No final do mês passado, o jornalista António Costa anunciava ir sair do cargo de diretor do Diário Económico. Agora, o grupo económico a que o jornal pertence indica o nome de Raul Vaz como seu sucessor. Vaz, que já pertenceu à direção do jornal entre 2001 e 2004, começou no jornalismo em 1981 no Correio da Manhã, passando por funções de chefia e direção em meios como Semanário, Público, Independente e Diário de Notícias. Presentemente é diretor executivo do canal de televisão por cabo Económica TV.
Do jornalista António Costa fiquei a saber agora que era também administrador da Ongoing, a proprietária do jornal. Não me parece adequada a dupla função. Agora, compreendo as posições que o jornalista foi tomando, por exemplo, nas suas intervenções na Antena 1, de apoio a causas empresariais e económicas. O distanciamento e a posição de independência face aos negócios não foram respeitados.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
sábado, 11 de abril de 2015
Limite da compreensão
Um dia, conduzia a visita a exposição de pintura abstrata de um pintor português. Apesar de ainda relativamente jovem, o artista já tinha acumulado muita experiência e exibia prestígio nacional. Da turma, uma aluna mais ousada perguntou-me porque eu gostava daquele tipo de pintura. Eu, apoiado nas leituras ao longo dos anos, em livros e em crítica de arte, dei os meus argumentos. Nessa altura, fiquei convencido das minhas razões. Bastantes anos depois, comecei a ler outras versões da história da arte, apropriadamente chamadas de revisionismo histórico. A arte abstrata teve um grande impacto na literatura do género devido ao marketing apurado dos norte-americanos, passou a ler-se. Eu não me convenci, mas fiquei recetivo à nova abordagem. O pós-modernismo deixara-me alerta e atento a perspetivas diferentes da hegemónica.
A arte de Mónica Sosnowska, Arquitetonização (Casa de Serralves, 2015) trabalha a linguagem da arquitetura, mostrando corredores e estruturas em aço de peças outrora úteis e agora tornadas lixo ou objetos museológicos. Do ponto de vista espacial, a geometria, as formas apelando para o caos cósmico, ajudadas pela cor branca das paredes, o soalho envernizado do chão e as luzes difusas junto às paredes, dão uma forte espessura intelectual. Posso chamar ao conjunto das peças assim expostas um caldo escultórico. Mas a lógica construtivista remonta a Marcel Duchamp que os revisionistas tratam agora por oportunista. Qual o contributo distinto de fábricas entre Vila das Aves e Vizela, junto ao rio Ave e que se vislumbram do comboio? Ou de uma fábrica de descasca de arroz perto de Alcácer do Sal? Três décadas atrás, historiadores sonhadores falavam de arqueologia industrial como património a preservar. Algumas peças ficaram do período industrial e as suas formas adaptaram a novas funções. Sem esta sequência, lembro-me da livraria Ler Devagar, no polo da Lx Factory, em Alcântara, onde funcionou a importante tipografia Mirandela, conservando-se ainda a sua rotativa.
Se, hoje, a aluna astuta que indiquei acima me perguntasse se as esculturas de Sosnowska são arte eu não teria a convicção dessa altura. Do mesmo modo que não sei se Pântano, bailado criado por Miguel Moreira e com os bailarinos Catarina Félix, Francisco Camacho e Romeu Runa (Teatro Carlos Alberto, Porto), é arte ou puro exibicionismo (contorcionismo) de corpos. Quase no final do bailado, os intérpretes atiram farinha uns aos outros, sem qualquer alcance estético a não ser lembrar as festas de Carnaval ou as tomatadas que nos chegam via televisão de festas populares de Espanha e Itália. Estou atemorizado comigo mesmo, pois começo a não ter capacidade para compreender o novo. A isso, chama-se conservadorismo.
A arte de Mónica Sosnowska, Arquitetonização (Casa de Serralves, 2015) trabalha a linguagem da arquitetura, mostrando corredores e estruturas em aço de peças outrora úteis e agora tornadas lixo ou objetos museológicos. Do ponto de vista espacial, a geometria, as formas apelando para o caos cósmico, ajudadas pela cor branca das paredes, o soalho envernizado do chão e as luzes difusas junto às paredes, dão uma forte espessura intelectual. Posso chamar ao conjunto das peças assim expostas um caldo escultórico. Mas a lógica construtivista remonta a Marcel Duchamp que os revisionistas tratam agora por oportunista. Qual o contributo distinto de fábricas entre Vila das Aves e Vizela, junto ao rio Ave e que se vislumbram do comboio? Ou de uma fábrica de descasca de arroz perto de Alcácer do Sal? Três décadas atrás, historiadores sonhadores falavam de arqueologia industrial como património a preservar. Algumas peças ficaram do período industrial e as suas formas adaptaram a novas funções. Sem esta sequência, lembro-me da livraria Ler Devagar, no polo da Lx Factory, em Alcântara, onde funcionou a importante tipografia Mirandela, conservando-se ainda a sua rotativa.
Se, hoje, a aluna astuta que indiquei acima me perguntasse se as esculturas de Sosnowska são arte eu não teria a convicção dessa altura. Do mesmo modo que não sei se Pântano, bailado criado por Miguel Moreira e com os bailarinos Catarina Félix, Francisco Camacho e Romeu Runa (Teatro Carlos Alberto, Porto), é arte ou puro exibicionismo (contorcionismo) de corpos. Quase no final do bailado, os intérpretes atiram farinha uns aos outros, sem qualquer alcance estético a não ser lembrar as festas de Carnaval ou as tomatadas que nos chegam via televisão de festas populares de Espanha e Itália. Estou atemorizado comigo mesmo, pois começo a não ter capacidade para compreender o novo. A isso, chama-se conservadorismo.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Guimarães
Além do moderno museu onde se pode ver a obra de José de Guimarães, a cidade possui dois museus muito interessantes, o museu de Martins Sarmento (1895, dedicado a indústrias pré-históricas) e o museu de Alberto Sampaio (1928, com talha, pintura, como o fresco Degolação de São João Baptista, e escultura, com muitas obras provenientes de igrejas da região). Relevo, pela magnífica apresentação, o segundo museu. Manifesto tristeza pela exposição, ultrapassada em termos museológicos, o primeiro. Isso repercute-se até na alegria e/ou afastamento no atendimento.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
António Ferro na perspetiva de Orlando Raimundo
Orlando Raimundo, em António Ferro, o Inventor do Salazarismo, nada deixa de pé quanto ao intelectual orgânico do Estado Novo. Vaidoso, pretensioso, saloio ou provinciano, de origens modestas, que não olha às medidas estéticas do próprio físico, oportunista que se apropria das ideias dos outros, inventor de entrevistas (um simples good morning, de Mary Pickford, deu uma entrevista) - eis o retrato traçado.
O autor tem a vantagem de escrever bem como se exige a um jornalista, com capítulos curtos, indo aos assuntos e, de vez em quando, traça paralelo com situações à margem do biografado. Ao longo do livro, percebe-se que leu tudo o que Ferro escreveu, criticando a sua pseudo-literatura, que acaba por ser curta e até resultado de algumas colagens de textos alheios, buscando a polémica.
