Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

31.5.08

A MINHA LEITURA DO LIVRO DE JOSÉ MIGUEL SARDICA (TWENTIETH CENTURY PORTUGAL. A HISTORICAL OVERVIEW)


É, como o autor o enuncia, um livro síntese para uma audiência estrangeira (alunos de doutoramento americanos, em 2007) (pp. 10-11). Logo, não há investigação nova mas uma perspectiva de abrangência como o subtítulo indica: historical overview).

Nesse sentido, é um texto muito cartesiano, arrumando a História em períodos bem definidos, com datas-chave – 1910, 1917, 1926, 1933, 1968, 1974, 1976, 1986 (p. 11; p. 100) –, ao identificar dez regimes políticos diferentes desde o absolutismo de 1820 por comparação com a situação nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dentro dos três regimes políticos existentes no século XX, José Miguel Sardica distingue três momentos em cada um desses regimes, numa linha historicista hegeliana ou que aceita a perspectiva biológica de nascimento, crescimento/maturação e envelhecimento/morte.

Assim, a Primeira República divide-se em Velha República (1910-1917), com a figura tutelar de Afonso Costa, consulado de Sidónio (1917-1918) e Nova Velha República (1919-1926) (p. 31).

Depois, o Estado Novo: 1933-1945, 1945-1961 e 1961-1974 (p. 65). Aqui, percebem-se o período de Constituição de 1933 ao final da II Guerra Mundial, o período subsequente até ao annus horriblis de 1961 (assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão, começo da guerra colonial em Angola, invasão e perda dos territórios de Goa, Damão e Diu na Índia, tentativa de golpe de estado pelo próprio ministro da Defesa) e a queda do regime em 1974.

Já o terceiro período é dividido por Sardica em anos da revolução (1974-1976), década da consolidação (1976-1986) e era da integração europeia (depois de 1986) (p. 85).

Livro pedagógico, trata-se, por isso, de um livro muito útil. Autor com uma cultura muito vasta e sólida da História da segunda metade do século XIX, este livro é também uma ilustração do seu conhecimento sobre o século mais próximo de nós. A leitura do século XX é necessariamente complexa, cuja interpretação o historiador procura ser equilibrada. Nomeadamente a análise que faz às críticas à Igreja Católica pelos dirigentes da Primeira República. José Miguel Sardica separa as suas fortes convicções religiosas da análise rigorosa e isenta do historiador. Ele elabora, a meu ver, a forma moderna de escrever História, livre dos preconceitos ideológicos que rodeiam os historiadores identificados com o regime do Estado Novo (a historiografia do tempo de Salazar, que exorcisou a República de 1910) e com a esquerda radical (comunistas e grupo de historiadores em redor de Fernando Rosas, que decretaram o período pós 1926 como de total escuridão e isolamento, em busca da compreensão de acontecimentos como as adesões do país a instituições internacionais como EFTA, ONU e OTAN).

Claro que vale a pena seguir a interpretação feita por Sardica quanto ao salazarismo enquanto regime autoritário mas não fascista (pp. 57-60), um dos pontos que levantará, certamente, mais polémica. Outro ponto passível de discussão é o das leituras do espírito de Abril (de 1974), em que Mário Soares é o Kerenski da revolução portuguesa e Álvaro Cunhal o Lenine português (p. 82). E a dimensão das páginas de texto - doze em 93 - dedicadas à compreensão do salazarismo, embora seja certo que Salazar foi a figura que mais tempo ocupou a governação do país no século passado (pp. 47-63).


Num texto sintético, ficam assinaladas as grandes estruturas mas escasseiam os pormenores ou as áreas que não as da pura interpretação dos factos. À história política e seus principais acontecimentos e agentes sociais faltam a história económica e cultural. E, igualmente, a história dos media, que o leitor gostaria de ver contemplada. Quem sabe se vai haver um esforço futuro nesse sentido?

O texto agora publicado pela Universidade Católica Editora é completado com acrónimos (importantes para um leitor estrangeiro compreender as siglas de partidos políticos ou instituições portuguesas), uma cronologia (curiosamente começada em 1889, com o nascimento de Salazar, futuro ditador nacional, e a morte do rei Luís I, e concluída com o tratado europeu de Lisboa, em 2007) e curtas biografias de 17 principais figuras políticas nacionais ao longo do século.

MEDIAXXI COM NOVO FIGURINO


A revista MediaXXI, dirigida por Paulo Faustino, tem um novo visual e novos (ou mais precisos) objectivos e públicos-alvo.

Editado agora o número 93 e entrando no 12º ano de actividade, Faustino indica que a "publicação sempre conferiu especial importância a conteúdos com interesse para os profissionais, professores e investigadores ligados à comunicação", projecto que pretende ampliar com a inclusão de artigos científicos. Comunicação, media e entretenimento - e internacionalização - são, agora, o centro da publicação, como continua no seu editorial "Reposicionar e consolidar". Com concurso de três aspectos fundamentais:

  • 1) necessidade de informação para as instituições de mdia mas com argumentação científica, 2) informação científica para as instituições de ensino mas com compreensão da indústria, e 3) consolidação da comunicação como driver da sociedade da informação e do conhecimento.
Entre outros, a revista traz artigos de Francisco Rui Cádima, Alan Albarran, Alfonso Sanchéz-Tabernero, Steve Wildman, Robert Picard, Angela Powers e Rita Figueiras.

ALKANTARA FESTIVAL


alkantara festival, mundos em palco no 2º fim-de-semana, eis a proposta para estes dias, a rivalizar com o outro festival, o Rock in Rio.


Nomes: 1) benjamin verdonck, fumiyo ikeda, alain platel (nine finger), 2) akram khan company and national ballet of china (bahok), 3) p.a.r.t.s. (new works), 4) zoo / thomas hauert (accords).

Mais informações
aqui.

UMA COLECÇÃO MUITO CUIDADA


[Declaração de interesse: editei um livro nesta colecção, esperando vender todos os exemplares]


A colecção A Construção do Olhar, das Edições 70, é dirigida por José Carlos Abrantes e o responsável pelas edições é Pedro Bernardo.

Em primeiro lugar, friso a qualidade e o lado apelativo das capas. Em segundo, os temas seleccionados: imagens da ciência, imagens dos media, reflexão sobre a televisão, desenhos animados e crianças. Autores: Monique Sicard (de que fiz aqui referência, incluindo imagens e vídeos, como o abaixo inserido), eu próprio, Serge Tisseron e Ema Sofia Leitão. Em terceiro, e na sequência da escolha de autores e temas, o conteúdo.



Já há algum tempo ando para ler o texto de Ema Sofia Leitão, Desenhos animados. Discursos sobre ser criança, tarefa que me vou incumbir nos próximos tempos, para verter aqui um comentário mais suculento.

30.5.08

PORTUGAL DO SÉCULO VINTE


Chegou hoje às livrarias o livro de José Miguel Sardica, Twentieth Century Portugal (a Historical Overview), uma edição da Universidade Católica Editora.

Professor de História Contemporânea, História do Jornalismo e da Opinião e História Comparativa da Europa na Universidade Católica Portuguesa, onde é actualmente Director-Adjunto da Faculdade de Ciências Humanas, o livro, originalmente a sua lição proferida na "Summer School" organizada por aquela faculdade em Julho do ano passado, tem vinte capítulos (e 148 páginas no total do texto).

Porque chegado hoje aos escaparates das livrarias, ainda não tive tempo de o ler. Por isso, fica o primeiro parágrafo:


  • Providing an overview of Portugal's 20th century historical evolution and reshaping is a challenging task, not only because of the time span involved - one hundred years of the most recent, vivid and controversial history - but also because of the variety of political experiences that Portugal endured in those years, each aiming at the establishment of one given social and institutional framework. For such a long-established country - one of oldest in Europe dating back more than eight centuries - the last hundred years were among the most vertigious and important in its history. It was a time of speedy and often contradictory change that set a backward and underdeveloped nation on the road towards the present national economic development, political democracy and free society, enabling Portugal to become, despite structural weaknesses, an actively participating member of one of the most advanced regions in the world.
Dos vários capítulos do livro, retiro alguns: queda da velha monarquia, cultura republicana, questão religiosa, morte do liberalismo português e queda da Primeira República, ditadura militar e ascensão de Salazar, essência ideológica e definição histórica do salazarismo, guerra colonial e ventos de mudança dos anos 1960, Primavera de Caetano, leituras do espírito de Abril (de 1974), entrada na Europa e Portugal moderno. O livro contém ainda curtas biografias dos principais dirigentes políticos do país nesse século importante para Portugal que foi o XX. É, com certeza, uma leitura obrigatória para os próximos tempos.

ELEMENTOS PARA A COMPREENSÃO DAS REDES SOCIAIS


Uma rede social é formada na internet com dispositivos de troca e partilha de mensagens e ficheiros, chats, grupos de discussão, blogues, música, álbuns fotográficos e vídeos e interactividade nos telemóveis, que ligam amigos e amigos de amigos. Angaria amigos físicos e virtuais, reunidos por um tema, agregando novos utilizadores por convite, e decalca a relação como se fossem convites para participar numa festa ou grupo. Exponencia o lado lúdico, com actualização como se fosse um noticiário de amigos – festas, férias, fotografias, ponto de encontro virtual.

As redes sociais revolucionaram o modo de comunicar e partilhar informação com outras pessoas (ver texto na
Wikipedia). Os principais tipos de redes sociais contêm directórios de várias categorias, caso de antigos colegas de uma turma ou curso, que permanecem amigos e estabelecem ligações entre si pela internet e recomendam redes sociais em que confiam.

Segundo Boyd e Ellison (2007), redes sociais como
MySpace, Facebook, CyWorld e Bebo têm atraído milhões de utilizadores, integradas nas práticas das suas vidas diárias. Muitos dos sítios apoiam a manutenção de redes sociais pré-existentes, atraindo diversas audiências ou criando audiências em torno de língua comum ou interesses partilhados como raça, sexo, religião ou nacionalidade. Com frequência, um utilizador pertence geralmente a mais do que uma rede social ( fotografia de Danah Boyd retirada do seu sítio).

Conforme as mesmas investigadoras (Boyd e Ellison, 2007), define-se a rede social como um serviço de internet que permite aos indivíduos: 1) construir um perfil público dentro de um sistema definido, 2) articulando outros utilizadores com quem estabelecem ligações, 3) atravessando a sua lista de ligações com outros utlizadores dentro do sistema. O que torna distinta a rede social, continuam Boyd e Ellison, não é tanto fazer contactos com desconhecidos mas articular e tornar visível as redes sociais a que um utilizador pertence. Em muitas das redes sociais, concluem os dois investigadores, a rede social serve principalmente para comunicar com as pessoas que já pertencem a essa rede.

As redes sociais datam da presente década, tendo sido o
Orkut uma das primeiras redes. Cada nova rede procura agregar funcionalidades tecnológicas mais recentes de modo a atrair mais utilizadores. O Hi5 é a rede mais popular em Portugal e o Facebook uma das mais importantes nos Estados Unidos. Nomes de algumas dessas redes: MySpace, Facebook, Bebo, Skyrock Blog, Hi5, Orkut, Friendster, CyWorld e LinkedIn. A primeira rede social foi a ARPANET, a que se seguiram listas como a BBS (Bulletin Board Services), por exemplo.

O texto da
Wikipedia chama a atenção para o aparecimento de sítios como Classmates.com (1995) e SixDegrees.com (1997), relacionados com antigos colegas de escola, agora juntos numa rede virtual. A partir de um perfil criado, este era enviado por uma mensagem para uma “lista de amigos” e outros membros que se julga partilharem de gostos e preferências aproximadas. As inovações, continua a ler-se no mesmo texto, incluiam os amigos com quem um utilizador se relacionava mas também permitia maior controlo sobre o conteúdo e interactividade.

Em 2005, os serviços das redes sociais MySpace e Facebook cresceram muito rapidamente. Já em 2007, o Facebook começou a desenvolver novas aplicações, possibilitando ao utilizador desenvolver trabalho gráfico. Em Março de 2005, a Yahoo lançou o Yahoo! 360°, a que se seguiu, em Julho de 2005, a compra do MySpace pela News Corporation.

A investigação feita sobre o impacto social do software das redes sociais, como o Facebook [
Wikipedia], reside em tópicos como: 1) identidade, 2) privacidade, 3) e-learning, 4) capital social, e 5) uso pelos adolescentes.

Um autor americano, P. David Marshall, no livro New media cultures (2004), fala em pares de antinomias que justificam a análise às redes sociais e à internet no geral: acesso/exclusão, personalização/colectividade, trabalho/jogo, produção/recepção.

