segunda-feira, 15 de maio de 2006

O NOVO CAMPO PEQUENO

Os jornais Público (dia 7) e Diário de Notícias (dia 12) e a televisão estão a dar muito relevo à abertura da renovada praça de touros do Campo Pequeno, agora convertida numa área de actividades multiuso e centro comercial.




Eu já reflecti aqui sobre o assunto (17 de Dezembro de 2005). Então, mostrara o meu desapontamento, no que resultou em dois comentários críticos. Num deles, uma leitora escrevia: "Estamos para ver se o tratamento do espaço envolvente virá, ou não, enriquecer a praça e a sua apreensão pelos transeuntes, utentes e ... fotógrafos :)". No outro, mais sério, um leitor assinalou: "lendo o seu post relativamente à actualização de algumas das silhuetas da nossa (minha de certeza) cidade de Lisboa, sinceramente deixa-me com uma subtil mas vincada sensação [...] de uma visão e opinião completamente retrógrada e sem visão de futuro da mesma. É, efectivamente com alguma reserva que faço uma leitura do seu comentário... Se possível agradecia que enquadrasse a sua opinião numa época que todos vivemos e discutimos da necessidade e, quase, obrigatoriedade de nos actualizarmos e renovarmos a nossa perspectiva e posicionamento na actualidade Portuguesa".

Reconheço que, então, me enganei ao escrever AFINAL, O CAMPO PEQUENO NÃO VAI FICAR TÃO BONITO COMO EU PENSARA. Ao ler "Campo Pequeno espera dez milhões de visitantes por ano" (Diário de Notícias) e "As actividades tauromáquicas deixam de ser a principal fonte de receitas do emblemático edifício lisboeta, que nesta segunda vida se transforma num recinto multiusos", com cinemas e uma livraria no conjunto de lojas (60), para além dos espectáculos e de hotéis, não posso deixar de reconsiderar o que pensei no final do ano passado.

O edifício neo-árabe, projectado pelo arquitecto António José Dias da Silva e inaugurado a 18 de Agosto de 1892, volta a ter vida, após ser encerrado há seis anos por degradação visível.

sábado, 13 de maio de 2006

Volto ao blogue na próxima segunda-feira. Desejo um bom fim-de-semana.

TEATRO RADIOFÓNICO E TELEVISÃO (I)

Esta semana li os dois livros cujas capas estão aqui presentes: 1) Inês Fonseca Santos, Produções Fictícias. 13 anos de insucessos (347 páginas, editado pela Oficina do Livro), e 2) Eduardo Street, O teatro invisível. História do teatro radiofónico (222 páginas, editado pela Página 4).



São convocadas várias das indústrias culturais nos livros: rádio, televisão, imprensa. Ambos os livros evocam, num passado começado há 70 anos ou há 13 anos, a formação de grupos distintos, um dedicado ao teatro radiofónico e constituído por indivíduos em torno de uma instituição pública, a Emissora Nacional/RDP, o outro narrando a constituição de uma organização de criativos de humor televisivo (depois estendido a outras indústrias culturais) em torno de um líder, Nuno Artur Silva e as Produções Fictícias.

Verificam-se histórias semelhantes ou aproximadas da criação de modelos e de estratégias de concretização dos projectos: experimentação, reconhecimento, continuidade, maturidade, e declínio (no caso do teatro radiofónico, dada a sua idade mais elevada). Os autores dos livros têm um igual fascínio pelas histórias em torno dos projectos e do desempenho dos seus intervenientes. Além disso, o modo de contar os acontecimentos e de os projectar em períodos mais longos, de estrutura, é simples, sem obedecer aos cânones dos livros académicos, virtualmente mais aborrecidos, caso do sistema de notações bibliográficas (desse mal também padeço, pois recebi formação académica).