Talvez a leitura crítica do que escreveu Ferro seja o ponto forte do novo livro. Mas não há o aparo crítico teórico inerente ao tipo de obra. E falhas, como, por exemplo, no capítulo da Emissora Nacional (por exemplo, o Serão para Trabalhadores era emitido aos sábados e frequentemente do Liceu Camões). Mas não quero ir além neste comentário. Além disso, não encontrei novidades face ao que já foi escrito e do título, o inventor do salazarismo, não encontrei justificações fortes. Isto porque o título anuncia algo que já se sabe há muito. E que o construído, Salazar, se libertou do seu construtor (Ferro). Talvez o livro de Fernando Dacosta (Máscaras de Salazar), um grande jornalista, seja mais impressiva, ele que apreciou o perfil psicológico do ditador. Uma coisa me impressionou no livro de Orlando Raimundo: o retrato impiedoso da ditadura e dos seus dirigentes, da sua mesquinhez e do seu pouco desenvolvimento intelectual, além do atraso económico do país que ficou desse período.
O autor tem a vantagem de escrever bem como se exige a um jornalista, com capítulos curtos, indo aos assuntos e, de vez em quando, traça paralelo com situações à margem do biografado. Ao longo do livro, percebe-se que leu tudo o que Ferro escreveu, criticando a sua pseudo-literatura, que acaba por ser curta e até resultado de algumas colagens de textos alheios, buscando a polémica.
Talvez a leitura crítica do que escreveu Ferro seja o ponto forte do novo livro. Mas não há o aparo crítico teórico inerente ao tipo de obra. E falhas, como, por exemplo, no capítulo da Emissora Nacional (por exemplo, o Serão para Trabalhadores era emitido aos sábados e frequentemente do Liceu Camões). Mas não quero ir além neste comentário. Além disso, não encontrei novidades face ao que já foi escrito e do título, o inventor do salazarismo, não encontrei justificações fortes. Isto porque o título anuncia algo que já se sabe há muito. E que o construído, Salazar, se libertou do seu construtor (Ferro). Talvez o livro de Fernando Dacosta (Máscaras de Salazar), um grande jornalista, seja mais impressiva, ele que apreciou o perfil psicológico do ditador. Uma coisa me impressionou no livro de Orlando Raimundo: o retrato impiedoso da ditadura e dos seus dirigentes, da sua mesquinhez e do seu pouco desenvolvimento intelectual, além do atraso económico do país que ficou desse período.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Esta noite improvisa-se
Agora, foi a vez de uma coprodução do Teatro Expandido! e do Teatro Municipal do Porto (Campo Alegre) [de onde retirei a imagem] em ensaios consecutivos, o primeiro dos quais decorreu hoje. Em texto que acompanha a peça, esta "reflete a vaga de fundo que une a representação e a realidade, colocando em crise todas as funções convencionais do fazer teatral".
Com tradução de Luís Miguel Cintra e Osório Mateus, fomos até à cave, às oficinas do Teatro Municipal Campo Alegre, onde os jovens atores e atrizes desempenhavam as suas falas à volta de uma mesa grande, com o público à volta, sentado ou em pé. O cerne da peça é a proposta de um encenador que propõe aos seus atores uma improvisação a partir da novela de Pirandello, Leonora, Addio!, diante dos espectadores em dia de estreia. A família La Croce, constituída pela mãe casamenteira de quatro filhas em idade de casar e um pai entregue a prazeres extra matrimoniais. Uma das filhas, Mommina, sonhava vir a cantar Verdi em grandes teatros mas acabou fechada em casa.
O que mais gostei foi a dádiva dos jovens intérpretes (Ricardo Bueno e 16 participantes), sempre disponíveis para repetir as falas a partir de deixas que o encenador João Sousa Cardoso estava sempre a incitar. Deste grupo, eu vira o ensaio geral O Cerejal de Tchekhov em Fevereiro passado, em modelo semelhante de ensaio sem representação clássica no palco. É a ideia de oficina, que deixa a ver os utensílios e o lento entrosar das personagens, diversas vezes com mudança de participante para experimentar vozes, posições e gestos, e um momento de pausa e catarse, com a passagem de uma música dançável para os intérpretes, hoje extensível aos espectadores. Mais dois apontamentos, o primeiro para dizer que há um meta-ensaio: o ensaio de uma improvisação. O segundo para referir o duplo papel do encenador: além do seu trabalho específico na peça, foi ele a mandar embora o público no final do ensaio.
Íntima Fracção
A Íntima Fracção faz hoje 31 anos. Começou na rádio, continua na internet. Parabéns ao Francisco Amaral.
terça-feira, 7 de abril de 2015
Billie Holiday
"Os estudiosos do jazz, aquela música imprevista e tantas vezes improvável que nos eleva acima de todas as lógicas, mantêm-se acantonados em dois grandes grupos: uns fazem finca-pé na supremacia de Ella Fitzgerald (1917-1996), a mulher que nunca forçou uma nota, que criou e desenvolveu uma naturalidade no canto que só os dotados com o dom conseguem manter como regra sem excepção. Do outro, aparecem as trincheiras que defendem que nunca houve uma cantora popular como Billie Holiday, a mulher cujo centenário assinalamos hoje mesmo e que foi empurrada, de forma pouco suave e nada discreta, para uma morte prematura aos 44 anos (para registo: a 17 de Julho de 1959), uma idade em que muitas das vozes do jazz ainda estão a colher temperos para a respectiva identidade musical" (Diário de Notícias de hoje, dia do centenário do seu nascimento).
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O mestre na rádio
Íamos na autoestrada, quando a estação de rádio divulgou a morte de Manoel de Oliveira, o cineasta português mais conhecido e importante desde sempre. A Antena 1 passou um programa já editado em 2007 e que nos mostrou o seu impacto interno e externo. Agora, fica a sua produção cultural para fruição e avaliação.
Livraria em Óbidos
Parece um fundo de biblioteca neo-realista: literatura, política, história, ambiente, cultura e arte. Além de vender livros, há ainda produtos agrícolas biológicos. No fundo da rua, há outra livraria, reconvertida a partir de uma igreja, com literatura editada recentemente.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
50 anos do programa Em Órbita
[programação de Rádio Clube Português em FM, Diário Popular, de 10 de Julho de 1968]

Gostaria de saber mais sobre o programa Em Órbita, que iniciou a sua emissão faz hoje cinquenta anos na programação de FM de Rádio Clube Português (1 de Abril de 1965), para escrever aqui. Mas fico-me como colector e reorganizador de informação. Os melhores textos que conheço sobre o programa continuam a ser os de José Matos Maia, Luís Pinheiro de Almeida e Rui Vieira Nery (este a partir do que Matos Maia identificou).
Desde 1963 que a estação tinha uma programação em FM distinta da de ondas médias e onde começou a actividade um conjunto de profissionais, inicialmente amadores ou jovens entusiastas da rádio. Em Março de 1965, o horário das 19:00 às 20:00 ficava vago e foi endereçado o convite a Pedro Albergaria e Jorge Gil, que com João Manuel Alexandre começaram o programa.