[mensagem baseada em textos da Wikipedia]

29.5.08

COMUNICAR A EUROPA


Hoje, ao final da tarde, Johannes Laitenberger, porta-voz da Comissão Europeia, falou sobre Comunicar a Europa: a política de informação na União Europeia. O local da conferência foi a Universidade Católica Portuguesa.

Após se referir à construção da União Europeia e aos desafios mais recentes (concertação sobre reunificação europeia, com alargamento a 27 países, que representam 500 milhões de habitantes, modernização económica e social, projecto continental num mundo globalizado, políticas energéticas e climáticas, políticas dos resultados), Laitenberger referiu as três vertentes do trabalho e do debate em torno das políticas de comunicação: comunicação social, com o público em geral, com públicos especializados, em Bruxelas e nos Estados membros.

Laitenberger destacou o número de jornalistas creditados em Bruxelas - 1300 -, o que faz daquele local a maior concentração de media em todo o mundo. Frisou ainda a importância do encontro diário com a imprensa e das facilidades de comunicação ao serviço dos jornalistas, que começara no telefone e na televisão e agora está na internet, com videoclips da conferência de imprensa diária e blogues. No respeitante aos media audiovisuais, a Comunidade Europeia fala 21 línguas (em 27 Estados), o que significa ter de traduzir, tarefa difícil atendendo à necessidade imediata de recolha de sons.

O porta-voz da Comissão Europeia teve ainda oportunidade para se referir ao Plano D - Democracia, Diálogo, Debate. O Plano D significa espaços públicos de debate com os cidadãos, debates especializados ou não, cujo objectivo é o reforço do conhecimento das questões europeias.

28.5.08

ROMANCE NA INTERNET

Marta Amado é uma jovem escritora que procura editar o romance intitulado Vidas Desencontradas. Enquanto não a encontra, decidiu partilhar com os seus leitores da internet o romance, a ler no blogue Palavras Soltas.

27.5.08

NOVOS MEDIA E CONVERGÊNCIA


Os novos media e a idade da convergência é o título da conferência que Miguel Martins, editor do Expresso Multimedia, vai proferir no dia 2 de Junho, na Escola Superior de Educação de Coimbra.

O objectivo desta conferência é analisar as tendências e os desenvolvimentos recentes no domínio dos media, em tempos de transição para sistemas integrados multimédia e on line.

Tomando como objecto de análise a plataforma multimedia do Expresso, Miguel Martins vem mostrar como estes desenvolvimentos, mais que uma promessa para o futuro, são já uma realidade em termos de práticas profissionais, de configuração das organizações, de produção e estruturação de conteúdos e de hábitos de consumo.

Mais informações em www.esec.pt.

CONCURSO DE IMAGEM

Desafio Quentes e Boas é um concurso de imagem e criatividade promovido pela Páginas Amarelas que decorre até Novembro de 2008, apadrinhado por Fernando Alvim.

Aos participantes basta criar um vídeo (individual ou em grupo), que conte uma história real ou ficcionada, em que um ou mais produtos da Páginas Amarelas sejam protagonistas. Há prémios para os três melhores videos.

Ver informações detalhadas sobre o desafio
aqui e como participar aqui.

ESTRATÉGIAS DO AUDIOVISUAL SEGUNDO RUI CÁDIMA


Talvez ainda mais importante que o estudo da ERC, aqui discutido ontem, é o livro que Francisco Rui Cádima lançou a semana passada, A Crise do Audiovisual Europeu. 20 Anos de Políticas Europeias em Análise. Escreve ele: “Mais de vinte anos depois, o essencial permanece imutável. A «obra europeia» neste sector confunde-se com o «telelixo»” (p. 93).

Acrescenta o autor, pessimista com o rumo que o audiovisual tem tomado na Europa, que os canais públicos prosseguem estratégias comerciais sem colocar primazia na cidadania ou na ética, enquanto se agrava o défice comercial no audiovisual face aos Estados Unidos, sem nada ser feito no domínio da educação para os media.


O audiovisual, continua, não é visto na dimensão social e cultural, mas na de “serviço económico” e “mercado”. Salienta ainda a ausência de investimento na formação de recursos humanos em áreas como computação e gestão de projecto multimedia. Cádima aponta igualmente a ausência de uma avaliação rigorosa da Directiva comunitária Televisão sem Fronteiras e a necessidade de um “controlo efectivo dos géneros de programas, metodologias e estatísticas referentes a quotas de programas dos operadores”.

Se o estudo da ERC identifica ao pormenor o caudal de programas e serviços noticiários nos canais televisivos e aponta os pontos fortes e as fragilidades no âmbito nacional, Cádima olha a legislação da Comunidade Europeia e detecta os múltiplos equívocos nas estratégias (ou sua ausência) da política comunitária do audiovisual. Assim, os erros ou defeitos comunitários reflectem-se necessariamente sobre o tecido audiovisual nacional, tarefa que não compete à ERC na sua análise.

26.5.08

AINDA A ERC


Sobre os grupos económicos de media, o relatório hoje divulgado pela ERC tem dados interessantes sobre os grupos de media, sem necessidade de comentar, dada a eloquência do texto. Aí se lê:

1. Em 2007, os grupos económicos analisados - ZON Multimédia (anteriormente denominada PT Multimédia), Impresa, Media Capital, RTP, Cofina, Renascença e Sonaecom - obtiveram um volume global de negócios de 2 541 milhões de euros, empregaram 9 683 pessoas e geriram activos que, no final do ano, totalizavam 4 446 milhões de euros.
2. Em termos de dimensão, evidenciam-se os grupos SONAECOM e ZON Multimédia que, em conjunto, representavam mais de 62% do total da facturação e dos activos. Atendendo ao número de trabalhadores, destaca-se a RTP, responsável por mais de 24% dos postos de trabalho.
3. Quanto à rendibilidade, os indicadores revelam também alguma disparidade entre os grupos. No que respeita à rendibilidade operacional do activo, que variou entre 9,8% e (2,5%), os grupos ZON Multimédia, MEDIA CAPITAL e IMPRESA situaram-se, em 2007, claramente acima da média.
4. Os grupos de comunicação social em análise têm modos de organização diversos no que diz respeito aos desafios do sector, estando a ZON Multimédia e a SONAECOM particularmente aptas para actuarem num contexto de convergência entre as telecomunicações e os media.
5. Os grupos CONTROLINVESTE e IMPALA não foram objecto de estudo, uma vez que à data de elaboração deste relatório os respectivos documentos de prestação de contas de 2007 não tinham sido ainda divulgados.

PÚBLICOS DE TELEVISÃO


Da análise do estudo da ERC, e por deformação quase profissional, eu olhei para as sínteses sobre públicos dos canais televisivos de sinal aberto e noto mais semelhanças do que diferenças.
Assim, na RTP, SIC e TVI, o público maioritário é feminino, com mais de 64 anos, vivendo no interior do país e classes sócio-económicas C2 e D. A única diferença é o público dos 4 aos 14, que é o segundo nível etário na RTP2 e o último na RTP1. A diferença de peso da profissão "dona de casa" (mais na RTP que nos canais privados) carece de melhor observação.

Conclusão última: dada a semelhança entre RTP e canais comerciais, pode concluir-se que, provavelmente, não é preciso serviço público de televisão.

MANCHETES SOBRE CRIMES DESTACAM-SE NO JORNAL PÚBLICO


A ler com cautela, porque o título é enganoso

No Público online de hoje, a partir de take da Lusa, lê-se:

Segundo o Relatório de Regulação de 2007 da ERC
RTP, SIC e TVI não cumprem lei da televisão e contrato de concessão (26.05.2008 - 13h59 Lusa)
As três televisões generalistas não cumpriram no ano passado as suas obrigações, tendo a RTP falhado na difusão de obras em português e a SIC e TVI nos programas de debate e entrevistas, segundo o Relatório de Regulação de 2007 da Entidade Reguladora para a Comunicação Social hoje divulgado.
De acordo com este Relatório de Regulação, a monitorização da emissão dos canais portugueses mostrou "insuficiências claras" no cumprimento das obrigações da RTP, nomeadamente no que diz respeito a programas formativos e dirigidos aos jovens e crianças, mas também na quota de difusão de obras de produção em língua portuguesa. A RTP1 não cumpriu a obrigatoriedade de difusão de pelo menos 20 por cento de obras criativas de produção originária em língua portuguesa, tendo até registado uma "descida relevante" relativamente a 2006. Incumprimento que foi também registado na RTP2, onde se verificou igualmente uma descida. A estação pública registou também um "baixo índice" de programas formativos e uma "quase ausência" nos dias úteis de programas dirigidos aos públicos juvenil e infantil e aos grupos minoritários, obrigações impostas pelo contrato de concessão de serviço público. A ERC fez ainda um "reparo crítico" à RTP2 devido às repetições de programas, que representam "mais de um quarto da programação" neste canal. Os canais privados SIC e TVI também foram acusados de incumprimento, tendo ambos falhado a obrigação de emitir programas informativos de debate e entrevista autónomos e com periodicidade semanal. A ERC adianta ainda que a TVI não cumpre a obrigação de emitir diariamente programas dirigidos ao público juvenil e infantil, no período da manhã ou da tarde.

O texto do Público online dá 19 linhas à informação sobre a RTP e 4 linhas sobre os dois canais privados. No relatório da ERC, há cerca de 35 páginas dedicadas à avaliação da programação dos dois canais públicos e cerca de 30 páginas aos dois canais comerciais (SIC e TVI). Na análise aos noticiários há igual equilíbrio. O jornal deveria respeitar este mesmo equilíbrio.

Eu procurei outras páginas do relatório (de 1226 páginas!) e vi o que se escreve sobre o Público e o Diário de Notícias (p. 959):

A análise das primeiras páginas das 15 edições do Diário de Notícias e do Público abrangidas na amostra registam um conjunto de características e padrões que confirmam a sua natureza de jornais “de referência”, não obstante contenham também, nomeadamente o Diário de Notícias, elementos característicos do perfil “popular”.
• Esses elementos estão presentes, nomeadamente, na selecção e hierarquização dos temas mais frequentes e no enfoque colocado na sua abordagem, na construção de títulos, na identificação e pluralidade de fontes. No Público, destaca-se o peso dos temas e protagonistas internacionais e da cultura, com valores mais elevados que no Diário de Notícias.
• Nas 15 edições de cada jornal identifica-se uma maior fragmentação da primeira página do Diário de Notícias, relativamente à primeira página do Público, patente no maior número de artigos (em títulos, chamadas etc.) (203) do que a primeira página do Público (116).
No que respeita a manchetes, embora em ambos os jornais a maior parte das manchetes incida sobre um conjunto variado de temas, destacam-se as manchetes sobre crimes [colorido meu].

Isto é, se o Público chama a atenção para o que se passa nas televisões, eu puxo o tema das manchetes sobre o crime naquele jornal para primeiro plano. A minha leitura é tão válida como a do jornal, mas igualmente errada. Com a agravante do jornal não enunciar as parcelas boas da análise da ERC sobre os canais de televisão. O erro, o não cumprido, o negativo é notícia; os aspectos positivos são omitidos. É preciso ter atenção com este modo de fazer as notícias, mesmo que a fonte seja a agência de notícias Lusa!

Conclusão última: da notícia do Público parece haver um ataque ao serviço público de televisão.

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (5) [CONCLUSÃO]


[continuação do texto dos dias 6, 9 e 25 de Abril e 8 de Maio]

Como as tecnologias retrataram (ou poderiam retratar) o Maio de 1968

Os jornais seriam o único meio de comunicação veiculando informações (sobre a televisão e os seus noticiários ler o livro de Francisco Rui Cádima). Mas como Portugal era um país amordaçado, a objectividade e imparcialidade não existiam, dado o aparelho de censura que tudo sopesava e cortava. O esterótipo tomou conta da representação do movimento. Os jornais começaram a perder peso em termos de volume de vendas, mais acentuado nos anos de 1980, com o desaparecimento de muitos títulos (embora novos surgissem). Dada a quantidade de imagens (e de ícones então nascidos com as demonstrações estudantis francesas), as revistas, embora de modo ténue, eram o melhor espaço para informar o que se passava em França.

Algum telefonema ou a vinda de alguém conhecido de França seriam eventualmente os modos mais adequados de transmissão de conhecimentos, conquanto o telefone sofresse escutas, com alocação de aparelhos de escuta numa zona discreta em cada central telefónica.

Então iniciada, a Primavera marcelista (mudança de regime por dentro) fracassaria. Entre 1968 e 1969, o regime experimentou mudanças. A ala liberal do parlamento (então Assembleia Nacional), em que Sá Carneiro e Pinto Balsemão seriam dos membros mais conhecidos, recuava rapidamente. A televisão era controlada pelo regime, enquanto a rádio, como acima escrevi, passava por uma mudança tecnológica e geracional, embora sem força para dar conta do que se passava fora de Portugal – afinal havia mudanças em França, na Alemanha, nos Estados Unidos.

