sábado, 30 de março de 2013

II Congresso da Confibercom

Investigadores do espaço ibero-americano vão reunir-se em Portugal dentro de um ano, por ocasião da Páscoa de 2014. O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (Universidade do Minho) já iniciou a preparação do II Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana, promovido pela CONFIBERCOM. O evento está agendado para o período de 13 a 16 de Abril de 2014. O call for papers está previsto abrir em Julho de 2013 (informação a partir da newsletter de Março da SOPCOM). Para a organização, o evento pretende ser, no domínio das línguas ibéricas, uma alternativa à hegemonia anglo-saxónica no campo das ciências sociais e humanas. E em que se colocará em discussão a política científica nacional.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Produção ficcional da SP Televisão

sp televisãoA SP Televisão é uma produtora de ficção televisiva criada em 2008, vocacionada para séries e telenovelas. Pertença do Grupo Madre, que anteriormente tinha uma participação na NBP, seria a primeira produtora nacional a gravar em alta definição, com dois clientes fundamentais, RTP 1 e SIC, e uma co-produção que se está a revelar estratégica, a Rede Globo.

O volume SP Televisão. A Força da Ficção, editado nos finais de 2012, revela a produção realizada naquela empresa. Contei dezasseis produções ao longo do volume, com o meu destaque para Laços de Sangue (SIC, 2010-2011), vencedora de um Emmy, Vila Faia (RTP 1, 2007-2008, remake de 1982), Conta-me Como Foi (RTP 1, 2007-2011), Dancin' Days (SIC, 2012) e Depois do Adeus (RTP 1, 2012). Os responsáveis da produtora focam a sua atividade em duas linhas: qualidade das produções e respeito pelos que desenvolvem ali a sua atividade profissional.

O livro apresenta a sinopse de cada série ou novela, ideias de (e sobre) as personagens e artistas principais e personalidades das diversas atividades mais focadas em cada produto da SP Televisão.

Leitura: José do Amaral (coord.) (2012). SP Televisão. A Força da Ficção. Lisboa: Centauro, 358 p., 14,95 €

Call for Papers: Hidden Professions of Television

rawVIEW, Journal of European Television History and Culture, Vol. 2, Issue 4. Deadline for abstracts: May 1st, 2013.

"Offering an international platform for outstanding academic research on television, VIEW has an interdisciplinary profile and acts both as a platform for critical reflection on the cultural, social and political role of television in Europe’s past & present and as a multimedia platform for the circulation and use of digitized audiovisual material. The journal’s main aim is to function as a showcase for the creative and innovative use of digitised television materials in scholarly work and to inspire a fruitful discussion between audiovisual heritage institutions (especially television archives) and a broader community of television experts and amateurs. In offering a unique technical infrastructure for a multimedia presentation of critical reflections on European television, the journal aims at stimulating innovative narrative forms of online storytelling, making use of the digitized audiovisual collections of television archives around Europe.

"VIEW, the Journal of European Television History and Culture, is the first peer-reviewed multimedia e-journal in the field of television studies. The theme of the fourth issue is Hidden Professions of Television, which can be interpreted broadly within the European television context. The issue seeks to shine a light on the ‘behind the scenes’ activities of television and their hidden, often unrecognised and uncelebrated personnel and processes".

See more here.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Fernanda Alves

fernandaO texto de Miguel Loureiro que acompanha o catálogo da peça Fernanda elucida-nos do trajecto da actriz Fernanda Alves Sampaio (1930-2000). No começo da sua vida, ela ia ao Coliseu com o pai, o tipógrafo Alves, ver óperas, operetas e zarzuelas. Dos nove aos quinze, passou pela Rádio Renascença, nas emissões de O Papagaio. O pai, pelos maus resultados da escola, obrigou-a a interromper a actividade de cançonetista, mas ficou vaidoso porque ela ganhou uma menção honrosa num concurso da Rádio Graça, o programa Vozes da Rádio.

Depois, Fernanda Alves teve uma vida inteira no teatro: Gerifalto, Teatro de Sempre, Teatro da Trindade, dirigida por Álvaro Benamor, Teatro Experimental do Porto, Teatro Moderno de Lisboa (1964-1965), de novo no Porto, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro-Estúdio de Lisboa, de Luzia Maria Martins, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Laboratório de Lisboa - Os Bonecreiros (1971, com Mário Jacques, Melim Teixeira, Glicínia Quartin, João Mota e Manuela de Freitas), um sucesso no Instituto Alemão (porque a censura não podia ali exercer influência), A Barraca (com Maria do Céu Guerra). Morreu quando estava a preparar Barcas de Gil Vicente, no Porto.

A peça Fernanda. Quem Falará de Nós, os Últimos, em exibição no Mosteiro de São Bento da Vitória no Porto até hoje, com encenação de Fernando Mora Ramos, com este actor e Joana Carvalho no palco, é a comovente história da actriz contada pelo marido Ernesto Sampaio, após a morte dela e editada em Fernanda (Ed. Fenda, 2000). Diz o livro e diz o actor: "Quantos erros, quanta melancolia, quanta vida desperdiçada, quanto amor vão ficar ali estendidos, indefesos, abandonados como crianças postas de castigo e que adormecem de dor, renunciando a tudo. Quem saberá, depois de nós? Quem falará de nós? Os últimos, nós seremos os últimos estendidos de uma grande família ignorada que atravessou os séculos dos séculos em termiteiras a perder de vista destruídas e reconstruídas".

