Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

30.6.09

MOSTRA DOCUMENTAL DE MONTEMOR-O-NOVO


A 1ª Mostra Documental de Montemor-o-Novo vai decorrer de 6 a 19 de Julho. Segundo os organizadores, "pretende afirmar-se como uma plataforma de projecção e debate consciencioso feito a partir do documento Cinematográfico. Nesta primeira mostra convergem diferentes pontos de vista sobre o mundo, a partir de um leque diversificado de filmes que atravessam um período situado entre os anos 60 e a actualidade".

Além da Mostra, haverá um workshop de Documentário, de 6 a 16 de Julho, com os formadores Frederico Lobo e Tiago Afonso, nas Oficinas do Convento – Montemor-o-Novo.

Mais informações em
http://www.montemordoc.com/.

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE HUMOR



Em Albufeira, de 4 a 11 de Julho.

APRESENTAÇÃO DE LIVRO DE JOSÉ LUÍS GARCIA (ORG.)


Dia 7 de Julho, pelas 18:30, na FNAC do Colombo (Lisboa), vai ser lançado o livro organizado por José Luís Garcia, Estudos sobre os Jornalistas Portugueses. Metamorfoses e Encruzilhadas no Limiar do Século XXI. A apresentação do volume é feita por José Pacheco Pereira e Adelino Gomes.

ARTISTAS E PROFISSIONAIS DA CULTURA

Amanhã, dia 1 de Julho, às 17:30, no auditório Afonso de Barros, no ISCTE (Lisboa), David Throsby, segunda conferência do ciclo Artistas e profissionais da Cultura. Organização: Vera Borges (ICS) e Pedro Costa (ISCTE).

INVESTIGAR A HISTÓRIA DOS MEDIA (II)

[continuação da mensagem de 22 de Junho]

Para Robert K. Avery (Quantitative methods in broadcast history), há, dentro do domínio das medidas científicas, quatro tipos de dados: nominais, ordinais, intervalo e relação. Os dados nominais são, por exemplo, informação demográfica como género, idade, etnia, educação, nível de rendimento. Usam-se números arbitrários (1=mulher, 2=homem). Os dados ordinais são frequentemente encontrados na informação nominal e expressam uma relação entre dois ou mais valores. Por exemplo, quando se quer saber a frequência do uso da televisão – "Quantas horas vê por dia: menos de uma hora, de 1 a 3 horas, mais de 5 horas" – aos respondentes é permitido utilizar dados ordinais ou elementos de qualificação entre "mais que" ou "menos que". Os dados de intervalo permitem ao investigador expressar relações entre pontos mas também indicar que as distâncias entre os pontos são iguais em posição, género "De 1 a 5 dê a sua resposta: 1 – concordo plenamente, 2 – concordo, 3 – estou indeciso, 4 – não estou em desacordo, 5 – estou em total desacordo". Cada resposta, de 1 a 5, tem um espaço igual. Esta forma de instrumento de escala tem sido muito usada em comunicação de massa e designa-se por escala tipo Likert, do seu criador Rensis Likert.

O quarto tipo de medida, a relação, inclui intervalos mas também o zero absoluto. Muitas sondagens são conduzidas anualmente, de modo a fornecer dados longitudinais, com amostras sistemáticas de uma população específica em intervalos regulares usando os mesmos processos de inquérito. Tais inquéritos permitem conhecer o nível das percepções das audiências, preferências de programas, número de receptores, níveis de educação dos ouvintes ou qualquer outra variável. Outro método de grande importância na comunidade de investigadores é a análise de conteúdo, que avalia as mensagens verbais, não verbais, áudio, vídeo e fotográficas. Dito de outro modo, as mensagens podem ser sujeitas a avaliações governadas por regras específicas exigidas por metodologias analíticas quantitativas.

