Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sexta-feira, 6 de março de 2009
LAURO ANTÓNIO E O CINEMA
quinta-feira, 5 de março de 2009
CURTAS
ASSOCIAÇÃO OS FILHOS DE LUMIÈRE
PROGRAMA RÁDIO EM DEBATE
ÍCONES
Jonathan Meades, no Intelligent Life (The Economist), edição da Primavera de 2009, escreve sobre ícone, que considera uma palavra omnipresente. Cada época usa um léxico próprio com algumas palavras a terem um emprego exagerado (hoje, no começo de uma frase, diz-se o irritante: "é assim"). Isto é, as palavras são sujeitas a modas, a morais, a etiquetas, à política e à música popular. Hoje, uma palavra tem uma vida quase desconhecida, amanhã, pode ser um termo influente. Há palavras pseudo-científicas que vêm dos dirigentes - empowerment, SWOT, driver, implementar. O jornalês pode ser outro tipo de linguagem.
Vivemos, continua Meades, num mundo de celebração e moda permanente (hype). Tudo tem classe mundial, qualquer banda rock que sobreviva à depreciação narcótica ou a um empresário menos sério é lendária, os artistas são heróis. Cada cidade ou região tem um edifício de que se vangloria: torre, catedral, arranha-céus, câmara municipal. Para além da representação e do símbolo, estas estruturas têm utilidade: a estação do Oriente (Calatrava), o museu Guggenheim de Bilbau (Gehry), a ópera de Sidney (Jørn Utzon). A estas estruturas juntam-se imagens, esculturas, ícones.Ícone deriva de uma palavra grega, significando semelhança, retrato ou imagem. Durante séculos associou-se a imagens de Cristo e o seu sofrimento e ressurreição. O ícone foi adoptado pela igreja oriental: imagens pintadas da Virgem a cores douradas e circulares. Na Anatólia, a cidade de Konya chamara-se primitivamente Iconium.
Implícito no uso moderno de icónico é a aspiração deliberada de investir coisas e pessoas com propriedades que se tornam milagrosas e sobre-humanas, mágicas e parecidas a deuses, Futebolistas, estrelas de cinema, celebridades, Jagger parece Pã, o deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores da mitologia grega, Robert Plant lembra Dionísio, deus grego do vinho, das festas, do lazer, do prazer [Barack Obama, pelo artista de rua de Los Angeles Shepard Fairey]. A mudança do nome de Farrok Bulsana para Freddie Mercury foi uma antevisão do que aconteceu. A música popular criou estes deuses. Regimes como o Terceiro Reich (Hitler), União Soviética (Estaline) e China (Mao) foram teocracias (tipo de governo com influência religiosa): os ditadores procuraram matar Deus e substitui-lo.Veja-se Hitler, continua Meades: o bigode, a saudação nazi, a madeixa no cabelo. A suástica é um logo, que não foi roubado deliberadamente à religião indiana do jainismo. Os comícios de Nuremberga eram rituais entre o marcial e o sagrado. Terríficos como uma cerimónia azteca e piegas como uma opereta amadora, esses comícios ficavam na retina de quem assistia a eles. Hojes, tais cenários são visíveis em palcos de estádios que acolhem as bandas de rock.
Os ícones significam quatro condições:
1) afectam-nos quer gostemos ou não. Exemplos: Picasso, Oprah Winfrey, Michael Schumacher,2) a imagem transcende o seu objecto,
3) o sujeito é legível em termos de escrita visual. Exemplos: a silhueta de Napoleão com a mão dentro do capote; Chaplin com o chapéu, o bigode e a bengala, Jagger com o par de lábios [imagem pertencente ao Victoria and Albert Museum],
4) reconhecimento imediato, o que pede imutabilidade. Exemplos: garrafa de Coca-Cola, torre Eiffel, Big Ben, cabina telefónica e autocarro de dois pisos em Londres, Che Guevara, Marilyn Monroe, James Dean, Barack Obama.
O domínio da televisão durante meio século trouxe o declínio gradual da retórica e da oratória, substituindo-as pelo discurso naturalista em múltiplos media, com uma grande disseminação de imagens.
DIA MUNDIAL DO LIVRO
quarta-feira, 4 de março de 2009
DIÁRIO DE NOTÍCIAS, JORNAL DE NOTÍCIAS E OUTROS DO GRUPO CONTROLINVESTE
- Mais de centena e meia de pessoas, a maioria pertencente aos quatro jornais da Controlinveste, manifestaram-se hoje em frente ao edifício do Jornal de Notícias, no Porto, em protesto contra os 119 despedimentos anunciados pelo grupo. Entre os manifestantes encontram-se boa parte dos despedidos, mas também muitos trabalhadores não abrangidos pela medida - jornalistas e não jornalistas - pertencentes aos quadros dos quatro jornais do grupo, que inclui o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o 24 Horas e o diário desportivo O Jogo (Público Última Hora, 18:21).