As rádios livres, primeiro, e a televisão privada de 1992 e 1993, logo depois, fizeram o audiovisual ser a tecnologia de comunicação mais importante, na informação e no entretenimento (o cinema também se ressentiu da massificação da televisão, em especial quando a telenovela surgiu à hora do jantar, caso de Gabriela, que fazia parar o país). Dois indicadores de serviços davam conta dessa paragem num tempo em que não havia medição de audiências: as centrais telefónicas mecânicas ficavam mudas durante a transmissão da telenovela e desatavam num enorme ruído quando ela acabava (o ruído era provovado pelo equipamento que funcionava); o caudal de água consumida era mínimo durante o mesmo período, aumentando substancialmente quando a novela acabava. Os técnicos desses dois serviços conseguiam assim medir fluxos de consumo.

De 1974, quando houve mudança de regime político, até 1986, data de entrada do país na CEE, as tecnologias foram lentas na sua evolução, como atrás descrevi. Mas o Maio de 1968 já não era tão importante, dadas as transformações – sociais, económicas, profissionais, culturais e tecnológicas.

Quarenta anos de história, sem contar com as guerras, as descobertas científicas, as alterações da natureza, os movimentos sociais, a arte e a cultura, são já muito tempo. De alegrias e tristezas, de saltos no progresso e de recuo nas mentalidades, como alguns movimentos religiosos extremistas que executaram graves acidentes em Nova Iorque, Londres e Madrid. A tecnologia e o impacto que ela tem na sociedade, que a aproveita e reapropria, como no caso dos SMS do telemóvel, é o elemento fulcral deste projecto que ainda agora começou e já o dou por encerrado. O pós-doutoramento vai ter de esperar por dias mais calmos e disponíveis.

25.5.08

LER JORNAIS VERSUS VER TELEVISÃO


O meu ponto de partida pode ser bizarro, quando defendo a importância da leitura de jornais face aos noticiários televisivos: a distância do olhar ao objecto olhado. Quando vemos televisão, a distância é elevada, existindo focos de atenção entre nós e o aparelho, que nos desconcentra. A aliar a isso, uma menos capacidade de atenção do meio visual, em que a imagem vale mais do que o texto. Por seu lado, quando lemos um jornal ou um livro, a distância entre o olhar e o objecto é a distância focal do indivíduo, obrigando a uma mais elevada concentração dos sentidos.

Isso, a meu ver, justifica porque compreendo melhor as situações actuais na China e na África do Sul lendo os jornais do que vendo os noticiários da televisão. No Público, Jorge Almeida Fernandes explica-nos porque "O mundo gosta da China". Porque o recente terramoto naquele país foi acompanhado quase em directo e permanência pelos governantes e pelos media, dando um retrato do desastre mas, em especial, das medidas de solidariedade nacionais e internacionais, quando em contraponto com o isolamento total (informativo e governamental) em tragédia semelhante em 1976.

Já no Observer, John Carlin explica o que se está a passar na África do Sul ("Blame it on apartheid's cruel legacy of bad schooling and joblessness"). A morte e a violência nas cidades daquele país explicam-se por aquilo a que Carlin chama de negrofobia: não são os brancos os principais alvos da violência mas os imigrantes de Moçambique, Malawi, Somália, Congo e Nigéria. Neste momento, a África do Sul tem 40% de população desempregada; os imigrantes são mais bem qualificados e ganham aos naturais do país os empregos em concurso, o que os põe zangados, impotentes, ressentidos e, em especial, com fome. Pergunta Carlin: imaginem que 40% dos naturais de países como a França, Reino Unido ou Espanha estivessem desempregados e os novos empregos fossem para imigrantes do leste europeu ou de outras origens. O que fariam?

Por isso, retomo a minha perspectiva: a distância do olhar ao objecto olhado é um elemento fundamental na compreensão e conhecimento dos factos. A reflectir com mais profundidade numa outra ocasião.

LIVROS


A página inteira do Público dedicada à Feira do Livro que abriu em Lisboa, depois das polémicas dos dias mais recentes, dá conta de muita gente visitante no primeiro dia de feira. E a jornalista Isabel Coutinho destaca o merchandising e as promoções, ou "os produtos associados ao livro", a ganhar terreno.

As três páginas do Observer, assinadas por Robert McCrum, assinalam outra realidade. Se o texto do Público é sobre um acontecimento, com informação impressionista sobre a abertura da feira do livro, o trabalho do Observer é sobre uma problemática, a do negócio do livro na última década.

Escreve McCrum que, em dez anos, se deixou de associar livros a cigarros, cafés e bebidas fortes, numa mudança para o "politicamente correcto". O editor literário do jornal inglês fala em dez principais mudanças nesta década no que diz respeito ao livro. Destaco apenas alguns tópicos, por desconhecimento dos outros: o aparecimento de novos escritores (ver o caso de JK Rowling com Harry Potter), os grandes negócios em torno do livro, a internet (a www.amazon.uk.com, entre outras), o leitor electrónico e portátil de livros Kindle, os prémios e os festivais literários [aconselho a leitura de todo o texto de McCrum, a procurar na internet].

Volto ao Público e à página do provedor do leitor. Joaquim Vieira, a partir de uma carta de leitor, analisa um texto publicado no jornal sobre o grupo editorial Leya, onde se falava de "tentáculos de grandes grupos", "sinal de alarme", "vítimas", expressões usadas para salientar a concentração na indústria livreira. Escreveu o leitor: "Parece que a jornalista terá preferência por determinado modelo económico". Na verdade, uma coisa é descrever um facto, outra é olhá-lo com um quadro teórico ou político ou económico. O provedor chama a atenção para o livro de estilo do jornal, onde se distinguem as matérias de facto e de opinião.

APONTAMENTO SOBRE O ENSINO DO JORNALISMO


Pelo cálculo do Via Michelin, Vila Real dista do Barreiro 437 quilómetros (Portugal é um país pequeno). Contudo, o anúncio colocado no blogue Comunicamos, pertencente a um departamento ligado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, considera Barreiro como ficando no estrangeiro, estranha forma de dizer que a distância entre o produtor da mensagem e o local de emprego é considerável.

Não sou favorável ao controlo dos conteúdos, mas basta haver bom senso para eliminar tais erros. Ninguém, absolutamente ninguém, lucra com estes erros infantis.

Já agora, sigo com atenção a produção de todo o conjunto de blogues
Comunicamos, excelente meio de colocar professores e alunos a trabalhar com novas ferramentas de comunicação. Um exemplo são os curtos vídeos colocados, como este. Há grandes potencialidades no seu uso, perspectivando a criação de televisões locais na internet. O grande obstáculo é o lado financeiro de tais projectos, possivelmente ultrapassado se associados com outros media mais clássicos como a imprensa e a rádio.

Um reparo, apesar da bondade das propostas feitas na área das ciências da comunicação daquela universidade: o Manual de Jornalismo Impresso tem, como bibliografia, apenas quatro referências: 1) Gradim, A. (s.d.). Manual de Jornalismo Livro de Estilo do Urbi et Orbi. Obtido de BOCC:
http://www.bocc.ubi.pt/, 2) Livro de Estilo Público (2ª ed.). (2005). Lisboa: Gradiva, 3) Sousa, J. P. (2001). Elementos de Jornalismo Impresso. Porto: BOCC (http://www.bocc.ubi.pt/), 4) Tuchman, G. (1993). A objectividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objectividade dos jornalistas. In N. Traquina, Jornalismo: Questões Teóricas e Estórias (pp. 74-90). Lisboa: Vega. Não será de menos? A produção nacional, nomeadamente as colecções de livros da MinervaCoimbra, da Porto Editora e dos Livros Horizonte, não têm qualidade? Autores como Cristina Ponte, Joaquim Fidalgo, Manuel Pinto, Fernando Cascais, Estrela Serrano, Mário Mesquita não devem ser incluídos num manual deste tipo? Ou Michael Schudson ou Thomas Patterson? Formam-se estudantes num mínimo de informação? Não devem ser profissionais críticos?

24.5.08

TEXTOS NA BOCC


Tenho dois textos na BOCC (Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação) escritos em 1999. Têm os títulos de Internet, jornais electrónicos e teletrabalho e Os media, as tecnologias de informação e o turismo.

Como estão datados!

DADOS DE TELEVISÃO E INTERNET


Em termos de audiências de televisão, na semana de 5 a 11 de Maio, a TVI teve 30,2% de share de audiência, seguindo-se a SIC com 26,5%, a RTP1 com 23,1%, a RTP2com 5,3% e o cabo e outros canais com 14,9%. Na lista dos dez programas de maior audiência, os programas de informação lideraram (seis), seguindo-se as novelas (três) e o programa de comentários ao jogo de futebol da Liga Bwin.

Quanto à internet, foi de 1964 milhares o número de utilizadores únicos de internet que acederam a partir de casa, baixando face a semanas anteriores. O tempo de navegação repartiu-se pelos domínios de topo .com (51,7%) e .pt (36,5%). Os restantes domínios de topo representaram na semana 11,8% do tempo dedicado a este meio.

[informação e imagens a partir de Marktest]

ILUSTRAÇÃO DE EUNICE ROSADO


Eunice Rosado é uma muito jovem ilustradora, que já participou em exposições e tem um blogue chamado perto da lua (tem mais blogues, como o que indico a seguir).


Retiro um texto de um outro seu blogue this nice dog, a 20 deste mês:

  • Eunice a Ilustradora? Eunice a menina? Eunice a dona dos seus cães? A rapariga de camisola lilás e olhar melancólico? Que idade me darão as pessoas no autocarro? E que imagem formarão de mim? Serei eu invisível. Serei a única a reparar na carrinha verde que a rapariga de óculos de sol conduz? Que fará ela tão nova, conduzindo a redonda Piaggio todos os dias? Tenho saudades de ter uma máquina de costura, de ver a Ema cachorrinha e indefesa, de andar na escola como estes miúdos que entram na paragem do Quiosque... De comprar gomas no Quiosque antes de apanhar o autocarro e seguir para casa com um sorriso grande e incocente na cara!

23.5.08

ADELINO GOMES VAI SER O NOVO PROVEDOR DO OUVINTE DA RDP


Caso o Conselho de Opinião da RTP aceite, Adelino Gomes vai ser o novo provedor da RDP (notícia de Ponto Media e Público online, às 12:19, por Filipa Jorge).

A Administração da RTP endereçou o convite a Adelino Gomes para o cargo de provedor do ouvinte das estações da rádio pública, formalmente aceite na quarta-feira. A nomeação do jornalista, de 63 anos (41 anos de actividade), até agora grande repórter do Público, um dos seus fundadores e que agora abandona o jornal, fá-lo suceder a José Nuno Martins.

Segundo a notícia que estou a seguir, "O Conselho de Opinião da RTP analisa os nomes indigitados pela administração tendo em conta três considerações essenciais, identificadas na lei: idoneidade, reconhecida competência e ter trabalhado no sector dos meios de comunicação nos últimos cinco anos".

A rádio pública, tenho a certeza absoluta, ganha um grande provedor do ouvinte - o que é uma grande alegria. A profissão, e o Público muito em especial, perde um enorme jornalista - o que é uma muito maior tristeza. Adelino Gomes é uma memória dos media nestas décadas que ele leva de profissão. E igualmente uma referência - já começo a sentir saudades de o ler, eu que o critiquei aqui logo abaixo desta mensagem.

Desejo muitas felicidades ao Adelino.

SERVIÇO DE MÚSICA DA GULBENKIAN


Deixei escapar a notícia de anteontem do Público, assinada por Adelino Gomes, sobre mudanças previstas no Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian. À saída do director Luís Pereira Leal, de 71 anos, apontava-se a sua substituição por Rui Vieira Nery, antigo secretário de Estado e professor universitário, além de grande divulgador da música clássica, nomeadamente na Antena 2. Mas a Fundação decidiu abrir um concurso internacional para o lugar e, pela leitura da notícia, Nery não se encontra nos quatro seleccionados para a escolha final.

Quando li a notícia lembrei-me do desaparecimento do corpo de bailado da Gulbenkian, que tanta polémica causou nos anos mais recentes. Pensei que o mesmo destino esperaria a música. Mas a notícia parece apontar outras razões: renovação geral dos públicos; o novo director terá iniciativa limitada nos primeiros dois anos porque a programação já está delineada. Além de que, recentemente, a orquestra alargou o número de músicos e o maestro titular foi reconduzido.