[continua]

sexta-feira, 12 de maio de 2006

  • CULTURA: FACTOR DE CRIAÇÃO DE RIQUEZA

    Ontem e hoje, decorreu na Fundação Oriente o seminário internacional Cultura: factor de criação de riqueza. Alguns dos oradores falaram sobre cidades criativas, tema já aqui abordado e no seminário debatido com entusiasmo e revelado, pois se trata de um factor fundamental no progresso económico. Destacaram-se: 1) Nuri Colakoglu, Presidente do Comité Executivo de Istambul Capital Europeia da Cultura 2010, com "Cidades, Indústrias Criativas e Desenvolvimento", 2) Francesco Buranelli, Director dos Museus do Vaticano, com "Museus Públicos e Privados: Modelos de Gestão e Sustentabilidade", e 3) Stephen Fuller, Professor na George Mason University, com "Direct and Indirect Economic Impacts generated by Cultural Facilities".

    [os meus agradecimentos a Joana Vicente Pinto pela gentileza da informação]
IMPACTO DO ALARGAMENTO DA UNIÃO EUROPEIA NA INDÚSTRIA DOS MEDIA. O CASO PORTUGUÊS

Trata-se de um estudo, como o título indica, sobre o impacto nos media após o alargamento da União a 25 Estados membros, em especial o que decorre no nosso país.


O trabalho envolve alguns itens, de que se destacam: 1) análise e compreensão dos condicionalismos económicos nacionais, 2) oportunidades resultantes da integração europeia e bloqueios internos, 3) abordagem do sector da comunicação social português, 4) indicadores como situação do emprego e investimento, 5) condições de recolha de fundos e benefícios. A análise faz-se a partir da aplicação de inquéritos por questionário a uma amostra de 795 indivíduos de nacionalidade portuguesa.

Coordenador do projecto, Paulo Faustino explica, no vídeo seguinte, que chegou o momento de discussão dos textos produzidos -
presentes no blogue
EUmedia -, de modo a se conseguir uma melhor apreciação do impacto nos media do alargamento da União Europeia a 25 países.



Assim, aconselhamos uma visita ao blogue EUmedia, em especial o texto em discussão pública Impacto do alargamento da UE nos media nacionais.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

DEFENDIDA TESE SOBRE IMPRENSA REGIONAL NA UNIVERSIDADE DO MINHO

Hoje, ao começo da tarde, Victor Amaral apresentou a dissertação Temas e fontes na imprensa regional da cidade da Guarda, na Universidade do Minho, no Instituto de Ciências Sociais. Nesse trabalho, Amaral trabalhou os jornais A Guarda, Terras da Beira, Nova Guarda e O Interior, a partir de análise de conteúdo a 363 peças noticiosas (e 48 primeiras páginas) e de inquérito dirigido a jornalistas daqueles meios.

Para o novo mestre, a imprensa regional, caso da da Guarda, profissionalizou-se durante a década de 1990, e com ela as práticas de recolha e tratamento noticioso. Ele concluiu que 66,6% dos jornalistas auferem entre 500 e 750 euros mensais, 25% um valor inferior (365-500 euros) e 8,3% entre 750 e 1000 euros. Quanto à posse de carteira profissional de jornalista, um bom indicativo do tempo de actividade, 25% deles possui-a há mais de dez anos, 8% entre cinco e dez anos, 17% há mais de três anos e 17% há mais de um ano (25% sem carteira profissional).

Como grandes conclusões do trabalho, destacam-se as seguintes: 1) domínio da política (vida partidária, autárquica, debates municipais), seguindo-se a sociedade, 2) domínio de fontes oficiais (59%), 3) existência de menor número de notícias polémicas (262 de um total de 363), 4) jornalismo "oferecido" e planeado por fontes activas organizadas, 5) "ideologia" comum entre a gestão da comunicação das elites locais e as redacções dos jornais.

Victor Amaral, presentemente docente no Ensino Superior Politécnico da Guarda, foi chefe de redacção do semanário O Interior e um dos fundadores do jornal Terras da Beira, ambos na Guarda, e agora objectos de estudo.
UMA NOTA DE ARGUÊNCIA

Uma dissertação de mestrado é uma excelente ocasião para troca de argumentos sobre matérias que interessam aos membros do júri e ao candidato. Por isso, trabalho uma ideia expressa na página 13 da presente dissertação [de Victor Amaral, sobre Temas e fontes na imprensa regional da cidade da Guarda, hoje à tarde defendida na Universidade do Minho], onde se escreve sobre a influência do jornalismo e das notícias na vida das pessoas.

