Pequeno vídeo (18' 50'') dedicado a todos(as) os(as) que gostam do Porto enquanto cidade, de entre os quais me incluo.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sábado, 17 de maio de 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2008
O PAPEL DO PROVEDOR DO LEITOR EM DISCUSSÃO

O provedor do leitor e os novos desafios nos media é o tema da conferência de Joaquim Vieira na Universidade Católica Portuguesa (Faculdade de Ciências Humanas) na próxima quarta-feira, dia 21, pelas 18:30, no auditório A1 daquela Faculdade.
Joaquim Vieira - jornalista, presidente do Observatório da Imprensa e autor de diversos livros, entre os quais Jornalismo contemporâneo. Os media entre a era Gutenberg e o paradigma digital e diversas fotobiografias -, é o actual provedor do leitor do jornal Público.
A CRIANÇA E A TELEVISÃO SEGUNDO SÓNIA MAIA CARRILHO
Da contracapa:
- A Criança e a Televisão: contributos para o estudo da recepção pretende ajudar a compreender o processo de recepção da televisão e a sua implicação no mundo infanto-juvenil.
Ocupam as crianças, dos 10 aos 16 anos, muito tempo a ver televisão? Qual o género de programas que preferem? Qual a sua opinião sobre os conteúdos televisivos? Em termos de audiência, qual é a mais elevada, a feminina ou a masculina? Qual o efeito que a publicidade exerce sobre este público? A escola deverá leccionar um ensino dos media?

Sónia Maia Carrilho, cujo livro resulta de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica, utilizou um inquérito a 1093 alunos provenientes de três escolas a frequentarem os segundo e terceiro ciclos do ensino, oriundos de meios sócio-económicos distintos. Concluiu, entre outros dados, que os jovens vêem televisão com gosto, percepção partilhada por ambos os sexos, vêem ao fim-de-semana cerca de 7,5 horas por dia (4,5 horas diárias durante a semana), gostam de ficção mas preferem os desenhos animados, a personagem admirada é a que faz a defesa de valores, consideram que a televisão estimula a aprendizagem e escolhem os seus programas.
Observação: já fiz referência ao trabalho de Sónia Carrilho aqui, em 31 de Março de 2006.
MOSTRA DE ARTES PARA O PEQUENO PÚBLICO

13ª Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, até 8 de Junho. Para saber mais, ver em www.teatroextremo.com.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
CONFERÊNCIA DE PORTA-VOZ DA COMISSÃO EUROPEIA
Johannes Laitenberger, porta-voz da Comissão Europeia, vai proferir uma conferência, a 29 de Maio, pelas 18:30, intitulada Comunicar a Europa: A política de informação da Comissão Europeia.
A conferência, que vai decorrer em língua portuguesa e a que se segue um debate, inscreve-se no designado "Plano D – Democracia, Diálogo, Debate", decidido e executado pela Comissão Europeia como contributo para o debate público das questões europeias no âmbito do processo de ratificação em curso do Tratado de Lisboa.
A conferência de Laitenberger realiza-se no anfiteatro 121 da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, entidade que organiza o evento, conjuntamente com a Associação Portuguesa de Imprensa e a APECOM - Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas.
ESTUDO "OS PORTUGUESES E OS MEDIA", ENCOMENDADO PELA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ANUNCIANTES (APAN)
O estudo Os Portugueses e os Media, encomendado pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) e desenvolvido pela Synovate, indica que "a tecnologia e o seu domínio deu origem a uma grande clivagem na forma como os diferentes escalões etários percepcionam os media", lê-se na newsletter hoje publicada pela Meios & Publicidade.
Considera o estudo que a população mais jovem depende menos dos meios tradicionais, como televisão, rádio ou imprensa, e a mais velha é indiferente às novas tecnologias. Se, quanto à imprensa gratuita, o estudo indica que a "publicidade é percebida pelos consumidores como pouco criteriosa e interessante", nos jornais pagos "é adequada ao meio e segmentada e é vista como mais cuidada por haver um maior critério de escolha, em termos de anunciantes". Já no que respeita à televisão, o meio mais saturado de publicidade, valoriza-se "o product placement, se a inserção e os valores da marca corresponderem ao contexto em que estão a ser utilizados, como é o caso dos canais da TV Cabo". Noutras áreas, a publicidade nas revistas é "muito projectiva e aspiracional" e "bem valorizada pela produção fotográfica" e o cinema tem "muito potencial de comunicação", pelo que se indica um "maior investimento no espaço das salas de cinema". Refira-se ainda a rádio, em que a publicidade "tem menos impacto que nos outros meios, porque não pode recorrer a imagens, tendo apenas como aspectos valorizadores a voz do locutor e a música associada à campanha". O estudo indica três elementos que levaram à realização do estudo: fragmentação dos media, terciarização da sociedade e pontos de contacto entre consumidores e os media.