O Diário de Notícias surgiu a 1 de Janeiro de 1865, ao preço de 10 réis. Um dos traços marcantes do jornal foi eliminar o artigo de fundo, pois “não discute política, nem sustenta polémica”. A imprensa noticiosa substituia a de opinião. A tiragem inicial foi de 5 mil exemplares, subindo para 9600 no final do primeiro ano. Desde o princípio, a sua venda foi feita por vendedores ambulantes, os ardinas, que apregoavam o jornal. Ao fim de dois meses de publicação, o jornal tinha 30 vendedores ao seu serviço, que recebiam dois réis por exemplar [em José Tengarrinha (1965). História da Imprensa Periódica Portuguesa. Lisboa: Portugália]. Na edição de 18 de Fevereiro de 1865, o Diário de Notícias trazia uma referência ao novo Jornal de Notícias (Porto), que havia adoptado uma forma de venda semelhante, copiando ainda o programa literário e administrativo do Diário de Notícias. A revolução do jornal de Lisboa espalhara-se ao país.
FESTIVAL DE MÚSICA CHEGA AO FIM?
LIVROS E LIVRARIAS
AGENDAS CULTURAIS

Agendas culturais que fazem anos: 12 para 30DIAS (Oeiras) e 6 para Cascais Agenda Cultural (Cascais). Parabéns às duas.
Na agenda de Oeiras, destaco a Mostra de Teatro Amador 2009, de 21 de Março a 21 de Abril, em Algés, Barcarena, Carnaxide, Linda-a-Velha, Oeiras, Tercena, num total de doze espectáculos, com peças desenvolvidas pelos grupos existentes em Oeiras. Na de Cascais, relevo o curso livre A Música Portuguesa. Picos da sua história, de 7 de Março a 16 de Maio, no Museu da Música Portuguesa – Casa Verdades de Faria. Temas: renascimento e humanismo, escolas de Polifonia, barroco em Portugal, classicismo, romantismo, contemporâneo.
CONFERÊNCIAS SOBRE COMUNICAÇÃO
O QUE PENSO DA ORQUESTRA DO YOUTUBE
O que fez o YouTube? Recebeu mais de três mil vídeos de músicos profissionais e amadores e fez audições através da internet. A escolha final dos 90 músicos foi uma mistura de votos online do público e de músicos de grandes orquestras.
Isto resulta numa enorme campanha de publicidade para o YouTube, a muito, mas muito, baixo custo. Fica-se com a ideia que o YouTube é amigo da música clássica, tem uma atitude de responsabilidade social. Com isto, esquecemo-nos do trabalho moroso e sério das múltiplas orquestras do mundo, as profissionais como as amadoras, de que os media sérios não falam, nunca falam. O valor-notícia que vejo é o facto da escolha ser feita pela internet, em que o público é soberano. Mas este público também votou nos concorrentes do Big Brother. Que eu saiba, ninguém se comoveu com a participação do público em programa tão mau.
terça-feira, 3 de março de 2009
RÁDIO
Amos’n’Andy foi uma série popular nos Estados Unidos, a partir de 1928. Oriundos de um meio rural, procuram o sucesso na grande cidade. Havia uma espécie de divisão de trabalho: um era mais ingénuo, o outro mais esperto (ou julgavam-se assim). As duas personagens criaram um estereótipo que passou no teatro, cinema, rádio e televisão. Amos’n’Andy estreou-se no período de ouro da rádio, conseguindo grandes audiências, o que levou ao patrocínio de uma marca de dentrífico e à emissão numa das grandes estações de Nova Iorque. Em Portugal, Zezé e Toni (António Feio e José Pedro Gomes), na Conversa da Treta (rádio, cinema, teatro) seriam uma actualizada espécie nacional, desde 1997.
TEATRO EM SÃO PAULO, BRASIL


De 6 a 8 de Março, o Teatro de Dança (programa da Secretaria Estadual de Cultura gerenciado pela APAA – Associação Paulista de Amigos da Arte) traz uma nova edição do programa Bem-Casado, em que um artista de S. Paulo divide a temporada com outro de uma cidade ou estado diferente.
Neste projecto, Carmen Gomide (fotografia de Luciana Bortoletto) divide o palco com o baiano Luiz de Abreu, que apresenta a Bahia, espectáculo baseado nos registos escritos das torturas sofridas por escravos africanos na Bahia do século XVIII e arquivos de registros de discriminação racial arquivados no Ministério Público da Bahia de 2006 até 2008.
EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE NELSON D'AIRES

Mar Fêmea, exposição de fotografias de Nelson d'Aires, de 4 a 28 de Março, é um trabalho em duas partes - a da inauguração e a do encerramento: "a inauguração apresenta fotografias de uma espera e é contada através de símbolos que são metáforas. Durante esse tempo, vai ser criada e produzida na íntegra a matéria de conclusão cujas fotografias substituirão as anteriores".