Um pormenor muito importante no dispositivo cénico de Isabel Lopes e Fernando Mora Ramos: a
porta, onde aparece a imagem de Fernanda e onde Ernesto desaparece no final da peça, elemento de grande simbolismo. As ideias da passagem, da vida e da morte, das transformações, da luz e do silêncio, passam ali, com os espectadores voltados para a porta. As muitas palmas no final da peça foram mais que merecidas: à actriz agora revisitada, ao trabalho de Fernando Mora Ramos e colegas.

terça-feira, 26 de março de 2013

História do Rádio Clube Português (18)

RCP18No número 21 da revista Antena (1 de janeiro de 1966), era impresso o 18º capítulo da história do Rádio Clube Português. Seria o último, pois durante o resto da existência da publicação (até 15 de Outubro de 1968) nunca mais saiu aquela rubrica.

O Rádio Clube Português vivia o ano de 1938. Então, na vizinha Espanha, a guerra civil estava a chegar ao fim, mas uma igualmente trágica guerra ia começar, agora abrangendo a Europa toda. Mas, o autor do texto evitou referir-se ao acontecimento no país ao lado, como o fez abundamente em anteriores episódios, e debruçou-se sobre as questões económicas da estação. Um défice de 48 contos seria inscrito no relatório de 1937, um valor muito elevado na época (receitas: 398 contos; despesas: 446 contos). Um novo emissor de 30 kW começava a trabalhar em Outubro de 1938 (1296 contos). As emissões ainda não eram diárias, mas, pelo menos aos sábados, a voz da estação da Parede atingia toda (ou quase toda) a Europa.

Um aspecto interessante: o arranque das retransmissões de música de dança de uma sala do Casino do Estoril. Ali, diz o texto, actuava um pianista excepcional de jazz, Jimmy Campbell. Na história da rádio em Portugal, pelo menos até ao começo da década de 1960, era normal as estações transmitirem directamente música de dança de salas-concerto.

Observação: apesar desta fonte (revista Antena) não ter mais informação sobre a história da estação, procurarei fornecer outros elementos, dentro da linha editorial dos textos apresentados até aqui.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cartazes de propaganda chinesa no Museu do Oriente

cartazes chinesesO Museu do Oriente expõe presentemente 100 cartazes de propaganda chinesa, do período entre 1950 e 1981.

Os principais temas abordados são a glorificação do presidente Mao Zedong e dos heróis comunistas, a prosperidade da economia, a luta contra o imperialismo, a felicidade do povo e o poder do exército, as pinturas do ano novo (que fogem à estética revolucionário, ou melhor, constituem uma adaptação da revolução aos gostos populares antigos), cultura popular e diversidade étnica, e influência do maoismo em Portugal.

Além dos cartazes, a exposição apresenta marionetas, recortes de papel, pins, brinquedos e vestuário, alargando mais a informação sobre um país e um estilo de regime, em que a arte esteve ao serviço da política. Dos cartazes, relevo as faces reconchudas, roseadas e sorridentes de crianças, dos camponeses e dos operários, com muitas flores e grandes colheitas, todos bem vestidos, aplicados ao estudo, ao trabalho e à causa política, e com alguns elementos de comodidade pessoal e no lar, numa mostra de felicidade neo-realista que não coincidia com a verdadeira realidade, como depois foi analisada.

Os cartazes seriam impressos às dezenas de milhar por todo o país, exercendo uma enorme influência interna. Mas também chegaram à Europa e inebriaram jovens voluntaristas e cheios de ilusões que viam a revolução chinesa como o farol da nova sociedade, desde a segunda metade da década de 1960 até quase ao início da década de 1980.

sábado, 23 de março de 2013

História do Rádio Clube Português (17)

[Publicado originalmente em http://industrias-culturais.hypotheses.org/23182]
 

No nº 20, de 22 de Dezembro de 1965, a revista Antena publicava o episódio 17 da história do Rádio Clube Português. Se, no texto anterior, houve uma referência ligeira ao teatro radiofónico, neste episódio a alusão ao teatro na rádio foi mais profunda. Nele, enumeram-se os nomes de Ana Spranger, Meniche Lopes, Margarida Franco, Artur Moura, Rui Furtado, Jaime Santos, António Cruz e Azevedo Moreira, dirigidos por Manuel Lereno. O teatro radiofónico alcançava um número elevado de ouvintes, mesmo que fosse transmitido a horas tardias. Outro tópico do texto era o das empresas editoras de discos e o das lojas que os comercializavam.

Lê-se no texto: "oferecer aos ouvintes portugueses música de Portugal não era coisa fácil". Mas, de norte ao sul, o povo cantava e dançava um repertório de música folclórica quase desconhecido dos outros, comenta o mesmo texto. Ainda em 1938, um ano de fortes memórias para o autor destes episódios da história da emissora, o carro de som fez gravações de música regional que animou, durante algum tempo, os programas da estação. O texto exalta a renovação desse tipo de música, com a formação de novos ranchos folclóricos, como acção directa dos programas do Rádio Clube Português.

Esta era, contudo, uma emanação do poder político, com as campanhas do Secretariado Nacional de Informação sob a direcção de António Ferro. No centenário, comemorado em 1940, o esforço alargava-se à Emissora Nacional, de que se notabilizou Armando Leça, já aqui lembrado.

quinta-feira, 21 de março de 2013

XIII Congreso Asociación Historiadores de la Comunicación, 21 al 23 de octubre 2013

humor

XIII Congreso Asociación Historiadores de la Comunicación. Facultad de Periodismo. Campus de Cuenca. 21 al 23 de octubre 2013 [Cuenca, Castilla-La Mancha].

El humor como estrategia para lograr una mayor eficacia comunicativa ha sido una constante en la historia de la humanidad. En tiempos contemporáneos, el humor se ha convertido en razón de ser de publicaciones periódicas de diverso tipo y ropaje, identificadas casi siempre como satíricas por ser críticas de normas y personas. Unas publicaciones donde texto y, sobre todo dibujo, conforman un mensaje de consecuencias imprevisibles, pues sólo hace falta ver para ser partícipe.

