Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

31.10.08

SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE COMUNICAÇÃO PÚBLICA E LUSOFONIA (BRASÍLIA)


Mais informações disponíveis no sítio do Instituto Superior de Brasília.

LIVROS NOVOS


Tiago Baptista (2008). As Cidades e os Filmes. Uma biografia de Rino Lupo. Lisboa: Cinemateca Portuguesa

Depois dos franceses Lion, Mariaud e Pallu, o italiano Rino Lupo foi o quarto realizador estrangeiro a fazer cinema em Portugal nos anos vinte.


Maria Immacolata Vassallo de Lopes e Lorenzo Vilches (org.) (2008). Mercados globais, histórias nacionais. Rio de Janeiro: Globo

Trata-se do anuário Obitel que se reporta à análise do ano de 2007 em termos de monitoramento dos programas de ficção nos noves países ibero-americanos. O texto sobre Portugal é de Isabel Ferin (Universidade de Coimbra), que contou com a colaboração de Catarina Burnay (Universidade Católica Portuguesa).


Eduardo Cintra Torres (2008). Mais anúncios à lupa. Lisboa: Bizâncio

Volume que recolhe meia centena de críticas de publicidade publicadas na coluna que o autor tem no Jornal de Negócios, "O Manto Diáfano". Em 2006 publicara o primeiro volume, Anúncios à lupa.


Gabriela Borges e Vítor Reia-Baptista (org.) (2008). Discursos e práticas de qualidade na televisão. Lisboa: Livros Horizonte

A qualidade em televisão é um conceito muito discutido nos estudos televisivos. O livro traz investigações que problematizam os discursos e as práticas em países como Portugal, Brasil, Espanha, Argentina, México, Inglaterra e Itália.


Luís Trindade (2008). Foi você que pediu uma história da publicidade? Lisboa: Tinta da China

O autor chama a atenção para alguns anúncios editados ao longo do século XX e arruma-os no contexto da sociedade portuguesa e no género da publicidade jornalística. Intenta ainda o relacionamento com outros anúncios e as memórias pessoais dos leitores.

APRESENTAÇÃO DE LIVRO


No domingo, dia 2 de Novembro, pelas 17:00, Sara Figueiredo Costa, do blogue Cadeirão Voltaire, estará na FNAC do Chiado para apresentar O Livro Inclinado, de Peter Newell (ver aqui). Elsa Serra vai contar a história a quem estiver presente.


Já agora: leiam o blogue da
Sara.

CONCURSO PARA O QUINTO CANAL DE TELEVISÃO


O concurso público para o licenciamento do quinto canal de televisão nacional e generalista abriu hoje, através da publicação de portaria no Diário da República. Saber-se-á o vencedor do concurso em Abril de 2009.

As candidaturas serão entregues na sede da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social, 40 dias úteis após a data de entrada em vigor do regulamento do concurso, hoje publicado.

Zon Multimédia, Cofina e Controlinveste encontram-se entre os grupos de media e telecomunicações que indicaram interesse na participação do concurso.


Base: notícia no Jornal de Notícias online.

30.10.08

BLOGUE DO IV ENCONTRO DE BLOGUES


A realizar nos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, na Universidade Católica, pode obter informações mais detalhadas no blogue criado para o efeito, aqui em IV Encontro de Blogues.

PUBLICAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO DA FUNDAÇÃO SERRALVES

HERÓIS


Heróis, estrelas, semi-deuses - eis um assunto que perpassa a literatura, o cinema, a banda desenhada, o desporto. E a cultura, da mitologia grega até aos dias de hoje.

Lembro-me de Edgar Morin, em As Estrelas de Cinema (em francês simplesmente Les Stars, 1972; a tradução portuguesa é de 1980). Começa logo Morin: "o ecrã parecia dever apresentar um espelho ao ser humano: ofereceu ao século XX, os seus semideuses, as estrelas de cinema". As semidivindades, continua, são as estrelas de cinema. No cinema, escreve ainda, as estrelas são seres que têm propriedades quer do humano quer do divino, suscitando um culto, uma espécie de religião. Morin alarga o seu conceito à televisão: não há hoje nenhum talk show que não apresente uma guest-star.

As estrelas cinematográficas começaram logo desde o surgimento do grande ecrã, tornadas heróis ou heroínas: Mary Pickford, a noiva do mundo [ou a namoradinha de Portugal, como se diz a uma vedeta ainda jovem], a dinamarquesa Theda Bara, que introduz o beijo na boca, Rudolfo Valentino (o primeiro herói que fez chorar espectadoras de todas as idades; a morte dele levou duas mulheres a suicidarem-se em frente à clínica onde estava o seu corpo), Greta Garbo (que se isolou quando envelheceu, mantendo o mistério da beleza), James Dean e Marilyn Monroe (ambos falecidos no apogeu das suas carreiras e ainda jovens, hoje ícones de grande relevo).

Morin, nessa revisitação às estrelas do começo do cinema, escreve sobre a beleza-juventude, fixando idades ideais das estrelas femininas nos 20-25 anos e das estrelas masculinas nos 25-30. Hoje, creio, houve um abaixamento das idades: o culto das adolescentes face aos músicos dos Tokio Hotel é um exemplo disso (ainda esta semana, o líder da banda dizia andar à procura de namorada; imagino o movimento que houve nos blogues e wikis, com mensagens desenfreadas de adolescentes ou pré-teens).

O herói - a beleza do herói ou da heroína - desperta felicidade, sonho, mito, evasão da realidade, continua Morin. Mas o cinema, como a banda desenhada e a telenovela, criou o antídoto, o anti-herói: ao lado da rapariga bonita e ingénua está a má rapariga, a vampe e erótica que rouba o namorado à outra. O fim feliz (happy end) fica fragilizado. Aliás, a mitologia grega é um conjunto de narrativas onde nem sempre a evolução dos acontecimentos caminha no sentido da felicidade mas da tragédia.

Quando li Morin, sublinhei atentamente as páginas do capítulo "Deuses e Deusas". Ele escreveu sobre o mito, que definiu como "conjunto de condutas e de situações imaginárias. Estas condutas e estas situações podem ter por protagonistas personagens sobre-humanas, heróis ou deuses; diz-se então o mito de Hércules, ou de Apolo. Mas, com toda a exactidão, Hércules e Apolo são um herói e o outro deus dos seus mitos". Os heróis, conclui, estão a meio caminho entre os deuses e os mortais. O herói é o mortal em processo de divinização. O herói humano é denominado semideus.

Mais à frente, Morin diz: tornadas heroínas, divinizadas, as estrelas são mais do que objectos de admiração; são ainda sujeitos de culto, criam uma espécie de religião, como se escreveu acima. Dá um exemplo prático: um grande estúdio americano recebia em 1939 entre 15 mil e 45 mil cartas mensais de admiradores ou fãs de uma estrela de cinema. Hoje, há sítios, com fotografias e vídeos, mensagens e blogues animados pelos fãs. E as estrelas não estão sozinhas, agora acompanhadas pelas séries ou sequelas (007, Indiana Jones, A Idade do Gelo, Star Trek).


O fã quer saber tudo do seu ídolo, compra tudo o que a ele diz respeito, guarda relíquias (bilhetes de cinema ou concertos, entrevistas, fotografias, vídeos), procura identificar-se com ele nos comportamentos, na moda, nos penteados. Vive-se uma vida imaginada ao lado do herói ou da heroína. Tudo isto também se torna possível porque a vida privada das estrelas é escrutinada a todo o tempo, por vontade delas ou porque os paparazzi e outros as perseguem constantemente. As revistas de mexericos alimentam o circuito de modo incessante, contribuindo para a informação (e desinformação, como eu tenho escrito no blogue).

Base da mensagem: Edgar Morin (1980). As Estrelas de Cinema. Lisboa: Livros Horizonte

29.10.08

CONFERÊNCIA ZON - DIGITAL GAMES 2008


A conferência Zon - Digital Games 2008 vai realizar-se dias 6 e 7 de Novembro no Porto (Universidade Católica), juntando pessoas da academia e da indústria. Ela propõe-se discutir vários temas sobre os videojogos, como Modelos e Narrativa, Impactos e Cognição ou Educação e Ludicidade.

Trata-se da primeira conferência de uma série que se pretende anual. Na sua organização, estão pessoas ligadas a eventos anteriormente ocorridos em Portugal na área dos jogos digitais (GAMES, VIDEOJOGOS).


O
programa (ainda provisório) contempla quatro comunicações keynote: Stefan Baier (Holanda, Verónica Orvalho (Espanha), Lynn Alves (Brasil) e Rui Grilo (Portugal). Vai dar lugar ainda a 12 comunicações full, 4 comunicações short, 10 posters e 3 demos.

A inscrição inclui o e-book com os textos desta conferência, organização conjunta da Universidade do Minho (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade), Instituto Superior Técnico, Universidade de Aveiro, Spellcaster Studios e Universidade Católica Portuguesa, com o patrocínio da ZON Multimédia.

Segundo os organizadores, "No âmago da conferência estão fundamentos teóricos e práticos emergentes do design, desenvolvimento e públicos que procurarão explorar novas abordagens por parte da comunidade".

CHRISTIAN SCIENCE MONITOR


Na edição de hoje do Guardian noticia-se que o Christian Science Monitor será o primeiro grande jornal americano a abandonar a impressão em papel (Abril de 2009) e a focar-se na edição online.

O jornal, que ganhou um prémio Pulitzer, enfrenta fortes perdas de circulação (223 mil exemplares em 1970 e 52 mil actualmente) e financeiras. O tráfego online é da ordem dos 5 milhões de páginas por mês (há um ano era de 4 milhões e há dez anos 1 milhão). O jornal foi o primeiro a aderir ao online, em 1995, quando um seu correspondente foi preso durante a guerra na Bósnia.

O jornal foi fundado, há precisamente 100 anos, por Mary Baker Eddy, fundadora da igreja da Ciência Cristã (Christian Science church), em reacção ao "jornalismo amarelo", não sendo, contudo, considerado um jornal religioso. Tem 95 jornalistas a tempo inteiro e nove escritórios nos Estados Unidos e outros nove no estrangeiro.

TIRAGENS DE JORNAIS


Retiro da newsletter Meios & Publicidade de hoje dados referentes à circulação de jornais no trimestre passado, a partir de dados da APCT (Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens).

Da leitura dessa informação, fiz o seguinte quadro, que mostra um crescimento do Correio da Manhã e uma quebra do Público. No conjunto dos jornais diários houve um acréscimo de 25 mil exemplares vendidos por dia, em média.


No campo dos semanários e das revistas semanais, o Expresso vende 120811 exemplares de média, o Sol 40912 exemplares e Visão 104599. O sector dos semanários parece estável, enquanto o segmento dos diários de economia cresceu 9,74%.

CASAS, UMA PEÇA DE MIGUEL CASTRO CALDAS NO TEATROÀPARTE, NO AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA ORLANDO RIBEIRO, ÀS TELHEIRAS


Ver mais informações no blogue TeatroÀParte.

28.10.08

CHRIS ANDERSON


Na quinta-feira passada, o Público editou uma entrevista com Chris Anderson, o badalado autor de A cauda longa (e que eu aqui comentei em tempo oportuno). Não quis escrever sobre o assunto no momento, pois fiquei muito irritado com o que li – e iria escrever muito duro.

Aproveitando uma passagem por Lisboa, ele foi entrevistado (por João Pedro Pereira). A grande ideia do guru americano, director da Wired e a lançar em breve um livro chamado Free, é a da gratuitidade. Diz ele que a informação foi paga nos últimos 200 anos, mas agora o ADN dos jovens traz a marca da gratuitidade. Por exemplo, Anderson não compra jornais – a mulher compra apenas o New York Times ao domingo. A informação está toda na internet, e esta é gratuita. Diz de modo eloquente: "Quem tem menos de 25 anos nunca pagou para aceder a um site. E nunca pagará. Tudo o que é digital é obviamente grátis".

Quando li esta frase, fiquei a pensar duas coisas. Primeiro, o jovem e promissor jornalista deve ter dado um pequeno salto na sua cadeira de entrevistador, pois terá pensado que o seu emprego num jornal de papel está condenado. Se não interessa ler um jornal de papel, pois está tudo na internet, para que serve um jornalista que escreve num jornal de papel – é um emprego sem futuro. Foi pena que o jornalista não tenha sido incisivo e feito perguntas incómodas.


Lembrei-me do título de uma coluna de jornal do professor João César das Neves: Não há almoços grátis. É que alguém paga a informação digital. Professa Anderson que a informação, apesar de bem espesso, não tem custo acrescentado. O autor é pago pela publicidade; a publicidade cobre os custos de produção e ainda dá lucro. Possivelmente, um sítio deve ser um lugar onde autómatos escrevem ser querer retorno algum. Essa ideia luminosa ocorreu em 2000-2001, com a especulação das empresas dotcom – e elas desapareceram. Basta a performatividade das palavras – gratuito – para não haver custos.

Parece que ficou a Google, aliás a única empresa que Anderson cita. Se existir uma empresa a fornecer toda a informação, para que servem as outras? Mas parece que a Google não produz informação nova nem abrange a realidade de todo o mundo. Por arrastamento: se a gratuitidade está no ADN dos jovens, será que a dicoteca onde vão dançar lhes oferece de borla a bebida e a permanência? Ou o cinema lhes permite acesso sem pagar?

Ciclicamente, surgem gurus cheios de certezas. Lembro-me de Negroponte e das transformações da sociedade com a economia digital. Anderson é dos mais recentes e, por isso, dos mais escutados. Mas ele, como outros antes, não tem memória histórica. Por exemplo, pode-se comprar um computador portátil de pouca capacidade com 300 ou 400 euros. Ou uma impressora por 90 euros. O primeiro computador de mesa que comprei (com menos capacidade de memória que um CD-ROM) custou-me 300 contos (1500 euros), a primeira impressora 70 contos (350 euros). Os primeiros telemóveis eram pesados e inúteis, se os compararmos com os de hoje, e custavam pequenas fortunas. A geração anterior à minha comprou uma telefonia primeiro e um televisor depois e isso custou-lhe muito dinheiro. Hoje temos um televisor por divisão da casa, e quase não fazemos conta aos preços dos electrodomésticos. Com a massificação e o uso de tecnologias mais económicas, os preços dessas unidades baixaram.


