Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

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A MINHA CAMPANHA. Leiam jornais de referência em papel. Ouçam fado e hip-hop em CD. Vejam teatro. Apoiem a informação e a cultura portuguesa.



28.2.06

EDITORAS VIRTUAIS DE MÚSICA

É o principal texto na secção de cultura do Público de hoje. O lead diz: "As netlabels formam uma comunidade paralela à indústria discográfica. Em Portugal, já são quase uma centena" (texto de Pedro Rios).

Da lista surgida no texto do jornal, a primeira é a Enough Records, a qual "Deeply rooted in the demoscene culture, our path towards world domination consists on distributing music we enjoy listening to - from friendly people who want to release through us - for free". A segunda é a Merzbau. Segundo o Público, trata-se de uma netlabel mais voltada para o rock e o indie, exclusivamente dedicada à música portuguesa. Neste momento, a netlabel tem em escuta um disco de LEMUR: oiçam-no.



Explicação no fim do texto de Pedro Rios: uma netlabel é "uma editora sem fins lucrativos que opera na Internet, disponibilizando música quase sempre gratuitamente e em formato mp3, com o consentimento dos autores". Ainda a retirar da página do jornal, a ilustração de Cristina Sampaio, de quem o blogueiro é um fã.
RÁDIOS LOCAIS

A notícia sobre rádios locais, neste caso na região do Porto, editada hoje no Diário de Notícias (assinada por Joana de Belém), vem apenas esclarecer aquilo que há muito se fala e escreve. Lê-se: "Das cinco frequências consignadas apenas três estão activas, e num dos casos serve como mero retransmissor. Quando foram legalizadas, a cidade contava com cinco rádios locais: Nova, Festival, Press, Placard e Activa, mas, actualmente, apenas as duas primeiras emitem do Porto e para o Porto. Também nos concelhos limítrofes o conceito de rádio local foi alvo de subversão, havendo inclusive alguns que não contam com uma única voz hertziana, como são os casos de Gondomar e Valongo - onde existem apenas retransmissores de rádios de Lisboa".

A peça cita João Paulo Menezes (rádio TSF e blogue Blogouve-se), para quem é inevitável "as rádios se associarem em cadeias e procurarem trazer produtos diferentes, mais baratos", mas em que "o factor local vai ser decisivo no futuro da rádio, mais baseado nas especificidades geográficas e com mais possibilidades de sobreviver".


AINDA SOBRE A AGENDA CULTURAL DE IDANHA-A-NOVA

Aqui atrás, a 3 de Fevereiro, escrevi sobre a agenda cultural de Idanha-a-Nova.

Ontem, o blogueiro de O céu sobre Lisboa referiu-se a essa entrada:
  • "Intervalo para autopromoção: o Indústrias Culturais publicou uma recensão da Adufe, agenda cultural de Idanha-a-Nova. O design gráfico e concepção editorial são do general Jorge Silva/Silva!designers. A redacção do céu colabora como editor. As fotografias são do Valter Vinagre, do Paulo Muge e do Jorge Silva himself, as ilustrações da Cristina Sampaio e do Gonçalo Viana, e os textos são também maioritariamente aqui da redacção, com a colaboração de vários competentíssimos eruditos locais. O resultado, modéstia à parte, é bastante agradável. Um pequeno luxo".

Eu, claro, deixei um comentário. Mas como o blogueiro de O céu sobre Lisboa se não identifica [pelo menos, não vejo o seu nome], procurei na referida agenda o nome ou nomes de editores. Vem lá a indicação de Pedro Ornelas como editor. Será o blogueiro ele mesmo?
RETRIBUIÇÕES

Aos blogueiros do sound + vision, Nuno Galopim e João Lopes, pelo link para este meu I. C. O seu blogue é um espaço magnífico no domínio do cinema e da música, continuidade de outros projectos, como a revista "6ª" (Diário de Notícias), a rádio Radar e Antena 1 (programas sobre música ou críticas sobre cinema).
PÚBLICOS DE TEATRO (I)

Uma peça de grande popularidade - A canção de Lisboa - e um auditório de bairro - Carlos Paredes - foram os trabalhos realizados pelos meus alunos numa área das artes criativas que marcam a invenção numa cidade. Por agora, fiquemo-nos com a peça de Filipe La Feria, numa reconstituição do filme de 1933 de Cottinelli Telmo (com Vasco Santana, António Silva, Beatriz Costa e Manuel de Oliveira).

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cancaodelisboa1b.jpgAs alunas Susana Borges, Inês Carneiro e Ana Filipa, mesmo antes de assistirem e inquirirem espectadores, partiram da hipótese de a peça ser vista maioritariamente por uma geração com mais de 50 anos de idade, dada a popularidade antiga do filme do arquitecto José Ângelo Cottinelli Telmo. Dividiram o inquérito em duas metades de 50 inquiridos cada: os que assistiram à peça e os consumidores de teatro em geral (embora os resultados não expressem esta divisão, crítica que fiz na altura da apresentação do trabalho). Como variáveis principais, usaram as seguintes: sexo, nível etário, local de residência, nível de instrução, situação ocupacional.

De cinquenta inquiridos assistentes à peça, a maioria tinha entre 22 e 31 anos (76%), seguindo-se o escalão entre 15 e 21 anos (20%), com apenas 4% entre 42 e 51 anos, o que destruiu logo de imediato a percepção que tinham antes de fazerem o trabalho no terreno. Relativamente ao local de residência, a maioria era da Grande Lisboa (54%), embora também registassem consumidores vindos de várias partes do país. Em termos de habilitações literárias, Susana Borges, Inês Carneiro e Ana Filipa concluiram que 92% tinha frequência universitária, correspondendo a igual percentagem em termos de situação ocupacional (estudantes), o que releva a ideia de públicos jovens, de formação elevada e ainda estudantes.

A aquisição dos bilhetes dos inquiridos foi feita na bilheteira (36%), seguindo-se a reserva ((32%) e oferta (30%). Embora o preço tenha sido considerado muito elevado (26% caro e 24% muito caro), isso significa que os frequentadores de teatro têm poder de compra para tais tipos de saídas culturais. Contudo, a frequência habitual do teatro não é tão regular como seria de desejar: a maioria vai apenas uma vez semestralmente (35%), seguindo-se 23% trimestralmente. 66% dos que assistiram vieram de automóvel, a maioria com cônjuges ou namorados. O gosto por musicais (42%), pelos actores (16%) e pelo programa (14%) situaram-se entre as principais razões pela ida ao teatro. E há ainda uma prova de fidelidade às peças encenadas por Filipe La Feria: 34% tinham assistido a My Fair Lady, 26% a Amália e 12% a Raínha do Ferro Velho.