El futuro XIII Congreso de la Asociación de Historiadores de la Comunicación dedicará su eje central de ponencias y comunicaciones a esta línea tan importante de la historia de la comunicación. Pero no sólo el humor en la historia. Conscientes de que algunos de los problemas actuales en el mundo de la comunicación no se podrán superar sin una correcta dimensión histórica de los mismos, este XIII Encuentro de la AHC propone otros dos subtemas de gran interés: “La construcción de los imaginarios nacionales”, por un lado; y por otro, “Negocios y empresas en la historia del periodismo”.

Finalmente, la parte metodológica que siempre han cubierto estos congresos, se propone que en esta ocasión se centre en la historiografía de la prensa. Las fechas clave del congreso son las siguientes: •Plazo para el envío de propuestas: hasta el 15 de Septiembre de 2013
•Celebración del Congreso: del 21 al 23 de Octubre de 2013
•Envío del texto completo para su evaluación y posible publicación en Actas: hasta el 15 de Noviembre de 2013
[http://blog.uclm.es/congresohc/]

Exposição sobre Luzia Martins

Luzia Martins
Luzia Maria Martins (1926-2000), encenadora e autora de teatro, foi uma das fundadoras do Teatro-Estúdio de Lisboa (1963).

Adalberto, o homem simples que quis ser locutor de televisão e se apaixonou por Miriam, que o convidou para padrinho de casamento

assAdalberto Silva Silva, uma interpretação de Ivo Alexandre a partir de monólogo de Jacinto Lucas Pires, esteve em cena no teatro Carlos Alberto, no Porto, na série Solos (de que já fiz aqui referência). É a história de um homem comum que conta a sua história de paixão por uma rapariga, uma deusa, como ele diz ao começo. [imagem à esquerda retirada do sítio do Teatro Municipal Joaquim Benite]

Ele viu-a a primeira vez na saída do supermercado, estava carregada com sacos pesados. Ia para uma festa. Ele ofereceu-se para a ajudar até ao carro dela. Ela, Miriam, já não sabia onde o deixara. No final, ele deixou cair os ovos, ela zangou-se. Voltaram a encontrar-se num outro dia, no mesmo sítio, pois ele passara a escrutinar diariamente o local à procura dela. Trocaram os números de telefone. Um dia, ela pediu-lhe outra ajuda: a mudar as coisas da sua casa, pois ia deixá-la. Ele era tão grande amigo dela, ele acreditava que ela também estava apaixonada por ela. Pura ilusão: ela ia casar e convidou-o para padrinho.

A história é interessante, mas o melhor é o modo como ela é construida, contada e interpretada. O homem normal fala do seu sonho, procura ser um apresentador de televisão, um pivot de telejornal, e até narra qualquer coisa parecida com publicidade (tipo: Paranóia, à venda em parafarmácias). Tem um microfone e um brinquedo de sons, este a funcionar como separador musical. Em vez de notícias, há a história dele, Adalberto. Diversas interrupções ajudam a resituar e a recontar a história, até que ela fica mais clara para os espectadores.

Jacinto Lucas Pires diz que o seu interesse em trabalhar com Ivo Alexandre também resultou do estado actual de crise económica, pois a peça é barata: um escritor e um actor. Não há produtor ou encenador, não há teatro que produz [ver aqui no link uma curta apresentação da peça].

Um dia, os dois encontraram-se numa sala de ensaios do CCB: Jacinto Lucas Pires trazia algumas páginas e um nome, Adalberto Silva Silva, e Ivo Alexandre trazia-se a ele próprio. A ideia de fazer teatro pobre, mínimo, foi-se desenvolvendo: um anti-herói começou a germinar. No dia seguinte, o escritor acrescentou palavras e o actor deu-lhe alma e corpo, acrescentando-se na história umas quebras tipo anúncios-parêntesis-canções. Ao fim de uma semana ou duas de ensaios tinham construído uma peça. Depois, houve um intervalo, com cada um a ir à sua vida, até que se reencontraram numa sala de ensaios do teatro de Almada, uma sala de café-concerto, passaram pelo Teatro Académico Gil Vicente e agora passaram também pelo Porto.

Diz Adalberto em Adalberto Silva Silva: "Claro que dá muito trabalho isto de ser artista e de querer ser cada vez mais e mais e mais artista. Sim, sim. Temos aulas de leitura rápida com exercícios de teleponto e karaoke, temos trabalho intensivo de ginásio (musculação e massagem) e também introdução à telegenia, que é uma das cadeiras mais difíceis e exigentes [...]. E ainda temos treino de microfone. Aprendemos a colocar a voz lá em baixo, lá no fundo. «U-a-u-a-u-a-u». [...] E depois também temos, naturalmente, o «persônal cáutchim" que nos dá umas técnicas de como falar com números".

segunda-feira, 18 de março de 2013

Arnaldo Trindade

ATO texto de Rui Branco, ontem no Notícias Magazine sobre Arnaldo Trindade, é muito claro. Arnaldo Trindade, personalidade simpática nascida em 1934, dono da loja de eletrodomésticos com o seu nome e da etiqueta musical Orfeu, é sobre esta que o texto se debruça. A partir do Porto, ele construiu uma das mais importantes marcas discográficas no país durante a década de 1960 e seguintes.

Da sua juventude, recorda o Liceu Alexandre Herculano, as leituras que fez (Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Teixeira de Pascoaes, a casa de quem foi e de quem tem um livro autografado), as tertúlias no café Majestic, mesmo em frente à loja do seu pai, onde privavam vultos da cultura e das artes portuenses, e as férias de verão nos Estados Unidos, onde um tio seu era engenheiro na General Motors. No regresso às aulas, ele contava o que tinha visto naquele país e que ainda não havia em Portugal: autoestradas, supermercados, televisão a cores.