Mas o aumento de serviços trouxe uma inversão e um encarecimento. A recepção de televisão não é gratuita como ele diz, pois se paga uma renda mensal para aceder aos canais de cabo, que são os mais interessantes e em maioria. Isto sem falar dos canais de desporto ou de cinema. O telemóvel é um aparelho barato, mas a obsoletização permanente desperta a vontade de trocar regularmente por um outro aparelho mais moderno. Isso custa dinheiro. Apesar dos preços das telecomunicações terem baixado drasticamente nos anos mais recentes, o dispêndio em telecomunicações é mais alto, porque recorremos a mais serviços.

Anderson poderia aplicar a sua teoria da cauda longa para explicar este fenómeno: com o tempo, um meio determinado fica mais barato, dada a massificação, mas os pagamentos crescem, por rotatividade de equipamentos e por oferta de serviços, que, depois, são descontinuados e substituidos por outros.

Possivelmente, a palavra Free do seu último livro quer significar não o gratuito mas a possibilidade de muitos o ouvirem e partilharem as suas opiniões, num mundo de muitas trocas de ideias e de perspectivas.


O jornalista ainda ousou uma pergunta menos cómoda: falou-lhe na indústria dos automóveis. Mas o guru respondeu airosamente: 1) é possível haver carros totalmente gratuitos, 2) os automóveis trazem extras gratuitos. Não sei em que mundo ele vive mas é extraordinário como o jornal lhe tenha dado duas páginas impressas. Gracejando, quando ele falou em automóveis gratuitos, ele deve ter-se referido a motor, faróis, pneus, bancos, estrutura do automóvel, ar condicionado! Terei esquecido alguma coisa da lista do gratuito? Diz magnanimamente: um amigo dele oferece o carro e o cliente paga a electricidade. A minha pena foi ele ter-se esquecido de dizer o nome da empresa. E fala em água gratuita, no que me parece uma aposta igualmente difícil de cumprir. Eu moro num andar alto, daqui não vislumbro nenhum poço de água, tenho de pagar pela água que é elevada até às torneiras da minha casa. Pergunta ele candidamente: "e se essa pessoa nunca tiver pago pela água"? Estranho raciocínio. Pelo que li, o guru tem perfil de não pagador de impostos. Porque deve achar que o Estado ganha muito dinheiro com os impostos e porque não o redistribui equitativamente em serviços.

Depois, o senhor não tem paciência. Diz que o aborrece esperar 18 horas para receber as notícias. Em que mundo vive para demorar tanto tempo a receber informação? A rádio não lhe dá a informação ao minuto? A televisão não leva a imagem da actualidade? Só a Wired é que está conectada ao minuto? E tem uma versão superior ao que se acede gratuitamente. Aliás, o senhor conclui que nunca teremos um mercado inteiramente gratuito pois alguém tem de pagar. Então, para que falou tanto? Pagar por um bem que compramos já o sabíamos, não era preciso ele vir a Portugal e dizer isso.

Detesto a autosuficiência, a clarividência e a arrogância dos gurus que vêm dizer-nos o que fazer, porque o que fazemos está (parece estar) mal feito.

27.10.08

ELEMENTOS PARA A HISTÓRIA DA TELEVISÃO EM FRANÇA


Depois do final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, inaugurar-se-ia, em França, o período de ouro da rádio. Nunca houve tantos programas de qualidade, como o atestam os arquivos sonoros. Enumeram-se as principais rádios: Luxembourg, RDF, Monte Carlo, Andorre.

A televisão retoma, por seu turno, a actividade. 20 de Junho de 1945 é o dia de recomeço dos ensaios técnicos. Em 1 de Outubro desse ano, uma emissão experimental chegou a centenas de televisores na região de Paris. Mas seria apenas em 1947 que se retomava a programação regular, com doze horas por semana. E, no ano seguinte, tomava-se uma decisão técnica importante, o standard de 819 linhas por ecrã, com a assinatura de François Mitterrand, secretário de Estado e, logo depois, Ministro da Informação (e muito mais tarde Presidente da República). Era o dia 20 de Novembro de 1948. O standard foi apresentado como destinado a proteger a indústria francesa (noutros países, como Portugal, o standard seria de 625 linhas).

No ano seguinte, a torre Eiffel contaria com um novo emissor de televisão já emitindo com o standard de 819 linhas. E o padre Raymond Pichard, dominicano, principiava a sua emissão dominical chamada O Dia do Senhor, com missa, documentários e crónicas de inspiração religiosa. Manteria o programa até 1976.

Esses anos do pós-guerra seriam igualmente contemporâneos de outros factos: surgimento do transístor nos laboratórios americanos da Bell (1947), começo do disco de vinil em microsulco (1948).


Leitura: Robert Prot (2007). Précis d'histoire de la radio & de la télévision. Paris: L'Harmattan

26.10.08

HISTÓRIA DA FM


Um recurso para conhecer a história da rádio em FM (França) é o sítio SchooP.

Lê-se na página inicial que o sítio é o cruzamento de todos os que gostam da rádio e da sua história. Por isso, SchooP inclui a história de estações, sons, logótipos, publicidade, fotografias, frequências e um léxico, entre outras coisas.

LOJAS


Aos domingos, embora de modo irregular, costumava comprar os jornais na tabacaria daquele centro comercial da avenida de Roma. Via as capas e comprava um ou mais jornais portugueses mais um espanhol ou francês ou inglês. Era uma rotina de mais de dez anos.

Hoje, de manhã cedo, passei por lá. Tinha um grande anúncio: fechado por tempo indeterminado. A crise chegara à tabacaria. E olhei para as outras lojas. Centro pequeno, foi-se mantendo imune. Desta vez, contudo, está na decadência.

SILVES


Estátua do rei Sancho I, vista a partir da muralha do castelo.

25.10.08

19º FIBDA


O 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) inaugurou ontem, este ano com o tema central da Tecnologia e Ficção Científica.

Recorda-se o herói Flash Gordon (de Alex Raymond), que procura liquidar o terrível imperador Ming, Valerian (de Pierre Christin e Jean Claude Mézières) que chega no ano 2770, a Guerra das estrelas e Blake & Mortimer. Luís Henrique é o autor em destaque, tendo ganho o Prémio para Melhor Desenho do FIBDA 2007 (ler o texto de Sara Figueiredo Costa no catálogo da exposição).



O catálogo é um elemento fundamental para a compreensão da filosofia da exposição central. No texto que justifica o tema e os autores escolhidos para essa exposição, escreve Pedro Mota que o ponto de partida seria o estudo de Jorge Magalhães, Banda Desenhada e Ficção Científica - as Madrugadas do Futuro (2005). Definido o universo, escolheram-se obras dos seguintes autores portugueses: Jayme Cortez, Fernando Bento, Vítor Péon, António Barata, José Garcês, Monteiro Neves, Nuno San Payo, Júlio Resende, Jorge Brandeiro, Relvas, Victor Mesquita, Augusto Mota e Nelson Dias, Luís Louro, Luís Diferr e José Ruy.

De leitura obrigatória, o ensaio do próprio Jorge Magalhães no catálogo, O Século XX e a BD de Ficção Científica em Portugal, um longo e magnífico texto de 31 páginas.

Já hoje à tarde, e em edição da Plátano Editora, Jorge Miguel lançou o álbum Camões. De vós não conhecido nem sonhado? Apenas posso dizer que me vou deliciar hoje à noite a ler a história e a olhar para os magníficos desenhos de Miguel (à esquerda na imagem em baixo). Só de olhar para o quadrinho da Rua Nova dos Mercadores (p. 8), cresce água na minha boca.

24.10.08

CARTAZES DA OLIVA


No ISVOUGA (Instituto Superior de Entre Douro e Vouga, à rua António de Castro Corte Real, em Santa Maria da Feira), está patente uma exposição de cartazes publicitários das décadas de 1940 a 1970 da Oliva, empresa de fundição com sede em São João da Madeira. O material foi reunido por Paulo Marcelo, professor de Design daquela escola. A exposição pode ser visitada até 19 de Dezembro.

Fonte: Público de hoje.

ARTE FALSA EM EXPOSIÇÃO


O Jornal de Notícias de hoje traz uma história deliciosa - a de uma exposição de arte falsa inaugurada na Directoria da Polícia Judiciária do Porto (texto de Agostinho Santos e fotografia de José Mota).

Explicando melhor: a Brigada de Obras de Arte da Directoria do Porto apresenta o trabalho de 10 anos de recuperação de obras falsas mas atribuídas a nomes como Columbano Bordalo Pinheiro, Silva Porto, Amadeu Souza-Cardoso, Cargaleiro, Artur Cruzeiro Sixas e Júlio Resende. Uma obra falsa, atribuída a Aurélia de Sousa, estaria para ser colocada numa leiloeira de Lisboa pelo valor de 3500 euros! A exposição chama-se O verdadeiro/falso.

Recentemente foi identificada uma mulher, vivendo nos arredores de Lisboa, que actuava como falsária. No caso das cópias falsas de Cruzeiro Seixas, pintor que usou poucas cores e com traços fáceis de executar, elas são boas e têm qualidade digital.


A minha pergunta é: será que a Polícia, ou o ministério que a tutela, vai abrir um museu destas obras falsas? Como há museus de cera, porque não um museu de falsários?

AUDIÊNCIAS DA RÁDIO


Esta semana, a Marktest publicou a 3ª vaga de 2008 do Bareme Rádio. Elegi para análise o share de audiência e fui buscar dados relativos a 2006 e 2007 (3ª vaga) para poder comparar, quer em grupos de rádio quer nas próprias estações. Parece-me mais adequado comparar períodos semelhantes em anos diferentes (sazonabilidade como férias em Julho/Agosto, com mudança de hábitos).


Há um crescimento do grupo RR (Renascença), embora a um ritmo lento, enquanto a Media Capital sobe mais, com recuperação face a 2006, a TSF vem decaindo lentamente e o grupo RDP (Estado) desce bastante. Há um decréscimo nas outras estações, mas o valor é muito elevado (18,9% em 2008) para percebermos onde houve alterações (nos dados fornecidos pela Marktest não consigo apurar tendências sobre outras estações). O "não sabe" tem um valor de 2,1%.


Fiz uma análise mais detalhada ao grupo RDP (Estado). A Antena 2 quase não tem flutuação (oscila entre 0,8% e 0,7%), o que não coincide com a apreciação que venho fazendo aqui no blogue, ao entender a sucessiva perda de interesse na programação ao longo dos anos. Claro que não tenho acesso a análise programa a programa para concluir mais do que isto. A Antena 3 desceu em 2008 depois de ter subido em 2007 face a 2006. Já o panorama da Antena 1 parece mais alarmante, pois baixou de 7,3% em 2006 para 5,7% em 2008. Certamente os responsáveis pelo canal irão reflectir na quebra de um ponto em apenas um ano.

PUBLICIDADE A UM PROGRAMA DA RTP (II)

No passado dia 17, coloquei aqui publicidade sobre a RTP (canais públicos de televisão) e que faz parte de campanha que coincide com a nova grelha de programas. Hoje, ponho imagens respeitantes a três novos cartazes, desta vez ligados ao futebol e com estrelas da televisão, da informação à animação e entretenimento.

Espero poder comentar a campanha nos dias mais próximos.


23.10.08

A REPRODUÇÃO DA OBRA E A PERDA DE AURA EM WALTER BENJAMIN


Benjamin parte do princípio que as obras de arte foram sempre susceptíveis de reprodução, como o relevo por pressão, a fundição e a litografia. Contudo, continua, a reprodução técnica da obra de arte seria um fenómeno novo no conhecimento humano. Como exemplos, ele destacou a fotografia e o cinema. Especifica: com a fotografia, o homem deixa de executar tarefas artísticas essenciais, reservadas para a objectiva.

Nessa reflexão, afirma que, à reprodução mais perfeita, falta o aqui e agora, a unicidade, a autenticidade. Se a reprodução feita pelo homem é apenas reprodução ou falsificação, com o original a manter a sua autoridade, na reprodução técnica não há original e cópia. Admite a desvalorização, porque a autenticidade de uma obra é o que ela contém de transmissível, de duração material ao seu poder de testemunho histórico. Recorre à noção de aura, rebaixada na era das técnicas de reprodução. Multiplicando os exemplares, um acontecimento que só se produziu uma vez constitui-se como fenómeno de massa. Logo, a reprodução de exemplares questiona a autenticidade, confere actualidade e implica perda da aura. Benjamin define aura num objecto como a aparição única (ou rara) de uma realidade longínqua. Ele encontra duas tendências: 1) exigência que as coisas estejam próximas, 2) a reprodução deprecia o que é único.

Por outro lado, a recepção da obra de arte tem dois valores fundamentais: 1) objecto de culto, 2) valor de exposição. Com a fotografia, o valor de exposição remete para plano secundário o valor de culto. E, no cinema, à redução do papel de aura (de único, inacessível, original, culto) opõe-se a personalidade do actor – culto da vedeta, magia da personalidade, identificação da personalidade com o actor (e vice-versa).


Leitura: Walter Benjamin (1985). “A obra de arte na era da sua reprodução técnica”. In Eduardo Geada (org.) Estéticas do cinema. Lisboa: Pub. Dom Quixote

22.10.08

O BELO NATURAL NO INTENSIDEZ, CAFÉ DE ÉVORA


DESDE QUE ME CONHEÇO, GOSTO DE ESTAR JUNTO DA GENTE DA GALIZA


Ambas as esculturas estão em Santiago de Compostela, cidade que eu gosto muito. As imagens reconfortam-me, depois de um dia de muita azáfama, e em que já não consigo escrever algo de mais substancial no blogue. Elas funcionam como uma espécie de "olá", "adeuzinho" e "até amanhã".


Na segunda imagem, escultura dedicada a Ramon Valle-Inclan (1866-1936), considerado o James Joyce espanhol, autor muito radical da geração de 98.

21.10.08

CIBERJORNALISMO EM PORTUGAL


Hoje, na Universidade Nova de Lisboa, foi defendida a tese de doutoramento de Helder Bastos (docente da Universidade do Porto), intitulada Ciberjornalistas em Portugal: práticas, papéis e ética.

Pioneiro no jornalismo online, pois foi redactor do Jornal de Notícias em 1995 quando este diário lançou a sua página da internet, Helder Bastos distingue três períodos do ciberjornalismo em Portugal: 1) implementação (1995-1998), 2) expansão/boom (1999-2000), 3) depressão mais estagnação (2001-2007).

