segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CONFERÊNCIA DA EMMA

A emma (European Media Management Education Association) anuncia a sua conferência anual marcada para 10 e 11 de Junho de 2011, na Faculdade de Jornalismo da Lomonosov Moscow State University, em Moscovo. Título: Restructuring and reorientation: Global and local media after the recession.

domingo, 5 de dezembro de 2010

BRECHT NO TEATRO ABERTO

Uma sala de teatro cheia é um consolo, como a que se verificou na Sala Azul do Teatro Aberto, onde está em cena O senhor Puntila e o seu criado Matti, de Bertold Brecht, numa versão João Lourenço e Vera San Payo de Lemos, dramaturgia de Vera San Payo de Lemos, encenação e realização de vídeo de João Lourenço e música de Mazgani.

Retiro a sinopse do sítio do Teatro Aberto: "Puntila [Miguel Guilherme], um proprietário rural que aprecia demasiado a bebida, sofre de dupla personalidade: quando está sóbrio é arrogante e egocêntrico, quando está ébrio é fraternal e compassivo. Oscilando entre ambos os extremos, surpreende e confunde tudo e todos, amigos, desconhecidos e subordinados, em especial Matti [Sérgio Praia], o seu motorista e confidente. Escrita em 1940, durante o exílio de Brecht na Finlândia, esta peça é «uma comédia de carácter em tom popular», baseada numa comédia de enganos e em contos da escritora finlandesa Hella Wuolijoki. O tema do senhor e do servo surge tratado numa panóplia de figura e situações, impregnadas de humor e poesia. Ao som de baladas, dança-se o tango finlandês, cantam-se louvores à exuberância da natureza e aos prazeres da bebida, sabendo que, apesar do sonho da igualdade entre os homens, «a água e o azeite nunca se vão misturar»".

No foyer do teatro, há uma exposição de cartazes e imagens de peças de Brecht anteriormente apresentadas pelo Teatro Aberto, no que é um dos autores de referência daquele teatro da Praça de Espanha.

YUKI E NINA

Dirigido por Hippolyte Girardot e Nobuhiro Suwa e filmado em França e no Japão, com Noë Sampy e Arielle Moutel nos papéis principais de Yuki e Nina (2009), a história conta-nos a existência de duas pequenas amigas, que partilham segredos e brincadeiras, que se vão separar porque uma delas vai viver para o Japão devido ao divórcio dos pais. Se numa primeira parte assistimos ao desenrolar das iniciativas de separação, a segunda parte centra-se em Yuki e na sua decisão de acompanhar a mãe para o Japão. A narrativa deixa a linearidade e adquire um estatuto mais onírico, de desconstrução e regresso ao passado muito recente, com uma fuga pela floresta que as crianças julgam estar povoadas por fadas e duendes capazes de as ajudar. Com narrativa lenta e planos de uma grande geometria, o filme indica-nos o começo da maturidade das meninas, em que a floresta corresponde ao rito de iniciação e transição para uma idade mais responsável.

REVISTA DE IMPRENSA

Na semana que concluiu, três eventos mediáticos merecem o meu destaque.

Tópico 1 - agendamento. Vindo da semana anterior, foi o do ataque aos narcotraficantes no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ao longo dos dias, as notícias relataram os progressos das forças policiais e a limpeza da favela com o apreendimento de droga. Depois, indicaram que muitos dos traficantes haviam fugido por um túnel; agora, sabemos que um dos seus dirigentes escapou na mala de um automóvel. Uma dúvida se instalou: como puderam construir um túnel durante o cerco de militares e polícia? A informação mais recente revela a existência de um mediador, que possibilitou o afastamento de traficantes da zona, a usar nos Jogos Olímpicos que o Brasil vai organizar. O dispositivo dos media, ao querer mostrar o acontecimento em tempo real, não permite fazer o adequado enquadramento: contextualização, percepção que há mais espaço que o da luta entre bons e maus, nomeadamente interesses (políticos, imobiliários). A produção de notícias precisa de ter em conta os múltiplos interesses em jogo e quem controla a agenda de notícias.