Conclui o estudo pela existência de maior fidelidade aos conteúdos que às plataformas, o que parece contradizer o que está escrito acima. De modo semelhante, o estudo afirma que os mais novos não vivem sem internet e telemóvel e os "mais velhos consideram a internet elitista".
Sem prejuízo de uma maior verificação do estudo - a saber nomeadamente o número de inquiridos, distribuição de género, de idade e nível sócio-económico, que a notícia da Meios & Publicidade não indica -, os dados são coincidentes com alguns já publicados pelo Obercom e pela Marktest, por exemplo. Confesso que tenho sempre muitas dúvidas relativamente às conclusões, de tão generalistas que se apresentam e de seguirem estereótipos antigos, cavando uma diferença entre idades (mais novos e mais velhos, sem mostrarem a idade em que está a fronteira: 20 anos? 30 anos? 35 anos? 45 anos?) e não entre outros dados, como litoral e interior do país, pessoas e famílias mais afluentes ou pobres, profissões como quadros empresariais (e estudantes) face a classes trabalhadoras.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS
No próximo dia 18, celebra-se o Dia Internacional dos Museus, este ano sob o lema Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento.
Abaixo, as indicações do programa do Museu da Pólvora Negra, Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras, capa e contracapa do belo desdobrável dos museus de Cascais e promoção do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado (Lisboa).





Claro que a noite do dia 17 também pode ser dedicada a ver museus, com alguns deles a fecharem à meia-noite.
Destaco a oferta do Museu Condes de Castro Guimarães (Cascais) no dia 17 à tarde: os percursos do chá, com o significado mágico e sagrado da bebida no Oriente, a introdução do chá na Europa, a cerimónia do chá, a prova do chá (seis variedades).
Finalmente, destaco a publicidade nos mupis sobre o novo Museu do Oriente (Lisboa).

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (10)
Na Dialéctica do Esclarecimento (1985), Adorno ("A indústria cultural") escreve que, na cultura contemporânea, tudo tem um ar de semelhança. Cinema, rádio e revistas constituem um sistema: "Cada sector é coerente em si mesmo e todos o são no conjunto".
Por outro lado, escreve Adorno que o cinema e a rádio não precisam mais de se apresentarem como arte, pois se definem a si próprios como indústria. Mais à frente, lê-se que a indústria cultural se desenvolveu com o predomínio do efeito, da performance tangível e do debate técnico sobre a obra. Amargo, Adorno continua: a indústria cultural coloca a imitação como termo absoluto, reduzida ao estilo, à obediência e à hierarquia social. A cultura já inclui a classificação que a leva ao domínio da administração.
Nota-se ainda uma outra ideia bem precisa – nos países liberais triunfa a indústria cultural – cinema, rádio, jazz, revistas. Em que igualmente têm sucesso o sketch, a história curta, o filme de tese, o êxito de bilheteira. A indústria cultural permanece a indústria de diversão, o seu controlo sobre os consumidores é medido pela diversão. E: a indústria cultural não sublima, mas reprime e a diversão favorece a resignação.
Heroificação do indivíduo mediano que faz parte do culto do barato, renegação da sua autonomia pela arte e utilidade que os homens dão à obra de arte são outros elementos do texto sobre indústria cultural.
António Sousa Ribeiro, no seu prefácio ao livro de Adorno (Sobre a indústria da cultura), anota a diferença estabelecida entre Adorno e Benjamin, aquele conservando uma concepção ascética da obra de arte, concentrado na linguagem e na individualidade da obra de arte que recusa a lógica mercantil, este defendendo a universalização do acesso à produção cultural. Adorno vê a produção cultural como integração na lógica mercantil capitalista e a redução do receptor ao estatuto de simples consumidor. Ribeiro olha a Dialéctica do Esclarecimento como o texto onde Adorno (e Horkheimer) vê os mecanismos de produção cultural de massas como forma de represssão correspondente ao atrofiar da autonomia do sujeito. Mais à frente, Ribeiro fala dos fragmentos filosóficos da Dialéctica do Esclarecimento como traçando um quadro de autodestruição de uma razão que, baseada no progresso, reduz o ser humano a fins instrumentais. A razão passa a ser funcional (embora não o explicite, há aqui uma leitura relacionando Adorno com Lazarsfeld) e adquire uma função repressiva e auto-repressiva, conclui Ribeiro. Há uma dimensão integradora, a incorporação da produção e do consumo, a sociedade administrativa, em que público e produtor se submetem à lógica de um sistema. À arte reserva-se um problema da legitimidade (ver a Teoria Estética) ou até do seu direito à existência. A única estética é a da estética da negatividade. Ribeiro chama a atenção para variações decisivas no quadro geral da análise de Adorno. Se manteve o juízo negativo sobre o jazz, relativizaria a sua perspectiva sobre o cinema.