CONSUMO DA MÚSICA EM PORTUGAL


Entre o CD e Web 2.0: os consumos digitais de música em Portugal é o estudo do Obercom agora divulgado (ver aqui).

O texto começa deste modo:

  • O arco temporal que mediou o lançamento offline do single-hit Video Killed the Radio Star dos Buggles, em 1979, e o lançamento online do álbum completo In Rainbows dos consagrados Radiohead, em 2007, caracteriza um período de profundas mudanças no campo musical, desde os anos de ouro da rádio musical até à actualidade da música 2.0.
O trabalho leva os nomes de Gustavo Cardoso (director do Obercom), Rita Espanha, Rita Cheta, Jorge Vieira, Maria do Carmo Gomes e Vera Araújo.

GRAFFITI EM LISBOA

20.10.08

SOBRE O SÍTIO A MINHA RÁDIO


Há cerca de uma hora, o António Silva, de A Minha Rádio, lançou um apelo.

O alojamento do seu sítio em servidor VPS não está a funcionar convenientemente. Para ele, a situação precisa de ser clarificada: ou continua ou encerra o seu sítio. Uma das hipóteses de continuar é "passar para um servidor dedicado, mas de custo minimamente suportável. Mantendo a mesma empresa, esta opção será muito difícil, serão necessários cerca de mil euros anuais". Uma outra hipótese, a sexta, é encerrar o sítio.

Nestes seis anos de
A Minha Rádio, habituei-me a apreciar o trabalho sério do António. Não conversámos pessoalmente tudo, mas foi importante conhecê-lo e conhecer o seu trabalho. Ele ensinou-me a instalar imagens no blogue, num conhecimento de peer-to-peer, numa ocasião em que me desloquei à Faculdade de Letras do Porto.

O que escreve é verdadeiro:


  • Cresceu, cresceu, agregou coleccionadores, criou galerias de fotos, reuniu os mais importantes sons da história, as vozes mais marcantes, os inventores, os amadores, os anónimos que deram tanto à rádio, as histórias, os artigos do passado... Cresceu, cresceu e tornou-se interactiva, disponibilizou blogs pessoais, criou um "Elo" de ligação entre sites sobre rádio em língua portuguesa, disponibilizou fóruns, áudio, vídeo, podcast, RSS... Continuou a crescer e passou a abranger também a área técnica, esquemas, manuais de válvulas, textos sobre restauro e reparação... Fez renascer o vinil, fez relembrar velhas memórias, colocou o rádio no centro da história, relembrou tragédias, comédias, mostrou o que era a rádio para muitos, o que significava para tantos outros.
Escreve o António: "A rádio não merece esmolas, aminharadio.com também não". Espero que ele supere as dificuldades e mantenha a A Minha Rádio. Todo o esforço pessoal que fez - tempo, pesquisa, dinheiro - merece ser continuado.

LIVRO SOBRE OBSERVATÓRIOS DOS MEDIA


Se estiver em Brasília, pode mais logo às 19:00 ir à Livraria Cultura (Casa Park) participar no lançamento do livro Observatórios de Mídia: olhares da cidadania. Editado pela Paulus e organizado por Rogério Christofoletti e Luiz Motta, tem como co-autores Fernando Paulino, Luiz Martins, Guilherme Canelas e Luiz Motta.

TÃO PERTO / TÃO LONGE


No Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, a 28 de Outubro, pelas 21:30, estreia de 20 curtas metragens no encerramento da conferência Gulbenkian: Podemos viver sem o Outro? As possibilidades e os limites da interculturalidade (imagem: Hihokan, de Kenji Murakami, Japão, 5').

CALL FOR PAPERS PARA A REVISTA COMUNICAÇÃO E CULTURA


Já foi publicado o nº 5 da revista Comunicação & Cultura, uma edição da Faculdade de Ciências Humanas da UCP e do seu Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, editado pela Quimera e com o título "Mediatização da Dor".

Agora, enquanto se coligem os materiais para o número 6 - Cultura(Lite), coordenado por Mário Jorge Torres e Catarina Duff Burnay - preparam-se os números seguintes, pelo que deixo aqui os call for papers dos próximos.


OS INTELECTUAIS E OS MEDIA
Coordenação: Jorge Fazenda Lourenço e Rita Figueiras
Número: 7

Um pouco mais de um século volvido sobre o célebre caso Dreyfus, no qual a figura do intelectual, personificada por Émile Zola, se desenhou no horizonte do pensamento europeu, importa reflectir sobre a relação dos intelectuais com o espaço público, no contexto actual marcado pela centralidade dos mass media.

Um eixo possível de reflexão diz respeito à forma como as importantes mudanças que atravessam o campo dos media podem influenciar a actividade dos intelectuais: a natureza e o impacto do seu trabalho, bem como a forma de o comunicar. A questão do tempo parece colocar os intelectuais e os media numa situação paradoxal: os primeiros, filhos de um tempo lento que é o da reflexão e da análise; os segundos, pioneiros do tempo veloz que caracteriza o jornalismo e outras formas de expressão mediática. Por outro lado, se as transformações dos media electrónicos e as novas formas de comunicação como a Internet trazem um potencial imenso de divulgação do pensamento e do trabalho dos intelectuais, elas podem também significar uma desvalorização de algumas características a estes tradicionalmente associadas, como o aprofundamento analítico e fundamentado das questões. Como integram os intelectuais estas mudanças?

Reflectir sobre o papel reservado aos intelectuais nos dias de hoje implica ainda considerar o modo como estes surgem representados nos próprios mass media (a que imagens surgem associados?) e como utilizam o espaço mediático. Aqui, o seu trabalho enfrenta um importante desafio. Pois se uma das suas tarefas é reflectir de forma crítica e distanciada sobre a realidade, a verdade é que os media estimulam um olhar narcísico, em que eles próprios se tornam o centro.

A revista Comunicação & Cultura apela à submissão de artigos científicos que abordem o papel dos intelectuais nas sociedades contemporâneas, nomeadamente nas suas relações com a cultura e os media. Entre outros tópicos, aceitam-se contributos que foquem os seguintes aspectos:

- Cultura mediática e redefinição do papel do intelectual
- Os intelectuais e o poder
- Riscos da actividade intelectual na era da “reprodução mecânica”
- Novas tecnologias da comunicação e perfil dos intelectuais: potencialidades e riscos
- O espaço mediático e a sua utilização pelos intelectuais
- Representações do Intelectual
- Género e Espaço Público

Os trabalhos submetidos a apreciação deverão estar de acordo com as normas de publicação(
http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplfac.asp?SSPAGEID=3493&lang=1&artigo=4966&artigoID=3779), podendo ser enviados até dia 30 de Novembro de 2008, para um dos seguintes endereços: E-mail: comunicultura@fch.ucp.pt; Correio: Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas, Palma de Cima, 1649-023 Lisboa.

IMAGENS DA REPÚBLICA
Coordenação: José Miguel Sardica
Número: 8 (Outono-Inverno 2009)
Data-limite para a recepção de originais: 30 de Abril de 2009

A Primeira República portuguesa – cujo centenário se evocará em Outubro de 2010 – é ainda hoje um período da história contemporânea do país muito marcado pelas polémicas e confrontos que suscitou e que desde então lhe envenenaram qualquer tentativa de análise e compreensão serenas. Sobre o regime de 1910-1926 e sobre as suas figuras mais representativas impendem visões demasiado marcadas pela ideologia e pelos pressupostos de cada observador, criando tantas ortodoxias quanto as “repúblicas” que cada um julga ou acredita terem existido na realidade durante aquele arco temporal, ou que melhor se enquadram nas leituras político-historiográficas que foram sendo feitas.

Desde os seus ideólogos fundadores até à memória da recente democracia portuguesa, a I República foi louvada, criticada, condenada ou recordada, faltando agora perceber o que significa ela, à distância de um século e ao ritmo mediatizável da efeméride – qual foi o seu significado; o que dela temos a aprender ou a evitar repetir; o que nela foi conjuntural e irrepetível e o que dela ainda resta como herança simbólica, cultural, social ou política.

O que a Primeira República quis ser, foi sendo e acabou por (não) ser, como encruzilhada de modernização que diversas limitações e acidentes conjunturais prejudicaram, é assim objecto de estudo a tratar essencialmente como cultura, até hoje em busca de comunicação.

Aceitam-se contributos que incidam, entre outros, sobre os seguintes temas:

Filosofia política: República e republicanismo entre a nostalgia dos Antigos e os desafios dos Modernos
A funda(menta)ção e desenvolvimento da ideia e dos valores republicanos em Portugal: os “pais fundadores” e a propaganda oitocentista
A cultura do republicanismo: o ensaísmo filosófico, a produção literária e a divulgação jornalística;
A obra legislativa da Primeira República: Direito Constitucional, Lei de Separação, Sufrágio, Família, etc.
Ensinar a República: a escola pública e os projectos socio-educativos
Os intelectuais e o regime: colaboração, oposição e “traição”
O lugar da imprensa na obra republicana e o lugar da censura na “defesa da República”: jornalismo, espaço público e opinião pública
Sociedade, grupos sociais e economia na Primeira República
A vida política e de cidadania: instituições, parlamentos, partidos, lobbying e associativismo popular
A questão colonial, a política externa e a choque da Primeira Guerra Mundial
Iconografia, propaganda e ritualização: a representação da ideia republicana e do regime
O regime visual da República: fotografia, cinema, artes plásticas e performativas
Estudos biográficos sobre figuras de relevo do tempo da Primeira República
Os opositores à República: Monárquicos, Integralistas, Igreja Católica, operariado, sindicalismo e proto-fascismo
Imagens e avaliações historiográficas da Primeira República: modernismo, reviralhismo, salazarismo e anti-salazarismo, revolução, socialismo e democracia presente (1910-Século XXI)
O futuro da República e da ideia republicana no segundo século da sua existência

Os trabalhos submetidos a apreciação deverão estar de acordo com as normas de publicação(
http://www.ucp.pt/site/custom/template/ucptplfac.asp?SSPAGEID=3493&lang=1&artigo=4966&artigoID=3779), podendo ser enviados para um dos seguintes endereços: E-mail: comunicultura@fch.ucp.pt; Correio: Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas, Palma de Cima, 1649-023 Lisboa.

UNIÃO EUROPEIA COM MAIS DE 6500 CANAIS DE TELEVISÃO


A União Europeia (27 países) mais os dois países candidatos à adesão Croácia e Turquia contam cerca de 6500 canais de televisão, de acordo com o Observatório Europeu do Audiovisual, foi anunciado na feira internacional do audiovisual do MIPCOM (texto baseado na informação do sítio EUBusiness).

O Reino Unido lidera com 883 canais, seguindo-se Alemanha (300), Itália (284), França (252) e Espanha (199). No final da tabela, estão países como Irlanda e Letónia (14 canais cada), Estónia e Lituânia (15 cada). O número elevado no Reino Unido deve-se aos canais temáticos, tais como alimentação, jogo e canais que chegam a outros países.

Filmes e desporto dominam o conjunto dos canais especializados. As audiências de canais eróticos e para adultos atingem 190 canais. Outros temas maioritários nos canais são entretenimento (269), música (201), notícias e negócios (201), crianças (189), documentários (135), estilos de vida (110) e compras domésticas (103).

19.10.08

MAL NASCIDA, UM FILME DE JOÃO CANIJO

João Canijo nasceu no Porto em 1957. A sua biografia indica que frequentou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e, no início da década de 1980, começou a trabalhar como assistente de realização em filmes de Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter. Iniciou carreira como realizador em 1988.

Gostei muito do seu filme Noite Escura (2004), com Beatriz Batarda e Rita Blanco, entre outros, que conta a tragédia de uma família num bar de alterne. O seu proprietário entrega a filha mais nova a uma máfia russa actuando em Portugal, como forma de pagar uma dívida. Isto provoca a forte oposição da filha mais velha e da mãe contra o pai.

Agora, o filme Mal Nascida, a sexta longa-metragem do realizador, com argumento do próprio João Canijo e de Celine Pouillon, estreado em Portugal mais de um ano depois da sua apresentação no festival de Veneza em 2007, centra-se na personagem de Lúcia. Da
sinopse do filme, lê-se que “Lúcia é uma mal nascida, uma mal amada, a eterna viúva do seu pai. Um grito antes de ser um corpo, enlouquecida, maltratada e humilhada, sobrevive enlutada com a lembrança do crime e da traição da mãe, grita a sua dor inconsolável para não dar descanso nem paz aos assassinos do pai. Vive na esperança desesperada do regresso do irmão para cumprir a promessa de vingar o sangue do pai”.

O filme conta com Anabela Moreira (no papel de Lúcia), Gonçalo Waddington, Márcia Breia, Fernando Luís e Tiago Rodrigues.

Para o realizador, a base de Mal Nascida foi Electra: “É o equivalente nas meninas do complexo de Édipo nos meninos e é uma personagem que há imensos anos, desde que a descobri, me fascina. Um dos meus primeiros filmes «infantis», chamado Filha da Mãe, já era uma versão adolescente e incipiente da Electra. E toda esta trilogia que começa na Noite Escura e à qual falta a posta do meio foi feita única e exclusivamente para chegar à Electra” (entrevista a João Antunes,
Jornal de Notícias).

Sobre a ruralidade patenteada no filme, e na mesma entrevista, o realizador responde que "houve sempre uma razão não folclórica para escolher o meio ambiente onde se passavam as histórias. No Noite Escura, uma casa de alterne, que é um mundo de mentira e de representação, era o meio ideal para uma tragédia passar desapercebida". João Canijo quis contar a história clássica da família de Agamemnon e de Clitemnestra, pais de Electra, em três filmes (falta um, Piedade, ainda no papel).

Assim, “Mal Nascida é um filme que incomoda, por escancarar as portas de um país isolado, de ganância, crime e castigo, adultério e incesto, a cheirar a morte, de ausência de diálogo dentro das famílias. As aldeias são tão desertificadas, que vivem numa espécie de casulo, onde todas as emoções e todos os sentimentos explodem muito mais facilmente; qualquer pequena coisa faz explodir" (
Diário Digital/Lusa).

Anabela Moreira, a Lúcia do filme, viveria mês e meio numa aldeia transmontana próxima de Boticas antes da rodagem como se fosse uma camponesa. Ela cuidou de vacas e de porcos e engordou 25 quilos para ficar mais monstruosa, carácter que se adequava perfeitamente à personagem.