O jornalista cita a porta-voz da Gulbenkian, escreve que a administradora com o pelouro da música da Fundação não se mostrou disponível para comentar e coloca entre aspas a informação de uma fonte anónima. A meu ver, o jornalista não deveria usar uma fonte anónima, embora tal ilustre um ambiente difícil na Gulbenkian, com alguns problemas em explicar o que acontece lá dentro. A Fundação é quase como o governo: tudo o que lá se passa interessa à opinião pública, pelo impacto que tem na cultura nacional. Deveria haver uma informação mais cabal do que o que a porta-voz da instituição disse, nomeadamente de quem tomou a decisão da iniciativa.

O PROVEDOR DO LEITOR SEGUNDO JOAQUIM VIEIRA

Anteontem, Joaquim Vieira falou sobre a actividade do provedor do leitor (Universidade Católica), tendo eu feito um pequeno vídeo como se observa em baixo.

Começando por referir o artigo 37 da Constituição Portuguesa, o direito de liberdade de informar, a actividade (não) regulada e a liberdade que implica responsabilidade, o provedor do leitor do jornal Público elencou algumas perspectivas positivas e negativas dos media na sociedade de hoje.

Assim, de entre os aspectos positivos, ele destacou que os media emanam da sociedade civil, integram a opinião pública, escrutinam os diversos centros de poder (Estado, privados), assumem-se como contrapoder, estimulam o pluralismo e a diversidade, promovem e intensificam a cidadania e são um factor identitário. Ao invés, e na perspectiva negativa, os media não são representativos (não são eleitos), podem ser vulneráveis à instrumentalização, dependem do investimento financeiro, seguem uma agenda diversa da agenda pública, distorcem a realidade, resistem a ser contraditados e criam o "circo mediático".



Como elementos de regulação dos media, o provedor do Público falou do ordenamento legal, da regulação administrativa, da pressão da opinião pública e da auto-regulação. Concluindo com as três funções em torno do conceito de provedor: 1) estabelece ponte com os cidadãos, 2) explica os mecanismos de produção jornalística, e 3) debate publicamente o tratamento da informação.

22.5.08

PUBLICIDADE EM BLOGUES


Chris Unitt, do blogue Created in Birmingham (CiB), escreve hoje que o seu espaço terá publicidade a partir da próxima semana.

Quais as razões? Primeiro, porque o
CiB tem uma comunidade regular de 40 mil visitantes mensais que procuram informação em arte, design, música e outras matérias de natureza criativa, número interessante para um anunciante. Segundo, porque irá cobrir custos com o registo do domínio e outros custos, podendo reinvestir o restante dinheiro a cobrar em benefícios do sítio.

Preços: duas semanas de anúncio=50 libras (se o câmbio for 1,5 euros dá 75 euros), quatro semanas=100 libras (200 euros). Unitt garante o controlo da publicidade (dentro do perfil do seu sítio).

Um exemplo a seguir pelos blogues nacionais. O Indústrias, esta semana, está com 750 visitantes por dia, o que dá 22500 no final do mês. Atendendo à relação com o mercado em que está inserido (Portugal vale um quinto da população do Reino Unido), o Indústrias vai pensar no que o
CiB vai fazer, aceitando propostas.

ANANIL - EVENTO CULTURAL EM MONTEMOR-O-NOVO


A 4ª edição do ANANIL – Evento Cultural, que decorre de 13 a 15 de Junho, dá "continuidade ao trabalho de promoção cultural e conservação do património natural e humano desenvolvido pela Associação Oficinas do Convento e seus parceiros nos últimos quatro anos" (informação da organização).

O programa conta com exposições no interior do moinho, show room para a exibição de trabalhos em vídeo, concertos de pequeno e grande formato, Live Acts no espaço tenda, performances, instalações/intervenções no espaço e espectáculos do I Encontro de marionetas de Montemor-o-Novo.

Para saber mais, ver em
www.oficinasdoconvento.com,
www.ananil.com e www.myspace.com/ananil.

3,2,1 - 3 ENSAIOS, 2 DIAS DE GRAVAÇÃO, 1 CONCERTO


O projecto 3,2,1 do Clube Português de Artes e Ideias surge com "o intuito de promover a produção musical nacional, permitindo que bandas sem material gravado tenham a oportunidade de ensaiar, gravar um single e dar um concerto ao vivo" (informação da entidade organizadora).

As inscrições decorrem até 31 de Maio, no sítio do
Clube Português de Artes e Ideias, por e-mail e por correio. As bandas vencedoras, seleccionadas pelo Centro de Experimentação Artística (CEA), poderão usufruir das instalações e do equipamento técnico daquele centro. No final, cada banda pode ter oportunidade de apresentar o seu trabalho ao vivo num concerto onde também se faculta a venda de cópias do resultado das gravações.

Regulamento do concurso em
Clube Português de Artes e Ideias (Fábrica da Pólvora - Edifícios 25 a 29, Estrada das Fontainhas, Oeiras). Mais informações: artesideias.fabricadapolvora@gmail.com.

MAIO DE 1968 EM REVISTA


O Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP) da Universidade Católica Portuguesa vai lançar o número 12 da revista Povos e Culturas dedicado ao tema Reflexos do Maio de '68 na Sociedade Portuguesa.

Com apresentação de João Carlos Espada, o número conta com a colaboração de José Barata-Moura, António Coimbra Martins, Luís Salgado de Matos, Adriano Moreira, Isabel do Carmo, Jorge Paulo Cancela da Fonseca, Jaime Nogueira Pinto, D. Eurico Dias Nogueira, Veiga Simão, Justino Mendes de Almeida, Maria Manuela Aguiar, Nadir Afonso, Mário F. Lages e Ana Maria Costa Lopes.

O lançamento da revista será no dia 26 de Maio, pelas 18:00 horas, na Universidade Católica Portuguesa (Sala de Exposições, Edifício da Biblioteca, 2º piso).

DOC'S KINGDOM EM SERPA


O Doc’s Kingdom (Seminário Internacional sobre Cinema Documental), em Serpa, de 17 a 22 de Junho, tem
inscrições abertas.

Dizendo melhor, o Doc’s Kingdom é "um encontro de reflexão sobre cinema documental contemporâneo que se realiza desde o ano 2000 em Serpa. Visa uma melhor compreensão dos caminhos do cinema, através da projecção de filmes produzidos nos últimos anos, proporcionando debates colectivos a partir de obras concretas, de acordo com uma temática orientadora".

O seminário vai contar com a presença, entre outros, de Joris Ivens, Vittorio de Seta, João Mário Grilo, Jean-Claude Rousseau, James Benning, Inês Sapeta Dias, João Nisa, Sylvie Lindeperg e Nicolas Philibert.

Este ano, o ponto de partida do programa de filmes e debates é a paisagem:

  • A paisagem como um dos parâmetros possíveis de análise de todo o movimento do cinema moderno e de muitas experiências-limite do cinema actual. A paisagem como lugar geométrico de diferentes artes contemporâneas – e, nesse sentido, como chamada de atenção para o papel de vanguarda, ou de deslocador de fronteiras, que é, ainda e sempre, o de algum documentário. A paisagem como terreno privilegiado de interrogação e depuração da imagem em movimento – e nessa medida, uma vez mais, algo que aqui lembramos enquanto resistência ao cinema da banalização, da redundância e da saturação de efeitos.

PROGRAMA DE INTERCÂMBIO ARTÍSTICO LISBOA – BUDAPESTE

  • No âmbito do Acordo de Geminação e de Intercâmbio de Artistas entre os Municípios de Lisboa e Budapeste, a Divisão de Galerias e Ateliers (DGA) e a Divisão de Relações Externas e Protocolo (DREP) irão seleccionar dois artistas para duas residências artísticas em Budapeste, durante o período de um mês, realizando-se a primeira residência de 1 a 31 de Julho e a segunda residência de 1 a 31 de Agosto.

    Para formalização das candidaturas, estas deverão ser formalizadas mediante requerimento dirigido à Divisão de Galerias e Ateliers, em envelope identificado, onde conste o nome do candidato e entregue na Rua Alberto Oliveira, Palácio dos Coruchéus, Atelier nº 50, 1700-019 Lisboa, de 2ª a 6ª feira das 9:00 às 17:30, ou ainda remetido pelo correio para o endereço da Divisão de Galerias e Ateliers. Para mais informações: Tel: 218170181 ou 218170199 ou email
    dpc.dga@cm-lisboa.pt.
O prazo para estas candidaturas termina a 6 de Junho.

[informação fornecida pela Câmara Municipal de Lisboa]

21.5.08

CONFERÊNCIA DE JOAQUIM VIEIRA, PROVEDOR DO LEITOR DO JORNAL PÚBLICO

O provedor do leitor e os novos desafios nos media é o tema da conferência de Joaquim Vieira, provedor do leitor do jornal Público, na Universidade Católica Portuguesa (Faculdade de Ciências Humanas), hoje, dia 21, pelas 18:30, no auditório A1 daquela Faculdade.

SOBRE A EMMA

A EMMA, European Media Management Education Association, presidida por Lucy Küng, é uma organização internacional sem fins lucrativos fundada em 2003 para responder ao crescimento de cursos e programas de gestão dos media nas maiores instituições universitárias europeias.

Agora, em Lisboa, Lucy Küng falou do perfil e dos desafios da
EMMA, conforme se pode ver no vídeo abaixo (imagens captadas ontem ao fim da tarde).


20.5.08

IMAGENS DE HOJE DA 8ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS MEDIA

19.5.08

O QUE DISSE O MINISTRO DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES NA 8ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS MEDIA


Augusto Santos Silva fechou os trabalhos do primeiro dia da conferência.

De entre o que disse, destaco as suas seis linhas de orientação em termos dos media:

1) facilitar a transição para a plataforma digital e para a sociedade em rede,
2) facilitar o desenvolvimento do mercado dos media em toda a Europa dentro de uma perspectiva dupla: actividade privada na imprensa, apoio público (estatal) à televisão e rádio,
3) promover o jornalismo como profissão,
4) criar políticas públicas para promover o uso social dos media,
5) manter o esforço de regulação do sector dos media independente do poder político,
6) promover a participação social na avaliação das políticas públicas.

8ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS MEDIA


Ficam aqui duas imagens tiradas no começo da manhã de hoje.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (11)


Com base no texto de Justin O’Connor (The cultural and creative industries: a review of the literature, 2007), fiz uma leitura dividida em dez pontos:

1) Relação entre cultura e economia - não se trata da simples questão de arte ou mercado. No século XX, a produção de bens culturais foi acelerada com o desenvolvimento das tecnologias de reprodução: a digitalização sucede a Gutenberg, a produção aumentou a sua capitalização.

2) Indústria cultural - expressão usada inicialmente por Theodor Adorno e Max Horkheimer (1947). Adorno, nos seus textos sobre cinema, rádio, jornais, jazz e música popular, reafirmou que, sob o capitalismo monopolista, a arte a a cultura são absorvidas pela economia. A indústria cultural queria então dizer que havia o controlo total das massas. Adorno associava indústria cultural americana e fascismo europeu.

3) Reprodutibilidade técnica - Walter Benjamin falou da aura do objecto de arte (e da sua erosão na cultura contemporânea), dadas as origens em práticas de culto e de ritual. Os bens artísticos únicos tinham tido valor sagrado, simbólico e/ou de prestígio. A reprodutibilidade eliminou essa aura. Contudo, a invenção da imprensa trazida pela reprodutibilidade técnica ficou ligada a mudanças profundas na dinâmica da produção e consumo cultural. A reprodução de massa quer dizer mais cópias – quanto mais barata for a cópia maior o lucro possível (confrontar com a tecnologia digital).

4) Transformações - a emergência de uma economia alargada de bens envolve profundas transformações culturais, dadas as mudanças estruturais nos significados pessoais e colectivos. Por exemplo, a invenção da imprensa alterou radicalmente a esfera dos media ou comunicação. A reprodução de livros foi um desafio directo às autoridades (políticas, religiosas). À edição da Bíblia seguiram-se livros de interesse científico e humanístico, embora regulados pelas autoridades políticas e religiosas.

5) Mercado - apesar do controlo de Estado, os media impressos organizaram-se em torno do mercado. Nasceu uma gama de instituições privadas e cívicas – jornais, grupos políticos e religiosos, sociedades científicas e humanísticas, salões, cafés. Aparecia a esfera pública, delineada no estudo de Habermas (1962), formando a base da contestação e da legitimação do poder político e sócio-económico dos últimos 250 anos. A indústria cultural de Adorno não foi primariamente sobre a comodificação da cultura, mas sobre a organização da produção de bens culturais a uma escala industrial de massa. A relação da arte como bem e como forma autónoma desapareceu quando o artista independente deu lugar à fábrica da cultura.