No texto de 1968 ("A indústria cultural", em Gabriel Cohn, org., 1978), Adorno refere o emprego do termo indústria cultural como substituto da expressão cultura de massa (1947), separando-a da produção espontânea das massas, da forma contemporânea da arte popular. A indústria cultural distingue-se desta, pois em todos os ramos se fazem produtos adaptados ao consumo das massas e que, em grande parte, determinam esse consumo. A indústria cultural, diz Adorno, é a integração deliberada dos seus consumidores, a partir do alto. O novo na indústria cultural é o primado do efeito, calculado sobre os pontos mais típicos. Em que as produções do estilo não são também mercadorias mas são integralmente mercadorias. E em que a dominação técnica retira a consciência às massas, impedindo a formação de indivíduos autónomos, independentes, capazes de julgar e decidir conscientemente.
Porquê este discurso de negatividade em Adorno? Primeiro, porque o impacto do genocídio judeu provocado pelo nazismo ficou para todo o sempre como marca da filosofia da escola de Frankfurt. Depois, porque a mudança da Alemanha para os Estados Unidos pôs Adorno (e Horkheimer) em contacto com outros meios de comunicação e outras estéticas. A alta cultura a que estava habituado na Alemanha foi confrontada com a cultura de massas nos Estados Unidos, o que conduziu a uma análise pessimista sobre a produção e recepção cultural. Além disso, deve ler-se Adorno com cautela: como escreve Artur Morão, o tradutor de Teoria Estética, o filósofo alemão não é fácil, mas intuitivo, aforismático e subtil, em que, para além de uma linguagem específica, tem uma maneira de se expressar não imediatamente apreensível e é elíptico.





Leituras: Gabriel Cohn (org.) (1978). Comunicação e indústria cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional
Theodor Adorno e Max Horkheimer (1985). Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor
Theodor Adorno (2003). Sobre a indústria da cultura. Coimbra: Angelus Novus (com organização e prefácio de António Sousa Ribeiro
Theodor Adorno (1982). Teoria Estética. Lisboa: Edições 70
Observação: as Edições 70, num esforço muito louvável, estão a reeditar as obras de Adorno, de que destaco a Teoria Estética, já em 2008.
terça-feira, 13 de maio de 2008
OS POEMAS DO SENTIR DE MARIA PAULA MARQUES

Foi lançado no dia 11 o livro de Maria Paula Marques, Poemas do Sentir, com ilustrações de Cristina Drago.
O encontro decorreu na Galeria Matos Ferreira (Rua Luz Soriano, 18, Lisboa) e contou com leitura de poemas de jograis e por Carmen Filomena.

A Galeria Matos Ferreira é um local de encontro de exposições, conferências ou tertúlias e serviço de bar, espaço muito agradável no Bairro Alto.
SÉRIE DIÁRIO DE SOFIA NOMEADA PARA OS BROADCAST DIGITAL CHANNEL AWARDS
A série Diário de Sofia (versão inglesa) foi nomeada para os Broadcast Digital Channel Awards, segundo a newsletter de hoje da Meios & Publicidade.
A versão inglesa da série produzida pela Beactive em conjunto com a SPTI estreiou no mercado britânico no site Bebo.com (imagem abaixo) e foi lançada em Abril no canal de televisão Channel 5. Os resultados serão conhecidos a 4 de Junho.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
LIVRO SOBRE FUTURO DA GESTÃO DOS MEDIA

Na próxima semana, mais precisamente a 20 de Maio, durante a 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media, organizada em Lisboa pela Universidade Católica Portuguesa (Centro de Estudos de Comunicação e Cultura) e pelas revistas MediaXXI e International Journal of Media Economics, vai ser lançado o livro Looking to the future of modern media management, com organização de Christian Scholz e Uwe Eisenbeis, membros da International Media Management Academics Association.