Tópico 2 - internet. A revelação de telegramas das embaixadas americanas (já designado por cablegate), através do sítio Wikileaks para além do enorme embaraço a nível mundial - muitas das revelações já sabíamos porque os media nos informaram ao longo dos meses, mas não nesta quantidade e pondo os nomes dos protagonistas -, proporcionaram uma forte discussão nos media. De um lado, a grande oportunidade para os historiadores, ao acederem ao que estaria vedado por mais ou menos 30 anos (período habitual de desclassificação dos documentos), o que permitiria fazer uma História em tempo real. Isto faz perder o ideal que o historiador precisa de ver o contexto, a grande paisagem temporal, para fazer um juízo distanciado. De outro lado, quis-se saber a quem interessa esta fuga de informação. Parece que ninguém no mundo ficou satisfeito, embora as decisões dos líderes políticos e governamentais tenham de ser transparentes e não feitas com interesse próprio ou de grupos a que pertencem. Isso leva a uma terceira questão: a da perda de autoridade do Estado, pois nem sequer consegue guardar os seus segredos. A internet, ao permitir a existência de cópias de segurança em muitos computadores, logo a possibilidade de muitas pessoas acederem a ficheiros comuns, cria a probabilidade de mau uso desse acesso reservado. Depois de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos ligaram as suas duas principais redes de partilha de informação reservada, o que elevou o risco de divulgação desadequada, o que veio a acontecer.

Tópico 3 - velhos e novos media. A greve dos controladores aéreos em Espanha, ao contrário do colapso por dias das ligações aéreas europeias há uns meses provocado por um vulcão islandês, teve um desfecho rápido. O governo (espanhol) tomou imediatamente uma posição dura contra os controladores, enquanto os clientes se queixaram através dos media e as empresas aéreas reportaram logo os seus prejuízos. As decisões após o começo da greve foram comunicadas massivamente pelos media, o que levou a uma resolução mais imediata. Mas como combinaram os controladores de forma tão imprevista e na totalidade dos seus profissionais? A meu ver, e como aconteceu após o 11 de Março de 2004 (atentados em comboios em Madrid), a comunicação terá sido através de mensagens de telemóvel e email. Ainda não há evidências escritas sobre esta última frase, mas, se acontecer, ilustra que os novos media são bons a organizar, indo do segredo à publicitação da acção, e o velho meio (televisão) veicula as posições oficiais, como as conferências de imprensa do governo espanhol, e até as posições populares (vox populi) através dos seus relatos pessoais.

LIVRO SOBRE MADONNA

Bruno Fernandes e Chiado Editora apresentam o livro MultiMadonna - O papel da imagem contraditória na construção de um fenómeno da indústria cultural.

A sessão de lançamento será no dia 11 de Dezembro, às 19:00, no Bar Friends Bairro Alto, na Rua da Rosa, nº 99, Lisboa. Apresentação a cargo de Miguel Andrade, jornalista da SIC.

A partir das 23:00, haverá uma festa inteiramente dedicada à Madonna no Bar Funicular, na Rua da Bica Duarte Belo, nº 44, ficando a música a cargo do DJ MFA.

sábado, 4 de dezembro de 2010

REVOLUÇÃO DIGITAL: CINEMA

Ontem, Geoff Pevere, na sua coluna do thestar.com, relata uma experiência de ida ao cinema. No filme assistido (A rede social, que retrata a história do Facebook), verificava-se que os espectadores comentavam entre si como se estivessem reunidos em casa. Eu acrescento o impacto da cultura do telemóvel. Antes do começo da projecção do filme, os aparelhos são desligados (quando o são), mas vê-se frequentemente serem consultados ao longo da projecção do filme e há quem proceda à escrita e envio de mensagens.