O ponto de partida é o da necessidade social, cultural e política da notícia. Evoco dois momentos. Um deles leva-nos a épocas ainda sem imprensa, rádio, televisão, computadores ou satélites. No século XVIII, o preço das matérias-primas vindas do ultramar era acompanhado o melhor possível por comerciantes e industriais. Primeiro, graças a navios mais velozes - se os havia -, com os informantes a chegarem antes dos navios de carga e darem as notícias: preços, situação política, catástrofes, boas colheitas. A gestão do risco tinha uma relação inversamente proporcional ao conhecimento de um assunto, como mostra Deborah Lupton em Risk (1999). O surgimento de companhias de seguros caminhou a par do risco dos empreendimentos e da informação. Depois, com o telégrafo e os cabos submarinos, as notícias chegavam quase em simultâneo do ponto de ocorrência (periferia) a Londres (centro) - quando se tratava do império britânico. Mas, como informação privilegiada, ela era reservada, confidencial, apenas para alguns. Como a informação é poder, a bolsa de valores de Londres reagia a notícias ou rumores, mesmo que os navios de carga ainda não tivessem chegado ao Reino Unido.

O outro momento lembrado é o do café enquanto espaço de troca de informação, como escreveu Habermas (Espaço público, original de 1962). Pela leitura de jornais (informação séria) e pela passagem de boatos (informação de risco), a sociedade acedia à notícia. Hoje, o café do século XVIII transformou-se no ecrã do televisor e do computador. O grupo material de discussão de ontem adquire a virtualidade da ligação à internet. E, da crença da agulha hipodérmica, com a mensagem mediática a atingir todos com profundo grau de persuasão, chegou-se a um ponto de menor influência dos media. Lazarsfeld foi o cultor principal desta teoria dos efeitos limitados.

Depois, a forte presença da televisão no quotidiano levou os analistas da sociedade de massa a recuperarem alguns princípios dos efeitos ilimitados. Um acontecimento é mostrado em perspectivas diferentes, podendo ter significado ou o seu contrário, criando efeitos negativos de identidade. A abundância de informação não é, assim, caminho para uma boa escolha (Anthony Smith, Books to bytes, 1993).

Se não tivermos notícias, ficamos com ansiedade. Isto aplica-se à necessidade de sabermos o tempo que vai fazer amanhã para prepararmos a roupa a vestir, o que se passa com o familiar que partiu para longe ou com o salário que vai ser depositado na conta bancária. Eu consulto nos jornais as cotações dos filmes, a partir da atribuição de mais ou menos estrelinhas ou bolinhas a um dado filme. A opinião do crítico de cinema na peça que escreve no jornal é fundamental para eu decidir. A notícia é mais do que uma categoria de informação ou uma forma de entretenimento – ela é conhecimento e produz segurança.

Diz-se que a crise dos jornais em termos de vendas se deve ao pouco tempo para a sua leitura. Queremos notícias rápidas, fornecidas nos ecrãs gigantes da rua, no telemóvel ou no servidor da internet. Mas continuamos a precisar de uma selecção de notícias, seja o editor tipificado por David Manning White (1950) ou o RSS dos blogues.

Num belo livro, Mitchell Stephens (A history of news, 1997: 298) destaca o presente e o futuro das notícias. O qual começou com o alfabeto e se prolongou no papel, imprensa, comunicação electrónica, audiovisual, satélites, computadores. O alfabeto aperfeiçoado pelos gregos serviu já 95 gerações; o seu último desafio reside no computador. Mas a imprensa continua a exercer fascínio, coabitando com os media electrónicos. E destaco aquele número - que ilustra o tempo longo - para servir de contraponto à euforia dos defensores do jornalismo on-line.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

SEMINÁRIO DE INVESTIGAÇÃO NA UNIVERSIDADE CATÓLICA

Amanhã, pelas 18:30, vai decorrer na Universidade Católica (Lisboa) o seminário intitulado A catarse do fogo: sobre a simbologia dos incêndios no ecrã da televisão, pelo professor Fernando Ilharco. Trata-se do oitavo seminário do presente ciclo. O local da sessão é a sala dos Descobrimentos Portugueses, no edifício da Biblioteca João Paulo II.