O filme usa muitos planos curtos, com frequência de uma grande beleza visual apoiada por uma banda sonora muito agradável. Bastantes planos são filmados próximos das personagens, o que dá para perceber melhor os seus sentimentos. Psicologicamente, o filme é muito duro e a montagem feita repete várias ideias e tramas, penso que para o espectador interiorizar a violência. Aliás, em entrevista, o realizador confirma essa violência: "É o retrato de um país que, nas cidades, se julga que não existe. Que está escondido. Curiosamente, este ambiente rural de uma aldeia um bocado perdida é mais compreensível internacionalmente. A imagem da senhora com o lenço preto na cabeça não é só portuguesa, é também da Sicília, dos Balcãs" (
Jornal de Notícias).



Hoje, ouvi parcialmente uma entrevista que ele deu a Inês Meneses, da Rádio Radar. Do que ouvi não gostei. Está-se perante um indivíduo pessimista (Portugal é uma invenção artificial, disse, como se não chegassem mais de oitocentos anos de existência), politicamente dogmático (defendeu os vinhos do Douro, verticais, contra os vinhos do Alentejo, horizontais, numa estranha defesa regionalista do norte contra o sul – e logo contra o Alentejo, que é uma região do país tão autêntica e esquecida como a de Trás-os-Montes que ele retrata) e contra algumas formas de fazer cinema (coloca-se a favor do cinema de autor contra o cinema de massas, como o de Call Girl ou o Crime do Padre Amaro, e que se percebe melhor no vídeo da Sapo, acima embebido). Julgo que ele está zangado contra o país e incapaz de o ver lucidamente.

Confesso que vim desapontado da sala de cinema, pela desesperança que ameaça tornar-se o padrão da cinematografia portuguesa de autor - e mais fiquei com a entrevista à rádio.

RECEPÇÃO CULTURAL


Na edição do Público de ontem, li com atenção artigos de três colunistas do caderno P2: Pedro Mexia sobre Audrey Hepburn, Eduardo Cintra Torres sobre narrativas e folhetins nos media (imprensa, rádio, televisão) e José Pacheco Pereira sobre as leituras infanto-juvenis da sua geração.

Cada um dos textos reflecte sobre memórias geracionais, sobre cultura popular e recepção cultural, atendendo ao conhecimento aprendido pelo indivíduo ou pela geração num determinado local cultural. A ideia central que retiro da leitura de textos de autores de duas gerações diferentes (arrumo Cintra Torres ao lado de Pacheco Pereira, embora aquele seja mais novo do que este) é a do forte impacto que produtos culturais exercem na sua juventude e que perduram como dos mais importantes na sua formação intelectual. Se em Mexia há a memória pessoal, embora ele seja novo demais para ter assistido à estreia dos filmes de Hepburn e coleccionado postais, fotografias, entrevistas ou outra memorabilia sobre a actriz, nos dois outros escritores essa memória é feita de comparações de culturas (alta e popular), de meios (revistas, livros, banda desenhada, rádio, televisão), onde as interpenetrações são evidentes, e de imagens.

Fico com uma pequena nota que retiro do texto de Pacheco Pereira: "O meu primeiro contacto com Xenofonte foi uma banda desenhada num livro de Português do ensino técnico, então tido como um ensino menor. Talvez por isso os puristas dos livros únicos permitiam uma banda desenhada em vez de excertos eruditos da Anábase que deviam ir para os liceus, porque era para os de «baixo», que queriam ser serralheiros, montadores electricistas ou mecânicos de automóveis".

18.10.08

A HISTÓRIA DO FM


A leitura de Sounds of change. A history of FM Broadcasting in America (2008), de Christopher H. Sterling e Michael C. Keith, não foi regular, misturada com outras leituras e obrigações. Mas estou pronto a escrever um texto sobre o livro com objectivos diferentes da publicação no blogue.

Do que fica do livro, ressalto a figura ímpar de Edwin Armstrong, com as suas patentes, do receptor pioneiro até à defesa da FM, da sua aceitação inicial por David Sarnoff, o patrão da RCA, e afastamento posterior, por recear que a FM fosse um tipo totalmente diferente da AM, o que levaria o negócio ao recomeço a partir do zero. Aliás, a Sarnoff é imputado o peso moral do suicídio cometido por Armstrong, abalado de finanças e de reconhecimento após anos de luta pela modulação de frequência. Parece-me exagero, mas a ideia persiste. Em segundo lugar, a criação de uma gama de frequências do FM (42-50 MHz), mais tarde transferida para 88-108 MHZ, com dois efeitos opostos: a) retrocesso inicial, pois os emissores e receptores tinham sido construídos atendendo aquelas frequências, b) ganho posterior dada a maior largura de banda da segunda opção. Em terceiro lugar, a lenta ascensão da FM face à AM, levando animadores e anunciantes para a primeira, culminando em 1979 com o maior peso da FM (nos Estados Unidos). Pelo meio, e como quarta conclusão, ficaria a emissão simultânea de emissões nos dois tipos de frequência, com uma autonomização da programação de FM. Como quinta conclusão, a estereofonia deu um alento suplementar à popularidade da FM, já beneficiando de melhor qualidade sonora. Em termos de sexta conclusão, a programação deixou de privilegiar a música clássica, habitual nos primeiros anos da FM, para aceitar os top 40, o jazz e a música country, o que significou a perda da elite minoritária mas fiel de ouvintes e o alargamento da base social da recepção da rádio. Começariam também a funcionar rádios escolares, de mesas redondas e fóruns, e ligadas a comunidades, minorias étnicas e religiosas. Para além da rádio pública (NPR), já na década de 1960. A sétima conclusão aponta para o futuro próximo: do mesmo modo que a AM foi substituída pela FM, a digitalização traz outras apostas. Com a pergunta: a rádio manter-se-á?

Estes dias de leitura do livro levaram-me a pensar no quanto falta fazer na história da rádio em Portugal. Que eu saiba, a FM operou sempre na banda dos 88-108 MHz, mas algumas das primeiras emissoras emitiam em simultâneo com a AM, não entusiasmando muito os ouvintes que não encontravam alternativas de programação. Igualmente, algumas emissões experimentais tiveram qualidade pouco desejável. A estereofonia foi um estímulo para a audição da FM. E uma geração nova de animadores surgiu nos finais da década de 1960, trazendo estéticas musicais novas (pop e rock de língua inglesa em vez de música francesa e espanhola e música clássica) e formatos distintos.

EXPOSIÇÃO DE JASON MARTIN


Jason Martin, integrante do Young British Artists (década de 1990), expõe 12 obras de grandes formatos no Espaço Cultural David Ford do Centro Brasileiro Britânico, com o patrocínio da Cultura Inglesa de São Paulo. Abertura: dia 23 de Outubro, às 19:30.

O local da exposição fica na Rua Ferreira da Araújo, 741, térreo, em São Paulo.


[materiais informativos disponibilizados por Décio Hernandez Di Giorgi, a quem agradeço]

MARCELO SOLÁ


Marcelo Solá expõe individualmente na Galeria Oeste, de 28 de Outubro a 22 de Novembro, "Obras Recentes", com 13 desenhos em grandes formatos. Parte das obras a expor já foi exibida na mostra Heteronímia, no Museu Casa de América, em Madrid, Espanha.

A Galeria Oeste fica na Rua Mateus Grou, 618, Pinheiros (Zona Oeste), em São Paulo.



[materiais informativos disponibilizados por Décio Hernandez Di Giorgi, a quem agradeço]

THIS IS NOT A VOID


A Galeria Luisa Strina (Rua Óscar Freire, 502, São Paulo) inaugura no dia 24 de Outubro a mostra internacional This Is Not a Void, organizada pelo curador Jens Hoffmann, com obras de 37 artistas de renome internacional. A exposição foca a "noção de vazio ao criar um espaço aparentemente vazio, porém cheio de obras de arte que são desmaterializadas, imateriais ou efémeras e, por isso, imperceptíveis".


Para o curador, a ideia da mostra parte do conceito da 28ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, Em Vivo Contato, que abre na mesma semana. Para Hoffmann, "esse simples gesto é inspirado pela ideia do vazio como espaço potencial, um gesto simbólico de suspensão". Os artistas participantes são Artur Barrio (Portugal - Brasil), Laura Belem (Brasil), Arabella Campbell (Canadá), Ivan & Yoan Capote (Cuba), Alexandre da Cunha (Brasil), Martin Creed (Inglaterra), Guy Debord (França), Gino de Dominicis (Itália), Marcel Duchamp (França), Elmgreen & Dragset (Dinamarca e Noruega), Robert Filliou (França), o coletivo Claire Fontaine (França), Aurelien Froment (França), Ryan Gander (Inglaterra), Mario Garcia Torres (México), Loris Gréaud (França), Jordan Kantor (Estados Unidos), Paul Kos (Estados Unidos), David Lamelas (Argentina) [autor da imagem que acompanha este post], Adriana Lara (México), Tonico Lemos Auad (Brasil), Tim Lee (Canadá), Jac Leirner (Brasil), David Lieske (Alemanha), Mateo Lopez (Colômbia), Renata Lucas (Brasil), Kris Martin (Bélgica), Robert Morris (Estados Unidos), Roman Ondak (Eslováquia), Fernando Ortega (México), Kirsten Pieroth (Alemanha), Marco Rountree (México), Tino Sehgal (Inglaterra), Mark Soo (Canadá), Jan Timme (Alemanha), Ian Wilson (Inglaterra) e Cerith Wyn Evans (Inglaterra).


[materiais informativos disponibilizados por Décio Hernandez Di Giorgi, a quem agradeço]

17.10.08

RECEPÇÃO DOS MEDIA



Foi hoje apresentado na conferência da ERC, o Estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social, na íntegra aqui.

Retiro o início da parte VI, Resumos e Comentários Finais, do estudo realizado por José Rebelo (coordenador geral do estudo, ISCTE), Cristina Ponte (Universidade Nova de Lisboa), Isabel Férin, (Universidade de Coimbra), Maria João Malho (Instituto de Apoio à Criança), Rui Brites (ISCTE) e Vidal de Oliveira (ESCS - Instituto Politécnico de Lisboa):


A primeira impressão que ressalta, de uma leitura panorâmica do campo dos media em Portugal, é a dominação da televisão. Não é nada que surpreenda. Nem é nada de genuinamente nacional. Mas é sempre de assinalar. Todos vêem televisão, independentemente do grau de escolaridade, da idade e do género. Quando se pergunta qual o meio de comunicação social mais adequado ao exercício das funções de informação, educação e distracção, a televisão vem sempre à cabeça. Em termos relativos, a televisão será menos vocacionada para educar, a imprensa para distrair e a rádio para informar.

Comparando duas faixas etárias – com menos de 31 anos e com mais de 64 – verifica-se que os jovens lêem mais jornais e revistas, ouvem mais rádio, vão mais ao cinema, navegam mais na Internet. Apenas no que respeita à televisão, os consumos se aproximam, situando-se as dissemelhanças nos programas susceptíveis de merecer a preferência de uns e outros assim como no grau de estabilidade, ou mobilidade, que revelam: os jovens munem-se, com muito mais frequência, do comando à distância.

COMPANHIA DE TEATRO A ESCOLA DA NOITE, EM COIMBRA


Pelo blogue A Escola da Noite, ficamos a conhecer a actividade da companhia de teatro por altura da estreia de TNT [Tumulto no Teatro]. Trata-se de um novo teatro em Coimbra, no "coração da cidade", no espaço onde em 1550, no então Colégio das Artes, já se apresentava teatro.

Como se lê na apresentação da companhia:

  • A primeira vez que se apresentou um espectáculo de teatro no espaço do Pátio da Inquisição, corria o ano de 1550, reinava D. Afonso III, a Inquisição ainda só estava à espreita e o edifício chamava-se Colégio das Artes. A peça, de que não há registo de nome, era uma comédia em latim no estilo das de Plauto. O teatro escolástico era, no entanto, prática comum nos colégios da Coimbra quinhentista. D. João III fez mesmo publicar um alvará, em 1546, onde ordenava que a Universidade e o Colégio de S. Jerónimo representassem, todos os anos, uma comédia. Com a fundação do Colégio das Artes em 12 de Fevereiro de 1548, a prática do teatro ganhou ainda mais importância, uma vez que alguns dos mestres que ali ensinavam eram, à sua maneira, homens de teatro: Diogo de Teive, autor de duas tragédias sobre David e Judith; e George Buchanan, autor de Jephthes, sive votum e de Baptistes, sive calunia e tradutor do grego para latim da Medea e da Alcestis , de Eurípedes. Buchanan foi provavelmente também "encenador", uma vez que, em Bordéus, no Colégio de Guyenne, as peças da sua autoria eram representadas pelos seus alunos.

    A importância do Colégio das Artes, enquanto instituição cultural, deve-se em grande parte ao conjunto de humanistas portugueses, espanhóis, franceses, italianos, escoceses e flamengos que ali leccionavam sob a direcção de André de Gouveia. O ensino das humanidades: da filosofia, da retórica e da gramática, foi ali cultivado, além dos já citados, por mestres como João da Costa, Nicolas Grouchy e Guilhaume de Guérante. O séc. XVI em Coimbra é, do ponto de vista da cultura e do saber, notável: o Colégio das Artes surge no contexto de numerosos outros colégios espalhados pela cidade, muitos dos quais concentrados na zona da actual Rua da Sofia.

Em 1996, sobre o Pátio da Inquisição e a história do teatro aí feito, quando a companhia pela primeira vez se apresentava numa velha garagem adaptada à função teatral, o texto de apresentação acabava com um parágrafo novamente actual: "A Escola da Noite toma este espaço de volta".


CADERNOS DE ARTISTA NA MOSTRA IMPULSO, A INAUGURAR AMANHÃ EM SÃO PAULO


A Mostra Impulso abre amanhã, ao fim da tarde, na Galeria Emma Thomas, em São Paulo, como anunciei aqui há dias. Trata-se de uma colectiva de cadernos de artista organizada por Marcio Renée e com 24 artistas brasileiros. O conjunto dos trabalhos apresentados resulta da selecção entre mais de 100 cadernos analisados pelo curador.

