa analisam práticas que possibilitam informar a sociedade adequadamente.
A publicação é resultado das atividades do Projeto Comunicação Comunitária (www.unb.br/fac/comcom), que pretende ampliar o acesso aos media e a "canais de comunicação que garantam o diálogo dos jovens sobre a promoção da saúde e a prevenção de doenças, e estimular a criação de linguagens audiovisuais que ampliem e diversifiquem as possibilidades de participação social. Além disso, a iniciativa busca realizar divulgação de conteúdo audiovisual visando a disseminação de informação sobre saúde, juventude e comunicação".
Autores: Juliana Soares Mendes, Marilucia Rocha de Almeida Picanço, Ângela Leão Costa, Ubirajara Picanço, Leyberson Pedrosa, Arquimedes Pessoni, Marian Tóth, Rodrigo Laro, Rogério Santos, Isa Maria Freire, Rachel Mello, Thomas Tufte, Fabiana Lopes Rocha, Marcelo Bizerril, Ana Maria Cavalcanti Lefevre, Fernando Lefevre, Norma Silva Valêncio, Rafael Neves, Carmen da Conceição Araujo Maia, Thiago Araújo Maia, Guilebaldo López López, Laura González Morales, Mariana Haubert, Jeronimo Calorio, Mariana Tokarnia e Fernando Oliveira Paulino. Entrevistas com: Darlan Rosa, Mara Régia, Maria Josenilda Gonçalves da Silva e Ubirajara Picanço.
[informações da organização do livro]
4.7.09
ALENTEJO ANTIGO
3.7.09
TEATRO - AQUI FUI: CLARISSE
Uma jovem mulher prepara-se para levar os seus dois filhos à escola: é dia de récita. As crianças, vestidas de duendes, brincam, aos pulos, na cama. Clarisse, a Mãe, está vestida de fada, pronta para participar naquele momento de fantasia. A proposta dramatúrgica é ancorada nos pressupostos de um dos principais intérpretes do budismo tibetano no ocidente, Soyal Rinpoche, e tocada poeticamente pelos universos de Clarice Lispector, David-Mourão Ferreira, Ruy Belo e António Franco Alexandre (do comunicado da companhia produtora do espectáculo).
ALTERAÇÕES NO JORNAL METRO
Fonte: Meios & Publicidade
CANAL DE ECONOMIA NA TELEVISÃO
Fonte: Meios & Publicidade
2.7.09
MASTER IN CULTURAL INDUSTRIES
ESPAÇOS ALTERNATIVOS CULTURAIS EM LISBOA
A definição de alternativo constrói-se num duplo sentido: 1) negativo, a ideia de oposição, 2) positivo, valorizando a atitude independente ou original e realçando o papel dos fanzines (hoje: ezines) como meios de divulgação da cultura alternativa. Destaca os limites entre o alternativo e o institucional: as instituições apoiam os criadores inovadores; a presença dos criadores valoriza o trabalho das instituições. Para a investigadora, os espaços alternativos, se bem sucedidos, podem entrar em ruptura (dissidência) ao tornarem-se "oficiais".
O texto fala de subculturas (a partir de Dick Hebdige) e o sentimento de pertença a uma comunidade relacionada com o desejo de exclusividade. Mas, refere, se os projectos ou espaços alternativos começam a ganhar visibilidade, aumentam os recursos económicos e arranjam projectos mais ambiciosos. Igualmente, o texto aborda o papel dos responsáveis dos espaços, distinguindo nacionais e estrangeiros.
A autora, agora mestre em Práticas Culturais para Municípios, observa que os espaços alternativos são estruturas de equipas pequenas com um grande capital de entusiasmo, acolhendo uma grande diversidade de iniciativas e eventos (artes plásticas, concertos, cinema, conferências, workshops, festas) voltadas para públicos específicos e artistas participantes [ver pequeno vídeo com a posição da autora].
A investigação de Luísa Fernández foi co-orientada pelos professores António Pinto Ribeiro e António Camões Gouveia. No final das provas públicas, foi aconselhada a publicação do seu trabalho sob a forma de artigo.
À ESPERA DE EMPREGO
1.7.09
MANUEL GUERRA

Depois do documentário Alinha, sobre bullying [1º lugar do concurso PrimeirOlhar dos IX Encontros de Viana do Castelo 2009, 3º lugar do IX Concurso de Vídeo do Barreiro, Menção Honrosa no Concurso de Vídeo de Castro Verde], Manuel Guerra mostra-nos agora O Medo, sobre violência doméstica. O Medo, é apresentado ao público no próximo sábado, dia 4 de Julho de 2009, pelas 18:00, na Livraria Assírio & Alvim [Rua Passos Manuel, 67 B – Lisboa, ao jardim Constantino] [informação da editora].
REDES SOCIAIS EM ANÁLISE EM SETEMBRO EM LISBOA
LENTO DESAPARECIMENTO DA MARCA VALENTIM DE CARVALHO
OS 30 ANOS DO WALKMAN DE CASSETTE

"O primeiro modelo do mais popular leitor portátil de cassetes chegou às lojas há 30 anos. O aparelho era azul e cinzento – e substancialmente maior do que qualquer moderno leitor de áudio. O Walkman foi o primeiro aparelho a massificar a música portátil. Mas, no que à tecnologia diz respeito, está longe de ter sido pioneiro.Os leitores portáteis de cassetes existiam há anos. O Walkman teve o mérito de ser um aparelho barato, prático (para os padrões da altura) e, sobretudo, bem publicitado pela Sony" [começo do texto de João Pedro Pereira no jornal Público; imagem retirada da Wikipedia. Modelo Walkman TPS-L2, de 1979].
A RTP E O SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO
Na mesma ocasião, e como já escrevi aqui, na FNAC do Colombo (Lisboa), vai ser lançado o livro organizado por José Luís Garcia, Estudos sobre os Jornalistas Portugueses. Metamorfoses e Encruzilhadas no Limiar do Século XXI.
O blogueiro está indeciso quanto à apresentação a que vai assistir. São dois livros fundamentais para a compreensão dos media em Portugal nas últimas décadas.





