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27.2.06

CONSUMO DE CINEMA

Inês Diniz, Rita Calado e Isabel Fernandes trabalharam, na sua proposta para a cadeira de Públicos e Audiências, o tema Consumo de cinema. As alunas procuraram saber - num inquérito dirigido a pessoas entre os 8 e os 55 anos, na zona da Grande Lisboa (43 homens e 57 mulheres) - a frequência, quais os dias da semana e com quem costumam ir ao cinema, as preferências quanto a salas e a tipos de filmes.




Uma vez em cada quinze dias (24%), seguido de menos de uma vez por mês (23%), é a média mais frequente, sendo que, em cada 11 inquiridos, 9 são estudantes. Ir ao cinema com amigos (38%) e com namorado(a) (33%) são os modos mais habituais de ver cinema. Acção e comédia são os géneros mais procurados, seguindo-se o terror e o documentário. 68% dos respondentes gostam de cinema português. Metade dos inquiridos prefere os dias de semana para ir ao cinema, embora o fim-de-semana atraia 39% dos inquiridos. A preferência de salas (área da Grande Lisboa) vai para as do El Corte Inglés (UCI), seguindo-se Alvaláxia, Cascais Shopping e Monumental.

O destaque do Público

Recentemente (23 de Fevereiro), o Público dedicou o seu destaque a um estudo da Marktest sobre o cinema (assinaturas de Alexandra Prado Coelho e José J. Mateus). O público-alvo do cinema é constituido por pessoas que preferem a rádio à televisão, utilizam computador e deslocam-se de automóvel, pertencem às classes alta e média/alta, são estudantes ou quadros médios ou superiores, vivem em zonas urbanas, consomem marcas e têm entre 15 e 34 anos.

VOLTANDO À SÉRIE MORANGOS COM AÇÚCAR

Claro que o Cristiano, que eu falava na última entrada, não é o futebolista mas um dos rapazes da série, por quem (pelo menos) uma das personagens está apaixonada.

A nova série, para além do uso mais intenso da cor nos fundos como as paredes ou as portas - quase diria fauve -, faz apelo à banda desenhada e à câmara rápida. À banda desenhada porque insere palavras ou expressões, para reforço da cena. Não é arte conceptual, mas usa o princípio. À câmara rápida, porque, quando importa chegar a uma cena e em vez de um raccord, faz correr mais velozmente os movimentos dos actores. E, como substituição de cortes rápidos de planos, produz fade outs com desenhos: corações, linhas verticais, linhas horizontais, enquanto se esbate o plano com as personagens.

Deste modo, há um apelo à cultura visual - cor, alteração dos planos, uso da escrita para reforço das ideias -, o que torna a série mais apelativa, sem esquecer o óbvio conteúdo das histórias. É que, se a narrativa decorre num espaço determinado - a escola -, o que se mostra não é o trabalho inerente a esse espaço, mas os intervalos entre aulas, o que se passa no bar. Há, assim, uma transferência de local de trabalho para local de lazer, de usufruto, onde o vestuário, as pequenas intrigas (ciúmes, enamoramento, zangas e pazes) são as matrizes dessa narrativa. Já a presença dos "cantores" dos D'ZERT enquanto personagens fulcrais da novela reforça a cumplicidade entre narrativa e simpatia dos fãs da banda e da série.

Acresce-se que a passagem de Morangos com açúcar no horário nobre a seguir ao noticiário das oito da noite - ontem, por exemplo -, significa uma aposta forte do canal televisivo, antes da série também portuguesa de O inspector Max.

26.2.06

A PÁGINA AO LADO (II)

Na revista dominical do Diário de Notícias (e Jornal de Notícias), encontra-se hoje uma coluna de Manuel Ribeiro com o título "Garotas de blog". O articulista começa assim o seu texto: "Se houvesse um concurso das coisas mais idiotas que nos perturbam a existência, ganharia de caras a mania dos blogs. Para os que ainda não sabem do que se trata, passo a explicar como é que aquela parvoíce funciona". E sobre os maníacos dos blogues, escreve o mesmo economista: "Os tipos sentam-se ao computador e escrevem páginas a fio de generalidades e lugares-comuns que obviamente ninguém, nem se calhar o próprio, tem qualquer interesse em ler, e amandam com aquilo tudo para a internet".



O blogueiro considera esta página de Manuel Ribeiro, ao contrário do próprio articulista, como um texto de apoio aos blogues. Excepto na parte em que escreve que um tipo se senta num computador, pois pode partir o equipamento ou apanhar um choque eléctrico.

Explico a minha leitura: vivemos num mundo de parvoíces e gostamos de imitar os que fazem essas parvoíces. Se assim não fosse, qual o interesse em adquirir uma caderneta com cromos da série Morangos com açúcar, que começou hoje a ser coleccionada pelos leitores do Jornal de Notícias? Segundo a publicidade que vem na página ao lado do texto de Manuel Ribeiro, a caderneta da "geração rebelde", uma marca da TVI, conta que tudo começou na aula de hip hop e uma das intérpretes fica tranquila, pois o Cristiano já a pode ver a qualquer hora. Presumo que seja o jogador de futebol.
A PÁGINA AO LADO (I)

Na sua coluna de hoje, Rui Araújo, provedor do leitor do Público, partiu de uma entrada que aqui coloquei no dia 19 do presente mês sobre um post-it de publicidade do BES na primeira página daquele jornal. O título da coluna de Rui Araújo mostra uma postura fortíssima: "Mais promiscuidade".

Obtida a posição do director, José Manuel Fernandes, o provedor considerou as explicações deste como "parcialmente aceitáveis". Contudo, logo depois - e aliás em destaque na coluna, o que prova o espírito democrático do director e do jornal, que eu louvo -, lê-se: "O problema com a publicidade do BES é, sobretudo, o desrespeito de algo sagrado: o próprio título do jornal. O PÚBLICO prescindiu, erradamente, da sua imagem".



Olhando melhor para a página, ressalta uma coisa que eu não detectara quando olhei para o verde do post-it: é que este escondeu apenas uma parcela do título do jornal - as letras LICO. Pelo que ficaram as letras PUB (não coloquei o acento) [uma leitora chamara-me a atenção deste pormenor, como publiquei no passado dia 20]. Logo, está tudo bem. A palavra pub, de publicidade, consta do próprio título do jornal. Por isso, volto atrás na minha apreciação e aconselho a que insiram mais post-its junto ao título do jornal, pois até nem fica mal!

O leitor fixou-se na revista de domingo, que ostenta o feminino do título do jornal no cabeçalho, e no texto de Paulo Moura sobre José Afonso. Retiro uma fatia divertida sobre a faceta psicológica do músico desaparecido há 19 anos: "No dia combinado, nos finais de Janeiro de 1974, Zeca saiu de casa e esqueceu-se da guitarra. Voltou para a ir buscar e saiu de novo mas esqueceu-se das letras das canções. Voltou a casa. Saiu mas esqueceu-se do passaporte. Voltou e saiu de novo. Zélia [a mulher] levou-o à estação".