Participam da exposição: Constança Lucas, Fabio Celassis, G4, Gui Mohallem, Laerte Ramos, m.luisa.lobo.editore, Renato de Cara, Thereza Salazar (com colaboração de Eduardo Jorge) [as imagens referem-se a esses autores pela mesma ordem], Wash Dellacqua, Ana Nitzan, Cildo Oliveira, Adriana Afortunatti, Alexandra Ward, Fabio Maia, Fabiola Notari, Fabiola Salles, Lais Sobral, Lucas Simões, Miguel Bandeira, Nicholas Petrus, Patricia Kondo, Sandra Lapage, Sonia Gomes e Sonia Magalhães.


Retiro da informação da organização o seguinte:
  • O "caderno de artista" (pode ou não se tratar de um caderno) recebe esse nome por conta da aproximação semântica da superfície onde os artistas organizam suas referências visuais, suas anotações e projetos das obras. São apenas uma parcela do registro do processo de criação e revelam detalhes muitas vezes ausentes da obra final. Não raro, os artistas constroem os cadernos como um projeto final, uma obra, objeto ou até mesmo uma escultura, daí a escolha do curador em investigar sua pluralidade e plasticidade. Ao idealizar a mostra “Impulso” Marcio Renée não apenas os eleva ao status de obra de arte, antes revela o processo de concepção, o embrião e em muitos casos a própria obra finalizada.

[os meus agradecimentos a Décio Hernandez Di Giorgi, pelo envio do material]

PUBLICIDADE A UM PROGRAMA DA RTP

16.10.08

MADONNA - PRIMEIRA PÁGINA PARA A CELEBRIDADE


O artigo de Hadley Freeman começa na primeira página, coluna da direita, e continua na segunda página do Guardian. Um grande destaque que a jornalista dá a uma celebridade.

Mas a celebridade não é uma qualquer. É Madonna - e Freeman elenca: roupa interior em forma cónica, professores de ioga, centros de cabala, para fazer uma ronda breve na carreira proustiana da artista. Poucos previriam que o realizador inglês Guy Ritchie entrasse nessa rota: conheceram-se num jantar promovido por Sting, em 1998. Foi um casal inesperado e, por isso, excitante. Pergunta Freeman: juntar um director de culto com uma super-estrela americana, ele menos conhecido que ela e por isso promovido por ela? O casamento de ambos num castelo da Escócia, oito anos atrás, presenciado por outras super-estrelas como George Clooney, Brad Pitt e Donatella Versace, foi um conto de fadas que envolveu todos: ela, ele, e o público leitor das revistas inglesas. Mais tarde, os dois protagonizaram notícias de almoços macrobióticos, máquinas de Pilates e uma casa em Wiltshire, no valor de 9 milhões de libras.

Os ingleses perceberiam que qualquer coisa não funcionava no casal, continua Hadley Freeman, já na página2 do jornal. Não veria Madonna o estilo do homem? Ele que procurou não cometer muitos erros até fazer um filme por ele dirigido e com Madonna no principal papel feminino, numa história em que uma socialite encontra um marinheiro comunista numa praia do Mediterrâneo (Swept away, 2002).

A jornalista vai ao ponto que interessa nas últimas linhas. Ao escrever que os colunistas de celebridades já diziam ontem que o casamento de Madonna já dera o que tinha a dar. E, acutilante, conclui que a separação é uma tragédia para os filhos de ambos (um biológico, Rocco, de oito anos, e outro adoptado, David Banda, rapaz do Malawi adoptado em 2006, para além de Lourdes, a filha de Madonna e de Carlos Leon, treinador pessoal da cantora, com 12 anos) e o fim de uma era para Londres e para as máquinas de alongamento de músculos Pilates.

A enorme ironia da coluna da primeira página encontra uma perfeita oposição na página 13, em artigo escrito por Helen Pidd. O que interessa é o que se ganha com o divórcio, uma vez que a fortuna da cantora está estimada em 300 milhões de libras (à volta de 450 milhões de euros). Há quem diga que Ritchie lucre metade. Mas outros lembram o divórcio de Heather Mills e de Paul McCartney. Ela teve apenas direito a 24,3 milhões de libras de uma fortuna de 285 milhões de libras. Madonna correu a pedir o apoio da advogada de McCartney, Fiona Shackleton. É que a maior parte da fortuna de Madonna foi feita antes dela se casar com o realizador.

Madonna fez 50 anos, Ritchie tem 40. O tablóide Sun noticiara ontem que o casal apenas se comunicava por assistentes pessoais e que Madonna queria divulgar a separação após o final da tournée Sticky and Sweet. Mas, afinal, tudo se conjuga para uma separação no tribunal até ao Natal. Com Ritchie a abandonar filmagens em França e a voar para o Reino Unido a informar os seus pais da separação.


EXPOSIÇÃO DE PEÇAS DE JOALHARIA EM PRATA


Nos dias 18 e 19 de Outubro, Raquel Ferrão expõe na rua Joaquim Ereira, 2707, em Cascais.

O BLOGUEIRO ONTEM NOS MEDIA


O blogueiro foi citado na edição de ontem do Jornal de Notícias, a propósito das audiências do canal de cabo RTPN. E também apareceu com um testemunho pessoal sobre o Indústrias no blogue Quarta Parede. Obrigado a Dina Margato e Susana Paiva.

15.10.08

UMA VISITA AO ANIM


O ANIM (Arquivo Nacional de Imagens em Movimento) é uma parcela importante da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema. Criado há dez anos, é ali que se conserva, preserva e restaura a colecção fílmica da Cinemateca.


Prospectar, conservar, restaurar e "facultar o acesso a filmes ou imagens em movimento em qualquer suporte e de qualquer época, formato, género, regime de produção ou proveniência" são das mais nobres funções do ANIM.

A visita incluiu uma passagem pelos cofres onde estão filmes (longas e curtas-metragens),a preservação e restauro e laboratório, além da sala de projecção. Questões como o suporte e a resistência ao tempo e a preservação da cor, as prioridades e os restauros foram ainda tema para a longa conversa entre responsáveis do ANIM e os visitantes, agora que a Cinemateca comemora cinquenta anos de actividade.

TODO MANOEL DE OLIVEIRA: CEM ANOS EM DOIS MESES


Esta é a proposta da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, ciclo a começar no dia 17 de Outubro de 2008, pelas 21:30.


Essa será a ocasião para a projecção dos filmes de Manoel de Oliveira Douro, Faina Fluvial (1931), Hulha Branca (1932; mudo), Portugal já faz Automóveis (1938; mudo) e Aniki-Bóbó, com Nascimento Fernandes, Fernanda Matos, Horácio Silva e António Santos (1942).

BANDA DESENHADA NA AMADORA


O 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora aproxima-se, pois decorre entre 24 de Outubro e 9 de Novembro, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.


O tema principal deste ano é a tecnologia e a ficção científica. Haverá lugar para um tributo ao mestre José Garcês e uma homenagem a José Ruy, cuja exposição está patente até Março do próximo ano.

VIDEOJOGOS

No sítio Jogar no Brincar, encontram-se diversas categorias de jogos: aventura, corrida, pensar, acção, desportivos, agilidade, multiplayer, meninas e crianças.


Estabeleci um link para os jogos de meninas e vesti uma delas, do modo que aqui ficou. Trata-se de um passatempo que implica combinação de modelos de roupa e cores, um exercício simples e divertido. Depois fui a um jogo de voleibol e a outro com o Tom & Jerry.

O meu interesse estava além do jogar, do lado lúdico, instalando-se na quantidade e na qualidade dos jogos, a incorporação portuguesa, a relação entre jogos gratuitos e pagos, o modo como se organizam as comunidades de jogos virtuais e o número total de jogadores e as suas idades.

MUSEU DO CINEMA EM AMSTERDAM

IGREJAS DE AMSTERDAM

CAFÉS DE VIENA

Já conhecia (e apreciava) os cafés de Saragoça, Bruxelas, Bruges, Paris e Praga, para além dos nossos cafés de Lisboa e Porto. Passei agora a incluir no meu roteiro de preferências os cafés de Viena. O serviço prestado parece melhor do que o das outras cidades, com requinte, embora os modelos de interiores sejam clássicos, atrás dos de Bruges e Saragoça, cidades bem mais pequenas.

EXPERIÊNCIA

Descobri agora o sítio Toondoo; daí, a minha experiência (história sem qualquer valor simbólico ou artístico).

\Historia1\

14.10.08

APAD LANÇA NOVA REVISTA ONLINE


A Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos (APAD) tem, no seu renovado sítio, argumentistas.org, para além de conteúdos noticiosos e informações institucionais, a revista trimestral dedicada ao cinema e teatro.

Do primeiro número, Ser Argumentista em Portugal, organizado por Daniel Ribas, destacam-se as entrevistas a Nuno Markl, Rui Vilhena e António Ferreira, uma conversa com Pedro Marta Santos sobre Amália e A Vida Privada de Salazar, artigos de opinião de Tiago R. Santos e Jorge Vaz Nande, um perfil sobre Neil Labute e análise a filmes e séries de televisão.

13.10.08

MAHLER NA RÁDIO


Quando ouço Mahler na Antena 2, páro de fazer o que quer que seja. Ouço apenas. Estão lá a harpa e as madeiras a ressoarem as vibrações dos instrumentos de corda.

MOSTRA IMPULSO


A mostra Impulso exibe a plasticidade do processo criativo na Galeria Emma Thomas, na rua Augusta, 2052, em S. Paulo, no Brasil.

Trata-se de uma colectiva de cadernos de artista organizada por Marcio Renée que traz ao de cima a intimidade da génese criativa de 24 artistas brasileiros.

PLURALISMO POLÍTICO VERSUS CONCENTRAÇÃO DOS MEDIA


Faz amanhã uma semana que Vital Moreira, na sua habitual coluna do jornal Público, escreveu sobre pluralismo dos media e concentração, naquilo que é o seu comentário à recente legislação governamental sobre o tema.

O artigo está bem organizado e argumentado. Depois de defender que a legislação se enquadra no pressuposto de obrigação constitucional, entende que a observação do impacto da concentração dos media sobre o pluralismo é uma medida de defesa da garantia do pluralismo de informação e de opinião. Uma terceira ideia apresentada no seu artigo aponta o modo tímido e moderado da nova legislação. Para o jurista, a legislação destaca a concentração na televisão e na rádio e vigia as quotas de audiência e circulação (aqui na imprensa), que não devem ultrapassar o patamar de 50%. Outra ideia desenvolvida no mesmo artigo atribui como adequado a vigilância do pluralismo mediático pela ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), que deve "supervisionar e fazer cumprir as regras de não concentração, monitorizar o nível das audiências, apreciar as garantias de pluralismo apresentadas pelos media em posição dominante e decidir sobre os «remédios» pertinentes".

No conjunto do artigo, defende a legislação e aponta regras de defesa do pluralismo, tais como a relação entre liberdade de concentração empresarial e liberdade e pluralismo, a atribuição de licenças de rádio e de televisão de sinal aberto dependentes de condições, o sacrifício da liberdade de empresa face aos mecanismos de defesa da concorrência no mercado. O parágrafo final recolhe uma citação do Conselho da Europa, onde se lê que "o pluralismo dos media é essencial para a democracia e para a diversidade cultural".

Outras perspectivas se poderiam levantar no texto, mas ele é omisso. Por exemplo, nada se escreve sobre pluralismo de informação e de opinião na internet. Sabendo que, cada vez mais, há informação não controlada na internet, qual a posição do legislador. Atribui também à ERC a supervisão? E pode haver controlo disso, uma vez que os servidores da internet estão maioritariamente fora do país? Há experiências anteriores: a rádio desde o final da Primeira Guerra Mundial até ao tempo da Guerra Fria, os canais de televisão próximos da fronteira da Alemanha ocidental no tempo do bloco soviético. Não existia controlo, e o pluralismo equivalia-se a propaganda.

Outro assunto não levantado no artigo: as notícias atribuindo um único alvo da legislação, o grupo Renascença, que no somatório das suas estações ultrapassa os 50% de audiência. Segundo as notícias, o legislador garantiu que não se tratava de obrigar o grupo Renascença a alienar estações, mas terá havido acordo em incluir as audiências de estações de rádio locais de modo a baixar as audiências das estações daquele grupo de media. A propósito, a lei da rádio já há muito que não é cumprida: por exemplo, a Media Capital possui um número de estações mais elevado do que o que a legislação indica. Já me disseram ter o dobro das estações permitidas.

Terceiro assunto, não é transparente a existência de um serviço público de Estado (rádio e televisão), pois as empresas privadas são obrigadas a serviço público no caderno de encargos que apresentam quando se candidatam às licenças de frequências. É recorrente ler-se que a televisão pública tem mais fontes de rendimentos que as estações privadas - a taxa paga no recibo da electricidade. Isto retira responsabilidade aos canais de Estado e aos canais privados, numa conversa alimentada ao longo dos anos. A propriedade das frequências hertzianas, historicamente pertencentes aos Estados, foi uma conquista cheia de violência, pois as frequências são ar; e o ar que se respira não se paga. Sem recordar o tempo da atribuição de frequências de onda curta aos amadores de há oitenta anos atrás, basta questionar o porquê da necessidade de até 2012 se fazer o switch off das frequências usadas em tecnologia analógica. Os fabricantes e os proprietários das frequências (os Estados) precisam delas para fabricar novos equipamentos e atribuir novos serviços - ganhar dinheiro. E, seguindo o raciocínio do articulista, se há um serviço público no audivisual porque não na imprensa?

Quarto assunto, e aquele que me parece mais importante: a legislação do pluralismo de informação não elimina a má qualidade do serviço prestado. Basta ver os noticiários de televisão e contar as notícias de crimes, fait-divers e violência, por oposição à informação económica ou política ou cultural, e temer pela fragilidade da legislação. Além de que não há estudos científicos sérios que comprovem que mais empresas de media trazem mais pluralismo (os estudos que conheço melhor - de Paulo Faustino e Luís Oliveira Martins - partem de um quadro político mais liberal que o de Vital Moreira). Basta as empresas mediáticas alinharem por um mesmo pensamento (o lucro acima da importância da informação aos cidadãos) para haver um desequilíbrio. Já desapareceu uma das melhores possibilidades que surgiram nas duas últimas décadas, as rádios locais. Hoje, elas estão vendidas aos grupos económicos que usam as suas frequências para retransmitir programas de emissores com sede em Lisboa. Para além do desaparecimento desse representante mediático do poder local, a relação concentração versus pluralismo nada nos diz sobre os contratos precários e a pressão económica sobre os que trabalham nos media.

