Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

30.4.08

UM PEQUENO CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA RÁDIO


Li agora no sítio da Media Networking que Ian Fleming, o criador de James Bond, sugeriu a instalação de uma estação de rádio pirata no começo da II Guerra Mundial (1940), capaz de emitir como se fosse uma estação alemã. Esta ideia de subverter as tropas germânicas não foi adoptada de imediato, mas apenas em 1941, por um especialista e amigo de Fleming chamado Sefton Delmer (ver sítio http://www.seftondelmer.co.uk/) e um outro seguidor, Harold K. Robin.

Observação: esta informação decorre de uma exposição patente em Londres, no Imperial War Museum, até Março de 2009.

29.4.08

LAWRENCE GROSSBERG EM PORTUGAL


No próximo mês, estará na Universidade Católica Portuguesa o professor Lawrence Grossberg, um dos mais importantes pensadores dos cultural studies americanos (direi mesmo, o discípulo dilecto do professor James Carey, a quem entrevistou pouco antes deste falecer) (imagem retirada do sítio da University of North Carolina at Chapel Hill].

Grossberg falará no dia 9 de Maio (17:30-20:30) sobre Cultural Studies and the problem of Modernity (sessão aberta a todos os interessados). Já no dia 10 de Maio, com sessões de manhã e de tarde, para alunos de doutoramento daquela universidade, ele dedicar-se-á a falar de Cultural studies and the problem of economics e de Cultural studies and the problem of popular/culture.

Espero voltar a falar dele.

A AULA DE 7 DE MAIO


Indica a professora para a sua aula do próximo dia 7 de Maio:

Reflicta sobre a seguinte afirmação, relacionando-a com os pressupostos teóricos das indústrias culturais.
“Perguntarão: que têm a ver pastéis de nata com indústrias culturais? Nada. Porém, têm tudo a ver com as indústrias culturais.” Rogério Santos, Indústrias Culturais [ler]

O blogueiro cá de casa também vai falar em indústrias culturais nas suas aulas de Teorias da Comunicação, mas atrasou-se [devido a releituras de Stuart Hall via Paddy Scannel (2007), mais a ideia de refrescar o modelo ritual da comunicação de James Carey e as suas conversas com Lawrence Grossberg (2006), investigador que vai estar na Universidade Católica Portuguesa no próximo mês]. Mas a pergunta também a posso fazer aos meus alunos: "que têm a ver pastéis de nata com indústrias culturais? Nada. Porém, têm tudo a ver com as indústrias culturais". Rogério Santos [ler]

Cumprimentos à Paula Cordeiro.

OS CD JÁ MORRERAM?


Já referi aqui anteriormente o blogue de Andrew Dubber (New Music Strategies). Volto a fazê-lo hoje a propósito do post Os CD já morreram?

A dúvida dele é se estão mesmo mortos ou estão a lutar pela sobrevivência. É certo que as vendas de CD comerciais de música popular (urbana) nas lojas das principais avenidas das cidades estão em declínio acentuado. Mas há diferentes tipos de CD – uma hierarquia.

No topo, Dubber coloca as edições para coleccionadores, com caixas bem empacotadas e informação muito precisa arrumada em livrinhos (booklets, no original). Estas edições podem ser para o próprio comprador ou para oferecer à namorada(o) ou a um(a) amigo(a). Estas colecções estão a seguir a rota dos connoisseurs (no original da mensagem) dos discos de vinil. Os retalhistas sabem disto! E Andrew Dubber chama a atenção para uma
compilação excelente da música funk dos anos 1970, de Benim e do Togo.

É verdade que o mp3 quer pôr em causa os antecessores (vinil e CD), mas a existência de um grande catálogo desses antecessores pode revelar-se um trunfo inestimável. Talvez nos próximos 25 anos ainda se esteja a discutir sobre o desaparecimento ou não desses velhos materiais.

Dubber, num optimismo que lhe fica bem, acrescenta que o CD não está apenas a sobreviver mas experimenta o que parece ser um crescimento exponencial. Primeiro, porque se pode comprar CD sem informação ainda inscrita. Depois, porque se tornou fácil gravar um CD – e qualquer artista pode gravar sem passar por um estúdio sofisticado. E, em terceiro lugar, sítios como a
Amazon ou o mercado em segunda mão do
eBay mostram como funciona o mercado de CD.

COLÓQUIO SOBRE JORNALISMO EM OEIRAS


Os jornalistas Inês Serra Lopes, Sérgio Figueiredo e Paulo Rego participam na Tertúlia Oeiras à Conversa, amanhã, dia 30 de Abril, pelas 18:30, no "Pólvora Café" (Fábrica da Pólvora de Barcarena).

O tema é Somos todos jornalistas? - A Internet e os desafios do jornalismo no contexto regional e assinala o Dia da Imprensa Regional do concelho de Oeiras.

TEATRO NA ADEGA VIÚVA GOMES (ALMOÇAGEME)


Castelo de Cartas, amanhã, 30 de Abril, pelas 22:00, na Adega Viúva Gomes, em Almoçageme (ao lado dos Bombeiros).

Raquel acorda sobressaltada. Está amordaçada e amarrada a uma cama. Não reconhece o local onde se encontra, o quarto é escuro, o ambiente é fétido e carregado de terror. Para conhecer o resto da sinopse ver este vídeo.

Produção da REFLEXO - Associação Teatral e Cultural, com autoria e encenação de Michel Simeão, e Lavínia Roseiro e Marta Osiecka como intérpretes.

ESCULTURA E DESENHO DE RAMÓN DE SOTO NA CORDOARIA NACIONAL


Ramón de Soto expõe, a partir de amanhã, dia 30 de Abril, pelas 21:30, escultura e desenho na Cordoaria Nacional (Av. da Índia, Lisboa).

BOAS NOTÍCIAS: O AUMENTO DA CIRCULAÇÃO PAGA NOS JORNAIS DIÁRIOS


Nos dois primeiros meses de 2008, os diários generalistas apresentaram subidas na circulação paga em relação a período homólogo do ano passado (mais 12,1%), segundo a Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT) (via newsletter da Meios e Publicidade de hoje).

O Correio da Manhã tem uma média de circulação paga de 120.146 exemplares, o Jornal de Notícias 102.224, o Diário de Notícias 49.363 (mais 40,8%) e o Público 43.138.

28.4.08

MINGUANTE


Saiu agora um novo número da newsletter Minguante, revista de micronarrativas. Em próximo número da revista será publicada uma entrevista a Rui Costa, um dos responsáveis pela selecção e organização da Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa.

UM SÍTIO SOBRE MODA

Fashion-era é um sítio de história da moda, que pertence e tem sido desenhado, escrito e desenvolvido por Pauline Weston Thomas e Guy Thomas. Recomendo uma visita.

JORNALISMO EM CONSTRUÇÃO - UM LIVRO DE JOAQUIM FIDALGO


Saiu muito recentemente o livro de Joaquim Fidalgo, O jornalista em construção, da Porto Editora, e que é o primeiro resultado da sua tese de doutoramento.

Retiro da contracapa a seguinte informação:


Este livro procura analisar o percurso histórico feito pelos jornalistas, sobretudo entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, com vista à afirmação da sua actividade como uma autêntica profissão, socialmente reconhecida e juridicamente legitimada. Numa primeira parte, faz-se uma breve abordagem teórica da sociologia das profissões e dos diversos paradigmas que, ao longo das últimas décadas, foram sendo objecto de estudo e de debate. Na segunda parte, percorre-se o caminho, nem sempre linear, feito pelos jornalistas, em diversas latitudes e em diferentes contextos socioculturais, procurando definir e autonomizar o seu ofício por relação com outros ofícios da comunicação. A conclusão genérica sugere que este esforço de profissionalização dos jornalistas tem sido um processo difícil, contraditório, feito de avanços e recuos, de tensões e negociações permanentes, à medida de uma actividade cuja catalogação suscita ainda hoje algumas controvérsias.

Escrita muito cuidada e madura (já li cerca de um terço da obra), trata-se de um trabalho de uso científico sobre a exigência ética e deontológica, que certamente estudantes e profissionais do jornalismo vão adoptar.

Joaquim Fidalgo é docente na Universidade do Minho. Anteriormente, foi jornalista (Jornal de Notícias, Expresso e Público, pertencendo ao núcleo fundador deste diário e provedor do leitor). Dele já li Em nome do leitor (MinervaCoimbra).

IMPRENSA REGIONAL


Publicado na editora Livros Horizonte (colecção "Media e Jornalismo"), saíu o livro de Sofia Santos Imprensa regional. Temas, problemas e estratégias da informação local, resultado de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica há pouco mais de dois anos.

Escreve a autora no começo do livro: "Dentro de um quadro heterogéneo, complexo e vasto, a imprensa regional continua, não obstante o avanço tecnológico e cultural, a assumir um papel insubstituível que se traduz nas histórias que conta todos os dias".


Como se pode ler no livro, a imprensa regional tipo do distrito de Lisboa é constituída maioritariamente por jornais com tiragem de mil a mil e quinhentos exemplares e menos de dez trabalhadores a tempo inteiro por publicação. Da radiografia que a autora tirou dos jornais, o jornalista tipo é do género feminino, de 25 a 35 anos, possui licenciatura e carteira profissional, com salário raramente a chegar aos mil euros. Das secções mais presentes nas publicações analisadas, desporto, cultura, local e regional ocupam bastante espaço, o mesmo acontecendo com a publicidade e os classificados (do prefácio ao livro).

Parabéns à autora, esperando-se que comece a pensar no próximo passo académico.

PRIMAVERA MUSICAL EM CASTELO BRANCO

  • O Primavera Musical começou há 14 anos apresentando no seu programa 5 concertos e tendo como padrinho artístico o Quarteto Borodine. De uma certa forma, definia-se um território e um padrão. O território era o da primazia da música de câmara e o padrão era o da excelência. Mesmo com a mudança da direcção artística, ao fim de 3 anos, e com um claro alargamento do espectro de programação, mantivemo-nos fieis - pelo menos, procurámos fazê-lo – a estes dois elementos centrais da nossa visão.

    Quase a comemorarmos o 15º aniversário do Festival Internacional de Música de Castelo Branco, as nossas aspirações vão no sentido de proporcionar um programa aliciante e estimulante que cative ainda mais públicos, afirmando-se no plano nacional, mas conquistando o reconhecimento internacional.

    O programa que hoje apresentamos terá o seu início a 29 de Abril, sendo o último concerto no dia 5 de Junho, seguindo-se, já em Julho, um concerto extraordinário, uma antevisão do Primavera Musical 2009.

    Serão 14 concertos, 5 sessões de cinema, um ensaio aberto e uma Oficina de Construção de Instrumentos Musicais.


Para obter mais informações ver o sítio www.primaveramusical.org e o blogue www.primaveramusical.blogspot.com.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (8)


A pesquisa etnográfica desenvolveu-se tendo em atenção os benefícios da participação individual do investigador, que lida com problemas do estudo de culturas alienígenas. Desde há muito que o trabalho etnográfico se tornou uma das ferramentas essenciais da sociologia. Teóricos como Schutz e Cicourel foram referenciais na mudança de interesse dos métodos estatísticos quantitativos para modos qualitativos de questionar documentos, objectos e registos, assim como a observação directa e as entrevistas mais geralmente associadas com a etnografia. O interaccionismo simbólico possibilita a medição das transacções entre grupos separados, como as agências públicas e os seus clientes. O realce do interaccionismo simbólico permite o registo empírico da acção e interpretação social.

Um elemento fundamental na investigação dos cultural studies tem sido analisar e medir as relações complexas entre formas representacionais e ideológicas e a densidade ou “criatividade” das formas culturais “vivas”. Mas a corrente dos cultural studies, para além do interaccionismo simbólico, tem origens no weberianismo, na fenomenologia e na antropologia, visível no trabalho inicial de Phil Cohen (cultura da classe trabalhadora e cultura juvenil em East End), mas também nos trabalhos posteriores de Paul Willis (reprodução cultural, educação e processo laboral), Angela McRobbie (socialização do género, patriarcado e cultura juvenil), Dorothy Hobson (estruturas da experiência doméstica feminina e discursos mediáticos), Roger Grimshaw (estruturas da masculinidade, ideologia e família).

As formas etnográficas iniciais associaram-se com o trabalho das subculturas, casos de Phil Cohen e dos textos mais etnográficos de David Hebdige, P. Willis e P. Corrigan. Mais importante, o método foi sendo generalizado e tornou-se central na investigação. Em todos esses estudos tem sido possível estabelecer uma relação particular entre teoria e etnografia.

A presença mais forte dos interesses feministas no projecto etnográfico dos cultural studies daria voz a uma experiência pessoal de mulheres e raparigas estudadas na investigação.

Leitura: Roger Grimshaw, Dorothy Hobson e Paul Willis (1980/1996). "Introduction to ethnography at the Centre". In Stuart Hall, Dorothy Hobson, Andrew Lowe e Paul Willis (ed.) Culture, Media, Language. Londres e Nova Iorque: Routledge, pp. 73-77

27.4.08

O BLOGUEIRO É UMA ESPÉCIE DE COLECCIONADOR


Uma das facetas de um blogue é a de coleccionador.

Explico-me melhor: há o coleccionador de originais e o coleccionador que adquire reproduções ou cópias, por um menor desafogo financeiro. Este pode ter o gosto daquele mas não a sua carteira.

Os blogues são mais do segundo tipo, pois operam não de ideias originais mas frequentemente no que outros dizem, escrevem e comentam. Acho que se pode inferir que os blogues e a internet em que se insere reflectem esse gosto pela cultura popular e de massa e não a cultura de elite, de vanguarda ou experimental.

Em resumo, os blogues preferem seguir caminhos já trilhados, são mais conservadores que os outros media e indústrias culturais.

