Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.
Estive hoje a observar com atenção a sala que o Museu Soares dos Reis dedica a Henrique Pousão, pintor nascido em 1859, há cento e cinquenta anos, e falecido em 1884, de tuberculose. Oriundo de Vila Viçosa, matricular-se-ia na Academia Portuense de Belas Artes, ficando assim muito ligado ao Porto (outra parte importante da obra do pintor pode observar-se no Museu do Chiado).
Foi uma curtíssima vida, mas cuja obra impressiona. Em vários dos seus quadros, revela-se um artista muito moderno, deixando algumas obras com espaços como que inacabados, à maneira do impressionismo, e com cores vivas, do modo como os expressionistas pintaram. Os anos finais, já com muita maturidade em temas, estruturas e cores, são os mais interessantes, caso de Senhora Vestida de Preto (1882), pequeno quadro (283 x 184 mm) de Henrique Pousão (imagem retirada do sítio do Museu Nacional de Soares dos Reis).
Bolseiro em Paris, Nápoles, Capri e Anacapri, alguns dos quadros representam gentes meridionais, de pele morena, como a jovem Cecília. Raparigas, pessoas do povo, paisagens rurais ou deixando de o ser, como a pintura sobre o arranque da construção da rua Alexandre Herculano. Em espaço aplanado, uma mulher conduz um carro de bois; ao lado, vêem-se os blocos de pedra que iriam iniciar a construção da rua, desfeiando a paisagem bucólica.
O quadro é de 1880, ano em que Henrique Pousão termina o seu curso de pintura.
Uma outra obra de muito valor é Esperando o Sucesso (1882) (imagem retirada do sítio Universidade de Coimbra). O esboço contido no papel na mão do rapaz seria o prenúncio da fama do pintor, a que faltaria infelizmente tempo para se afirmar mais.
Em 1999, a Assírio & Alvim editaria um bom catálogo da obra do pintor, por Bernardo Pinto de Almeida. Pelos 150 anos do seu nascimento, o Museu Nacional Soares dos Reis e a Universidade do Porto dedicam este ano ao trabalho de Henrique Pousão, mas não sei que tipo de homenagem foi preparada.
O (MONO)CULTURA EM PORTUGAL é um serviço gratuito para todos os agentes culturais interessados na actualidade, informação e oportunidades direccionados em exclusivo para o sector cultural português, mas concretamente para as artes do espectáculo (em (mono)cultura).
Andy C. Pratt encara-a como conceito essencial na produção cultural. Para ele, a criatividade reside num ciclo de quatro fases: ideia, execução, distribuição e consumo. A criatividade resulta da relação entre indivíduo e meio ambiente, relevando quer o indivíduo quer a rede de informação que a liga a outros indivíduos. Além da criatividade, Pratt aposta na inovação, característica de forte interacção entre indivíduos e meio ambiente.
A criatividade e a inovação integram-se nos considerados clusters criativos (feixes de actividades ou acções de criatividade, a partir do conceito de Michael Porter aplicado à economia), reunidos num espaço geográfico dotado de redes de informação e capaz de aproximar criadores e consumidores de produtos culturais. Assim, nos clusters criativos existem comunidades de interesse e organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos.
A vida não está bem nem para os jornais gratuitos. Segundo o Público on line, o jornal gratuito Metro vai deixar de se publicar em Espanha. A companhia sueca proprietária do título encerrou a filial espanhola; amanhã o jornal já não sai em sete cidades. As perdas de receitas no mercado de imprensa gratuita e a concorrência no sector levam ao desemprego 80 pessoas.
Demotix, o sítio pro-am (profissional-amador) de vídeo e imagem de notícias, estabeleceu uma parceria com o Financial Times para lançar um concurso fotográfico. A ideia do concurso é capturar a crise económica global ao nível da rua. Os participantes terão de descarregar as suas imagens no sítio Demotix, sob a palavra-chave (tag) 'Crunch09' até 13 de Fevereiro.
Vítor Marques, no blogue Açores 2010, escreveu hoje sobre indústrias culturais e criativas nos Açores e editou um vídeo de Mário Roberto (O criador no seu labirinto).
Applications accepted from November 2008 for 2009-10
The media entertain us and inform us. But they are also a vast business sector employing huge numbers of people. This programme examines the media industries across both these dimensions - the cultural and the economic. We look at business trends but we also scrutinise television shows. The social impact of the media is as important as profit margins. From mega-corporations to entrepreneurial independents to lone bloggers, we analyse the full range of media production in modern societies. The scope is international - for the media industries are now global. It is also historical, because present trends cannot be followed without knowledge of long-term developments.To do all this, the programme draws on a number of fields, including communication and cultural studies, economics, business and management studies, sociology, anthropology, politics and law, but also cultural analysis associated with humanities subjects such as literature, art history and music. What's more, the programme is based in a department with its own dedicated Media Industries Research Centre and a number of staff specialising in this area.
The media play a central role in modern life, and they can only be understood by understanding the industries that produce them. This programme is your chance to gain such an understanding, in one of theUK's top communications and media studies departments.
Who should take the course? Anyone who wishes to work in the media, in related industries such as public relations, or in any area of employment where the media now play a central role, such as politics, sport, leisure, tourism or public policy. Anyone who has worked in the media and wants to gain a better understanding of them. The course is also an ideal basis for a research career, whether inside or outside academia. The international basis of the course makes it suitable for non-EU students as much as for home and EU students.
Course content: The two core modules of the programme provide the fundamental basis for understanding the media industries, economically and culturally, internationally and historically.
The Media Industries introduces students to the main issues, debates and research traditions in this area of study. The emphasis is on debates about change. How much are recent developments such as digitalisation, marketisation and internationalisation transforming the media industries?
Media Production Analysis examines individual media industries, such as television, film, music, the internet, newspapers, magazines and advertising. There is a strong focus on organisational dynamics, and on the nature and experience of work in the media industries. In addition students take two optional modules that allow them to acquire in-depth knowledge in areas such as media policy, audience research, journalism, international communications and media globalisation.
Students will also complete a dissertation of 12,000 to 15,000 words on a topic of their choice within the area of media industries. They will be allocated an individual supervisor who is an expert in the field. Research on the dissertation is supported by weekly lectures on academic writing and research methods.
The Institute of Communications Studies (ICS) has its origins in The Centre for Television Research, established in 1963 by the noted political communications scholar Jay Blumler. ICS staff are currently undertaking a wide range of research on these topics, funded by a variety of organisations, including the Arts and Humanities Research Council, the Economic and Social Research Council and the European Commission.
Dora Santos Silva escreveu anteontem no blogue Culturascópio sobre a perspectiva de David Hesmondhalgh quanto a indústrias culturais, baseada no livro Cultural Industries.
Entidade ou indivíduo que estabelece uma mediação entre o produtor e o consumidor de bens culturais. A tendência é para o intermediário cultural ser um conhecedor e um especialista. A sua actividade insere-se na cadeia de valor (promotor, marketeer, agente comercial) ou fora dela (marchant, crítico de arte ou de cultura, fazedor de opinião). Se a cadeia de valor das indústrias culturais e criativas eliminou etapas e profissionais, o intermediário cultural é um mediador cada vez mais importante, pela (des)codificação e interligação a (e com) públicos distintos.
No âmbito da programação associada à exposição "Arquitecturas em Palco", de João Mendes Ribeiro, A Escola da Noite apresenta em sessão única para o público em geral Auto da Índia: aula prática, de Gil Vicente, no próximo dia 30 de Janeiro, pelas 21:30, no Teatro da Cerca de São Bernardo (Coimbra).
O espectáculo inclui uma breve introdução (Gil Vicente, o seu tempo, o seu teatro), a apresentação da peça e, a rematar a sessão, uma conversa com os espectadores. No contexto especial em que se faz esta apresentação, o público pode ainda aproveitar a noite para visitar a exposição de João Mendes Ribeiro, autor do objecto cénico que a companhia reutiliza em "Auto da Índia" e que é uma das cenografias apresentadas na exposição (texto de Isabel Campante, A Escola da Noite).
O conceito foi inicialmente definido por Michael Porter e aplicado às actividades económicas e empresariais. Explica, de modo linear, cada actividade dentro da criação de valor de um bem, produto ou serviço, construindo um "valor" (uma rentabilidade) que supera o custo de fornecimento desse bem, produto ou serviço - ou uma sua parcela -, gerando uma margem de sucesso ou lucro. Ao dividir a elaboração de um bem, produto ou serviço por etapas, o custo e o lucro de cada etapa repercute-se na etapa seguinte. Pela análise do valor em cada etapa compara-se a produção de várias empresas, com elaboração de vantagens competitivas.
John Hartley aplicou o conceito às indústrias culturais e criativas. A economia das três últimas décadas operou uma separação entre produção de massa e de grande escala e produção distinta e de série pequena. Contudo, a cadeia de valor explica ainda melhor o essencial da mudança produtiva: as actividades ao serem separadas em etapas permitem subcontratar empresas com mais conhecimento e especialização, organizando redes complexas de relações e de interdependências.
Na sequência, Andy C. Pratt considera desadequado o conceito de cadeia e prefere o de rede, mais orgânico e de funcionamento dinâmico.
Foi defendida ontem a tese de doutoramento de Angélica García Manso, Historia del cine e influjos cinematográficos en la filmografía de João César Monteiro, na Universidad de Extremadura.
Aquela que será possivelmente a primeira tese sobre cinema português a ser defendida em Espanha foi orientada pelo professor José Julio García Arranz, dentro do programa de doutoramento "El Arte como diálogo y transmisión interculturales y transfronterizos".
A autora, Angélica García Manso, é membro da AEHC (Asociación Española de Historiadores de Cine) e tem trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais. Teve uma bolsa de estudo na Universidade de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa e pertence ao Grupo de Investigación sobre Patrimonio Artístico del Área de Historia del Arte de la UEx.
O estudo centra-se na filmografia de João César Monteiro (1939-2003), director português cujas películas provocam polémica. Na tese de Angélica García, ela debruça-se sobre as principais obras de Monteiro.
A Associação Portuguesa de Realizadores, em mensagem hoje publicada, mas que repercute textos dos dias anteriores, questiona os "Filmes só para quem eles querem, de preferência sem realizador, em inglês ou num linguajar televisivo-publicitário audiovisual". Isto a propósito da anunciada estreia do filme Second Life, produzido por Alexandre Valente (ver ainda os textos de João Lopes no blogue sound + vision e Diário de Notícias de ontem).
A Associação Portuguesa de Realizadores "é uma Associação de carácter cultural sem fins lucrativos que tem por objecto juntar os realizadores de filmes de ficção, documentário e de animação destinados ao cinema, à televisão ou a qualquer outra forma de exploração, em qualquer suporte, com o objectivo de: promover o desenvolvimento artístico do cinema português e da cultura cinematográfica em Portugal ou no estrangeiro; defender o cinema como expressão livre da arte; defender as liberdades e direitos artísticos, morais e profissionais da criação; participar na elaboração legislativa respeitante ao objecto da Associação e na evolução das estruturas do cinema; defender os interesses profissionais dos seus associados, encorajando o acesso à profissão e reforçando a colaboração e entreajuda entre os mesmos; levar a cabo actividades de promoção, produção, formação, programação, edição, exibição, distribuição (sem fins lucrativos)".
La Fundación Blas de Otero que promueve este concurso dirigido a jóvenes tiene como objetivo dar a conocer la obra del poeta, vinculando sus versos con imágenes de la vida cotidiana, la realidad y los intereses de los jóvenes de hoy. El poeta al definir su poesía la pone en relación con las fábricas, las ciudades, las máquinas, la televisión, los escombros, las revistas ilustradas… y con el hombre en todas sus dimensiones. Por esto, y buscando ser fiel al poeta proponemos esta conexión entre la realidad y la poesía a través de las fotografías que los participantes capturen o construyan artísticamente.
A cultura dos jogos digitais num contexto de indústrias culturais foi o título da dissertação de mestrado de Alexandre Rodrigues, apresentada hoje na Universidade Católica.
Em termos de indústrias culturais, ele estudou padrões de mudança e de continuidade, concentração de propriedade, criadores simbólicos, produção cultural (criatividade, autonomia e coisificação), mercado laboral e propriedade intelectual. Quanto a cultura dos jogos digitais, trabalhou os temas de jogo digital, novo meio de comunicação, pequena história da indústria dos jogos digitais, sistema de produção (produtores, equipas de projecto e cadeia de valor) e convergência.
A partir de um estudo empírico, ele concluiu que as razões dos jogadores activos são gosto pessoal, passatempo, distracção e boa forma de entretenimento, com grupos maioritariamente constituídos por homens e com uma média de idades de 24 anos, enquanto as razões dos não jogadores são falta de tempo, não gostam, actividade sem interesse, grupo maioritariamente constituído por mulheres e com uma média de idades de 23 anos. Batota, acto de piratear jogos, merchandising, uso da televisão e de outros meios foram alguns dos outros elementos abordados no seu trabalho. Estudou a Comunidade Clube Manager Portugal e retirou as seguintes características: baseada num jogo digital, identificação com caracteristicas de redes sociais, possibilidade de elevada personalização e diferenciação através do avatar, género do jogo que molda o ambiente da comunidade.
Para o agora mestre, os jogos digitais são um meio co-criativo, com existência de ferramentas sofisticadas, dentro de uma cultura participativa e de comunidades de modificação com interacção complexa.
Já a partir do final do mês, a RDP Internacional passa a emitir em DRM (Digital Radio Mondiale), tecnologia que permite ter a qualidade de FM na zona de frequências de ondas curtas. As emissões experimentais, entre as 9:30 e as 11:00, têm o apoio da Deustche Welle.
Os futuros historiadores podem perder o acesso a arquivos digitais, e dificultar a sua investigação, se os sítios da internet forem apagados. Lynne Brindley, directora da British Library, escreve na edição de hoje do Observer que, no dia em que Obama tomou posse, foram apagadas todas as informações do anterior presidente. Mesmo um livrinho 100 Things Americans May not Know About the Bush Administration foi retirado do sítio. Brindley faz igual referência aos Jogos Olímpicos de Sidney, que produziram mais de 150 sítios com jogos online mas que desapareceram quando a Biblioteca Nacional da Austrália decidiu arquivá-los.
Se, por razões variadas e em que se incluem os recursos financeiros, se apagarem arquivos (caso de empresas que vão à falência e desapareçam), quem perde é a memória de um país. A responsabilidade final compete às entidades nacionais, como as Bibliotecas Nacionais, desde há muito ocupadas na preservação da memória em papel, como livros, jornais, e em registos fonográficos e audiovisuais. Para a responsável da British Library o problema põe-se: como guardar e tornar acessíveis os milhões de sítios? Só no Reino Unido há oito milhões de domínios de internet e o crescimento anual é da oredem de 15 a 20%. Sítios, emails, blogues, mensagens do Twitter e das redes sociais constituem uma tal profusão de material que conduz a três possibilidades: 1) preservar tudo, 2) eliminar tudo, 3) seleccionar.
Entretanto, a Google planeia fazer a história particular de cada computador (Guardian online de hoje). Os utilizadores domésticos e comerciais voltam-se cada vez mais para serviços baseados na internet, geralmente gratuitos, indo do email (como Hotmail e Gmail) e arquivo digital de fotografias (como Flickr e Picasa) até aplicações para documentos e folhas de cálculo (como o Google Apps). A perda de um computador portátil ou a sua avaria não significam a perda dos dados porque eles são guardados numa "nuvem" (uma base de arquivo de dados algures no planeta) e podem ser acedidos na internet através de qualquer máquina.
Em complemento a isto, a Google irá lançar previsivelmente em 2009 um serviço que permite a qualquer utilizador aceder ao seu computador de qualquer ligação da internet, o Google Drive ou "GDrive", o que representa uma enorme vantagem. Há, contudo, quem considere isto um controlo sem precedentes sobre os dados pessoais do indivíduo.
Vai realizar-se o congresso Comunicação, Cognição e Media na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Braga), de 23 a 25 Setembro próximo. Neste momento, decorre o Call for Papers (ver em http://www.cicom2009.org/). A submissão de resumos decorre até 31 Março.
As áreas de comunicação são: 1. Jornalismo, 2. Estudos Televisivos, 3. Publicidade, 4. Multimedia, 5. Media Interactivos, 6. Comunicação Política, 7. Comunicação Organizacional, 8. Sociologia da Comunicação, 9. Teorias da Comunicação, 10. Cognição e Linguagens, 11. Semiótica, 12. Arte e Retórica, e 13. Ética da Comunicação.