O indicativo inicial foi um instrumental dos Kinks, Revenge, de co-autoria de Ray Davies e de Larry Page (que foi produtor/manager dos Kinks), então inédito em Portugal, apresentado por Pedro Castelo, o primeiro locutor, a que se seguiu Cândido Mota, o apresentador que se tornaria a voz mais conhecida do programa (ver Antena, 1 de Agosto de 1968, em reprodução aqui ao lado). Ao longo do tempo outros apresentadores estiveram no programa: Jorge Dias, Jaime Fernandes, Fernando Quinas e João David Nunes. Bandas inglesas e norte-americanas começaram a ser conhecidas em Portugal graças a esse programa, como Simon e Garfunkel, Donovan, Tim Buckley, Beach Boys, Janis Joplin, Doors, Bee Gees, Jefferson Airplane e Procol Harum, que outros programas como a 23ª Hora, de João Martins, em Rádio Renascença, procuravam seguir.
Em Agosto de 1967, o Em Órbita passou pela primeira vez um tema português, A Lenda de El-Rei D. Sebastião, do Quarteto 1111. O program tinha uma frase marca: "um programa feito por nós e dito por mim", o que fazia do programa uma obra colectiva. Rui Vieira Nery faria uma excelente análise ao programa (citado a partir do livro de José Matos Maia, Telefonia, por dificuldade de eu não encontrar o original):
"Tudo começou com um grupo de jovens profissionais da rádio que em meados da década de 60, em pleno reino do nacional-cançonetismo, de Rafael e de Gianni Morandi, tocava regularmente o que de melhor e mais avançado se fazia na música popular anglo-americana, constituindo um espaço radiofónico alternativo que serviu de referência de qualidade a toda uma geração marcada pelo movimento associativo universitário, pela resistência antifascista, pelo trauma da guerra colonial, pela ruptura com os códigos morais pequeno-burgueses dos filmes cor-de-rosa de Doris Day e Marisol".
Na fase pop do Em Órbita, o programa ganhou prémios (Ondas, Barcelona, Casa da Imprensa, ambos em 1967). Na fotografia um pouco abaixo, vêem-se os autores do programa no prémio da Casa da Imprensa 1967 (Antena, 15 de Fevereiro de 1968). A partir de 1969, nasciam as Novas Aventuras do Em Órbita, com introdução de música clássica. A primeira fase do programa terminara a 31 de Maio de 1971. Para Jorge Gil, "Foi uma opção consciente. A música anglo-saxónica já nada me dizia. A minha transformação operou-se enquanto estudante de Arquitectura, em Belas-Artes, com as lições de Conjugação das Três Artes, de Manuel Rio de Carvalho" (Luís Pinheiro de Almeida, em 1 de Abril de 2000). Data desta altura, julgo, o novo indicativo, retirado da peça de Richard Strauss, Assim Falava Zarathustra. Houve ainda um terceiro indicativo, retirado de The Fair Queen, de Henry Purcell.
Para um dos produtores do programa, Pedro Albergaria (entrevista a Luís Garlito em 1 de Junho de 1995; Arquivo da RTP AHD 14946): "andámos uns meses a emprestar os discos ao programa que se chamava Ritmo 64. Quem fazia a locução, um deles, era o Pedro Castelo. Chegámos a uma certa altura que também achámos que começava a ser demais. «Então estamos aqui a fazer o programa de borla para outra pessoa»? Um dia, o meu pai, que era muito amigo do Júlio Botelho Moniz, um dia, estávamos a jantar e disse: «queres fazer um programa de rádio»? «Quero». Telefonou ao Júlio Botelho Moniz e disse: «olha, o meu filho quer fazer um programa de rádio». «Então, ele que venha amanhã falar comigo». Eu e o Jorge Gil fomos ao Rádio Clube Português, falámos com o Júlio Botelho Moniz, e ele diz: «então, pronto, está tudo bem, começam depois de amanhã». Nós ficámos assim um bocado a olhar um para o outro. «Depois de amanhã? E nome para o programa? E locutor»? Que nem nos passava sequer pela cabeça falar ao microfone. Tivemos de fazer isto em dois dias e o Em Órbita começou no dia 1 de Abril [de 1965], mentira quase. [...] Provavelmente, não dormimos. A escolha do locutor para o programa foi a parte mais fácil porque nós já conhecíamos bem o Pedro Castelo do outro programa. Aí não houve grande problema na escolha. O que é que ia fazer o programa? Tocar só discos? Tínhamos de escrever textos? Acho que fomos apanhando pouco a pouco a fórmula. Ao fim de seis, sete meses, foi a fórmula definitiva do Em Órbita. Ao princípio, andámos à procura de como é que tudo aquilo ia funcionar. A escolha do nome foi o antigo director do Rádio Clube Português, o Álvaro Jorge. Ele saiu-se com este Em Órbita. E, pronto, naquela altura, estava muito na moda. Todos os dias, havia coisas que era a grande novidade quando se punha uma coisa em órbita. No dia 1 de Abril de 1965, com este indicativo. Era um dos nossos grupos ingleses preferidos, completamente desconhecido em Portugal, e esse álbum que está aí, o primeiro álbum que eles gravaram, tinha um instrumental. Os Kinks. O único instrumental que eles gravaram. Estivemos indecisos entre este tema dos Kinks e um tema do Booker T. & the MG's, Green Onions".
Já Jorge Gil, em entrevista que me deu (17 de Janeiro de 2012), diria: "Eu tive acesso, nesse aspecto talvez privilegiado, eu tinha vinte anos nessa altura, por duas fontes distintas, a uma discografia totalmente nova e que estava a irromper com imensa força em Inglaterra e nos Estados Unidos. Que era um repertório completamente desconhecido em Portugal, mas completamente. [...] Julguei que havia uma generosidade, uma entrega, uma pesquisa de outras sonoridades que não as sonoridades que estavam em moda, pelo menos na Europa. E essa generosidade é tão vital, do seu ponto de vista de construção musical tinha muitas coisas comuns com a tradição musical barroca, medieval europeia. [...] Como é que eu tive acesso a ela? Por duas vias distintas. Uma, o meu irmão estava a estudar na Suíça nessa altura, em Lausanne, e enviava-me regularmente gravações que ele achava interessantes para Lisboa. Outra via, na Valentim de Carvalho trabalhava um senhor chamado Mário Martins. [...] Foi assim que eu descobri por exemplo um disco completamente perdido, mas que estava perdido cá ou foi perdido cá, como estava perdido na própria Inglaterra. Uma gravação chamada Go Now. Foi o primeiro EP que os Moody Blues editaram. Foi assim que eu descobri por exemplo um disco completamente perdido, mas que estava perdido cá ou foi perdido cá, como estava perdido na própria Inglaterra. Uma gravação chamada Go Now. Foi o primeiro EP que os Moody Blues editaram". A mudança, para Jorge Gil, foi com "a industrialização. Aquilo estava a ser diferente porque as pessoas, de repente, descobriram, o poder económico descobriu que tinha ali um filão de ouro inesgotável. O Woodstock foi um primeiro prenúncio da queda". Aí, o programa Em Órbita começaria a trilhar outra rota, agora cada vez mais com Jorge Gil a comandar, nomeadamente após o afastamento de João Manuel Alexandre.