O PROVEDOR DO LEITOR DO PÚBLICO

  • Recomendação do provedor. Os textos de opinião do PÚBLICO deveriam passar, antes de publicados, por um crivo de verificação factual idêntico ao que é aplicado às matérias de natureza jornalística (Joaquim Vieira, coluna do "Provedor do Leitor" do Público de hoje).
Este parágrafo, o último inserido na sua coluna, diz respeito a um artigo assinado por António Barreto há duas semanas, no qual este comentava uma carta de Rosa Coutinho, alto-comissário de Angola na época de transição para a independência daquele país, carta que foi, entretanto, considerada apócrifa.

Que me lembre, é a primeira vez que um provedor do leitor intervém numa área considerada não jornalística - os colunistas não jornalistas não têm sido considerados na actividade do provedor. Igualmente corajosa é a posição que Joaquim Vieira vem tomando contra a publicidade que "embrulha" a primeira página (devo dizer que, da última vez em que a publicidade "embrulhou" a capa do jornal, eu quase não comprava o jornal pensando ser apenas publicidade a ele e não o próprio jornal).

Ponderado e objectivo, o provedor do leitor do Público está a fazer, quanto a mim, um bom papel. O jornal sai engrandecido - e os leitores também ganham.


Bizarra, por outro lado, a afirmação do director do jornal quando se refere a um antigo colaborador, "cujos erros eram, por vezes, grosseiros - e nem valia a pena tentar falar com ele". As perguntas que faço são: se o o ex-colunista cometia erros tremendos, porque não suspenderam logo a colaboração dele? Como o Público dispensou alguns colaboradores no ano passado, fica uma suspeita: ele era dessa leva ou desapareceu do jornal antes? Quem era?

ICMEDIA


Depois de amanhã, dia 29, vai ser apresentada, na Associação da Imprensa (Madrid, Espanha), a ICMEDIA – Iniciativas para a Qualidade dos Meios Audiovisuais, a nova imagem de marca da Federação Ibérica das Associações de Telespectadores e Radiouvintes (FIATYR, Federación Ibérica de Asociaciones de Consumidores y Usuarios de Medios de Comunicación Social).

A FIATYR é uma ONG constituída em 1991 e reúne cerca de duas dezenas de associações de consumidores dos media em Espanha e a
ACMedia em Portugal. A Federação Ibérica resultou do entendimento comum dos presidentes das associações de Espanha e de Portugal.

Na apresentação em Madrid, estarão presentes responsáveis das televisões que emitem em Espanha e das empresas de telecomunicações, académicos, jornalistas, representantes da sociedade civil e reguladores. Nuno von Amann de Campos representará a ACMedia.

A FIATYR tem como objectivos principais "criar nas famílias uma consciência critica que desenvolva as suas capacidades de selecção perante as ofertas audiovisuais; incluir no actual sistema de ensino projectos para instruir os jovens a um melhor uso dos media; proteger as crianças e os adolescentes do mau uso das novas tecnologias".

[obrigado a Fernando Paulino, "correspondente" do IC em Brasília, pela dica]

BLOGUE SOBRE ILUSTRAÇÕES DE REVISTAS


Assina-se Mariana, é de Lisboa, e tem um blogue chamado Ilustração Portuguesa, onde reproduz "revistas portuguesas antigas. Foram compradas em feiras de antiguidades, ou achadas". Entre elas, estão Fungagá da Bicharada, Gente, Ilustração, Ilustração Portugueza, Cinéfilo e Século Ilustrado, mas também internacionais como Fon Fon e Les Enfants. Além deste blogue, ela tem outros que vale a pena igualmente espreitar (copio uma imagem de Stuart Carvalhais, que ela colocou hoje no blogue).

PROJECTO VIDEOLAB


Com uma sessão intitulada DOCUMENTE Videolab, a decorrer no sábado dia 3 de Maio, o Projecto Videolab dá seguimento à parceria com a Livraria-Café Gato Vadio (Rua do Rosário, 281, Porto) [não tenho indicação do horário].

Dedicada ao documentário, o evento constará da exibição de um conjunto de 16 filmes e 2 instalações.


NEVE EM VIENA


26.4.08

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (7)


[o anterior texto da série foi escrito a 12 de Março]

Para John Hartley (Comunicação, Estudos Culturais e Media, 2004: 110), os cultural studies ingleses combinam estruturalismo, marxismo e feminismo em termos intelectuais e estudos literários, sociológicos e antropológicos quanto a domínio disciplinar. Continua Hartley: foram conduzidos diálogos com feministas (dada atenção a mulheres ignoradas nas subculturas), sociólogos (problemas de método e generalização), teóricos psicanalíticos (identidade e subjectividade), antropológicos (método etnográfico), escritores pós-coloniais (multiculturalismo), foucaultianos (debates sobre o poder), políticos (capacidade dos estudos culturais intervirem na formação de políticas) e activistas culturais (intervenção cultural).

Na sua monografia sobre o tema, Armand Mattelart e Érik Neveu (Introdução aos cultural studies, 2006: 35) chamam a atenção para as subculturas juvenis, objecto de muitas monografias desde 1970: bikers, hippies, mods, punks, rastas, rockers, ruddies, skinheads, teddy boys. No mínimo, são estilos de moda e de penteados; no máximo, são estilos de vida (e de expressão cultural, como no caso da música), muitos deles contemporâneos entre si, remetendo para diversas modalidades identitárias: continuidade, ruptura, revivalismo ou reinvenção.

Um dos autores mais significativos foi Dick Hebdige, que trabalhou as subculturas juvenis de Birmingham, relacionando subculturas e classes sociais no pós-II Guerra Mundial, através do diálogo entre a juventude negra (rasta) e branca, como os teddy, mods e punks (Subcultura. El significado del estilo, 1979/2002). Tendo como arquitectura teórica o pensamento de autores como Althusser, Gramsci, Barthes e Jean Genet, Hebdige vê a subcultura do ponto de vista simbólico dentro da cultura industrial tardia.

Veja-se o que ele pensa sobre o reggae e o movimento rasta (Hebdige, 2002: 49-62), inspirado na experiência específica dos negros da Jamaica e da Grã-Bretanha, que possuíam uma cultura oral local e uma apropriação da Bíblia, com elementos pentecostais, a posse da Palavra. O reggae dirige-se a uma comunidade em trânsito (movimento rastafari, o tema do regresso a África), reflexo inverso da sequência histórica das migrações – África-Jamaica-Grã-Bretanha. É a ideia de restituição à África deportada, ao continente em deriva. A África tornou-se um continente mental ilimitado no extremo oposto ao da escravatura. Os rastafaris acreditariam que a ida de Hailé Selassié para o trono da Etiópia em 1930 foi o cumprimento das profecias bíblicas e seculares sobre a iminente queda da Babilónia (as potências coloniais brancas) e a libertação das raças negras.


Em geral, a primeira geração de imigrantes das Antilhas tinha espaço cultural em comum com os vizinhos brancos da classe operária, o que eliminava possíveis antagonismos abertos. Mas as crianças negras nascidas e educadas na Grã-Bretanha sentiam-se menos inclinadas que os seus pais a aceitar o estatuto inferior e a estreiteza de opções. O reggae cristalizou-se noutra cultura, noutro conjunto de valores e suas definições.

Já o núcleo de estilo teddy boy encontrou-se nas novas cafetarias britânicas, sonhando com a América, um continente imaginário de westerns e gangsters, luxo, glamour e automóveis (Hebdige, 2002: 72-75). O desterro fantasioso do teddy boy era-o porque estava excluído e afastado da classe trabalhadora respeitável, condenado praticamente a uma vida de trabalho não qualificado. Os teds viram-se envolvidos em ataques injustificados contra a segunda geração de negros das Antilhas e protagonizaram distúrbios nas ruas inglesas em 1958.


Por seu lado, a relação com os beatniks não foi pacífica. Se o beatnik cresceu numa cultura instruida, interessando-se pela vanguarda (pintura abstracta, poesia, existencialismo francês) e adoptando um ar cosmopolita de tolerência boémia, o ted era proletário e algo xenófobo. Conquanto existisse alguma proximidade, os mods distinguiam-se dos beatniks. No princípio dos anos 1960, os mods foram os primeiros numa larga lista de culturas juvenis que cresceram perto dos jovens das Antilhas (Hebdige, 2002: 76-77). O mod era o típico dandi da classe baixa, obcecado pelos mais pequenos detalhes de vestuário. Ao contrário dos teddy boys, que se faziam notar pela insolência, os mods eram de aspecto mais subtil e contido: usavam roupas aparentemente conservadora e de cores respeitáveis. Usavam cabelo curto e limpo, com a ajuda de laca, ao contrário da brilhantina dos rockers viris.

Dois outros grupos, mais radicais são identificados no mesmo estudo de Hebdige( 2002: 80-93): skinhead e punk. Os skinheads surgiram em finais dos anos 1960, proletários mas igualmente puritanos e chauvinistas, vestindo com um visual de delinquente – cabeça rapada, roupa negra, cintos, correias -, enquanto o punk se tornava o porta-voz dos jovens brancos do lumpen- proletariado, usando roupa suja e indecorosas blusas transparentes e correntes e com uma linguagem agreste. A retórica do punk, a sua fixação com a classe e a distinção, pareciam desenhadas para debilitar o intelectualismo da geração anterior dos músicos de rock. A identidade étnica branca centrava-se, em modo iconoclasta, nas concepções tradicionais do britânico (a Rainha, a bandeira nacional, como a banda Sex Pistols em God save the Queen). Mas havia uma diferença – o reggae pretendia uma inalcançável e imaginária África, os punks viviam ligados a uma Grã-Bretanha sem expectativas de futuro.

Claro que Hebdige subestimaria o peso da cultura comercial na apropriação. O punk, para além da origem proletária, como diz esse autor, foi uma mistura de estratégia cultural vanguardista, marketing e transgressão da classe trabalhadora perante a restrição de consumo sentida pelos jovens, denotando a ideia de grupos de produtores de significados e de fãs (fanáticos).


Mais tarde, quando os cultural studies se transferiram para outros espaços geográficos e académicos, como a Open University de Londres, novas subculturas e estilos de vida e de música eram estudadas. Por exemplo, Keith Negus abordaria o rap ou hip-hop, os bens culturais ou simbólicos por estes produzidos e as estruturas organizacionais onde eles eram produzidos, numa lógica de produção e consumo associado ao lazer (ver David Hesmondhalgh, Media organisations and media texts: production, autonomy and power, 2006: 73).

25.4.08

POLÍTICAS PARA A CULTURA E CRIATIVIDADE DA CIDADE E REGIÃO DE AVEIRO EM COLÓQUIO


Vai realizar-se, no próximo dia 29, pelas 21:15, no Café/Bar do Teatro Aveirense (Aveiro), o colóquio Os desafios de uma nova política para a cultura e criatividade da cidade/região de Aveiro - Valorizar as oportunidades do QREN 2007/13. O colóquio, que se integra no âmbito do projecto Cidades Criativas, contará como principais oradores Carlos Martins, coordenador do Estudo Estratégico sobre as Indústrias Criativas da Área Metropolitana do Porto, e Susana Sardo, docente do Departamento de Comunicação e Arte da UA.

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (3)


[continuação do texto dos dias 6 e 9]

Dois equipamentos que mudaram muito a vida das pessoas foram a caixa multibanco e a via verde, aquela para levantar dinheiro de um banco, esta para pagar electronicamente a passagem na autoestrada, sem parar o automóvel. São tecnologias desenvolvidas a primeira há cerca de vinte anos, a segunda perto de dez anos atrás.

A caixa multibanco (ATM) reduz as idas ao banco, do mesmo modo que o pagamento de serviços pela internet evita as filas junto ao balcão. Os profissionais bancários foram reduzidos em número e a relação de confiança que se depositava nos que nos atendiam no balcão desapareceu. Nesse sentido, houve uma desumanização, ou uma maior maquinização, do mesmo modo que o atendimento da telefonista. O dinheiro passou a ser virtual, com as notas a serem substituídas por transacções electrónicas nas caixas ATM também nas lojas, nos supermercados e em qualquer espaço comercial e de serviços.

A caderneta de cheques – e o próprio cheque – perderam terreno, do mesmo modo que a necessidade de apor a assinatura nesses bocados de papel. Agora digita-se um código. As instalações bancárias reduziram de dimensão e de número de balcões após uma concentração banqueira durante a década passada. As sequelas disso ainda se vêem em alguns locais em Lisboa e Porto, pois os espaços não foram reaproveitados, como nos anos de 1960 ou 1970, quando cafés tradicionais deram lugar a filiais de bancos.

Trata-se de tecnologias muito sensíveis, pois mexem com dinheiro. Do mesmo modo que olhamos com alguma desconfiança o pagamento de chamadas telefónicas, embora não haja o eco de queixas como até à década de 1980, reflectimos sempre quando levantamos dinheiro ou pagamos na via verde. A pergunta é: e se a máquina falha.


Já fiz centenas de operações com as caixas multibanco; houve duas falhas, a primeira logo no início do serviço, quando a máquina “engoliu” o cartão, a segunda no final do ano passado quando me deu menos 40 euros do que o solicitado (o banco onde levantei não aceitou a reclamação e o meu banco devolveu o dinheiro, acreditando em mim, mas retirando-o depois, com uma comissão de serviço, ficando ainda a perder mais dinheiro, deixando de acreditar em mim).

A via verde é, dizem os entendidos, uma invenção (ou pelo menos uma adaptação inicial) portuguesa, do mesmo modo que o cartão pré-pago dos telefones celulares. Facilita a entrada e saída na autoestrada, sem espera junto ao portageiro. Há condutores que abrandam nestas passagens mas outros gostam de testar a eficácia do equipamento passando a velocidades quase idênticas como as que praticam na autoestrada.