É que, na página ao lado, cortando o artigo de três colunas, surge uma caixa com a indicação de Pub, fazendo reclame a um analgésico, como a "história do homem que combateu as dores". De princípio, pensei que fosse uma caixa com mais uma história de José Afonso, dada a doença que o acabou por vitimar. Parece-me, pois, que a doutrina de José Manuel Fernandes, se está a espalhar pelo jornal todo. Dizia ele, a propósito da interpelação do provedor: "Nos dias que correm, em que os espaços tradicionais de publicidade já não são atractivos como noutros tempos, sobretudo devido à diversidade dos suportes, é frequente as agências de publicidade proporem soluções inovadoras, únicas ou dificilmente repetíveis".

No caso do analgésico, confesso, tive de voltar a olhar a página para verificar o seu nome. Isto é, não dei qualquer relevo ao anúncio, mas tão só à forma insólita da sua colocação. Nunca comprarei o produto, pois não fixei o essencial da mensagem: o seu nome. E se a publicidade é para promover as vendas, não estou a ver a vantagem do anunciante gastar dinheiro num produto que ninguém se lembra do nome.

Observação: confesso que estou a ficar endoutrinado pelo livro dos Ries (Al e Laura), A queda da publicidade e a ascensão das relações públicas.

25.2.06

PUBLICAÇÕES DO OBERCOM

Sairam, com a marca Obercom, dois CD-ROMs contendo informação já publicada em papel e em português, agora destinada a um mercado mais vasto, The audiovisual value chain (nº 9) e The print media value chain (nº 11). A equipa de investigação foi constituida (por ordem indicada nos CD-ROMs) por Carla Martins, Nuno Conde, Fausto Amaro, Luís Landerset Cardoso, Maria João Cunha e Nelson Ribeiro.



Entretanto, na sua newsletter editada ontem, recomendo um texto sobre publicidade (assinado por E.P.), que informa que, "Na era digital, os consumidores são confrontados com um infindável número de impactos publicitários. Na verdade, calcula-se que cada consumidor norte-americano seja exposto diariamente a cerca de 3 mil mensagens publicitárias (explícitas e implícitas). Logicamente, nem todas são relevantes para os consumidores até porque, à medida que se avoluma o número de impactos publicitários, mais criterioso se torna o processo de selecção dos mesmos. Estas são algumas das conclusões de um relatório – Reaching the unreachable consumer: Advertising in the digital Age – apresentado pela Parks Associates. De acordo com esta mesma fonte, a propagação de diferentes suportes de comunicação tem vindo a alterar irreversivelmente os padrões de consumo dos media no sentido em que dotou os consumidores de um maior controlo (do consumo) dos mesmos e possibilitou o consumo simultâneo de diferentes plataformas".

Para ler o texto completo, carregar aqui.
A GERAÇÃO DA ÉTICA

O texto de Fernando Martins é o número 42 da colecção Jornalismo da MinervaCoimbra, dirigida por Mário Mesquita. Tem o título A geração da ética. Três anos como provedor dos leitores do Jornal de Notícias.

O blogueiro já viu o livro mas ainda não o comprou. Por isso, socorre-se do comunicado da editora:

  • A abertura, no nosso país, dos canais privados de Televisão, deu origem a todo um ciclo que começou pela disputa do bolo da publicidade e que se espera que regresse à postura profissional e cívica dos tempos em que nem a informação-espectáculo representava uma ameaça, nem a sede de protagonismo dos diversos agentes da comunicação tinha, ainda, feito da verdade e da honra degraus espezinhados na corrida pelas audiências. Os outros "media" não escaparam [...] tudo isto numa altura em que, em nome das crises, as redacções passaram por profundas renovações, de entre as quais se destaca um rejuvenescimento excessivo e mal enquadrado. [...] Foi a altura em que parece ter nascido a geração da ética, sob um manto de preocupações nem sempre próximas. A vontade autêntica de resolver problemas andou [...] muitas vezes a par de objectivos de marketing e até de mera cenografia. Apareceram, beneficiando do prestígio do pioneiro provedor de justiça, mais e mais provedores. Os dos leitores também.
Fernando Martins, que estudou engenharia e direito, encetou, na delegação do Porto do jornal O Século, uma carreira hoje com mais de 40 anos. Fez ainda rádio e televisão. Com trabalhos espalhados por jornais e revistas nacionais e estrangeiros, o seu trabalho fixou-se no Jornal de Notícias, onde ao longo de quatro décadas assinou reportagens, entrevistas, crónicas e artigos. Foi repórter, editor, chefe de redacção e director. Em 2001, começou a sua tarefa de primeiro provedor dos leitores do jornal.
SE FOR AOS ESTADOS UNIDOS, PROCURE UM HOTEL COM CANAIS DE TELEVISÃO EM PORTUGUÊS

Podia ser o protótipo de um anúncio das agências de viagem para quem vá aos States. É que, segundo entrada de ontem do blogue
Media Network Weblog, a GlobeCast WorldTV e a LodgeNet Entertainment Corporation anunciaram um acordo para oferecer uma selecção da GlobeCast WorldTV de mais de 160 canais internationais de televisão e rádio a mais de 6 mil hotéis nos Estados Unidos servidos pela LodgeNet. Isto em mais de 33 línguas oriundas de 41 países, da Europa e Médio Oriente até à Ásia e África. Os noticiários, da EuroNews, estão disponíveis em sete línguas: inglês, alemão, francês, italiano, espanhol, português e russo.

24.2.06

MI CHIAMANO DESPINA

Escreve a autora do blogue
Just Another Singer que recebeu hoje um convite para interpretar Despina no Cosi. Ela licencia-se este ano em música e quer ser cantora lírica. Também o marido acaba a sua graduação universitária em 2006. Os dois, que vivem acompanhados por dois gatos, esperam mudar-se em breve de cidade nos Estados Unidos.
LANÇAMENTO DA REVISTA LITERÁRIA aguasfurtadas

Foi ontem à noite, na livraria Sem Mais Nem Menos (Rua Mártires da Liberdade, 130, Porto), apresentado o número 8 da aguasfurtadas, revista de literatura, música e artes visuais do Núcleo de Jornalismo Académico do Porto. Para além da presença dos vários editores da publicação, houve leitura de poesia e também música. O blogueiro não esteve até ao final da sessão, mas gostou do espaço e das pessoas ali presentes. Foi, afinal, uma sessão de muita aproximação às artes e indústrias criativas. Para além das imagens abaixo presentes, há um pequeno
vídeo, cujo ficheiro deve guardar primeiro no seu disco duro e abrir depois - se não houver qualquer problema com o servidor onde o ficheiro está alojado, o www.filelodge.com. Além deste problema, o ficheiro quase que não tem som, devido a ainda pouco conhecimento do blogueiro em trabalhar com estas ferramentas).