Já para Dale Cressman (Exploring biography), a essência da biografia não mudou ao longo dos séculos. Mas a biografia desenvolveu-se apenas no século XVIII. A palavra "biografia", que provém das raízes gregas de bios (vida) e graphein (escrever), apareceu em 1660. Os biógrafos puseram um grande realce na exactidão, mas as novelas e o teatro influenciaram a sua escrita, injectando um sentido de drama e detalhe artístico. No começo do século XX, a restrição vitoriana e a interpretação romântica deram lugar à objectividade científica, levando os autores a procurar verdades históricas mais abrangentes. Por volta de 1940, surgiu um novo contributo, a que Catherine Drinker Bowen chamou de método de biografia "narrativa", em que os factos históricos se constróem em torno de um núcleo dramático. Os valores universitários tradicionais combinavam-se com as técnicas de escrita artística popular nos escritores e leitores das décadas de 1920 e 1930. Uma biografia é escrita na forma narrativa e na ordem cronológica. A cronologia é importante porque recria no leitor o sentido de uma vida vivida. Os objectos biográficos precisam de ser colocados no contexto do tempo em que ocorreram.

Finalmente, segundo Donald G. Godfrey (Researching electronic media history), há desconfiança quanto ao uso dos jornais como elemento de pesquisa bibliográfica. Os media são acusados de sensacionalistas e com uma orientação comercial. Godfrey, apesar das críticas, entende que programas, internet e outras fontes dos media não podem ser ignorados.

Leitura: Donald G. Godfrey (ed.) (2006). Methods of historical analysis in electronic media. Mahwak, NJ, e Londres: Lawrence Erlbaum

29.6.09

IMAGEM, MEDIA E PRÁTICAS SOCIAIS

A Revista Estudos da Comunicação do curso de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) faz a chamada de trabalhos para as edições do segundo semestre de 2009. Os textos devem ser enviados até 27 de Julho de 2009 para o email teresa.f@pucpr.br. As colaborações podem ser em forma de artigos, resenhas, entrevistas, comunicações científicas, ensaios e reportagens científicas e devem seguir a linha editorial Imagem, Mídia e Práticas Sociais. Editores: Maria Teresa Marins Freire e Gil Nuno Vaz.

A revista está disponível on-line
aqui.

APRESENTAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS PARA A CULTURA EM LISBOA


Hoje, ao fim da tarde, foi apresentado o trabalho Estratégias para a Cultura em Lisboa, coordenado por Pedro Costa e por uma equipa da Dinâmia/ISCTE, em encomenda da Câmara Municipal de Lisboa.

Do sumário executivo, retiro algumas ideias: "Lisboa tem uma oferta cultural variada e significativa, em termos quantitativos, e que tem crescido substancial e sustentadamente ao longo dos últimos anos, embora haja situações muito diferenciadas nas várias áreas culturais, exprimindo no entanto, e nalguns casos, um dinamismo que aparenta ser mais quantitativo que qualitativo".

Quatro eixos principais propõe o texto Estratégias para a Cultura em Lisboa (p. 17): 1) promoção das competências cosmopolitas e da vocação internacional da cidade, 2) desenvolvimento das condições facilitadoras da criação e da produção cultural, 3) reforço da vivência da cidade e da sua memória e promoção do conhecimento, 4) revisão do modelo de governança cultural da cidade.

O resultado do trabalho agora tornado público é composto por 30 medidas e 14 projectos, como Pedro Costa salienta no pequeno vídeo em baixo. Das medidas (p. 126), destaco as duas primeiras: reestruturar a orgânica da Direcção Municipal de Cultura e reequacionar a missão e a estruturação orgânica da EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural. Ou seja: o trabalho recomenda que se comece por alterar a orgânica interna da autarquia, a sua governança. Na sequência, outras medidas sugeridas são igualmente importantes: instituição de concurso público para a nomeação de directores artísticos e programadores, definição de um quadro regulamentar de apoio financeiro municipal aos agentes culturais e mobilização dos agentes privados para o desenvolvimento das indústrias criativas na cidade. Dos projectos (p. 127), relevo a ideia de um canal de internet para a cidade (Lx Web TV), de um Centro de Arte Contemporânea de Lisboa, do Estudar Lisboa (programa de fomento à colaboração com instituições de ensino superior e centros de investigação da cidade) e Lisbon Summer of Arts (programa internacional de formação de jovens artistas).