O processo é simples: basta colocar um pequeno aparelho junto do vidro da frente do automóvel que, quando passa numa dessas passagens, funciona como emissor-receptor. Funcionando a bateria, precisa de ser substituido de vez em quando.

[continua]

24.4.08

CINEMA-TEATRO JOAQUIM D'ALMEIDA (MONTIJO)


Na oferta do Cinema-Teatro Joaquim d'Almeida, no Montijo, para Maio, destaco três espectáculos, o primeiro dos quais (I)mortal, de Bruno Schiappa (dia 3, pelas 21:30). Trata-se de um cabaret concerto em que "se traça um retrato do Homem ocidental e do que permanece ao longo dos tempos através da música e da poesia teatralizadas". Voz e textos de Bruno Schiappa e piano e música original de Pedro Fontaínhas.

Depois, a 17 de Maio (22:00), actuam os The Gift, com canções mais antigas e mais recentes, enquanto no dia 18 (16:00), para público mais pequeno, se apresenta A Fuga de Wang-Fô, baseado num conto oriental de Marguerite Yourcenar. O velho pintor Wang-fô e o seu discípulo Ling erravam pelo Reino dos Han: o "pintor era
conhecido por ter o poder de dar vida às suas pinturas por um derradeiro toque de cor. Um dia são procurados por soldados, algemados e levados ao palácio imperial".

CONFERÊNCIAS SOBRE COMUNICAÇÃO E SOCIEDADE EM COIMBRA


Para ver melhor, clicar sobre a imagem.

EXPOCARREIRAS'08


Na Universidade Católica, a 5 de Maio, com seminários, conferências e workshops de empresas e sobre a oferta de cursos naquela instituição.

FOTOGRAFIA DE PEDRO AZEVEDO


Na Rua da Vinha, 43A, Lisboa, a partir de hoje. Mais informações em http://www.kameraphoto.com/.

INÊS GONÇALVES NA P4PHOTOGRAPH GALERY


Na Rua dos Navegantes, 16, Lisboa, de 10 de Maio a 28 de Junho.

23.4.08

CELEBRIDADES


Para Jessica Evans (2005), o interesse nas celebridades enquanto tema dos media leva a perguntar: 1) se uma pessoa se torna celebridade devido a um talento especial, 2) se sempre houve celebridades, 3) em que medida uma celebridade é um fenómeno mediático, 4) porque promovem os media as celebridades, 5) quanto custa produzir celebridades, 6) que valores e atitudes sociais se associam às celebridades, 7) que razões levam as celebridades a atrair audiências.

No mito do estrelato e da celebridade estão em causa o carisma e a fama, continua Evans. É que os indivíduos não se tornam celebridades como resultado de algo inato ou de qualidades magnéticas, mas a celebridade é um recurso criado e desenvolvido num conjunto de media relacionados (imprensa, cinema e programas de televisão), aos quais as audiências respondem de modo diversificado. Além disso, as celebridades são, por definição, poucas mas conhecidas por muitos. O que significa que, para quem quer atingir a fama ou tornar-se uma celebridade, há que fazer uma construção e transmissão activa de uma imagem ou pessoa que a represente.

Há três principais razões para o tema da celebridade, de acordo com Jessica Evans. A primeira é que celebridade e media são constitutivas mutuamente. O estudo das celebridades leva directamente à análise dos media e, em particular, indica que os media investem recursos elevados na promoção e cobertura da celebridade. Uma celebridade torna-se uma força poderosa nos media ligada à audiência, pois as celebridades adquirem estatuto devido aos espectadores, ouvintes e leitores.

A segunda razão é que as imagens e representações mediáticas dos famosos, estrelas e celebridades são veículos para a criação de significados sociais. Uma celebridade transporta consigo, directa ou indirectamente, valores sociais particulares, tais como o significado do trabalho e acompanhamento e definições de identidade sexual e de género.

Em terceiro lugar, desde os anos 1990, a celebridade tornou-se objecto de intenso interesse nos media. É o foco nos acontecimentos e na promoção, mas igualmente nas notícias e na cobertura de assuntos variados. Nos anos mais recentes, a análise crítica da celebridade tem-se focado nos meios de comunicação e como condicionam a condução da vida pública. O historiador cultural Daniel Boorstin (1961) usou a expressão cultura da celebridade para falar das imagens dentro das mensagens. A revolução gráfica do século XX – imprensa a vapor, reprodução fotográfica de meios tons, filme e televisão, levando à reprodução alargada de imagens – trouxe o crescimento daquilo a que Boorstin chamou pseudo-acontecimento, expressão que quis significar que um evento se faz para ser disseminado pelos media, mas também aquele que é anunciado antes de acontecer. A celebridade, na perspectiva de Boorstin, é a figura mais precisa do pseudo-evento mediático.


Leitura: Jessica Evans (2005). "Introduction". In Jessica Evans e David Hesmondhalgh (ed.) Understanding media: inside celebrity. Milton Keynes: Open University Press

22.4.08

LADYBUG


O local de Maria João Seguro, com o nome de Ladybug, tem uma montra dos seus trabalhos: colares, feltros, brincos, pregadeiras e pulseiras.

Sítio iniciado no passado dia 17, ela já tem uma bonita colecção que aconselho a espreitar (e encomendar).

PODEM SOBREVIVER AS LOJAS DE DISCOS?


O post que Andrew Dubber colocou hoje no blogue New Music Strategies mereceu muito interesse da minha parte.

Dubber distingue dois tipos de pessoas, a dos retalhistas (comerciantes) e a dos clientes, que gostam das lojas de discos. O problema e a solução para o problema reside nos dois tipos de pessoas. Os retalhistas querem continuar a existir, e os clientes querem que eles sobrevivam.
O retalhista – ou o vendedor – precisa de saber as novidades e adaptar esse conhecimento à procura do cliente. Os clientes, em especial aqueles que procuram informação de discos saídos, obtêm respostas adequadas apenas em especialistas que os esperam do lado de lá do balcão.

Há um gosto informado, escreve Dubber, que apenas se encontra nesses sítios (e não no grande armazém ou na internet tipo Amazon ou iTunes). Há que filtrar (saber filtrar) dentro de uma oferta de seis milhões de canções. Os que gostam de música – o pão com manteiga desses retalhistas independentes, como continua Dubber – precisam de entusiastas, de líderes de opinião que o ambiente online não dá.

Claro que a tecnologia ajuda, como Andrew Dubber indica na segunda parte do seu post – e que eu aconselho a que leiam na totalidade (ver em
New Music Strategies).

FOTOGRAFIA DE JOÃO FAZENDA


Na Reitoria da Universidade de Lisboa inaugura amanhã a exposição de fotografia de João Fazenda, Algarve – da luz e da obscuridade (pode ser visitada até ao dia 23 de Maio).


A exposição "mostra um Algarve com características próprias de uma terra do sul, banhada por uma luz solar intensa e quente, nas horas zenitais, doce e aconchegante nas horas crepusculares".


João Fazenda vive em Lisboa e trabalha na Amadora, licenciado em Direito e com formação em Fotografia (curso de Fotografia e Cinema dos Serviços Cartográficos do Exército). Deu formação em Fotografia: clubes juvenis e residências universitárias (1971/72), Instituto Português de Fotografia (1972/73), Polícia Judiciária (1978), Serviços Cartográficos do Exército (1975) e Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (1993/94). Actividade associativa: membro da direcção do Foto-Clube 6x6, depois Associação Portuguesa de Arte Fotográfica — APAF (1971 a 1973).

VI O DIOGO INFANTE NA MINHA RUA


Sei que o Diogo Infante está no Porto (e a Eunice Muñoz também). A peça interpretada por ambos estreou sexta-feira no Porto (teatro São João).

Mas eu vi há minutos o actor, vestido com uma bata da farmácia da minha rua. Quando passei por ele, o seu olhar acompanhou-me. Não percebi se ele estava a fazer campanha pelos não fumadores, pois no seu sorriso havia um sinal que não descodifiquei.


Não sei se é legal aproveitar, deste modo, a imagem de uma figura pública para publicitar uma farmácia. Mas que é curioso, isso é!

LIÇÃO DE FRANCÊS - 6


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ÍNTIMA FRACÇÃO - PROGRAMA DE FRANCISCO AMARAL":

« Un roi sans divertissement »*
Jusque là, l’éditeur avait tout de son côté pour s’en sortir et il l’a fait merveilleusement en jouant sur le registre de l’humour. Mais voilà que le jeu se complique : une partie qui au départ se jouait à deux doit intégrer un troisième qui apparemment veut participer.
J’attends pleine de curiosité, car moi je ne vois pas la suite…Pourtant je fais confiance au meneur du jeu.
Qui a dit cela : un roi sans divertissement est un homme plein de misères ?*
Jean Giono
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Publicada por Anónimo em INDÚSTRIAS CULTURAIS a 4/11/2008 04:38:00 PM

O meu agradecimento à colaboração de MGF, agora cessada.

FUNDAÇÃO PARA ESTUDOS DE OPINIÃO


O fundador e actual presidente do Grupo Marktest, Luís Queirós, e esposa Paula Queirós tomaram a decisão conjunta de doar um milhão de euros para a criação de uma fundação particular de direito privado, sem fins lucrativos, a Fundação VOX POPULI.

Os fins estatutários da Fundação "visam a prossecução e difusão das boas práticas aplicáveis à exegese dos estudos de opinião, ao desenvolvimento de investigação científica, académica e de cidadania, vocacionado para o estudo das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo, na perspectiva de incentivar e promover a defesa da sustentabilidade e do progresso social e ambiental".

Segundo a informação veiculada pela própria Fundação VOX POPULI, esta integrará nos seus órgãos sociais "personalidades reconhecidas pelo trabalho desenvolvido em várias áreas de actividade, mormente, na área da pesquisa de opinião, entre as quais os administradores executivos do Grupo Marktest, que com a sua participação irão colaborar para o crescimento e sucesso deste novo projecto".


Luís Queirós dedicou o seu percurso profissional aos estudos de mercado e à pesquisa de opinião, iniciado como principal responsável pelo departamento de estudos de mercado de uma empresa multinacional. Em 1980, avançou para a fundação da empresa Marktest, hoje empresa-mãe de um grupo que emprega 300 colaboradores e desenvolve negócios em vinte países. Representou a ESOMAR (1988-1994) e participou na criação da Associação Portuguesa de Estudos de Mercado e Opinião (APODEMO), fundada em 1993, de que foi primeiro presidente da Direcção.

CICLO DE CINEMA NA UCP - QUESTÕES DO NOSSO TEMPO


A próxima sessão, no dia 28, inclui o filme Terra de Ninguém. Na Universidade Católica, às 13:30, no auditório A1.

21.4.08

SEMINÁRIO SOBRE REDE APLICADA AOS TEATROS


No próximo dia 29, pelas 18:30, na Universidade Católica Portuguesa, Carla Luís Duarte vai apresentar em seminário o trabalho A lógica do funcionamento em rede aplicada aos Teatros: Rede Nacional de Teatro ou Redes Nacionais de Teatros?

Tendo como base a sua dissertação de mestrado naquela universidade, a autora aborda o recente funcionamento em rede dos teatros enquanto processo emergente de um novo enquadramento sócio-cultural, com especial incidência no seu impacto ao nível da descentralização da cultura, reabilitação urbana, promoção da criação artística e crescimento sustentado de uma procura cultural esclarecida.

INDIELISBOA'08


O 5º Festival Internacional de Cinema Independente (INDIELISBOA'08) vai decorrer de 24 de Abril a 4 de Maio nos cinemas Londres e São Jorge, no Fórum Lisboa e no Teatro Maria Matos.

Para saber mais informações, procurar em
www.indielisboa.com.

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR


O Museu da Presidência da República vai comemorar o Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor (23 de Abril), através duma parceria com a FNAC-Colombo.

Foi definido um programa que irá decorrer durante todo o dia, com venda de publicações editadas pelo Museu e ateliers sobre o livro e a leitura entre as 10:00 e as 21:30 no Fórum FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Pelas 18:00, irá decorrer uma mesa-redonda sobre o livro, com a participação de Lourença Baldaque (Museu da Presidência da República), do escritor José Luís Peixoto, do editor Mário Sena (editora Guerra e Paz) e do presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e editor da Âncora, António Baptista Lopes.

MICHAEL SCHUDSON EM LISBOA


Michael Schudson foi, para uma assistente ao seminário dado por ele na semana passada, a (sua) bibliografia ao vivo. Leitora profícua dos trabalhos de Schudson, ela seguiu atentamente o que o sociólogo dizia, no seu tom sereno e lento, muito contido, transparecendo pouco as suas emoções.

Que me ficou dele? Foi a primeira vez que veio a Portugal, a avenida da Liberdade lembrou-lhe Paris (Champs Elysées), gostou de andar a pé pela baixa lisboeta, viu o castelo de S. Jorge e o museu do Chiado, andou de metro e deu entrevistas (ao Público e à SIC sei que deu). Proferiu uma conferência na FLAD (Fundação Luso-Americana) e deu nove horas de seminário de Sociologia do Jornalismo a alunos de doutoramento e mestrado da UCP.


Antes de o conhecer, o perfil que eu tinha dele era o de historiador e sociólogo do jornalismo, em especial a imprensa. Mas rapidamente percebi outras características na sua investigação: cidadania, participação cívica, democracia, jornalismo. Retive logo o seu amplo conhecimento pela história americana, pelos pais fundadores e como a democracia americana é peculiar: eleições com churrascos, festas, procissões. Se o ponto forte de Schudson é o conhecimento da América, a sua fragilidade é a de conhecer menos bem a realidade europeia (em que Portugal se dilui, claro).

A sua investigação incide na imprensa, como escrevi acima, mas refere com frequência a televisão. Se dá menos espaço à internet, considera a importância de haver quem seleccione a vasta informação nela disponibilizada, à imagem da abertura do seu livro The power of news: os jornalistas continuarão a ser precisos para seleccionar e interpretar alguns dos acontecimentos, organização fundamental quando há milhares de ocorrências e não existe tempo de atenção para todos.