AS VOZES DA RÁDIO APRESENTADAS NO PORTO

Ontem, na Universidade Fernando Pessoa, integrado no programa das "Jornadas Internacionais de Jornalismo - Horizontes do jornalismo", o meu livro As vozes da rádio, 1924-1939 foi apresentado por João Paulo Meneses, jornalista da TSF e professor universitário (à direita na imagem).

O som dessa apresentação pode ser ouvido
aqui [a partir do segundo 26].
LIVRO DE PEDRO COELHO SOBRE TELEVISÃO DE PROXIMIDADE

Foi recentemente lançado no mercado o livro de Pedro Coelho A TV de proximidade e os novos desafios do espaço público.

Jornalista desde 1988, primeiro na rádio e, desde 1991, na televisão (SIC desde 1992), o livro que ora se apresenta é resultado da tese de mestrado que defendeu na Universidade Nova de Lisboa, orientado por João Pissarra Esteves.

O blogueiro leu, em tempos, essa tese de mestrado, mas ainda não verificou se há ou não alterações introduzidas no livro. Contudo, recomenda a sua leitura, nomeadamente o estudo de caso, a partir da página 187, onde ele descreve, analisa e comenta criticamente as experiências portuguesas de televisão de proximidade.

Eu tenho tido, ao longo dos últimos anos, dificuldade em aceitar a existência de canais de televisão em áreas do país a que se convencionou chamar regiões, pois tenho pensado não haver capacidade financeira para manter projectos sólidos. Comparo sempre com os modelos actuais das rádios locais, transformadas crescentemente em retransmissores de rádios nacionais.


Porém, com a leitura do trabalho de Pedro Coelho e com modelos de televisão ligados à internet, acredito que o custo de um projecto de televisão de proximidade seja sustentado por valores inferiores aos que existem. Há ainda que vencer preconceitos de índole política, pois a descentralização não é sempre bem vista. Registo, aliás, o tom do autor - que leio como cauteloso: "A falta de uma vontade política forte que associe o país às televisões de proximidade tem sido, ao longo da história, amparada pela inexistência de uma pressão social reivindicativa, por parte das comunidades regionais, de televisões próprias" (p. 192).

As páginas seguintes são a arqueologia das experiências desse "movimento frágil e ilegal". Em 1983, por exemplo, houve emissões em Évora, Espinho e Porto. A TV Maravilha emitiria 12 minutos no Porto, em 1984. No ano seguinte, e na mesma cidade, surgia um movimento de cidadãos, o Fórum Portucalense, visando a criação de uma televisão regional. Em 1985, cabia a vez à SUL TV, a emitir da Cova da Piedade, na margem sul do Tejo.

Leitura: Pedro Coelho (2005). A TV de proximidade e os novos desafios do espaço público. Lisboa: Livros Horizonte e CIMJ. 255 páginas, €17,95.

Anotação: não compreendo que um livro lançado no mercado este ano tenha a data de 2005. Em termos de marketing é uma má opção, pois o livro aparece com a marca do ano passado. Em mercados mais agressivos quanto ao marketing do livro (Estados Unidos, Reino Unido, Brasil), uma edição surgida no último trimestre de um ano leva a identidade do ano seguinte, no sentido de livro novo ("ano" de 15 meses).

23.2.06

SYRIANA

No último sábado à noite, o último bilhete da sala foi comprado por mim. Claro que ver um filme da primeira fila não é muito agradável. O ecrã é enorme e as legendas possuem um tamanho descomunal. Acresce-se que Syriana, realizado por Stephen Gagham, com George Clooney, Matt Damon e Christopher Plummer, entre outros, é um filme de histórias que se entrecruzam, dificultando a compreensão imediata.



Li atentamente as críticas ao filme nos seguintes suplementos dos jornais: "Y" (Público) e "6ª" (Diário de Notícias), ambos de 17 de Fevereiro, e "Actual" (Expresso), de 18 de Fevereiro. E contei o espaço dado em cada um desses suplementos: seis páginas no Público, uma no Diário de Notícias e quatro colunas (em cinco colunas da página) no Expresso. O total de centímetros quadrados foi, aproximadamente: Público (3186,5 de texto e 2753,5 de imagem), Diário de Notícias (396,9 de texto e 405 de imagem) e Expresso (449,76 de texto e 165,24 de imagem). Tal significa que o texto maior pertenceu ao Público (textos de Rita Siza, Mário Jorge Torres e Helen Barlow) e o menor ao Diário de Notícias (Pedro Mexia), com o Expresso pouco acima deste último (Jorge Leitão Ramos).



Se cada crítico dá uma perspectiva distinta, no conjunto podemos ver complementaridades, de ordem política, social e estética. Pedro Mexia, que tem colaborado regularmente com a revista das sextas-feiras do Diário de Notícias questiona , na sua perspectiva mais conservadora da sociedade, o lugar do filme: "como filme de tese, então, Syriana é muito pouca coisa". Mas conclui: "Convenhamos: antes Clooney que Moore", numa referência directa ao filme de propaganda anti-Bush Fahrenheit 9/11.

Já Rita Siza parece colocar-se na perspectiva liberal (no sentido americano). Para ela, filmes como Good night and good luck, com o mesmo George Clooney, em homenagem ao pai, na "melhor tradição do jornalismo de investigação", acabam (ou ajudam a acabar) com a hipocrisia da bondade do domínio americano. E a jornalista correspondente em Washington menciona outros filmes politicamente incorrectos como Munique (de Spielberg), Transamerica (de Duncan Tucker) e Capote (de Bennett Miller).

Claro que à necessidade de contenção em termos de espaço, em Mexia, existe em Siza uma maior largueza de comentários, com ela a poder explanar a recuperação de uma tradição perdida, a de o cinema de Hollywood ser um veículo de contestação social e política, exemplificados no film noir e no western. Mas também é preciso falar em opção editorial: enquanto o Público deu mais espaço a Syriana que ao filme sobre a vida de Johnny Cash (Walk the Line), o Diário de Notícias deu oportunidade oposta. Aliás, a dupla Nuno Galopim e João Lopes prolongariam a ênfase em Walk the Line na rádio Radar, num dos programas que o primeiro mantém ao fim-de-semana. E diferentes apostas significam diferentes oportunidades de olhar um assunto.

Reconheço que, ao ler as linhas já escritas, me servi muito de citações para construir esta entrada. É que o nosso conhecimento é feito cada vez mais da leitura dos jornais. Os artigos são bem mais fáceis de ler (pela complexidade, pela dimensão) em comparação com um livro. E, digo para com os meus botões, estão a passar muitos dias sem que eu faça referência a uma leitura de livro!