LIVRO DE HERLANDER ELIAS

A sociedade optimizada pelos media (com texto biligue em português e inglês) é o novo livro de Herlander Elias, na colecção "MediaXXI".

Ensaio escrito em Agosto de 2001, seguindo-se a Ciberpunk - ficção e contemporaneidade (1999), ele trabalha a sociedade de hoje, optimista e optimizada, que se traduz pelos efeitos da cultura do computador, na linha de textos de autores nacionais como José Bragança de Miranda e Fernando Ilharco - apesar de não referidos na bibliografia.

Nas cerca de setenta páginas em estilo fragmentário mas provocatório, pós-moderno no sentido da desconstrução da narrativa dominante, Elias não procura argumentos filosóficos para as suas assunções, pois entre logo nelas, mostra-as como se estivéssemos a olhar a superfície de um ecrã. E opera, aliás de acordo com o título, com uma opção discursiva não pessimista, como a que se encontra em Paul Virilio, seguindo a crítica à sociedade baseada na teoria desconcertante de Jean Baudrillard.

O carácter fragmentário do texto de Elias aprecia-se melhor no uso das palavras, que adquirem valor idêntico aos das escritas numa poesia: valem pelas sonoridades, pelo entrecruzar de ideias, pelos significados construídos apenas para essas ocasiões, como quem entoa uma canção.


Centros comerciais, videojogos, videoclips e reality-shows fazem parte de uma mesma realidade - isto é: virtualidade. As cidades, escreve Elias, deixaram de ser espaços abertos e críticos, subordinados aos espaços fechados dos centros comerciais, organizados por arquitectos e designers. Tudo dentro da perspectiva de uma estética - a que designa por MTV -, onde já não há lugar para a imperfeição mas para a imposição dos corpos Danone, o das top models (que podem ser holográficas) e das estrelas que circulam em passarelas ou ecrãs high tech. Em que a optimização está nesses espaços de deslocação fetiche, os centros comerciais, afinal espaços de natureza teatral, onde tudo acontece e todos vão ver e comprar.

Livro a ser lançado durante o mês de Maio, é o terceiro da colecção "MediaXXI", seguindo-se a A imprensa em Portugal. Transformações e tendências, de Paulo Faustino, e O voo da borboleta, de Reginaldo Rodrigues de Almeida.
AGENDA CULTURAL DE OEIRAS EM MAIO

A agenda 30 Dias deste mês traz na capa Francisco Simões, o escultor do Parque dos Poetas daquela cidade. Simões, que na escola secundária tirou o curso de desenhador-gravador litógrafo, foi bolseiro em França (Paris) e Itália, acabando o curso de belas-artes (escultura) na Madeira.

Desenhou capas de livros de David Mourão Ferreira, o qual escrevia os textos dos catálogos de Francisco Simões. Depois, passou pela livraria-galeria Verney, em 1995. Nessa altura, Mourão Ferreira e Simões andavam a congeminar a ideia de uma Alameda dos Poetas em Lisboa. Se não aconteceu aqui, a sua efectivação deu-se em Oeiras.
UMA EDITORA DE E-BOOKS

João Pedro Pereira, Jorge Vaz Nande e Rui Justiniano arrancaram no último sábado com a
SINAPSES, editora online que vai usar o formato de e-books. Numa primeira fase, procura trabalhos de jovens autores.

Os livros podem ser de poesia, contos, banda desenhada, novelas gráficas, ensaios, ilustrações ou até colectâneas de mensagens de blogues. Critério essencial: ser trabalho original e de qualidade. A Sinapses encarrega-se então de o paginar e transformar num e-book, que poderá ser descarregado gratuitamente por qualquer pessoa, copiado e redistribuído. Existe ainda a possibilidade de alguns livros passarem à fase de edição impressa.