Fixei também o método de ensinar. Faz uma pequena introdução, aponta os textos a discutir, escreve tópicos no quadro e vai procurando envolver os alunos. Às perguntas respondeu lentamente: enquadrava a questão, dava um apontamento, argumentava. Do que disse percebiam-se os seus livros: Discovering the news, The power of news, The good citizen. Falou menos dos assuntos do livro The sociology of news, embora destacasse o papel das fontes de informação. Traçou sete pontos em que o jornalismo pode ajudar a democracia (mobilização, informação, investigação, explicação, empatia social, fórum público, ensino da democracia), desenhou um esquema de profissionalismo (o vídeo, de cerca de 11 minutos, foi retirado da sessão de 16 de Abril).




Mal chegou a Portugal, quis conhecer o perfil dos estudantes do seminário, que jornais nacionais e locais havia e como era a televisão (ficou mais interessado quando soube que shows de informação americanos passam nos canais de cabo portugueses). No seminário falou frequentemente do New York Times e do Los Angeles Times e dos media da sua cidade californiana San Diego e das eleições quer no seu estado quer das presidenciais deste ano.

Agora que vou reler Schudson, vou fazê-lo lembrando-me da sua voz e do modo de explicar os temas. Aprendi muito.

20.4.08

SEMINÁRIO SOBRE CENSURA, DITADURA E DEMOCRACIA EM MAIO

O seminário Luso-Brasileiro Censura, Ditadura e Democracia, organizado pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e Fundação Mário Soares (FMS), vai decorrer nos próximos dias 8 e 9 de Maio, nas instalações desta última instituição.

Programa

8 de Maio (5.ª feira)
10:00 - Abertura, com Luís Miguel Cintra (Teatro Cornucópia)
10:45 - Censura e Burocracia de Estado (Moderadora: Ana Cabrera, CIMJ), com Fernando Rosas (IHC – FCSH/UNL), Cristina Costa (ECA/USP), Alfredo Caldeira (FMS) e Maria Luísa Tucci Carneiro (FFLCH/USP)
15:00 - Censura e Liberdade de Expressão (Moderadora: Cristina Costa, ECA/USP), com Ana Cabrera (CIMJ), Caco Barcelos (Jornalista), Fialho Gomes (CIMJ) e Beatriz Kushner (Arq. Geral Rio de Janeiro)
18:00 - Lançamento Actas do Seminário Internacional A Censura em Cena - Teatro, Comunicação e Censura (São Paulo: FAPESP, Terceira Margem, 2008)
Lançamento de número especial da revista Media & Jornalismo (CIMJ) (Apresentação: Mário Mesquita)
21:30 - Espectáculo teatral

9 de Maio (6.ª feira)
10:00 - Censura e Produção Artística (Moderadora: Roseli Figaro Paulino, ECA/USP), com Graça dos Santos (Univ. de Paris X - Nanterre), César Vieira (Autor, Director e Advogado), Luiz Francisco Rebello (Autor e Advogado) e Mayra Rodrigues Gomes (ECA/USP)
15:00 - Censura e Resistência (Moderador: Alfredo Caldeira, FMS), com Vicente Jorge Silva (Jornalista), Roseli Figaro Paulino (ECA/USP), Fernando Lopes (Realizador) e Celso Frateschi (Actor e Professor EAD/USP)
17:30 - Censura ao Teatro, com Ángel Berenguer Castellary (Univ. de Alcalá)
21:00 - Censura e Democracia (Moderadora: Diana Andringa, Jornalista), com José Pacheco Pereira (Investigador/ISCTE), António José Teixeira (Jornalista/SIC) e Renata Pallottini (Poetisa e Dramaturga)
Encerramento, com José António Pinto Ribeiro (Ministro da Cultura) e Mário Soares



[para saber mais, procurar aqui]

SEMINÁRIOS SOBRE LITERATURA, CINEMA E ARTE NA UNIVERSIDADE DO ALGARVE


O Grupo de Trabalho de Estudos Fílmicos da SOPCOM convida todos os interessados a participarem em dois seminários a ter lugar na próxima semana na Universidade do Algarve (dia 23).

Os dois cursos serão ministrados por Bernadette Lyra, professora titular da Universidade Anhembi-Morumbi, São Paulo.

Bernadette Lyra é escritora, ex-Secretária de Estado da Cultura e actualmente coordena o mestrado em comunicação daquela universidade, onde exerce ainda a função de directora de Pesquisa e Pós-Graduação. Tem desenvolvido um amplo trabalho na área da imagem e da sua intertextualidade com a literatura.

O PODER DA IMPRENSA: AGENDA-SETTING NO CONTEXTO DAS LEGISLATIVAS DE 2005


Foi com este título que José Santana Pereira apresentou, na passada quinta-feira dia 17, a sua dissertação de Mestrado em Política Comparada no Instituto de Ciências Sociais (Lisboa), concluída com a nota de Muito Bom por unanimidade. O objectivo era contribuir para a compreensão da influência dos media nos comportamentos e atitudes políticas em Portugal, em termos de agenda-setting (agendamento).

O contexto da investigação eram as eleições de 2005 (Primeiro-ministro em funções há quatro meses; não era líder do partido vencedor nas eleições anteriores; dissolução da AR; novas lideranças no PS e no PCP; boatos; vitória do PS com maioria absoluta). O medium analisado foi a imprensa (suporte escrito que pode ter maior efeito persuasivo e existência de dados sobre conteúdo da imprensa, ao invés da televisão, dada a ausência de dados para a mesma análise). Os elementos empíricos resultaram do Projecto Comportamento Eleitoral (ICS), com conteúdo de 1700 notícias publicadas entre 6 e 20 de Fevereiro de 2005 nos jornais ou revistas - 24 Horas, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Público, Expresso e Visão), categorizadas em 51 temas. O investigador usou ainda um inquérito pós-eleitoral com amostra representativa da população portuguesa continental (2801 indívíduos) para obter percepções e atitudes individuais.

A hipótese principal usada por José Santana Pereira foi saber se "a importância conferida aos temas de actualidade variará em função da saliência que estes temas conheceram na imprensa (Agenda Setting)".


Como conclusões, "existem indícios de que a saliência que os temas de actualidade conheceram na imprensa influenciou em alguma medida a opinião sobre a sua importância", embora "na análise agregada, as correlações são baixas , e os efeitos são influenciados por uma série de factores contextuais; Na análise individual, os efeitos são confusos e quase negligenciáveis, e as percentagens de variância explicada muito reduzidas; Confirma-se o facto de que a agenda setting é captada de forma mais forte pela análise agregada, sendo que os efeitos tendem a diluir-se na análise individual (Erbring et al, 1980; Roessler, 1999)".

Depois, quanto aos efeitos de moderação, "A análise agregada demonstrou que, na maioria dos casos estudados, o grau de envolvimento dos temas, os hábitos de discussão interpessoal, o conhecimento político e a escolaridade afectam a ocorrência de influência pelos media; No entanto, no caso do Correio da Manhã, os leitores são influenciados independentemente das suas características individuais; Visão e 24 Horas demonstraram não ter influenciado a agenda dos seus leitores no período em análise: Visão, sendo uma revista de informação genérica de peridiocidade semanal, pode ser considerada como fonte menos importante de informação; Tom do 24 Horas (humor e sarcasmo) pode fazer com que este não seja considerado uma fonte credível para informação, mas apenas um veículo para fugir das preocupações quotidianas (Hill, 1985)". Já na "análise individual, os efeitos são muito pouco expressivos".

PINTURA DE ALICE VALENTE NA COVILHÃ

Organizado pelo Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior e o Sexto- Empírico - Núcleo de Filosofia da UBI, inaugura no dia 30 de Abril, pelas 18:30, na Galeria de Exposições do Museu de Lanifícios da UBI, Real Fábrica de Panos, Rua Marquês D’Ávila e Bolama (Covilhã), a exposição de pintura de nove obras em díptico do «traço:verde-oliva», a 7ª cor das nove cores do projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente.

O RAPAZ DO ACORDEÃO


Vi-o tocar de um modo invulgar, experimental, arrancando sonoridades que jamais ouvira.

Estou a falar de Will Holhouser e o seu trio (composto ainda por Ron Horton, no trompete, e David Philips, no contrabaixo), acompanhado por "a very special guest" Bernardo Sassetti, com este a suscitar aplausos, gritos e assobios dos fãs mais fortes do pianista (parece-me que a fatia da audiência feminina vibrou mais, naturalmente). Pequenas peças, de improviso, de ritmos melódicos ora compreensíveis ora de grande experimentalidade, encheram o grande auditório do CCB nos Dias da Música.

A minha memória do acordeão levava-me a considerá-lo uma antiga tecnologia já completamente em desuso. Como outras tecnologias, como a que serviu de encontro de velhos colegas ontem, que recordaram uma situação profissional desaparecida mas onde persiste uma relação pessoal para além da morte da tecnologia. É a história viva, como alguém disse. A esmagadora desses indivíduos já não está profissionalmente activo. Não escrevem as suas memórias, vivem de coisas antigas, repetem os mesmos tiques ou referem a tecnologia como interessante, têm um conhecimento ténue das novas tecnologias e da gestão a elas associada. As tecnologias digitais arrumaram para o canto do museu as anteriores da geração electromecânica (como ocorrera na televisão com o sistema electrónico a eliminar a tecnologia mecânica de Baird). Posso estimar em dez anos a completa subsituição tecnológica, que aconteceu de igual modo em todo o mundo ocidental. Portugal terá sido até local de experiências de tecnologias digitais (alemã e americana), pois um pequeno mercado permite efectuar adaptações e resolver problemas que seriam mais sensíveis num país de maior dimensão.

Um dia, o conhecimento daquela tecnologia vai desaparecer. Pena que não fique registada como a dos músicos do CCB e o espaço museológico é escasso e mal tratado e compreendido.

Aqui, cabe espaço a uma reflexão: os músicos, como outros artistas, empregam materiais e equipamentos insensíveis à novidade ou não das tecnologias. A criação e a inventividade são variáveis independentes dos suportes, pois estes permitem experimentalidades nunca antes tentadas, como o caso do acordeão de Holhouser.



O dia para recordar a memória da tecnologia também não estava agradável. Chovia torrencialmente. A cidade apareceu ainda mais deprimida do que está - os edifícios velhos estão abandonados, os empregos de outrora desapareceram e tornaram a área mais vazia e inóspita. Até chovia no interior do hotel, espaço que tinha um grande glamour quando eu era adolescente (falava-se em festas e de clientes importantes). Os sítios também se ressentem da decadência humana.



[imagens do Porto, baixa da cidade]

18.4.08

8ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS MEDIA EM 19 E 20 DE MAIO DE 2008


Nos dias 19 e 20 de Maio, vai realizar-se a 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media na Universidade Católica Portuguesa, uma organização do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC) daquela universidade, o Journal of Media Economics e a revista Media XXI.


17.4.08

SUMMER INSTITUTE EM MEDIA DIGITAL DO PROGRAMA UT AUSTIN/PORTUGAL


O Primeiro Summer Institute em Media Digital (Programa UT Austin/Portugal, CoLab), a decorrer entre 26 de Maio e 28 de Junho, será composto por seis workshops intensivos, com duração de uma a duas semanas, palestras públicas e um ciclo de cinema, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa.

Professores da Universidade do Texas, em Austin, orientarão todas as actividades. A sessão de abertura ocorrerá em 2 de Junho, às 18:00, no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, Lisboa).

A participação nos workshops é feita através de candidatura para o email
utaustinportugal@fct.mctes.pt.

16.4.08

SOBRE A AULA DE AMANHÃ DE MICHAEL SCHUDSON


CERCA - O ÁLBUM ILUSTRADO DE NATALIA COLOMBO



A argentina Natalia Colombo ganha o I Prémio Internacional Compostela com o álbum intitulado Cerca.

O I Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados foi organizado pelo Departamento de Educação do Concelho de Santiago de Compostela e pela editora Kalandraka. O galardão tem um valor pecuniário de 12 mil euros, sendo o livro publicado no final de 2008 pela Kalandraka nas cinco línguas peninsulares. O júri avaliou 335 trabalhos provenientes de inúmeros países. Houve menções honrosas para os trabalhos dos portugueses José António Gomes e Gémeo Luís, e Isabel Minhós Martins e Yara Kono.

Informações suplementares: comunicacion@kalandraka.com
.

VIENA


15.4.08

SEIS OU SETE COISAS QUE O JORNALISMO PODE FAZER PELA DEMOCRACIA


Michael Schudson, hoje ao fim da tarde, na Universidade Católica Portuguesa.


[Fiz alguns pequenos vídeos mas falta montá-los e guardá-los no Vimeo, tarefa para a qual já não tenho forças, hoje]

ENCERRAMENTO DO CIDEC


Helena Filipa Ferreira da Silva deve ser uma respeitável senhora, como o serão Magda Leal ou Sílvia Lopes ou a muita gente que me mandou emails ontem e hoje sobre um putativo encerramento do CIDEC.

Confesso a ignorância: não sei o que é o CIDEC nem que utilizou incorrectamente dinheiros públicos, oriundos do Fundo Social Europeu, e que, por isso, encerrou as portas.

Mas custa ver a minha caixa de correio electrónico ser infestada com mensagens todas iguais e protestando contra tal medida. É fácil a propagação deste manifesto-vírus. Diz no princípio:

LISTAGEM e TEXTO A UTILIZAR:
basta fazer copy/paste
Nota: no Hotmail o máximo é 50 e-mails de cada vez


Não me rio muito, porque: 1) o assunto deve ser sério, mas eu nada posso fazer, 2) vi na lista colegas e amigos, isto é, o email deles está igualmente repleto de manifestos-vírus.