Vital Moreira, no seu artigo, move-se na esfera jurídica pura, na organização da estrutura da lei, tecido fundamental para a compreensão de leigos. Mas, a mim, custa-me muito ler uma defesa tão laudativa, sem prever outras variáveis igualmente importantes ou até mais, se calhar.

12.10.08

FOTOGRAFIA: COMO UM MARROQUINO VÊ SILVES


A Igreja da Misericórdia em Silves foi construída no século XVI, para servir a Santa Casa da Misericórdia. Possui um pórtico manuelino e, no altar-mor, há um painel representando Nossa Senhora da Visitação e mais oito quadros.


Actualmente, a igreja funciona como espaço cultural, nomeadamente para recitais, música clássica e exposições temporárias, como é o caso da actual Olhares vizinhos/Regards voisins, com fotografias de Hassan Nadim, fotógrafo de Marrakech. Esta cidade marroquina e Silves têm um projecto em comum desde há anos. Agora, desde ontem e por uma semana, há diversas actividades que ilustram a cultura marroquina, entre as quais essa exposição.

Do catálogo, retiro o texto de João Manuel Rocha de Sousa sobre a imagem da capa do catálogo: "A porta, a flor, madeira e ornatos de ferro: há muitas em Silves, de uma velha tradição de chamamento. A pequena mão em metal, girando num gonzo, bate conforme o gesto de quem bate".

S. BARTOLOMEU DE MESSINES

S. Bartolomeu de Messines pertence a Silves, concelho de origem árabe. O rei D. Sancho I conquistou o território em 1189. Muito mais tarde, nas primeiras décadas do século XVI, possivelmente no reinado de D. Manuel ou no de de D. João III, chegaram-nos documentos que descrevem a igreja matriz de S. Bartolomeu de Messines e a sua constituição actual. No período barroco, a igreja sofreu alterações. As três naves do corpo da igreja são separadas entre si por arcos de volta perfeita (a partir do texto publicado no sítio do IPPAR).

10.10.08

A ACOMPANHAR COM INTERESSE


O blogue Quarta Parede, da Associação de Artes Performativas da Covilhã.

Espero voltar a escrever sobre este blogue.

CONFERÊNCIA DA ERC


A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) realiza nos dias 16 e 17 de Outubro, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, a sua II Conferência anual, dedicada ao tema A regulação como valor num mundo em mudança.

No encontro, estarão presentes Yves Poullet, Director do Centro de Pesquisa Informática e Direito da Universidade de Namur, com uma intervenção sobre o tema "Sociedade de informação: a urgência de uma reflexão ética", e James Cridland, Head of Future Media and Technology da BBC Audio and Music, sobre a questão do impacto regulatório das novas lógicas de produção radiofónica.

No segundo dia de trabalhos, pelas 10:00, será apresentado o estudo de Recepção dos Meios de Comunicação Social, coordenado por José Rebelo, docente do ISCTE.

COORDENADAS DO PENSAMENTO DE ADORNO (II)

[continuação da mensagem de 7 de Outubro]

Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer desenvolvem uma análise das ligações entre anti-semitismo, paranóia das massas, ilusões projectivas e homossexualidade, que ajudam a explicar a “mentalidade dos rótulos” da era pós-guerra. A secção teórica daquele livro, “Elementos de anti-semitismo”, foi escrita com a ajuda de Leo Lowenthal.

Para Adorno, o dadaísmo e o surrealismo não tiveram as consequências libertadoras esperadas. A nova sujeição da arte ao mundo das mercadorias e ao papel de porta-voz da ideologia dominante constituem escravidão idêntica ao antigo jugo teológico (Teoria Estética, p. 284). O único movimento moderno que contou com toda a simpatia de Adorno foi o expressionismo (Jay, 1984: 130), corrente poderosa na Alemanha e na Áustria da sua juventude. Embora não se tenha envolvido tanto como Bloch, que manteve um debate com Lukács sobre as implicações do expressionismo nos anos 30, Adorno defendeu o mesmo modelo. Horkheimer assumiu posição semelhante.

Jay (1984: 155) detecta quatro pontos fundamentais na teoria da arte em Adorno: 1) momento mimético na arte e relação com a beleza natural, 2) desestatização da arte e relação com a modernidade, 3) ideia da experiência estética e relação com a teoria, e 4) conteúdo real da arte e relação com a autonomia. Para Adorno, há duas possibilidades de mimese: imitação da realidade social corrente e realidade natural transformada pelo social (Jay, 1984: 156).

Contrariamente a Adorno e Horkheimer, para quem a indústria cultural e a produção de bens culturais constituem uma esfera da reificação total, Benjamin – que ignorava os trabalhos que deram origem à Dialética do Esclarecimento – escrevia sobre a função dos meios de reprodução mecanizados aplicados ao domínio da arte: fotografia, cinema. Como escreve Jimenez (1983: 88), Benjamin, ausente do discurso de uma só forma de falar em arte e estética, interrogou-se acerca de outros discursos, sistemas, teorias e doutrinas, críticas ou não, inseridas no mecanismo de reprodução e acumulação culturais, mecanismo de produção e difusão de um saber estético.

Durante mais de dois séculos, a estética fora "positiva", talvez porque os estetas não tivessem ainda dispositivos críticos elaborados para questionar a coerência do sistema. Para Marc Jimenez (1983: 89), e para além de "positiva", a estética e a filosofia eram de ordem "afirmativa": "positiva" porque pretendia um saber cuja matriz se traçava com a ajuda de conceitos; "afirmativa" porque participava no desenvolvimento e expansão da cultura.

A produção industrial dos bens culturais, na sociedade moderna, aparece como uma confirmação definitiva da crise de autonomia burguesa da arte, continua Jimenez (1983: 185). A Dialética do Esclarecimento antecipa as aporias da Teoria Estética (1970): a ideia de uma obra de arte avançada cujo carácter dependia da evolução das forças produtivas técnicas entra em contradição com a concepção da racionalidade como geradora da reificação e do domínio.

Nostalgia, recordação da natureza, imagens idílicas de um passado acabado dificilmente rompem a máscara cínica da dominação. A industrialização da arte e da cultura testemunha a crise da autonomia burguesa e da "regressão" irreversível da "razão na ideologia" (Dialética do Esclarecimento, p. 19).

Leituras:
Max Horkheimer e Theodor W. Adorno (1985). Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed
Marc Jimenez (1977). Para ler Adorno. Rio de Janeiro: Francisco Alves
Marc Jimenez (1983). Vers une esthetique negative. Adorno et la modernité. Paris: Le Sycomore
Martin Jay (1984). Adorno. Cambridge, MA: Harvard University Press


Observação: o texto reflecte um escrito meu antigo, de mais de 20 anos, em que segui de muito perto Marc Jimenez e Martin Jay.

9.10.08

REPRESENTAÇÕES


É o quarto volume das conferências multidisciplinares da Faculdade de Ciências Humanas da UCP (edição da Universidade Católica Editora). O modelo é simples: os docentes da Faculdade intervêm com comunicações em conferências temáticas, desta vez em três: representações da guerra, da família e do espaço público. Agora, coube-me a vez de fazer a introdução a duas delas, as duas últimas aglutinadas numa secção.

Termino essa introdução do seguinte modo: "pode concluir-se que os media formam muito do que pensamos e agimos, são cada vez mais o esteio do espaço público moderno. Pelo que devemos ler com atenção as notícias, dado poder haver interesses bem precisos e perigosos escondidos no seu agendamento".

O COMEÇO DO CINEMA SONORO HÁ 81 ANOS


Retiro a informação do jornal Público (texto de Inês Nadais), de há três dias:


A primeira longa-metragem com diálogos e sequências musicais sincronizadas, The Jazz Singer, foi projectado a primeira vez em 6 de Outubro de 1927. Mas houve ainda um tempo em que o mudo se manteve. Fico admirado porque tantas inovações e invenções surgiram depois.

IV ENCONTRO DE BLOGUES


Como já aqui foi publicitado, o IV Encontro de Blogues vai decorrer nos dias 14 e 15 de Novembro, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.


O programa é o seguinte:

Dia 14
9:00 – Recepção
9:30 – Sessão de abertura
9:35 – Comunicação de José Luis Orihuela (Universidade de Navarra) – Cultura bloguer
10:30 – coffee-break
11:00 – 1º painel – Blogues e a actual segmentação da blogosfera
Moderador: Prof. Fernando Ilharco
13:00 – Pausa para almoço
14:30 – 2º painel – Blogues culturais e educação
Moderadora: Mestre Carla Ganito
16:30 – coffee-break
17:00 – 3º painel – Blogues, cultura e negócio
Moderador: Prof. Rogério Santos
18:30 – Encerramento dos trabalhos do primeiro dia

Dia 15
9:30 – Ateliê de Photoshop – monitor: Dr. Mário Barros
Ateliê de Ferramentas de Web 2:0 – monitor: Dr. Gonçalo Silva

Ainda estão abertas as inscrições para apresentação de comunicações (contactar
aqui)
Inscrições no encontro – até dois dias antes da sua realização. Inscrição nos ateliês – até 31.10.2008.

Para saber mais, procurar
aqui.

Actualização: informações já publicadas sobre o encontro nos blogues eCuaderno (de José Luis Orihuela, o convidado especial do encontro), Jornalismo & Comunicação (escrito por Manuel Pinto), Lauro António apresenta (de onde retirei a imagem), Inquietação Pedagógica, Memória Virtual (de Leonel Vicente), Internet and Media (de Daniel Serra), JornalismoPortoNet, Maria de Lurdes Fonseca, zone41, O Lago (de Alexandre Gamela), Muiomuio.net e Os Media, o Jornalismo e Nós (de José Carlos Abrantes).

ACESSO AOS POLÍTICOS


No Reino Unido, o Comité de Comunicação da House of Lords ouviu ontem um painel de jornalistas sobre a relação da comunicação do governo com os media. Há um pequeno grupo de jornalistas (ver aqui) com acesso privilegiado a certos lugares do Parlamento. Tal acesso era quase-maçónico no seu início, mas com a abertura manifestada por Major e com as reformas feitas por Campbell (ao serviço de Blair) tornou-se um sistema mais eficaz, eficiente, imparcial e relevante para o público.

Fonte: Journalism.co.uk, texto publicado ontem.

MUDANÇAS NOS MEDIA


O East Valley Tribune, diário do Arizona (Estados Unidos), será publicado quatro vezes por semana em vez das habituais cinco, a partir de Janeiro. Razão: quebra na publicidade. O jornal começou com um modelo híbrido pago e gratuito desde 2007. A primeira secção é gratuita com uma circulação de 15 mil exemplares; o resto do jornal é pago e tem uma circulação de 104 mil. As alterações terão reflexo no número de empregados do jornal.

Fonte: Newspaper Innovation, edição de ontem; o Newspaper Innovation é um blogue diário sobre os jornais gratuitos.

8.10.08

ARQUITECTURAS EM PALCO, EXPOSIÇÃO DE JOÃO MENDES RIBEIRO


Inaugura amanhã no Teatro Aveirense, pelas 18:30.

Segundo o comunicado da entidade organizadora:

  • A exposição "Arquitecturas em Palco", da autoria de João Mendes Ribeiro [Representação Oficial Portuguesa na Quadrienal de Praga 2007 - 11ª Exposição Nacional de Cenografia e Arquitectura para Teatro], organizada e produzida pela Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura, conquistou a medalha de ouro na categoria “Best Stage Design”, o mais importante galardão atribuído a nível individual, num evento que tem como objectivo “observar e comparar o desenvolvimento do teatro, a nível mundial, na sua componente de design”.

    João Mendes Ribeiro foi também galardoado com o Prémio AICA 2007, na área da Arquitectura - prémio atribuído anualmente pelo Ministério da Cultura.

CIDADANIA DIGITAL


Vão decorrer, em 19 de Março de 2009, as jornadas sobre Cidadania Digital, organizadas pelo grupo de trabalho de Comunicação e Política da SOPCOM (Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação).

O local do evento será o ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas), na Ajuda (Lisboa).

EXPOSIÇÃO DE HÉLIO CUNHA


A partir de 14 de Outubro, pelas 17:00, no edifício central da Câmara Municipal de Lisboa (Campo Grande, Lisboa).

7.10.08

BLOGOSFERA E REDES SOCIAIS


Não sei há quanto tempo está disponível o State of the blogosphere 2008 da Techorati, mas é um excelente instrumento para análise deste meio. Retiro apenas um quadro:


Também aconselho uma leitura do texto de Andrew Dubber, no sítio
New Music Strategies, sobre o número de plataformas de media sociais. Ele aconselha a que cada pessoa se ligue a múltiplas plataformas, embora umas sejam mais centrais que outras.

OS MEUS LIVROS JÚNIOR


A revista os meus livros, a partir de Novembro, junta à edição habitual um suplemento, os meus livros júnior.

Segundo a revista, esta decidiu juntar-se a uma tendência manifestada em outros media "e aumentar o espaço destinado aos livros feitos a pensar na infância e juventude", com artigos alusivos ao público-alvo e muitas sugestões de livros, entre outras ideias.

ÁLBUNS DE BANDA DESENHADA


O primeiro é o melhor livro italiano de banda desenhada atribuído este ano pelo Festival de BD de Roma - ROMICS 2008 e pertence a Giorgio Fratini, com tradução de Selena da Cruz Testolina. Chama-se As paredes têm ouvidos e é editado pela Campo das Letras.

O segundo é a edição polaca de Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos, de Pedro Brito (argumento) e João Fazenda (desenho), sob o título Kobieta mego życia, kobieta moich snów. O livro foi vencedor dos prémios "Melhor Álbum Nacional" e "Juventude" no Festival de Banda Desenhada da Amadora de 2000. A obra já tem uma edição francesa saída este ano (mais informações em
Taurusmedia).

OFICINAS EXPERIMENTAIS EM MONTEMOR-O-NOVO


A Associação Cultural de Arte e Comunicação Oficinas do Convento (Montemor-o-Novo) irá realizar na sua sede Convento de S. Francisco e Quinta das Artosas três Oficinas Experimentais: "Fotografia Digital - da captura à arte final", "Paisagem Além Paisagens" e "Oficina de Piano".

JORNALISMO NA EUROPA: QUEM PRECISA DE REGULAÇÃO?