Geoff Pevere vê os media digitais como criadores de um mundo diferente do existente há 15 anos, por exemplo, com diferentes modos de pensar, viver, comportar-se, criar e consumir. Parece que a nova geração  acelerou a forma como vê as questões culturais e políticas. Cita Don Tapscott e Anthony D. Williams no livro Macrowikinomics, que situam as indústrias culturais como centrais na mudança da era digital. Para estes autores, torna-se preciso remodelar os velhos modelos, perspectivas e estruturas ou corre-se o risco de paralisia ou colapso institucional.

A mudança é forte na cultura popular. Os antigos modelos de criação, produção e difusão estão a transformar-se ao longo da última década. As indústrias produtoras de música, cinema, televisão, livros e notícias assistem à mudança dos seus paradigmas e, mais do que isso, à sua explosão. O futuro, para além da sua imprevisibilidade, representa muito prazer e paixão pela experiência e pelo novo. Às mudanças tecnológicas corresponde uma evolução no cérebro, dizem os deterministas tecnológicos.

Para Pevere, seguindo Henry Jenkins, os novos meios já não veiculam a informação como átomos mas como bits. Ou seja, o conteúdo musical, fílmico ou outro é (ou pode ser) reproduzido quase infinitamente e voa em torno do mundo à velocidade da luz. Isso reflecte-se no modo de pensar.

Voltando ao cinema, Pevere descreve uma nova etiqueta de estar numa sala, o que significa uma nova maneira de se pensar o cinema. Ele omite que um filme, antes de ser visto num respeitoso silêncio, demorou décadas a estabelecê-lo. Valores como cinema de autor ou cinema como indústria cultural de simultâneo entretenimento e educação, a par da maior complexidade dos guiões e da selecção geográfica das salas, criaram essa etiqueta.

Nas próximas semanas, o colunista do thestar.com analisará outras três áreas de erupção, como designou: música, televisão, livros.

FESTIVAL INTERNACIONAL DA TELEVISÃO NO RIO (FITV 2010)

As inscrições para o FITV 2010 - Festival Internacional de Televisão estão abertas. Promovido pelo IETV - Instituto de Estudos de Televisão, o festival acontece na cidade do Rio de Janeiro de 7 a 12 de Dezembro de 2010. Destaques da programação:

1) Coaching de Projectos para o Mercado. Dez projectos de TV serão seleccionados, com 30 minutos para cada ajudando os produtores a preparar uma apresentação eficaz para pitchings e editais no mercado audiovisual.

2) VIII Encontro Internacional de Televisão, com pessoas de renome a discutir temas como mudanças na produção e no consumo de conteúdo, branded content e modelos de negócio.

3) Mostra Competitiva de Pilotos. Programas de TV inéditos realizados por produtores brasileiros. Os vencedores exibirão seus trabalhos no NYTVF - New York Television Festival 2011.

Ler mais aqui.

DEBATE SOBRE FICÇÃO PORTUGUESA

No dia 6 de Dezembro, pelas 18:00, no auditório do edifício do Diário de Notícias, realiza-se o debate E depois do Emmy sobre ficção portuguesa. Moderado por Nuno Azinheira (Notícias TV), conta com a participação de Margarida Marinho (protagonista da novela Meu Amor), António Barreira (autor da novela), Virgílio Castelo (actor, produtor, argumentista e consultor da SIC), Nuno Artur Silva (Produções Fictícias e argumentista) e José Fragoso (RTP). A iniciativa surge no seguimento da conquista de um Emmy Internacional de melhor telenovela para Meu Amor (Diário de Notícias).

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

CHANGING MEDIA - MEDIA IN CHANGE

  • "Media-technological developments are causing a fundamental re-structuring of the newspaper and book publishing sectors, with traditional media locked in fierce competition with online newcomers for market superiority. Yet media change is about more than the "newspaper crisis" and the iPad: property law, privacy, free speech and the fundamental functioning of the public sphere are all affected. A new Eurozine focal point provides an ongoing debate on a field experiencing profound and constant change" (Eurozine).