Doenças de se estar ligado à internet. Irritante, mesmo!

14.4.08

MICHAEL SCHUDSON IN LISBON

  • In 1996, I served as an election inspector in the San Diego precinct where I vote. Of the five volunteers, I was the only one not yet a grandparent. Though I turned fifty a few days before the election, I was the youngster of the group. The oldest was seventy-three, the same age as Republican candidate Bob Dole.
    We worked for fifteen hours in a garage donated year after year by a law enforcement official and his family. He sees this as a part of his children's political education. He received $25 for his efforts, the clerks $35, and I, as supervisor of clerks, $50.
    Dozens of 563 voters who cast ballots thanked us for our efforts on behalf of this democracy. When voters knew one of the clerks, there was friendly and, invariably, some indication that they were proud of their neighbor for volunteering. The labor required to run an election is substancial: with more than 25,000 precincts in California alone, each employing three to five poll workers, the outpouring of volunteers labor is enormous and their organization and training no mean feat.
Michael Schudson (1998/2002). The good citizen. A history of American civic life. Cambridge and London: Harvard University Press, page 1


BONECOS E FARELOS PELA ESCOLA DA NOITE


A Escola da Noite estreia Bonecos & Farelos, a partir de 17 de Abril, pelas 21:30, a partir de Quem tem farelos?, de Gil Vicente, na Oficina Municipal do Teatro (Coimbra). O espectáculo prolonga-se até 27 deste mês.


Para além da encenação, António Jorge é responsável pela cenografia e bonecos, Ana Rosa Assunção pelos figurinos, Eduardo Gama pela música e Danilo Pinto assina o desenho de luz. Do elenco fazem parte António Jorge, Eduardo Gama, Maria João Robalo, Ricardo Kalash e Sílvia Brito.


  • Há "uma inovação relativamente à linha de trabalho que a companhia tem vindo a desenvolver sobre Gil Vicente, já que se explora a técnica dos bonecos: no espectáculo as diversas personagens desmultiplicam-se através do cruzamento de bonecos e actores, num trânsito entre diferentes escalas e registos de representação de modo a apoiar a estrutura sequencial da peça, esclarecer e animar o jogo farsesco e, sobretudo, celebrar o gosto e a riqueza da palavra vicentina" (texto da companhia de teatro, com fotografia de Augusto Baptista).

EDIFÍCIO COM VISTAS PARA O JARDIM


Hoje, no campus da UCP, por volta das 15:00.

13.4.08

O PODER DOS MEDIA (1)


Na capa do Observer de hoje, a fotografia principal cabe a Robert Murat, inicialmente considerado suspeito formal do desaparecimento de Madeleine McCann há um ano atrás na Praia da Luz, Algarve.

Inglês de nascimento (um dos pais é português) e vivendo perto do local onde a menina desapareceu, Murat ofereceu-se para tradutor mas, rapidamente, acabou por ser acusado ou indiciado como tal (arguido). Os media amplificaram as razões da decisão judicial, nomeadamente os ingleses.

Agora, Murat leva a tribunal esses jornais e televisão - Daily Express, Sunday Express, Daily Star, Evening Standard, Metro, Daily Mirror, Sunday Mirror, News of World, Sun, Scotsman e Sky. São media tablóides, os jornais e as televisões sérias e de qualidade não estão lá. Murat quer que os media ingleses formulem pedidos de desculpa e exige uma indemnização de mais de dois milhões de libras, no que é o maior pedido de indemnizações na história dos media ingleses. Os prejuízos causados a este cidadão luso-britânico residem no facto de sobre ele não penderem provas de evidência adequadas (na altura, falou-se mesmo em pornografia infantil, com elementos encontrados no seu computador pessoal).


A concorrência entre os jornais, a que se junta o peso crescente dos media mais novos como a internet, levam os jornais a "fabricarem" teses menos consistentes, a partir de pistas ténues. O mesmo aconteceu com os McCann, que de vítimas passaram a igualmente suspeitos de fazerem desaparecer a criança. Os media portugueses também aceitaram a visão da suspeita, ansiosos por resultados e sempre num registo de querer antecipar as notícias face à concorrência.

Tabloidização, concorrência, mais notícias leves (soft news, na designação inglesa) que notícias sobre factos são assuntos importantes quando se fala de jornalismo hoje. O sociólogo e historiador dos media Michael Schudson, que estará entre nós na semana que agora começa, terá certamente oportunidade de falar em tais temas.

O PODER DOS MEDIA (2)


Philip French, crítico de cinema do Observer, fala do seu amor de 70 anos por aquela arte visual (e indústria cultural).


O primeiro filme que ele se recorda de ter visto foi num sábado de 1937, já andava na escola em Leicester. French lembra-se dos pais estarem a falar de filmes, o que o intrigara. O pai era agente de seguros e não concordaria com Double Indemnity, de Billy Wilder, que se tornou um dos filmes favoritos de French quando este tinha 10 anos de idade.

Muitos anos mais tarde entrou no Observer como segundo crítico de cinema (deputy film critic). Estava-se em 1962. A permanência inicial naquele jornal acabou por ser curta, indo em 1967 para a London Magazine, de onde transitou para o Times e a BBC. Regressou ao Observer em 1977, onde permanece até hoje,
o que significa uma longa permanência naquele jornal. Ainda bem que os ingleses são conservadores. Em Portugal, críticos, comentadores e simples colunistas permanecem pouco tempo, apesar do tempo que se julga estarem lá.

French já viu 14 mil filmes. O trabalho nos anos de 1960 e 1970 era mais simples do que hoje. Então, estreavam três a quatro filmes por semana, agora são de sete a onze, sem contar com os pré-lançamentos das versões domésticas em DVD. Os críticos mais jovens nasceram noutro ambiente social e cultural: televisão, livros especializados, wikipedia e DVD. Mas enfrentam outras dificuldades: habituação à violência e erotismo, além da linguagem usada nos diálogos (prefiro não traduzir: no-expletive-deleted dialogue). Finalmente, French acredita trer contribuido para a carreira de realizadores e artistas, como Martin Scorsese, Stephen Frears, Walter Hill, Terence Davis, Christopher Nolan e muitos outros.

O Observer dedica quatro (4) páginas ao seu crítico, que irá receber um prémio (sócio honorário) no próximo dia 21 (BAFTA Honorary Life Membership). Além de um texto sobre a vida do crítico, há tributos de realizadores, outros críticos e muitos amigos. Assim, vale a pena viver.

Espero que o Público faça, quando chegar a altura, uma homenagem ao crítico de cinema e escritor João Benard da Costa (já não vejo as suas crónicas ao domingo; perdi algum detalhe?).

12.4.08

A MODA VISTA POR GEORGE SIMMEL


Saiu agora um pequeno volume de textos de George Simmel (1858-1918), Filosofia da moda e outros escritos, onde aquele autor alemão reflecte sobre moda. São três textos: "Filosofia da moda", "Psicologia do adorno", "Psicologia da coqueteria".

O tradutor e introdutor, Artur Morão - que também assina a tradução Teoria Estética de Theodor Adorno, agora em nova edição e à qual ainda não me referi neste espaço por absoluta falta de tempo -, aponta a moda em Simmel como associando núcleos fundamentais: sociedade, antropologia e crítica da modernidade. A moda é uma forma de vida, uma marca de distinção de classe enquanto contínua imitação de uma classe por outra, continua o tradutor e autor da introdução.

Como aperitivo para a leitura de Simmel, deixo aqui os subcapítulos de "Filosofia da moda", pequenos como notas em si: vida como dualismo, moda e imitação, arbitrariedade da moda, moda e classes, moda e estrangeiro, vestuário novo, tragédia da moda, moda e inveja, carácter frenético da moda, anti-moda, mulher e moda, moda como máscara, moda e vergonha, libertação pela moda, moda dentro do indivíduo, moda acelerada e moda barata, moda e eternidade, conforme e insubmisso à moda.

Igualmente deixo uma citação do segundo texto, "Psicologia do adorno" (p. 61):

  • O adorno aumenta ou amplia a impressão da personalidade, porquanto actua, por assim dizer, como uma emanação sua. Por isso, os metais reluzentes e as pedras preciosas foram, desde sempre, a sua substância; são «adorno» num sentido mais estrito do que a indumentária ou o penteado, os quais todavia também «adornam».
Um apontamento final para a editora, Texto & Grafia, nova marca a quem desejo sucesso. Na colecção do livro de Simmel sairam e vão sair este mês e em Maio alguns volumes sobre cinema que me parecem interessantes para ler.

PEDRO BRAUMANN NA CONFERÊNCIA DE ABERTURA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA


Anteontem, Pedro Jorge Braumann fez uma conferência sobre televisão e cinema digitais, integrada na apresentação da Pós-Graduação em Televisão e Cinema da Universidade Católica Portuguesa.

Pedro Jorge Braumann é director na RTP e docente na Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa).



11.4.08

ENCONTRO COM ENRIQUE DIAZ NO PEQUENO AUDITÓRIO DO CCB


AMANHÃ DIA 12, 18:00


No Pequeno Auditório do CCB vai realizar-se uma conversa entre o Enrique Diaz e todo o público interessado, tendo como objecto de discussão o trabalho do encenador. Entrada livre.

I CERTAME DE NARRAÇÃO RADIOFÓNICA EXPERIMENTAL EM MADRID


Vai realizar-se o I Certame de Narração Radiofónica Experimental cujo objectivo "é o de estimular o trabalho de criação dos estudantes universitários no campo do teatro radiofónico e o de aproximar este meio, e as possibilidades expressivas do mesmo, aos alunos". Organizado pela Universidad Complutense de Madrid (Departamento de Periodismo I).

Podem candidatar-se "ao prémio qualquer pessoa física, matriculada em qualquer curso ou estudo universitário, de nacionalidade espanhola ou estrangeira, desde que não tenha obtido anteriormente este galardão. O guião pode ser escrito em qualquer idioma, sendo necessário anexar uma tradução do texto em castelhano ou em inglês, no caso dos trabalhos que não sejam apresentados nos idiomas acima referidas".

O prazo de entrega de originais vai de 1 de Setembro a 31 de Outubro de 2008, podendo ser enviados através de correio postal à seguinte direcção: NARAEX (2008) Departamento de Periodismo I (Análisis del mensaje informativo), Facultad de Ciencias de la Información, Universidad Complutense de Madrid; Avda. Complutense s/n., 28040, Madrid, Espanha. Para mais informações:
www.ucm.es/info/naraex ou naraex@ccinf.ucm.es.

I JORNADA SOBRE NARRAÇÃO RADIOFÓNICA: ESCREVER COM SONS, DESENHAR COM PALAVRAS - ONDE ENTRA EDUARDO STREET


Com estas I Jornadas, a realizar em 23 de Maio e igualmente organizado pela Universidad Complutense de Madrid (Departamento de Periodismo I), os organizadores querem:

  • iniciar uma série de encontros nos quais se destaque o trabalho de muitos profissionais que, pelo trabalho e paixão pela própria rádio, contribuiram para o enriquecimento e o desenvolvimento da mesma. Pensamos que através da reflexão e a análise do "como", do estudo das próprias possibilidades expressivas do meio radiofónico, consegue-se obter uma perspectiva de estudo e uma aproximação aquilo que a rádio, no seu sentido mais comunicativo, nos pode oferecer.

    [...] São tantos os profissionais e os amantes da rádio cujos trabalhos nunca viram a luz do dia, que queremos recuperar a presença destas personagens realizando uma pequena homenagem tanto pelo seu trabalho como pela sua paixão pelo meio. Neste primeiro encontro internacional, no qual se inserem as I Jornadas sobre Narração Radiofónica, considerámos oportuno realçar os trabalhos do lisboeta Eduardo Street, falecido recentemente. As suas mais de trezentas realizações situaram-no num lugar de referência do radioteatro português. Nas suas mãos cairam obras de diversos autores, de diferentes nacionalidades e épocas: Honore de Balzac, Gil Vicente, Ricardo Alberty, Charles Cohen, Eugenio Labiche, Moliere, G. S. Brown, Hans Christian Andersen, Tchehhov, Leandro Moratín, Eduard Alan Poe... Uma paixão que começou em 1953 e que o situou como "o profissional que mais peças de teatro, folhetos e séries desenvolveu na história da rádio portuguesa” (2005: “Teatro radiofónico é com ele" em Autores, 6. Lisboa. SPA.

    Aproximar a figura de Eduardo Street aos profissionais e académicos de outras nacionalidades constitui uma iniciativa que reforça e estimula a qualidade radiofónica, o risco e a inovação na ampla comunidade radiodifusora. Nesta ocasião Espanha e Portugal juntam-se para acolher e analisar as experiências de um profissional que viveu para a rádio.
[o meu obrigado a Gemma S. Ventín Sánchez por me ter facilitado a informação]

LIÇÃO DE FRANCÊS - 5


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ÍNTIMA FRACÇÃO - PROGRAMA DE FRANCISCO AMARAL":
« Un roi sans divertissement »*Jusque là, l’éditeur avait tout de son côté pour s’en sortir et il l’a fait merveilleusement en jouant sur le registre de l’humour. Mais voilà que le jeu se complique : une partie qui au départ se jouait à deux doit intégrer un troisième qui apparemment veut participer.J’attends pleine de curiosité, car moi je ne vois pas la suite…Pourtant je fais confiance au meneur du jeu.Qui a dit cela : un roi sans divertissement est un homme plein de misères ?* Jean Giono
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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "
ÍNTIMA FRACÇÃO - PROGRAMA DE FRANCISCO AMARAL":
Intime fraction- ...Elles brillent toutes les deux : l’intime et invisible et l’autre qui vient de la joindre. La lumière n’est jamais de trop !
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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ARTISTA DE RUA":
Paroles de
Sophie Calle N°108 (lettre)
Nom de Dieu, ouvre la bouche
Je t'en supplie
Tes mots me tiennent à la vie
Dis quelque chose
Mon amour, ton silence pervers
Est trop lourd
Il me démolit
Je t'en prie, dis quelque chose
Même si aujourd'hui
Tout ce qui a été beau explose
Même si les lauriers
Fanent plus vite que les roses
(...)
Cali, L'espoir, 2008
http://www.calimusic.fr/
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10.4.08

PEDRO BRAUMANN NA CONFERÊNCIA DE ABERTURA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA


Promovida pela Universidade Católica, e integrada na pós-graduação de Televisão e Cinema, cujas aulas arrancam em 8 de Maio, o dr. Pedro Jorge Braumann (RTP) profere hoje uma conferência intitulada Televisão e o Cinema na Era Digital: Novos Desafios. É às 18:30, no auditório A2.