Jornada científica a levar a cabo na Universidade do Minho, em 15 de Maio de 2009, numa organização do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade daquela universidade. Segundo os organizadores,
  • A conferência pretende aproximar perspectivas diferenciadas sobre as profundas transformações que estão hoje a ocorrer no campo jornalístico e respectivos desenvolvimentos ao nível dos mecanismos de regulação. Analisando as mudanças, procura-se, com esta conferência, contribuir para o desenvolvimento de uma leitura mais complexa das ferramentas reguladoras (internas e externas) com potencial para a defesa do jornalismo como campo socialmente relevante. Os desafios colocados pela digitalização dos conteúdos, pela proliferação das plataformas e pelo crescimento exponencial de participantes na esfera pública digital estarão em cima da mesa.A conferência será particularmente relevante para entidades reguladoras, jornalistas, gestores de órgãos de comunicação, académicos e alunos da área.
Manifestações de interesse devem ser enviadas para a Comissão Organizadora: Helena Sousa (helena@ics.uminho.pt), Manuel Pinto (mpinto@ics.uminho.pt) e Joaquim Fidalgo (jfidalgo@ics.uminho.pt).

COORDENADAS DO PENSAMENTO DE ADORNO (I)


O pensamento de Adorno é adverso à ideia de sistema fechado, caso da Teoria Estética, que sofre o desmembramento próprio da fragmentação – tem uma construção paratática (a parataxe ou coordenação é uma construção em que os membros se ordenam numa sequência mas não se conjugam como se se tratasse de um sintagma. Na parataxe cada termo vale por si). A forma de apresentação paratática reforça a forma aporética da obra (aporia é a dificuldade ou mesmo ausência de saída, podendo constituir até uma dificuldade lógica insuperável).

O carácter fragmentário da Teoria Estética, editada postumamente em 1970, dedicada a Samuel Beckett, deve entender-se do seguinte modo: 1) constitui-se por textos muito curtos, 2) é um imenso fragmento. Tal carácter possibilita a leitura em múltiplas entradas (Jimenez, 1977: 13).

Segundo Martin Jay (1984: 15-22), o pensamento adorniano tem as seguintes coordenadas: 1) marxismo – o da tradição heterodoxa do pensamento marxista ocidental (escola de Frankfurt, Instituto de Pesquisas Sociais, 1924), 2) modernismo estético – para além de filósofo e sociólogo, Adorno foi músico e compositor, absorvendo a moderna música atonal de Schoenberg, durante a sua estada em Viena, nos anos 20, 3) conservadorismo cultural – apesar das suas inclinações marxistas e modernistas, Adorno conserva uma distanciação profunda para com a cultura de massa e olha com aversão a razão tecnológica, instrumental. Critica o jazz e os blues. Faz parte do designado declínio dos mandarins (senhores feudais) alemães. O seu pensamento é negativo. Para além disso, Adorno mantém uma apreciação de figuras reaccionárias, o que põe em causa o modernismo que defende, 4) influência do pensamento judaico – embora não tão envolvido no judaísmo como Walter Benjamin, há uma certa influência do seu pensamento. Meio judeu por nascimento, embora identificado com o catolicismo da mãe, no exílio Adorno toma conhecimento profundo da sua herança judaica. Costumara citar: “Escrever poesia depois de Auschwitz é bárbaro”. Como Horkheimer, Adorno não falará na alternativa utópica (cara a Marcuse, cuja última obra se debruça sobre estética), pela referência à proibição judaica de pintar Deus ou o paraíso. Articula, desde o holocausto nazi, os pensamentos antisemita e totalitário, 5) desconstrucionismo (movimento que emerge com os pós-estruturalistas, em 1967. Adorno morre em 1969) – há ligações, talvez fortuitas, entre ele e a amizade que une Walter Benjamin ao círculo de proto-descontrucionismo do colégio de sociologia (Georges Bataille, Pierre Klossowski, Roger Caillois). Em Adorno, a sua antecipação do descontrucionismo vem da apreciação de Nietzsche. Divergindo de outros marxistas – como Lukács, que via em Nietzsche um perigoso e irracional precursor do fascismo – Adorno gostava dele pela crítica à cultura e política de massas e a crítica à dialéctica das luzes (Aufklärung), 6) experiência pessoal e política, com a ascensão do nazismo. Nele há influências pessimistas, de Schopenhauer, Nietzshe e Kierkgaard.

Elementos constantes da obra de Adorno são os seguintes: 1) denúncia e recuperação, 2) situação aporética da sociedade (que inclui a arte e a cultura), 3) teoria do mundo administrado, 4) indústria cultural (Kulturindustrie). Lêem-se as obras de Adorno na perspectiva da denúncia (Jimenez, 1977: 31). A produção artística é manipulada, segundo Adorno, que se insurge contra os meios ideológicos que permitem e “justificam” essa manipulação (recuperação). A arte está num impasse - é a situação aporética. Após se libertar das funções cultuais, religiosas e morais, a arte entra nos circuitos económicos. E, para além de entrar nos circuitos das mercadorias (indústria cultural), a arte serve também de veículo ideológico à dominação do mundo administrado, sociedade tecnocrática onde tudo se mede, etiqueta, vende e consome.

[continua]

6.10.08

ERC E PLURALISMO POLÍTICO-PARTIDÁRIO


Sem querer desdizer o que escrevi aqui no passado sábado sobre "as tomadas de posição da ERC", com artigos de jornal e resposta da ERC, aconselho a leitura do texto de hoje de Pedro Magalhães, " O pluralismo político-partidário, segundo a ERC". Entende o politólogo que a ERC deve fazer "estudos sobre acessibilidade e deficências físicas, publicidade a produtos bancários, obesidade infantil e juvenil, novos conteúdos e suportes tecnológicos, o peso do desporto nas emissões televisivas, a forma como minorias sociais são retratadas na programação, violência televisiva". E continua: "nunca com espírito «policial», mas com a intenção de trazer estes temas para a agenda pública e gerar informação rigorosa sobre eles".

Também ontem, no seu espaço habitual de comentário na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa comentou negativamente a recente deliberação da mesma entidade.

O relatório da ERC pode ser consultado neste
link.

CURSO DE GESTÃO CULTURAL EM S. PAULO

5.10.08

O BARRISTA JOÃO FERREIRA


No 18º Salão de Artesanato de Vila Franca de Xira, fiz hoje uma pequena reportagem com o barrista João Ferreira (Barcelos). Noutras duas ocasiões, já este ano, referi o seu trabalho, aqui e aqui.

PAUL NEWMAN


Os jornais de há uma semana traziam a notícia da morte do actor americano Paul Newman. Absorvido por outros assuntos, não escrevi aqui uma só linha sobre esse actor de que a primeira página do Público titulava "Morreu o último (e o mais bonito) dos grandes".

Todos nós obtivemos prazer ao ver as suas interpretações no cinema. Não vou aqui analisar os filmes em que entrou (como Fugindo do passado, Gata em telhado de zinco quente, A Vida é um jogo, Corações na penumbra, A cor do dinheiro), mas tão só dar uma curta nota biográfica.


Nascido em 1925 em Cleveland, Ohio, no seio de uma família da classe média, desde cedo manifestou interesse na arte de representar. O serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial foi um intervalo no seu gosto. Regressado a casa, iria para a Broadway e casaria com Jackie Witte, de quem teria um filho e duas filhas. Após o fim dessa relação, casou com Joanne Woodward. Além da paixão por Joanne, ele foi corredor de automóveis com sucesso, criou uma empresa de alimentação, com saladas muito populares, a Newman's Own, com todos os lucros a serem canalizados para acções de beneficiência, ganhou um óscar da academia americana de cinema, lutou pelos direitos cívicos.

Nos jornais que eu li hoje, Sam Mendes, que dirigiu Newman em Estrada para a perdição, homenageia o actor no Observer. Newman tinha já 76 anos quando Mendes realizou o filme; para este, Newman parecia mais pequeno e frágil do que pensara inicialmente. Newman falou-lhe muito da mulher, Joan. Para Sam Mendes, o actor era um herói, pelas obras de beneficiência em que se envolvera, pelas corridas de automóveis, por ter interpretado papéis como os de Harper, Hud, Fast Eddie, Butch Cassidy.

A página dominical de João Bénard da Costa no Público, "A Casa Encantada", é dedicada toda a ele. Onde o compara a Marlon Brando e a James Dean, outras memórias vivas no espectador de cinema, mas defende que Newman não é uma réplica menor daqueles, pelo contrário.

MUSEU VAN GOGH


A fila de visitantes para entrar era muito grande - e havia muita agitação em entrar. O museu de Amsterdam é novo e atrai mais de um milhão de visitantes por ano.

Van Gogh trabalhou como artista apenas 10 anos, os últimos da sua vida (1880-1890). Mas, nesse período, fez 1100 desenhos e 900 pinturas. As mais importantes encontram-se albergadas no museu com o seu nome: 200 pinturas, 500 desenhos, cerca de 800 cartas, muitas delas trocadas com o seu irmão Theo.


Vincent Van Gogh nasceu em 1853 em Brabant, na Holanda, filho de um pastor protestante. Teve cinco irmãos, um dos quais Theo, mais novo e de vital importância no seu futuro. Quando criança, Vincent era introvertido mas esperava-se dele um maior talento. Aos 16 anos, foi trabalhar para uma empresa francesa ligada a antiguidades, a Goupil, num escritório em Haia. Aí começou o seu interesse pelas artes visuais. Em 1873, aos 20 anos, Vincent é transferido para o escritório de Londres da empresa. Dois anos depois, já está na sede, em Paris, prova da qualidade do seu trabalho.

Nesse momento, tem profundos sentimentos religiosos, com uma preocupação de ajudar os membros mais fracos da sociedade. Abandona o trabalho na Goupil e prepara-se para ser ministro protestante, indo para a vizinha Bélgica, em Borinage. Mas não tem sucesso. Aos 27 anos de idade, sofre uma crise de identidade, sem saber o que fazer no futuro.

O irmão Theo, entretanto empregado na empresa Goupil, convence Vincent a ser pintor. Este vai para Bruxelas aprender. Como a vida da cidade era cara, retirou-se para Etten, onde tinha a companhia dos camponeses, modelos dos seus quadros de então. Muda de novo de local de habitação, passando para Haia, onde tem lições de pintura com um primo, Anton Mauve, outra figura chave no seu desenvolvimento. No Verão de 1882 experimenta pintar a óleo.

Em 1885, Von Gogh vai para Paris, onde encontra o irmão a trabalhar na Boussod, Valadon e Cª, anterior Goupil. Theo será o suporte financeiro do irmão, que ainda não conseguira vender os seus quadros. Millet, Delacroix, Manet e Monet são alguns dos contactos que estabelece. Também conhece Toulouse-Lautrec e Paul Signac. Em 1887, conhece Paul Gaugin, com quem no ano seguinte estabelece uma colónia de artistas em Arles, na Provence. É um dos períodos mais ricos mas dramáticos da vida do pintor holandês. Passava dias seguidos a pintar, quase sem tempo para dormir e alimentando-se com pão e café. Em 1889, após o fracasso da colónia de artistas, Van Gogh recolhe-se num asilo-hospital de Saint-Rémy; a epilepsia tornara-se um problema grave. Regressa para perto de Paris, em Auvers, mas o desfecho é fatal: suicida-se com um tiro de pistola.

O irmão Theo não durará muito mais, morrendo um ano depois. A família deste, nomeadamente a viúva, recolhe muito do material deixado por Vincent e torna-o público. A opinião sobre a qualidade estética das obras deste melhorara muito, começando a ser objecto de culto - culminando naquilo que hoje sabemos da pintura de Van Gogh, um génio de finais do século XIX [em baixo, pequenos vídeos que retirei sobre Van Gogh, alojados no YouTube].


4.10.08

PERGUNTA SOBRE O FINAL DE UMA TELENOVELA


A 22 de Janeiro de 2005, escrevia aqui sobre a telenovela Celebridade, que acabara pouco antes e fora analisada por um grupo de estudantes.

Através de uma pesquisa pelo Google, chegam ao meu blogue e perguntam: "A novela celebridade está passando em Angola e queria saber quem matou o Lineu".

Primeiro comentário: o texto colocado em 2005 reflectia um pequeno estudo (com o objectivo de entender o tipo de público, causas da preferência da novela e saber opiniões sobre o tema, enredo e personagens). A internet, com a sua incomensurável rede de dados, cria relações situadas fora do tempo e do espaço de outros meios de comunicação, o que traz problemas novos mas também expectativas novas. É como se houvesse uma comunicação permanente e sem barreiras físicas.

Há algum tempo atrás, registei outra informação colocada na caixa de comentários sobre uma mensagem sobre uma ópera que eu vira. Eu deixei o mínimo de informação sobre a peça musical; o comentário foi no sentido que eu deveria ter escrito com mais detalhe para servir de base a uma pesquisa dessa leitora.

O que me leva a um segundo comentário: alimentar um blogue cria alguma obrigação de se escrever apuradamente (com acurácia e profundidade), o que nem sempre está no espírito de quem mantém o blogue, espaço de livre manifestação do autor sem responsabilização perante terceiros. A informação está lá e o autor não tem de acrescentar nada, pois não obriga ninguém a ler ou a acreditar no que está publicado. Digamos que a comunidade de partilha é uma utopia, pois implica que todos sejam produtores e não uns produtores e outros receptores que vivem usando o esforço dos produtores.

Por isso, embora a internet seja uma ferramenta extraordinária, não elimina desigualdades nem permite a comunicação total. Esta tem de continuar a efectuar-se em comunidades mais pequenas e físicas, pois a sociabilização é plena quando estamos face a face. A mediação, a remediação ou quase-interacção mediada (John B. Thompson) existem a partir daquela.

AVENIDA DA REPÚBLICA, LISBOA


Foi a Feira Popular. Agora está um monte de lixo e de prédios semi-destruídos. Muito triste!

NOTÍCIAS LIDAS EM TARDE DE SÁBADO


Há momentos, enquanto acabava a leitura dos jornais, a Antena 2 estava a transmitir música de Eric Satie (uma Gymnopédie e outras músicas). A sua audição deu para reflectir sobre as notícias. De um lado, os artigos de Eduardo Cintra Torres e de José Pacheco Pereira, do outro lado, o computador Magalhães.