Lê-se no sítio da
SINAPSES: "A resposta ao lançamento está a ser acima das expectativas. Os primeiros trabalhos já chegaram e está em curso o processo de leitura de textos".

terça-feira, 9 de maio de 2006

SEMINÁRIO DE ANTÓNIO PEDRO PITA

Ontem, António Pedro Pita (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX) apresentou, no seminário de investigação Cultura de massas em Portugal no século XX (Universidade Nova de Lisboa), o tema "Povo, público, massa".

Começou por definir o conceito de povo, figura doutrinária da mundivivência romântica, a partir da hipótese de povo enquanto elemento activo na memória histórica e na militância política, apesar de profundas reconfigurações. O povo é um elemento de legitimação, constituído pela mediação dos intelectuais românticos. Ora, com o tempo foram trabalhados dois campos diferentes de povo: 1) dimensão de folclorização, 2) discurso etnográfico. Como exemplos nacionais, o conferencista referiu António Ferro que promoveu a ideia de grupos folclóricos, enquanto Afonso Duarte recolhia barros de Coimbra e a tradição oral do cancioneiro popular português. Embora simultâneos, nascem com preocupações diferentes.

A transição de povo para massa processa-se, segundo António Pedro Pita, através dos seguintes movimentos: 1) abandono da ordem da natureza pela ordem do artifício (ou da técnica), de que a experiência da velocidade é exemplo (deixou de haver a medida humana), 2) abandono da dimensão da profundidade pela dimensão superficial, de que são exemplos o cinema e a moda, actividades mundanas, e 3) abandono do plano da escrita pela da imagem. Actividades como jornalismo, rádio, cinema e televisão instituem públicos e não leitores, ouvintes ou espectadores. Em que a massa não é um conjunto homogéneo de indivíduos, mas que se subdivide em: 1) entendida como indivíduos que estão em comum (povo), 2) assembleia de indivíduos em volta de um dispositivo (jornal, rádio, televisão), onde se promove a recepção colectiva (cultura de massas).




O programa de seminários continua no próximo dia 22, pelas 17:00, com José Neves (ISCTE) e o tema À procura de uma economia moral da multidão na história do futebol em Portugal.

ESCRITA CRIATIVA



Gimba, autor de O homem que mordeu o cão, Tias e sobrinhas e outros sucessos, apresenta a “Oficina de escrita de canções em português”, com a chancela Escrita Criativa. Aulas em Junho, em horário pós-laboral, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, sita na Av. D. Carlos I, 61, 1º, Lisboa.

No mês seguinte, Rui Araújo promove um curso de Escrita de Jornalismo.

LIVRO DE EDUARDO STREET APRESENTADO

Da apresentação do livro de Eduardo Street, O teatro invisível. História do teatro radiofónico, que decorreu ontem ao fim da tarde, na Sociedade Portuguesa de Autores, deixo aqui dois pequenos vídeos com Carmen Dolores, actriz que falou do livro e do tempo do teatro radiofónico.

Observação: caso não veja correctamente os vídeos, deixe correr todo o filme e volte a carregar.


segunda-feira, 8 de maio de 2006

JOÃO MACDONALD TROCA AGENDA CULTURAL PELA TELEVISÃO

A partir do final deste mês, João Macdonald deixa o lugar de editor na Agenda LX, e passa a ocupar igual posição em novo programa cultural semanal do canal público de televisão 2:.

Na agenda cultural da cidade, a jornalista Patrícia Brito será a nova editora.
O PRAZER DA REVISÃO DE PROVAS

O momento de fazer a revisão de provas é uma altura de alegria e de sobressalto. Qual vai ser o impacto da publicação?

Na imagem, uma página já revista de "A fonte não quis revelar" - um estudo sobre a produção das notícias, a editar pela Campo das Letras (Porto).
5º FESTIVAL DE ANIMAÇÃO DE LISBOA

De 16 a 21 de Maio, com abertura no Teatro Maria Matos, dia 16, pelas 21:30. Do programa desse dia, há a retrospectiva ZBIG RYBCZINSKI, o óscar melhor animação com o filme Tango, cinema e música ao vivo e animação no MM café, um belo recanto do teatro, no primeiro andar.