Uma boa decisão, a de António Mega Ferreira ser reconduzido no cargo de presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém pelo actual ministro da Cultura. Fora Isabel Pires de Lima, anterior ministra da Cultura, a nomeá-lo em Janeiro de 2006. Música e literatura têm sido apostas de Mega Ferreira, numa época de baixos investimentos.
Lê-se no blogue de André Lemos, Carnet de notes, o seguinte: "Esse post é o prefácio do livro "Blogs.com. Estudos sobre blogs e comunicação" (SP, Momento editorial, 2009), organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo. O livro será lançado em versão eletrônica e "Creative Commons", no dia 22/01 às 14h na área Campusblog do Campus Party em São Paulo. O livro, que tem esse prefácio e posfácio de Henrique Antoun (UFRJ), conta com artigos dos seguintes autores: Adriana Braga , Claudio Penteado, Fernando Firmino da Silva, Helaine Abreu Rosa, Jan Schmidt, Juliana Escobar, Leonardo Foletto, Marcelo dos Santos, Marcelo Träsel, Maria Clara Aquino, Octávio Islas, Rafael Araújo, Rogério Christofoletti e Rosa Meire Oliveira. O livro estará disponível no site Sobre blogs".
Retiro algumas frases do prefácio de André Lemos:
Os blogs são, junto com os games, os chats e os softwares sociais, um dos fenômenos mais populares da cibercultura. Eles constituem hoje uma realidade em muitas áreas, criando sinergias e reconfigurações na indústria cultural, na política, no entretenimento, nas redes de sociabilidade, nas artes. Os blogs são criados para os mais diversos fins, refletindo um desejo reprimido pela cultura de massa: o de ser ator na emissão, na produção de conteúdo e na partilha de experiências. E, embora o Carnet não seja um blog sobre blogs, grande parte das minhas fontes de informação são blogs e muito da minha reflexão gira em torno deles.
A cultura de massa criou o “consumo para todos”. A nova cultura “pós-massiva” cria, para o desespero dos intermediários, daqueles que detêm o poder de controle e de todos os que usam o corporativismo para barrar a criatividade que vem de fora, uma “isegonia”, igualdade de palavra para todos. Os blogs refletem a liberação do pólo da emissão característico da cibercultura. Agora, todos podem (com mínimos recursos) produzir e circular informação sem pedir autorização ou o aval a quem quer que seja (barões das indústrias culturais, intelligentsia, governos...). O fenômeno dos blogs ilustra bem essa cultura pós-massiva que tem na liberação do pólo da emissão, na conexão telemática e na reconfiguração da indústria cultural seus pilares fundamentais (ver meus últimos artigos).
Por favor, descarreguem o texto nos vossos computadores, leiam e discutam o assunto.
No sábado passado, o jornal Expresso noticiava que a ZON ganhara o concurso para o quinto canal, em texto assinado por Rosa Pedroso Lima, e que eu fiz eco aqui.
Afinal, a notícia era falsa. Os jornais de ontem davam conta do surgimento de um novo candidato. Os títulos dos jornais que li foram: "Projecto concorrente ao da Zon surge de surpresa para o quinto canal de televisão" (Público), Canal Telecinco mais caro que o rejeitado de Rangel" (Diário de Notícias).
O titulo da notícia do Expresso de hoje, curiosamente não assinado, é: "ZON encolhe-se, Telecinco à grande". Nada indica quanto à notícia da semana passada, como se o esquecimento tivesse atingido todos os leitores, e indica o factor surpresa quanto ao aparecimento do concorrente, sobre quem se sabe pouco excepto dois membros da proposta, os jornalistas Carlos Pinto Coelho e David Borges, além da filha de Emídio Rangel, com este último presente na organização da proposta da ZON até ao seu afastamento nos últimos dias (não deixa de ser estranho um homem estar a trabalhar numa proposta e uma sua parente numa proposta concorrente; não sabiam da proposta um do outro?).
Quando lera a notícia de há oito dias, reflectira no alcance da informação. Se a ERC ia decidir sexta-feira dia 23, a informação chegara antecipadamente ao jornal sob duas formas: embargo (informação conhecida mas só publicitada numa data combinada) ou fuga de informação (da ERC). Lidas as notícias de ontem e de hoje, há só uma conclusão: o jornal não sabia e escreveu o que se chama de "furo" jornalístico mas não o era efectivamente.
Ora, isso não é bom para o jornalismo sério. Nem haver assinatura na peça de hoje nem qualquer alusão ao erro da notícia da semana passada. O Expresso é um jornal a que me habituara a ler, acreditando no que publicava.
Ontem, Loïc Pedras, gestor de atletas olímpicos, falou na conferência internacional de Media & Sports. Retirei uma parcela da sua comunicação onde ele fala da importância de gerir a imagem dos atletas em termos de media (fonte: blogue Media e Desporto).
O Grande Prémio APCE 2009 procura distinguir a excelência na estratégia da comunicação organizacional, estimulando, reconhecendo e divulgando as iniciativas dos profissionais desta área. A direcção daquela associação pretende que a competição constitua uma referência na comunicação organizacional no País, para o que conta com o apoio sólido de dois associados, Vodafone e Grupo Auto Sueco. A Gala de proclamação dos vencedores tem parcerias com a Atlantis, Directimedia, Europcar, Nespresso, Nestlé, Something Fresh, Sybase e Unicer. Na área dos média, o jornal Oje apoia o prémio.
Aconselho a leitura próxima do sítio da APCE (Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa), onde irá encontrar informações mais detalhadas.
Decorreu hoje o primeiro dia da Conferência Internacional Media & Sports, na Universidade Católica Portuguesa (ver mais fotografias no blogue da conferência).
Nas imagens, vemos os conferencistas Joachim Born (Universidade de Giessen), Inês Monteiro (em representação de grupo de investigação ligado à Universidade do Porto) junto a Clotilde Almeida (Universidade de Lisboa e organizadora do evento), Rahul Kumar (Númena) e Angélica Varandas (Universidade de Lisboa).
O livro Redação Publicitária, de Marco Aurélio Cidade, tem por objectivo ajudar os alunos a terem uma compreensão ampla sobre a técnica da construção de textos para publicidade e propaganda. De linguagem clara e fácil e com exemplos de anúncios, o livro está dividido em oito capítulos: A agência de propaganda, Campanha publicitária, Técnicas, Construção de textos, Criatividade editorial, A criação de nomes para produtos e serviços, Como criar textos publicitários, O texto para propaganda e Marketing político. Serve como um guia contendo dicas para escrever bons anúncios para TV, rádio, outdoor, jornal, revista, internet e outros meios e peças publicitárias usadas numa campanha.
Marco Aurélio Cidade é publicitário e presidente de Criação da TRADE Consultoria e Soluções em Marketing (www.tradeagencia.com). O seu livro vai ser lançado em edição portuguesa pela 7 Dias & 6 Noites (Porto).
É hoje e amanhã que decorre, na Universidade Católica Portuguesa, em organização do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, a Conferência Internacional Media e Desporto. Para saber mais, ver o blogue da conferência.
Procurando promover a reflexão e o debate sobre o pensamento contemporâneo, as identidades culturais e o caminho percorrido pelo jornalismo cultural no Brasil, será realizado entre 4 e 8 de Maio o 1º Congresso de Jornalismo Cultural no TUCA (Teatro da Universidade Católica da PUC: Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo, Brasil).
O evento vai contar com a participação de professores e jornalistas de renome, assim como o apoio de Universidades como PUC/SP, PUC/RS, ECA-USP, Metodista, Anhembi Morumbi, Cásper Libero, Unesp de Bauru, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre outras. A programação do congresso inclui palestras como crítica musical, literatura, cinema, televisão, internet, teatro e ciências humanas, além de manifestações artísticas e culturais.
Os amigos d'Avenida são um blogue colectivo criado por um grupo de colegas e amigos com o objectivo de estimular a reflexão sobre o futuro da cidade de Aveiro. Uma das questões que irão debater publicamente hoje, dia 22, à noite, é "a necessidade de se aproveitarem as comemorações de marcos históricos (no caso os 250 anos da cidade) para se promoverem iniciativas que dinamizem a vivência social e cultural da cidade, estimulem a criatividade dos seus agentes e cidadãos e que, com isso, a ajudem a projectar-se no exterior".
O blogue começou em 1 de Novembro último e no seu primeiro post surge uma lista significativa de sítios e blogues que falam sobre a cultura de Aveiro. Contei doze editores do blogue, o que é representativo da participação. Um deles, José Carlos Mota, chamou-me a atenção para o sítio da câmara de Aveiro com informação sobre os 250 anos do concelho.
Abaixo reproduzo as páginas de acesso quer aos Os amigos d'Avenida quer aos 250 anos, bem como uma fotografia que aqui publiquei recentemente de Aveiro (cidade pela qual tenho uma grande estima, eu que lá vivi no primeiro semestre de 2000 para escrever um livro sobre uma empresa de investigação em telecomunicações do concelho).
No próximo dia 24 de Janeiro, pelas 16:00, o Espaço Campanhã (Rua Pinto Bessa, 99, Porto) inaugura a exposição These Things Take Time, de Carla Filipe, que faz parte de um grupo de artistas que tem dinamizado o panorama artístico daquela cidade com mostras de artes plásticas e performance.
Na edição de hoje em papel do Guardian, Ed Richards, director executivo da Ofcom, o equivalente inglês da Anacom, escreve sobre a idade digital. Para ele, o espectáculo de ontem do Capitólio (a sessão da tomada de posse do presidente americano Barack Obama), visto por milhões na televisão, nos computadores e nos telemóveis, ilustra o modo como o mundo está a mudar profundamente, devido aos media digitais.
Hoje mesmo, a Ofcom colocou um relatório sobre como pode o serviço público do audiovisual passar para o novo modelo digital, com a qualidade e o espírito criativo do serviço público e com a mobilidade e a interactividade promovidas pela largura de banda (ver texto completo aqui) [imagem de Ed Richards tirada do sítio do Guardian].
Richards fala da qualidade e da interacção entre serviço público (BBC) e comercial (ITV, Channel 4, canais de cabo) e chama a atenção para a pressão económica colocada cada vez mais sobre o serviço público. Entende ele que se torna preciso pensar num novo modelo com outros parceiros, associações e mesmo fusões. Conteúdos para populações de maior risco ou com necessidades especiais, como as crianças, ou programas de origem nacional precisam de recursos. Mas a questão não se conclui com os fundos. É preciso também pensar nas plataformas e a mudança para o digital (digital switchover) é fundamental, além de se precisar de fazer uma ampla discussão pública.
Ed Richards indica que, para além da televisão, devem ampliar-se as capacidades de criar conteúdos que sejam adequados às redes digitais do futuro e, acima de tudo, é necessário que o Reino Unido mantenha a liderança na economia criativa. E assegure a cultura e as identidades nacionais. Ele, enquanto responsável de uma entidade de Estado mas independente do poder governamental, espera que políticos e dirigentes das empresas de audiovisual decidam antes da oportunidade se ir embora.
No passado dia 11, o Sunday Times, pela escrita de Dotson Rader, trouxe duas páginas dedicadas a Leonardo DiCaprio e ao seu filme a estrear Revolutionary Road, onde contracena com Kate Winslet.
O artigo não se centra tanto no filme mas mais na vida do actor de 34 anos (nascido em 1974) e nos seus mais de 20 milhões de dólares que ganha em média por filme. Apesar do nome indicar ascendência italiana, Leonardo DiCaprio tem, da parte da mãe, uma linha alemã: a avó Helene Idenbirken morreu recentemente em Oer-Erkenschick, na Alemanha, com 93 anos. Para ele, a avó, a quem chamava carinhosamente Oma, era um farol da verdade, protegia-o. A avó Oma trazia um passado de sobrevivência e sacrifício ocorrido na Segunda Guerra Mundial.
A sensação de liberdade no pós-guerra passaria para a mãe de DiCaprio, Irmelim, nascida "num abrigo de bombas" e imigrante legal a trabalhar como secretária. Já nos Estados Unidos, como estudantes do Colégio de New York, Irmelim (hoje com 63 anos) e George DiCaprio (hoje com 65 anos) conheceram-se, casaram e mudaram-se para Los Angeles. Quando o jovem tinha sete anos, os pais separaram-se, casando-se George DiCaprio de novo: o padrinho de casamento era Timothy Leary, o último guru do psicadelismo e das drogas. O seu pai, reconhece DiCaprio, envolvido nas manifestações contra a guerra do Vietname e na contracultura da década de 1960, tinha uma costela hippie com barba e uma longa cabeleira, como se consegue ver abaixo na fotografia do jornal.
A cultura em que cresceu o actor foi violenta e assustou-o deveras: um mundo de cocaína, heroína e prostituição. Talvez por isso ele tenha um olhar de revoltado, de lutador contra o mundo. Aliás, o actor recorda os tempos a seguir a Titanic, filme que fez com a mesma Kate Winslet de Revolutionary Road. E dois pequenos filmes lançados em 1995: The Basketeball Diaries e Total Eclipse, filmes em que interpreta personagens homossexuais. Total Eclipse é um filme que trata dos amores de dois poetas franceses do século XIX: Arthur Rimbaud e Paul Verlaine.
Pela temática, este percurso poderia ser o fim da carreira de Leonardo DiCaprio, mas Martin Scorsese foi um realizador importante para ele. DiCaprio, que começara a sua carreira como modelo ainda em criança e apareceu em mais de 30 anúncios e filmes educacionais e deixou a escola aos 16 anos para entrar numa série de televisão, surge muito maduro em filmes como Gangs of New York, The Aviator e The Departed. Mas ele é muito mais conhecido pelo super-sucesso Titanic, filme que lhe deu fama com a qual ele teve dificuldade em lidar. Na altura, retirou-se do cinema e dedicou-se a causas relacionadas com a preservação do ambiente.
Conhecido do cinema, é também pelas suas paixões com mulheres muito bonitas, sendo a mais badalada a relação que manteve durante cinco anos com a modelo brasileira Gisele Bundchen.
Quinta-feira, 22 de Janeiro, pelas 21:30, com Mário Bettencourt Resendes, no Colégio do GILCO (Grémio de Instrução Liberal de Campo de Ourique ), no Largo Dr. António Viana, em Campo de Ourique, Lisboa. Mais informações aqui.
Hoje é o dia da inauguration, a cerimónia da tomada de posse de Barack Obama como presidente americano.
Há muitas expectativas quanto ao seu desempenho. As minhas são menores porque realistas: desejo que seja equilibrado nas suas decisões e, se cometer erros, que os assuma e acerte posições. Já basta de intolerância para com os outros: penso no Iraque.
Na edição de anteontem do Observer, Gaby Wood escreveu sobre a revolução do cinema animado. Como ponto de partida, o filme Bolt, a história de um cão que se julgava dotado de super-poderes junto à sua dona Penny e enfrentava terríveis bandidos. Um dia, o cão resolveu sair do estúdio de televisão e descobriu que não tinha nenhum poder mágico. Vi a versão portuguesa, não ouvindo a voz de John Travolta emprestada ao cão, mas diverti-me na mesma.
John Lasseter entrou na empresa de Walt Disney quinze anos depois do fundador falecer. Começou na CalArts, a escola criada por Disney, e foi o segundo aluno a ser admitido, após trabalhar um Verão com um dos responsáveis por desenhar o Pato Donald, arquivando os melhores desenhos e fotocopiando-os para futuros êxitos. Na época de admissão de Lasseter (1981), começava-se a falar da animação assistida por computador, o que gerou muitas discussões internas a favor e contra. Lasseter, que elogiou o novo modelo, acabou por ser despedido. Depois, vê-lo-emos a co-fundar a Pixar. No final de 1985, Steve Jobs, o visionário por detrás da Apple, comprou a Pixar por 5 milhões de dólares, com o estúdio de animação a fazer o primeiro filme totalmente gerado por computador (Toy Story). Como director ou produtor, Lasseter esteve ligado a oito êxitos da Pixar, entre os quais se encontram Monsters, Finding Nemo, The Incredibles, Cars, Ratatouille, Wall-E, que vi quase todos, numa contínua diversão e admiração pelos bonecos.