CfP THE SIXTIES: THE CULTURE, THE MOVEMENTS, AND THE SUMMER OF LOVE

CFP-The Sixties-National PCA/ACA Conference Location: Texas, United States. Call for Papers Date: 2010-12-15. Date Submitted: 2010-12-01

The Sixties Area of the Popular Culture Association welcomes submissions on any aspect of the decade. Topics of interest might include, but are not limited to:

1969, or other significant dates, places, or events
Religion, Spirituality, The Jesus Movement
Sex, drugs, and rock'n'roll
Communal living and alternative lifestyles
Different understandings of the “hippie movement” chronology
Countercultural movements such as SDS, Black Panther Party
Analysis of influential books and films
Politics, race and gender: Then and Now
Music and fashion as cultural expression and consumer culture
Media reaction and representation

Inquiries about possible papers or proposals for round table sessions or full panels are also welcomed and encouraged. Address abstracts, inquiries, or proposals to: Deborah Carmichael, 235 Bessey Hall, Michigan State University, East Lansing, Michigan 48824-1033. carmic28@msu.edu.

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE CIBERJORNALISMO

Vai decorrer nos dias 9 e 10 de Dezembro o II Congresso Internacional de Ciberjornalismo (instalações da licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, à Praça Coronel Pacheco, Porto). Modelos de negócio para o jornalismo na Internet e Redes sociais e ciberjornalismo são temas estruturantes do evento, com personalidades de relevo nas temáticas em questão a nível nacional e internacional. O evento é organizado pelo Observatório do Ciberjornalismo, do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (CETAC.media) e integra, também, o programa de comemorações dos 10 anos daquela licenciatura.

Na ocasião, será lançado o livro Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal: Os Primeiros Quinze Anos (1995-2010), de autoria de Helder Bastos (9 de Dezembro, 17:30, local do congresso).

ANIKI BOBÓ

"A primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, Aniki Bobó, de 1942, foi restaurada e vai voltar a ser exibida no grande ecrã. O filme volta aos cinemas no dia 8 de Dezembro" (Público).

WIKILEAKS DESLIGADO E LIGADO DE NOVO

O EveryDNS.net, fornecedor do domínio onde o sítio Wikileaks está alojado, decidiu desligá-lo. Justificação: os ciberataques ao domínio faziam prever o colapso da rede a que se liga o Wikileaks. O Wikileaks revelou milhares de documentos secretos de países como os Estados Unidos (fonte: BBC News).

Contudo, hoje de manhã voltava a ficar em linha a partir de endereço suíço (wikileaks.ch) (fonte: Público).

CAMPANHA DA TSF

Quem ouve a TSF ouve a verdade por trás das notícias é a frase chave da campanha de comunicação da TSF na imprensa e na televisão. A rádio pertence ao grupo Controlinveste, detentor de títulos de imprensa como Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CAFÉ FILOSÓFICO

No dia 3 de Dezembro de 2010, entre as 18:30 e as 20:30, no Botequim da Graça (Largo da Graça, 79, Lisboa). Criação e dinamização de Tomás Magalhães Carneiro.

Organização: Café Filosófico (apoiado pelo Instituto de Filosofia da FLUP) e pela Área Científica de Filosofia (FCH-UCP).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CALL FOR PAPERS "NEGLECTED MEDIA "

Neglected Media. Location: Ottawa, Ontario, Canada. Call for Papers Date: 2011-01-17. Date Submitted: 2010-11-29

Neglected Media
Carleton University, Ottawa, Ontario, Canada

March 10-11, 2011

Keynote Speaker: Dr. Lisa Nakamura (Director of the Asian American Studies Program, Professor in the Institute of Communication Research and Media Studies Program, and Professor of Asian American Studies at the University of Illinois, Urbana Champaign).