Entrou em engenharia mas não concluiu pois sucedeu ao pai no negócio dos eletrodomésticos e dos discos. Dos discos, ele passou às gravações. Lançou a Orfeu em 1956, inicialmente com discos de poesia. Demorou mas conseguiu convencer Miguel Torga a ler os seus poemas; depois, vieram José Régio e Alberto Serpa. As capas dos discos eram criadas por artistas como Moreira Azevedo e Isolino Vaz ou fotógrafos como Fernando Aroso. A seguir, vieram os discos de jazz, tendo gravado jovens talentos.

AT1Já no começo da década de 1960, surgiam outros valores, no conceito de catálogo. De um lado, a música popular do norte, como Maria Albertina, António Mafra, Quim Barreiros, Rancho de Santa Marta de Portuzelo. Do outro lado, Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Fausto, Vitorino, José Mário Branco, José Jorge Letria, uma plêiade de artistas e cantores que, ainda hoje, nos interrogamos como foi possível essa elevadíssima elaboração estética num país pequeno e amordaçado politicamente e quase isolado do mundo [na fotografia ao lado: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Arnaldo Trindade].

Arnaldo Trindade tornara-se representante em Portugal de etiquetas como Tamla Motown, Island, Durim e Pye Records. Organiza convenções do disco, onde músicos internacionais e seus representantes aparecem. Concertos com Marino Marini, Sylvie Vartan, Sandie Shaw, Diana Ross e Jackson Five foram organizados. Investe no Festival da Canção, onde ganham artistas representados na sua etiqueta: Carlos Mendes, José Cid, Armando Gama. Arnaldo Trindade compraria a Rádio Triunfo, outra marca do Porto, mas algumas das etiquetas representantes desta, como a CBS e a Warner Brothers, estavam de saída, pelo que a Triunfo perdeu muito do seu valor, acabando por desaparecer.

domingo, 17 de março de 2013

O "black metal" segundo Sónia Pereira

media e crimeO número mais recente da revista Comunicação e Cultura (14) traz o título "Media e Crime", o tema central. Para os organizadores do volume, José Manuel Paquete de Oliveira e Verónica Policarpo, confirmou-se "um evidente maior grau de visibilidade do crime, dado o aproveitamento das notícias sobre o fenómeno da criminalidade fomentar um forte e apetecível efeito de captação de audiências, ao preencher um conjunto considerável de critérios de noticiabilidade".

Na edição, há textos de Chris Greer e Eugene McLaughlin, Lieve Gies, Yvonne Jewkes, Marília de Nardin Budó, Leonor Sá (cujo trabalho se debruça sobre o retrato judiciário, de onde sairam as fotografias da capa) e Argus Romero Abreu de Morais e Ivan Vasconcelos Figueiredo. A revista Comunicação e Cultural traz outros textos fora da temática principal.

Destes, destaco o de Sónia Pereira, assessora científica do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, que edita a publicação, onde ela escreve sobre o black metal. Este, desde finais da década de 1980 e início da década seguinte, distinguiu-se dos outros géneros por causa do seu discurso radical e mais transgressivo. Para a autora (que podemos ver num curto vídeo abaixo), elitismo, individualismo e misantropia são três características da comunidade black metal, a par de um apelo nostálgico de regresso a um passado ideal, com recusa da modernidade (elementos a partir da síntese do texto).

quarta-feira, 13 de março de 2013

Livro de Mário Mesquita apresentado em Lisboa

MMFoi numa sala cheia de gente - colegas, amigos, família, antigos alunos, conhecedores da sua obra - que Mário Mesquita lançou o seu livro O Estranho Dever do Cepticismo (editado pela Tinta da China), no Corte Inglés. Teve apresentação de Lídia Jorge (que prefacia o livro) e Eduardo Paz Ferreira (de que incluo aqui uma parcela do seu brilhante texto).

O livro de Mário Mesquita, O Estranho Dever do Cepticismo, é uma excelente recolha de textos que publicou nos jornais ao longo dos últimos vinte anos (Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Público, Jornal de Notícias, Paralelo). As suas instruções para uso (da leitura do livro), colocadas no começo do mesmo, justificam as razões de escolha dos textos. Muitos deles seguiram a agenda mediática de então, são comentários, crónicas (que o autor enjeita), vários com grande impacto nos seus leitores. Curiosamente, indica Mário Mesquita, os textos que lhe davam mais trabalho de investigação eram os menos citados; os mais à flor da pele, posicionados sobre os temas em agenda, eram os mais populares (p. 26). Depois de uma selecção de pouco mais de cem de uma base de quase quinhentos comentários, ficou um conjunto notável. Basta percorrer o índice da primeira parte, Pessoas: Hans Robert Jauss, George Steiner, Norberto Bobbio, Celso Furtado, Sigmund Freud, Eduardo Lourenço, David Mourão-Ferreira, Jorge Listopad, Álvaro Guerra. E seguir os títulos das outras partes do livro: Memória, Acontecimentos, Conjunturas, Instituições, Crises, Iraque, Timor, Itália. Cada texto tem uma dimensão de cerca de três páginas, o espaço ocupado pelas suas colunas nos jornais onde escreveu. Apesar de textos curtos, eles têm uma grande densidade, quando fala de pessoas (como quando escreveu sobre Paul Ricoeur, por exemplo). Ou uma tomada de posição filosófica, quando não política, mordaz ou de grande ironia, quando se refere a acontecimentos e à sua espuma nos dias em que ocorrem (casos de Sócrates, Santana Lopes), denotando uma rara erudição e uma cultura de matriz europeia (leia-se greco-latina, das luzes e do socialismo europeu).

MM

segunda-feira, 11 de março de 2013

Conferências sobre revistas políticas e literárias no Estado Novo


A revista Seara Nova nos anos 60 e 70", Conferência por António Reis (UNL/FCSH) - 12 Março, 18:00 (BMRR - Cidade Universitária).
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sábado, 9 de março de 2013

AO NORTE - Associação de Produção e Animação Audiovisual

PrimeirOlhar_2013_1609b1fA AO NORTE – Associação de Produção e Animação Audiovisual foi fundada em Dezembro de 1994 e é uma associação sem fins lucrativos. Tem por fim a produção e a divulgação audiovisual, bem como a cooperação para o desenvolvimento, na área do ensino, educação e cultura, designadamente através da divulgação das realidades dos países em vias de desenvolvimento junto da opinião pública.