Na interpretação de Luís Pinheiro de Almeida, "não estávamos perante um programa que promovia «estrelas da rádio» (muito comuns na época), quer fossem os seus autores ou o apresentador (na altura dizia-se «locutor»), mas anunciava, isso sim, uma certa radicalidade, um corte com a tradição de falsa intimidade com o ouvinte, tantas vezes expressa, pelos chamados «locutores da voz doce» e suas companheiras de emissão, no “amigos ouvintes, muito boa noite; somos a vossa companhia durante estes próximos minutos". A atitude de passar a música do Quarteto 1111 foi também a de levar o Em Órbita a eleger a canção Strangers in the Night, de Frank Sinatra, como a pior canção do ano.
"Em Órbita vai proceder hoje à transmissão de um trecho de música popular portuguesa. Porque se trata de uma medida sem precedentes neste programa, e por termos o maior respeito pela nossa própria coerência e por todos quantos nos acompanham com a sua adesão consciente e construtiva, tem pleno cabimento algumas palavras introdutórias ao trecho que vamos apresentar. Desde sempre que alguns dos mais conhecidos intérpretes e conjuntos portugueses de música ligeira que nos têm procurado, seguindo modalidades várias de aproximação no sentido de Em Órbita divulgar as suas respectivas realizações, em amostra, em disco ou em registo magnético. Em face dessas sucessivas tentativas, sempre nos recusámos em aludir, por considerarmos que a totalidade dessas realizações não justificava o nosso interesse em abrir excepções, quer por entendermos que a sua transmissão iria ocupar tempo que poderia ser preenchido com larga vantagem pela nossa música habitual, quer por considerarmos que nenhuma delas reunia as condições mínimas para poder representar qualquer coisa de semelhante a uma tentativa honesta e inédita do lançamento das bases da música popular portuguesa que todos nós em boa consciência queremos renovada por inteiro de alto a baixo. Por varias vezes e sob diversos pretextos temos aqui exprimido alto e bom som que somente transmitiríamos qualquer modalidade de música popular portuguesa que tivesse um mínimo daqueles requisitos que poderemos condensar assim: 1 ° - Autenticidade aferida em função do ambiente e da sociedade portuguesa e da tradição folclórica do nosso país. 2° - Afastamento radical da utilização puramente oportunista de padrões internacionais e pseudo internacionais, impossíveis de transpor com verdadeira honestidade para o nosso meio. 3° - Rompimento frontal com as formas de música popular comercial mais divulgadas em Portugal e que se caracterizam pela teimosa insistência em seguir os figurinos caducos e provincianos de Aranda do Douro, San Remo ou Benidorm. 4° - Demonstração de um poder criador e interpretativo que ultrapassasse de forma a não deixar dúvidas, apelando a uma imitação grotesca que se faz no estrangeiro, quer na forma de copia pura e simples, quer na de adaptações apressadas, quer na utilização de uma língua, de um estilo ou de um som de importação, tudo defeituosamente assimilado. Estes portanto os requisitos mínimos que sempre exigimos a nós próprios e aos que nos procuraram com pedidos de transmissão. Nunca nos limitámos porém a uma recusa seca e peremptória. Os nossos pontos de vista sempre os exprimimos desenvolvidamente em particular e em público. Os que nos ouvem com regularidade, devem recordar-se do que aqui foi dito sobre este mesmo tema no ano passado. As nossas sugestões sobre os caminhos a seguir na nossa opinião ficaram então bem claras. Recordemos algumas delas: Recurso ao folclore português nas suas múltiplas variedades e manifestações. A ligação intima à realidade portuguesa nos seus mil e um aspectos e facetas. Recurso à poesia portuguesa popular ou erudita, medieval, clássica ou contemporânea. O aproveitamento das formas melódicas e rítmicas da musica popular portuguesa, ainda não adulterada. A revisão total dos temas e respectiva forma de expressão com base na construção lírica dos poetas da literatura portuguesa, do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende aos poetas da actual geração de Coimbra. Sem preocupações de síntese, estas são algumas das formas possíveis no nosso entender de encarreirar a música popular portuguesa para alguma coisa de novo, de verdadeiro e de autentico. Há anos que vimos proclamando. Nunca ninguém demonstrou ou procurou demonstrar que no plano dos princípios e em concreto, estávamos errados. Posto isto temos, para nós, que o trecho que vamos hoje apresentar, preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa com todas as implicações que a sua transmissão através de Em Órbita acarretam. Tendo por título A Lenda del Rei D. Sebastião, é escrito por um português é tocado e cantado por portugueses. Não vamos fazer uma apreciação exaustiva desta gravação, das suas qualidades que são muitas, e dos seus defeitos que terá alguns. Vamos apenas apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo. Assim é desde logo um apontamento especial sobre os aspectos puramente interpretativos, instrumentais e vocais, e num período em que neste programa se dá cada vez mais importância aos criadores e cada vez menos aos intérpretes, a gravação que vamos apresentar tem qualidade interpretativa mais do que suficiente, e uma nota que sobressai com rara evidencia O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito, é que em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos directos, certeiros, desenfeitados. Conta-se uma história, uma lenda. Como lenda que é trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país. Depois, é um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal. É um Sebastianismo colectivo que na lenda se retrata É a ideologia negativista dos que têm uma crença irracional em coisas, em valores e em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação. A lenda del Rei D. Sebastião, escreveu José Cid, é o Quarteto 1111" (Oocities).
O programa passou a uma segunda fase. Continuando a seguir o texto de Vieira Nery (ainda segundo citação de Maia):
"a vocação alternativa do Em Órbita não se tinha esgotado, quando a consagração institucional do seu primeiro figurino ameaçava transferi-lo das convulsões do desafio para a rotina fácil do sucesso, o programa reconverteu-se radicalmente em termos que muitos consideram quase suicidas e dedicou-se exclusivamente à música erudita, com destaque para o repertório barroco. Os seus níveis de audiência desceram vertiginosamente e tudo indicava que a sua própria sobrevivência estaria em breve seriamente ameaçada. A nova aposta do Em Órbita assenta sobretudo não só na promoção de um repertório pré-romântico quase desconhecido entre nós como na insistência na sua execução com instrumentos e práticas interpretativas originais, um movimento que em toda a Europa lutava ainda arduamente pela conquista de uma credibilidade que lhe era negada pelos herdeiros da tradição interpretativa oitocentista. O combate de Jorge Gil, que ficara sozinho à frente do programa, começou pouco a pouco a surtir efeito. Os níveis de audiência começaram de novo a subir (no início da década de 80 eram já dos mais altos da rádio portuguesa) e a consequência mais evidente deste fenómeno que se foi verificando foi uma procura crescente de gravações de música antiga no mercado discográfico nacional. A partir de 1985 o Em Órbita passou a promover concertos de música antiga. Começou com a Orquestra Barroca de Amsterdão, dirigida por Ton Koppman, para celebrar os tricentenários de Bach e Handel, e prosseguiu com produções tão importantes como a primeira audição moderna de La Guerra de los Gigantes de Sebastian Duron, pelo Hesperion XX, o Tristão e Isolda medieval de Bóston Camerata, os concertos de música de câmara de Jordi Savall, Ton Koopman e do Musica Antiqua, de Colónia ou a apresentação monumental das Vésperas de Monteverdi dirigidas por Savall, poucos dias antes da sua gravação num dos álbuns mais unanimemente aclamados da discografia europeia dos últimos anos". Nessa altura, a Portugal Telecom patrocinou o Em Órbita, ao abrigo da Lei do Mecenato Cultural.