De uma leitura rápida e em diagonal, saliento o que o texto diz sobre públicos da cultura: falta de estudos de públicos (p. 73), reconhecimento dos baixos níveis de rendimento económico dos cidadãos e da falta de hábitos culturais (p. 71), associados a uma baixo capital escolar. Apesar de tudo, o volume Estratégias para a Cultura em Lisboa indica a existência de uma procura significativa de eventos e equipamentos culturais, quer em termos de faixas etárias, públicos variados e poder económico. Depois, a enumeração dos territórios culturais, tais como a baixa pombalina, Chiado e Bairro Alto, Parque Mayer (a recuperar), o eixo da avenida Almirante Reis a partir do Martim Moniz, Santos, Parque das Nações, alguns bairros históricos.


[observação: em 23 de Novembro de 2008, escrevi sobre o tema e entrevistei o coordenador do projecto; ver aqui]

TOP DAS LIVRARIAS BULHOSA/LEITURA DE NÃO-FICÇÃO (22 A 28 DE JUNHO)

1. Vasco Pulido Valente, Portugal – Ensaios de História, Aletheia
2. Filipa Vacondeus, Receitas Low-cost, Academia do Livro
3. Bibá Pitta e Inês de Barros, O Cromossoma do Amor, Difel
4. Germano Silva, Porto: Nos Atalhos da História, Casa das Letras
5. Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa, Casa das Letras
6. Marsilio Cassotti, Carlota Joaquina – O Pecado Espanhol, A Esfera dos Livros
7. Jan Morris, Veneza, Tinta-da-China
8. Mia Couto, E se Obama Fosse Africano? E outras Intervenções, Caminho
9. Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, História da Primeira República Portuguesa, Tinta-da-China
10. José António Rodrigues Pereira, Grandes Batalhas Navais Portuguesas, A Esfera dos Livros

DESCIDA NAS VENDAS DE JORNAIS

"Todos os diários de informação geral diminuíram as suas vendas nos primeiros quatro meses deste ano relativamente ao mesmo período do ano passado, com os meses de Março e Abril a reforçar a tendência, segundo dados hoje divulgados" (notícia da Lusa, editada no Público Última Hora às 14:49).

OS PIRATAS SUECOS

De acordo com a BBC News, de 26 de Junho, quatro suecos foram condenados por um tribunal a pagar pesadas multas por infringirem direitos de autor em Abril passado. O tribunal sueco considerou-os culpados por continuarem a operar o serviço mesmo quando os utilizadores já sabiam estar na posse de material pirateado, numa clara derrota dos advogados do Partido Pirata sueco. € 2,7 milhões a pagar a empresas como Warner Bros e Sony Music Entertainment e um ano de prisão foram as condenações.

OS PIRATAS PORTUGUESES

André Rosa, de 20 anos e estudante de Engenharia Informática, é um dos líderes do movimento português que quer criar o Partido Pirata, na senda do movimento sueco que elegeu recentemente um deputado para o parlamento europeu. Diz ele que "as indústrias culturais estão desfasadas no tempo e não se adaptaram à era da Internet" (Público de ontem). Ainda segundo a mesma notícia,

  • "Qualquer modelo de negócio tem de se adaptar à realidade do mercado em que se encontra e essa é a responsabilidade das empresas. As regras do mercado livre ditam o que deve ou não sobreviver. Não é, nem pode ser, responsabilidade do Estado garantir que determinada indústria ou modelo de negócio sobreviva numa nova realidade. Rosa nota que não cabe ao movimento sugerir alternativas de negócio, mas aponta possibilidades de receitas para vários sectores afectados pela partilha de ficheiros on-line: a ida ao cinema no caso da indústria cinematográfica, a venda de merchandising para os músicos e a venda de serviços de apoio técnico no caso do software".