Para saber mais, clicar em
Monstra2006.
ENCONTROS DO OLHAR

Conferência do professor Mário Azevedo, musicólogo: Ó Mãe, porque é que o ouvido não tem pálpebras? Uma iniciativa do Instituto Português de Fotografia, a decorrer hoje, pelas 21:30, na Rua da Vitória, 129, Porto.

Para saber mais pormenores, contactar Paulo Gaspar Ferreira (telefones 223326875, 919991597; email:
encontros.do.olhar@ipf.pt).

SEMINÁRIO SOBRE CULTURA DE MASSAS EM PORTUGAL NO SÉCULO XX

Está prevista para hoje, pelas 17:00, na sala T5, Torre B, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (av. de Berna, Lisboa), a realização do seminário de investigação sobre Povo, público, massa, por António Pedro Pita (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).

Este seminário faz parte de um "espaço de reflexão teórica e definição metodológica em torno do estudo da cultura de massas", com "apresentação pública de um conjunto de estudos parcelares em torno dos mecanismos de massificação cultural que possam vir a abrir caminho ao desenvolvimento de uma História da Cultura de Massas em Portugal no Século XX", segundo a organização.

domingo, 7 de maio de 2006

A CLICAR

No post de hoje da Rádio Crítica, onde se escreve sobre a RÁDIO COMERCIAL anos 80.
SEMINÁRIO "O IMPACTO DO ALARGAMENTO DA UE NOS MEDIA", DIA 9 DE MAIO PELAS 14:30 NA UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA

JORNALISMO EM 1929



"Havia escrito, pouco antes, no âmbito da minha campanha pela reorganização da Armada, uma série de artigos no Diário de Lisboa, sem ter ainda conhecido pessoalmente Joaquim Manso. Enviara-lhe a prosa pelo correio, referindo-lhe apenas a minha condição de repórter de O Rebate. Resolvi-me a procurar Joaquim Manso. Diziam-me que era excelente pessoa. E, assim, em Maio de 1929, lá fui procurá-lo ao Diário de Lisboa. Recebeu-me por forma cativante. Disse-lhe o que pensava da agonia lenta de O Rebate e afirmei-lhe o meu desejo de ingressar no Diário de Lisboa. Ouviu, com interesse e carinho bem visíveis, este jovem então com 20 anos incompletos, que lhe aparecia sem uma carta ou um telefonema de recomendação de um amigo. No fim da nossa entrevista, disse-me:
"- Sim senhor. Venha no dia 1 de Junho. De entrada, terá quinhentos escudos por mês, e depois se verá...
"Simplesmente, nesses dias que faltavam até 1 de Junho - até mesmo durante outros que imediatamente se lhes seguissem - teria Joaquim Manso de sustentar uma dura peleja para cumprir a sua promessa: o Diário de Lisboa era, nessa época, uma casa fechada, onde todos se opunham a que entrasse mais alguém, fosse quem fosse. Aquilo era de quem lá estava - e para quem lá estava. De resto, que vinha fazer um rapazinho, ainda sem ter completado os 20 anos, para aquele aerópago onde já brilhavam «jornalistas feitos», nomes já consagrados? O que é facto é que, desde os outros dois principais associados de Joaquim Manso - Pedro Bordallo Pinheiro e Alfredo Vieira Pinto - até aos próprios redactores (excepto Norberto Lopes, que estava em viagem pela África) tudo fazia barreira contra a entrada de mais alguém. Era um «reduto» que se pretendia inexpugnável - o reduto da Rua Luz Soriano. O Diário de Lisboa - um jornal que estava então na moda - tinha apenas oito anos de existência".

A entrada de Maurício de Oliveira, vencidas as dificuldades iniciais, permitiu o posterior ingresso de jornalistas como Mário Neves e Tavares da Silva. Oliveira sairia do Diário de Lisboa mais de três décadas depois.

Leitura: Maurício de Oliveira (1973). Diário de um jornalista, 1926-1930. Lisboa: Empresa do Jornal do Comércio, pp. 161-162

SOBRE A TELEVISÃO

  • "Há mais de duas décadas que os italianos estão submetidos a uma lavagem de cérebro, quotidianamente, através de três canais. Os nossos Estados proíbem a heroína, mas não esta coisa, a televisão, que é pior do que a heroína. A televisão é um instrumento de destruição quando é deixada nas mãos de pessoas sem escrúpulos".
António Tabucchi, em entrevista publicada ontem no Expresso (suplemento "Actual").