We seek proposals for individual paper presentations as well as pre-formed panels that interpret and explore the theme of Neglected Media. We invite and encourage submissions from faculty and graduate students and from those who study in departments outside of communication.

There are many ways in which media can be thought of as neglected. Communication studies has highlighted the social significance of fringe media, examining texts and groups that have been overlooked by other facets of scholarship. As well, some scholars have drawn our attention to more creative and nuanced ways to think about media (i.e. material objects, city landscapes) beyond the traditional mass media. Still other work has considered neglected aspects of mainstream media content and re-examined familiar systems of communication (i.e. television, mobility) from new angles. Neglect also implies the breakdown of social responsibility and an impact on development in media that can lead to poor policy decisions or missed opportunities for growth (i.e. infrastructure, regulation). This conference focuses on what has been passed over, not given due attention, or disregarded in communication and media studies. More specifically, it asks how overlooked or forgotten theories, scholars, and objects of study can and have nourished academic inquiry in the interdiscipline of communication studies.

Among other related topics, we invite papers that consider:
* Forgotten people, places, and periods of media theory
* Underutilized research methodologies
* New subjects for communication studies
* Overlooked everyday mediation
* Neglected intersections of academic study
* Negligence in the media industries

Please submit an abstract of up to 200 words (preferably in Word format) outlining your proposed paper topic along with your name, affiliation, contact information (e-mail address), and audio/visual needs.

CGC Conference Co-Chairs: Katie Kennedy and Derek Noon, School of Journalism and Communication, Carleton University, 1125 Colonel By Drive, Ottawa, ON Canada K1S 5B6. Email: cgc.conference@gmail.com. Visit the website at http://carletoncgc.blogspot.com/.

MUDANÇAS NO JORNALISMO

Metamorfoses jornalísticas. A reconfiguração da forma, livro organizado por Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva, tem como temas os blogues e microblogues, as redes sociais, o jornalismo móvel, a infografia, a wikipedia, a mediatização, o radiojornalismo, os géneros, a fotografia e os documentários.

Lê-se na contracapa: "Pensar em jornalismo no cenário actual implica reflectir sobre reconfigurações, seja por meio do surgimento de novos dispositivos ou da complexificação daqueles que desde há muito existem. Isso porque o ambiente de profunda imersão tecnológica em que o jornalismo se encontra, ao afectar a processualidade deste, também reconfigura as suas formas".

Leitura: Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva (org.) (2009). Metamorfoses jornalísticas. A reconfiguração da forma. Santa Cruz do Sul: EDUNISC 

[o meu reconhecimento a Adriana Alves Rodrigues, que me deu a conhecer o volume]

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CADEIA DE VALOR


The European Supply Chain and Audiovisual Content Creation, p. 112, in Study on the application of measures concerning the promotion of the distribution and production of European works in audiovisual media services (i.e. including television programmes and non-linear services), Final Study Report, 28th May 2009.

JACQUELINE ARONIS

Lançamento do livro Matéria Gráfica Ideia e Imagem de Jacqueline Aronis, no dia 9 de Dezembro, às 19:30, na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, São Paulo, Brasil.

CULTURAL AND CREATIVE INDUSTRIES IN GERMANY

Culture and Creative Industries in Germany 2009 - Monitoring of Selected Economic Key Data on Culture and Creative Industries is a paper belonging to the Initiative Culture and Creative Industries of the German Federal Government (managed by the Federal Ministry of Economics and Technology and the Federal Commissioner for Cultural and Media Affairs), that has established a monitoring mechanism for cultural and creative industries to report on current economic key data across the sector. The analysis presented in this document aims to investigate the development potential of cultural and creative industries. See more here.

domingo, 28 de novembro de 2010

A CULTURA HOJE

  • "À pergunta sobre se aceitaria hoje assumir o cargo de ministra da Cultura a resposta foi evasiva: «Não sei se aceitaria. […] Comecei o mandato cheia de expectativa de que estavam criadas as condições para consolidarmos o nosso tecido cultural» (entrevista de Gabriela Canavilhas ao Jornal de Notícias e de que li um excerto no Público).
Um dos temas mais focados foi a questão das mudanças previstas na gestão financeira dos dois teatros nacionais (D. Maria II e São João), com racionalização de meios e canalização de mais recursos para a programação, de acordo com a perspectiva de Gabriela Canavilhas. A ministra considera que Diogo Infante e Ricardo Pais, ligados a essas duas estruturas, são dos que mais criticam a mudança da gestão financeira para a Opart (Organismo de Produção Artística).