Entretanto, a divisão de animação da Disney agonizava, de que dei conta neste blogue mais de uma vez, e os seus patrões decidiram trazer a Pixar para o seu interior, incluindo Lasseter, compra que custou 7,7 mil milhões de dólares. Corria o ano de 2006; mais tarde, em 2008, a revista Newsweek colocava Lasseter entre os mais influentes do mundo, à frente de Oprah Winfrey e o Dalai Lama. Wall-E seria nomeado o melhor filme pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles e ganhou, há uma semana, um Globo de Ouro.
Criaram-se muitas expectativas para o nono filme, exactamente Bolt, em três dimensões, que exige a sua visão com óculos especiais. Sucesso da passagem de ano para 2009, os seus produtores esperam encaixar mais de mil milhões de dólares com a sua exibição no cinema e nas outras janelas (vídeo, televisão). Bolt é o segundo filme em três dimensões da Pixar (o primeiro foi Up), preparando-se agora a Pixar para passar para esse formato os principais clássicos da Disney.
O espaço onde habitualmente trabalha Lasseter está animado com imagens de comboios, carros, aviões e barcos do arquivo de Disney, incluindo o pequeno carro azul de 1952 que inspirou Cars. Qualidade é a palavra que Lasseter gosta de usar. E também maravilha - pois cada filme lançado impressiona-nos mais do que o anterior. Uma característica que distingue Disney de Lasseter: aquele dava vida a animais e princesas, este pega em objectos habitualmente inanimados, como um automóvel ou um pequeno computador, e anima-o com sentimentos e vontade. Se quisermos, a Pixar trouxe à Disney uma nova época de ouro, igualmente assente na animação mas com recurso a tecnologias mais poderosas como o computador.
John Lasseter tem 52 anos e é pai de cinco filhos.
Assim, os vídeos YouTube podem ser acedidos através de uma simples ligação ao sítio do YouTube, abrindo portas a um maior uso pelas comunidades de amadores. Os primeiros vídeos dentro da nova facilidade aparecem no ChangeDotGov Channel, do presidente Obama. Basta um clique na barra de vídeo do sítio do YouTube para que seja feito o descarregamento (download) desse vídeo, com a mesma qualidade MPEG4 (ver a informação igualmente em Ars Technica).
A revista Newsweek traz um artigo de Henry Cisneros, antigo secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano e presidente da câmara de San Antonio (Texas, Estados Unidos), o editor de Latinos and the Nation’s Future (conjuntamente com Sarita Brown, Nicolás Kanellos e Janet Murguía), a lançar no próximo dia 26, no Center for American Progress, em Washington(ver notícia aqui).
O ponto de partida do texto é simples: os latinos estão a aumentar em termos de população nos Estados Unidos (Latino baby boom), podendo tornar-se uma nova classe média poderosa no trabalho, no sistema escolar, nas actividades cívicas e religiosas, continua o artigo.
O facto do livro ser lançado em Washington realça a força do lóbi latino (em especial o mexicano). E leva-me a associar esta informação à que escrevi ontem sobre telenovelas em castelhano.
No seu texto publicado no New York Times de hoje, Stanley Fish assinala o livro de Frank Donoghue ( The Last Professors: The Corporate University and the Fate of the Humanities) e reflecte que os tempos actuais são adversos ao ensino das humanidades. Donoghue indica que se reduzem os departamentos de humanidades com professores a tempo inteiro capazes de dissertar longamente sobre livros com alunos interessados em tais debates. O que importa agora são matérias produtivas, títulos práticos e utilitários.
Filosofia, artes, literatura, história ou línguas mortas são matérias desnecessárias, sem utilidade visível mas que gastam recursos cada vez mais escassos. A medida deste desinteresse é dada pela redução de professores a tempo inteiro (com o grau de associado ou catedrático), que se tornam dispendiosos e pouco produtivos em termos de saber aplicável, hoje apenas com uma quota de 35% do total de docentes, e sua substituição por professores mais jovens e com vínculo laboral precário.
Fish conclui o seu texto de modo irónico: "Há pessoas que, por vezes, pensam que nasceram ou demasiado tarde ou demasiado cedo. Depois de ler o livro de Donoghue, sinto que nasci no tempo certo, pois me parece que não teria uma carreira tão agradável se começasse cinquenta anos depois. Apenas sorte, ao que tudo indica".
O texto de Stanley Fish certamente remete para o estudo divulgado há cerca de um mês, o designado Demography of the Faculty: A Statistical Portrait of English and Foreign Languages, da Modern Language Association. O estudo, feito pela National Study of Postsecondary Faculty (NSOPF), baseou-se em questionários enviados a 35000 docentes (76% de respostas). Comparando 1995 e 2005, ele indica uma quebra acentuada de 10% entre professores a tempo inteiro com vínculo estável e aumento de professores a tempo parcial nos Estados Unidos, no que se refere ao ensino do inglês e de outras línguas.
A meu ver, um movimento tem a ver com o outro. Menos docentes credíveis origina menos confiança.
Estão a mudar os hábitos culturais dos espectadores americanos de televisão: muitas das novelas são faladas em espanhol, caso de Fuego en la Sangre (Fire in the Blood) e Cuidado con el Angel (Don't Mess with the Angel), emitidas pela Univision. As noites de quarta e sexta-feiras dão audiências elevadas nos canais da Univision, fazendo frente à CBS, ABC, NBC e Fox.
Os hispânicos são 15% da população americana (47 milhões), mas espera-se que subam para 30% em 2050. As telenovelas de sucesso chamam-se Sin Tetas no Hay Paraiso (Without Breasts There Is no Paradise), de origem columbiana e que conta a história de uma prostituta envolvida com traficantes de droga e que quer aumentar os seus seios para se tornar mais atraente, e Las Tontas no Van al Cielo (Dumb Girls Don't Go to Heaven). Talvez a mais conhecida novela seja Yo Soy Betty la Fea (I Am Betty, the Ugly One), também uma novela colombiana.
As novelas, apesar das suas limitações artísticas, estão longe de ser um mero produto de entretenimento para as culturas de língua castelhana. Muitas delas operam com questões de particular interesse para essas populações nos Estados Unidos, casos de imagem de classe e de corpo, buscando reconhecimento e vontade de progredir socialmente.
A notícia de Christopher Goodwin (Observer de hoje) realça ainda o sucesso de reality shows como Bailando por un Sueño (Dancing for a Dream), uma versão mexicana de Strictly Come Dancing, Sábado Gigante (Big Saturday), Don Francisco Presenta, Cristina e Aqui y Ahora (Here and Now).
Há outro elemento interessante na informação: no momento, decorre uma luta judicial entre a Univision e a Televisa, estação de televisão mexicana. A Univision, comprada em 2006 por um grupo privado, opera em 64 estações de televisão e 70 emissoras de rádio nos Estados Unidos. A Televisa quer acabar com o exclusivo das suas novelas e outros programas nos canais da Univision. A programação desta, ao servir-se dos produtos daquela, dá-lhe a posição dominante no mercado de língua castelhana nos Estados Unidos.
Em 29 de Dezembro último, escrevi rapidamente sobre Elias Canetti e Eric Hobsbawm (aqui), a propósito da Europa central e do começo do século XX: "indivíduos cosmopolitas e nómadas nas línguas, nos sítios e nas estéticas, legando obras cuja fruição é um enorme prazer".
No blogue, nunca fiz qualquer aproximação séria a esses autores (excepto em a História social do jazz, de Hobsbawm, aqui). Lera e leccionara sobre Canetti (Massa e poder), sem o passar para o blogue (talvez num destes dias escreva sobre a obra). De Hobsbawm, também li nomeadamente A questão do nacionalismo. As autobiografias dos dois fez-me despertar um novo interesse neles.
Canetti nasceu em Rutschuk, Bulgária, em 1905, judeu sefardita cuja família vinha da Turquia mas de ascendência espanhola, e que viveu em Viena, Manchester, Zurique, Frankfurt e Londres. Também judeu, Hobsbawm, nasceu em Alexandria, Egipto, em 1917, e viveu em Viena, Berlim, Cambridge, LondRes, Paris, passando períodos em Itália e nos Estados Unidos. Alemão, inglês e francês foram línguas comuns a ambos, mas também o espanhol no primeiro e o português no segundo. Latim, hebraico, grego, foram outras línguas que um ou os dois falaram. Canetti dedicou atenção à literatura, acima de tudo, Hobsbawm à história, ambos com nacionalidade inglesa (de pai inglês no caso de Hobsbawm, enquanto a sua mãe era alemã; solicitada no caso de Canetti, ele que escreveu sempre em alemão). Ambos olharam a Alemanha com particular interesse e escreveram sobre o Holocausto e a ruína alemã, mas também sobre a Áustria - ou melhor sobre Viena. Isto é, observaram a decadência dos Estados da Europa central.
Como autobiografias, o espaço dado à infância ocupa lugar central. Até pelas tragédias familiares: os pais de Hobsbawm morrem era ele criança; o pai de Canetti morre era ele criança. Sozinho, entregue a tios, entre Berlim e Londres, em Hobsbawm; com a mãe, ou ausente dela quando esta estava doente, em Canetti. A meu ver, esses percursos foram específicos para os dois, com uma reconstrução interior do espaço familiar. Depois, o percurso social e económico distinto: Canetti oriundo de uma família rica, Hobsbawm de uma família pobre.
Nas duas autobiografias é forte a descrição das cidades, volto uma vez a frisar Viena. O império, decadente, albergava uma riquíssima estrutura intelectual: artes, política, cultural, arquitectónica, das ciências exactas e naturais, da psicologia. Só por esse ponto vale a pena ler os dois livros.
Os dois podem ter-se cruzado em Londres. Mas, para mim, eles encontraram-se e conversaram longamente no café Schwarzenberg, que desde o começo do século XIX serve junto a Ringstrasse, ali no centro da cidade de Viena.
Leituras: Elias Canetti (1995). Massa e poder. S. Paulo: Companhia das Letras Elias Canetti (2008). A língua posta a salvo. Porto: Campo das Letras Eric Hobsbawm (1990). História social do jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra Eric Hobsbawm (1998). A questão do nacionalismo. Lisboa: Terramar Eric Hobsbawm (2005). Tempos interessantes. Uma vida no século XX. Porto: Campo das Letras
De Troca (Changeling, de Clint Eastwood, com Angelina Jolie, Gattlin Griffith, Jan Devereaux e Michelle Martin) e Paris 36 (Faubourg 36, de Christophe Barratier, com Gérard Jugnot, Clovis Cornillac, Kad Merad e Nora Arnezeder), guardo os planos finais: no primeiro, um plano fixo do trânsito rodoviário, eléctrico e humano numa rua de Los Angeles; no segundo, um plano afastando-se do teatro Chansonia até mostrar as ruas e a cidade de Paris como se fosse uma imagem expressionista (no caso deste filme, o plano final é uma cortina que se fecha).
O filme de Eastwwod, apesar de muito correcto na história, não me entusiasmou como os anteriores. Isto apesar de partir de uma temática intimista e atingir um quadro mais vasto, explosivo e de contradições sociais, incluindo a violência política e policial, numa cidade (Los Angeles, no período coincidente com a depressão de 1929). O filme de Barratier, que poderia ser uma peça de teatro sobre um grupo de actores que toma o controlo da sala em 1936, quando emerge a Frente Popular de Leo Blum, não se afasta do cinema como espectáculo.
Os heróis dos filmes são persistentes mas o final não é o mais positivo: Christine Collins (Angelina Jolie) é uma mãe solteira à procura do filho pequeno desaparecido; Pigoil (Gérard Jugnot) é um actor que lidera a ocupação do teatro e o recupera mas perde o que mais lhe importa. Mas os dois têm uma acção fundamental nas histórias a que pertencem: pela acção de Christine, volta a haver justiça numa cidade corrupta; através de Pigoil, uma série de actores voltam a fazer o que mais gostavam, teatro, e o seu filho torna-se acordeonista de nomeada.
Pormenor curioso para mim: Christine desempenha o papel de uma telefonista e vê-se o ambiente de uma central telefónica antes da automatização, com as telefonistas no centro da ligação das chamadas. Dada a grande quantidade de posições (postos de trabalho), a supervisora anda de patins, algo que não existiu em Portugal.
Frida Kahlo teve um acidente de viação em criança que a marcou para o sempre: a sua vida de pintora foi muito interrompida por operações e permanências na cama, com abortos que a impediram de concretizar ser mãe, sempre (ou quase sempre) apaixonada por Diego Rivero. Fernanda Serrano preparou-se para a interpretar, em Viva la vida, com data anunciada para 18 de Fevereiro.
Mas Fernanda Serrano parece tornar-se uma nova trágica. Há uns anos, interpretou numa telenovela o papel de mulher cancerosa. Ao tempo, entrava em campanha publicitária num banco. Mulher bonita, de sorriso largo e longa cabeleira, os anúncios seguintes mostram-na de cabeça rapada e rosto mais comprimido, resultado dos tratamentos médicos da personagem da novela. Mais tarde, o cancro invadiu-a a sério, passando da ficção para a realidade. A actriz confessou recentemente que, mesmo que interpretando o papel, a realidade foi mais dura. Logo a seguir à declaração do final dos tratamentos, a actriz declara querer um papel importante numa telenovela e começa a ensaiar a peça Viva la vida, título que por si só é elucidativo. Mas, mulher bonita de um marido bonito, fica grávida após a quimioterapia, o que a inibe de continuar a ensaiar e a adiar a estreia da peça, pois precisa de descansar. Os médicos temem possíveis complicações pós-tratamento na formação da criança.
Sim, Fernanda Serrano faria o papel da sua vida interpretando a vida de Kahlo: o trágico é um herói que luta contra o ser transcendental controlador dos acontecimentos que lhe acontecem.
Também chega o Jornal da Madeira, segundo diz o Público de hoje. O capital social do jornal é detido em 99% pelo Governo Regional. Prevê-se um corte de 20 trabalhadores em secções que não a redacção.
Garante o Expresso na sua edição de hoje, dizendo que tal será conhecido publicamente na próxima sexta-feira. A Controlinvest e a Cofina, que haviam desistido de concorrer isoladas ao concurso decidido pela ERC, são parceiras da ZON (cada uma detém 5% do capital desta empresa de telecomunicações e multimedia), o que significa que todos estes intervenientes ficam satisfeitos.
Uma nota: a jornalista Rosa Pedroso Lima, autora da peça, diz que a ZON pertence ao grupo PT. Isso era verdade até ao momento da separação dessas empresas.
Na próxima segunda-feira, dia 19, pelas 18:00, no Clube Thomarense, em Tomar, há lugar para a mesa redonda Exactamente, 60 Anos Depois, a propósito da primeira exposição do Grupo Surrealista de Lisboa. Na mesa redonda participam José-Augusto França, Rui Mário Gonçalves, Raquel Henriques da Silva e Cristina de Azevedo Tavares (informação recolhida na agenda cultural de Tomar).
O Clube de Jornalistas faz 25 anos, conforme indica a sua revista Jornalismo & Jornalistas (nº 36, de Outubro/Dezembro de 2008).
Foi em Novembro de 1983 que nasceu o Clube, para "dar espaço à cultura, ao lazer e ao convívio entre jornalistas", como se lê na introdução do número da revista e retirado do texto de Ana Luísa Rodrigues. Hoje tem 700 associados e já fez jogos nacionais e ibéricos, bailes de reveillon, Prémios Gazeta e tem a revista, um sítio na internet e um programa na televisão.
Para além do texto de Ana Luísa Rodrigues, destaco o de Fernando Correia, uma das almas da publicação (reparte a direcção editorial com Eugénio Alves), sobre os objectivos da revista.
Comovente é também a homenagem a Acácio Barradas, recentemente desaparecido e que ainda consta do conselho editorial da revista. Conheci-o mal, foram conversas avulsas, mas eu tinha uma grande admiração pelo seu trabalho e pela sua carreira. A ler a entrevista que Fernando Correia e Carla Baptista lhe haviam feito a propósito do livro destes, Jornalistas. Do ofício à profissão. Mudanças no jornalismo (1956-1968) (e de que eu escrevi aqui).
No Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, de 21 de Fevereiro a 29 de Março, com o melhor dos cartoons de 2008. Na agenda cultural daquele concelho, Roteiro, indica-se que o cartoon político é um dos temas mais explorados na mostra, já conhecida pela qualidade e originalidade.
Ainda não conheço a Casa Memória Fernando Lopes-Graça, na rua Dr. Joaquim Jacinto, 25, em Tomar. Ela foi inaugurada no passado mês de Dezembro.