A obra reúne 22 artigos de alguns dos mais destacados investigadores e profissionais internacionais no sector, incluindo a contribuição de um docente português, Paulo Faustino (Universidade Católica Portuguesa).
Da promoção ao livro lê-se:
- Durante a última década, os media tornaram-se numa das mais fortes indústrias do mundo, apresentando um desenvolvimento rápido e exponencial. Esta conjuntura cria uma crescente necessidade de ferramentas de gestão específicas aos profissionais do sector, no sentido de antecipar os desafios presentes e futuros, prever o comportamento dos consumidores, desenvolvimento tecnológico e a evolução das cadeias de valor, ou identificar novas áreas de investimento.
ECONOMIA DA CULTURA

Amanhã, dia 13, pelas 20:00, na livraria Saraiva, no Shopping Paulista (S. Paulo, Brasil), Alfredo Bertini lança o livro Economia da cultura - a indústria do entretenimento e o audiovisual no Brasil.
Bertini é um dos directores do CINE PE – Festival do audiovisual, criado em 2002 pela necessidade de ampliação do Festival de Cinema do Recife.
Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e com uma longa carreira nessa área como professor universitário, autor de livros especializados e consultor, foi Secretário Adjunto do Estado de Pernambuco em 1994 e 1995, quando começou a desenvolver o projeto de realização do Festival de Cinema do Recife, que teve sua primeira edição em 1997 (na imagem em cima, com a esposa à direita, Sandra Bertini, igualmente directora do festival, e Graça Araújo; imagem retirada do sítio do CINE PE).
ALKANTARA FESTIVAL
A decorrer entre 22 de Maio e 8 de Junho, o alkantara festival é um dos maiores festivais de dança e teatro em Portugal, apresentando 26 espectáculos em 78 sessões de artistas vindos de 18 países nos 17 dias do festival.

Os artistas são provenientes de Portugal, Austrália, Índia, Turquia, Nova Zelândia, República Democrática do Congo, Bélgica, Reino Unido, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, República Checa, Brasil, Líbano, França, Argélia e Colómbia. Os espaços onde passam os espectáculos são Auditório Carlos Paredes, Castelo de São Jorge, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Espaço Alkantara, Espaço Land, Hospital Miguel Bombarda, Museu da Electricidade/Central Tejo, Museu do Oriente, Palácio Nacional da Ajuda, Maria Matos Teatro Municipal, São Luiz Teatro Municipal, Politécnica e Teatro Meridional.
Mais de 40 programadores de teatros e festivais internacionais já confirmaram a sua vinda a Lisboa para assistir aos espectáculos do festival.
Do programa, e sem qualquer juízo de valor por parte do blogueiro, chamo a atenção para o espectáculo de rua de clara andermatt Meu Céu (Portugal), no castelo de S. Jorge, a 4 e 5 de Junho, pelas 22:00 (cartaz de João Lucas), onde "uma equipa multidisciplinar incluindo bailarinos, actores, músicos, traceurs e um grupo de intérpretes com mais de 60 anos de Santa Maria da Feira, onde o espectáculo foi criado. O projecto apropria-se das características arquitectónicas do espaço para envolver o público numa espécie de ritual comunitário".
PRÉMIO DE PATRIMÓNIO CULTURAL PARA O MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
O Museu da Presidência da República foi distinguido com o Prémio do Património Cultural da União Europeia/Europa Nostra 2008, pelo trabalho de investigação sobre o património material e imaterial do Palácio de Belém, que permitiu a concepção e produção da exposição e do catálogo Do Palácio de Belém.

A cerimónia de atribuição do galardão vai ter lugar no próximo dia 12 de Junho na Catedral de Durham, no Reino Unido, e será presidida pela Infanta D. Pilar de Borbón, Presidente da Europa Nostra, e pela Directora-Geral de Educação e Cultura da Comissão Europeia, Odile Quintin. O prémio será recebido pelo Dr. Diogo Gaspar, director do Museu da Presidência da República.
O Prémio Europa Nostra (segundo os organizadores) foi atribuído ao Museu pela "qualidade excepcional do projecto de investigação, e pela sua contribuição inestimável para a salvaguarda do património cultural na Europa". Trata-se do segundo prémio (depois do Prémio José de Figueiredo 2006, da Academia Nacional de Belas-Artes) concedido ao projecto de investigação desenvolvido entre 2003 e 2005, que se concretizou com produção da exposição Do Palácio de Belém (patente ao público entre Outubro de 2005 e Fevereiro de 2006) e com um conjunto de sete separatas e um catálogo. Estas obras tiveram como propósito contribuir para o estudo da actual residência oficial do Presidente da República, disponibilizando informação sobre o seu património móvel, imóvel e imaterial, que se manteve desconhecido durante muitos anos.