Os interessados nestas matérias estão convidados a assistir.

BLOGOSFERA


Obrigado ao autor do blogue ComuniSfera pela referência ao trabalho desenvolvido no Indústrias Culturais.

ÍNTIMA FRACÇÃO - PROGRAMA DE FRANCISCO AMARAL


Mensagem de Francisco Amaral

Pela primeira vez na imprensa portuguesa, um jornal tem um programa de música próprio. Estreado por Francisco Amaral há 24 anos na Antena 1, ÍNTIMA FRACÇÃO pode ser ouvido em exclusivo no EXPRESSO a partir de agora.
Íntima Fracção vai ter
podcast e blogue com vídeos e comentários.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/287646
Agradeço a todos os que me têm acompanhado até aqui.
Dou as boas vindas aos que quiserem conhecer agora a Íntima Fracção.
Obrigado.
Francisco Amaral

[Fotografia: António Pedro Ferreira]

NEW GENERATION ARTS


O Festival New Generation Arts (NGA), organizado pela City University de Birmingham, é um programa de 16 dias de espectáculos e exposições inovadoras de arte regional (5 a 20 de Junho naquela cidade inglesa).

As modalidades de actividade são: artes visuais, música, design, animação e filme, escrita criativa e online interactivo.

ARTISTA DE RUA


Na Viena imperial, um artista de rua toca um excerto de música:


JORNAIS DO FUTURO


Chris McGillion foi editor da primeira página do Sydney Morning Herald e é, actualmente, coordenador do programa de jornalismo na Charles Sturt University (Austrália).

Ele escreveu dois textos, divididos em duas partes, sobre o futuro da actividade. Pode ser lido aqui:
parte 1, sobre o valor dos níveis académicos no jornalismo, e parte 2, cinco lições da geração Y sobre os jornais.

A informação foi recolhida previamente do blogue
editorsweblog, que aconselho a todos os investigadores e alunos de jornalismo uma pesquisa nele.

9.4.08

FEIRA DO LIVRO

OS SIMPSONS NÃO GOSTAM DA VENEZUELA


Melhor: os Simpsons fazem mal ao governo venezuelano.

"A entidade reguladora da comunicação social da Venezuela instaurou um processo à estação privada Televen por violação da Lei da Responsabilidade Social. Tudo porque a Televen transmitia os Simpsons às 11h00, num horário sem restrições para crianças" (Público online de hoje de manhã).

Lê-se no comunicado do regulador que o programa e a hora em que é emitido "atentan contra la formación integral de niños, niñas y adolescentes. [...] En este sentido, este ente regulador reitera una vez más su total apego a la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela y a la Ley de Responsabilidad Social en Radio y Televisión".

Sempre pensei que os Simpsons eram um atentado à liberdade de imprensa, informação e formação dos países :). Basta ver as tropelias do seu último filme, exibido em finais do ano passado. São excessivamente contestatários para mentes serenas como as que parecem governar aquele país. Melhor ainda, os Simpsons são uma família de falhados, broncos; eu não os gostava de ter por perto, pois eles, em vez da solução de problemas, são criadores de mais problemas. O grande problema é que eles não se apercebem, coitados. Claro, são apenas desenhos animados e não se exige mais inteligência de bonecos feios (se calhar até cheiram mal).

Possivelmente, o próximo passo do governo venezuelano - ou de um seu regulador - será proibir a reunião ou o simples encontro de mais do que uma pessoa. Democracias!!!

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (2)


[continuação do texto do dia 6]

Uma segunda grande mudança que podemos encontrar nestes últimos 40 anos prende-se com o consumo da música. A rádio, em 1968, já tinha passado pelo seu período de ouro, ocupada que estava com a concorrência crescente da televisão, meio de comunicação que começava a massificar-se por essa altura. A rádio perdia, assim, audiências mas soube reduzir essa perda graças a uma alteração tecnológica que, apesar de inventada décadas antes, ganhava peso: a modulação de frequência.

A nova tecnologia, explorada em novas frequências hertzianas, trouxe outras estéticas em termos de programação e uma nova geração de profissionais, mais jovens, de cultura cosmopolita e de formação académica superior. Ao mesmo tempo, e como resultado disso, começou uma especialização das rádios, atravessada por um período rico experimental, o das rádios piratas ou livres na segunda metade da década de 1980 – movimento muito sentido nos países da Europa do Sul – ou rádios comunitárias – nos países da América do Sul. A perda de audiências em geral ficava compensada pela angariação de audiências especializadas.

Apesar de números mais baixos, esses nichos de mercado eram importantes para a publicidade, pois esta pode-se orientar melhor para os potenciais clientes de produtos e serviços. A estratégia de medição de audiências passou por esse movimento de fragmentação de públicos ou audiências, facilitando o contacto graças a mensagens mais bem direccionadas.

O walkman e, depois, o mp3 (mais conhecido por iPod, marca que ganhou hegemonia nos seus compradores) marcaram ou representaram uma filosofia de vida distinta. A rádio deixava de ser fixa e passava a ser mais móvel (movimento iniciado com o rádio transístor nos anos de 1960, quando se viam as pessoas com o aparelho quase colado ao ouvido). O movimento foi semelhante ao do telefone. Isso significa nomadismo e liberdade, além da necessidade de construir os seus programas ou conjunto de músicas a ouvir, deixando de ser controlado pelo programador.


Aqui, há uma contrapartida: deixa de existir a possibilidade de encantamento que se pode esperar do programador e passa-se a ter a preocupação de trabalhar o próprio conteúdo. O gravador de fita magnética e de cassetes já criara esse hábito, mas a massificação foi agora muito maior. O walkman é contemporâneo do aumento de disponibilidade de viajar e de descobrir e encontrar outras pessoas e sociedades. Ouvir música deixa de ser um hábito de consumo apenas em casa mas em qualquer parte onde se esteja. O walkman, e mais especialmente o mp3, levam o indivíduo a consumir mais música mas menos através do rádio.

A construção de programas de música leva a duas consequências: criação de redes sociais que trocam ficheiros com músicas, especializando o grupo com estéticas e gostos próprios e de grupo de fãs que se pode fechar; abandono da escuta da rádio, por ser um sistema orientado do programador para o ouvinte; actualização permanente, possível num período da vida (final do secundário e durante os primeiros anos de universidade), mas de menor intensidade no período seguinte (profissão, família), o que torna o gosto estético adquirido rapidamente obsoleto.

Do mesmo modo que nas telecomunicações, o hábito de ouvir música torna obsoletos os equipamentos – o que significa que a geração e meia que falei no começo deste texto seja decomposta em mais níveis geracionais (subgeracionais) de cada cinco ou seis anos, correspondendo ao período do final do secundário e do começo da universidade.

Quanto a profissões, se as ligadas ao rádio se mantêm, nasce ou amplia-se um novo conceito, o do amador cujas competências se aproximam do profissional (o pro-am de Chris Anderson, em A cauda longa). Isso está a ser mais evidenciado pelas tecnologias ligadas à imagem, como o vídeo ou os blogues.

Podemos rever o movimento actual de amadores profissionais como o que ocorreu no começo da rádio no começo da década de 1920, embora o movimento actual seja muito mais massificado e com criatividade mais alargada, dada a maior oferta de serviços e tecnologias.

[continua]

8.4.08

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE LIONEL BALTEIRO NA FNAC DE VISEU

CONFERÊNCIA DE CIDADES INTERCULTURAIS


A conferência de cidades interculturais realiza-se em Liverpool (cidade capital da cultura 2008), de 1 a 3 de Maio, acontecimento integrado na Ano Europeu do Diálogo Intercultural.

A conferência pretende ter um olhar novo sobre migração, diversidade e vida urbana e como as diversas comunidade podem cooperar de modo a produzir harmonia em vez de antagonismos.

Políticos e gestores de políticas de cidades como Londres, Madrid, Berlin, Lyon, Stuttgart, Roterdão, Turin, Nápoles, Istanbul, Bremen, Marselha, Gdansk, Leicester, Manchester e Liverpool partilharão experiências e fornecerão exemplos de trocas interculturais e vantagens sociais, culturais e económicas.

Para mais informações ver http://inter.culture.info/icc.

[dica de Carlos Filipe Maia, a quem agradeço]

LIÇÃO DE FRANCÊS - 4


Bonjour,
C'est beau le pain, les légumes, les fruits, les compotes... Nous (les portugais) avons mis de côté cette tradition du marché en plein air au nom de l'hygiène et du cosmopolitisme. Et voilà qu’on l’admire chez des gens que personne ne soupçonne de provincialisme. Ces marchées sont une belle école de vie, où des vendeurs échangent avec les clients des recettes, leur apprennent le nom du pain, des fleurs... des façons de vivre. On discute tout: les élections prochaines, les nouvelles de la journée, sans se cacher. Ils sont au milieu de la place de la cathédral, à côté de la médiathèque, des endroits pleins de charme, qui se font « des abris - conditions de la ville, énergie de la culture » !!!
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Naschmarkt, certamente o mercado mais colorido de Viena.
"Là où signifiant clignote et devient motivé en se rapprochant du signifié, moi je me sens attirée par ce plaisir ingénu qui essaie d’effacer l'arbitraire...C'est dur de faire parler la langue: ou comment se faire/donner plaisir en jouant avec les couleurs (des mots).

ps: j'ai rien contre le délice des plaisirs simples, au contraire!
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FOTOGRAFIA


Encontram-se abertas as inscrições para o workshop Fotografia e Performance, pela formadora Susana Paiva, em 24 e 25 de Maio, no Auditório Teatro das Beiras, na Covilhã. Segundo os promotores:
  • Nascido da necessidade de aprofundar os conceitos e práticas na área da fotografia de espectáculo, apresenta-se agora uma segunda acção de formação de carácter teórico-prático em torno dos conceitos de fotografia e performance.Com base em projectos fotográficos de grandes nomes da fotografia internacional se traçará uma ponte entre fotografia e artes do espectáculo, criando pequenas narrativas imagéticas que espelharão as performances definidas pelos participantes.
Ver mais em http://www.quartaparede.com ou http://quarta-parede.blogspot.com. Contactos para inscrição: qp@quartaparede.com.

NASCHMARKT (VIENA)

Naschmarkt, certamente o mercado mais colorido de Viena.


PRÉMIOS DE TEATRO


De acordo com a informação veiculada pelo blogue Prémios de Teatros, vão ser instituidos este ano os Prémios Guia dos Teatros de 2007. O blogue agradece a todos os seus leitores o envio das suas nomeações para o mail guiadosteatros@gmail.com referentes às categorias de melhor peça, encenador, texto original português, adaptação, tradução, espectáculo solo, espectáculo infantil, actor, actriz, actor num papel secundário, actriz num papel secundário, elenco conjunto, actor/actriz revelação, musical, música original, direcção musical, cenografia, figurinos, coreografia, desenho de luz e sala de teatro.

Para mais informações ver o próprio
blogue.

CICLO DE CONFERÊNCIAS PARA O ESTUDO DOS BENS CULTURAIS DA IGREJA


Iconografia Religiosa das Invocações Nacionais, dias 29 a 31 de Maio de 2008. Mais informações em aqui.

Segundo a organização das conferências, "este II Ciclo de Conferências pretende, não apenas suscitar o interesse pelo estudo da Iconografia da Devoção em Portugal (santos, beatos, mártires e invocações), como ainda accionar a abordagem objectiva de um tema que, apesar de recorrentemente focado, nunca foi verdadeiramente metodizado. Exercício de sistematização inédito em Portugal, reunirá um vasto e qualificado número de investigadores, cujos trabalhos contribuirão para o conhecimento e valorização de uma tão relevante área de estudos".

Local: Universidade Católica Portuguesa.

7.4.08

COMERCIALIZAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E MARKETING DE AUDIOLIVROS


No próximo dia 15, pelas 18:00, no Auditório do Goethe-Institut Portugal em Lisboa, realiza-se uma mesa redonda dedicada ao tema Comercialização, distribuição e marketing de audiolivros, em alemão e português (tradução simultânea).
  • A arte acústica e os audiolivros estiveram em destaque no Goethe-Institut Portugal no último ano. Depois de um animado debate na conferência realizada no final de Novembro de 2007, queremos agora aprofundar a discussão com mais um evento dedicado ao tema. Após consultar várias editoras ligadas a esta área, seleccionámos como tema do próximo evento a Comercialização, distribuição e marketing de audiolivros. Dos desafios criados pelo download de ficheiros áudio à gestão de uma loja online, pretendemos incentivar o debate relativamente a práticas inovadoras de comercialização e marketing, tais como parcerias com empresas de aluguer de automóveis e estações de serviço, sem nunca esquecer a importância do contacto e cooperação com as livrarias tradicionais (informação dada pela organização da mesa redonda).
A mesa redonda contará com a presença de editores portugueses e um especialista alemão: Anke Hardt (directora comercial da Hörverlag de Munique), Sandra Silva (gerente da 101 noites), Albertina Dias (gerente da Solutions by Hardt) e João Cabral (editor da MHIJ Editores). Moderação: José Afonso Furtado (Fundação Gulbenkian).