Além disso, reconheço ainda que um filme como Syriana precisa de descodificadores que interpretem a obra, que a tornem mais fácil de compreender. A multiplicidade de saberes na cultura de hoje necessita cada vez mais destes intermediários culturais, a quem se chama com frequência de gatekepeers. Mas há que ter precaução num sentido: cada crítico (de cinema, de literatura, de música ou outro) tem uma grelha e, por vezes, interesses próprios que esconde, levando o leitor a posições não correctas.
MAIS AGENDAS CULTURAIS

A primeira agenda aqui presente é a de Beja, cidade que eu gosto muito. Nela, lê-se: "A Agenda Cultural que agora lhe chega às mãos é a primeira editada no mandato iniciado após as últimas eleições autárquicas". Traz informação das aquisições mais recentes das bibliotecas. Para o próximo dia 24, há projecção de cinema no auditório, Flores partidas, de Jim Jarmusch. Já a agenda de Mértola dá destaque ao Festival do Peixe do Rio, a realizar nos dias 18 e 19 de Março. E, também no dia 24 de Fevereiro, o filme projectado é O resgate dos soldados fantasma.



Para Mafra, e ainda para amanhã, no auditório municipal Beatriz Costa, pode assistir-se ao filme Correio de risco 2, de Louis Leterrier. A última agenda, a newsletter da cultura da câmara municipal da Trofa "é um boletim digital, enviado por e-mail, com uma periodicidade quinzenal, e criado em Abril de 2004 com o objectivo de divulgar todas as actividades do pelouro da Cultura, atempadamente". Para a receber, basta pedi-la para este
endereço e escrever uma mensagem com o assunto "Receber a Newsletter da Cultura". O corso de Carnaval, no dia 28, é a atracção principal destes dias.


LANÇAMENTO DE LIVRO DE DANIELA SANTIAGO

Jornalista da RTP, Daniela Santiago lançará o seu livro O reconforto da televisão. Uma visão diferente sobre a tragédia de Entre-os-Rios no dia 3 de Março, pelas 18:30, no restaurante do piso 7 do El Corte Inglés, Av. António Augusto de Aguiar, 31, em Lisboa.



A autora escreveu recentemente Inferno no Paraíso – 15 dias no Sri Lanka depois do tsunami (também da MinervaCoimbra).
Para José Manuel Paquete de Oliveira, que apresentará o livro,

  • Daniela Santiago, a partir do envolvimento em que se viu metida neste acontecimento como repórter de televisão, mas no duplo papel de autora de uma tese de um curso de mestrado que frequentava, encetou uma via difícil, quiçá perturbante e polémica. Foi à busca de uma interrogação que pôs a si própria: Poderá a televisão, ou a reportagem televisiva, em situações de tragédia humana, desempenhar uma função de reconforto junto das vítimas e familiares envolvidos no acontecimento?

    A autora pretende provar que «apesar de todas as críticas acerca do trabalho dos jornalistas» a comunicação social «desempenhou um papel extremamente importante para a população local». E quer confirmar de alguma maneira, esta hipótese, pelo perscrutar dos muitos depoimentos que ouviu e pela observação directa que fez em pleno desenvolvimento da desgraça que atingiu aquela população. Daniela Santiago quer «comprovar que a televisão pode ajudar a superar momentos de dor, sofrimento e mesmo isolamento exercendo função de reconforto».

    Caberá ao leitor avaliar o conhecimento que este texto lhe traz, uma vez que este livro, agora editado e divulgado pela MinervaCoimbra, - como diz a própria autora - tem uma finalidade em especial: fazer sentir ao grande público a tragédia de 4 de Março de 2001, acontecida em Entre-os Rios, e tentar contribuir para que as pontes que se constróem, onde quer que seja, jamais se abatam pela incúria dos homens.

22.2.06

QUINTA-FEIRA, 23. DIA CHEIO

Copio o que se publicou ontem no blogue dias felizes, de Cristina Woehringen e Rui Manuel Amaral, pela pena deste:

  • a) Na próxima quinta-feira, dia 23, a livraria "Sem Mais Nem Menos" (Rua Mártires da Liberdade, 130, Porto) recebe a primeira sessão de apresentação da revista "aguasfurtadas" nº 8. A sessão terá início às 22h00 e contará com a presença e participação de Ana Luísa Amaral, Rui Lage, José Carlos Tinoco, António Pedro Ribeiro entre outros. Para além de um pequeno concerto com o clarinetista João Pedro Santos que interpretará, entre outras, a peça de Rui Miguel Dias incluída no CD da "aguasfurtadas" nº 8.
  • b) Entretanto, e no mesmo dia, pelas 17h30, na Universidade Fernando Pessoa (Praça 9 de Abril, no Porto), João Paulo Meneses apresenta o livro "As vozes da rádio, 1924-1939", do conhecido blogger e investigador Rogério Santos. Também a não perder.
  • c) Finalmente, e como é do conhecimento geral, na noite de 23 haverá também uma sessão de apoio a Ingrid Betancourt, no café karaoke do filho do Manuel Resende (Av. Adoplhe Buyl, 102, Bruxelas). De acordo com fontes próximas da cozinha e que não solicitaram o anonimato, come-se bem no dito café, para além de se poder cantar e fazer disparates em cima das mesas.
  • Tudo isto, obviamente, pelo bem da humanidade.
OS MEUS LIVROS NA PÁGINA DA LIVRARIA LEITURA

Na página da Livraria Leitura, pode ver-se
aqui a indicação dos livros que já publiquei, com destaque para As vozes da rádio, 1924-1939.


FALAR DE BLOGUES - DE NOVO


"et des Hommes..."

É já para a semana que recomeça o FALAR DE BLOGUES, em organização de José Carlos Abrantes e Almedina (Atrium Saldanha, Loja 71, 2º Piso, em Lisboa). O primeiro encontro tem o título
"Falar de Blogues: Feminino/Masculino", e vai decorrer no dia 3 de Março, 19:00 horas. Presentes:
A Origem das Espécies, de Francisco José Viegas, Controversa Maresia, de Sofia Vieira, Geração Rasca, de André Carvalho, e Rititi, de Rita Barata Silvério.

Questões: Continuamos a discussão iniciada em 2005: haverá mesmo diferenças entre blogues femininos e masculinos? Que diversidade se pode encontrar nos blogues assinados por mulheres?

[imagem e informação retiradas do blogue
As Imagens e Nós, de José Carlos Abrantes]
DIÁRIO DE SOFIA

diariosofia1.jpg"O Diário de Sofia surge no panorama de entretenimento como um projecto inovador, concentrando em si várias formas de comunicação. Não se trata de mais um projecto televisivo, ou de mais um livro, mas de uma história que é veiculada através de vários meios de comunicação, sendo destinado a uma população adolescente", assim começa o trabalho dos alunos David Carronha e Inês Frade Análise de públicos do Diário de Sofia.

Os dois investigadores fizeram um inquérito em duas escolas, uma no centro de Lisboa e outra nos arredores da cidade, em indivíduos com idades compreendidas entre 12 e 16 anos e tendo como referência a última série transmitida pela RTP. Foram 102 inquéritos, com 59 respondidos por raparigas e 43 por rapazes. Se 68% das raparigas afirmou ver a série, apenas 19% dos rapazes admitiu vê-la. São os adolescentes com 14 anos os que mais acompanham a série.