Abertura de inscrições até 5 de Abril de 2013, para o Prémio PrimeirOlhar. Secção competitiva dos Encontros de Cinema de Viana, com o objectivo de promover o documentarismo e destinado ao melhor documentário realizado por alunos das escolas de cinema, de audiovisuais e de comunicação, ou por participantes em cursos de formação nessa área, de Portugal e da Galiza.

Apresentação de livro de Mário Mesquita

Mário Mesquita vai lançar o seu livro O Estranho Dever do Cepticismo (editado pela Tinta da China) no dia 13 de Março, 4ª feira, às 18:30, no Corte Inglês. Apresentação de Lídia Jorge (que prefacia o livro) e Eduardo Paz Ferreira.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Visita guiada a exposição na Casa da Achada

No sábado, dia 9 de março, pelas 16:00, Eduarda Dionísio conduz uma visita guiada à exposição 28 artistas amigos de Mário Dionísio – reconstituição das paredes duma casa. A exposição contém obras de arte que foram oferecidas aquele autor e homem das artes, quase todas por quem as fez. A exposição reconstitui as paredes da casa de Mário Dionísio e Maria Letícia, com obras de pintura, desenho e escultura, da autoria desses artistas: Abel Salazar, Álvaro Cunhal, António Augusto de Oliveira, António Cunhal, Avelino Cunhal, Betâmio de Almeida, Boris Taslitsky, Cândido Costa Pinto, Cândido Portinari, Carlos de Oliveira, Carlos Scliar, Cipriano Dourado, Germano Santo, João Bailote, Joaquim Arco, Jorge de Oliveira, José Huertas Lobo, José Joaquim Ramos, José Júlio, Júlio, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Filipe, Manuel Ribeiro de Pavia, Maria Barreira, Raul Perez, Rogério de Freitas e Vieira da Silva. A Casa da Achada fica na rua da Achada, 11, em Lisboa.

A Arqueolojista expõe no Brasil

mami pereira

Falei da A Arqueologista em 6 de outubro de 2011. Agora, Mami Pereira, jornalista, fotógrafa e autora do blogue A Arqueolojista, expõe no Brasil (Curitiba) no Ciclo da Fotografia Portuguesa no Brasil, evento pioneiro que tem como objetivo apresentar a fotografia portuguesa contemporânea através do trabalho de jovens artistas até 2 de abril. Outros jovens fotógrafos portugueses são: Rodrigo Bettencourt da Câmara, Francisca Veiga, Mariana Marote, Rodrigo Amado, João Serra, Teresa Palma, Helena Peralta e Cláudia Rita Oliveira.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sempre no Ar, Sempre Consigo

24.8.1963Em 1963, o Rádio Clube Português iniciava um novo ciclo, com a emissão contínua em ondas médias (e curtas) e uma programação autónoma de FM. Assim, no jornal O Século lia-se que, “A partir de hoje, o Rádio Clube Português passa a trabalhar sem interrupção, através dos seus emissores de onda média e onda curta, da Parede, o que constitui caso único no nosso País, e pouco vulgar no estrangeiro” (24 de agosto de 1963) [o recorte, ao lado, pertence ao Diário de Lisboa, do mesmo dia]. A inclusão de um serviço noticiário às 4:45 era outra nota de dinamismo na estação.

Olhando a programação inserida em O Século (4 de setembro de 1963), surgia a indicação de Programas Diversos. Na realidade, o programa chamava-se Sintonia 63. Para dar conta dessas efemérides, a Universidade Católica organiza um colóquio, Sempre no Ar, Sempre Consigo, no próximo dia 23 de abril, aberto a todos os interessados. Sempre no Ar, Sempre Consigo foi a marca (slogan) da estação a partir dessa altura.
  Sempre No Ar, Sempre Consigo (versão 3)

domingo, 3 de março de 2013

Prémios SPA para música e rádio

Ao final da tarde do passado dia 28 de fevereiro, na Sociedade Portuguesa de Autores, foram entregues os Prémios Pedro Osório e Igrejas Caeiro respectivamente a Rão Kyao, pelo disco Coisas que a Gente Sente, de 2012, e Luís Filipe Costa, pela carreira dedicada à comunicação radiofónica em Portugal. Na imagem, da esquerda para a direita: Luís Filipe Costa, José Jorge Letria, Rão Kyao e João Lourenço. Os sons abaixo têm excertos de comentários de Luís Filipe Costa e João Lourenço sobre Francisco Igrejas Caeiro.

SPA

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Encontro de media no Brasil

9º Encontro Nacional de História da Mídia, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), 30 de maio a 1º de junho de 2013, Ouro Preto - MG. Ver mais em www.jornalismo.ufop.br/historiadamidia, www.facebook.com/HistoriaDaMidia, www.twitter.com/historiamidia.

mídia

A recepção dos Doors em Portugal

Os Doors surgiram em 1965 e acabaram em 1971, com a morte de Jim Morrison, o vocalista e alma da banda americana (no formato da banda inicial, que incluía Ray Manzarek nas teclas, Robby Krieger na guitarra e John Densmore na bateria), com influências de diferentes estilos musicais, casos do blues, do jazz, da country music e do movimento psicadélico. O seu impacto mundial foi enorme, marcando de forma inegável a cultura popular e de massa na segunda metade dessa década de 1960 e muito depois.

Rui Pedro Silva, um grande fã da banda e um dos seus mais conceituados biógrafos, escrevera Contigo Torno-me Real (2003). Agora, e depois de uma intensa investigação em Los Angeles, a cidade da banda, com especial incidência nos arquivos da Universidade da Califórnia (UCLA), onde Jim Morrison e Ray Manzarek se conheceram no curso de cinema, publica Caravana Doors. Uma viagem luso-americana (editora Documenta, 2012).