6) Valor sagrado/valor de troca - desde o século XVIII que o principal mediador entre artista e público é o mercado – que vai do local ao nacional, do europeu ao global. Deste ponto de vista, o trabalho da arte torna-se crescentemente um bem que pode gerar riqueza. Isto é, a arte deixa de ter valor intrínseco ou sagrado e passa a ter valor de troca. Por outro lado, porém, o artista passa a depender directamente de um patrão, que lhe dá suporte social e financeiro para desenvolver a sua actividade (confrontar com os criadores de conteúdos no YouTube, MySpace e redes sociais).

7) Mais transformações - no século XIX, à legitimação do Estado Nação e da democracia de massa, surgiram igualmente a promoção do património, arquivos, museus e modelos de ensino e divulgação da música e da literatura. Na passagem para o século XX, aumentaram a educação de massa, tempo de lazer e inovações tecnológicas e comerciais - que levaram a mais produção e consumo cultural. No final da década de 1980, economistas políticos e geógrafos da economia passariam a falar da mudança da produção em massa para a especialização flexível e pós-fordista, fragmentação e volatilidade dos mercados de consumo. Os modelos previsíveis de consumo de massa deram lugar a mercados mais pequenos e de nicho e à proliferação de bens e serviços que levam à construção de novas identidades sociais.

8) Espaço de múltiplas expressões - há a viragem espacial de um espaço de modernidade de uma economia nacional unificada para um espaço de múltiplos níveis, o que reflecte a mobilidade – de capitais, pessoas, conhecimento e objectos. Realça-se a proximidade espacial das redes empresariais, assente em feixes [clusters], produtores de um conjunto de benefícios económicos, tais como centros de conhecimento comum, recursos humanos flexíveis, relações de confiança e um sentido de objectivos comuns. Surgem externalidades associadas a estruturas locais e sociais, instituições e culturas.

9) Desintegração vertical - tal ocorreu principalmente nas grandes companhias, e acelerada nas indústrias culturais. Não foi fácil a sectores como televisão, música, design e filme organizarem-se crescentemente em torno de feixes de pequenas e médias empresas e freelancers, mas as ideias de reflexividade estética e um envolvimento mais intuitivo com as correntes culturais tornou-se parte central da actividade.

10) Criatividade - é um recurso fundamental no desenvolvimento económico contemporâneo e no crescimento pessoal. A criatividade relaciona-se com a inovação e a competitividade económica. Depois, aceita-se o choque do novo, o disruptivo, o contra-intuitivo, o rebelde, o que toma riscos. Estas qualidades afastam-se do tradicional – habilidade, artesanalidade, equilíbrio, meio termo. A criatividade liga-se às mudanças na construção dos valores sociais desde os anos 1960. Assenta também no faça você mesmo, trabalhe de acordo com as suas ideias, o que representa um poderoso sentido de liberdade.

X SEMANA INTERNACIONAL DO AUDIOVISUAL E MULTIMEDIA NA UNIVERSIDADE LUSÓFONA, DE HOJE A 30 DE MAIO

18.5.08

FALAR DA VIDA - (AUTO)BIOGRAFIAS, HISTÓRIAS DE VIDA E VIDAS DE ARTISTAS


Curso de Verão (1 a 4 de Julho e 3 a 5 de Setembro de 2008), por Idalina Conde (do CIES, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE).

Apresentação e informações em CIES. Ficha de Inscrição em CIES.

Prazo de inscrição alargado até 25 de Maio.

AGENDA: NÃO ESQUECER A 8ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS MEDIA, NA UNIVERSIDADE CATÓLICA (DIAS 19 E 20)


CELEBRIDADES


Um inquérito realizado pela revista Marketing indica que as celebridades mais queridas são homens, como Paul McCartney ou David Beckham, ao passo que as celebridades mais detestadas são mulheres, casos de Amy Winehouse ou Victoria Beckham.

Estes dados serão discutidos num seminário a realizar no próximo mês na Universidade de East Anglia (Female celebrity in the tabloid, reality and scandal genres), noticia o Observer de hoje (página assinada por Barbara Ellen, que se diverte a escrever que não é preciso assistir a um seminário universitário para perceber as razões de tais escolhas; notícia aqui ao lado).

SOBRE A INTERNET


Informação não é conhecimento

ou: informação pode não significar, necessariamente, conhecimento

[reflexão sobre a abundância de informação na internet, a partir de texto de David Rieff sobre a sua mãe, Susan Sontag, no jornal Observer de hoje. Rieff destaca o sofrimento da mãe, vítima de cancro em 2004, após ter vencido outros cancros na década de 1970. Rieff observa a teoria de Elizabeth Kübler-Ross sobre a notícia de um cancro num indivíduo, em cinco etapas: negação, raiva, negociação, depressão, aceitação]

17.5.08

PORTO ANTIGO

Pequeno vídeo (18' 50'') dedicado a todos(as) os(as) que gostam do Porto enquanto cidade, de entre os quais me incluo.


16.5.08

O PAPEL DO PROVEDOR DO LEITOR EM DISCUSSÃO


O provedor do leitor e os novos desafios nos media é o tema da conferência de Joaquim Vieira na Universidade Católica Portuguesa (Faculdade de Ciências Humanas) na próxima quarta-feira, dia 21, pelas 18:30, no auditório A1 daquela Faculdade.

Joaquim Vieira - jornalista, presidente do Observatório da Imprensa e autor de diversos livros, entre os quais Jornalismo contemporâneo. Os media entre a era Gutenberg e o paradigma digital e diversas fotobiografias -, é o actual provedor do leitor do jornal Público.

A CRIANÇA E A TELEVISÃO SEGUNDO SÓNIA MAIA CARRILHO


Da contracapa:

  • A Criança e a Televisão: contributos para o estudo da recepção pretende ajudar a compreender o processo de recepção da televisão e a sua implicação no mundo infanto-juvenil.
    Ocupam as crianças, dos 10 aos 16 anos, muito tempo a ver televisão? Qual o género de programas que preferem? Qual a sua opinião sobre os conteúdos televisivos? Em termos de audiência, qual é a mais elevada, a feminina ou a masculina? Qual o efeito que a publicidade exerce sobre este público? A escola deverá leccionar um ensino dos media?


Sónia Maia Carrilho, cujo livro resulta de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica, utilizou um inquérito a 1093 alunos provenientes de três escolas a frequentarem os segundo e terceiro ciclos do ensino, oriundos de meios sócio-económicos distintos. Concluiu, entre outros dados, que os jovens vêem televisão com gosto, percepção partilhada por ambos os sexos, vêem ao fim-de-semana cerca de 7,5 horas por dia (4,5 horas diárias durante a semana), gostam de ficção mas preferem os desenhos animados, a personagem admirada é a que faz a defesa de valores, consideram que a televisão estimula a aprendizagem e escolhem os seus programas.

Observação: já fiz referência ao trabalho de Sónia Carrilho aqui, em 31 de Março de 2006.

FELLINI


Cinema de Papel, Desenhos de papel de Federico Fellini, na Cinemateca Portuguesa até final de Maio.

DALÍ


Até 25 de Maio, no Centro Português de Serigrafia (no CCB, em São Bento e nas Twins Towers).

MOSTRA DE ARTES PARA O PEQUENO PÚBLICO


13ª Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, até 8 de Junho. Para saber mais, ver em www.teatroextremo.com.

15.5.08

CONFERÊNCIA DE PORTA-VOZ DA COMISSÃO EUROPEIA


Johannes Laitenberger, porta-voz da Comissão Europeia, vai proferir uma conferência, a 29 de Maio, pelas 18:30, intitulada Comunicar a Europa: A política de informação da Comissão Europeia.

A conferência, que vai decorrer em língua portuguesa e a que se segue um debate, inscreve-se no designado "Plano D – Democracia, Diálogo, Debate", decidido e executado pela Comissão Europeia como contributo para o debate público das questões europeias no âmbito do processo de ratificação em curso do Tratado de Lisboa.

A conferência de Laitenberger realiza-se no anfiteatro 121 da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, entidade que organiza o evento, conjuntamente com a Associação Portuguesa de Imprensa e a APECOM - Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas.

ESTUDO "OS PORTUGUESES E OS MEDIA", ENCOMENDADO PELA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ANUNCIANTES (APAN)


O estudo Os Portugueses e os Media, encomendado pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) e desenvolvido pela Synovate, indica que "a tecnologia e o seu domínio deu origem a uma grande clivagem na forma como os diferentes escalões etários percepcionam os media", lê-se na newsletter hoje publicada pela Meios & Publicidade.

Considera o estudo que a população mais jovem depende menos dos meios tradicionais, como televisão, rádio ou imprensa, e a mais velha é indiferente às novas tecnologias. Se, quanto à imprensa gratuita, o estudo indica que a "publicidade é percebida pelos consumidores como pouco criteriosa e interessante", nos jornais pagos "é adequada ao meio e segmentada e é vista como mais cuidada por haver um maior critério de escolha, em termos de anunciantes". Já no que respeita à televisão, o meio mais saturado de publicidade, valoriza-se "o product placement, se a inserção e os valores da marca corresponderem ao contexto em que estão a ser utilizados, como é o caso dos canais da TV Cabo". Noutras áreas, a publicidade nas revistas é "muito projectiva e aspiracional" e "bem valorizada pela produção fotográfica" e o cinema tem "muito potencial de comunicação", pelo que se indica um "maior investimento no espaço das salas de cinema". Refira-se ainda a rádio, em que a publicidade "tem menos impacto que nos outros meios, porque não pode recorrer a imagens, tendo apenas como aspectos valorizadores a voz do locutor e a música associada à campanha". O estudo indica três elementos que levaram à realização do estudo: fragmentação dos media, terciarização da sociedade e pontos de contacto entre consumidores e os media.


Conclui o estudo pela existência de maior fidelidade aos conteúdos que às plataformas, o que parece contradizer o que está escrito acima. De modo semelhante, o estudo afirma que os mais novos não vivem sem internet e telemóvel e os "mais velhos consideram a internet elitista".

Sem prejuízo de uma maior verificação do estudo - a saber nomeadamente o número de inquiridos, distribuição de género, de idade e nível sócio-económico, que a notícia da Meios & Publicidade não indica -, os dados são coincidentes com alguns já publicados pelo Obercom e pela Marktest, por exemplo. Confesso que tenho sempre muitas dúvidas relativamente às conclusões, de tão generalistas que se apresentam e de seguirem estereótipos antigos, cavando uma diferença entre idades (mais novos e mais velhos, sem mostrarem a idade em que está a fronteira: 20 anos? 30 anos? 35 anos? 45 anos?) e não entre outros dados, como litoral e interior do país, pessoas e famílias mais afluentes ou pobres, profissões como quadros empresariais (e estudantes) face a classes trabalhadoras.

14.5.08

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS


No próximo dia 18, celebra-se o Dia Internacional dos Museus, este ano sob o lema Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento.

Abaixo, as indicações do programa do Museu da Pólvora Negra, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras, capa e contracapa do belo desdobrável dos museus de Cascais e promoção do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado (Lisboa).


Claro que a noite do dia 17 também pode ser dedicada a ver museus, com alguns deles a fecharem à meia-noite.

Destaco a oferta do Museu Condes de Castro Guimarães (Cascais) no dia 17 à tarde: os percursos do chá, com o significado mágico e sagrado da bebida no Oriente, a introdução do chá na Europa, a cerimónia do chá, a prova do chá (seis variedades).

Finalmente, destaco a publicidade nos mupis sobre o novo Museu do Oriente (Lisboa).

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (10)


Na Dialéctica do Esclarecimento (1985), Adorno ("A indústria cultural") escreve que, na cultura contemporânea, tudo tem um ar de semelhança. Cinema, rádio e revistas constituem um sistema: "Cada sector é coerente em si mesmo e todos o são no conjunto".

Por outro lado, escreve Adorno que o cinema e a rádio não precisam mais de se apresentarem como arte, pois se definem a si próprios como indústria. Mais à frente, lê-se que a indústria cultural se desenvolveu com o predomínio do efeito, da performance tangível e do debate técnico sobre a obra. Amargo, Adorno continua: a indústria cultural coloca a imitação como termo absoluto, reduzida ao estilo, à obediência e à hierarquia social. A cultura já inclui a classificação que a leva ao domínio da administração.

Nota-se ainda uma outra ideia bem precisa – nos países liberais triunfa a indústria cultural – cinema, rádio, jazz, revistas. Em que igualmente têm sucesso o sketch, a história curta, o filme de tese, o êxito de bilheteira. A indústria cultural permanece a indústria de diversão, o seu controlo sobre os consumidores é medido pela diversão. E: a indústria cultural não sublima, mas reprime e a diversão favorece a resignação.

Heroificação do indivíduo mediano que faz parte do culto do barato, renegação da sua autonomia pela arte e utilidade que os homens dão à obra de arte são outros elementos do texto sobre indústria cultural.