Local: [Kgaleria], Rua da Vinha, 43A, Bairro Alto, Lisboa, 4ª a sábado, das 15:00 às 20:00 (excepto feriados). kgaleria@kameraphoto.com, www.kameraphoto.com/kgaleria
A INDÚSTRIA DA MÚSICA EM PORTUGAL
Orador Principal: Tózé Brito
Programa (11h-13h)
Sessão 1: 6 de Março
Produção Musical – elementos constitutivos e conceitos
Convidado – Rui Costa
Sessão 2: 20 de Março
Editora Fonográfica: Orgânica; A&R – Da contratação à gravação
Convidado – David Ferreira
Sessão 3: 3 de Abril
História da Indústria Fonográfica e Novos Desafios
Convidado – Paulo Ferreira
Sessão 4: 17 de Abril
Direitos de Autor e Conexos Contratos, Licenças, Agenciamento e Management
Convidado – Eduardo Simões
Sessão 5: 22 de Maio
Noções gerais sobre produção de espectáculos
Convidado – Luís Montez
Sessão 6: 5 de Junho
Promoção nos Media e na Internet
Convidado – Paulo Sardinha
segunda-feira, 2 de março de 2009
LEI DO PLURALISMO E DA NÃO CONCENTRAÇÃO DOS MEDIA
RÁDIO ZERO

A Rádio Zero faz três anos na sexta-feira dia 6.
Programa para esse dia:
00:00-01:00 - Directo de microfone aberto a partir do estúdio da Zero;
12:00-00:00 - Emissão de programas especiais dedicados ao aniversário da Zero.
CINEMA EM DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Como grande objectivo, Sérgio Silva procurou saber se as questões-chave inerentes aos processos criativos do cinema foram ultrapassadas pelo surgimento de novas tecnologias. A conclusão a que chegou indica que a influência dessas tecnologias não é importante, pois os problemas iniciais do cinema continuam a preocupar os realizadores, caso do som. Assim, escreveu, "a linguagem fílmica não depende tanto da tecnologia ao dispor do cineasta, mas antes na habilidade individual do realizador e da equipa com que trabalha para elaborar uma cine-linguagem com eficiência comunicacional e, se possível, original".
JORNALISMO CIDADÃO NOS BLOGUES DO NYT
domingo, 1 de março de 2009
PINTURA DE ISABEL CONTRERAS
O EFEITO PENÉLOPE CRUZ
O Observer indica que este reconhecimento dos talentos espanhóis (e hispânicos) se deve ao crescente peso da comunidade de língua castelhana nos Estados Unidos: mais de 46 milhões ou 15,1% dos 305 milhões de habitantes, muitos deles vivendo nos estados da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. Nas últimas eleições, dois terços dos hispânicos votaram em Barack Obama; há 23 membros democratas e 1 membro independente no Congresso com sangue hispânico. E o cinema segue a tendência da rádio e da televisão, onde a minoria de língua castelhana está a aumentar a sua influência, nomeadamente nos estados acima indicados.
CINEMA INGLÊS
ADESÕES AO TWITTER
Ainda não medi o alcance desta febre ou moda. Gente que comenta os resultados de futebol, congressos partidários e outros acontecimentos políticos, novidades tecnológicas, vontade de ir a concertos ou filmes - registos do que se faz e do que se pensa fazer. No FaceBook e no Linkedin recebo igualmente convites para participar em colóquios ou peças de teatro. Há uma transposição do efeito SMS para a internet, mas abrangendo grupos mais informais, que não chegaram a trocar números de telefone entre si, em especial quando se tratam de níveis etários diferentes ou de gostos e círculos de amizade distintos. As redes sociais, para além do efeito moda (hyper), e dos perfis (que, hipoteticamente, podem servir para contactos profissionais e de emprego), funcionam para publicidade ou promoção de actividades de grupos.
Como a informação que colocarei a seguir.
TEATRO-PERFORMANCE
Este tipo de teatro não é propriamente "teatro-espectáculo", mas uma experiência pessoal, de encontro com a arte: contar a história pessoal e vê-la representada instantânea e improvisadamente por actores, performers e músicos. Este tipo de teatro tem aplicações múltiplas. No Brasil, é aplicado na consultoria de recursos humanos, para abordagem de temas como a motivação, as relações de trabalho, a produtividade.
Local: Oficina da Pessoa (Avenida 5 de Outubro, 122, 3º dto, Lisboa, junto ao Oculista da Avenida). Horário: começo previsível às 21:00. Mais informações sobre o Teatro Imediato encontram-se aqui.
REDES (NÃO) SOCIAIS?
Ontem, chegou-me o convite de um jornalista muito versado em tecnologias das redes sociais. Quando fui ler o que ele havia publicado, encontrei o seguinte: "Agradeço o interesse de todos os que enviaram pedidos, mas serve esta mensagem para informar que não escrevo no Twitter". Ora, para que serve a solicitação de adesão? É ele um caçador furtivo que quer ler o que os outros escrevem, mas não quer dizer o que pensa - ou faz neste momento? É ele sociável, ou o oposto? Para que quer o seguidor do Twitter seguir outros se não quer ser seguido? O Twitter é um panóptico para alguns? Um big brother?
As redes electrónicas são mesmo estranhas.