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Um elemento importante para a compreensão deste público é que grande parte não vê Diário de Sofia por razões de afectividade pelas personagens ou história. 25% acompanha a série por outros motivos, incluindo a "falta de opção", já que à hora de emissão os outros canais generalistas emitem os noticiários. 22% afirma ver a série motivada pela leitura dos livros Diário de Sofia. O primeiro contacto com a série é por acaso. Só poucos repararam em alguma publicidade.

Quando começou, em 2002, o Diário de Sofia era apenas um sítio da internet, actualizado diariamente, onde se relatava o dia a dia da jovem Sofia. Foi o sucesso do sítio que deu origem aos livros e, depois, à série televisiva. Uma das novidades da série na televisão foi a interactividade com o público, de modo directo: todos os dias, a Sofia tem um dilema a resolver. Isto embora os inquiridos achem que têm pouca influência na decisão dos destinos da rapariga. E os que participam são poucos: 31%.

Sofia [interpretada pela actriz Marta Gil] é a personagem mais popular (76% dos inquiridos), vindo depois Zeca (13%). As razões do reconhecimento de Sofia devem-se ao facto de ser a personagem principal, o seu gosto de ajudar os amigos e pela identificação pelos jovens em termos de problemas.

O programa na imprensa

A 9 de Outubro de 2005, o Diário de Notícias (em texto assinado por Mariana Gonçalves) dava conta da possibilidade do programa se alargar no estrangeiro. Até então, o programa passava em versão dobrada em Singapura, Malásia, Indonésia, Filipinas, Itália, Grécia, Áustria e Eslovénia. Outros países iam produzir uma versão local do programa. E a mesma peça jornalística referia o aumento de personagens na série, de modo a atrair mais público. Maior desempenho dos pais, da irmã mais nova, um namorado e um italiano que Sofia conheceu em Nova Iorque, durante um curso de teatro que ela frequentou, alargavam assim o leque de intervenientes.

Se o Diário de Sofia começou na internet, a partir de Fevereiro de 2003 estendeu-se à imprensa cor-de-rosa com a publicação de uma crónica mensal na Ragazza. Depois, em Novembro de 2003, o emprego de mensagens SMS ampliava os contactos entre série e espectadores. Já em começos de 2004, a Sofia aparecia em rubricas curtas na Antena 3.

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21.2.06

DEFESA DE TESE DE DOUTORAMENTO DE ESTRELA SERRANO

Com o título Para um estudo do jornalismo em Portugal (1976 - 2001). Padrões jornalísticos na cobertura de eleições presidenciais, Estrela Serrano irá defender a sua tese de doutoramento no próximo dia 3, pelas 15:00, no auditório Afonso de Barros, ISCTE (Lisboa).

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Professora universitária e agora membro da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), Estrela Serrano editou o livro As presidências abertas de Mário Soares (MinervaCoimbra, 2002) e prepara-se para lançar outro livro (sobre o seu cargo de provedora do leitor do Diário de Notícias).
3encontro.JPG3º ENCONTRO DE BLOGUES (UNIVERSIDADE DO PORTO)

De acordo com a organização, o encontro sobre blogues (3º Nacional e 1º Luso-Galaico), a ocorrer na Universidade do Porto nos dias 13 e 14 de Outubro, "procura juntar investigadores, utilizadores e interessados em weblogs em Portugal e na Galiza.

Este encontro tem como principal objectivo contribuir para a exploração deste tema e fomentar o desenvolvimento de uma comunidade de reflexão e investigação transdisciplinar nesta área".

Principais temas: impacto social dos blogues, blogues como forma de comunicação, ferramentas sociais ou colaborativas no contexto dos blogues, aplicações práticas de blogues (ensino, organizações, investigação), blogues em Portugal e na Galiza (estudos, inquéritos, casos práticos, serviços) e tecnologias e conceitos emergentes (RSS, Podcast, Vblogs, Web2.0).

Para quem quiser candidatar-se, deve submeter o seu resumo para 3encontro+resumo@icicom.up.pt até ao dia 15 de Maio. Na mensagem deve ser indicado um endereço de correio electrónico e/ou número de fax para comunicação com o autor.
  • CARICATURAS DO (OU SOBRE O) DITADOR JOÃO FRANCO

    1906 foi um ano polémico, governado por João Franco, um dos últimos primeiros-ministros do rei Carlos I (este seria assassinado dois anos depois). No período, discutia-se a lei da imprensa, que o ditador Franco queria amordaçar. Apesar da violência da governação, jornais como as Novidades caricaturavam o governante. Pelos cartunes da época, percepciona-se um homem com feições orientais (representado mesmo pelo penteado, parecendo um mandarim), sempre decidido e contribuindo para os já frágeis equilíbrios sociais (como a questão vinícola do Douro, entre produtores e comerciantes do vinho, e a proposta da lei da imprensa).







    [imagens editadas no jornal Novidades, respectivamente nos dias 24, 28 e 30 de Julho, 7 de Agosto, 12, 20 e 25 de Setembro e 5, 11 e 12 de Dezembro de 1906. À altura, o diário era dirigido por José Barbosa Colen, que sucedera ao outro fundador do jornal, Emídio Navarro, após a morte deste]

20.2.06

O MEU PEQUENO CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA IMPRENSA DO SÉCULO XIX

O Diário de Notícias de hoje merece ser guardado, pelo seu número 50 mil. Após a morte do Comércio do Porto, é o diário mais antigo de Portugal continental.


Retenho do editorial do director, António José Teixeira: "Os jornais da época eram muito partidarizados, mais instrumentais de luta política do que veículos de notícias. O DN introduziu a reportagem na imprensa portuguesa, na altura dominada pela crónica e pela opinião. Criou os ardinas, que aproximaram o jornal dos leitores. Inovou nas artes gráficas, tirou partido da rádio e do cinema, abriu espaço ao pequeno anúncio, iniciou a publicação de caricaturas, fez ponte com escritores e artistas, acolheu nas suas páginas os mais importantes vultos da cultura portuguesa".

Sem contestar directamente todas as informações - até porque há poucos dados sobre a história da imprensa na passagem do século XIX para o XX e eu sou um leitor habitual do Diário de Notícias -, parece-me que alguns dos valores atribuidos a este jornal de 142 anos também devem ser estendidos a outros diários, que, infelizmente, já desapareceram e não têm historiadores ou jornalistas para lhes fazerem elogios. Não esquecendo os longos períodos de deriva político-partidária do próprio Diário de Notícias durante o século XX [isto não é uma crítica radical, porque jornalistas e leitores ao longo de século e meio nem sempre pensaram a mesma coisa, dependendo da época em que viveram].