LIVROS A EDITAR ESTE MÊS


1) Germano Silva, Porto: caminhos e memórias. Casa das Letras
2) João Mário Grilo, O homem imaginado. Livros Horizonte
3) Gilles Deleuze, A imagem-tempo, cinema 2. Assírio & Alvim. Tradução de Rafael Godinho

[fonte: Público, suplemento "Mil Folhas", de ontem]

sábado, 6 de maio de 2006

YOdona

O suplemento de sábado do El Mundo ("YOdona") é, quanto a mim, um produto muito bem feito. Compras, beleza, viagens, crónicas - tudo com muito equilíbrio. Estou a comprar o jornal ao sábado exactamente por causa do suplemento, como quem compra o Público de sábado por causa do "Mil Folhas" ou o Diário de Notícias à sexta-feira por causa do "6ª".

Hoje, vem um texto sobre Miami cheio de imagens de edifícios e moda (Gianni Versace, Louis Vuitton, Robert Cavalli). No texto de Álex Carrasco lê-se: "Miami ressuscita das cinzas e fá-lo com força, pondo um parêntesis colorido e desinibido no discurso cada vez mais homogéneo do mundo da moda. Gianni Versace ficou rendido nos anos 90 a uma cidade em plena ebulição, fascinado pelo estilo de art déco dos seus edifícios e pelo apelativo look dos seus habitantes".

É pena Miami ficar um bocado distante. Se não fosse esse "mas", iria espreitar a sala de entrada do hotel Delano, com um desenho assombroso que tornou famoso Philippe Stark, o seu criador, devido aos infindáveis sofás, e tentar chegar à piscina: dentro de água, ouve-se música clássica.

AGENDAS CULTURAIS

Nem só as câmaras municipais possuem agendas culturais. Também grupos teatrais e institutos de línguas têm os seus veículos de comunicação, tais como o Instituto Cervantes (de Espanha) e o Institut Franco Portugais (de França). Exposições, concertos, dança, filmes, apresentação de livros e conferências fazem parte da oferta cultural destes institutos. Com a evidente promoção de cursos de línguas.


Quanto ao Teatro Viriato, instalado em Viseu - com uma belíssima sala e um interessante cafetaria -, programa teatro, música, colóquios, bem como diversas actividades dentro do Serviço Educativo, visitas guiadas, workshops e aulas (dança, teatro).

Lê-se na agenda do Teatro Viriato: "pretendemos fomentar a participação da população da Cidade de Viseu na actualidade artística. O Teatro deve ser um espaço de descoberta, discussão, aprendizagem e convívio. O Teatro Viriato permite-nos ainda aproximar esta cidade de outras cidades e de outros povos, através da arte que vive e desenvolve ou edifica a nossa dimensão humana".

[agradecimentos a Carlos Filipe Maia, "fornecedor" habitual de agendas culturais]
DOC'S KINGDOM 2006

Realiza-se, em Serpa, de 13 a 18 de Junho, mais uma edição do Doc’s Kingdom, organização da
APORDOC, Associação pelo Documentário (Rua dos Bacalhoeiros 125, 4º, Lisboa, com telefone 218871639 e endereços electrónicos docskingdom@sapo.pt e apordoc@sapo.pt).

Para os seus promotores, este "é um encontro de reflexão sobre o cinema documental contemporâneo. Inclui a projecção de obras relevantes produzidas nos últimos anos e faculta a oportunidade de contacto directo com os seus autores". Tem como principal objectivo a compreensão dos caminhos do cinema contemporâneo, através da visão e debate colectivo a partir de obras concretas, o que favorece o "conhecimento de realizadores consagrados e a descoberta de jovens autores em início de carreira".

Como convidados do Doc’s Kingdom, há "realizadores, outros profissionais de cinema e investigadores em áreas variadas". Por seu lado, os participantes são "realizadores, outros profissionais de cinema, investigadores, estudantes de cinema, artes e ciências sociais e público em geral".