Os produtores do programa, apesar do sucesso em Rádio Clube Português, procuraram também a Emissora Nacional. Em dois anos seguidos foram apresentadas propostas, ambas durante a direcção de Clemente Rogeiro, o primeiro discutido no Conselho de Planeamento de Programas na reunião de 8 de Junho de 1970. A emissora pública procurava programas destinados à juventude, mas o parecer foi negativo. A resposta seria seca, com a Emissora Nacional a considerar a proposta em próximo programa-tipo. Daí uma segunda insistência dos produtores, discutida em reunião de 17 de Junho de 1971. Um dos dirigentes, Adolfo Simões Müller, estudara a proposta, chamara os responsáveis e achara boa a proposta. O número dois da estação, Alberto Represas, indicaria dificuldades financeiras e técnicas.
De acordo com Luís Pinheiro de Almeida, Jorge Gil arquiva em casa milhares de páginas com os textos do programa da segunda fase: "Cada programa tem 20 páginas de texto". Ao recusar publicar os textos, considera-os "orais, unicamente para serem lidos na rádio". Depois, em 1993, o programa saía da Rádio Comercial, porque não tinha cabimento na nova grelha da rádio. A 3 de Abril de 1998, voltava semanalmente à Antena 2, às sextas-feiras, das 23:00 às 01:00.
O Em Órbita reflecte o novo gosto trazido pela FM de Rádio Clube Português - o dos produtores ligados à elite cultural, numa retoma da tradição que presidiu ao aparecimento da rádio como meio de comunicação. No caso, podemos falar de uma elite da burguesia da linha de Cascais, pois a equipa por detrás da produção do programa vinha dessa origem. Filho do engº Gil, dono do cinema Império (hoje espaço de um culto religioso), Jorge Gil é o mais característico: arquitecto, pintor, melómano e leitor sério de Heidegger, ele experimentou a viragem cultural, passando da cultura da música pop para a música séria. Pedro Albergaria chegou a trabalhar na editora Valentim de Carvalho e foi responsável pela rede de FM de Rádio Clube Português. João Alexandre, de crítico do regime enquanto estudante universitário, passou a homem ligado a empresas até morrer em acidente de viação ao conduzir um carro rápido na marginal de Cascais. Talvez o luto tenha levado Jorge Gil a uma dramatização no programa e o tenha tornado um ícone da rádio portuguesa.
terça-feira, 31 de março de 2015
O Primeiro de Janeiro e a prisão de Álvaro Cunhal em anúncio de classificados (30 de Março de 1949)
Em 1949, três militantes do Partido Comunista Português eram presos: Álvaro Cunhal, o seu secretário-geral, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira. Gonçalo Pereira recupera a história no seu blogue ecosferaportuguesa:
"quatro pessoas no Café A Brasileira, da Rua Sá da Bandeira, ponderam as suas opções. Virgínia Moura, Lobão Vital, Manuel de Azevedo e Osvaldo Santos Silva temem que, se o silêncio prevalecer, os detidos possam ser espancados até à morte. Receando os ouvidos indiscretos, saem do café e caminham até à Menina Nua, a estátua da Juventude, de Henrique Moreira, discutindo «várias hipóteses mais ou menos impraticáveis». Acabam por concluir, como n’O Escaravelho de Ouro de Edgar Allan Poe (1843), que o melhor sistema é uma mensagem à vista de todos num jornal que todos leiam: O Janeiro. Redigem por isso uma mensagem que, do ponto de vista da encriptação, possa ter dupla valência: por um lado, não desperte o alerta dos empregados do jornal que processam os classificados; por outro, que possa ser descodificada após publicação. Escrevem então um anúncio de 8 centímetros por cinco: «Álvaro Cunhal Duarte Advogado (Rua do Heroísmo) Vem por este meio agradecer a todos os seus Amigos os cuidados manifestados pelo seu estado de saúde, na impossibilidade de o fazer pessoalmente»". Duarte era o nome porque Cunhal era conhecido na clandestinidade e a sede portuense da PIDE (hoje museu militar) funcionava na rua do Heroísmo, mesmo junto ao cemitério do Prado do Repouso.
"quatro pessoas no Café A Brasileira, da Rua Sá da Bandeira, ponderam as suas opções. Virgínia Moura, Lobão Vital, Manuel de Azevedo e Osvaldo Santos Silva temem que, se o silêncio prevalecer, os detidos possam ser espancados até à morte. Receando os ouvidos indiscretos, saem do café e caminham até à Menina Nua, a estátua da Juventude, de Henrique Moreira, discutindo «várias hipóteses mais ou menos impraticáveis». Acabam por concluir, como n’O Escaravelho de Ouro de Edgar Allan Poe (1843), que o melhor sistema é uma mensagem à vista de todos num jornal que todos leiam: O Janeiro. Redigem por isso uma mensagem que, do ponto de vista da encriptação, possa ter dupla valência: por um lado, não desperte o alerta dos empregados do jornal que processam os classificados; por outro, que possa ser descodificada após publicação. Escrevem então um anúncio de 8 centímetros por cinco: «Álvaro Cunhal Duarte Advogado (Rua do Heroísmo) Vem por este meio agradecer a todos os seus Amigos os cuidados manifestados pelo seu estado de saúde, na impossibilidade de o fazer pessoalmente»". Duarte era o nome porque Cunhal era conhecido na clandestinidade e a sede portuense da PIDE (hoje museu militar) funcionava na rua do Heroísmo, mesmo junto ao cemitério do Prado do Repouso.
No mesmo texto, Gonçalo Pereira escreve: "O Primeiro de Janeiro, alma da cidade, orgulho dos homens de letras do Porto e paixão contínua da vida de Manuel Pinto de Azevedo Júnior (1905-1978). Pinto de Azevedo herdou o jornal do pai, que o comprara com outros sócios em 1919. Ao contrário do pai, porém, o seu coração pulsa sobretudo com as vicissitudes do Janeiro. Até final da década, viverá a dois passos da redacção, no n.º 326. Toda a sua vida concentra-se naquele quarteirão. Nem os negócios da vinha, nem as fábricas alguma vez o motivaram. É o jornal que o faz mexer e assim será até à sua morte.