Retenho apenas um livro, de Lourenço Cayolla (que foi director do Correio da Noite, órgão do Partido Progressista, e mais tarde articulista, crítico literário e secretário geral do Diário de Notícias). De um jornal antigo e do seu director, respectivamente Jornal da Noite (1871-1892) e Teixeira de Vasconcelos, escreveu ele: "Era sobretudo um artista, caprichando sempre em dar ao jornal que dirigia um aspecto moderno, atraente pela sua leveza e carácter literário, em contraste com o tom mazorrão e pesado que tinham os órgãos da imprensa nessa época, à excepção do Diário de Notícias que então era quase um jornal de anúncios, com um reduzido texto exclusivamente noticioso" (Cayolla, Revivendo o passado, 1929, Lisboa: Imprensa Limitada, p. 140).

O mesmo Cayolla (1929, p. 139) escreveu ainda o seguinte: "Foi o primeiro [o Jornal da Noite] que se atreveu a despertar a Lisboa moderna dessa época fazendo estrugir nas suas ruas, ao findar do dia, as vozes dos garotos apregoando o Jornal da Noite".


[caricatura retirada do jornal Novidades, de 25 de Setembro de 1906, que tenciono republicar amanhã - num conjunto alargado - com a devida explicação]
A CAPA LITERÁRIA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE SEXTA-FEIRA

[texto reconstruido após o apagão local no meu blogue em finais da semana]

A primeira página do jornal do dia 17 de Fevereiro foi a entrevista dada por António Lobo Antunes na revista "6ª". Uma nova promoção da revista das sextas-feiras, agora com a literatura como tema de capa.

Vale a pena folhear e ler a nova revista, agora em sexta edição.

  • EDUARDO CINTRA TORRES EM SEMINÁRIO

    Com obra recentemente editada, conforme tive aqui ocasião de destacar, Eduardo Cintra Torres estará presente no 4º seminário do Ciclo de Seminários de Investigação em Ciências da Comunicação (CSI 2), da Universidade Católica Portuguesa, no próximo dia 23, pelas 18:30. O tema é precisamente A Tragédia Televisiva: um Género Dramático da Informação Audiovisual. A sessão terá lugar na sala dos Descobrimentos Portugueses, no edifício da Biblioteca João Paulo II, da referida universidade.
A GUERRA DAS CERVEJAS

Sem comentários, retiro o texto de Sara Martinho, na newsletter de hoje da Meios e Publicidade:

"As duas principais empresas cervejeiras do país, marcaram para amanhã mais um episódio da guerra comercial e de comunicação em que têm estado envolvidas nos últimos meses. Desta vez, a Unicer e a Central de Cervejas convocaram os jornalistas para conferências de imprensa. A Unicer apresenta um novo produto às 10h. Três horas depois a Central de Cervejas divulga os resultados financeiros da empresa".
AS PÁGINAS DOS MEDIA DOS DOIS JORNAIS DE REFERÊNCIA DE LISBOA

Uma vez mais, o Público (uma página) perde no confronto com o Diário de Notícias (três páginas). Para mim, custa ver um jornal ter tão pouca informação sobre os media, apesar de recentes alterações na secção.

O que nos oferecem os dois jornais? Do lado do Diário de Notícias, uma página repartida entre um excelente artigo de Miguel Gaspar ("Zero de audiência") a fazer parceria à informação sobre audiências e pequenas mas úteis informações (colóquio no ISCSP, rubrica diária na rádio Radar, outras), mais duas páginas sobre os treze anos da TVI (Paula Brito e Sónia Correia dos Santos, mais Filipe Morais). Já do lado do Público, o principal do noticiário vai para a rádio, por satélite e por DRM, ambos assinados por Ana Machado (AM).

Ora, o texto sobre o DRM (Digital Rádio Mondiale) parece-me ter alguns problemas de construção. Primeiro, AM diz que o Digital Rádio Mondiale promete ser a solução para todos os problemas de emissão digital na Europa, pondo como contraponto o DAB (Digital Audio Broadcasting). E serve-se da explicação de José Faustino, presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, para quem o DAB não será a melhor tecnologia ("apesar de eu achar que o DAB nunca se vai conseguir impor", diz; "haverá por aí meia dúzia de pessoas com esses aparelhos. E há marcas que até já tiveram mas deixaram de fazer aparelhos DAB porque não vendiam", continua a dizer). A pergunta que apetece colocar é: qual a razão do sucesso do DAB no Reino Unido? Porque o governo e a indústria se uniram no objectivo de o promover, coisa que em Portugal não é assim, como noutros países, aliás. O DAB é uma tecnologia, como o DRM o é; logo, a sua adopção poderá ser política e não de ordem meramente económica.

Segundo, a ideia básica seria abandonar as antigas frequências do espectro radioeléctico em favor de estações digitais. No texto da jornalista, percebe-se que antigas frequências e FM seriam a mesma coisa. Errado, o DRM poderá até revitalizar as frequências de ondas médias, gama de frequências que os nossos pais ouviam mas que desapareceram quase integralmente dos nossos receptores. E ainda a gama de ondas curtas, com frequências mais altas. É como se se voltassem a cultivar terrenos há muito improdutivos mas que sabemos que são ricos.

Terceiro, e apesar de referir o IBOC americano, AM esqueceu-se de nomear o sistema japonês de rádio digital e, especialmente, a rádio pela internet. Agora que se anuncia a 3,5 geração de telefones celulares, a rádio será eventualmente ouvida pela internet dos celulares (ou dos computadores sem fios). O DAB, o DRM e outras tecnologias ficarão fora do futuro. Mas enquanto este não chegar, o DAB ou o DRM farão parte das lutas das empresas para imporem as suas tecnologias.
UM COMENTÁRIO À MINHA ENTRADA SOBRE O "POST-IT" VERDE DO PÚBLICO

Recebi de uma leitora do meu blogue "back up" localizado no
Sapo o seguinte comentário:



  • Se reparar, há a artimanha de o "post it" ter deixado visível as 3 primeiras letras do nome do jornal, coincidentemente, ou não, as mesmas que costumam aparecer num dos cantos do espaço dos anúncios (PUB), embora sem o acento. Assim, poderão sempre argumentar que a indicação de publicidade está lá.
    É evidente que não concordo com tal prática, sobretudo, por ser leitora do referido jornal e achar como que uma falta de dignidade do mesmo o facto de usar o próprio título para tal artimanha. Mas, nos últimos tempos, o PÚBLICO tem vindo a habituar-nos a estas "habilidades" publicitárias. Ora pinta a capa de azul (publicidade da TMN), ora faz de parte do título um "capacho" para a publicidade do BES. Como cada um sabe de si... Resta-nos subentender.

19.2.06

"MORANGOS COM AÇÚCAR" NO NOTÍCIAS MAGAZINE DE HOJE

A razão do texto prende-se com o recente casting para uma nova série dos Morangos com açúcar, a popular novela para jovens que passa há três anos na TVI. Aliás, o tema vem na capa da Notícias Magazine, que eu ampliei (texto de Ana Markl e fotografia de Adriana Freire).