O livro tem duas partes distintas: a primeira dedicada ao percurso dos Doors, a segunda ao seu impacto em Portugal. Retenho a segunda parte do livro, onde o autor faz uma exploração sistemática da imprensa nacional e especializada em busca de ecos e reflexões da banda americana (Jornal de Notícias, Mundo da Canção, A Memória do Elefante, Música & Som, Se7e, Blitz). Numa das publicações, Mundo da Canção (Fevereiro(Março de 1981), era reconhecido o esforço de divulgação da música dos Doors, apresentado como produto de qualidade (p. 195). Mas também realça a passagem da banda na rádio, através dos seus discos (em alguns programas de rádio), casos de Unknown Soldier, pela comparabilidade de situações nos Estados Unidos (guerra do Vietname) e Portugal (guerras coloniais em África), Light My Fire e Strange Days.

Aqui, o programa Em Órbita (Rádio Clube Português) é destacado. Nascido no mesmo ano da banda norte-americana, o programa de Jorge Gil passou exclusivamente música anglo-americana, incluindo os Doors. Em entrevista ao jornal Se7e (16 de Julho de 1980), Gil disse: "A música que passávamos falava dos problemas dos jovens americanos e ingleses, mas não deixava de ter reflexos na realidade portuguesa. Quando se falava na guerra do Vietname estava-se, por via indirecta, a falar na guerra colonial" (p. 191).

Retiro mais alguns dados, a partir de uma entrevista dada por Rui Pedro Silva em 2011: "«Muitas bandas ao longo das décadas assumiram-se fãs incondicionais dos Doors, e algumas em particular do Jim Morrison, mas nenhuma conseguiu chegar ao brilhantismo que os Doors assumiram na música e no casamento da música com a poesia», referiu Rui Pedro Silva, autor do livro Contigo Torno-me Real. O autor, que está a preparar um segundo livro sobre os Doors, salientou que muitos tentaram imitar a banda de Jim Morrison, «mas ficaram muito longe» de conseguirem. «Outros beberam a influência e, de uma forma original, foram criar o seu próprio caminho», afirmou, destacando o caso de Ian Astbury, vocalista dos Cult, que mais tarde veio a ser convidado para representar Jim Morrison na banda que assumiu a designação Doors Século XXI" (Diário de Notícias).

O livro tem uma terceira parte, a de entrevistas e recolhas de opinião com artistas, agentes culturais e profissionais da rádio sobre o impacto da obra dos Doors: Cândido Mota, Ana Cristina Ferrão, António Manuel Ribeiro, Joaquim de Almeida, Tino Navarro, Filipe Mendes (Phil Mendrix), António Garcez, Sérgio Castro, João-Maria Nabais (a quem julgo que pertencem as pp. 394-401, mas não devidamente identificadas, pela densidade narrativa distinta do resto do volume) e outros.

Leitura: Rui Pedro Silva (2012). Caravana Doors. Uma viagem luso-americana. Lisboa: Documenta, 414 p., 24,99 euros

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O estado do bosque

José Tolentino de Mendonça distribui por cinco personagens a peça O Estado do Bosque (2013): John Wolf, o guia da floresta, Peter Weil e Jacob, mais jovem, os dois caminhantes na floresta, Viviane Mars e o Destino. São sete cenas, em que as diferentes personagens falam e revelam ao leitor como se entra, como se percorre e como se aspira a chegar a um ponto (fim, eterno, paraíso, alegria).

Logo na primeira cena indaga Peter (Pedro) a John (João) do sentido do trilho. John, que é cego, responde não saber pois cada trilho leva a mais do que um sentido. Há aqui uma asserção realista: cego não consegue esclarecer. Há também uma posição simbólica: a vida de cada um tem um sentido, um significado, mas cada indivíduo precisa de a procurar, ou seguir, ou construi-la.

No texto, nota-se a busca, a vontade de obter uma resposta. Diz o cego muito mais à frente (cena seis) que à noite o bosque deixa de ser cegueira: o que vê e o que não vê detectam as mesmas coisas - nada. Nessa cena, o cego (o Tirésias grego) dialoga com o destino, que o interroga porque ele arrasta inocentes para o bosque. O destino insiste em saber o que faz John desde que o sol desce e a escuridão se abate sobre o bosque. O Tirésias do bosque distingue os cheiros, as vozes, os acentos. A revelação, a procura da luz e da fé estão patentes em todo o belo texto do padre Tolentino Mendonça. Na adaptação ao teatro, Luís Miguel Cintra interpreta John e o Destino é uma gravação que dialoga com John e revela essa procura da revelação. Num momento de fragilidade emotiva grande, o actor e encenador sentiu a necessidade de proferir as palavras sagradas do Pai Nosso. Já era evidente esta procura religiosa de Cintra quando encenou Paul Claudel, como escrevi aqui, no começo do ano de 2012.

A Claudel, católico que fez aturadamente a exegese da Bíblia, Luís Miguel Cintra acrescentou outro autor, Pier Paolo Pasolini, poeta e cineasta maldito, marxista e homossexual, que dedicou um filme ao Papa João XXIII e protestou contra a dessacralização da vida. Para o ator e encenador, O Estado do Bosque é uma revisitação abstrata do Auto da Alma de Gil Vicente. Revejo o dispositivo cénico (de Cristina Reis): um centro em que o cego recebe e fala com Peter (Nuno Nunes), Jacob (David Granada) e Vivienne (Viviane) Mars (Vera Barreto), um rectângulo de luz sobre o chão, um poço atrás, um lugar onde os actores permanecem e se deslocam por detrás da formação de cadeiras em roda desse centro e onde se sentam os espectadores. Essa intimidade, essa proximidade, essa multiplicidade de pontos de vista dos espectadores, leva-os a compreender melhor o sentido dos gestos, silêncios, lamentos e interrogações - a revelação.