António Sousa Ribeiro, no seu prefácio ao livro de Adorno (Sobre a indústria da cultura), anota a diferença estabelecida entre Adorno e Benjamin, aquele conservando uma concepção ascética da obra de arte, concentrado na linguagem e na individualidade da obra de arte que recusa a lógica mercantil, este defendendo a universalização do acesso à produção cultural. Adorno vê a produção cultural como integração na lógica mercantil capitalista e a redução do receptor ao estatuto de simples consumidor. Ribeiro olha a Dialéctica do Esclarecimento como o texto onde Adorno (e Horkheimer) vê os mecanismos de produção cultural de massas como forma de represssão correspondente ao atrofiar da autonomia do sujeito. Mais à frente, Ribeiro fala dos fragmentos filosóficos da Dialéctica do Esclarecimento como traçando um quadro de autodestruição de uma razão que, baseada no progresso, reduz o ser humano a fins instrumentais. A razão passa a ser funcional (embora não o explicite, há aqui uma leitura relacionando Adorno com Lazarsfeld) e adquire uma função repressiva e auto-repressiva, conclui Ribeiro. Há uma dimensão integradora, a incorporação da produção e do consumo, a sociedade administrativa, em que público e produtor se submetem à lógica de um sistema. À arte reserva-se um problema da legitimidade (ver a Teoria Estética) ou até do seu direito à existência. A única estética é a da estética da negatividade. Ribeiro chama a atenção para variações decisivas no quadro geral da análise de Adorno. Se manteve o juízo negativo sobre o jazz, relativizaria a sua perspectiva sobre o cinema.

No texto de 1968 ("A indústria cultural", em Gabriel Cohn, org., 1978), Adorno refere o emprego do termo indústria cultural como substituto da expressão cultura de massa (1947), separando-a da produção espontânea das massas, da forma contemporânea da arte popular. A indústria cultural distingue-se desta, pois em todos os ramos se fazem produtos adaptados ao consumo das massas e que, em grande parte, determinam esse consumo. A indústria cultural, diz Adorno, é a integração deliberada dos seus consumidores, a partir do alto. O novo na indústria cultural é o primado do efeito, calculado sobre os pontos mais típicos. Em que as produções do estilo não são também mercadorias mas são integralmente mercadorias. E em que a dominação técnica retira a consciência às massas, impedindo a formação de indivíduos autónomos, independentes, capazes de julgar e decidir conscientemente.

Porquê este discurso de negatividade em Adorno? Primeiro, porque o impacto do genocídio judeu provocado pelo nazismo ficou para todo o sempre como marca da filosofia da escola de Frankfurt. Depois, porque a mudança da Alemanha para os Estados Unidos pôs Adorno (e Horkheimer) em contacto com outros meios de comunicação e outras estéticas. A alta cultura a que estava habituado na Alemanha foi confrontada com a cultura de massas nos Estados Unidos, o que conduziu a uma análise pessimista sobre a produção e recepção cultural. Além disso, deve ler-se Adorno com cautela: como escreve Artur Morão, o tradutor de Teoria Estética, o filósofo alemão não é fácil, mas intuitivo, aforismático e subtil, em que, para além de uma linguagem específica, tem uma maneira de se expressar não imediatamente apreensível e é elíptico.



Leituras: Gabriel Cohn (org.) (1978). Comunicação e indústria cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional
Theodor Adorno e Max Horkheimer (1985). Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor
Theodor Adorno (2003). Sobre a indústria da cultura. Coimbra: Angelus Novus (com organização e prefácio de António Sousa Ribeiro
Theodor Adorno (1982). Teoria Estética. Lisboa: Edições 70

Observação: as Edições 70, num esforço muito louvável, estão a reeditar as obras de Adorno, de que destaco a Teoria Estética, já em 2008.

13.5.08

OS POEMAS DO SENTIR DE MARIA PAULA MARQUES


Foi lançado no dia 11 o livro de Maria Paula Marques, Poemas do Sentir, com ilustrações de Cristina Drago.

O encontro decorreu na
Galeria Matos Ferreira (Rua Luz Soriano, 18, Lisboa) e contou com leitura de poemas de jograis e por Carmen Filomena.



A Galeria Matos Ferreira é um local de encontro de exposições, conferências ou tertúlias e serviço de bar, espaço muito agradável no Bairro Alto.

SÉRIE DIÁRIO DE SOFIA NOMEADA PARA OS BROADCAST DIGITAL CHANNEL AWARDS


A série Diário de Sofia (versão inglesa) foi nomeada para os Broadcast Digital Channel Awards, segundo a newsletter de hoje da Meios & Publicidade.

A versão inglesa da série produzida pela Beactive em conjunto com a SPTI estreiou no mercado britânico no site
Bebo.com (imagem abaixo) e foi lançada em Abril no canal de televisão Channel 5. Os resultados serão conhecidos a 4 de Junho.

12.5.08

LIVRO SOBRE FUTURO DA GESTÃO DOS MEDIA


Na próxima semana, mais precisamente a 20 de Maio, durante a 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media, organizada em Lisboa pela Universidade Católica Portuguesa (Centro de Estudos de Comunicação e Cultura) e pelas revistas MediaXXI e International Journal of Media Economics, vai ser lançado o livro Looking to the future of modern media management, com organização de Christian Scholz e Uwe Eisenbeis, membros da International Media Management Academics Association.

A obra reúne 22 artigos de alguns dos mais destacados investigadores e profissionais internacionais no sector, incluindo a contribuição de um docente português, Paulo Faustino (Universidade Católica Portuguesa).

Da promoção ao livro lê-se:

  • Durante a última década, os media tornaram-se numa das mais fortes indústrias do mundo, apresentando um desenvolvimento rápido e exponencial. Esta conjuntura cria uma crescente necessidade de ferramentas de gestão específicas aos profissionais do sector, no sentido de antecipar os desafios presentes e futuros, prever o comportamento dos consumidores, desenvolvimento tecnológico e a evolução das cadeias de valor, ou identificar novas áreas de investimento.
Recorde-se que, durante a mesma conferência, Francisco Rui Cádima lançará o seu livro A crise do audiovisual europeu - 20 anos de políticas europeias em análise. Ambas as edições têm a chancela da MediaXXI.

ECONOMIA DA CULTURA


Amanhã, dia 13, pelas 20:00, na livraria Saraiva, no Shopping Paulista (S. Paulo, Brasil), Alfredo Bertini lança o livro Economia da cultura - a indústria do entretenimento e o audiovisual no Brasil.

Bertini é um dos directores do CINE PE – Festival do audiovisual, criado em 2002 pela necessidade de ampliação do Festival de Cinema do Recife.

Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e com uma longa carreira nessa área como professor universitário, autor de livros especializados e consultor, foi Secretário Adjunto do Estado de Pernambuco em 1994 e 1995, quando começou a desenvolver o projeto de realização do Festival de Cinema do Recife, que teve sua primeira edição em 1997 (na imagem em cima, com a esposa à direita, Sandra Bertini, igualmente directora do festival, e Graça Araújo; imagem retirada do sítio do CINE PE).

ALKANTARA FESTIVAL


A decorrer entre 22 de Maio e 8 de Junho, o alkantara festival é um dos maiores festivais de dança e teatro em Portugal, apresentando 26 espectáculos em 78 sessões de artistas vindos de 18 países nos 17 dias do festival.


Os artistas são provenientes de Portugal, Austrália, Índia, Turquia, Nova Zelândia, República Democrática do Congo, Bélgica, Reino Unido, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, República Checa, Brasil, Líbano, França, Argélia e Colómbia. Os espaços onde passam os espectáculos são Auditório Carlos Paredes, Castelo de São Jorge, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Espaço Alkantara, Espaço Land, Hospital Miguel Bombarda, Museu da Electricidade/Central Tejo, Museu do Oriente, Palácio Nacional da Ajuda, Maria Matos Teatro Municipal, São Luiz Teatro Municipal, Politécnica e Teatro Meridional.

Mais de 40 programadores de teatros e festivais internacionais já confirmaram a sua vinda a Lisboa para assistir aos espectáculos do festival.

Do programa, e sem qualquer juízo de valor por parte do blogueiro, chamo a atenção para o espectáculo de rua de clara andermatt Meu Céu (Portugal), no castelo de S. Jorge, a 4 e 5 de Junho, pelas 22:00 (cartaz de João Lucas), onde "uma equipa multidisciplinar incluindo bailarinos, actores, músicos, traceurs e um grupo de intérpretes com mais de 60 anos de Santa Maria da Feira, onde o espectáculo foi criado. O projecto apropria-se das características arquitectónicas do espaço para envolver o público numa espécie de ritual comunitário".

PRÉMIO DE PATRIMÓNIO CULTURAL PARA O MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


O Museu da Presidência da República foi distinguido com o Prémio do Património Cultural da União Europeia/Europa Nostra 2008, pelo trabalho de investigação sobre o património material e imaterial do Palácio de Belém, que permitiu a concepção e produção da exposição e do catálogo Do Palácio de Belém.


A cerimónia de atribuição do galardão vai ter lugar no próximo dia 12 de Junho na Catedral de Durham, no Reino Unido, e será presidida pela Infanta D. Pilar de Borbón, Presidente da Europa Nostra, e pela Directora-Geral de Educação e Cultura da Comissão Europeia, Odile Quintin. O prémio será recebido pelo Dr. Diogo Gaspar, director do Museu da Presidência da República.

O Prémio Europa Nostra (segundo os organizadores) foi atribuído ao Museu pela "qualidade excepcional do projecto de investigação, e pela sua contribuição inestimável para a salvaguarda do património cultural na Europa". Trata-se do segundo prémio (depois do Prémio José de Figueiredo 2006, da Academia Nacional de Belas-Artes) concedido ao projecto de investigação desenvolvido entre 2003 e 2005, que se concretizou com produção da exposição Do Palácio de Belém (patente ao público entre Outubro de 2005 e Fevereiro de 2006) e com um conjunto de sete separatas e um catálogo. Estas obras tiveram como propósito contribuir para o estudo da actual residência oficial do Presidente da República, disponibilizando informação sobre o seu património móvel, imóvel e imaterial, que se manteve desconhecido durante muitos anos.

[observação: segui o texto enviado pelo Serviço de Comunicação do Museu da Presidência da República]

JORNALISMO DIGITAL


Comecei no blogue de Rodrigo Savazoni (aconselhado num post numa rede social por Rodrigo Furtado Costa, da Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus de Frutal & Faculdade Frutal, do Brasil).

Savazoni escrevia no passado dia 1 sobre a
Garapa, uma produtora multimedia, e refere "reportagens de altíssima qualidade. Isso é resultado da explosão do jornalismo digital nos últimos dois anos. Texto, áudio, vídeo, foto, mashups, mapas reunidos por criativos jornalistas resultam em histórias contadas de um jeito que jamais se viu. Alguns chamam de multimídia. Eu gosto da expressão hipermídia".

Depois,
Rodrigo Savazoni encaminha-nos para a MediaStorm, de Brian Storm, ex-director da MSNBC,

  • que resolveu apostar seus dotes e dólares na construção de uma produtora digital para a rede. O MediaStorm tem trabalhos publicado por veículos da grande mídia americana, entre os quais a própria MSNBC, o Washington Post e o Los Angeles Times. É impossível não se emocionar com trabalhos como o Blodlines, finalista do Emmy, ou o sensacional Kingsley Crossing, vencedor do Emmy. Na época do vídeo fácil, doYouTube, o MediaStorm tem apostado em trabalhos de altíssima qualidade, baixo orçamento e muita criatividade. E tem contribuído para ampliar os horizontes de quem trabalha contando histórias no mundo digital.
Aconselho a entrar no MediaStorm e a ver, por exemplo, The ninth floor, de Jessica Dimmock, onde se conta a história de gente com problemas de adicção mas que procura recuperar a dignidade.


RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS INTERNACIONAIS


Durante dezassete anos, a associação Pépinières Européenes pour Jeunes Artistes apoiou uma geração de artistas atentos aos contextos humanos, sociais e económicos, e ajudaram a desenhar os contornos de um panorama artístico europeu rico de criatividade, de cruzamentos férteis, em projectos compartilhados e abertura ao mundo.

As Pépinières lançam, de novo, um programa de mobilidade, oferecendo mais de cinquenta oportunidades de residências, entre Setembro 2008 e Setembro 2009, permitindo a construção de projectos plurais e fomentando a criação de novos públicos.

Com o fim de dar uma resposta pertinente aos diferentes movimentos desenhados pelas novas gerações de artistas, este programa preliminar oferece vários conceitos de mobilidade artística, proporcionado por um grande número de espaços de criação, em torno de três grandes proposições: Open Art Program, ARTShare e ARTventure.