Retiro algumas informações da agenda cultural de Tomar deste mês. Nascido em 1906, Lopes-Graça tem agora perpetuado na sua casa um tributo à sua vida e obra, com certidões de nascimento, partituras e peças ligadas a si. Lê-se no Boletim que ele, compositor de influências modernistas, esteve aliado à recuperação da tradição musical portuguesa.
Lê-se no blogue TIPO - Projecto Tipográfico: "Tipo é um projecto onde a tipografia desempenha o papel principal. Embora a sua origem seja académica, o seu resultado é democrático. Nesta fase inicial, o projecto é comunicado por meio de um documentário onde se registam participações de António Baptista de Lima representando a Tipografia Camões, Paulo Heitlinger, autor do livro Tipografia e, por fim, o Museu Nacional da Imprensa situado no Porto, Portugal".
[Texto e vídeo (Bruno Cunha, Francisco Costa, Jorge Baptista) a partir do blogue TIPO - Projecto Tipográfico]
A revista Estudos do Século XX, do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra – CEIS20, nove anos após a publicação do seu primeiro volume, com o título Estéticas do Século, e cinco anos depois do colóquio Transformações Estruturais no Campo Cultural Português, 1900-1950, prepara o nono volume, a publicar em 2009, subordinado ao tema Hipóteses de Século. Com o tema, a revista procura reflectir "a diversidade e a complexidade das investigações levadas a cabo desde então" e constituir "a oportunidade de repensar as relações entre as artes, a cultura e os fenómenos políticos, sociais e económicos, contribuindo assim para o acréscimo de inteligibilidade do século XX português". O volume é coordenado pelo professor António Pedro Pita.
Assim, a publicação abre a submissão de trabalhos científicos, sob a forma de artigos científicos ou recensões bibliográficas, dentro das seguintes linhas temáticas:
1. O intelectual e os movimentos intelectuais: - genealogia e auto-consciência do intelectual; - circulação e modos de apropriação das ideias; - história dos movimentos intelectuais; - intelectuais e artistas; - os intelectuais e a política;
2. A prática das artes: teoria e crítica; tradições e rupturas: - a arte como acontecimento social; - história das ideias estéticas; - teorias de correntes e movimentos artísticos; - história e teoria da crítica; - tradição e ruptura na prática individual da arte e nas correntes artísticas;
3. A invenção e a socialização das artes — meios, lugares e instituições: - estudo de lugares, instituições e dispositivos de produção/reprodução do pensamento nas suas várias formas; - autonomia, coexistência, cruzamento e mistura dos lugares de invenção e de socialização; - escolas, academias, salões, galerias, fundações, cafés; - publicações; - políticas de cultura;
4. Indústria cultural e dispositivos de recepção: - génese e afirmação dos meios de comunicação de massa (cinema, rádio, televisão, grande imprensa, publicidade); - transformação dos dispositivos de recepção e reconfigurações do espaço público; - a cultura entre o artístico e o político.
Os interessados em colaborar deverão manifestar o seu interesse por e-mail (estudos.sec.xx@gmail.com), até ao dia 15 de Fevereiro, com título provisório do trabalho, um pequeno resumo e uma nota biográfica (incluindo nome, grau académico e instituição onde foi obtido, afiliação e endereço institucional completo, número de telefone/fax, e-mail e até 5 publicações recentes). Outro email para informações: iml@ci.uc.pt. Sítio: CEIS 20.
A rede CREATIVE CLUSTERS – "Clusters Criativos em Áreas Urbanas de Baixa Densidade", foi aprovada no âmbito do Programa URBACT II da União Europeia, liderada pelo Município de Óbidos (ver aqui). A rede tem "como objectivo essencial promover a troca de experiências e melhores práticas e propor recomendações políticas e planos de acção para o desenvolvimento das indústrias criativas e a atracção e retenção de talentos em centros urbanos de pequena e média dimensão. O pressuposto da iniciativa é que a criatividade pode constituir-se como o motor do desenvolvimento de áreas de baixa densidade e não apenas de grandes cidades" (texto completo aqui).
A conferência de lançamento da iniciativa (Creative Clusters in Small Urban Centers: Challenges and Opportunities) terá lugar em Óbidos, no dia 22 de Janeiro (inscrição Online gratuita).
Este é o título da notícia na edição de hoje do Público, referindo-se ao corte de 122 trabalhadores da Controlinveste, grupo de media proprietário de Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e 24 Horas. Os despedimentos significam 12,2% dos efectivos do grupo. Metade das saídas são jornalistas, em especial dos dois principais jornais. A administração do grupo justifica a decisão com a quebra de vendas na imprensa escrita.
Não conheço directamente as Marionetas da Feira, mas sei que houve um espectáculo no passado dia 9, na Tertúlia Castelense, e que Rui Sousa, o seu director, vai estar no dia 18, pelas 11:30, na FNAC do Mar Shopping (Matosinhos), na construção de uma marioneta de manipulação directa, utilizando fita-cola crepe, papel de jornal e um pano colorido à escolha de cada formando. Depois, muito mais tarde, a 21 de Junho, estará perto, em Cascais - A Ver Navios (S.A.Marionetas) (ver Marionetas da Feira, de onde tirei as imagens e o vídeo).
Rui Sousa, além do trabalho de actor e manipulador, é produtor de espectáculos, construtor de marionetas e cenógrafo.
Museologia.porto é uma rede para estudantes, investigadores e profissionais de museus partilharem fotos, videos, documentos, projectos e ideias sobre o mundo dos museus, criado por Alice Semedo, museóloga e docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Em 2009, o governo chinês vai investir cinco mil milhões de euros nos seus principais media com o objectivo de melhorar internacionalmente a imagem do país. Com o seu rápido desenvolvimento económico nas duas últimas décadas, a China está a atrair muito a atenção da comunidade internacional (hoje foi anunciado que a China é o terceiro país de economia mais desenvolvida, a seguir aos Estados Unidos e Japão, tendo já ultrapassado a Alemanha). A China percebeu, entretanto, que a imagem criada nos media globais não é positiva, bem menos cotada que o crescimento económico.
Os media oficiais mais importantes da China, como a televisão China Central Television (CCTV) e o jornal estatal Diário do Povo, estão a ouvir consultores e a desenhar propostas integradas no orçamento de propaganda, além de admitir repórteres e especialistas estrangeiros. A televisão oficial CCTV lançará durante 2009 canais árabes e russos.
No final de Novembro último, havia mais de 50 milhões de blogues na China, um crescimento de 6,38% relativamente a período homólogo de 2007, disse Gao Lulin, vice-presidente da Associação de Internet da China, à agência Xinhua (Agência de Notícias Nova China).
Em onda de críticas, acho que o pequeno programa de humor da Antena 1 antes do noticiário das 8:00 deveria ser repensado. As histórias não têm humor, há notas de racismo com alguma frequência, as personagens são sempre as mesmas (Sócrates, Cavaco, Louçã, Pinto da Costa, Carolina Salgado) e, mais importante, segue pura e simplesmente a agenda de acontecimentos políticos, como se fosse um noticiário divertido e ao contrário. Indo mais adiante que as palavras atrás, para mim, o programa precisa parar por um período (ou descontinuar, até). Com pedido de moderação ao deejay do programa da manhã da Antena 1, que faz comentários encomiásticos diários e colagem ao que os actores dizem (hoje, até estão a passar as "músicas da vida" de um dos actores do programa de humor; é expectável que amanhã seja o outro dos actores a escolher cinco canções da sua vida).
Um dia, aqui, critiquei o programa antecessor, a Palmilha Dentada. Apesar de tudo, e reconheço-o agora por comparação, os seus responsáveis procuravam diversificar personagens, construiam histórias sem qualquer ligação com o que os jornais e as televisões noticiam diariamente. A criatividade passa por aí, e não por seguir a vaga de acontecimentos políticos (ou desportivos). A rádio não é a televisão, onde já há (e chega) o Contra-informação.
Não gosto de criticar pela facilidade de criticar. Mas não fiquei bem impressionado com os museus de Pombal, o do Marquês de Pombal e o de Arte Popular Portuguesa. A colecção do primeiro é reduzida e está exposta com pouco gosto; a colecção do segundo também não está bem apresentada. Para os dois espaços, cada um no seu lado da mesma praça - bem recuperada -, havia uma só funcionária, no dia em que os visitei. Muito estranho!
Segundo o blogue António Quadros, a Fundação António Quadros foi reconhecida oficialmente em 8 de Janeiro último.
António Quadros (1923-1993) foi fundador da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores e fundador da actual Associação Portuguesa de Escritores, assim como do IADE. Dirigiu as Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi um dos fundadores e directores das revistas de cultura Acto, 57 e Espiral.
Um jornal português, Record, já actualizou a sua grafia conforme o acordo. Ficam aqui algumas indicações, que retirei SECOM (Secretaria de Comunicação, da Universidade de Brasília, por Kennia Rodrigues).
O YouTube, líder da comunidade online vídeo , em parceria com o Pulitzer Center, deu a conhecer ontem o vencedor do Project: Report, a que concorreram centenas de pessoas em todo o mundo (newsletter de hoje do do European Journalism Center). O concurso envolveu aspirantes a jornalistas que apresentassem curtos vídeos de qualidade com histórias não cobertas habitualmente pelos media. O Project: Report foi possível graças à colaboração da Sony VAIO e da Intel.
A comunidade do YouTube votou em cinco finalistas e, juntamente com um painel de jornalistas do Pulitzer Center, escolheu Arturo Perez Jr., de San Francisco, Califórnia. Perez, de 25 anos, que fez o trabalho Abilities, vai receber 10 mil dólares e uma câmara e equipamento de edição para viajar e fazer uma história.
40 cartazes em exposição, 1994-2008, de Michel François em colaboração com Richard Venlet, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, até 22 de Fevereiro.
De Braga (Theatro Circo), Moita (2009, Ano Europeu para a Criatividade e Inovação), Almada (Exposição Na Esteira do Alfeite, inaugurar em 17 de Janeiro), Faro (28º Encontro de Charolas), Centro Cultural Vila Flor, Guimarães (workshop Manual de Instruções), Porto (Teatro Nacional de S. João) e Vila do Conde (exposição Suspension).
Agradecimentos a Carlos Filipe Maia, meu fornecedor de agendas culturais.
Os dados da Marktest referentes aos 3º e 4º trimestres de 2008 permitem ver algumas variações interessantes. Assim, no grupo Renascença, a RFM baixou e a Renascença e a Mega FM subiram, enquanto aparecem já valores referentes à Rádio Sim. No grupo Media Capital, a Rádio Comercial e a M80 subiram mas as restantes estações do grupo mantiveram ou desceram em termos de share de audiência. A TSF subiu. No grupo RDP, houve movimento positivo nas Antenas 1 e 3 e manutenção na rádio de música clássica. As outras rádios somaram 18,9% no 3º trimestre e 17,2% no quarto trimestre, e respostas não sabe/não responde baixaram de 2,1% para 1,8% nos períodos acima identificados, o que significa uma mais fina compreensão dos inquiridos e maior precisão das respostas.
Quintas com livros é o nome do primeiro café literário de Torres Vedras, com a primeira sessão a realizar-se no dia 15, pelas 21:30, na Biblioteca Municipal da cidade. O café literário tem uma extensão virtual no recém-criado blogue: Quintas com Livros.
A sessão inaugural engloba a leitura e discussão de um livro leve, pequeno, divertido e intrigante - Biblioteca, do autor sérvio Zoran Zivkovic.
A organização do café literário promete ter, em todas as sessões, um convidado especial. Em Janeiro, o convidado é o escritor e editor Luís Filipe Cristóvão. Nos meses seguintes, a tertúlia contará com o professor José António Gomes (Fevereiro) e Dario Garrido, treinador de basquetebol e instrutor de fitness (Março).
Boa sorte a Filipa M. Ribeiro (jornalista de ciência).
Uma exposição de Cristina Ataíde, (Im)permanências, a inaugurar no dia 17, pelas 18:00, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, à rua da Cadeia, uma prova de gastronomia alentejana a seguir à inauguração da exposição e uma visita às reservas do Museu Militar de Elvas, no dia seguinte, a partir das 10:00, vão animar Elvas (observação: a pintura que aqui se reproduz pertence a José Loureiro, de 2003, integrada na colecção de António Cachola).
A história do registo magnético é das mais curiosas que conheço. Envolve nomes raramente do domínio público mas cujas invenções ou contributos chegam até ao computador que usamos para escrever e arquivar. O primeiro nome foi Oberlin Smith, que inventaria a gravação magnética em 1878, depois de uma visita ao laboratório de Thomas Edison, onde viu o fonógrafo daquele. Começou a melhorar o invento, mas não obteve patente nem fez qualquer demonstração pública nem se tornou famoso.
O segundo nome é o de Valdemar Poulsen, engenheiro dinamarquês admitido em 1893 na empresa de telefones de Copenhaga. Poulsen interessou-se pelo registo magnético porque se sentia frustrado pela impossibilidade dos utilizadores dos telefones deixarem uma mensagem quando ninguém atendia. O seu invento, o primeiro gravador magnético, data de 1898.
O terceiro nome pertence a Fritz Pfleumer, inventor austríaco vivendo na Alemanha, que conseguiu criar um sistema barato de papel de cigarro, à base de bronze em pó. Pfleumer, interessado na gravação magnética (mais tarde disse que estava familiarizado com o gravador de Poulsen), achava que podia usar o seu papel de cigarro para uma fita de gravação, bastando substituir o bronze por um material magnetizável. A primeira fita magnética foi, assim, uma tira de papel com partículas de ferro pulverizado. Ele também construiu o primeiro gravador (patente DRP 500,900 em 31 de Janeiro de 1928), a que chamou de "papel sonoro".
O grupo alemão AEG mostrou um grande interesse no invento e assinou um contrato com Pfleumer em 1932. No ano seguinte, a AEG fazia testes com fitas de papel e de celulóide e, em Agosto desse ano, à equipa juntava-se Eduard Schüller, que desenvolveu a cabeça, uma das invenções fundamentais na gravação magnética. Por seu lado, Friedrich Matthias, químico de profissão e presente na mesma equipa, produziu uma fita em celulóide com resultados promissores.
O modelo de magnetofone da AEG foi a sensação na exposição de Berlim no Verão de 1935: os visitantes ficavam surpreendidos ao ouvir a sua voz após a gravação. Dois anos e meio depois, a AEG, conjuntamente com a BASF, produzia um equipamento para venda comercial, ao custo de 1350 marcos (o salário médio de um técnico experiente rondava então os 250 marcos).
Na Segunda Guerra Mundial, a fábrica onde se produziam os gravadores de som foi totalmente destruída (1943). Depois, com o final da guerra, a Comissão dos Aliados invalidou muitas das patentes alemãs e os seus direitos de autor quer nas invenções antes quer nas feitas durante a guerra. A AEG, a BASF e a Agfa não receberam benefício imediato do tremendo crescimento das suas invenções ligadas à gravação magnética. Devido à transferência de tecnologias, as patentes alemãs ajudaram a nascer e crescer empresas americanas e europeias, caso da EMI, tornada um local de grande inovação. Também o Japão começou a ter um papel importante na indústria de registo magnético, com empresas como Sony, Matsushita (Panasonic) e Toshiba.
Leitura: Eric C. Daniel, C. Denis Mee e Mark H. Clark (1998). Magnetic Recording. The First 100 Years. Nova Iorque: IEEE Internet:Magnetic Recording History Pictures (de Steven Schoenherr, e de onde retirei as imagens acima); Recording History (de David Morton)
A Portugal Telecom indica ir fazer as primeiras emissões em TDT (televisão digital terrestre) em 29 de Abril próximo, inicialmente em dez localidades. Até ao final do ano, cobrirá 80% do território nacional.
Isabel Carlos, crítica de arte e actual curadora da nona Bienal de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, foi nomeada directora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian. Ela preenche a vaga de Jorge Molder, à frente do CAM da Gulbenkian desde 1994 e que saiu no final da semana passada com reforma antecipada (Público online, 15:14).
A mesma notícia traça um perfil curto de Isabel Carlos: 46 anos, assessora da Área de Exposições da Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura, co-fundadora do Instituto de Arte Contemporânea (IAC) do Ministério da Cultura, de que foi sub-directora entre1996-2001, e organizadora das representações portuguesas na Bienal de Veneza de 2001 e na Bienal de São Paulo, de 1996 e 1998.