Para esta edição, a organização já assegurou as presenças de Pierre-Marie Goulet (Portugal-França), Pedro Costa (Portugal), Rahul Roy (Índia) e Frederick Wiseman (EUA). Como os alojamentos são limitados, a organização espera a rápida inscrição dos interessados para docskingdom@sapo.pt. O programa definitivo será anunciado em breve.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

30 ANOS DE EL PAIS

O diário madrileno El Pais fez ontem 30 anos de edições. O jornal seria acompanhado por um suplemento de 508 páginas. Do editorial, assinado por Juan Luis Cebrián, retiro o seguinte período:

"Qualquer que seja o conteúdo do jornal do futuro, provavelmente composto também de vídeos animados e bandas de áudio, a condição final do seu êxito será, em todo o caso, a sua independência. Um jornal tem que ser, e parecer, autónomo se quer merecer o apoio dos seus leitores, sem os quais o próprio jornal não existiria".

Nas páginas 482 e 484, Nuno Ribeiro, correspondente do Público em Madrid, fala do "Tentaciones", suplemento "rebelde" do El Pais, e antecessor do actual "EPS", que levava a um aumento de 50 a 60 mil exemplares às sextas-feiras. Ribeiro seria o seu responsável.

O suplemento do El Pais, pela informação e reflexão contida sobre estes últimos 30 anos, merece ser guardado.

O TEATRO INVISÍVEL

Como aqui escrevi anteontem, Eduardo Street vai lançar na segunda-feira, dia 8, o seu livro O teatro invisível. História do teatro radiofónico, na Sociedade Portuguesa de Autores, à av. Gonçalves Crespo, 62 B, aqui em Lisboa.



Eduardo Street, nascido em 1934, começou na Rádio Universidade, onde escreveu, fez locução e realizou programas de índole cultural. Depois, sonorizou jornais de actualidade e documentários cinematográficos. Entrou na Emissora Nacional em 1958, realizando folhetins e teatros, além de autor de séries e programas sobre temas culturais. Em 2005, recebeu a medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores como forma de reconhecimento e consagração do trabalho de criação por si desenvolvido. A sua voz ainda se ouve em colaborações na Antena 2 [em cima, na imagem da direita, retirada do livro de Eduardo Street, vêem-se os intérpretes do "Zéquinha e Lélé", diálogo do programa Domingo Sonoro, com Vasco Santana, Maria Matos, Irene Velez e Henrique Santana, em 1947].



Da contracapa do livro, lê-se:

  • "Para quem nasceu já com a presença da televisão é difícil imaginar um serão familiar com todos reunidos à volta da «telefonia». O relógio da casa de jantar, o relógio que o avô trazia no bolso do colete, eram acertados pelo sinal horário da Emissora Nacional. Ouvir o noticiário lido por João da Câmara, trazia à família um sentimento de segurança, de paz, a falsa ilusão de que se vivia no melhor dos mundos. Chegou hoje a Lisboa o Generalíssimo Franco... (Outubro de 1949)".

Os meus sinceros agradecimentos a Eduardo Street, voz que aprendi a gostar há muitos anos, pela amabilidade em oferecer um exemplar do seu livro e em dar uma curta entrevista.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

TESE DE INÁCIA REZOLA APRESENTADA EM LIVRO

Decorreu hoje, ao final da tarde, o lançamento do livro de Maria Inácia Rezola, professora da Escola Superior de Comunicação Social, intitulado Os militares na revolução de Abril. O Conselho da Revolução e a transição para a democracia em Portugal (1974-1976).



António Reis, orientador da tese de doutoramento que deu origem ao livro, destacou a nova geração de investigadores que, sem viver directamente os acontecimentos de 1974 a 1976, os olha de forma compreensiva. Frisou ainda o estilo literário do texto, em que se alia o rigor da historiadora ao talento da repórter dos acontecimentos (daí, possivelmente, o convite endereçado pela autora ao jornalista José Pedro Castanheira, que prefaciou o trabalho).




[os vídeos mostram o historiador António Costa Pinto, na apresentação do livro, e a autora, Maria Inácia Rezola]