Inova e moderniza o jornal: O Primeiro de Janeiro é a primeira redacção do país onde se escreve à máquina ao invés da caneta e tinteiro que fazem escola nas restantes. Experimenta novas soluções, abre o jornal à cultura: em 1946, foi composta uma marcha sobre o jornal por António João de Brito e desde o ano anterior que os mais importantes pintores do país expõem no piso térreo do edifício do jornal (Pequena História de um Grande Jornal, 1948). Generoso e dedicado, marca os jornalistas que com ele convivem. Nuno Rocha, que teve n’O Primeiro de Janeiro a sua primeira grande experiência jornalística, lembra «o bravo lutador antifascista» nas suas Memórias de um Ano de Revolução, contando que, quando foi a Paris pela primeira vez, o director do jornal despediu-se dele e meteu-lhe no bolso, comovido, dois mil escudos para ajudar às despesas".
Gonçalo Pereira é director da edição portuguesa da National Geographic, autor de A Quercus nas Notícias (Porto Editora) e tem o doutoramento em Sociologia pelo ISCTE.
A nova vida do lançamento de discos
O artigo assinado por Vítor Belanciano no Público de hoje, sobre a planificação da edição de discos, merece ser lido com reflexão. Segundo o jornalista, mais "do que planificar com antecedência o lançamento de discos, o que as editoras e artistas fazem hoje é reagir aos acontecimentos, principalmente quando eles vão parar à internet ilegalmente".
Dantes, cada editora preparava com pormenor o lançamento de um disco. A internet interrompeu esse modelo. Agora, como aconteceu recentemente com discos de Madonna e Björk, a edição digital pirateada antecedeu a edição legal. E os Blur revelaram a semana passada no Youtube as canções de disco a lançar no final de Abril. Conclui o jornalista que, mais do que o lançamento do disco, o que agora desperta a atenção é o modo como o disco surge no mercado. À estratégia planificada sucedem condições não previstas antes por músicos e editoras, uma espécie de caos lançado por ataques informáticos - que actuam noutras áreas como a política (CIA, Casa Branca) e o cinema (Sony Pictures).
segunda-feira, 30 de março de 2015
Armando Ferreira (1893-1968) e a cultura
Armando Ferreira foi alguém com uma carreira curiosa. Com o curso do Instituto Superior Técnico, ele empregou-se na APT (Anglo-Portuguese Telephone), mais conhecida como Companhia dos Telefones, com actividade nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e uma das antecessoras da Portugal Telecom. Na APT, ele foi responsável pela publicação de folhetos de relações públicas e promoção de serviços e por campanhas de comunicação de que resultariam cartazes assinados por nomes como Carlos Botelho, de 1930, reproduzido a seguir.
Logo após a conclusão do curso universitário, entrou para o jornal A Capital, onde chegou a chefe de redacção. A crítica literária, teatral e de espectáculos foi um meio onde se expressou abundantemente, naquele jornal mas também no Notícias Ilustrado, no Jornal do Comércio e no Diário Popular, aqui durante 21 anos (os recortes de notícias abaixo inseridos pertencem ao Diário Popular, de 3 e 4 de Dezembro de 1968). Alguns trabalhos humorísticos dele seriam Lisboa sem Camisa, O Casamento de Fifi Antunes, O Baile dos Bastinhos, O Galão de Alcântara, Amor de Perdigão, A Família Piranga e A Baratinha Loira. No seu obituário, nas peças noticiosas aqui impressas, indica-se que os textos dele alcançariam tiragens elevadas para o nosso mercado durante a década de 1940. A colaboração de Armando Ferreira estendeu-se ainda pelos júris dos concurso de peças de teatro patrocinado pelo SNI. Foi sócio fundador da Sociedade de Autores e Compositores Portugueses.
Logo após a conclusão do curso universitário, entrou para o jornal A Capital, onde chegou a chefe de redacção. A crítica literária, teatral e de espectáculos foi um meio onde se expressou abundantemente, naquele jornal mas também no Notícias Ilustrado, no Jornal do Comércio e no Diário Popular, aqui durante 21 anos (os recortes de notícias abaixo inseridos pertencem ao Diário Popular, de 3 e 4 de Dezembro de 1968). Alguns trabalhos humorísticos dele seriam Lisboa sem Camisa, O Casamento de Fifi Antunes, O Baile dos Bastinhos, O Galão de Alcântara, Amor de Perdigão, A Família Piranga e A Baratinha Loira. No seu obituário, nas peças noticiosas aqui impressas, indica-se que os textos dele alcançariam tiragens elevadas para o nosso mercado durante a década de 1940. A colaboração de Armando Ferreira estendeu-se ainda pelos júris dos concurso de peças de teatro patrocinado pelo SNI. Foi sócio fundador da Sociedade de Autores e Compositores Portugueses.
domingo, 29 de março de 2015
Vão os Gato Fedorento desaparecer?
O texto vem hoje no Diário de Notícias, assinado por Carla Bernardino. Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis formam o quarteto humorístico Gato Fedorento. Embora não haja separação oficial, não se sabe o que o grupo fará no futuro, disse Digo Quintela, empresário de Padaria Portuguesa. Mas Ricardo Araújo Pereira vai regressar sozinho à TVI na altura das eleições legislativas para o final deste ano, embora não seja em programa semelhante ao Esmiuçar os Sufrágios (SIC, Setembro de 2009), que atingiu uma média de 1,3 milhões de espectadores por sessão. No terreno da publicidade, o grupo terá chegado ao fim, pois Ricardo Araújo Pereira está sozinho na campanha da Meo.
sábado, 28 de março de 2015
Conduta jornalística nas redes sociais
Vêm aí regras para os jornalistas nas redes sociais, lê-se no Expresso: "Diário de Notícias, Expresso, SIC e TVI discutem os primeiros códigos de conduta para regular a actividade dos seus jornalistas nas redes sociais. RTP vai debater o tema. Polémicas e confusões entre os planos pessoal e profissional aceleram debate sobre ética jornalística".
sexta-feira, 27 de março de 2015
Laços de família
São quatro gerações da mesma família em exposição: Menez (1926-1995), Ruy Leitão (1949-1976), Joana Leitão Salvador e Madalena Leitão (desta não tenho imagem). Em exposição no Centro de Arte Manuel de Brito (Palácio Anjos, Algés).
quinta-feira, 26 de março de 2015
Música no Coração
O Diário Popular, de 2 de Setembro de 1968, publicava este anúncio sobre o filme Música no Coração, então em 58ª e última semana em exibição no cinema Tivoli, em Lisboa. 700 mil espectadores tinham já passado pela sala.
Não sei se houve algum filme com maior extensão em termos de tempo de exibição contínua. Certamente hoje não seria possível, até porque os gostos mudaram e existem diversas plataformas para ver filmes.