A exposição Lá Fora, a inaugurar no dia 16 de Janeiro no Museu da Electricidade – Central Tejo, em Lisboa, reúne pela primeira vez um vasto conjunto de obras e artistas plásticos portugueses, desde os "históricos" às novíssimas gerações, que têm em comum o facto de viverem e trabalharem fora do território nacional.
É uma exposição "organizada pelo Museu da Presidência da República, em parceria com a Fundação EDP, e onde se apresentam cerca de duas centenas de obras, entre pintura, desenho, fotografia, instalação, escultura e vídeo, que dão a conhecer, de forma representativa, o trabalho desenvolvido por 67 criadores portugueses residentes em vários países da Europa, América do Norte e América do Sul, e integrados com sucesso nos circuitos da arte contemporânea. Comissariada pelo historiador de arte João Pinharanda, esta mostra conta com nomes como Paula Rego, João Penalva, Edgar Martins, entre outros, do Reino Unido; Rui Calçada Bastos, Filipa César, Adriana Molder ou Noé Sendas, da Alemanha; vindos do Brasil, Fernando Lemos, Ascânio MMM e Artur Barrio; Júlio Pomar ou Rui Patacho, de França; da Holanda, Júlia Ventura e Maria Beatriz. E, ainda, artistas vindos da Suíça, Argentina, Luxemburgo, Itália, Espanha, Canadá e EUA, neste último caso com várias representações, entre as quais, Carlos Bunga, Rigo, Carlos Roque ou José Carlos Teixeira. Além dos nomes mais reconhecíveis pelo público português, há ainda lugar para algumas revelações, como Francisco da Mata, radicado na Suíça, Maria Loura Estêvão (vídeo) e Gérald Petit (fotografia), residentes em França, Marco Godinho, residente no Luxemburgo, ou, ainda, o nova-iorquino Michael de Brito (pintura), todos luso-descendentes e com um percurso artístico consistente em termos internacionais" (da informação enviada pela organização).
Lund, Sweden, June 25-28, 2009 in cooperation with Film Studies / Centre for Languages and Literature Lund University. Submissions deadline: January 31, 2009.
Founded in February of 2006, NECS, the European Network for Cinema and Media Studies, brings together scholars and researchers in the field of cinema, film and media studies with archivists and film and media professionals. A first NECS workshop was held in Berlin on the occasion of the network’s founding in 2006, followed by large international conferences in Vienna 2007 and Budapest 2008. Over the last two years, NECS has won more than 450 members worldwide. The next NECS conference, “Locating Media”, will take place in Lund, Sweden, from June 25 through 28, 2009. Lund is situated close to one of Sweden’s production hubs on the Swedish side of the Öresund region. This particular geographical location makes Lund a perfect place to explore broader issues of space, place and locale in relation to cinema and media studies in general, and cultural and creative industries in particular. We invite papers exploring the following range of issues: --Locating Practices: Regional, local, national and global media practices through history; --Locating Media Production: Political, economic, social and cultural impact of located / relocated film and TV productions; --Locating Movements: Migrating media, migrating audiences, diasporic filmmakers; --Locating Technologies: Mobile media and the medialization of space (from surveillance to YouTube); --Locating Aesthetics: Styles of place/places of style in various media texts; --Locating Research: Methodological nuances, theoretical consequences and political implications for scholarly practices within future film- and media studies. Scholars from all areas of film and media studies (radio, television, new media etc.), whether previously attached to NECS or new to the network, are invited to submit proposals for contributions. Please note that you may hand in a paper or panel proposal related to the thematic guidelines of the conference outlined above, or alternatively submit a paper or panel proposal for open call in any field of cinema and media studies. For this year’s conference, we especially encourage pre-constituted panels in order to strengthen the thematic coherence of individual panels. There are three ways of participating in the Lund conference: (1) participating in or organising a pre-constituted panel within already existing frameworks: a NECS work group (see member section of the NECS website), an established network, a research project, etc. NECS work groups are especially encouraged to hand in a panel proposal; (2) participating in panels that have been formed online in the run-up to the conference. Please check the website (www.necs-initiative.org) for open panels which might suit your interests and contact the panel organizers directly in case you wish to participate; (3) participating with an individual paper. Panels may consist of up to 5 speakers with a maximum of 20 minutes speaking time each. All presenters are asked to provide us with a title, an abstract of max 150 words, 3-5 keywords, 3-5 key bibliographical references, technical requirements, name of the presenter and institutional affiliation. Panel organizers are asked to submit panel proposals including a panel title, a short description (up to 100 words) of the panel and information on all the papers as listed above. Please submit all proposals before January 31, 2009 by sending them via email to conference@necs-initiative.org. Notification will follow shortly thereafter (around February 28, 2009). The conference language is English. NECS-membership is required to participate in the conference. In order to be included in the final programme (due June 1, 2009) , you need to have a valid membership. Register with NECS at www.necs-initiative.org now. You may pay your membership fee upon arrival in Lund. For the terms of NECS membership, please see our website. Conference attendance is free. Participants will have to cover their own travel and accommodation expenses. Travel information as well as a list of affordable hotels and other accommodations will be posted on the NECS website in the spring of 2009. Detailed information on NECS can be found on the NECS website, www.necs-initiative.org. Please address all inquiries to conference@necs-initiative.org. For the conference organizers: The NECS Conference Committee Melis Behlil, Mats Jönsson, András Bálint Kovács, Tarja Laine, Terez Vincze, Patrick Vonderau The NECS Steering Committee Malte Hagener, Vinzenz Hediger, Dorota Ostrowska, Alexandra Schneider, Patrick Vonderau
The 9th Conference of the European Sociological Association will be held in Lisbon between 2 and 5 of September 2009 with the theme Europeanizing Globalizations: The Transformation of (self-) images. From Lisbon to Moscow, from Athens to Reykjavik, mass and network media attention markets are re-configured. The role of the European Union (EU) in the sector of media but also in the sphere of culture is constantly gaining importance. The varying sociocultural contexts of European states, the complex relationships deriving from the tensions between traditional public services and the intensified privatization of the majority of services including media constitute some of the major problems of recent policy. Further, the new framework of media operation imposed by the new information and communication technologies and their networking globalization processes raises more questions: Whether the origins of media sources and typical media contents show consistent patterns. Are they driving forces in the transformation of European traditions and visions? Or do they rather contribute to veil or destroy the European ways of life? On this basis, the limits of traditional research in journalism and media communication will be specified under the particular perspective of “Europeanizing Globalizations”, with an emphasis on “The Transformation of (Self-) Images of Europe”.
The periodical enlargement of the EU member states in particular increases the challenges of integrating them into a common legislative and economic system. This was carried out by the integration of national and local markets but also accompanied by the establishment of new institutions or the homogenization of the functioning of the traditional ones. In this process the mass and network media have re-configured and transformed European self-images. Media and cultural industries become increasingly central in the economies of the member states and consequently they also become a field of contestation and consensus regarding their legislative system of operation. One major particular question arises: does the EU, e.g., have the jurisdiction upon the media or is this a sector of strictly national interest?
This general question contains a more specific one: which are the prerequisites for an integration policy and which are the conflicting perceptions about the directions of that policy? In other words which is the role of the media in the construction of a European identity or various types and balances of European identities and what are the results of the ‘Unity in Diversity’ or ‘One Union many Voices’ programs? As the EU communicative space by the enlargement of the Eastern European countries becomes more diverse and more complex, the role of the media in mediating the priorities of a common policy becomes more acute.
The media and cultural policy are influenced by four main factors: 1. the globalization of communication systems, 2. the transnational flow of people and incoming migration, 3. the integration of traditional media markets into a common juridical framework, 4. the global / local trajectories and the citizen associations.
The Research Network Sociology of Communications and Media Research welcomes papers emphasizing, e.g., the following topics:
1. Media and European diversity debate: theories and realities a. Construction of a European identity and citizenship b. Pluralism of content c. Mediation of diversity and creativity d. Language barriers and communication 2. EU media policy and the globalization of the communication system a. A European public sphere or diverse public spheres? b. European media (news agencies, networks etc.) c. European Elections d. European or national regulation e. Audiovisual production (domestic or European, digital products, e.g., EU library etc.) 3. Journalism, new media and citizen’s participation a. Citizen journalism (user generated content) b. Experiences in social media environments
Abstracts will only be accepted through completion of the online submission form, and submission in any other form will be declined. (The Online Abstract Submission form and Instructions and Guidelines for Online Abstract Submissions will be on the conference website http://www.esa9thconference.com/). The submission form will request basic contact information from those submitting abstracts (and for any co-authors) and it is important that potential presenters give as much information as possible. The submission form will limit the title of the abstract to 200 characters (approximately 30 words) and the length of the abstract to a maximum of 350 words. The form also requests authors to submit up to 5 key words that are indicative of the content of the proposed presentation. Title, abstract and keywords will have to fit within these limitations. Tables, figures and references should not be included in abstracts. The deadline for web submission of abstracts (automatically sent to LOC and Research Networks and Research Streams coordinators) is 26th February 2009. The 9th European Sociological Association Conference, Lisboa (http://www.esa9thconference.com/). Please mail all your queries or comments to both chairs rpanag@media.uoa.gr and p.ludes@jacobs-university.de.
As estatísticas mais recentes do DCMS do Reino Unido quanto às indústrias criativas (IC) mostram uma quebra, sublinha o sítio Dave Harte em mensagem de ontem.
Assim, o valor geral das IC caiu de 6,8% para 6,4% entre 2005 e 2006. Os dados de 2005 foram inicialmente apresentados como sendo da ordem de 7,3%, mas uma revisão posterior em termos dos conceitos fez baixar o valor. O grau de crescimento mantém-se superior ao da economia em geral, mas baixou de 6% (valores de 2005) para 4% (valores de 2006).
O decréscimo é acentuado em sub-sectores como a publicidade (-23%). O software baixou 3% após um período de crescimento desde que há estatísticas (1998). O sub-sector de vídeo, filme & fotografia cresceu 27%. As exportações passaram de 14,5 mil milhões de libras a 16 mil milhões, embora com uma leve redução em bens exportados (de 4,5% para 4,3%). O emprego nas IC subiu de 1,9 milhões para 1,97 entre 2006 e 2007.
Al Berto (Alberto Raposo Pidwell Tavares) nasceu em Coimbra, a 11 de Janeiro de 1948 (e morreu em Lisboa, a 13 de Junho de 1997).
O blogue da Assírio e Alvim faz-lhe hoje uma curta referência.
E ao anoitecer / adquires nome de ilha ou de vulcão / deixas viver sobre a pele uma criança de lume / e na fria lava da noite ensinas ao corpo / a paciência o amor o abandono das palavras / o silêncio / e a difícil arte da melancolia (poema E ao anoitecer, retirado do sítio As Tormentas)
Por ter um Blackberry, música num iPod e passear com óculos Ray-Ban de aviador (Sunday Times de hoje).
Entretanto, as celebridades e socialites procuram entrar na lista O (de Obama) - a tomada de posse de Obama funcionará como sucesso social dos que entrarem nessa lista. Contam-se JK Rowling, a autora dos livros de Harry Potter, que Obama conheceu através da leitura da sua filha Malia, de 10 anos, mas também Jay-Z, estrela do hip-hop, de quem Obama tem músicas no seu iPod, e a mulher daquele, Beyonce, e George Clooney, Scarlett Johansson, Sting, Elvis Costello, Bono, Bruce Springsteen, além de muitos mais.
Nasceu a sua filha Zohra de cesariana e, cinco dias depois, estava a trabalhar. Ela, a mãe, é Rachida Dati, a ministra francesa da Justiça, de 43 anos.
Há quem a admire: símbolo de emancipação, uma dos 12 filhos de um casal argelino-marroquino e, agora, mãe solteira (não se sabe quem é o pai; durante algum tempo especulou-se ser o antigo primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, agora fala-se de François Sarkozy, o irmão do próprio presidente francês).
Há quem a deteste ou a considere traidora: ao ir trabalhar cinco dias depois de ser mãe, está a exasperar as feministas e todos os que são a favor de medidas de apoio às grávidas e mulheres com crianças recém-nascidas. O próprio presidente francês está a tentar substitui-la.
Não há dúvida: uma estrela das "Sarkozettes", como chamam às ministras do presidente, ela não consegue escapar aos media. O Sunday Times, que lembra outra mulher, Sarah Palin, a recente candidata do partido republicano americano à vice-presidência, traz uma fotografia de Dati elegantemente vestida no dia do regresso ao trabalho, com saia e casaco preto, camisola de gola alta de cor semelhante e sapatos de salto alto.
Fazer duas pesquisas no Google a partir de um computador pode gerar tanto dióxido de carbono como preparar uma chávena de chá. Ou dito de maneira mais dramática: a internet e as tecnologias de informação produzem mais CO2 que os transportes aéreos.
Este é o começo de um artigo de Jonathan Leake e Richard Woods no Sunday Times de hoje. A conclusão é que a Google tem centros de dados cuja actividade exige muita energia para funcionar. A empresa americana não divulga a quantidade de energia que consome e o que gasta com impressões. Mas, com mais de 200 milhões de internautas que procuram informação diária através da Google, o consumo de electricidade e as emissões de gás causadas pelos computadores e pela internet são elementos importantes, possivelmente uns 2% do total gerado mundialmente, valor semelhante ao provocado pela aviação.
Pensávamos que a electrónica e a internet eram limpas. O estudo que serve de suporte à notícia vem dizer-nos que não. E tem uma maneira simples de mostrar o que produzimos: de cada vez que pesquisamos uma página da internet, estamos a gerar 0,02 gramas de dióxido de carbono.
Esta mensagem não é um texto filosófico nem tem a densidade que gostaria de dar. É mais um reflexo sensorial de informações recentes, de leituras ou visionamentos dos últimos dias em temas como individualidade, a ideia de minoria, a ausência mas necessidade de fazer um país, o corpo, a sua exposição e/ou degradação, a destruição e reconstrução.
São três elementos/momentos que se cruzaram em mim sem uma ordem pré-determinada, mas que ocorreram por acaso - e procurei constituir um sentido, uma unidade.
1) Em 1981, na prisão de Maze, em Belfast (Irlanda do Norte), Bobby Sands e outros activistas do IRA iniciavam uma greve de fome, reclamando o estatuto de preso político. A primeira-ministra inglesa era Margaret Thatcher. Sands faleceria 66 dias após o começo da greve de fome, mais nove activistas seguiriam o mesmo destino. Agora, Steve McQueen, um artista plástico britânico, pegou na história e passa-a para o cinema: Fome (Hunger) (2008) é o título.
A construção dos planos obedece a um grande rigor, vários deles com muito despojamento. Um longo plano - a meu ver, o centro do filme - mostra Bobby Sands e o padre Dom na cantina da prisão. A confissão (conversa, revelação) mostra o pensamento do militante irlandês: a decisão inabalável da greve de fome, que poria fim à vida de Sands e à luta dos "cobertores" e da "sujidade". Estão os dois frente a frente, com a câmara a fazer de testemunha, como se fosse uma terceira personagem. O resto da cena é ocupado com mesas e cadeiras vazias. De vez em quando, fumam um cigarro, deixando um fumo azulado. A história do potro ferido a que Sands resolvera pôr cobro, afogando-o, conduz-nos, logo depois, a outro plano central no filme e igualmente demorado (em tempo real): o da lavagem do corredor para o qual convergem as celas: o polícia limpa lentamente a água e os detritos largados pelos presos por debaixo das portas das celas, no protesto continuado. A política como pano de fundo é uma constante do filme: os corpos despojados, nus ou semi-cobertos por cobertores, violentados até ao sangue, eram a representação real desse ideal de política.
Steve McQueen esteve em Portugal enquanto artista plástico a primeira vez em 1997, no Centro Cultural de Belém, com a sua obra Life/Live. O filme é de uma grande violência mental, mesmo espiritual.
2) Na conferência de Isabel Gil, Paisagens em ruínas. A Alemanha no cinema americano do pós-guerra, apresentada em 8 de Janeiro de 2009, a responsável pela Faculdade de Ciências Humanas da UCP falou do filme Wolfgang Staudte, Os assassinos estão entre nós (Die Mörder sind unter uns) (1946). Fiz um pequeno vídeo de uma das passagens dessa conferência.