O artigo de Ricardo Pais, no Público de hoje, é deveras corrosivo para a ministra, embora haja apartes que não entendi, certamente tendo como alvo um só leitor(a). A ministra é uma mulher das artes - e tudo isto (os cortes orçamentais, as críticas) é muito duro. Ela está a desempenhar um papel difícil e com espaço cada vez mais apertado. Parece-me que a dificuldade atinge todos os governantes.

CITAÇÃO

A editora americana de Heiner Müller contava a seguinte história: ela e o marido viviam numa zona abastada do Estado de Massachusetts. Os vizinhos quiseram saber o que fazia o casal, que explicou estar ligado ao teatro, uma actividade com "um palco onde há pessoas que representam, que fazem como se fossem outras pessoas, e representam a vida dessas pessoas. Em baixo, estão sentadas pessoas que olham e ouvem, podem gostar ou não, no fim, aplaudem ou não". A mulher do vizinho percebeu logo: claro, isso é a televisão!

O actor confessa-se cansado, com o público a não se importar com ele. O outro actor diz-lhe que não, que o público o adora e que vai ao teatro ver as peças porque ali só se representa qualidade. O velho actor duvida: no final do espectáculo, o público vai-se embora e dormir, esquecendo-o.

O actor é Luís Miguel Cintra. Fim de Citação é uma colagem de textos, uma colecção de citações de Luiza Neto Jorge, Beckett, Genet, Lorca, Pirandelo, Müller e outros. O actor chama-lhe também um prólogo, um "lever de rideau", uma advertência. E ainda um improviso, porque em vez de Fim de Citação estava para ser uma produção com outra entidade, mas os cortes no orçamento impediram essa actividade. Luís Miguel Cintra diz ainda que se trata de um balanço de 37 anos do teatro Cornucópia, com uma revisitação por encenações já vistas. As personagens são, aliás, o encenador (Luís Lima Barreto), a assistente de encenação (Sofia Marques), o contra-regra (Dinis Gomes), o actor (Luís Miguel Cintra) e o urso (Manuel Romano, que é o verdadeiro assistente de encenação na peça). Os espelhos permitem ver os actores de costas e de lado - e também o público, como no quadro As Meninas de Velásquez.

Luís Miguel Cintra mostra a sua melancolia ao escrever sobre o tempo presente: "Caminhamos a passos largos para uma lógica de mercado nas artes dos espectáculos que cada vez nos empurrará mais para o mesmo desprezo pelo público que é próprio das empresas comerciais: cada pessoa, mais que pessoa, será um porta-moedas".

No final, os actores cantam em playback o "Agnus Dei" da Missa da Coroação de Mozart (Sofia Marques "com" a voz de Stich-Randall). O palco ficaria vazio, confundindo-se com o que existe para lá dele: o bastidor. O público bateu palmas, veio-se embora mas não esqueceu o actor nem o seu teatro. Para o ano, mesmo com os cortes orçamentais, esperamos ver o actor em A Catatua Verde, de Arthur Schnitzler (Teatro D. Maria II) e A Varanda, de Jean Genet (Teatro do Bairro Alto).

NEPAL - 3

Imagens a partir da objectiva de Alberto Santos Silva, a quem agradeço a gentileza de reprodução.