Num pequeno texto, o autor da peça lembra-nos que a religião não é apenas uma questão de igrejas e de padres, mas é verdadeira se for uma coisa humana. Deus não habita num passado distante chamado Bíblia, continua Tolentino Mendonça, mas existe, é atual. O Estado do Bosque é essa recondução ao lugar.

Leitura: José Tolentino de Mendonça (2013). O Estado do Bosque. Lisboa: Assírio & Alvim, 67 p. 10 €
Peça: Teatro da Cornucópia, Bairro Alto, Lisboa, 15 €

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Museu das Marionetas (Porto)

vai no batalha

O Museu das Marionetas (rua das Flores, Porto) abriu ao público muito recentemente.

O Museu tem como diretora Isabel Barros, mas a grande alma do espaço e do Teatro das Marionetas foi João Paulo Seara Cardoso (1956-2010), que teve formação no domínio da animação socio-cultural, do teatro e das marionetas (estes e os dados seguintes retirados do sítio do museu). Frequentou os cursos do Institut National d’Éducation Populaire e do Institut International de la Marionnette. Iniciou a sua atividade teatral e formação no Teatro Universitário do Porto. Dedicou-se à pesquisa e reconstituição do Teatro Dom Roberto, fantoches populares portugueses e recebeu de Mestre António Dias a herança desta tradição secular. Efetuou cerca de mil e quinhentas representações do Teatro Dom Roberto. Com a coreógrafa Isabel Barros codirigiu dois espetáculos explorando o cruzamento das marionetas e da dança: 3ª Estação e Hamlet Machine.

Para João Paulo Seara Cardoso, "Andamos sempre à procura dessa linguagem sensível que nos permite voar até lugares bonitos onde podemos encontrar um certo apaziguamento". Esse lugar bonito e com apaziguamento fica na rua das Flores. Aconselho uma visita.

[Vai no Batalha, encenação de João Paulo Seara Cardoso e marionetas de Rosa Ramos. Vai no Batalha era uma expressão que significava atualidade, novidade, cosmopolitismo, mas também conversa fiada, da treta, como se o outro fosse um tonto]

A rádio no Porto há 60 anos

comunicar2Em 1955, estava a formar-se a Radiotelevisão Portuguesa (RTP). Dos sessenta mil contos de capital inicial da RTP, um terço fora atribuído às estações de rádio. Um dos grupos de rádio que mais dinheiro pôs no capital social inicial da RTP foi o dos Emissores do Norte Reunidos (Porto), com 2310 contos. Aos Emissores do Norte Reunidos pertenciam cinco estações: Ideal Rádio, Rádio Porto, Rádio Clube do Norte, Electromecânico e ORSEC (Oficinas de Rádio, Som, Eletricidade e Cinema), as quais emitiram até ao final de 1975, quando a nacionalização da rádio as integrou na RDP.

A exemplo dos Emissores Associados de Lisboa, que, no final de outubro de 1950, juntaram Rádio Peninsular, Voz de Lisboa, Rádio Acordeon, Rádio Graça e Clube Radiofónico de Portugal , os Emissores do Norte Reunidos agruparam-se através das sociedades comerciais que detinham a posse das estações (Rádio Porto, ORSEC, Manuel Moreira, Ideal Rádio e Sá, Quaresma e Companhia), com quotas por sócio em partes iguais para um capital social de 450 contos. A gerência coube a Rádio Porto. A convenção europeia de redistribuição das frequências (Plano de Copenhaga) obrigou-as a emitir numa só frequência (1602 quilociclos por segundo).

A emissão passou a ser em regime de rotação, com duas a três horas diárias em horários diferentes ao longo da semana. Ao ficarem associados, isso resultou numa poupança de recursos: a antena comum montada na Afurada, em Vila Nova de Gaia, em 1953. Elementos para a história da rádio no Porto. Os 60 anos dos Emissores do Norte Reunidos foi o tema que escolhi ontem para falar no seminário Comunicar, organizado dentro da exposição com aquele nome, a decorrer no Museu de Transportes e Comunicações [imagens que retirei da exposição: estúdio áudio analógico, que pertencera à RDP Porto; sistema de imagens virtuais da estação ferroviária de S. Bento, Porto].

comunicar

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fazer teatro

Fazer teatro é um debate organizado pela Sedes no próximo dia 28 de fevereiro à noite, com Jorge Silva Melo, responsável da companhia Artistas Unidos.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Estalajadeira de Goldoni

Creio que Mirandolina é mais que uma estalajadeira, é uma rainha, não no sentido da classe social nobre, mas no modo como olha o mundo e compreende as fraquezas e as contradições dos seres humanos. Em A Estalajadeira, de Carlo Goldoni, numa tradução e encenação de Jorge Silva Melo, estão em jogo as diferenças de género, as diferenças de classe e uma época especial de transição de classe moderna: a burguesia. Goldoni foi observador da Revolução francesa, sentindo na pele as alterações sociais: a sua pensão de velhice ser-lhe-ia retirada por ter origem numa decisão real, pelo que passou o seu último ano de vida na miséria.

Previdente, a peça explicita muito bem as lutas sociais em especial as dentro da nobreza enquanto classe social, a antiga e de pergaminho mas falida, a mais nova que comprou os títulos (condes e outros) com dinheiro obtido em empresas industriais ou comerciais. A estalajadeira é uma mulher que organiza o seu negócio (a estalagem, deixada pelo pai) e organiza a sua relação com os os pretendentes ao seu amor. No final, e para desespero do marquês de Forlipópoli (Américo Silva), do conde de Albafiorita (António Simão) e cavaleiro de Ripafatta (Elmano Sancho) e até do criado deste (João Delgado), ela opta pelo seu empregado Fabrício (Rúben Gomes), que lhe garante apoio na gestão do negócio.