Isabel Gil acentuou as palavras ruína e destruição na sociedade alemã pós-Segunda Guerra Mundial. Referiu abundantemente Simmel, Benjamin, Freud, que escreveram sobre a ideia de ruína na cultura alemã, e alargou esses pensamentos às repercussões na Alemanha a seguir a 1945: por um lado, limpar as feridas, com a reconstrução dos edifícios e o restabelecimento de laços; por outro lado, manter ruínas como memória viva do que acontecera, indicar que todos eram suspeitos (daí o relevo que deu ao filme de Wolfgang Staudte, Os Assassinos Estão Entre Nós, de 1946). A sociedade (e os indivíduos) procuravam a renovação a troco do esquecimento, mas a memória pesava nas mentes e nos gestos. Os corpos arrastavam-se num lamento quase sem fim.
3) Retiro do sítio do Teatro Aberto informação sobre a peça que está quase a sair de cena, Imaculados, de Dea Loher: "Fadoul e Elísio, dois emigrantes clandestinos, culpam-se de nada terem feito para impedir uma mulher de se afogar. Rosa gostaria de receber mais atenção de Franz, o marido. A mãe de Rosa está doente e instala-se em casa da filha. Absoluta, uma jovem cega, dança num bar junto ao porto para homens que ela não vê e que a desejam. Uma mulher só dispõe-se a tudo para existir aos olhos dos outros. Ella, uma filósofa que não aceita o envelhecimento, deixou de acreditar nas ciências do espírito e fala sozinha" [ver também notícia da RTP neste vídeo].
Dea Loher, autora alemã nascida em 1964, escreveu esta peça estreada em 2003, onde se cruzam "destinos que as contingências da vida separou, criando uma dança de roda marcada pelo humor do desespero e a energia de viver". A peça é um conjunto de histórias tristes, desastrosas, terríveis, como se uma geração estivesse condenada à violência e ao desespero. Para mim, a história mais densa é a de Francisco, que arranja emprego numa funerária e passa a tratar dos mortos e a levar para casa os corpos que não são reclamados. Rosa, a sua jovem mulher, que ambiciona ter um filho, vive encurralada entre o "ofício" do marido e a pressão da mãe, que se instalara na sua casa e dormia no único quarto da casa. Os corpos nus e desprezados, a procura da purificação através do ritual da lavagem, na noite fria do teatro, deixou-me desconfortado.
Conclusão) Já o sentira no filme de McQueen e na sequência do comboio que atravessa Berlim (ou outra parte da Alemanha) no filme de Staudte. O acordeão na peça de Loher atenua o meu desconforto. Mas as palavras da autora voltam a colocar-me na mesmo posição ingrata. Em entrevista, diz ela, a propósito da maldade, a "observação muito clara e precisa dos seres humanos, absolutamente nada idílica". Ou: "não conheço muitas pessoas felizes, para falar com franqueza". O corpo e a nudez em Fome, o corpo e a nudez em Imaculados, a mágoa espiritual em Staudte - três ocorrências a que assisti, sem as ter previamente programado, deixaram-me muito cansado, quase arrasado. O país, a fronteira, a realidade, a definição do eu e do outro, a liberdade, eis assuntos que me levaram a pensar muito nestes dias.
A forza das minorías é o título do 32º Congresso Internacional do IBBY (International Board on Books for Young People), de 8 a 12 de Setembro de 2010, em Santiago de Compostela. Os temas do congresso são:
- Literatura infantil e juvenil: uma minoria no conjunto da literatura, - Literatura infantil e juvenil em línguas minoritárias: da diferença à sobrevivência, -Leitores em situação de minoria.
O logo do congresso e o cartaz, reproduzido no lado esquerdo, pertencem ao ilustrador galego Xan López Domínguez (Lugo, 1957).
O livro de Raul Simões Pinto, com fotografias de Gabriela Felício e prefácio de Helder Pacheco, intitulado As Tascas do Porto. Estórias e Memórias Servidas à Mesa da Cidade, foi editado em Novembro de 2007 e teve uma segunda edição em Janeiro de 2008. Descobri-o agora.
Se os cafés são espaços mais "educados" e "polidos" de discussão e formação da opinião pública, as tascas (ou tascos, no masculino) podem igualmente sê-lo, talvez numa versão mais rude ou popular (a interpretação é do autor da mensagem; estou aberto a críticas). No prefácio, Helder Pacheco aponta o "operariado das fábricas, do mar e da terra, em cujos bairros os tascos eram instituições obrigatórias". O mesmo prefaciador indica que os tascos (as tascas) é um mundo masculino fechado, pois, durante muito tempo, as crianças e as mulheres sérias não podiam entrar. E é à noite, continua, que lá se encontram os melhores amigos, com discussões abertas sobre coisas sérias: política, amores, problemas sociais, questões de honra ou de dinheiro. Acrescento eu: e futebol.
Pelo que pude ver através do Google, Raul Simões Pinto é licenciado em filosofia pela Faculdade de Letras do Porto, bacharel em Comunicação Social e com pós-graduação em Direito da Comunicação, organizador de feiras do Livro Alternativo, membro da comissão de utentes do Bairro da Pasteleira para a manutenção de carreiras de transportes públicos, fundador do fanzine Pé de Cabra, em 1979. Mais conhecido por o filho do 39, Eduardo Augusto (ou Dino), o proprietário de uma tasca na rua da Pasteleira, no número 39 - daí o apelido. Além das tascas e do fanzine, Raul Simões Pinto envolveu-se noutras aventuras literárias, como o livro Pasteleira City (não sei se o título é correcto) e e Putas à Moda do Porto, numa configuração de autor de escritas populares e marginais, possivelmente sempre à volta das gentes do bairro onde não nasceu, mas que o criou (Público, creio que de 25 de Dezembro último, pois acedi ao ficheiro em formato cache).
As Tascas do Porto. Estórias e Memórias Servidas à Mesa da Cidade é um livro fantástico: pelo levantamento das tascas actuais existentes no Porto, com base em pequenos inquéritos aos seus proprietários, que dão conta do que servem de comida e de bebida, ficando-se com um roteiro clássico desses locais; pela contagem das tascas já desaparecidas, o que permite ver a mudança de hábitos ou a reconfiguração dos locais, pois muitos são agora restaurantes, no apagamento da marca social do vinho e do embriagado, pelas memórias vividas pelo autor e por relatos de pessoas mais velhas, numa reconstituição de uma certa memória cultural e de formação do espaço público urbano e mais local (bairro, rua). Registo a página 31, onde fala de utensílios desaparecidos ou em vias disso: mosqueteiros de arame e rendas brancas no balcão, salgadeiras, escarradores, serrim para limpar o vinho derramado. E dos jogos: sueca, damas, dominó, com mealheiros de madeira com ranhura e nome do cliente, preparação de jogos de futebol popular entre solteiros e casados, com uma petiscada no fim e taça para a equipa vencedora. E que públicos flutuantes as frequentavam? Cauteleiros, azeiteiros (vendedores ambulantes com o seu burro de carga), carteiristas, fadistas, malabaristas, amoladores, e muitos mais.
The Institute of Communications Studies (ICS) and the Media Industries Research Centre (MIRC) at the University of Leeds invite papers for a 1½-day conference: Living Cultures - Contemporary Ethnographies of Culture. Date: Monday March 30 (pm) 2009, Tuesday March 31 (full day) 2009. Location: The University of Leeds, UK.
Keynote speakers: Professor Les Back (Professor, Department of Sociology, Goldsmiths College, University of London), author of The Art of Listening (2007) and New Ethnicities and Urban Culture: Racisms and Multiculture in Young Lives (1996), Professor Georgina Born (Professor of Sociology, Anthropology and Music, University of Cambridge), author of Uncertain Vision: Birt, Dyke and the Reinvention of the BBC (2004) and Rationalizing Culture: IRCAM, Boulez, and the Institutionalization of the Musical Avant-Garde (1995).
Conference theme: The ever-increasing importance of the cultural to the social brings with it a vital need to investigate the processes implicated in contemporary meaning making, symbolic consumption, production and mediation. Recent scholarship from across the social sciences has sought to take up this challenge by examining the multifariousness of cultural materials-in-use, continuities and ruptures in the production/consumption of culture, the expanded purview of cultural policy and the effects of an expanding 'cultural economy'. Through its careful attention to the irreducibility of human experience, ethnography has revealed an enduring ability to usefully intervene in debates within these arenas, making explorations into culture and cultural practice a quasi-specialism of ethnographic study. Yet how might 21st century ethnography better attune itself to the opportunities and challenges implied by attempts to understand contemporary culture and cultural experience 'from the inside'? Indeed, what limitations or boundaries are implied by efforts to study different cultural practices through ethnography and what might this mean for ethnography's contribution to social theory? Contributions are invited from ethnographers willing to reflect on such questions and to share the methodological, substantive and theoretical insights gleaned, as well as the problems encountered, in the course of their own ethnographies of culture. The conference should be of interest to scholars and particularly ethnographers from within sociology and social policy, media and communications studies, cultural studies, social/cultural anthropology and other allied disciplines. Proposal deadline: abstracts (250 words max) should be sent, by Tuesday 20th January2009, to the organising committee at: email: ics-conferences@leeds.ac.uk, or mail to: Dr Eleri Pound, Living Cultures Conference, Institute of Communications Studies, 16 Clarendon Place, The University of Leeds, Leeds, LS2 9JT, UK.
Organising committee: Dr Mark Rimmer (convenor), Professor David Hesmondhalgh, Dr Chris Paterson, Dr Eleri Pound, Anna Zoellner, all of the Media Industries Research Centre, University of Leeds.
A Atalanta Filmes, em parceria com Le Monde Diplomatique, vai organizar três debates em torno do filme A Valsa com Bashir, filme de animação cujo tema é a recuperação da memória de um soldado israelita participante na guerra do Líbano de 1982 (ver meu comentário aqui no Indústrias).
O filme já recebeu diversos prémios, como o de Melhor Filme Estrangeiro nos British Independent Film Awards, o de Prémio do Público em Varsóvia e está nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Os três debates terão lugar no Cinema King, à Av. Frei Miguel Contreiras, 52 A, em Lisboa:
16 de Janeiro, filme (21:30) e debate (23:00): “A Primeira Guerra do Líbano: os massacres de Sabra e Chatila”, com António Elóy, Vice-presidente da Amnesty International Portugal; José Goulão, jornalista do Le Monde Diplomatique; Lumena Raposa, jornalista do Diário de Noticias.
23 Janeiro: “ O Trabalho de Memória e os traumatismos do Pós-Guerra” com Esther Mucznik, Vice-Presidente da Comunidade israelita e especialista da transmissão da memória e das suas políticas; psiquiatra Afonso Albuquerque; António Louçã, historiador e jornalista da RTP.
30 Janeiro: “A Utilização do cinema de animação”. Participantes a confirmar.
A próxima edição do Sexta já não vai sair. O semanário gratuito pertencia às empresas editoras do Público e de A Bola e foi lançado em Outubro de 2007.
A Escola das Artes (Universidade Católica Portuguesa) vai abrir o I Curso Livre de Artes Decorativas Portuguesas, entre 7 de Fevereiro e 9 de Maio de 2009 (sábados, das 10:00 às 13:00).
Com duas opções de frequência (integral ou modular), o presente curso visa a abordagem de algumas das áreas mais originais das Artes Decorativas Portuguesas: Talha, Azulejaria, Mobiliário e Têxteis.
A rua da Galeria de Paris (freguesia da Vitória, Porto) foi aberta em 1903, no quarteirão anteriormente ocupado pelo convento das Carmelitas (a partir da Wikipedia). A ideia original era construir uma cobertura envidraçada, de modo semelhante às galerias parisienses. Por isso, o nome. Sempre me lembro dos grandes armazéns na rua, de que se conservam ainda poucos exemplares, como o de Marques Soares. Ainda conforme o texto da Wikipedia, o armazém Fernandes, Mattos & C.ª é uma casa de tecidos fundada em 1886 (este e outro armazém de tecidos podem espreitar-se nas duas últimas imagens). Devido a ser construído no começo do século XX, os edifício têm uma forte influência da Arte Nova, caso do número 28.
Mais recentemente (2007), abriu a Casa do Livro, bar criado numa antiga livraria, seguido do Café au Lait, com saladas, quiches e chás durante o dia e música recriada por dee-jays à noite. Ainda há menos tempo, surgiram o Galeria de Paris (nas duas imagens acima) e o La Bohème, este com uma atmosfera retro, ainda segundo o texto da Wikipedia.
Raquel Pinheiro, do Público, escreveria sobre o Galeria de Paris, lembrando-se do Deux Moulins, o café do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A mim, não me parece, mas é agradável a semelhança, porque lembra conceitos de cafés, onde se dão encontros e se estabelecem diálogos. A jornalista lembra o anterior negócio do armazém, pertença dos tecidos de Tito Cunha (recordo-me da publicidade aos armazéns muitos anos atrás nas rádios da cidade). Agora, Laïs Costa e José Albuquerque, os proprietários do espaço de encontro e lazer, decoraram o local com estantes cheias de colecções como jogos, máquinas de filmar, vidros de farmácia, brinquedos, peças de cerâmica (sigo o artigo do jornal).
A ideia, recolhida dos textos lidos, é criar naquela e ruas adjacentes um espaço de movida como o do Bairro Alto em Lisboa. Boa sorte, Porto.
Li agora no Público online que João Bénard da Costa, director da Cinemateca Portuguesa desde 1991 e seu subdirector de 1980 até Julho desse ano, vai sair da instituição. A notícia aponta razões de saúde. Pedro Mexia, subdirector da instituição desde o ano passado, assume o cargo interinamente até à nomeação do novo director.
Apesar da data de publicação de meados de 2008, o relatório sobre indústrias criativas do AIM/ESRC Business Engagement Project (escrito pelo AIM - Advanced Institute of Management Research e financiado pelo ESRC - Economic and Social Research Council), intitulado AIM/ESRC Business Engagement Project - Creative Industries está a ter agora uma grande discussão na internet (e nos blogues).
Os investigadores (Jonathan Sapsed, Juan Matoes-Garcia, Richard Adams e Andy Neely) encontraram seis temas que constituem as prioridades de gestão nas indústrias criativas do Reino Unido: 1) impacto das ferramentas de distribuição digital, 2) colaboração e relações com entidades externas, 3) inovação e alteração dos modelos e mercados, 4) processo criativo, 5) gestão de capacidades, 6) pequenas empresas e crescimento.
A síntese pode ser lida aqui e o texto completo aqui. O blogue Podnosh, em texto colocado no primeiro dia deste ano, faz uma análise ao relatório em quatro pontos: 1) há necessidade de mais estudos para se perceber as necessidades das indústrias criativas, nomeadamente capacidades técnicas e de gestão, 2) destaque da criação de produtos e serviços dos próprios utilizadores, o que exige o cruzamento de capacidades e conhecimentos interdisciplinares nos domínios da gestão, técnica, política e jurídica (incluindo o download de ficheiros), 3) relação do Reino Unido com os mercados internacionais, caso da externalização de actividades (videojogos online, filmes de elevado investimento), 4) mobilidade de pessoas, polinização de ideias, oportunidades ainda não realizadas de convergência tecnológica e de mercados, aplicações em novos domínios.
A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em colaboração com a Youth Press Portugal, apresenta o 1º Prémio Nacional de Jornalismo Universitário realizado em Portugal (ver o sítio respectivo). O prémio é dirigido a alunos de cursos de Jornalismo e Comunicação nacionais. Os trabalhos terão de ser apresentados em formato de Televisão, Rádio, Imprensa, Multimedia ou Fotografia e não podem ter sido publicados em nenhum meio de comunicação social. Devem ser enviados até 20 de Março de 2009.
As reportagens serão avaliadas de acordo com o seu valor jornalístico e o reconhecimento dos trabalhos socialmente relevantes. O Prémio encerrará com um Ciclo de Apresentação das Reportagens, nos dias 2 e 3 de Maio (Dia Mundial da Liberdade de Imprensa), onde alunos concorrentes, júri e auditório poderão debater os trabalhos em concurso e o jornalismo.
A Comissão Científica é constituída por Cristina Ponte, Pedro Coelho (jornalista da SIC), Jacinto Godinho (jornalista da RTP), António Granado (jornalista e editor do Público), Alberto Arons de Carvalho (deputado e jurista), todos professores da Universidade Nova de Lisboa, e Pedro Loureiro (fotógrafo). O júri tem presidentes nas várias áreas: Fernando Cascais (Imprensa), Sofia Vieira (Rádio), Céu Guarda (Fotografia), Paula Sá (Multimedia) e Ricardo Costa (Televisão).