Amanhã, a TVI faz anos (13 anos), com uma confortável liderança de mercado de audiências no prime-time (39% no share da semana passada, seguida pela SIC com 24,7%). E o programa Morangos com açúcar foi o sétimo mais visto da mesma semana.

Eu, confesso, não gosto da série, mas sigo com atenção o sucesso e procuro entender as razões (já aludi aqui ao programa, mais do que uma vez). E, da leitura do texto de Ana Markl, parece-me que ela também não gosta.

A primeira parte do texto é impressionista e dá para perceber o que as pessoas esperam do programa. Disse uma mãe das conversas que o filho teve com ela: "Ó mãe, se não me deixas ir estás a cortar-me as pernas para o meu futuro. Eu posso ir e ter futuro!". Outra mãe disse para o gravador da jornalista: "Houve crianças de oito anos com crises de hipotermia que tiveram de se ir embora, cheias de frio, todas roxinhas. Amanhã vou ligar para o programa do Manuel Luís Goucha e vou contar-lhe isto tudo".

O meu comentário, tipo moralista, para não ir mais longe: num país com uma situação complicada, com 500 mil desempregados, muitos deles jovens recém-licenciados mas cheios de ilusões e de vontade para fazer coisas, vale a pena ir fazer queixa num programa de televisão por algo tão insignificante? Se ao menos fosse para falar de novas actividades nas escolas ou contribuir para voluntariado, capazes de dignificar o ser humano. E não será um futuro enganador, como aquele do Mário do primeiro Big Brother, agora preso por roubos à mão armada? O futuro faz-se com trabalho e perseverança, ou com castings e reality-shows?

Na segunda parte do texto de Ana Markl, ela apoia-se num trabalho de uma psicóloga (Madalena Fontoura), para quem a série se traduz em superficialidade e lugares-comuns e reforça a banalidade e a pretensão de saber tudo. A referida intelectual precisa mesmo que o ideal seria proibir televisão às crianças e jovens, com os pais a assumirem firmeza nessa assunção. Eu não quero ser tão radical como a psicóloga e entendo que a jornalista devia ouvir uma posição diferente, no princípio do contraditório. É que se o programa tem sucesso (15% do auditório televisivo vê o programa), há razões para essa popularidade, acrescida da corrida ao casting, afinal o objecto de trabalho da jornalista.
UM POST-IT VERDE

Na passada segunda-feira, a primeira página do Público trazia, mesmo por cima do título do jornal, um post-it de cor verde com a indicação "Se não tem pais ricos nem ganhou a lotaria. Pág. 7". E, abrindo a página 7, via-se um anúncio do Banco Espírito Santo (BES), com um produto (Crédito Habitação), dentro da nova imagem de marca.




Curiosamente, nenhum dos blogues atentos às questões da publicidade nos media se manifestou nos seus espaços públicos. Certamente, até lhes escapou: se alguns deles acompanham a edição online com maior assiduidade, outros nem viram, dada a pequena dimensão, embora em lugar de visibilidade. Quanto aos leitores, presumo que nenhum tenha levantado qualquer dúvida, pois certamente o provedor do leitor responderia de imediato e a leitura da sua página na edição de hoje não traz qualquer reacção a esse tema.

Mas eu recebi um e-mail de um leitor, que me dizia o seguinte: "gostava realmente de saber a sua opinião sobre o autocolante colocado precisamente em cima do nome do jornal. Também não me foi possível saber se o referido autocolante foi colocado noutros jornais ou se «afectava» apenas o Público (ou se foi alguma brincadeira e apenas a minha cópia do Público foi alvo de publicidade)".

Na realidade, foi prática do Público do dia 13 a inserção desse post-it, coisa que não se verificou, por exemplo no Diário de Notícias. Trata-se de uma campanha de publicidade por parte do BES. Ora, olhando o que diz o Livro de Estilo do Público, "a publicidade é uma área autónoma e perfeitamente demarcada nas páginas do PÚBLICO, segundo critérios de prioridade e ocupação de espaço definidos pelas direcções editorial e comercial" (p. 172). Apesar da ressalva de inclusão de publicidade em rodapé, conforme o ponto 3 (p. 173 do Livro de estilo), o jornal deve, em meu entender, pedir desculpas aos seus leitores. Primeiro, porque o post-it verde não tem qualquer indicação de publicidade. Segundo, um autocolante por cima do nome do jornal não é um espaço de publicidade, mas uma área de identificação do próprio jornal, conforme se pode ver na imagem que tirei à parte superior da edição do Público de segunda-feira.
APAGAMENTO DE MENSAGENS

O blogueiro, ainda sem perceber o que se passa, viu serem apagadas pela Blogger, as mensagens que editou nos últimos dois dias. Não tendo ficado com cópias das referidas mensagens, vê-se impossibilitado de as reproduzir. Assim, vai ficar sem editar mais entradas até perceber o que está a acontecer (continuarei a escrever, nestes dias, aqui e aqui, embora com deficiências de design).

18.2.06

PUBLICIDADE DE HÁ MAIS DE CEM ANOS (II)

[conclusão da entrada colocada em
16 de Fevereiro]

Em finais de 1904, saltam à vista os anúncios de automóveis (Mercedes, Panhard, Richard-Brasier, Peugeot), garagens (Auto-Palace). Mas também são publicados em jornais como as Novidades anúncios do restaurante café Internacional (rua do Arco da Bandeira, 56 a 60), farinha láctea Nestlé, ateliê de moda Madame Brito, livro de Sousa Martins, pianos de Rönisch, escola Académica, Le Chic Parisien (praça D. Pedro, 121-122), livrarias Clássica Editora e Ferin, médicos & cirurgiões (mais de meia coluna), instituto Pasteur, raios X, médico de doenças de estomago, oficinas fotográficas, ascensores Monte Charges (de C. Mahony & Amaral), oficinas a vapor e fundição, fundição de ferro e bronze (antiga fábrica Bachelay), máquinas e ferramentas L. de Oliveira Belo & Cª, fábrica de moagens do Beato, camas de ferro (fábrica Portugal) e cofres à prova de fogo, perfumaria Dias (rua da Praça da Figueira, 39-40), charutos havanos (depósito na rua Nova do Almada, 18,1º), vinhos de Colares, joalheiro E.A. Canongia, salão Mozaert (rua Ivens, 52-54), Berlitz School (inglês, francês, alemão, italiano), companhia de seguros Previdência, companhia açucareira de Angola, salão Neuparth (que Valentim de Carvalho compraria anos depois) e armazém da Patriarcal.

















17.2.06

  • EXPOSIÇÃO "O PODER DA ARTE"

    Patente na Assembleia da República (Palácio de S. Bento, Lisboa), até 16 de Abril.

AINDA SOBRE O JORNAL ABERTO

João Paulo Meneses (JPM), do