Outras personagens são as cómicas (comediantes, uma espécie de peça dentro da peça) Hortênsia (Maria João Falcão) e Dejanira (Maria João Pinho), o oposto de Mirandolina, mulheres frívolas e só com olhinhos para os homens e os seus bens económicos.



Nunca tinha visto a peça, pelo que não posso estabelecer comparações, mas a interpretação de Catarina Wallenstein corre muito bem, solta, divertida e/ou irónica, suave e subtil, a encher o palco. Muitas vezes, os espectadores riem-se com o diálogo entre os pretendentes e a astúcia da mulher que governa a estalagem. A personagem é uma encenadora, está no centro do palco, finge (aceitando os presentes mas não dando nada em troca, como se fosse um jogo por ela controlado), faz de conta que desmaia para provar e desmascarar o cavaleiro, que de distante se revela interessado e mau perdedor, ao tentar agredi-la, o que condiz com o seu apregoado ódio às mulheres.

Goldoni (1707-1793) é um autor que rompe com a estrutura teatral da sua época. Então, os autores traçavam as personagens e deixavam os atores improvisar (commedia dell’arte). Com Goldoni voltou-se ao hábito antigo da escrita das peças completas, que o ator interpretava. Isso valeu-lhe glórias mas igualmente incompreensões. O trabalho dele é a comédia em que o caráter de uma personagem vai sendo revelado (commedia di carattere).

A peça A Estalajadeira está numa curta temporada no Teatro de S. João (Porto), palco adequado a uma peça do século XVIII. Contudo, e por hábito de ver os Artistas Unidos no seu teatro na rua da Escola Politécnica, entre o Rato e o Príncipe Real (Lisboa), senti falta daquele conforto de estar perto dos atores e dos cenários. Jorge Silva Melo indica que a encenação desta peça lhe deu grande prazer, uma cintilante (como adjetiva) obra que traduziu em 1973 e então a destinava a Glicínia Quartin e a Luís Miguel Cintra.

O tradutor e encenador fala de Goldoni como o autor que não vem da literatura – daí o ser tratado de pouco culto – mas do teatro, pois toda a sua vida fê-lo, montou-o, programou-o. A peça leve (comédia) aparece um pouco em contrário a alguma programação dos Artistas Unidos, com autores contemporâneos em situações e contextos novos. Isto apesar de haver nos anos mais recentes uma linha menos dramática daquela que se observa na vizinha Cornucópia, cuja peça atual é um belo texto do padre Tolentino Mendonça, um espetáculo de que procurarei ocupar-me num dos próximos dias.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Igrejas Caeiro e Os Companheiros da Alegria

Na Fundação Marquês de Pombal (Linda-a-Velha) foi hoje ao fim da tarde inaugurada uma exposição evocativa de Francisco Igrejas Caeiro, no primeiro aniversário do seu desaparecimento. Esta exposição, a partir de espólio organizado pela Sociedade Portuguesa de Autores, é fundamentalmente fotobiográfica, mostrando o homem nas suas múltiplas actividades. teatro, cinema, rádio. Apesar da má qualidade da fotografia, consegue-se ver Igrejas Caeiro e Os Companheiros da Alegria, espectáculo realizado no começo da década de 1950, por todo o país. Impedido por razões políticas de continuar os seus programas itinerantes (1954), Igrejas Caeiro passou a fazer o seu programa na cabina do Rádio Clube Português (até 1969, quando o actor, realizador e homem de cinema passou a dirigir o Teatro Maria Matos) e a pequena camioneta foi depois vendida ao Sport Lisboa e Benfica (ainda em 1954).

Grupo universitário de investigação da rádio

Com o objectivo de promover o desenvolvimento dos estudos de rádio em Portugal, um grupo de investigadores de vários centros de pesquisa em comunicação (de Braga, Coimbra e Lisboa), criou esta sexta-feira uma rede de Estudos de Rádio. Reunidos na Universidade Nova de Lisboa, simbolicamente na semana em que se assinalou o Dia Mundial da Rádio, os fundadores deste grupo pretendem dinamizar os estudos sobre meios sonoros e os novos modelos de produção radiofónica (no vídeo, Madalena Oliveira, uma das promotoras do encontro). A reunião desta sexta-feira, dia 15 de Fevereiro, teve o intuito de mobilizar os investigadores que têm desenvolvido algum trabalho científico nesta área para a criação de uma rede nacional que possa constituir-se como interlocutora de outros grupos similares de âmbito internacional. O programa de ações a médio prazo incluirá a organização regular de eventos científicos, a publicação de uma série de livros e o desenvolvimento de projectos de investigação que fomentem a cooperação entre grupos nacionais e internacionais. Esta reunião de reflexão contou com a participação de Adelino Gomes, convidado para emprestar a sua experiência profissional neste meio à definição de linhas estratégicas de investigação. Um novo encontro ficou já agendado para o final de Setembro. Até lá, o grupo conta lançar uma plataforma online para publicar notícias, criar redes de contacto e divulgar a produção bibliográfica dos investigadores portugueses (do comunicado final do grupo).



Contactos:
Luís Bonixe: luis.bonixe@gmail.com
Madalena Oliveira: madalena.oliveira@ics.uminho.pt
Paula Cordeiro: pcordeiro@iscsp.utl.pt

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Rádio

Hoje é o segundo Dia Mundial da Rádio. Qual pode ser o meu contributo para assinalar este dia? Escrever que sexta-feira se inaugura uma exposição sobre [Francisco] Igrejas Caeiro, um eminente homem da rádio (Fundação Marquês de Pombal, Linda-a-Velha), e que eu vou falar sobre as estações de rádio no Porto, numa perspectiva de historiador, no próximo dia 25 naquela cidade (Museu dos Transportes e Comunicações).