[observação: segui o texto enviado pelo Serviço de Comunicação do Museu da Presidência da República]
JORNALISMO DIGITAL
Comecei no blogue de Rodrigo Savazoni (aconselhado num post numa rede social por Rodrigo Furtado Costa, da Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus de Frutal & Faculdade Frutal, do Brasil).
Savazoni escrevia no passado dia 1 sobre a Garapa, uma produtora multimedia, e refere "reportagens de altíssima qualidade. Isso é resultado da explosão do jornalismo digital nos últimos dois anos. Texto, áudio, vídeo, foto, mashups, mapas reunidos por criativos jornalistas resultam em histórias contadas de um jeito que jamais se viu. Alguns chamam de multimídia. Eu gosto da expressão hipermídia".
Depois, Rodrigo Savazoni encaminha-nos para a MediaStorm, de Brian Storm, ex-director da MSNBC,
- que resolveu apostar seus dotes e dólares na construção de uma produtora digital para a rede. O MediaStorm tem trabalhos publicado por veículos da grande mídia americana, entre os quais a própria MSNBC, o Washington Post e o Los Angeles Times. É impossível não se emocionar com trabalhos como o Blodlines, finalista do Emmy, ou o sensacional Kingsley Crossing, vencedor do Emmy. Na época do vídeo fácil, doYouTube, o MediaStorm tem apostado em trabalhos de altíssima qualidade, baixo orçamento e muita criatividade. E tem contribuído para ampliar os horizontes de quem trabalha contando histórias no mundo digital.
RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS INTERNACIONAIS
Durante dezassete anos, a associação Pépinières Européenes pour Jeunes Artistes apoiou uma geração de artistas atentos aos contextos humanos, sociais e económicos, e ajudaram a desenhar os contornos de um panorama artístico europeu rico de criatividade, de cruzamentos férteis, em projectos compartilhados e abertura ao mundo.
As Pépinières lançam, de novo, um programa de mobilidade, oferecendo mais de cinquenta oportunidades de residências, entre Setembro 2008 e Setembro 2009, permitindo a construção de projectos plurais e fomentando a criação de novos públicos.
Com o fim de dar uma resposta pertinente aos diferentes movimentos desenhados pelas novas gerações de artistas, este programa preliminar oferece vários conceitos de mobilidade artística, proporcionado por um grande número de espaços de criação, em torno de três grandes proposições: Open Art Program, ARTShare e ARTventure.
O programa destina-se a jovens artistas de todos os dominios de expressão artística, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, residentes num dos países (e regiões) parceiros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Escócia, Eslóvaquia, Estónia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Letónia, Luxemburgo, Malta, Montenegro, Polónia, Portugal, Québec (Canadá), Républica Checa, Roménia, Sérvia e Suécia.
Cada artista só pode candidatar-se a uma única residência, obrigatoriamente para o exterior do seu país de origem e/ou residência. As inscrições serão feitas exclusivamente on-line até às 24:00 do dia 23 de Maio 2008 (hora de Bruxelas, +1 TGM). Para mais detalhes sobre o programa e para aceder à candidatura on-line entrar no sítio www.art4eu.net.
[obrigado a Carlos Filipe Maia pela informação]
domingo, 11 de maio de 2008
MUSEU DO ORIENTE
Ele abriu esta semana mas ainda não o visitei. Sei que o primeiro dia registou mais de dois mil visitantes, valor impressionante e a lembrar comportamento social idêntico na abertura recente da colecção Berardo, o que prova que há públicos para os museus (mesmo que sejam dias ou períodos de entrada gratuita).
Escrevi algo sem muita importância sobre este museu algum tempo atrás. Mas registo que museu do oriente tem sido uma entrada frequente no meu blogue nestes dias, como se houvesse actualizado e com profundidade o tema.
O que leva a duas conclusões rápidas: primeiro, o incessante desejo de se obter informação de assuntos novos; segundo, a cada vez maior importância da internet na pesquisa de informação. Mas ir parar a informação antiga e sem valor de fundo, como é o caso do que escrevi, evidencia uma característica que venho criticando na internet - sem filtros (gatekeepers) perde-se tempo no encontro de informação adequada. Na abundância de informação (Anthony Smith) não reside uma melhoria de educação ou formação, mas apenas mais informação.