O programa destina-se a jovens artistas de todos os dominios de expressão artística, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, residentes num dos países (e regiões) parceiros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Escócia, Eslóvaquia, Estónia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Letónia, Luxemburgo, Malta, Montenegro, Polónia, Portugal, Québec (Canadá), Républica Checa, Roménia, Sérvia e Suécia.

Cada artista só pode candidatar-se a uma única residência, obrigatoriamente para o exterior do seu país de origem e/ou residência. As inscrições serão feitas exclusivamente on-line até às 24:00 do dia 23 de Maio 2008 (hora de Bruxelas, +1 TGM). Para mais detalhes sobre o programa e para aceder à candidatura on-line entrar no sítio www.art4eu.net.

[obrigado a Carlos Filipe Maia pela informação]

11.5.08

MUSEU DO ORIENTE


Ele abriu esta semana mas ainda não o visitei. Sei que o primeiro dia registou mais de dois mil visitantes, valor impressionante e a lembrar comportamento social idêntico na abertura recente da colecção Berardo, o que prova que há públicos para os museus (mesmo que sejam dias ou períodos de entrada gratuita).

Escrevi algo sem muita importância sobre este museu algum tempo atrás. Mas registo que museu do oriente tem sido uma entrada frequente no meu blogue nestes dias, como se houvesse actualizado e com profundidade o tema.

O que leva a duas conclusões rápidas: primeiro, o incessante desejo de se obter informação de assuntos novos; segundo, a cada vez maior importância da internet na pesquisa de informação. Mas ir parar a informação antiga e sem valor de fundo, como é o caso do que escrevi, evidencia uma característica que venho criticando na internet - sem filtros (gatekeepers) perde-se tempo no encontro de informação adequada. Na abundância de informação (Anthony Smith) não reside uma melhoria de educação ou formação, mas apenas mais informação.

[Ver comentário que o leitor Pedro Mota colocou na mensagem anterior que escrevi sobre o museu, dado o seu interesse]

FUTEBOL E A CIDADE


O artigo de António Barreto no jornal Público de hoje é muito acertado, quando ele combina futebol e cidade (Porto). Esta semana foram conhecidas decisões da comissão disciplinar da Liga de Futebol contra três clubes da primeira divisão daquela modalidade (dois dos quais do Porto).

Barreto, depois de ver, ouvir e ler as notícias, não tem dúvidas sobre a justeza das decisões. Eu também não.

Contudo, parece haver uma ligação com outras coisas. Ao futebol - de que destaco a maior punição, a descida de divisão aplicada ao Boavista, no que significa uma perda de influência da cidade -, associa-se a visão de quem visita o Porto. Sente-se um decréscimo de força política, económica e cultural da cidade. Há zonas históricas da cidade muito degradadas. Se, até há pouco, a rua Mouzinho da Silveira, em direcção ao rio Douro, espelhava a perda de actividade empresarial e comercial, a rua 31 de Janeiro apresenta um comércio cada vez mais decrépito por cada visita que faço à cidade.

Esta semana, Ludgero Marques, presidente cessante de uma associação patronal, dizia que alguns dirigentes políticos e económicos da cidade estavam entre os responsáveis pela degradação, pois se tinham deslocado para Lisboa (para viver, para tratar das suas actividades) e se haviam tornado cabeças pensantes lisboetas. Achei as palavras dele muito pouco felizes, erradas e sem oportunidade. As cidades justificam-se pelo seu dinamismo ou inacção e não porque "alguns dirigentes" são trânsfugas.

País de emoções, Portugal vibra muito com o futebol. E o Porto, que nas décadas mais recentes, viveu muitas glórias no desporto, está acabrunhado. Primeiro pelo desaparecimento do Salgueiros, um clube de bairro desfeito pelo inevitável choque com clubes ligados a grandes grupos económicos, que elimina os pequenos, como numa outra actividade qualquer (associado a uma extrema falta de perspectiva estratégica). Agora, pela queda do Boavista, sente-se avolumado esse incómodo da perda de vitalidade.

A capa da edição de ontem do Jornal de Notícias (Porto) é ilustrativa. A fotografia que acompanha a principal notícia é a de um homem, aparentando mais de cinquenta anos e vestido com adereços que o identificam como fã do Boavista, a chorar. Igualmente desapontada, mas mais lúcida e combativa, uma mulher atrás, tenta, com a sua mão, chegar até ele, numa posição de solidariedade. Uma segunda mulher, colocada entre os dois, quase a morder um lábio e mais afastada no plano da fotografia, parece resignada, em contraponto com os dois outros elementos.

Não estamos a falar de racionalidade (como diria Jürgen Habermas) mas de afectos (como falava ontem Lawrence Grossberg, na sua inolvidável passagem pela UCP). A vida económica de uma cidade vive de racionalidade, o futebol vive de afectos, mas ambos, no final, são necessários. O homem que chora expressa afectos. São irracionais, é verdade, mas isso resulta da perda, sabe-se lá, da quase última esperança dele. Quem sabe se perdeu o emprego? Ou se o valor do seu salário é pequeno e a sua alegria era apenas dada pelas vitórias do seu clube?

Fotografia da capa do jornal: Artur Machado.

10.5.08

CADERNOS DE JORNALISMO


No dia 15, pelas 21:00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, é lançado o número 1 dos Cadernos de Jornalismo, do Instituto de Estudos Jornalísticos (Coimbra).

Reune vários temas, nomeadamente na rubrica Reportagem, que "apresenta peças que reportam a realidades diversificadas como as touradas aos quotidianos tão longínquos como Trás-os-Montes e o Timor português", segundo Isabel Ferin, directora daquele instituto. Nas rubricas Dossiê e Bloco de Notas, destaca-se uma dissertação sobre relações entre literatura e jornalismo. Na secção Best Of apresenta-se uma experiência de estágio bem sucedida no jornal Público e na rubrica Por Falar aborda-se o teatro de Tchekhov e uma entrevista ao encenador Andrzej Kowalski.


O número é coordenado por Clara Almeida Santos e João Figueira e o design pertence a António Barros.

9.5.08

GROSSBERG

Aspecto da lecture de hoje de Lawrence Grossberg na Universidade Católica.


A CRISE DO AUDIOVISUAL EUROPEU


A crise do audiovisual europeu - 20 anos de políticas europeias em análise, de Francisco Rui Cádima, em edição da Media XXI, é um dos livros a lançar na 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media (8th WMEMC), a realizar na Universidade Católica Portuguesa, nos dias 19 e 20 deste mês.


No começo do seu novo livro, Cádima diz que o escreve

  • no contexto da emergência da nova Directiva do audiovisual europeu, designada genericamente Directiva "Serviços de Comunicação Social Audiovisual". O texto da proposta da nova Directiva do audiovisual europeu, na sua justificação e objectivos, consagra agora, clara e explicitamente, a lógica económica do sistema – uma lógica "light touch" –, assim intitulada por Viviane Reding face a outra qualquer lógica, reconhecendo que "o mercado dos serviços televisivos europeus mudou radicalmente com a convergência das tecnologias e dos mercados" e que com base nessa realidade importaria mudar o clausulado da Directiva TVSF, de 1989, revisto em 1997.
Docente da Universidade Nova de Lisboa, autor de vários livros sobre os media e a televisão e primeiro director executivo do Obercom, Francisco Rui Cádima tem ainda uma actividade cívica (o blogue irreal tv, onde escreve sobre televisão). Recentemente, está a organizar o ciclo Os Presidentes e a Televisão, onde convida antigos Presidentes da República (eu não tenho dado destaque, dado o muito trabalho que tenho tido).

LAWRENCE GROSSBERG

Lawrence Grossberg falará hoje, na Universidade Católica (sala 121, 17:30-20:30), sobre Cultural Studies and the problem of Modernity.

A sessão é aberta a todos os interessados em cultural studies americanos.

PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA NA UCP

Ontem, abriu a pós-graduação de Televisão e Cinema na Universidade Católica, com a presença de dois conferencistas: João Lopes, jornalista e crítico de cinema, e Eduardo Cintra Torres, docente universitário e crítico de televisão.

O pequeno vídeo abaixo mostra o começo da intervenção de João Lopes.


QUEM VAI AO CINEMA EM PORTUGAL

O estudo Bareme Cinema da Marktest, relativos ao período compreendido entre Abril de 2007 e Março de 2008, contabiliza 1,7 milhões de espectadores regulares de cinema (ida uma vez por mês no mínimo).

Diz a newsletter da Marktest:

  • Os mais jovens são os que têm maior afinidade com o meio, com a maioria dos indivíduos entre os 15 e os 34 anos a frequentar as salas de cinema pelo menos uma vez por mês. Entre as ocupações, os estudantes e os quadros médios e superiores destacam-se claramente dos restantes indivíduos, com 53,6% dos primeiros e 40,4% dos segundos a irem regularmente ao cinema. A classe social também apresenta diversidade de comportamentos, com o hábito de ir regularmente ao cinema a decrescer à medida que "decresce" a classe social, de 42,9% da classe alta para 8,0% da classe baixa. Entre as regiões as diferenças são menos significativas, embora os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto apresentem valores acima da média (27,5% e 24,4%, respectivamente). Finalmente, homens e mulheres não diferem muito neste hábito, mas eles fazem-no mais frequentemente que elas: 21,8% e 18,6%, respectivamente, costumam ir ao cinema pelo menos uma vez por mês.

8.5.08

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (4)


[continuação do texto dos dias 6, 9 e 25 de Abril]

A carta e o seu substituto, o correio electrónico (ou email) e a passagem da fotografia analógica para a digital são duas outras alterações sobre as quais pouco pensamos sobre como seria antes. Ao correio tradicional (correio caracol, a partir do snail mail inglês) veio o email (na designação igualmente inglesa). Na carta, escrevíamos à mão ou, quando muito, à máquina de escrever. A velocidade lenta da carta associava-se à reflexão desse tempo. A carta marcava um ritmo biológico: carta para lá, carta para cá. Esperava-se o carteiro como hoje se liga o computador e abre no programa de correio: se havia cartas, separavam-se e liam-se de acordo com a importância ou expectativa de cada uma das missivas.

Com o correio electrónico, usam-se sinais, de prioridade quando se envia, para ler depois quando se pretende retomar mais tarde. A carta permitia signos escritos, usando-se poucos elementos visuais; o email permite agregar texto, imagem e som, o que torna mais próxima a ideia de galáxia Marconi, de reequilíbrio sensorial, como falava McLuhan. O email (e os programas de troca de mensagens em tempo real ou comunicação síncrona) permite recuperar alguma tradição da escrita, que se julgava perdida quando o uso massificado do telefone tornou a comunicação mais oral. A escrita automática das mensagens em tempo real (caso do Messenger) é mais da ordem da estenografia e da voragem do tempo, da fragmentação pós-moderna; o correio electrónico permite o armazenamento, com possíveis recuperações de mensagens mais tarde, é da ordem do ficheiro no arquivo.

Passaram já 14 anos que uso o email, em contas profissionais ou gratuitas (houve um momento de hesitação das empresas de telecomunicações, querendo taxar esse serviço, mas rapidamente se convenceram da dificuldade, dada a oferta simultânea de várias pequenas empresas usando a internet). Já não faço ideia do tempo em que ele não existia. Trata-se de um hábito novo já antigo, se quisermos. Mesmo em férias, não consigo suportar muitos dias sem ver que mensagens recebi. O email destruiu praticamente outra tecnologia, o fax. Mais japonesa, pelo papel fino que usava lembrando a tradição da pintura e do desenho oriental, o fax era uma tecnologia da família da fotocópia, mas à distância, usando processos electroquímicos aparentados. Do mesmo modo que um negócio ou combinação se fechava recorrendo à expressão “mande-me um fax”, hoje diz-se “mande-me um email”.

De todas as mudanças acima identificadas – e o computador e a tecnologia digital andaram por elas todas – a que mais me impressiona pela sua versatilidade é a máquina digital de imagens (combinando imagem fixa e em movimento, com possibilidades de registar igualmente o som) e que pode existir só por si ou acoplado a um telefone celular, máquina multifunções por excelência do nosso tempo. A máquina digital de imagem, em especial desde que alojadores como o YouTube, o Vimeo ou o Flickr permitiram guardar imagens, tornou possível uma produção astronómica de imagens, como nunca acontecera antes. Vivemos numa era de abundância, como um texto de Anthony Smith explicava – e que eu já prometi aqui falar dele –, podendo reproduzir em cadeia graças igualmente às redes sociais, muito populares em especial pelos mais jovens e nos últimos cinco anos, e que servem de álbum de família ou de amigos e montra das suas vidas, com relações de amizade ou de mais intimidade, numa mistura do privado e do público. Redes como o hi5 ou o Facebook alargam quase geometricamente por cada dia que passam, cruzando amigos com amigos de amigos com amigos de amigos de amigos. Talvez isto traga ruído mas são formas novas de comunicação, já não o conhecimento real mas o virtual, com vantagens e defeitos.