A iniciativa pretende, como informam os organizadores, "criar nos estudantes de jornalismo a dinâmica de produção de matérias socialmente relevantes para que no futuro, enquanto profissionais, trabalhem no sentido de despertar consciências. Para além disso é objectivo do evento proporcionar uma interacção efectiva entre profissionais e estudantes, bem como contribuir para o reforço das competências práticas que devem estar associadas a um ensino cada vez mais integrado, ou seja, aliança entre as componentes teórica e prática".
A informação recebida não indica qual o tipo de prémio a atribuir nem modalidades do mesmo.
O título da mensagem parece equívoco. A realidade é que, segundo a newsletter de hoje do European Journalism Centre, se a música gratuita foi sempre popular, dados estatísticos da Amazon indicam que ela também pode vender. Exemplos: a banda Trent Reznor's Nine Inch Nails com a primeira parte de Ghosts I-IV, via BitTorrent, tornou-se o álbum mais vendido em 2008 na loja de mp3 da Amazon; In Rainbows, dos Radiohead, gratuito durante a parte final de 2007, ficou igualmente no top dos dez mais vendidos no ano agora acabado.
A notícia do European Journalism Centre aponta para a importância das bases de fãs em torno de bandas musicais, que acabam por ter um maior poder que os canais tradicionais da indústria. Fred Benenson, do blogue com esse nome, entende que os fãs pagam directamente a música para manterem vivas as bandas favoritas.
Com um novo layout e outras funcionalidades, a Rua de Baixo está de volta. Cinco anos depois de iniciar a actividade, os seus responsáveis continuam "empenhados em contribuir de uma forma activa para o enriquecimento da cultura nacional, disponibilizando todos os meses uma selecção de temas e conteúdos que procuram ir ao encontro das expectativas dos nossos leitores". Bom regresso.
Escreve Rui Cintra, na mais recente Agenda Cultural de Lisboa: "A renovação da cultura faz-se também pela incursão em novos territórios e no ensaio de novas formas de expressão, o que vem correspondendo à criação de novas profissões". Entre elas, estão o dj'ing, o vj'ing, o grafitter, o curador, o argumentista e o mc.
Das palavras menos conhecidas: o vj'ing (vídeo jockey) produz ambientes com imagens a acompanhar músicas e que podem ser pré-produzidas ou combinadas e trabalhadas em tempo real; o mc é, na gíria do hip-hop, aquele que escreve rimas (as imagens na reportagem são de Vera Correia).
"O gráfico da evolução mensal do share de audiência para os últimos 24 meses mostra que a TVI mantém a liderança das audiências de televisão e que a SIC e a RTP1 estão praticamente «empatadas», com a RTP1 a colocar-se na segunda posição pelo quarto mês consecutivo, apenas a uma décima da SIC" (Marktest).
Aprovada hoje, na Universidade Nova de Lisboa, e de autoria de Dora Santos Silva, com a nota qualitativa máxima.
Com o título A cultura no jornalismo cultural. Contributos para uma redefinição e ampliação do jornalismo cultural português, no contexto das indústrias culturais e criativas, a investigadora analisou dois jornais diários (Público e Diário de Notícias) e revistas de tendências (NEO2, N&Style, Umbigo, DIF). No caso dos diários, as indústrias cinematográfica (estreias, DVD, entrevistas a actores) e discográfica (lançamento de CD, concertos e entrevistas a músicos) são as áreas com mais notícias. Para a autora, o impacto do cinema e da música devem-se ao peso das grandes produtoras, que alimentam celebridades e desenvolvem estratégias de comunicação e de divulgação eficazes. A programação da televisão ocupa muito espaço no Diário de Notícias, enquanto a indústria discográfica atinge 50% do espaço de cultura no Público. Outras áreas das indústrias culturais como arquitectura, moda, artesanato, design, software de lazer e modos de vida têm espaço residual. No caso das revistas de tendências, Dora Santos Silva considera que muito do trabalho ali realizado é feito por agentes de marketing e não por jornalistas, o que desqualifica a informação, apesar da importância das revistas pela análise das novas tendências de consumo.
O cartão myZONcard da Lusomundo, que permitia aceder gratuitamente ao cinema, foi suspenso pela Autoridade da Concorrência, na sequência de queixa apresentada em Dezembro por um grupo de operadores cinematográficos.
Para o produtor Paulo Branco, do grupo de exibição Medeia Filmes, a decisão foi uma "vitória do bom senso".
É a nova directora de informação da Renascença, sucedendo a Francisco Sarsfield Cabral. Graça Franco integra os quadros da Renascença há onze anos, onde era directora-adjunta.
Licenciada em Economia, trabalhou já no Diário de Notícias, Independente, Público e canal de televisão TVI. Foi também docente na Universidade Nova de Lisboa.
Acusa Paulo Branco, detentor das salas de cinema da Medeia Filmes, perante a oferta de 40 milhões de bilhetes de cinema gratuitos lançados pela ZON Multimedia, com a oferta do cartão myZONcard e válido nas mais de 200 salas de cinema exploradas pela ZON Lusomundo. Diz o comunicado de Paulo Branco: "Foi assim que, apoiando-se na sua já posição dominante na distribuição, exibição e canais cinema cabo, o grupo ZON lançou uma campanha que oferece, deliberadamente, num mercado onde se registam, anualmente, a venda de 15 milhões de bilhetes de cinema, cerca de potenciais 40 milhões de entradas gratuitas de cinema nas salas da ZON Lusomundo".
Tal ditará, ainda segundo o mesmo produtor, distribuidor e exibidor, no "fim, a muito curto prazo, da existência de qualquer outro operador que não a Lusomundo no mercado da exibição cinematográfica em Portugal", bem como a exibição de cinema independente em Portugal, caso de grande parte dos filmes europeus ou de cinematografias menos divulgadas.
Paulo Branco, que dará uma conferência de imprensa amanhã às 12:30 no espaço Media (Monumental), espera que a Autoridade para a Concorrência se pronuncie desfavoravelmente à campanha da ZON.
Tirar fotografia começou a ser uma prática regular no final do século XIX. Foi quase nessa altura que abriu actividade a Foto Beleza no Porto. O espólio da casa fotográfica foi adquirido há meia dúzia de anos. O comprador, Mário Ferreira, comprou mais de meio milhão de chapas de vidro, a maioria retratos, e também as máquinas fotográficas. Agora lançou o Espólio Fotográfico Português e um volume que dá a conhecer a riqueza e variedade do espólio da Foto Beleza (a partir de peça jornalística de Sérgio C. Andrade, Público de hoje).
Naquele sítio da internet, escreve o historiador Fernando Sousa:
"Contudo, a fotografia sofreu também um processo de banalização. O período áureo da circulação dos postais ilustrados em Portugal – início do século XX – foi também aquela época em que todos puderam e quiseram ter acesso à fotografia. Mesmo as famílias mais humildes dos locais mais recônditos poderiam agora tirar o seu retrato, deslocando-se a qualquer núcleo urbano mais próximo de pequena dimensão, uma vez que os fotógrafos profissionais espalhavam-se já praticamente por todo o país. Para os estratos populares das regiões mais interiorizadas, o primeiro retrato fotográfico era um objecto de grande significado e, por vezes, de certa negação da sua própria condição social, ao ponto de ser habitual pedir às pessoas mais abastadas da terra o empréstimo das roupas que iriam aparecer no retrato (especialmente no que tocava às crianças)".
Edgar Allan Poe (19 de Janeiro), Felix Mendelson e Simone Weil (3 de Fevereiro), Carmen Miranda (9 de Fevereiro), Soeiro Pereira Gomes (14 de Abril), Elia Kazan (7 de Setembro) e muitas outras figuras fazem cem anos de nascimento este ano.
Com menos idade, comemoram-se em 2009 os 40 anos do festival de Woodstock, 30 anos dos Xutos & Pontapés e 10 anos da morte de Amália Rodrigues.
Exposições, edições e acontecimentos especiais marcarão essas efemérides.
Fonte: Nuno Galopim (Diário de Notícias de hoje)
Actualização às 22:09: em 2009 também se comemora o centenário da morte de Joseph Haydn (31 de Maio de 1809). Obrigado a um leitor atento, fã do compositor austríaco.
O Público e o Diário de Notícias subiram para um euro. Está desfeita de vez a paridade jornal-café, equilíbrio que existia há vinte ou trinta anos. O café ainda se encontra em alguns locais a cinquenta cêntimos, embora o valor vá subindo para os 55 ou 60.
A Padaria Flôr do Paraíso emoldura a capa do livro de Zilda Cardoso A Rua do Paraíso, que eu comentei aqui.
Numa espécie de eterno retorno, voltei à rua e fotografei a fachada da padaria. Comparada com a fotografia da capa do livro, a minha é mais triste: persianas fechadas, ausência do reflexo do sol, feia caixilharia da loja, cores mais baças. Possivelmente o mesmo acontece com a rua - esta pareceu-me desolada, sem comércio local visível. No livro de Zilda Cardoso, esse comércio local era forte, gerando pequenos empregos e com muito movimento de gente. Talvez houvesse vendedores ambulantes de azeitonas e de peixe de qualidade duvidosa, pregões de cautelas da lotaria, crianças a brincar e a correr na rua. Hoje, a rua acolhe automóveis, estacionados em lugares delimitados no chão por traços quadrangulares, e as compras fazem-se noutro sítio.
Paula Moura Pinheiro faz a capa do número de Janeiro de 2009 da agenda cultural de Oeiras. Ela, moderadora do projecto da Câmara de Oeiras Dez Luzes num Século Ilustrado, no ano em que aquele concelho faz 250 anos, é entrevistada por Carla Rocha.
Mas a publicação tem outros pontos de interesse, como a referência ao Blurb, comunidade on-line que permite construir livros digitais no modelo self-publishing e, simultaneamente, editar, partilhar, promover e vender essas obras (texto de Maria José Amândio). Ou o projecto Café com Letras, cujo êxito de 2008 se quer ver repetido no ano que agora se inicia, mas remodelado: em vez de centrado no escritor, "irá convocar outras leituras, outras formas de falar, discursar e significar o mundo pela palavra e pela imagem. Do teatro, à música, passando pelo cinema e pelas artes plásticas". E as feiras de velharias. E o teatro Boa Noite Mãe, de Marsha Norman, a partir do dia 23, às sextas, sábados e domingos, no Auditório Municipal Eunice Muñoz. Com Manuela Maria e Sofia Alves, e direcção de Celso Cleto.
Até ao dia 13 de Janeiro, Alfredo Coelho (à direita na imagem em baixo) expõe na galeria de Paulo Santos, na rua do Poder Local, 6, à Pontinha, em Lisboa, com o título Duplo Sentido. Nascido em 1959, o autor dedica-se exclusivamente às artes plásticas desde 1980, nomeadamente pintura, fotografia, escultura e vídeo.
Hoje, a discussão sobre o conflito israelo-palestiniano no fórum do Público online (comentários às notícias do jornal) está difícil de controlar, como notou há minutos o editor do jornal:
04.01.2009 - 21h41 - António Granado, Editor do Publico.pt
Agradecemos a todos os comentadores que não utilizem este fórum para se insultar mutuamente. Os comentários do Público devem permitir um debate saudável entre os participantes, ainda que com posições diferentes sobre o conflito. Continuaremos a apagar, como fizemos durante todo o dia de hoje (ainda que não com a rapidez que gostaríamos), todos os comentários que não respeitem os critérios de publicação.
Os planos iniciais de A Valsa com Bashir são de uma simultaneamente grande beleza e terror: cães pretos de olhos amarelos e dentes afiados (parecem lobos) em grande corrida na direcção de um homem que espreita à janela da sua casa. Alucinação de um antigo soldado israelita que matara cães na guerra do Líbano de 1982.
O filme, um documentário em forma de animação, com entrevistas a antigos soldados na frente de combate israelita dessa guerra, psicólogos, políticos, narra a redescoberta (ou recuperação da memória) de Ari Folman, o realizador do filme e ele próprio soldado nessa época. A lenta recordação dos massacres de campos de refugiados palestinianos em volta de Beirute, como vingança pelo assassinato do recém-eleito presidente Bashir Gemayel, exerce uma forte pressão sobre os espectadores. Mesmo que se trate de um filme de animação, a descrição dos acontecimentos e as histórias que ele conta são de um grande realismo.
Nos dias em que decorre uma nova guerra em que entram israelitas e palestinianos, agora na Faixa de Gaza, o filme não deixa de ser oportuno. Por nos mostrar os horrores da guerra, o pouco valor da vida humana (em especial os cidadãos inocentes), o medo dos que são retirados de suas casas com destino incerto e o igual medo nos jovens soldados israelitas. Estes, após a guerra, procuram esquecer o medo e o horror, para que a vida pareça continuar igual.
A valsa é, afinal, a do soldado que se julga valente e pretende atravessar a estrada para o outro lado e surpreender os adversários, mas que acaba por não conseguir. Quanto tempo dura esse acto? Cinco segundos, quinze segundos, meio minuto? Parece uma eternidade o que não passa de um movimento em direcção à morte.
A Igreja da Lapa, com um carácter neoclássico de grande nobreza, cheia de colunas e frontões, começou a ser construída na década de 1780 [na imagem, interior da igreja decorada para a época natalícia]. Das torres, uma concluiu-se em 1855 e a outra, a do lado nascente, agora em restauro, em 1863. A igreja tem um significado especial: na capela-mor, está o coração do rei D. Pedro IV, que a sua viúva ofereceu à cidade.
Quando a cidade cresceu no começo do século XIX em direcção a norte, a igreja ficou num local esplêndido, situado num alto que se começava a povoar. Perto dela, duas ruas de grande importância: rua de Antero de Quental (antiga rua da Raínha) e rua de Camões, esta a dar directamente para a Câmara Municipal e o centro da cidade. O principal quartel da cidade, mesmo em frente à igreja, ilustrava a importância da zona. Indústrias e serviços tiveram grande destaque no começo do século XX, misturando-se classes altas e populares, que a igreja atendia igualmente.
Embora publicitado na coluna da direita deste blogue, lembro a conferência internacional de Media e Desporto, a realizar na Universidade Católica nos dias 22 e 23 de Janeiro.
Durante anos, na minha adolescência inicial, o jardim da Praça da República, no Porto, parecia-me um espaço urbano ligado à natureza maior que qualquer outro. O condutor do eléctrico, quando parava no final da linha, gritava "Cáááuuumpu" (do nome original: Campo de Santo Ovídio). Os anos encarregaram-se de estabelecer comparações e diminuir muito a dimensão e afastar a acentuação da palavra. Reparo agora no casario a leste: casas de dois a cinco andares e frente reduzida, como se fossem legos facilmente desmontáveis. Nos dias de Verão, as pessoas mais idosas sentam-se nos bancos do jardim, a conversar ou a ver o movimento, enquanto escassas crianças correm. Não me lembro de ver homens a jogar cartas.
Duas páginas a escrever sobre televisão de 2008 parece-me muito. Mas há, assim, espaço para melhor se perceberem as tendências da televisão por comparação a 2007, segundo Eduardo Cintra Torres, hoje no Público: menos documentários, pouca ficção interessante, nenhum evento nacional de destaque, nenhum magazine de interesse. Logo, programações mais medíocres.
O mesmo Público de hoje edita uma importante entrevista com François Dubet, sociólogo francês, a propósito da revolta dos estudantes gregos e da probabilidade de exportação para os países da Europa do sul: filhos da classe média com excesso de qualificações para trabalhos precários, taxas de desemprego elevadas, reformas educativas emperradas.
A actual guerra na Faixa de Gaza entre israelitas e palestinianos provoca posições diferentes no Público: José Pacheco Pereira, com enorme lucidez como sempre, indica as razões de Israel; Annie Lennox, o ex-mayor de Londres Ken Livingstone e Bianca Jagger estiveram ontem no lançamento de uma campanha contra os bombardeamentos israelitas, antecipando a manifestação de hoje na capital inglesa. Gostaria de ser salomónico, mas o conflito é grave e ambas as partes têm muitas culpas. Apesar disso, eu estaria presente, se pudesse, na manifestação londrina. Para mim, o desproporcionado peso da força militar a favor dos israelitas consegue ser mais violento do que o fundamentalismo dos dirigentes palestinianos de Gaza.