[Ver comentário que o leitor Pedro Mota colocou na mensagem anterior que escrevi sobre o museu, dado o seu interesse]
FUTEBOL E A CIDADE
O artigo de António Barreto no jornal Público de hoje é muito acertado, quando ele combina futebol e cidade (Porto). Esta semana foram conhecidas decisões da comissão disciplinar da Liga de Futebol contra três clubes da primeira divisão daquela modalidade (dois dos quais do Porto).
Barreto, depois de ver, ouvir e ler as notícias, não tem dúvidas sobre a justeza das decisões. Eu também não.
Contudo, parece haver uma ligação com outras coisas. Ao futebol - de que destaco a maior punição, a descida de divisão aplicada ao Boavista, no que significa uma perda de influência da cidade -, associa-se a visão de quem visita o Porto. Sente-se um decréscimo de força política, económica e cultural da cidade. Há zonas históricas da cidade muito degradadas. Se, até há pouco, a rua Mouzinho da Silveira, em direcção ao rio Douro, espelhava a perda de actividade empresarial e comercial, a rua 31 de Janeiro apresenta um comércio cada vez mais decrépito por cada visita que faço à cidade.
Esta semana, Ludgero Marques, presidente cessante de uma associação patronal, dizia que alguns dirigentes políticos e económicos da cidade estavam entre os responsáveis pela degradação, pois se tinham deslocado para Lisboa (para viver, para tratar das suas actividades) e se haviam tornado cabeças pensantes lisboetas. Achei as palavras dele muito pouco felizes, erradas e sem oportunidade. As cidades justificam-se pelo seu dinamismo ou inacção e não porque "alguns dirigentes" são trânsfugas.
País de emoções, Portugal vibra muito com o futebol. E o Porto, que nas décadas mais recentes, viveu muitas glórias no desporto, está acabrunhado. Primeiro pelo desaparecimento do Salgueiros, um clube de bairro desfeito pelo inevitável choque com clubes ligados a grandes grupos económicos, que elimina os pequenos, como numa outra actividade qualquer (associado a uma extrema falta de perspectiva estratégica). Agora, pela queda do Boavista, sente-se avolumado esse incómodo da perda de vitalidade.
A capa da edição de ontem do Jornal de Notícias (Porto) é ilustrativa. A fotografia que acompanha a principal notícia é a de um homem, aparentando mais de cinquenta anos e vestido com adereços que o identificam como fã do Boavista, a chorar. Igualmente desapontada, mas mais lúcida e combativa, uma mulher atrás, tenta, com a sua mão, chegar até ele, numa posição de solidariedade. Uma segunda mulher, colocada entre os dois, quase a morder um lábio e mais afastada no plano da fotografia, parece resignada, em contraponto com os dois outros elementos.Não estamos a falar de racionalidade (como diria Jürgen Habermas) mas de afectos (como falava ontem Lawrence Grossberg, na sua inolvidável passagem pela UCP). A vida económica de uma cidade vive de racionalidade, o futebol vive de afectos, mas ambos, no final, são necessários. O homem que chora expressa afectos. São irracionais, é verdade, mas isso resulta da perda, sabe-se lá, da quase última esperança dele. Quem sabe se perdeu o emprego? Ou se o valor do seu salário é pequeno e a sua alegria era apenas dada pelas vitórias do seu clube?
Fotografia da capa do jornal: Artur Machado.
sábado, 10 de maio de 2008
CADERNOS DE JORNALISMO
No dia 15, pelas 21:00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, é lançado o número 1 dos Cadernos de Jornalismo, do Instituto de Estudos Jornalísticos (Coimbra).
Reune vários temas, nomeadamente na rubrica Reportagem, que "apresenta peças que reportam a realidades diversificadas como as touradas aos quotidianos tão longínquos como Trás-os-Montes e o Timor português", segundo Isabel Ferin, directora daquele instituto. Nas rubricas Dossiê e Bloco de Notas, destaca-se uma dissertação sobre relações entre literatura e jornalismo. Na secção Best Of apresenta-se uma experiência de estágio bem sucedida no jornal Público e na rubrica Por Falar aborda-se o teatro de Tchekhov e uma entrevista ao encenador Andrzej Kowalski.