Para obter mais informações, contactar:
audiolivros@lissabon.goethe.org.

NARRATIVAS FÍLMICAS E VIDEOJOGOS


  • Os filmes e os videojogos são na actualidade duas das formas mais relevantes da paisagem mediática, da criação artística e das indústrias culturais. Se o cinema se tornou um dos meios dominantes de expressão e criação ao longo do século XX, os videojogos têm-se apresentado, desde o fim daquele período, como um seu sério concorrente – e em diversos aspectos: no que respeita, por exemplo, à evolução tecnológica, à invenção formal, à relevância económica ou à influência social.

    Esta ideia de concorrência não deve, porém, denotar qualquer presunção de incompatibilidade. Pelo contrário, qualquer observação atenta permite verificar que é, sobretudo, numa lógica de integração e reciprocidade que estas duas manifestações culturais coabitam: por um lado, inserindo-se, frequentemente, em estratégias de produção e promoção convergentes ou mesmo coincidentes; por outro, propiciando uma recíproca influência artística, fazendo transitar gramáticas, temáticas e estilísticas entre os dois universos criativos.

    O trabalho que agora apresentamos propõe-se compreender e explanar as relações entre estes domínios, e fazê-lo de um ponto de vista muito específico: escusando-nos à abordagem economicista, sociológica, política ou psicológica e elegendo uma perspectiva sistemática – interessa-nos perceber os filmes e os videojogos a partir da sua organização formal e da sua lógica funcional. Esta é, estamos em crer, a estratégia epistémica mais pertinente para a compreensão daqueles tipos de texto enquanto realidades discursiva e fenomelogicamente complexas, isto é, a abordagem que melhor pode contribuir para a compreensão das relações entre as partes e o todo dos objectos em análise e da relação destes com os seus utilizadores. Tentaremos, assim, a inventariação de elementos e princípios específicos de cada tipo de texto e a averiguação das articulações e dissensões latentes ou manifestas que exibem no contexto da sua criação e da sua utilização.
Este é o começo do texto Narrativas Fílmicas e Videojogos, de Luís Nogueira, livro que resulta da tese de Doutoramento apresentada na Universidade da Beira Interior em Julho de 2007 e que pode ser consultado aqui.

OS BLOGUES SEGUNDO O OBERCOM


De um estudo agora divulgado pelo OberCom (Bloguers e Blogosfera .pt), conclui-se que os blogues são um meio de introdução pouco difundido (somente 20% das pessoas sabe o que é um blogue), os blogueiros portugueses têm maioritariamente perfil jovem (adolescente e jovem adulto), perfil mais acentuado entre os produtores de conteúdos de blogues, maioritariamente do sexo masculino, estudantes do ensino secundário e superior.

Conforme o mesmo estudo, a blogosfera em geral não é dominada pela prática jornalística nem pela agenda dos meios de comunicação tradicionais, canalizando preferências para a leitura, interacção e produção de blogues relacionados com entretenimento e lifelogs (discurso de tipo confessional), seguindo-se os blogues sobre comunicação e cultura e sobre temas polémicos da agenda noticiosa dos media tradicionais. É ainda incipiente a percepção da generalidade dos blogueiros portugueses quanto à utilização do meio para fins comerciais e profissionais.

Nota metodológica: resultados recolhidos através de inquérito por questionário a amostra representativa da população portuguesa (2000 indivíduos, com oito ou mais anos, residentes em Portugal Continental), no âmbito de estudo sobre a Sociedade Portuguesa em Rede 2006 (CIES-ISCTE), com a coordenação de Gustavo Cardoso (Cardoso, Espanha e Gomes, A Sociedade em Rede em Portugal 2006) e trabalho de campo realizado pela MetrisGfK durante o 2º trimestre de 2006.

JOVENS CRIADORES 2008


Já o indiquei no passado dia 3, mas volto a frisar a importância do concurso Jovens Criadores 2008, agora na sua 12ª edição.

Iniciativa conjunta do Instituto Português da Juventude e do Clube Português de Artes e Ideias e destinada a dar a conhecer artistas em início de carreira, até os 30 anos, de nacionalidade portuguesa ou residentes no país, as inscrições decorrem até 12 de Maio.



Informações : Clube Português de Artes e Ideias, telefone 213230090/1 ou e-mail jovenscriadores@mail.telepac.pt ou www.artesideias.com.

LIÇÃO DE FRANCÊS - 3


Bonsoir,
Tout ça pour vous dire que votre sujet m'a enthousiasmé: Mai 68, les nouvelles tecnologies, ce qui a changé dans les comportements...Qu'est-ce qu'on peut demander de mieux? Tout est là... On y est tous...
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Être à l'aise
quand on entre dans un texte et on s'y sent bien on le lit à notre aise, selon nos attentes, nos désirs. Moi, j'ai commencé à lire ce message et inconsciemment à changer la place du - i - dans les mots du titre...
bonjour

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6.4.08

CORREIO DOS LEITORES


Domingo, 6 de Abril de 2008 17:57
Olá
Estou a estudar Relações Públicas e Publicidade, 1º ano.
Tenho uma cadeira de Teorias e Modelos da Comunicação, tenho um trabalho para fazer...escolher uma teoria e um modelo e aplicá-los aos dias de hoje! Estou "atrofiada" não me sai nada....alguma dica?
Obrigada
Gostei do seu blogue!
Cump's
(Nome)

Resposta: James Carey, o introdutor dos cultural studies americano, tem uma teoria com dois modelos: 1) transmissão, como o transporte de ideias e mensagens de um local para outro, de um emissor para um receptor, como um jornal faz habitualmente, modelo que é popular na universidade, 2) ritual, em que a comunicação é uma função social de construção de solidariedade e reafirmação de valores comuns dentro de uma comunidade.
No modelo de transmissão, o meio diz-nos o que aconteceu; no modelo ritual, o meio diz-nos o que somos.
Leitura: James Carey (1992). Communication as culture. Routledge: Nova Iorque e Londres.
Onde adquirir o livro: encomenda através da Amazon do Reino Unido (www.amazon.co.uk)
Cumprimentos,
(Nome)

Domingo, 6 de Abril de 2008 18:07
Caro (Nome),
Queremos agradecer a sua generosa ajuda ao ter-nos ajudado a divulgar (actividade). Reparámos, contudo, que já não consta do "Indústrias Culturais".
Foi-lhe enviado novo material, caso tenha disponibilidade para voltar a pôr online essa informação.
Antes de mais, muito obrigado pelo seu interesse ao ajudar-nos a promover a (actividade).
Atentamente,
(Nome)

Resposta: Por favor, envie esse material (no email anterior não vinha qualquer attach).
Cumprimentos,
(Nome)

Domingo, 6 de Abril de 2008 18:30
Caro (Nome),
Gostaríamos muito de poder contar com a sua participação na terceira edição das (Nome) que se realizam na próxima (dia de semana) em (local). A sua experiência na blogosfera constituiria, sem dúvida, um grande contributo para o debate.
Se puder participar, por favor efectue a sua inscrição através dos contactos que estão no convite.
Com os melhores cumprimentos,
(Nome)

Resposta: Eu publicitei o evento no meu blogue http://industrias-culturais.blogspot.com.
Não tenho possibilidades de estar presente, dado que (dia) tenho aulas durante toda a tarde (horas).
Desejo muito sucesso ao evento.
Cumprimentos,
(Nome)

FEIRAS DA PÁSCOA EM VIENA

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (1)


Em 2008, passam 40 anos do Maio parisiense. Não pretendo aqui fazer uma análise política nem de costumes, mas aproveitar a data para questionar o modo como as tecnologias da informação retrataram o movimento desse Maio e o que terá alterado até aos nossos dias. 40 anos são quase duas gerações – melhor, geração e meia.

Peguemos em algumas tecnologias, como o telefone fixo e o telefone móvel ou celular e a fila de atendimento no banco e o levantamento de caixa no multibanco ou a passagem via verde na auto-estrada. O que se ganhou? O que se perdeu? Que novas profissões? Que profissões desapareceram? Que hábitos novos?

Como hipótese teórica de trabalho – a confirmar ou não no final da minha investigação – julgo haver alterações como mais rapidez nos contactos humanos, mas igualmente mais fugazes e menos duradouros, com mais informalidade, maior especialização e necessidade de actualização, tecnologias mais amigáveis e de substituição rápida (descontinuidade tecnológica) associada à moda (a máquina mais recente como pequeno maior estatuto social).

Durante décadas, o telefone fixo foi uma peça feia, pesada, com cor preta dominante, um serviço lento, em que a comunicação "caía" frequentemente, provocando irritação nos seus utilizadores, e preços muito elevados. Além da lentidão, a oferta de serviços era escassa, pouco inovadora, e o processo de instalação de um telefone seguia um caminho burocrático, quase a exigir uma cunha para avançar mais rapidamente. Lento e caro repercutia-se no modo de uso – chamadas com mensagens curtas reflectiam essa mentalidade de controlo apertado de custos. A massificação do telefone deu-se nos anos 1970, campanha que vinha timidamente desde os anos 1950. A área da produção das empresas de telefones comandava, mas os anos 1970 e década seguinte promoveram a hegemonia da área comercial e de marketing. O telefone deixava de ser um produto e passava a serviço.

O surgimento dos primeiros telemóveis marcou o espanto mas não provocou a massificação – dada a dimensão e, em especial, os custos associados. Em Portugal, 1985 marca a data do lançamento dos primeiros telemóveis, coincidindo com a adesão do país à União Europeia (então CEE) e com o aparecimento dos centros comerciais (Amoreiras) e a ampliação da rede de auto-estradas. No dobrar e durante a década de 1990, o telefone celular deixou de ser um equipamento de estatuto social e massificou-se, em especial com o lançamento do cartão pré-pago, tecnologia adequada para países pobres e em vias de desenvolvimento, para quem o controlo dos gastos continua a ser um elemento essencial.

A concorrência entre empresas nos telefones celulares – o que não acontecera no telefone fixo, um serviço público – levou rapidamente à oferta de múltiplos serviços para captação de novos clientes. Embora nem sempre os mais adequados aos clientes – fazendo com que instituições de consumidores estivessem sempre alerta –, o certo é que novos terminais e novas funcionalidades foram sendo oferecidas enquanto diminuia o preço por chamada. Isto é, ao baixar o custo aumentou o tempo de duração das chamadas, levando a uma quase moda de falar por tudo e por nada, numa espécie de competição onde "eu recebo mais chamadas do que tu".

As redes sociais – ainda antes da internet – solidificaram-se graças ao uso permanente do telemóvel (que também é um instrumento de controlo para se saber o que o outro está a fazer embora não se saiba aonde, dada a mobilidade geográfica dada pelo aparelho).

Que alterações nas profissões das telecomunicações? Os empregados de centrais telefónicas (genericamente designados por mecânicos) desapareceram em pouco mais de dez anos, muitos deles dificilmente reconvertíveis da perspectiva tecnológica. As telefonistas acumularam funções de recepcionistas ou secretárias e, em muitos casos, as máquinas substituiram as suas funções. Mais tarde, outras funções foram transferidas para computadores. Em termos de uso, e para além da massificação (há mais telefones celulares que habitantes em muitos países ocidentais) e do crescente uso do equipamento para chamadas, o salto foi dado com a oferta de serviços. De mensagens (SMS) aos toques de telefone e, mais recentemente, à possibilidade de fazer imagens fixas e em movimento, tornando o terminal um equipamento multifunções, sendo crescentemente a menos importante a inicial – telefonar. Mas o equipamento permite também jogar jogos e a futura massificação da internet passa por esse aparelho.

Assim, os hábitos em torno do equipamento mudaram muito profundamente, fazendo dele uma das tecnologias que mais mudou o comportamento humano, como estar sempre acessível e actualizado, numa mistura cada vez maior entre público e privado (o telefone, ao tornar-me sempre acessível, estabelece um continuum entre a actividade profissional e o contacto profissional mesmo nas horas de descanso ou lazer).


[continua]

5.4.08

DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS


No dia 18, comemora-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, este ano consagrado ao "património Religioso e Espaços Sagrados". Em Oeiras, o programa inclui uma visita guiada ao património religioso do centro histórico do concelho, no sábado dia 19. Começa às 9:30 e depende de inscrição prévia. No próprio dia 18, há a tertúlia dedicada ao tema, na galeria-livraria Verney, com Isabel Boavida, Jorge Miranda e João Luís Cardoso; já no dia 19, pelas 21:30, haverá ainda um concerto de órgão na igreja matriz de Oeiras, por Rui Paiva.

[lido na agenda cultural 30 DIAS, de Oeiras]

EXPOSIÇÃO SOBRE JOÃO ABEL MANTA


De 10 a 28 de Abril, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem da Amadora (CNBDI), estará patente a exposição Um sabor de desenho, homenagem a João Abel Manta.

A FNAC EM "OS MEUS LIVROS"


O tema de capa da revista Os Meus Livros de Abril é a literatura africana. A publicação traz igualmente um boa entrevista com Alice Vieira, quatro páginas dedicadas às fotobiografias e duas páginas aos livros sobre o desaparecimento da menina inglesa Madeleine McCann.

Mas o que fixei foi a entrevista dada por Enrique Martinez, director-geral da FNAC Espanha e responsável pela região da península ibérica (inclui, pois, Portugal). Ficamos a saber que as lojas que mais livros vendem são as situadas no centro das cidades (Chiado em Lisboa e Santa Catarina no Porto). 25% do total da facturação respeita a livros (média: 60% de produtos técnicos, 40% de produtos editoriais, que inclui discos e livros, logo 15% são discos). Martinez define as suas livrarias como tendo uma ampla gama de oferta, mais de 150 mil referências, em que os vendedores são independentes nas escolhas (ofertas, promoções e destaques), têm um nível de educação médio ou alto e são jovens.