Na mesma semana, os milionários Schlumberger e Patiño davam festas espectaculares, onde estariam muitas figuras da aristocracia mundial, estrelas de cinema americano e gente do jet-set de então, divididos entre o Estoril e Azeitão, com crónicas de página inteira escritas por Vera Lagoa e Nuno Rocha (este disfarçado de engenheiro com a responsabilidade da electricidade, aproveitando os momentos disponíveis para fazer fotografias com uma pequeníssima máquina). Salazar adoecia e era, pouco depois, a 26 de Setembro, substituído por Caetano na chefia do governo.
Não sei se houve algum filme com maior extensão em termos de tempo de exibição contínua. Certamente hoje não seria possível, até porque os gostos mudaram e existem diversas plataformas para ver filmes.
Na mesma semana, os milionários Schlumberger e Patiño davam festas espectaculares, onde estariam muitas figuras da aristocracia mundial, estrelas de cinema americano e gente do jet-set de então, divididos entre o Estoril e Azeitão, com crónicas de página inteira escritas por Vera Lagoa e Nuno Rocha (este disfarçado de engenheiro com a responsabilidade da electricidade, aproveitando os momentos disponíveis para fazer fotografias com uma pequeníssima máquina). Salazar adoecia e era, pouco depois, a 26 de Setembro, substituído por Caetano na chefia do governo.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Diploma sobre propriedade dos media
Lisboa, 25 mar (Lusa) - "O jurista Paulo Câmara disse hoje à Lusa que o diploma relativo aos donos dos media é «bem direccionado», mas «deveria ir mais longe» e cobrir todos os casos de titularidade e impor um relatório de corporate governance.
Paulo Câmara, que é professor da Faculdade de Direito de Lisboa, da Universidade Católica e da Universidade Nova de Lisboa, foi hoje ouvido na comissão parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, no âmbito do requerimento apresentado pelo PSD e CDS/PP sobre a discussão do projecto de lei da iniciativa do PS que regula a promoção da transparência e da gestão dos media.
«Eu acho que é um diploma bem direccionado na medida em que o reforço da transparência sobre a titularidade e a gestão das empresas de comunicação social serve a opinião pública, a sociedade civil e também as próprias empresas e o ambiente de governo societário geral, no entanto o diploma deveria ir mais longe, sobretudo, fundamentalmente, em três aspectos», afirmou à Lusa Paulo Câmara, no final da sua audição parlamentar".
12:39 Quarta feira, 25 de Março de 2015
Dia Mundial do Teatro 2015 (27 de Março)
"Na sua infinita diversidade, o Teatro de Arte faz parte do património vivo através das novas dramaturgias e das traduções dos clássicos que vêm enriquecer a nossa língua em movimento, a verdadeira moeda de troca entre cidadãos, entre povos, entre culturas – no caso do Português, por esse mundo fora e a crescer. Urge fazer circular o nosso teatro, confrontando-o com outros públicos, abrindo espaço no mapa-mundo do saber" (da mensagem de Nuno Carinhas para o Dia Mundial do Teatro).
Festa do jazz em Lisboa
A Festa do Jazz, agora na 13ª edição, está de volta ao São Luís com três dias de concertos, de 27 a 29 de Março. Pedro Branco Trio, Lina Nyberg Band, Orquestra de Jazz do Hot Club de Portugal, Pablo Lapidusas e Joel Silva, André Santos, Gileno Santana, Maria João, Ensemble Super Moderne, Demian Cabaud Trio com Leo Genovese e Jeff Williams, Combo da Escola de Jazz do HCP (2014), João Guimarães Octeto, Deux Maisons, Kaja Draksler, Desidério Lázaro, Afonso Pais e Rita Maria e André Matos Trio + Tony Malaby são os músicos e cantores que animarão os concertos.
terça-feira, 24 de março de 2015
A profissionalização de um blogue
Na aula de hoje, tivemos uma escritora profissional de blogues. Licenciada em ciências da comunicação e antiga jornalista especializada nas áreas da cultura, moda, beleza e consumo, começou a escrever o seu blogue nessas temáticas. Onze anos depois de o iniciar, tem mais de 50 milhões de visitas, 200 mil seguidores no Facebook e Instagram, parcerias rentáveis com marcas e um público alvo estimado de mulheres vivendo em Lisboa e Porto entre os 20 e os 45 anos. Já em 2008, uma editora convidara-a a escrever um livro em papel com os melhores textos publicados no blogue. A evolução do blogue levou-a a criar uma marca de produtos e a abrir uma loja com uma amiga e agora sócia.
Para a convidada na aula, as empresas descobriram os blogues como veículos de maior propagação que os meios de comunicação mais tradicionais. A escrita em blogues é mais directa que esses outros meios. O estilo da sua escrita oscila entre o humor e a ironia, com um lado de cronista social. No começo, escreveu também sobre colegas, ainda numa fase de anonimato. Depois, quando o seu primeiro livro saiu, ela publicitou o nome e, apesar de perder alguma originalidade inicial, continuou a crescer em número de visitantes e comentários, granjeando mais popularidade.
As perguntas da turma foram estimulantes. Porque não criou uma revista em papel, que papéis desempenha, onde trabalha, como trabalha, como se relaciona com as marcas e os leitores, é isenta ou parcial, o sucesso foi preparado ou foi acontecendo por acaso, vê-se a escrever no blogue até à reforma, como articula texto e imagem (fixa e em movimento), como separa a informação que lhe chega à caixa de correio.
Agora, o trabalho da turma vai ser enquadrar a actividade desta autora de blogue e livros com a de criadora de negócios numa área emergente das indústrias culturais e criativas.
Para a convidada na aula, as empresas descobriram os blogues como veículos de maior propagação que os meios de comunicação mais tradicionais. A escrita em blogues é mais directa que esses outros meios. O estilo da sua escrita oscila entre o humor e a ironia, com um lado de cronista social. No começo, escreveu também sobre colegas, ainda numa fase de anonimato. Depois, quando o seu primeiro livro saiu, ela publicitou o nome e, apesar de perder alguma originalidade inicial, continuou a crescer em número de visitantes e comentários, granjeando mais popularidade.
As perguntas da turma foram estimulantes. Porque não criou uma revista em papel, que papéis desempenha, onde trabalha, como trabalha, como se relaciona com as marcas e os leitores, é isenta ou parcial, o sucesso foi preparado ou foi acontecendo por acaso, vê-se a escrever no blogue até à reforma, como articula texto e imagem (fixa e em movimento), como separa a informação que lhe chega à caixa de correio.
Agora, o trabalho da turma vai ser enquadrar a actividade desta autora de blogue e livros com a de criadora de negócios numa área emergente das indústrias culturais e criativas.
domingo, 22 de março de 2015
Ucrânia em Lisboa
Hoje, começou a semana da Ucrânia na freguesia de Arroios (Lisboa). À missa celebrada por um padre ucraniano e um português, dentro do ritual bizantino, seguiu-se a apresentação do Coro Católico Ucraniano, dirigido pela Maestrina Ivanna Stasiv, com temas adaptados das obras do grande poeta ucraniano Taras Shevchenko (1814-1861). O vídeo mostra um desses temas.