O número é coordenado por Clara Almeida Santos e João Figueira e o design pertence a António Barros.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
A CRISE DO AUDIOVISUAL EUROPEU
A crise do audiovisual europeu - 20 anos de políticas europeias em análise, de Francisco Rui Cádima, em edição da Media XXI, é um dos livros a lançar na 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media (8th WMEMC), a realizar na Universidade Católica Portuguesa, nos dias 19 e 20 deste mês.


No começo do seu novo livro, Cádima diz que o escreve
- no contexto da emergência da nova Directiva do audiovisual europeu, designada genericamente Directiva "Serviços de Comunicação Social Audiovisual". O texto da proposta da nova Directiva do audiovisual europeu, na sua justificação e objectivos, consagra agora, clara e explicitamente, a lógica económica do sistema – uma lógica "light touch" –, assim intitulada por Viviane Reding face a outra qualquer lógica, reconhecendo que "o mercado dos serviços televisivos europeus mudou radicalmente com a convergência das tecnologias e dos mercados" e que com base nessa realidade importaria mudar o clausulado da Directiva TVSF, de 1989, revisto em 1997.
LAWRENCE GROSSBERG
Lawrence Grossberg falará hoje, na Universidade Católica (sala 121, 17:30-20:30), sobre Cultural Studies and the problem of Modernity.
A sessão é aberta a todos os interessados em cultural studies americanos.
A sessão é aberta a todos os interessados em cultural studies americanos.
PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA NA UCP
Ontem, abriu a pós-graduação de Televisão e Cinema na Universidade Católica, com a presença de dois conferencistas: João Lopes, jornalista e crítico de cinema, e Eduardo Cintra Torres, docente universitário e crítico de televisão.
O pequeno vídeo abaixo mostra o começo da intervenção de João Lopes.
O pequeno vídeo abaixo mostra o começo da intervenção de João Lopes.
QUEM VAI AO CINEMA EM PORTUGAL
O estudo Bareme Cinema da Marktest, relativos ao período compreendido entre Abril de 2007 e Março de 2008, contabiliza 1,7 milhões de espectadores regulares de cinema (ida uma vez por mês no mínimo).
Diz a newsletter da Marktest:
Diz a newsletter da Marktest:- Os mais jovens são os que têm maior afinidade com o meio, com a maioria dos indivíduos entre os 15 e os 34 anos a frequentar as salas de cinema pelo menos uma vez por mês. Entre as ocupações, os estudantes e os quadros médios e superiores destacam-se claramente dos restantes indivíduos, com 53,6% dos primeiros e 40,4% dos segundos a irem regularmente ao cinema. A classe social também apresenta diversidade de comportamentos, com o hábito de ir regularmente ao cinema a decrescer à medida que "decresce" a classe social, de 42,9% da classe alta para 8,0% da classe baixa. Entre as regiões as diferenças são menos significativas, embora os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto apresentem valores acima da média (27,5% e 24,4%, respectivamente). Finalmente, homens e mulheres não diferem muito neste hábito, mas eles fazem-no mais frequentemente que elas: 21,8% e 18,6%, respectivamente, costumam ir ao cinema pelo menos uma vez por mês.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (4)
[continuação do texto dos dias 6, 9 e 25 de Abril]
A carta e o seu substituto, o correio electrónico (ou email) e a passagem da fotografia analógica para a digital são duas outras alterações sobre as quais pouco pensamos sobre como seria antes. Ao correio tradicional (correio caracol, a partir do snail mail inglês) veio o email (na designação igualmente inglesa). Na carta, escrevíamos à mão ou, quando muito, à máquina de escrever. A velocidade lenta da carta associava-se à reflexão desse tempo. A carta marcava um ritmo biológico: carta para lá, carta para cá. Esperava-se o carteiro como hoje se liga o computador e abre no programa de correio: se havia cartas, separavam-se e liam-se de acordo com a importância ou expectativa de cada uma das missivas.
Com o correio electrónico, usam-se sinais, de prioridade quando se envia, para ler depois quando se pretende retomar mais tarde. A carta permitia signos escritos, usando-se poucos elementos visuais; o email permite agregar texto, imagem e som, o que torna mais próxima a ideia de galáxia Marconi, de reequilíbrio sensorial, como falava McLuhan. O email (e os programas de troca de mensagens em tempo real ou comunicação síncrona) permite recuperar alguma tradição da escrita, que se julgava perdida quando o uso massificado do telefone tornou a comunicação mais oral. A escrita automática das mensagens em tempo real (caso do Messenger) é mais da ordem da estenografia e da voragem do tempo, da fragmentação pós-moderna; o correio electrónico permite o armazenamento, com possíveis recuperações de mensagens mais tarde, é da ordem do ficheiro no arquivo.