28.6.09

INTACTA: TEATRO, PERFORMANCE, MÚSICA, DANÇA


Direcção, Texto e Música de Teixeira Moita; Interpretação, Coreografia e Figurinos de Fabíola Fernandes, voz-off de William Gavião e com assistência e produção de Carlos Pinto Vinagre. Work in progress, o espectáculo é "revisto e aumentado", após apresentação no auditório da Sociedade Portuguesa de Autores (Lisboa), com novas ideias e propostas que foram surgindo. "Junta-se sem misturar, num mesmo espaço cénico, diferentes expressões e linguagens artísticas, tendo como base um corpus dramático fixado em texto" (texto da organização). Dia 1 de Julho, pelas 21:35, nas Galerias de Paris (Rua das Galerias de Paris, Porto).

VERTIGENS

Vertigens 2.9, texto de Sergi Belbel, é a peça em apresentação no Palco Oriental e "promove um jogo duplo, onde os personagens procuram manipular uns aos outros, ao mesmo tempo que deixam cair a máscara social, revelando vertiginosamente aquilo que são".

Sergi Belbel é um dos mais conceituados autores do teatro espanhol contemporâneo, nascido em 1963. A peça Vertigens (Depois da Chuva no original) retrata paixões, desencontros, tristezas e alegrias. Estas expressam-se num espaço próprio, o terraço de um edifício de quase cinquenta andares, local para fumar um cigarro proibido e em que as oito personagens podem sentir vertigens olhando para a rua: o chefe em processo de divórcio, a sua secretária loira e burra, o informático que perde a mulher mas ganha a atenção das suas colegas, a chefe implacável, a secretária lunática, o expedidor apaixonado pela secretária que tem teorias para explicar todos os acontecimentos do mundo.

O conjunto de três actores e cinco actrizes (Ana Domingos, Daniela Oliveira, Madalena Vaz Pinto, Marta Amado, Pedro Caseiro, Ricardo Sá e Rui Dionísio) envolve-se com muito empenho e emoção ao longo da peça, com dramaturgia e encenação de Pedro Barão, numa sala com algum desconforto a nível das cadeiras. Criação de In Impetus, "instituição que tem como objectivo intervir culturalmente no espaço urbano, de forma a criar novos públicos para o teatro, tanto ao nível dos espectadores como dos próprios intervenientes na criação de espectáculos".

O Palco Oriental funciona há cerca de trinta anos na antiga fábrica de velas do Beato. Pode perder em breve a sua função actual ao regressar à Igreja Católica, proprietária do edifício.



Ver uma interpretação da peça pela Compagnie du Jour, encenada por Henri Thomas, aqui.

27.6.09

BEATO, LISBOA

ESTRELAS E FÃS

Desde o começo do século XX que a mediatização das estrelas (teatro, cinema, rádio, música) se tornou evidente, logo alargado para as do desporto e da televisão. As publicações regulares, como revistas, passaram a trazer muitas informações sobre acontecimentos (espectáculos, encontros, sinopses de peças e filmes), a par da crescente publicitação da vida privada das estrelas, como amores, casas, viagens, projectos, sonhos.

O fenómeno das estrelas tem a contrapartida do surgimento de fãs, indivíduos que procuram saber tudo sobre as suas estrelas: gostos, hábitos, projectos. O fã - cuja origem vem de fanático, ser irracional que se deixa prender pelo objecto de paixão - é uma realidade do tempo dos media, de meios que intermedeiam a relação entre os conhecidos e os anónimos. Os media (cinema, rádio, televisão e internet) ampliam essa procura do conhecimento das estrelas por parte dos fãs, com estes a coleccionarem objectos produzidos por aqueles. Estrelas e fãs fazem parte do mercado e da troca, da economia capitalista na sua essência, onde uns vendem e outros compram.