Na semana agora iniciada, há exposições, música, dança, cinema, poesia, teatro e gastronomia. Destaque para o documentário Stronger than Arms, no dia 24 de Março, às 18:30, no auditório do liceu Camões. Em Portugal, vivem atualmente cerca de 40 mil ucranianos, dos quais dez mil na Grande Lisboa.
sábado, 21 de março de 2015
Calçada de Santana (Lisboa)


Luís de Camões faleceu em 10 de Junho de 1580 nesta casa da Calçada de Santana, no número 139. Amália Rodrigues nasceu na rua Martim Vaz, paralela aquela, no número 84-86, a 23 de Julho de 1920. O mais importante poeta e a mais importante fadista do país, ambos a descansar agora no Panteão Nacional. Tão perto viveram, tão perto estão.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Organizações não governamentais e media segundo Sónia Lamy
Em 2007, cruzámo-nos no mestrado dela enquanto arguente da sua dissertação (A presença da AMI nas notícias. O contributo da ONG no discurso sobre Direitos Humanos) (ler aqui). Agora (2015), foi a vez da prova de doutoramento (As fontes não governamentais nos media. As ONG enquanto fontes de informação).
Em 2007, entre outras coisas, disse: "Trata-se de um capítulo bem construído e aquele em que aprendi mais [capítulo 1 – os direitos humanos e a sociedade]. Foca, nomeadamente, a consciência histórica dos conceitos relacionados a direitos humanos. […] Em Portugal, o sucesso de uma ONG é, simultaneamente: 1) resultado de organizações pequenas mas maleáveis e colocadas no terreno, desburocratizadas e não ligadas a fortes poderes identificados, 2) apoio do Estado (subsídios, participação em comissões, encomenda de estudos). Por outro lado, torna-se essencial uma classificação de ONG e a sua variada origem; por exemplo, a partir de movimentos sociais, grupos de pressão ou resultado de lóbingue. Uma ONG, ao formar-se, tem um ideal, uma causa. Qualquer causa é política. Há que distinguir causa política, no sentido nobre do envolvimento numa causa, e apoio a um campo partidário ou de grupo. [Depois], as ONG em geral sabem da importância do papel dos media e treinam e refinam a metodologia de abordagem aos media. Creio que a AMI [tema do seu trabalho] aprendeu nesse sentido. Qualquer pequena queixa de menor acompanhamento por parte dos media é, certamente, compreendida pela AMI (em especial a área de comunicação)".
Ontem, disse: "A tese está bem dividida em sete capítulos, indo dos temas em geral (jornalismo e ONG) para o seu cruzamento e temas em particular. Saliento o que escreve na p. 3 sobre a compreensão do processo de produção das notícias e o modo com se constrói a agenda e se reflete a realidade. Igual impressão positiva sobre a análise das notícias com vozes não-governamentais tais como ambiente, exclusão social e violação de direitos humanos (p. 152). Destaco igualmente o número de entrevistas feitas (17), como indica na p. 139, valor apreciável. A caracterização que decorre nas pp. 139-145 é clara e sucinta, que saúdo. Gosto ainda das regras para a comunicação das ONG e para a maior pluralidade nas notícias no final do texto".
Da esquerda para a direita: Francisco Rui Cádima, Cristina Ponte, Rogério Santos, Carla Cerqueira, Sónia Lamy, António Granado e Vasco Ribeiro (fotografia: Pedro Pereira Neto).
quinta-feira, 19 de março de 2015
Música moderna em 1968
O concurso de música moderna teve momentos de apuro. No dia 19 de Abril de 1968, promovido pelo CITU, no cinema Império, em Lisboa, agora transformado em sala de confissão religiosa, deviam apresentar-se quatro bandas. Faltaram duas. Das outras, os membros de uma vestiam smoking preto e ostentavam grandes cabeleiras, com "aplausos habituais, os gritos da praxe, os saltos no ar", e os da outra "casacas orientais (vermelhas e amarelas, com muitas fantasias), cantavam e tocavam os últimos ritmos ié-ié, mais à la page" (Diário Popular, 20 de Abril de 1968). O júri, constituído por locutores e gente ligada ao mundo dos espectáculos, classificou as bandas, mas a assistência não gostou. A segunda parte do espectáculo já não se realizaria. A banda Psycho ganhou o concurso a 17 de Maio de 1968, com direito a fotografia no Diário Popular (18 de Maio de 1968).
Nesse ano, Salazar teve um AVC, longo abalo no Estado Novo e cujo regime entraria num longo estertor. Nos Estados Unidos, o pastor Martin Luther King e o senador democrata Robert Kennedy eram assassinados, a França vivia uma revolução social e cultural, que ficou com a designação de Maio de 68, a guerra no Vietname chegava a um ponto sem retorno para as tropas americanas e a Checoslováquia era invadida pelos tanques russos, acabando a primavera de Praga. Com uma frequência assustadora, o Diário Popular publicava fotografias de soldados portugueses mortos nas guerras coloniais (Moçambique, Guiné). Em Lisboa, a juventude alienava-se com o festival ié-ié.

Nesse ano, Salazar teve um AVC, longo abalo no Estado Novo e cujo regime entraria num longo estertor. Nos Estados Unidos, o pastor Martin Luther King e o senador democrata Robert Kennedy eram assassinados, a França vivia uma revolução social e cultural, que ficou com a designação de Maio de 68, a guerra no Vietname chegava a um ponto sem retorno para as tropas americanas e a Checoslováquia era invadida pelos tanques russos, acabando a primavera de Praga. Com uma frequência assustadora, o Diário Popular publicava fotografias de soldados portugueses mortos nas guerras coloniais (Moçambique, Guiné). Em Lisboa, a juventude alienava-se com o festival ié-ié.

quarta-feira, 18 de março de 2015
FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo -Programação Beja
Em 2014, a companhia de teatro Lendias d’Encantar fez a primeira edição do FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo, com cerca de meia centena de artistas portugueses, uruguaios, colombianos, espanhóis, brasileiros e cubanos, em trinta espectáculos de teatro e de música em Beja e Évora. Em 2015, a programação do FITA estende-se durante todo o mês de Março (4 a 28). Além de Beja e Évora, a programação chega ainda a Portalegre. Ver a programação restante do festival aqui.
Audiências de rádio (Fevereiro de 2015)
De acordo com os resultados divulgados pela Marktest (estudo Bareme Rádio) relativos à primeira vaga de 2015 (Fevereiro), a Rádio Comercial (grupo Media Capital Rádios) obteve um reach semanal de 32,6%, audiência acumulada de véspera de 16,2% e share de audiência de 23,6%. Seguiram-se a RFM (grupo r/com), com reach semanal de 31,8%, audiência acumulada de véspera de 15,3% e share de audiência de 21,3%, e a Rádio Renascença com reach semanal de 15,3%, audiência acumulada de véspera de 6,6% e share de audiência de 8,0%. Por grupos de estações, o grupo r/com assegurou 34,3% de share de audiência, com um reach semanal de 48,0% e 24,7% de audiência acumulada de véspera.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















.jpg)