Passaram já 14 anos que uso o email, em contas profissionais ou gratuitas (houve um momento de hesitação das empresas de telecomunicações, querendo taxar esse serviço, mas rapidamente se convenceram da dificuldade, dada a oferta simultânea de várias pequenas empresas usando a internet). Já não faço ideia do tempo em que ele não existia. Trata-se de um hábito novo já antigo, se quisermos. Mesmo em férias, não consigo suportar muitos dias sem ver que mensagens recebi. O email destruiu praticamente outra tecnologia, o fax. Mais japonesa, pelo papel fino que usava lembrando a tradição da pintura e do desenho oriental, o fax era uma tecnologia da família da fotocópia, mas à distância, usando processos electroquímicos aparentados. Do mesmo modo que um negócio ou combinação se fechava recorrendo à expressão “mande-me um fax”, hoje diz-se “mande-me um email”.
De todas as mudanças acima identificadas – e o computador e a tecnologia digital andaram por elas todas – a que mais me impressiona pela sua versatilidade é a máquina digital de imagens (combinando imagem fixa e em movimento, com possibilidades de registar igualmente o som) e que pode existir só por si ou acoplado a um telefone celular, máquina multifunções por excelência do nosso tempo. A máquina digital de imagem, em especial desde que alojadores como o YouTube, o Vimeo ou o Flickr permitiram guardar imagens, tornou possível uma produção astronómica de imagens, como nunca acontecera antes. Vivemos numa era de abundância, como um texto de Anthony Smith explicava – e que eu já prometi aqui falar dele –, podendo reproduzir em cadeia graças igualmente às redes sociais, muito populares em especial pelos mais jovens e nos últimos cinco anos, e que servem de álbum de família ou de amigos e montra das suas vidas, com relações de amizade ou de mais intimidade, numa mistura do privado e do público. Redes como o hi5 ou o Facebook alargam quase geometricamente por cada dia que passam, cruzando amigos com amigos de amigos com amigos de amigos de amigos. Talvez isto traga ruído mas são formas novas de comunicação, já não o conhecimento real mas o virtual, com vantagens e defeitos.
[continua]
quarta-feira, 7 de maio de 2008
NICE, VERY NICE
O contador do Sitemeter do Indústrias marca, neste momento, 750.100 visitantes únicos. Isto é: hoje, ultrapassei a fasquia dos 750 mil visitantes.
Sinto-me quase um rei, graças a tantas visitas no blogue.

Muito obrigado por visitarem este sítio de serviço (quase) público.
A TENDÊNCIA DOS JORNAIS GRATUITOS
Retiro a informação da newsletter de hoje do European Journalism Centre: os jornais, no futuro e devido à concorrência da internet, serão gratuitos e com maior ênfase no comentário e opinião (a partir de um relatório da Zogby International para a World Editors Forum e a Reuters, onde foram inquiridos 704 responsáveis seniores dos jornais).
Isto significa, por outro lado, que os editores estão optimistas quanto à digitalização. Cerca de 86% acreditam que as salas de redacção terão uma maior integração de serviços digitais e 2/3 dos respondentes acreditam que o consumo de notícias será maioritariamente através dos media electrónicos tais como o online e os telemóveis, no espaço de uma década. Conforme o inquérito, 56% dos entrevistados acredita que a maioria das notícias será gratuita, quer se trate de impressa ou online (há um ano, 48% dos inquiridos pensavam deste modo). O modelo dos jornais gratuitos está a atingir mercados "emergentes" como América do Sul, Europa oriental, Rússia, Médio Oriente e Ásia (segundo 61% dos respondentes). Já 48% dos inquiridos na Europa ocidental pensam que os jornais serão totalmente gratuitos, ao passo que 50% de responsáveis americanos aceitam a mesma perspectiva. A maior ameaça à indústria é a queda de leitores entre os mais jovens, ao mesmo tempo em que há mais qualidade no jornalismo.
terça-feira, 6 de maio de 2008
DAVID MORLEY EM LISBOA
Integrado no Ciclo de Conferências "Comunicação, Estudos Culturais e Novos Media", David Morley falará amanhã, 7 Maio, pelas 17:30, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais (ICS, Lisboa), sobre New Times and New Spaces - Globalisation and Technology.
Morley é professor no Goldsmiths College da Universidade de Londres e um dos nomes maiores dos cultural studies ingleses.
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