Há semanas que os jornais (e a televisão) fazem eco da distribuição destes aparelhos nas escolas primárias e secundárias. Em princípio, pareceu-me interessante. Depois, comecei a ler que o computador não era português, que o governo estava a fazer propaganda. Fiquei com uma posição firme sobre a matéria, formada em especial pelo Público. Agora, o Expresso (e a SIC Notícias, ontem) falaram do presidente da Microsoft, que considera ser um projecto único no mundo e se espantar com o ruído e a incredulidade nacional. A minha confiança ficou abalada, parecendo eu um catavento, sempre a mudar de opinião.

Claro que a experiência e os livros me indicam cuidado. Há agentes sociais com interesses próprios e contraditórios que passam as suas mensagens específicas nos media. Estes não são contraditórios mas projectam valores variados e opostos (em democracia, este é o mal menor - antes disputa e discordância do que unanimidade controlada). Por isso, ler jornais é uma tarefa a fazer com muito cautela. Devemos estar com muita atenção aos interesses de cada agente social para descodificarmos porque se escreve assim. Eis uma primeira reflexão.

O que me leva a olhar para o que escreveu um dos colaboradores do Público que leio com mais atenção: Cintra Torres. Esta semana, voltou a questionar as tomadas de posição da ERC. Pelo que conheço dos interlocutores, calculo que um dos elementos dirigentes da ERC vai responder, usando termos semelhantes aos do articulista. Ora, não compreendo estes movimentos. Os seus temas e argumentação são tão previsíveis que pouco ganham, excepto a posição a favor ou contra. Deste modo, os jornais tornam-se pesados, repetitivos e enfadonhos, sem originalidade e afastam leitores. Tal constitui a minha segunda reflexão.

Um artigo de João Pedro Pereira sobre o comentário dos leitores na internet conclui que estes nem sempre são feitos de forma civilizada. Dou um exemplo pessoal: hoje, de manhã, pus-me a ler os comentários escritos sobre a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa. Comentários anónimos, mal escritos e muito tendenciosos (contra, a favor) não servem para outra coisa senão medir a maledicência nacional. Creio que já escrevi aqui: os leitores anónimos do Público - ou de outros jornais - não serão leitores da edição em papel; quando muito lerão os anúncios na página online do jornal. A opinião destes leitores terá alguma validade? Isto leva-me à terceira reflexão, a da utilidade ou não de alguma ou muita da informação.

Acabo com a leitura da página 18, numa breve com o título "Televisões dão imagem errada". O texto completo é: "As televisões dão a imagem errada dos congressos partidários, segundo um estudo realizado por três investigadores portugueses que participaram em encontros dos partidos políticos e depois analisaram a cobertura dada por RTP, SIC, TVI. Os investigadores concluíram que nos directos, os partidos debatem "assuntos sérios" e os canais procuram "melhor imagem" e não "factos principais". Congressos e convenções partidárias - Como se relacionam políticos e jornalistas de televisão" foi publicado na revista do Observatório da Comunicação, em 2002". A palavra "investigadores" aparece duas vezes mas não sabemos quem são; sabemos que o texto foi publicado na revista do Obercom. A dúvida que se instala é saber da validade deste trabalho. Publicado em 2002 - não é antigo? A que propósito veio agora? Não haveria necessidade de enquadramento?


O que me conduz a uma quarta reflexão, dividida em duas partes e partindo de modo indirecto do que escrevi no parágrafo anterior: os media são espaços de discussão política mesmo que quando prossigam objectivos de lucro. Escreve-se tendenciosamente e usam-se os mesmos comentadores ou fontes que expressam pontos de vista ou simpatias já conhecidos. Ou os media são espaços de confusão, pois não se percebe o enquadramento de muito noticiário ou aceitam-se comentários (e cartas ao director) sem grande relevância para os cidadãos.

3.10.08

AS INDÚSTRIAS CULTURAIS EM YUDHISHTHIR ISAR



Yudhishthir Raj Isar, num texto recente, reflecte sobre indústrias culturais ("Cultural industries and cultural expression: a fraught relationship?", Obs, 2008, 16: 38-43).

Tendo como pano de fundo a agenda de Lisboa, que quis encontrar o lugar ideal da palavra cultura, Isar procura conhecer o peso do discurso de etiquetas como indústrias culturais, indústrias criativas, economia criativa. Para ele, o poder da linguagem económica colonizou o campo da cultura na totalidade. Por um lado, reconhece que muita produção, distribuição e consumo do trabalho artístico contemporâneo é mediado digitalmente. Por outro lado, entende que o crescente número de actividades, instituições e práticas de expressão artística e criativa sofre uma orientação para o mercado e que a economia criativa se tornou uma ideia central no discurso.


A economia criativa emergiu do discurso do governo de Blair no final da década de 1990 sobre as indústrias criativas. E também de Richard Florida, que publicou em 1992 The rise of the creative class. Esta classe criativa engloba várias profissões e actividades (cientistas, engenheiros, arquitectos, educadores, escritores, artistas, animadores). Segundo Isar, a aceitação positiva e proactiva dos argumentos de Florida parece representar uma panaceia para todos os problemas económicos locais.

JARDIM DE AMSTERDAM

JORNALISMO DE CARLOS CHAPARRO

O XIS DA QUESTÃO é um blogue do professor Carlos Chaparro. A seguir, nomeadamente o seu Curso de Jornalismo através de pequenos vídeos, numa espécie de e-learning.

NOTICIÁRIOS DA MANHÃ DA ANTENA 1


Em Outubro, os noticiários da manhã da Antena 1 estão diferentes. Eduarda Maio sucedeu a José Guerreiro e introduziu mais vozes jornalísticas, nomeadamente com apontamentos dados pelos correspondentes fora do país. A dimensão é a mesma (15 minutos).

O FLUXO DE COMUNICAÇÃO NUMA SALA DE REDACÇÃO

A ler aqui.

HISTÓRIA DE PORTUGAL


Ver aqui o e-journal of Portuguese History.

2.10.08

PROGRAMA DE VISITAS AO ANIM


CINQUENTENÁRIO DA CINEMATECA PORTUGUESA-MUSEU DO CINEMA

O departamento Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), criado há dez anos, é o centro técnico onde a colecção fílmica da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema é conservada, preservada e restaurada.

Igualmente no ANIM, o público pode aceder à colecção, em visionamentos individuais ou de projecções em sala. Para tornar conhecida a actividade do ANIM, a Cinemateca organiza quatro visitas direccionadas a grupos de utilizadores diferenciados:
1) Realizadores, produtores e distribuidores, 8 de Outubro,
2) Investigadores universitários, produtores e jornalistas, 15 de Outubro,
3) Professores de cinema do ensino superior e escolas de artes, 22 de Outubro,
4) Depositantes institucionais, 29 de Outubro.


As visitas realizam-se nas instalações do ANIM (Bucelas, a 20 quilómetros de Lisboa), têm a duração de três horas e são gratuitas, embora seja obrigatória uma inscrição prévia até dois úteis antes da sua realização. Contacto para inscrição: Margarida Sousa (
margarida.sousa@cinemateca.pt; 219689400).

FABRICO PRÓPRIO - O DESIGN DA PASTELARIA SEMI-INDUSTRIAL PORTUGUESA. EXPOSIÇÃO DO WORKSHOP


  • Quantos de nós não temos sugestões para melhorar alguns dos bolos que consumimos diariamente? O Mil-Folhas que poderia ser mais estreito para caber melhor na boca, a Bola de Berlim que poderia ter a incisão feita de outro modo para que não espirre o creme todo pelo lado logo após a primeira trinca, ingredientes alternativos... Com o objectivo de contribuir para o universo de pastelaria quotidiana portuguesa, um grupo de gulosos e mestres pasteleiros reuniu-se a pretexto desta temática em duas sessões onde foram apontadas algumas considerações para a criação de novos modelos/bolos ou a inovação de modelos/bolos existentes. Posteriormente, em local operacional, com a colaboração de mestres e aprendizes de pasteleiros, foram experimentadas as sugestões emergentes das duas primeiras sessões de trabalho. A exposição Fabrico Próprio recria a atmosfera das sessões de discussão do tema e apresenta, pela primeira vez ao público, os resultados práticos das propostas deixadas na mesa segundo a perspectiva do grupo de "gulosos" convidados (texto da organização).
Fabrico Próprio é um projecto multidisciplinar sobre o design da pastelaria semi-industrial portuguesa da autoria de Pedrita (Rita João e Pedro Ferreira) e Frederico Duarte, composto por livro, workshop, sítio www.fabricoproprio.net, lançamentos em Portugal e no estrangeiro e exposição. O MUDE (Museu do Design e da Moda) também está associado ao projecto.

A exposição ficará patente na Sala do Risco (Largo de St. António à Sé, 22, Lisboa), de 7 a 31 de Outubro, aos dias úteis das 10:00 às 18:00. A exposição abrirá dia 7 pelas 19:00.

TIPOGRAFIA COMUM EM DOIS JORNAIS JAPONESES


Foi anunciado que dois dos principais editores de jornais japoneses, Asahi Shimbun Co. e Yomiuri Shimbun Holdings, assinaram um protocolo para baixar custos de produção. A ideia é construirem uma área de impressão comum aos dois meios, a funcionar em 2011. Trata-se da primeira colaboração na área de produção de dois jornais muito concorrentes, esperando-se que outros editores se juntem à iniciativa.

[informação recolhida no sítio
Editor & Publisher de ontem]

QUEBRA DE VENDA DE JORNAIS NA HOLANDA


O sítio NIS News reporta hoje que a circulação da maior parte dos jornais holandeses caiu no primeiro semestre do ano. Entre eles, estão De Telegraaf, De Volkskrant e Het Financieele Dagblad.

JORNAIS GRATUITOS


Pela primeira vez, a leitura dos jornais gratuitos na Europa baixou. No final era de 27,3 milhões de exemplares, agora é de 27 milhões.

Lê-se no sítio
The Editors Weblog de hoje (de onde retiro o gráfico), que o declínio não é significativo mas pode ser o sinal de uma nova tendência. É que a circulação mundial ainda cresce 2%, muito por causa dos novos lançamentos na América do Sul e na Ásia.

1.10.08

EU SOU DOS QUE NÃO TÊM CARTÃO FNAC E ESTOU DESCONTENTE COM A DECISÃO DE ALTERAR A POLÍTICA DE PREÇOS


Isto apesar de não achar correcto o procedimento até agora desenvolvido pela FNAC. Passo a explicar.

1) É agradável comprar um objecto sabendo que ele tem um desconto de 10%,
2) Anunciar o fim desse desconto desperta um sentimento oposto, de desdém por quem determina o novo propósito,
3) Ponho-me a pensar: de um lado, existem os detentores do cartão FNAC (250 mil diz a notícia do Público), do outro, os que não têm o mesmo cartão (que não sei quantos são). Logo, passei a ser um "sem cartão", ou seja, desalinhado, marginal, inferior. Para recuperar o rótulo de bom cidadão, terei de pedir um cartão,
4) Mas, numa perspectiva de economia política (quiçá redutora mas oportuna), penso melhor sobre a medida do anúncio do fim do desconto para os "sem cartão": a FNAC, com a política dos 10% de desconto, contribuiu para o fim de pequenas livrarias que não podiam competir. Agora, com uma quota de mercado significativa, já tem margem para impor. A isto chama-se, na perspectiva teórica acima enunciada, atitude monopolista. Ah, depois das nacionalizações da banca pelo ocidente fora - coisa estranha nos países capitalistas - nestes últimos dias, já pouco me espanta! A isto pode chamar-se também manipulação,
5) Pensava que o cliente e os bens culturais vendidos na FNAC eram mais importantes que o cartão. Como se a fidelidade estivesse no cartão da FNAC (que não é dourado como o dos bancos)!,
6) Pensando ainda melhor, se a jornalista do Público (São José Almeida) é uma profissional séria (do que leio dela, tenho-a nessa conta) e escreveu bem o que disse o director de comunicação da FNAC, este está profundamente equivocado. Terá dito ele: "Nós temos esta prática de forma sistemática, mas, com o tempo, a concorrência optou por destacar este tipo de descontos de forma promocional". A ser assim, os preços na FNAC passam a ser mais caros que nos outros sítios e não iguais a esses outros sítios. Li eu mal?

Como conclusão: em termos de imagem, é um erro, creia-me o director de comunicação da FNAC. Não será melhor voltar atrás? Ou quer que toda a gente seja fichada, "com cartão"?

INDÚSTRIAS CRIATIVAS NO NORTE DO PAÍS

Hoje, 1 de Outubro, terá sido formalizada a constituição da Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas (ver slides com informação da mesma aqui, datada de meio do mês passado). Do seu programa de actuação faz parte o estabelecimento de parcerias e redes, casos da Galiza (jornadas Mar Por medio, como aqui anunciei ontem) e de outras áreas e cidades europeias de pequena e média dimensão [o meu obrigado a Carlos Filipe Maia pelas dicas].

Ainda dentro da área das indústrias criativas, vai realizar-se o II Fórum Cultura e Criatividade (4 a 7 de Fevereiro de 2009), na EXPONOR – Feira Internacional do Porto, em estreita colaboração com o Ministério da Cultura, com a conferência "Impacto Criativo: Do projecto individual à cidade/região Creative Impact: from the individual Project to the city/region" (7 de Fevereiro). Inicialmente, o projecto estava previsto para Setembro passado, como aqui anunciei em tempo devido.

ILUSTRAÇÃO DE MODA


José Fonseca tem um blogue, fashion illustration. Apesar da irregularidade com que inclui os seus projectos, aconselho a ver.

SIM, THEODOR ADORNO PODERIA ESCREVER SOBRE SHARON STONE


Em Dialética do Esclarecimento, de Theodor Adorno e Max Horkheimer (1985: 146), lê-se:
  • A heroificação do indivíduo mediano faz parte do culto do barato. As estrelas mais bem pagas assemelham-se a reclames publicitários para artigos de marca não especificada. Não é à toa que são escolhidas muitas vezes entre os modelos comerciais. O gosto dominante toma seu ideal da publicidade, da beleza utilitária. Assim a frase de Sócrates, segundo a qual o belo é o útil, acabou por se realizar de maneira irónica. O cinema faz propaganda do truste cultural enquanto totalidade; no rádio, as mercadorias em função das quais se cria o património cultural também são recomendadas individualmente. Por cinquenta centavos vê-se o filme de milhões de dólares; por dez recebe-se a goma de mascar por trás da qual se encontra toda a riqueza do mundo e cuja venda serve para que esta cresça ainda mais.
Sim, Theodor Adorno poderia escrever sobre Sharon Stone!