JORNALISMO

"O jornalismo contemporâneo tem suas raízes na cidade, no fenômeno urbano moderno, representado pelas massivas movimentações de coisas e pessoas fomentadas pelo industrialismo (Hobsbawn, 1995). O jornal diário passa a ocupar o lugar onde outrora estiveram o galo, o sino das igrejas e a posição do sol na abóbada celeste na marcação do tempo da vida daqueles seres, desde então urbanizados. «(...) é a ideia de um aqui e agora, ou seja, de espaço e tempo entrecruzados, que preside à singularização do fato» (Sodré, 2009: 26). «A cidade teve um papel predominante na reestruturação geral do jornalismo. Em seus inícios, o jornalismo ocupava a maior parte de suas edições com notas e documentos oficiais, ao passo que nos finais do século [XIX] descobriu a cidade como fonte de notícias. O mundo público deixou de limitar-se aos assuntos do governo ou do comércio, para referir-se a todo fato que, na visão dos jornalistas, tinha interesse coletivo no seio de uma comunidade» (Machado, 2000)" (Marcos Palacios, Convergência e memória: jornalismo, contexto e história, MATRIZes, Julho/Dezembro 2010).

O texto de Marcos Palacios (actualmente professor visitante na Universidade da Beira Interior, Covilhã) aparece no número mais recente da revista do programa de pós-graduação em ciências da comunicação da Universidade de São Paulo.

sábado, 27 de novembro de 2010

CULTURA POPULAR NO TEMPO DO ESTADO NOVO


A cultura popular no Estado Novo é um texto de Daniel Melo onde se analisam os discursos sobre a cultura popular durante o regime (1933-1974), em especial nas casas do povo, ranchos folclóricos, artesanato, museus etnográficos, literatura e marchas populares. O autor opõe a um modelo tradicionalista e nacionalista em Salazar as propostas de associativismo, leitura pública (bibliotecas da Gulbenkian) e acção (Acção Católica).

Inserido na colecção Biblioteca Mínima, com 129 páginas, o livro tem quatro capítulos: 1) o discurso sobre a cultura popular, 2) as práticas culturais no espaço corporativo, 3) as práticas culturais no espaço não corporativo, 4) a concorrência da sociedade civil.

Retiro ideias do último parágrafo da obra. Escreve Daniel Melo: "O entendimento da cultura popular enquanto articulação de uma cultura tradicional do povo e a transformação da mentalidade deste através da acção estatal legitimou toda a política oficial" (p. 124). O Estado Novo buscava, assim, uma identificação com a comunidade que representava, condicionando valores e práticas de identidade nacional e da esfera pública (p. 125). Por isso, o associativismo e outras manifestações da sociedade civil - como escreve Daniel Melo - tiveram sérias limitações.

O autor divide o Estado Novo em sete fases [institucionalização (1933-1934), fascização (1935-1941), primeira crise do regime (1942-1949), contra-ofensiva (1949-1958), segunda crise do regime (1958-1961), guerra colonial (1961-1967), ocaso marcelista (1968-1974)] (p. 15) e relaciona com estas fases as acções e teoria da cultura popular.

Daniel Melo é historiador e investigador no Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa.

Leitura: Daniel Melo (2010). A cultura popular no Estado Novo. Coimbra: Angelus Novus

IAMCR ACADEMIC CONFERENCE

The International Association for Media and Communication Research (IAMCR) invites submission of abstracts for its 2011 academic conference to be held at Kadir Has University in Istanbul, Turkey, from July 13 to 17, 2011. The general theme of the conference is Cities, Creativity, Connectivity. Read more.