Ao mesmo tempo que se desenvolve o culto pelas estrelas, cuja fama é cada vez mais alta mas de duração mais pequena, surgem variações como as vedetas e as celebridades. As vedetas ambicionam ter um estatuto de estrela, considerado o topo, aquele que produz mais reconhecimento pelo papel na área de actividade em que se tornou conhecido. Já a celebridade é a personagem (não personalidade) que é conhecida não por um feito qualquer mas porque participa em acções (uma festa por exemplo) e se notabilizou pelo vestuário ou penteado, por ter aparecido junto de estrelas, por surgir nas revistas. Por vezes, o aparecimento nestas revistas é pago pelo próprio, num esforço de auto-comprazimento.

As revistas ou programas de televisão especializam-se em reportagens e artigos sobre estrelas, vedetas e celebridades. A escrita dessas peças noticiosas tem um enquadramento leve e sensacionalista, pois não mostra o que cada estrela contribui para o conhecimento comum mas promove apenas os desejos individuais e egoístas das personagens que retratam.

As estrelas e as vedetas e as celebridades têm cada vez mais seguidores, os fãs. Em caso de morte ou encerramento (de uma série de televisão), os fãs organizam-se em espectáculos (com espectacularidade de imagens e de propostas visuais e sonoras) e demonstrações de fé e de dor. Parece uma nova forma de culto religioso, sem o estabelecimento de crenças fortes e duradouras mas apenas a expressão de sentimentos ligeiros (como as notícias que dão conta desses acontecimentos).

O culto a Michael Jackson entrou neste estádio.



[fronstipício da página inicial do Público na internet, hoje de manhã]

26.6.09

JACKO

Parece que as mortes das celebridades ocorrem quase em simultâneo num mesmo dia: as mortes por cancro da voz que anunciava Johnny Carson no Tonight Show (Ed McMahon) e da actriz de Os Anjos de Charlie (Farrah Fawcett) provocaram um choque, mas foi a morte de Michael Jackson (50 anos) a que mais impressionou, ontem. Um texto do Reuters Blogs Fan Fare diz que o impacto mundial da morte de Jackson se compara ao da morte da princesa Diana, num acidente de automóvel em 1997.



[capas de jornais retiradas do jornal Público, 26.6.2009]

A HISTÓRIA DA COMPRA DAS TELEVISÕES CONTINUA

Segundo o Público Última Hora (notícia da Lusa), fracassada a compra de 30% da TVI pela PT, vetada pelo governo (que detém 500 acções fundamentais, golden share), a Cofina mostra-se interessada. Da notícia, salta a seguinte perspectiva: a Cofina pode querer a maioria ou a totalidade das acções.

A mesma notícia insere o discurso directo do primeiro-ministro: "Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma, porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial".

A decisão de anular a compra da PT e o aparecimento de um outro comprador torna ainda mais excitante esta história. Tudo leva a crer que os media televisivos vão sofrer alterações substanciais neste período. Deixo uma pergunta: se a PT precisa de conteúdos de televisão, por que não conversa com a Impresa, dona da SIC? Pode ser um negócio igualmente interessante e sem tanto ruído político e eleitoral.

25.6.09

NOVA RÁDIO

A partir de hoje, há uma nova estação de rádio nas frequências inglesas de DAB e no online com uma playlist de artistas que não têm contrato com produtoras musicais, a Amazing Radio (ainda não consegui ouvir, mas sigo as indicações de Andy Sennitt, do blogue Media Network). A estação transmite música independente, urbana, rock, jazz e pop durante uma fase piloto de seis meses e substitui a música de pássaros que emitia em loop durante 24 horas por dia. Para o fundador, Paul Campbell, músico e antigo produtor da BBC, trata-se de uma rádio interactiva e produzida pelos utilizadores. A selecção musical resulta de um algoritmo retirado de descargas de MP3 do Amazingtunes.com, sítio lançado em 2006 e com 15 mil registos, de onde os músicos retiram 70% de vendas. O sítio tem 35 milhões de utilizadores.