A FNAC trabalha com mais de 500 editoras, sendo 350 consideradas pequenas. A rotação de títulos elevada é defendida porque a quota de ecrã de televisão ou o metro quadrado da livraria a isso leva. A alternativa a essa rotação parece ser a internet, que tem crescido bastante mas não ultrapassa ainda o 1,5% da facturação. O cartão FNAC é um elemento de fidelização de clientes, havendo hoje mais de 240 mil aderentes, que representam 40% das vendas. Com 12 lojas vão abrir mais três este ano, esperando ter 20 lojas em 2011. Cada loja custa cerca de 3,5 milhões de euros. Em 2007, a FNAC começou o projecto de responsabilidade social "Infotecas FNAC/AMI" em V. N. de Gaia.

MERCADO CULTURAL AO VIVO


É o título do curso promovido a partir de 17 de Maio, em São Paulo (Brasil).

[ver mais informação em
http://www.escolasaopaulo.org/]

SOBRE OS INTELECTUAIS


No âmbito das actividades do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (Universidade Católica Portuguesa), a professora Maria Laura Bettencourt Pires vai dar uma conferência no próximo dia 10, pelas 15:00 (Sala Brasil, edifício da Biblioteca, 1º andar, na UCP), intitulada Public Intellectuals - Past, Present and Future.

Laura Pires é docente daquela universidade, tendo-se notabilizado na investigação e produção literária nas áreas da cultura e da cultura americana.

4.4.08

IGREJAS DE VIENA


As igrejas são Votiv, Santo Agostinho, Schotten, catedral de Santo Estevão (Stephans) e S. Pedro.


LIÇÃO DE FRANCÊS - 2


Bonjour,

Bien trouvé ! J'aime le titre: il fait preuve d'un humour chaleureux, bienveillant. Et de l’imagination...On aime tous se faire surprendre et avoir de belles surprises!

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3.4.08

JOVENS CRIADORES 2008


Estão abertas as inscrições para o concurso Jovens Criadores 2008, iniciativa conjunta do Instituto Português da Juventude e do Clube Português de Artes e Ideias e destinada a dar a conhecer artistas em início de carreira (até aos 30 anos), de nacionalidade portuguesa ou residentes no país.

As áreas a concurso são Artes Plásticas, Banda Desenhada, Ilustração, Ciber Arte, Fotografia, Vídeo, Dança, Música, Design de Equipamento, Design Gráfico, Joalharia, Moda e Literatura.
Inscrições até 12 de Maio.

Para saber mais, ver o sítio
http://www.artesideias.com/ ou através do e-mail: jovenscriadores@mail.telepac.pt.

PRÉMIO CRIATIVIDADE EM MULTIMEDIA


A ZON Multimedia está a promover o Prémio ZON Criatividade em Multimedia, com dois objectivos: 1) incentivar e contribuir para a promoção e desenvolvimento da indústria multimedia e audiovisual em Portugal, e 2) distinguir trabalhos que reflictam os valores da ZON Multimedia (competência, inovação e diversidade).

Os trabalhos serão distribuídos em 3 categorias: 1) aplicações, 2) conteúdos multimedia, e 3) curtas-metragens.


Para saber mais, consultar o sítio ZON Multimedia ou o email premiozon@zon.pt.

BLOGUES E EMPRESAS EM DISCUSSÃO



No dia 10 de Abril, pelas 15:00, no Museu da Electricidade (Lisboa), vai discutir-se o tema Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?, no que será a terceira edição das Conversas Unicer [via PrintScreen].

O debate contará com a presença de António Pires de Lima (Unicer), bem como Bruno Giussani (blogueiro, investigador, empresário e antigo director de estratégia do Fórum de Davos), António Granado (editor do Público Online), Eduardo Correia (professor de gestão), Luís Paixão Martins (consultor de comunicação), Maria João Nogueira (responsável da plataforma dos blogues da Sapo) e Paulo Querido (jornalista e blogueiro).

LA SONNAMBULA, DE VINCENZO BELLINI


A história da ópera de Bellini conta-se depressa: Amina está noiva de Elvino, mas é vista perto do quarto do conde Rudolfo. Elvino zanga-se com ela e anuncia a retomada de uma relação antiga com Lisa. O conde nega qualquer envolvimento e diz que Amina é sonâmbula, o que explica o comportamento dela. O regresso de Elvino para junto de Amina é lento e ocupa todo o segundo acto.

A representação na Wiener Staatsoper teve Patrizia Ciofi como Amina, Antonino Siragusa como Elvino e In-Sung Sim como Rodolfo.



Procurei no Google informações de Patrizia Ciofi, que ilustrassem melhor a magnífica voz, e descobri um pequeno vídeo no
YouTube, a não perder (O mio babbino caro, de Gianni Shicchi).

LIÇÃO DE FRANCÊS - 1


Recentemente o jornal Diário de Notícias distribuiu, com a sua edição diária, uma colecção de CD com dicionários de várias línguas, das mais próximas (francês, italiano) às mais longínquas (chinês). O blogueiro passa, a partir de agora, a publicar lições em francês (com agradecimento a MGF pela sua colaboração desinteressada):

Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem
"PROFESSOR MICHAEL SCHUDSON NA UNIVERSIDADE CATÓLIC...":
Oh les beaux ... titres!"
O tema do seminário do professor Schudson nesse dia será Six or Seven Things News Can Do For Democracy. "Je ne connais ni sujet ni le professor Michael Schudson, cependant je me arrête au titre de la conférence - " Six or Seven Things ... News Can Do For Democracy". Il me choque sans me choquer. On comprend que le 6 et le 7 ne sont pas arbitraires, la même chose pour la disjonction "ou". MS nous « mène » vers une symbolique judéo-chrétienne, la création du Monde -six jours-, le septième … du repos ou de la fin ... des temps.
Classique, répliqueriez-vous, on n’y prêtre même pas attention tellement la symbolique est transparente. Oui, c’est vrai, les bons titres sont difficiles à trouver… Pour le reste nous attendons vos réflexions…Maintenant je suis comme ça: je choisis les livres et le reste d'après les titres. Je suis devenue amoureuse... des titres, si je ne les aime pas, je n'achète pas. Certains jours où je veux absolument les acheter, je leur invente des titres... à moi...
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HOMÓNIMO OU "XARÁ"


Em 24 de Julho do ano passado, dava conta de um meu homónimo brasileiro, autor do livro Handebol 1000 exercícios. Hoje, ele colocou um comentário nessa mensagem, que eu reproduzo aqui, pela curiosidade e pelo seu nobre gesto:

Saudações a todos,
Sou o Rogério Santos, (Brasileiro), autor dos livros que foram creditados ao meu "Xará", como popularmente chamamos no Brasil aqueles que têm o mesmo nome. Agradeço de público a boa disposição do Rogério Santos, Português, em esclarecer as coisas, dando os devidos créditos a quem de direito. Hoje, passei a assinar Lúcio Rogério, esperando assim criar menos confusões.
Abraços,

Lúcio Rogério

2.4.08

PROFESSOR MICHAEL SCHUDSON NA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA


O professor Michael Schudson, da Universidade da California, San Diego, e da Universidade de Columbia (Nova Iorque), vai estar na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP) nos próximos dias 15 a 17 de Abril, dentro do programa de doutoramento de Ciências da Comunicação da UCP.

O seminário do primeiro dia (dia 15, terça-feira, das 18:30 às 21:30, no auditório A2) é aberto ao público interessado nas matérias de jornalismo e media. O tema do seminário do professor Schudson nesse dia será Six or Seven Things News Can Do For Democracy.

No dia anterior, segunda-feira, Michael Schudson profere uma conferência na FLAD.

MAK - MUSEUM FÜR ANGEWANDTE KUNST


O MAK - Museum für Angewandte Kunst, em Viena é uma espécie de mostra das artes decorativas austríacas. Fundado em 1864, o museu desperta duas perspectivas distintas. Por um lado, o edifício é muito bonito, em especial no interior, e tem colecções de grande valor em mobiliário, têxtil, vidro, arte islâmica, joalharia. Há uma colecção de cadeiras verdadeiramente notável (e que uma imagem mais abaixo retirada do sítio do Museu mostra parcelarmente). Por outro lado, o piso inferior tem espaços de verdadeiro armazém, guardando peças infindas sem identificação e que deveriam estar fechadas ao público.


No presente momento tem em exibição temporária uma exposição sobre gravuras e impressões ornamentais que resultam de uma acção concertada entre três museus: Biblioteca de Arte do Museu Nacional de Berlim, UPM - Museu de Artes Decorativas de Praga e MAK - Museum für Angewandte Kunst, de Viena [imagem anterior em cima retirada do sítio do MAK - Museum für Angewandte Kunst].

O catálogo indica que o estudo do ornamento é uma disciplina de nicho dentro da história da arte, mas, a partir da exposição, fica-se com uma ideia da importância da matéria. O zénite do ornamento ocorreu no final do século XIX quando se tornou uma fonte de inspiração do design. Ponto de partida para profissionais, o ornamento fornece uma compreensão nítida da história da arte de diferentes períodos, talvez por ser uma arte marginal ou não tão bem prezada que outras.

O BLOGUE DE ISABEL COUTINHO


Desde ontem na rede dos blogues, o Ciberescritas, de Isabel Coutinho. Escreve a jornalista do Público que, desde 1996, "assina semanalmente a coluna Ciberescritas sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura".

Agora passa também para os blogues. Bem-vinda e vida longa, com muitas mensagens.

1.4.08

PROGRAMAÇÃO TELEVISIVA


Excerto da comunicação de Jorge Wemans, director da RTP2, canal público de televisão, na acção de formação de professores promovida pelo SDER - Secretariado Diocesano do Ensino Religioso, em 29.3.2008, sobre programação infanto-juvenil na televisão pública:


REFLEXÕES SOBRE O "JORNALISMO POSITIVO" - A RESPOSTA DE EDUARDO CINTRA TORRES


A partir da mensagem aqui publicada no dia 30 de Março, Eduardo Cintra Torres respondeu-me. Eis o seu texto:

Caro Rogério,

Obrigado pela atenção. É bom saber que espicacei um leitor exigente!

Respondo-lhe à pressa, pelo que será uma resposta longa e decerto atabalhoada.

É claro que discordo de muito do que escreve. Em especial, o comentário ao meu último parágrafo, em que o Rogério deduz exageradamente a partir do que escrevi. Mas é habitual, pois quando se escreve Salazar ou fascismo torna-se muitas vezes impossível racionalizar o debate. O que lá está é o que lá está: os regimes políticos preferem o jornalismo positivo; eu vivi sob o fascismo e via o Telejornal todos os dias quando era rapaz; os telejornais eram 'jornalismo positivo'; achei que era um bom remate para o artigo, artigo de jornal, mas fundamentado com diversas citações, experiência de dezenas de anos de jornalismo, e artigo que comecei a escrever há um par de meses. Assim, o meu remate não é nada perigoso, é factual. Só teria sido preocupante ou perigoso se incluísse alguma mentira.

Não defendi que a questão se aplicasse apenas a Portugal. Está logo no primeiro parágrafo uma referência a que 'a questão é antiga e é geral'. E no segundo parágrafo cito diversas publicações estrangeiras de 'jornalismo positivo'. Mas há uma especificidade portuguesa: há centenas de referências em Portugal relacionando o eventual jornalismo 'negativo' ao carácter nacional português. Eu já tinha escrito essa parte do artigo quando surgiu o artigo de Vital Moreira, referindo-a também. Não podemos descartar esta especificidade.

O que escrevi confirma os estudos de que há mais notícias negativas. Parte do meu artigo é precisamente a explicar porquê. No seu comentário parece que eu digo o contrário.

Também não concordo com a ideia de que tenho 'uma agenda'. Acontece que me parece não haver mais ninguém fazendo na imprensa o tipo de abordagem em profundidade que eu faço a noticiários da RTP-SIC-TVI ou, já que a refere, a documentos da ERC. Se aparecerem outros a fazê-lo, óptimo. Liberta-me do fardo que sinto de prestar um serviço público aos meus leitores. O Rogério também poderia ter referido a minha 'agenda' de análise de documentários da RTP2 (quem mais a faz?), de reportagens televisivas, etc. Sendo crítico de TV e media é natural que tenha uma 'agenda' que implica matérias relacionadas com... a televisão, os media, as reportagens, a ERC, etc.

Sobre M. Schudson: não conheço o estudo; poderemos perguntar-lhe quando ele vier à Universidade Católica em breve se entre 1960-1992 aumentou apenas o tom negativista ou se aumentaram também - já agora - os acontecimentos negativos. É o período da guerra do Vietname, lutas pelos direitos civis, caso Watergate, etc. É muito importante não esquecer que o tom se aplica... a referentes do mundo real.

A dieta que me recomenda é óptima... mas eu tenho a minha 'agenda' de estudos académicos já cheia... A recomendação não calha com a minha actividade de crítico. Mas, de qualquer forma, sou muito atento a estas questões, e baseei-me em observações empíricas, certamente não científicas. Aliás, quando refutei todos os casos empíricos citados por Vital Moreira foi porque tenho a certeza absoluta do que escrevi.

Referi que o jornalismo 'positivo' resulta em parte do papel natural que os governos e outras autoridades assumem no realce do positivo e que isso contribui para um equilíbrio salutar em democracia. Não se pode inferir que eu ache que o jornalismo positivo é todo... negativo.

O facto de o P2 ser um caderno optimista, positivo, etc não serviria para mitigar o interesse do tema do jornalismo positivo, tema permanente da 'agenda' metajornalística em Portugal. Citei a propósito um debate do Clube de Jornalistas que vi com a máxima atenção. E citei um exemplo russo, a partir dum artigo de José Vítor Malheiros.

Uhf! Que mais poderia fazer num artigo de jornal?

Um abraço e mais uma vez obrigado pela sua reflexão partilhada.

Eduardo