The conference aims to assess the present state of the city, interrogate the processes that generated the present, and evaluate the future(s) that lay ahead. As citizens, what are the rights, norms and standards we desire? What does global connectivity offer to the riches and uncertainties of urban everyday life? What are the aesthetics and economies of creativity in which we invest the future of the city? What are the communicative possibilities that cities afford and hinder? These and other questions await our scholarly responses and intellectual interventions. A wide-ranging set of issues, sub-themes and topics confront us for exploration and interrogation, including but not limited to the following :

* Creative and cultural industries in a globalized economy
* Global city, connectivity and communication
* Art, culture and transnational communication
* Cosmopolitanism as an ideal and practice
* Economies of art, media and creativity
* Media, democratization and urban life
* Hybridities, identities, creativity
* Migration: communication, connectivity and creativity
* Local productions in a global city
* Communication inequality: rural and urban trends
* Social networks, connectivity and creativity
* Digital artworlds and virtual connectivity
* Social responsibility, personhood and communication
* Communication, Rights and duties of citizens in the emerging global order
* Communities, connectivity and marginalized groups
* Economics and the cost of urban connectivities
* Gender, culture and communication

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO AS ÁFRICAS DE PANCHO GUEDES

De 17 de Dezembro de 2010 a 8 de Março de 2011, estará patente a exposição As Áfricas de Pancho Guedes, no Mercado de Santa Clara, em Lisboa. Organizada pela Câmara Municipal de Lisboa/Gabinete Lisboa Encruzilhada de Mundos e comissariada por Alexandre Pomar e Rui Mateus Pereira, a exposição reúne cerca de 500 obras de arte africana da colecção do arquitecto português Amâncio (Pancho) Guedes, reunida ao longo da sua vida profissional em Moçambique e na África do Sul.

"Iniciada e desenvolvida a partir dos anos 50 e 60, nas décadas em que a maioria das independências africanas se afirmam, a colecção releva-nos aspectos das várias Áfricas que então e hoje ainda coexistem e se confrontam. Abarca a tradição e a mudança, a aculturação colonial e a diferença local, em especial com atenção às originalidades culturais alternativas à uniformização moderna. Na pluralidade dos seus objectos, a colecção põe também em questão as fronteiras entre os géneros estabelecidos, da chamada arte tribal (que já foi arte primitiva e a que alguns chamam agora artes primeiras) às criações dos amadores e artistas outsiders. Com destaque especial para um grande núcleo formado pelas obras iniciais de Malangatana".

ENCICLOPÉDIA DA MÚSICA EM PORTUGAL NO SÉCULO XX

Enciclopédia da música em Portugal no século XX são quatro volumes dirigidos por Salwa Castelo-Branco, com coordenação executiva de António Tilly e coordenação adjunta de Rui Cidra, publicados pela editora Temas e Debates/Círculo de Leitores. A meu ver, trata-se de uma obra de inegável importância e que os leitores há muito ansiavam.

Fico-me pela leitura da entrada "Indústria Fonográfica", dividida em enquadramento geral, recepção do fonógrafo e actividade das primeiras empresas discográficas em Portugal (1879-1925), formalização do mercado de fonogramas (1926-1934), papel da gravação na construção da "vedeta" e na afirmação de  repertórios entre as décadas de 30 e 60, criação de infra-estruturas de gravação e produção de suportes, autonomização da produção e emancipação do sector fonográfico nos anos 70: novos artistas e novo reportório, estabelecimento de empresas multinacionais em Portugal e pluralidade de domínios musicais (1979-1990), intensificação do investimento multinacional e crescimento do meio musical português (1990-2000).

Sobre a última década do século, a entrada, assinada por Leonor Losa, indica a intensificação das majors acompanhada pela criação de pequenas estruturas editoriais independentes ou de música alternativa, estimuladas pela descentralização das tecnologias de produção musical e pela pluralidade de gostos dos consumidores de música no país e o alargamento de espectáculos por intérpretes nacionais e internacionais (p. 642).

TELEVISÃO

Manuela Moura Guedes e responsáveis da SIC de Pinto Balsemão estão em negociações para o regresso da jornalista aos ecrãs (Público).

CONTRA-INFORMAÇÃO

"O Contra-Informação, programa de sátira política exibido há quase 15 anos na televisão pública, acabou. A RTP não renovou para o próximo ano o contrato com a Mandala, produtora do programa" (Público).