NOTÍCIAS INDIVIDUALIZADAS

Com tecnologias ligadas à internet, os consumidores podem fazer um jornal próprio com notícias escolhidas por si, chegando este jornal através de computador, impressora ou palmtop e com publicidade de lojas locais oferecendo promoções e descontos. É o futuro dos jornais, garante Peter Vandevanter, vice-presidente de um grupo de media com sede em Denver, nos Estados Unidos e que detém a propriedade de 54 jornais diários em 11 estados, lê-se na versão digital do Washington Times de hoje (texto de ).

Vandevanter chama a esta forma de fazer jornais as notícias individualizadas e resulta da reflexão sobre o que pode acontecer à indústria dos jornais. Os exemplos vêm de outras indústrias, com o sítio Pandora a oferecer selecções de músicas aos seus clientes, adequadas aos gostos destes, e a Amazon a fazer o mesmo no campo dos livros. Já para John Solomon, editor executivo do Washington Times, o grande desafio está em desenvolver plataformas de distribuição das notícias que os consumidores querem, quando querem e onde querem.


O Washington Times organiza hoje e amanhã um encontro sobre ideias inovadoras para os media tradicionais, com a presença de 70 responsáveis dos media, entre os quais o New York Times, Washington Post, Los Angeles Times, Associated Press, Politico e Gannett.

TELEVISÃO, POLÍTICA, FUTEBOL E CONCORRÊNCIA

Seria de prever que a possibilidade da compra da TVI pela Portugal Telecom chegaria ao combate político-partidário. Pelas boas e pelas más razões.

Pelas boas, porque este é um tipo de negócios que tem de ser transparente. O controlo de um canal de televisão é importante, e há fortes interesses económicos em jogo, para não iludir os desejos políticos. A linha editorial, a produção de conteúdos, a colocação de publicidade e direitos (de desporto, como o futebol ou a fórmula 1; de séries e programas) são elementos nada despiciendos. O Parlamento e os partidos da oposição têm de desenvolver livre e criticamente a sua actividade. Logo, parece-me que a discussão é importante (recordo o episódio de Marcelo Rebelo de Sousa, que saiu da mesma TVI, por os seus comentários não serem favoráveis ao governo do PSD de então; agora, é nítida a oposição do governo do PS ao noticiário de sexta-feira da estação).

Pelas más, porque a PT tem uma golden share (500 acções) nas mãos do Governo, o que permite um controlo na nomeação da administração. Este exercício foi feito já por governos do PS e do PSD, pelo que a acusação de um a outro é mero fogo partidário e, no caso actual, eleitoral (o mesmo é aplicável à televisão pública). A liberalização das telecomunicações imposta na adesão portuguesa à UE implicou a privatização da actividade, até então na posse do Estado. Portugal optou por uma golden share, outros países depositaram nas mãos das empresas privadas todo o capital, governos de outros países da UE mantiveram percentagens ainda elevadas nas suas mãos. Não tem havido queixas, excepto dos burocratas de Bruxelas, por questões que se prendem com a harmonização de procedimentos.

O quadro de possível venda da TVI tem, portanto, muitos actores. Creio que já apareceram todos: candidaturas em clube desportivo (móbil: direitos televisivos de transmissão de futebol?), partidos, empresas, canais concorrentes (a subida de acções da SIC).

Para mim, se 2000 marcou a compra da Lusomundo pela PT e 2005 a saída daquela por esta, 2009 parece ilustrar o reaparecimento do interesse das telecomunicações pelos conteúdos de media. Isto lembra os ciclos económicos de Clément Juglar (9 a 11 anos), entre entrar e reentrar. Na sequência de Juglar, Joseph Schumpeter reformulou o ciclo de quatro fases: expansão (aumento da produção e preços), crise (queda das bolsas e falências de empresas), recessão (queda dos preços e produção), recuperação (recuperação de stocks com queda de preços e rendimentos). Aqui, as variáveis são outras, mas há curiosidade em verificar as similitudes. Prometo continuar o exercício.