[continua]

7.5.08

NICE, VERY NICE


O contador do Sitemeter do Indústrias marca, neste momento, 750.100 visitantes únicos. Isto é: hoje, ultrapassei a fasquia dos 750 mil visitantes.

Sinto-me quase um rei, graças a tantas visitas no blogue.


Muito obrigado por visitarem este sítio de serviço (quase) público.

A TENDÊNCIA DOS JORNAIS GRATUITOS


Retiro a informação da newsletter de hoje do European Journalism Centre: os jornais, no futuro e devido à concorrência da internet, serão gratuitos e com maior ênfase no comentário e opinião (a partir de um relatório da Zogby International para a World Editors Forum e a Reuters, onde foram inquiridos 704 responsáveis seniores dos jornais).

Isto significa, por outro lado, que os editores estão optimistas quanto à digitalização. Cerca de 86% acreditam que as salas de redacção terão uma maior integração de serviços digitais e 2/3 dos respondentes acreditam que o consumo de notícias será maioritariamente através dos media electrónicos tais como o online e os telemóveis, no espaço de uma década. Conforme o inquérito, 56% dos entrevistados acredita que a maioria das notícias será gratuita, quer se trate de impressa ou online (há um ano, 48% dos inquiridos pensavam deste modo). O modelo dos jornais gratuitos está a atingir mercados "emergentes" como América do Sul, Europa oriental, Rússia, Médio Oriente e Ásia (segundo 61% dos respondentes). Já 48% dos inquiridos na Europa ocidental pensam que os jornais serão totalmente gratuitos, ao passo que 50% de responsáveis americanos aceitam a mesma perspectiva. A maior ameaça à indústria é a queda de leitores entre os mais jovens, ao mesmo tempo em que há mais qualidade no jornalismo.

6.5.08

DAVID MORLEY EM LISBOA


Integrado no Ciclo de Conferências "Comunicação, Estudos Culturais e Novos Media", David Morley falará amanhã, 7 Maio, pelas 17:30, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais (ICS, Lisboa), sobre New Times and New Spaces - Globalisation and Technology.

Morley é professor no Goldsmiths College da Universidade de Londres e um dos nomes maiores dos cultural studies ingleses.

FEIRA DE ARTES PERFORMATIVAS EM TAVIRA


De 2 a 5 de Julho, a Procur.arte leva à cidade de Tavira a FORMAS – Feira de Artes Performativas 2008, dirigida a criadores, artistas, produtores, promotores e programadores das Artes do Espectáculo.


Os profissionais inscritos na FORMAS terão livre acesso a todos os espectáculos, assim como ao Espaço PRO-FORMAS (que integrará expositores de organizações e projectos culturais, debates sobre mobilidade artística e indústrias criativas), documentação especializada, entre outros. Poderão ainda participar na plataforma de Pitching e respectivo workshop preparatório, com vista à apresentação oral de projectos de criação artística. Tem como finalidade suscitar o interesse de co-produção ou agendamento por parte de promotores e programadores estabelecidos.

Nesta primeira edição, a componente internacional será dedicada a Espanha (com propostas maioritariamente oriundas da Catalunha, apresentadas pelo LEM - Festival de Música Experimental de Barcelona, Mercat de Música Viva de Vic e Hangar - Centre De Producció D’arts Visuals).

As inscrições (até 16 de Maio) deverão ser submetidas através do preenchimento de formulário disponibilizado em
http://www.formas.procurarte.org/, onde pode procurar mais informações.

[informação disponibilizada pela organização]

VALORSUL CRIA PRÉMIO PARA JORNALISTAS


A Valorsul vai atribuir um prémio de 25 000 euros para jornalistas e outros profissionais que dediquem trabalhos à causa do Ambiente, mais concretamente à divulgação de boas práticas de redução, reciclagem ou reutilização de Resíduos Sólidos Urbanos. O Prémio poderá distinguir jornalistas ou estudantes de jornalismo e prevê ainda a existência de até 3 menções honrosas no valor de 5 000 euros.

Os jornalistas interessados ainda estão a tempo de se candidatar com trabalhos publicados entre 1 de Junho de 2007 e 31 de Maio de 2008. A entrega de candidaturas só termina a 31 de Maio.

Para participar basta preencher a ficha de candidatura, disponível em
www.valorsul.pt/premio, juntar os documentos previstos no regulamento e enviar para a sede da Valorsul ao cuidado do Presidente do Júri. O Regulamento do Prémio também está disponível no portal da Valorsul.

[informação disponibilizada pela Valorsul]

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (9)


James W. Carey (1934-2006) nasceu numa família tradicional católica irlandesa oriunda do norte do Estado de Providence, que entretanto se mudara para Massachusetts. A sua família não era propriamente pobre, mas ele lembrava-se que o seu pai ganhava 80 dólares semanais num estaleiro naval antes da II Guerra Mundial, desempregando-se a seguir ao final desta e conseguindo um emprego a ganhar 25 dólares por semana (Carey tinha cinco irmãos). O frigorífico chegou a sua casa por volta de 1946/1947. A sua família nunca teve automóvel ou carta de condução. Somente a geração de Carey é que teve características de classe média (entrevista a Lawrence Grossberg, no livro editado por Jeremy Parker e Craig Robertson, Thinking with James Carey, 2006).

Carey enquanto criança nunca jogou à bola com os amigos, devido a uma rara doença de coração. Preenchia os seus dias lendo e conversando com reformados que viviam na vizinhança. Aos 14 anos, foi-lhe permitido frequentar a escola, onde estudou história, inglês e aprendeu a escrever à máquina, e, aos 16, arranjou um emprego numa agência publicitária local. Na Universidade de Rhode Island, licenciou-se em marketing e publicidade – onde aprendeu igualmente estatística, filosofia e economia –, e na Universidade de Illinois o seu doutoramento sobre a economia da comunicação (1962), universidade onde ensinaria.

Carey foi influenciado por McLuhan, que conhecera na universidade em 1960, quando este ainda não era conhecido mas escrevera Understanding media, livro que Carey achou estranho, na altura. McLuhan falara do seu interesse por Innis, tendo conversado sobre isso, no que seria uma outra influência de Carey, igualmente inspirado por John Dewey e outros sociólogos da Universidade de Chicago.

Um texto que Carey editou sobre Innis e McLuhan, no final da década de 1960, levou Richard Hoggart – dos cultural studies ingleses – a escrever-lhe, começando uma correspondência. Às aulas que leccionava, Carey chamava estudos culturais, tendo enviado a Hoggart o projecto do seu curso, onde ensinava Durkheim, Weber, Goffman e a escola de Chicago. Hoggart enviou-lhe uma lista de autores ensinados em Birmingham, onde havia muitas semelhanças.

A sua ideia mais influente é a da teoria ritual da comunicação, em que a comunicação se define como a passagem de ideias de um ponto para outro, ultrapassando a tradicional teoria da transmissão. A perspectiva de transmissão na comunicação é a mais comum nas análises: enviar, transmitir, dar informação aos outros. É formada por uma metáfora de geografia ou transporte. No século XIX, o movimento de bens e pessoas e o movimento da informação eram vistos como essencialmente processos idênticos e ambos descritos pela palavra comunicação. O centro desta ideia de comunicação é a transmissão de sinais ou mensagens à distância com o objectivo de controlo. É a perspectiva de comunicação que deriva de um dos mais antigos sonhos humanos: o desejo de aumentar a velocidade e efeito das mensagens à medida que viajam no tempo (Carey, 1989, Communication as culture). As mensagens podem ser produzidas e controladas centralmente, pelo monopólio da escrita ou pela produção rápida da imprensa, que precisam de ser distribuidos, para alcançar o efeito desejado, de transporte rápido.

A perspectiva de ritual na comunicação é mais antiga e liga-se a termos como partilha, participação, associação, comunidade e posse de fé comum. A definição explora a identidade antiga e as raízes comuns de termos como comunidade, comunhão, comunalidade, comunicação. A perspectiva ritual da comunicação dirige-se não à extensão das mensagens no espaço mas à permanência da sociedade no tempo, não é o acto de repartir informação mas a representação de crenças partilhadas.

Para James Hay (no livro editado por Jeremy Parker e Craig Robertson, Thinking with James Carey), as tensões entre modelo ritual de comunicação e de transmissão ligam-se às relações entre temporalidade e espacialidade, história e geografia, ritual e transmissão. O modelo ritual de comunicação seria a resposta de Carey ao domínio e autoridade do positivismo na investigação americana de comunicação.

Carey iniciou um programa de doutoramento em jornalismo na Graduate School of Journalism na Universidade de Columbia (1998) e escreveu Television and the Press (1988), Communication as Culture (1989) e James Carey: A Critical Reader (1997).

LIVRO DE LUÍS CARMELO É LANÇADO HOJE

LIVROS DE JOÃO DIOGO E PATRÍCIA DIAS LANÇADOS NO DIA 8

5.5.08

REVISTA ECCLESIA


Tendo como objectivo assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2008, que ocorreu ontem, o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (Igreja Católica) decidiu publicar uma edição especial do semanário ECCLESIA, número que foca o tema religião e a Igreja Católica nos media.

Nas palavras de Paulo Rocha, director da agência ECCLESIA, a publicação "pode constituir um documento útil à relação Igreja/media e fornece pistas de diálogo entre pessoas e instituições que procuram gramáticas e tempos de actuação que lhe permitam crescentes aproximações".

DESEMPREGO E INDÚSTRIAS CRIATIVAS


Na edição de sábado passado do jornal Público, José Pacheco Pereira produziu um importante artigo sobre o desemprego e as fábricas que fecham.

As perguntas que se colocam são: que novos empregos se geram? Que conversões tecnológicas são necessárias? Que auxílios sociais são precisos? Que áreas geográficas não estão afectadas?

Duas histórias que recentemente conheci servem-me de testemunho - até pelo significado oposto, o da recuperação após a perda -, casos que, contudo, não creio serem vulgares. Cito as situações e os nomes porque os próprios publicitam as suas histórias.

Um, José Teixeira, trabalhou numa fábrica de têxtil do vale do Ave. Desempregado, acabou por se tornar empresário no mesmo sector, mas faliu, o que o terá levado a emigrar e a trabalhar na Argélia. Regressado a Portugal, monta uma actividade ligada a eventos, em Vilarinho, Santo Tirso (ver sítio Ruinas do Cerrado). Não aprecio o conceito, mas sei que está espalhado pelo país, com amplos espaços para comensais, neste caso para um máximo de 250 pessoas. José Teixeira organiza ainda visitas a locais da região, desde fábricas do têxtil já fechadas a passeios de teleférico na Penha (Guimarães).

O outro, João Ferreira (email: joao.g.ferreira@sapo.pt
), a trabalhar há mais de 20 anos numa fábrica de cerâmica em Barcelos, abandonou a fábrica muito pouco tempo antes dela fechar. Muito próximo do patrão, não conseguia aguentar a pressão. Há três anos mudou de profissão, tornando-se artesão cerâmico. Na última mostra da FIL esgotou rapidamente os seus bonecos, coisa que espera acontecer de novo nas Festas do Senhor de Matosinhos (Matosinhos), a funcionar na primeira quinzena deste mês.

João Ferreira segue o estilo dos barristas de Barcelos nas temáticas: Cristos crucificados, última ceia de Cristo, personagens do imaginário popular. Mas também estabelece uma ruptura, naquilo que acho específico neste artesão ainda jovem - as figuras de profissionais urbanos, onde o lado artesanal do ofício ainda é muito patente, como o barbeiro ou o alfaiate. Neste último, observam-se formas finas, rosto anguloso e de olhar atento, cabelo despenteado para a frente, mãos que apoiam o tecido a coser na máquina Singer. João Ferreira é, sem dúvida, um bom representante de barristas de outras gerações como Rosa Ramalho e Mistério.

4.5.08

SOBRE MODA


Distinción social y moda, editado por Ana Marta Gonzaléz e Alejandro Néstor García, tem um tom à Bourdieu. Na realidade, um dos capítulos é-lhe dedicado.

Mas o livro é muito mais do que isso. Analisa contributos de Thorstein Veblen, Marcel Mauss, George Simmel, Pierre Bourdieu, Norbert Elias e lord Chesterfield sobre moda. Nestes textos, procura-se, para além de uma apresentação à obra de cada autor, fazer um comentário aos textos que cada um deles escreveu sobre moda. Identidade social e distinção através da moda e moda e desejo são outras partes do livro.


Leitura: Ana Marta Gonzaléz e Alejandro Néstor García (ed.) (2007). Distinción social y moda. Pamplona: EUNSA

BARCOS RABELOS NO RIO DOURO