No Expresso de hoje, o economista Luís Mergulhão antevê um ano muito mau para a publicidade. Se, em 2007, houve um crescimento de 4,5%, no ano agora concluído, deu-se um decréscimo de 1,1% a preços correntes, esperando-se um grande agravamento (8,2%) para 2009. O ponto de partida de Mergulhão é que a publicidade antecede as crises e a retoma. Ora, um decréscimo tão acentuado no investimento publicitário, semelhante ao existente em 2001/2002 (9,2%), deixa prever um ano muito difícil, como todos os analistas estão a anunciar.
O sector da publicidade, continua a ler-se no mesmo texto, é importante como veículo de comunicação das marcas e serviços mas igualmente como sector de actividade económica, gerador de riqueza e de postos de trabalho.
Para Anthony Smith, o aparecimento de um novo meio traduz-se na procura da abundância e na imagem do consumidor individual. Muitos dos novos aparelhos electrónicos trazem armazenamento e distribuição de texto, o mesmo acontecendo com aparelhos de imagens fixas ou em movimento, com processamento e armazenamento de dados.
Há dois desenvolvimentos distintos. O princípio Gutenberguiano, firmemente enraizado na cultura, dava conta da ideia da informação ser naturalmente multiplicada em cópias físicas até que o número de cópias se aproximasse do número de pessoas que desejavam recebê-la. Com o audiovisual, o princípio Gutenberguiano desapareceu, surgindo o princípio Alexandrino. Neste, uma única cópia existe na gravação original ou no espectáculo ao vivo, alcançando a sua audiência sob a forma não-material. Uma gravação física pode ser gerada no recipiente individual mas está ausente a multiplicação em massa de matéria física, como o jornal ou o livro. Usa-se a imagem de Alexandria porque ela sugere um grande armazém de material considerado totalmente idêntico, e avaliado apenas por aqueles que a escolhem.
Uma base de dados moderna é, em certo sentido, a versão electrónica do princípio, onde o material se adiciona a um armazém central de acordo com métodos fixos e aceites. No campo das imagens em movimento, o mundo constrói-se como armazém de materiais creditados, com a rede de transmissão a servir de sistemas de distribuição. Num sistema de banda larga, um indivíduo pode escolher a disseminação electrónica de um só item dentro de um conjunto vasto de produtos vídeo.
Um outro aspecto do princípio Gutenberguiano dissolvente é que a distância tivera um papel na fixação do custo da comunicação de qualquer tipo. Com a emergência de um sistema electrónico torna-se cada vez mais claro que a distância é um factor de decrescente peso no custo, quer em termos de recolher a informação quer em redistribui-la. Apesar da atmosfera de mudança efervescente que pontua a vida dos media de informação, as tecnologias básicas e as formas de conteúdo têm mudado muito lentamente. Pode-se olhar, por exemplo, para a novela e o jornal como emanações directas da imprensa e notar como cada uma mudou num século. A película cinematográfica, estabelecida em 1897, permanece semelhante nos dias de hoje. O desenvolvimento do celulóide acabou no final da década de 1880 e a fita cinematográfica começou a ser experimentada em 1895.
Um jornal impresso em qualquer língua numa mesma data é semelhante em qualquer parte do mundo, com muitos conteúdos semelhantes – puzzles, notícias, editoriais, recensões. A rádio e a televisão desenvolveram-se mais rapidamente. Mas, para cada novo desenvolvimento - da válvula ao tubo de raios catódicos, do sinal a cores até aos transístores e cabos –, foi necessário mais de 15 anos para se afirmar no mercado. Em todos os novos media, a parcela de investimento correspondente à audiência é cada vez mais elevada, e as empresas de equipamentos são as mais interessadas nesse desenvolvimento. A audiência tem de comprar ou alugar o receptor e o gravador, o descodificador de cabo, a caixa do videotexto. Com a chegada da televisão por satélite, o custo unitário cresce substancialmente.
Reproduzo textualmente uma informação do Ministério da Cultura brasileiro de 19 de Dezembro último, sobre a criação do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual:
Ancine lança Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual
Desde a extinção da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) e do Conselho Nacional de Cinema (Concine), no início dos anos 90, o Estado não divulga de maneira periódica e sistemática informações e análises técnicas sobre o mercado audiovisual. Este hiato de quase duas décadas marcado pela ausência de dados oficiais está sendo interrompido nesta sexta-feira (dia 19 de dezembro), com o lançamento do Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual (O.C.A.) pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE).
O O.C.A. é um espaço dedicado à publicação de dados e análises técnicas sobre a atividade audiovisual no Brasil e pode ser acessado no endereço eletrônico www.ancine.gov.br/oca. Lá estão disponíveis informações sobre o mercado de salas de cinema, além de relatórios contendo números compilados sobre a distribuição no segmento de vídeo doméstico e sobre as programações das TVs abertas e por assinatura.
“Estamos nos estruturando para transformar o espaço da ANCINE na internet num centro de informações e de referência sobre o cinema e o audiovisual brasileiro, e o Observatório é um passo importante nesta direção”, afirma Manoel Rangel, diretor-presidente da ANCINE, acrescentando que, no futuro, o objetivo da Agência é integrar uma rede internacional de observatórios do audiovisual.
O O.C.A. está dividido em cinco seções. A seção ‘Notas Técnicas e Informes’ apresenta informações semanais e mensais sobre o segmento de salas de cinema, elaboradas com base em dados primários coletados pelos sistemas de acompanhamento de mercado da ANCINE. É a primeira vez que a Agência disponibiliza esses dados. Em breve serão publicadas informações atualizadas também sobre o segmento de vídeo doméstico, compiladas a partir de dados primários recolhidos dos próprios agentes de mercado, conforme prevê a Lei nº 11.437, de dezembro 2006. Nesta seção também estão publicadas notas técnicas produzidas pelo corpo técnico da ANCINE contendo análises sobre o comportamento do mercado.
Na seção ‘Relatórios’ estão disponibilizados dados sobre o mercado audiovisual brasileiro, recolhidos de diversas fontes, primárias e secundárias. Nesse mesmo espaço há referências históricas sobre o mercado de cinema, como, por exemplo, relatórios produzidos no período da Embrafilme.
Há também o espaço ‘Teses e Monografias’, ainda em construção, que será destinado à publicação de trabalhos acadêmicos, estudos, artigos e resenhas sobre o mercado audiovisual. A perspectiva é transformar essa seção em espaço para interlocução com as universidades brasileiras, estimulando a pesquisa no campo do audiovisual.
Em ‘Metodologia e Índices’ podem ser acessadas informações referentes à metodologia de coleta de dados, além de alguns índices macroeconômicos sobre o Brasil que possam servir como referência para usuários de outros países. Na seção ‘Dados do Mercado Internacional’ o usuário encontra os principais sítios contendo informações sobre o mercado audiovisual de outros países.
“Com a implantação do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, haverá maior compartilhamento de informações e transparência com relação aos números do mercado, possibilitando a todos um melhor planejamento e uma política pública organizada de forma mais sistêmica e articulada”, conclui o diretor-presidente da ANCINE.
A TV COIMBRA foi fundada em 20 de Julho de 2006 e o seu director é Filipe Jorge. Ontem e hoje, colocaram diversos vídeos sobre a cidade e várias actividades no blogue TV COIMBRA, denotando um renovado dinamismo. Desejo felicidades à equipa da TV COIMBRA.
Os números de 2008 continuam a dar a primazia à TVI em termos de liderança das audiências, com 30,5% de share (aumento face a 2007, que foi de 29%), segundo dados da Marktest. A SIC ficou no segundo lugar, com 24,9% de quota de audiência relativamente ao tempo total a ver televisão (embora desde Setembro, o segundo lugar seja da RTP1), a RTP1 com 23,8%, a RTP2 com 5,6%. Os programas mais vistos foram os jogos de futebol, que têm beneficiado a RTP1, embora os canais comerciais estejam a fazer (ou venham a fazer) igualmente transmissões desse desporto.
Segundo os números da APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem), os primeiros nove meses de 2008 foram melhores face a período homólogo de 2007 quanto a vendas de jornais: o Correio da Manhã chega quase a 120 mil jornais diários, o Jornal de Notícias aos 104 mil, o Público a 42 mil, o Diário de Notícias a 41 mil e o 24 Horas atinge 38 mil.
Anthony Smith, em Books to bytes. Knowledge and information in the postmodern era (1993), trabalha a ideia da abundância com as tecnologias de informação. Na final do século XX, houve um grande aumento em termos de interacção e convergência de máquinas de texto e de imagem. Mas essa propensão vinha da época vitoriana, expresso em equipamentos como os de Bell (telefone) e fonógrafo (Edison).
Mais visíveis que o telefone e o cinema foram os sistemas de estradas e ferrovias, o que atraiu a atenção dos historiadores sociais. Mas há fortes diferenças: 1) o transporte facilitou a suburbanização no século XX, 2) as comunicações exerceram poder na mudança das “imagens” de diferentes partes da cidade. Cada nova onda de aparelhos registou uma evolução da estrutura da cidade, no desenvolvimento da vizinhança e na estrutura da família. Os cinemas nos anos 1920 e 1930 levaram as pessoas a sair de casa; a televisão nos anos 1950 redireccionou o lar como o centro da família. Hoje, os múltiplos aparelhos dividem a família e reindividualizam-na, permitindo e encorajando um novo micro-consumismo.
A invenção de Daguerre foi um desenvolvimento natural das capacidades no trompe l’oeil. Na Grande Exposição de 1851, o estereoscópio fascinou as multidões. A imagem em movimento dos Lumière captou a imaginação contemporânea na década de 1890, apresentando cenas da vida real num minuto, como o comboio a chegar à estação, os trabalhadores a sair da fábrica, o jardineiro com a mangueira [algumas das imagens dos Lumière podem ser apreciadas no pequeno vídeo abaixo, publicado já no blogue em 11 de Setembro de 2006].
Anthony Smith chama a atenção para o facto de a evolução da tecnologia concentrar-se em interacções e dependências – social, artística, técnica e intelectual. O trabalho de Marconi na rádio ocorreu no mesmo momento do dos irmãos Lumière no cinema; Zworikyn (cinescópio do televisor) estava a trabalhar nos princípios básicos da televisão na mesma década do trabalho principal de Méliès. Criaram-se simultaneamente sistemas de regulação para o telégrafo e para o telefone. A televisão e a rádio têm um feixe comum de técnicas cujo ímpeto conduz a uma aspiração comum.
Leitura: Anthony Smith (1993). Books to bytes. Knowledge and information in the postmodern era. Londres: British Film Institute
O sétimo episódio no texto de Michele Hilmes enquadra o período de 1965 a 1975, no que ela designa por sistema clássico das redes. Considera que o conjunto de fenómenos sociais que falamos dos anos de 1960 começou depois de 1965 e continuou até meados da década seguinte. Manifestações, greves, Black Power, movimentos de libertação das mulheres, protestos contra a guerra do Vietname, flower power, cultura da droga, pílula, confrontos com a polícia, amor livre, hippies, gurus, registaram-se em vários locais – Chicago e Berkeley, mas também em Paris, Praga, Tóquio e Cidade do México (1968).
Se quisermos ser mais precisos, a década de 1965 a 1975 foi turbulenta. A emergência do PBS (serviço público de rádio e televisão) em 1968 reflecte o que falhou nas redes comerciais: programas educativos para as crianças, programas e séries sobre questões públicas e políticas, cobertura de arte e cultura, inclusão de programas para as minorias raciais, outras iniciativas públicas. As redes comerciais esforçaram-se por criar programas orientados para os jovens, grupo etário cada vez de maior interesse económico.
A televisão, com críticas de direita e esquerda sobre a perda da sua credibilidade e com o crescimento dos movimentos dos direitos raciais e das mulheres, desafiada pelas tecnologias, por grupos industriais rivais e pelos cidadãos activos, procurou um novo caminho. O realce pelos direitos dos consumidores e as mudanças na regulação industrial apontam a direcção que seria dominante em 1980: movimento de desregulação, em especial na administração Reagan. A noção de controlo centralizado passou para os media, que fora quebrada no começo dos anos de 1930, deu origem à competição, diversidade e escolha do consumidor.
O oitavo capítulo vai de 1975 a 1985, quando se processa o crescimento do descontentamento, na designação da investigadora. O que sucedeu nesse período? Camisas de polyester, John Travolta, disco, desemprego para os licenciados, cocaína, Hill Street Blues. A década de 1970, numa atmosfera de doença económica e social, produziu fissuras significativas no sistema clássico das redes. Através da combinação da desregulação, crescimento da tecnologia de cabo e de satélite, e proliferação de canais e programas, a concorrência e a diversidade e escolha substituiram a escassez e as obrigações do interesse público (sempre esquecido) e o controlo centralizado. A televisão por cabo criou formas numerosas, dos supercanais aos canais de nicho e aos canais de cabo por pagamento, com a televisão a dirigir-se a grupos anteriormente marginalizados como afro-americanos, hispânicos, crianças, mulheres e com interesses especializados.
O nono capítulo abarca os anos de 1985 a 1995, período de grande mudança. A década viu nascer um universo de grande expansão de redes, canais, programas, nichos e segmentos de audiência concorrendo com a nossa atenção fragmentada, com a internet a expandir-se fortemente na década de 1990. De limitado, o sistema clássico de rede de antes de 1980 conduziu a uma abundância multicanal. As indústrias conheceram um período de fusões e consolidações, com ligação das audiência aos modos de expressão e regulação. Um discurso distópico de fragmentação, dissolução e decadência surge lado a lado com previsões utópicas de acesso, democracia, escolha e liberdade. O final da década de 1980 e os anos seguintes foram um período de descentralização, desregulação, fragmentação da audiência, mais fusões e novas estratégias de programação.
O décimo episódio é designado por Hilmes por convergência digital. Duas tendências surgem na passagem de milénio. São a dispersão dos media digitais, de computadores e telefones celulares até televisão digital e internet, e a convergência dos media anteriormente separados graças à revolução digital. Os primeiros computadores comerciais surgem na década de 1960 mas chegam à população em geral na década de 1980: o IBM PC em 1981, o Apple Macintosh em 1984. O termo digital significa que a informação é partida em séries de 0 e 1. Isto distingue os computadores e outros equipamentos dos velhos media analógicos como filme, rádio, televisão e gravadores de som e imagem.
A internet foi originada em 1969 pelo departamento de Defesa americano, a ARPAnet. Em 1972, foram trocados os primeiros emails (e o símbolo @); em 1981, a ARPAnet tinha 213 computadores interligados nos Estados Unidos. A palavra internet apareceu em 1982. Em 1988, 60 mil computadores estavam ligados. Em 1989, começou o desenvolvimento da rede com o aumento da velocidade. Com a convergência na internet nascem novas formas de comunicação e informação mediada, do email a sítios pessoais e institucionais da WWW (desenvolvida pelo cientista britânico Tim Berners-Lee, trabalhando na Suíça), das publicações e compras electrónicas. A digitalização, para além dos computadores, chegou à televisão, ao satélite, aos discos compactos, aos gravadores de som e aos telefones.
O blogue Indústrias Culturais publicou cinco mil textos entre 17 de Março de 2003 e 5 de Setembro de 2009. Nesta data, houve uma hesitação entre continuar e acabar o blogue, tomando-se a decisão de seguir com a escrita de textos. Em finais de Julho de 2009, foi ultrapassado o milhão de visitantes únicos. O Indústrias foi usado como plataforma de apoio a aulas sobre indústrias culturais (2003-2005), os principais textos transformaram-se em livro (2007), serviu para tema em duas conferências do autor em Santiago de Compostela (2005) e Brasília (2008) e foi núcleo central na organização de encontro universitário de blogues em Lisboa (2008). Foi ainda espaço experimental para colocar imagens feitas pelo autor (fotografias e pequenos vídeos), sem deixar de ser amador. Do mesmo modo, o template do blogue foi sendo alterado ao longo do tempo, conforme se vê nas imagens seguintes.
Temas mais acarinhados foram a moda (os sapatos), as lojas, a música, os museus (fado, arte popular, rádio), o cinema e os jornais (incentivando a sua leitura), os públicos da cultura, intentando escrever mais sobre eles mas faltando tempo para aprofundar tantas matérias (alguns livros comprados estão ainda à espera de ser abertos). O autor agradece a todos os que o leram (têm lido) e deram (dão) contributos ao longo dos anos.
LIVROS PUBLICADOS
LIVRO "INDÚSTRIAS CULTURAIS" APRESENTADO POR ANT. PINTO RIBEIRO (2007) E EM PROGRAMA DA RTPN (2008)