24.6.09

PEDRAS D'ÁGUA


Para saber mais, clicar aqui.

O QUE QUER A COLIGAÇÃO ESPANHOLA DE CRIADORES E INDÚSTRIAS DE CONTEÚDOS

A questão da pirataria de conteúdos na internet conheceu um novo passo. Aldo Olcese, presidente da Coligação espanhola de Criadores e Indústrias de Conteúdos, considera que os utilizadores constituem "a actual e futura clientela", pelo que "não pretende criminalizar os internautas que fazem downloads ilegais". O principal "inimigo" é constituido pelos sites e trackers de BitTorrent, que contabilizam cerca de 200 sites, responsáveis por 80 por cento dos downloads.

[Fontes:
p2pnet news e The Music Void, de ontem, e Remixtures, de hoje]

TEMPORADA 2009-2010 DO TEATRO MARIA MATOS


Para a próxima temporada, o Teatro Maria Matos (Lisboa) assume-se como pólo dinamizador da criação independente em Lisboa (teatro, dança e música), "tornando-se um interlocutor activo dos muitos criadores e companhias lisboetas/portuguesas sem teatro próprio ou sem estrutura fixa" (informação do próprio teatro). Isto significa o afastamento do perfil de produção teatral própria e o interesse na co-produção teatral.

Co-produções anunciadas para a temporada 2009-2010: Martim Pedroso, Mala Voadora, Patrícia Portela, Cão Solteiro, Lúcia Sigalho, João Garcia Miguel, os Primeiros Sintomas, a Truta, Ana Mira & Margarida Bettencourt, o Projecto Teatral, Luís Guerra e Mónica Calle.

Co-produções internacionais: 1) Nova Criação 2010 de Nacera Belaza (Argélia/França) em co-produção com Jazz-âme (Paris), MAS Lab (Milão) e Ramallah Dance Festival, e em colaboração com Ismas (Argélia) e Maqamat (Líbano), 2) What I heard about the world da Mala Voadora (Portugal) e Third Angel (Grã-Bretanha) em co-produção com Sheffield Theatres e o Festival de Oldenburg, 3) The fertile crescent de Frank Vercruyssen e artistas convidados de Bagdad, Beirute e Palestina, em co-produção com Teatergarasjen (Bergen), Black Box (Oslo), Festival D’Automne (Paris) e Ashkal Alwan (Beirute).


Mais informações: www.teatromariamatos.egeac.pt.

MEDIA HOLANDESES

O Nis News Bulletin, em notícia de hoje, indica que o ministro holandês dos Media, Ronald Plasterk, não recebeu de modo entusiasta a proposta da Comissão para o Futuro da Imprensa de taxar os subscritores de serviços de internet, de modo a que esta verba fosse usada para apoiar a imprensa. A comissão, presidida por Elco Brinkman, ligado ao partido democrata cristão CDA, teme pelo declínio da diversidade dos media.

A medida atingiria seis milhões de lares, com uma taxa de dois euros cada. Além disso, a comissão indicou que deve haver uma só empresa distribuidora dos jornais e defendeu alterações à lei de concentração dos media, facilitando a fusão de títulos de jornais. A actual lei holandesa considera que um grupo de jornais não pode controlar mais de 35% do mercado.

23.6.09

PRÉMIO PARA ESTUDO SOBRE SONDAGENS DE OPINIÃO

A Fundação Vox Populi, fundada por Luis Queirós, presidente do grupo Marktest, e esposa, Paula Queirós, instituiu o Prémio Vox Populi sob o tema "Sondagens de Opinião: Como Melhorar Metodologias" (informação recolhida no sítio da Marktest, onde se pode encontrar mais informação).

O candidato que apresentar o projecto seleccionado pelo júri receberá um subsídio de € 10000 para o desenvolver, mediante a assinatura de um contrato com a Fundação Vox Populi. A investigação deverá estar terminada até Junho de 2010.

ESTRATÉGIAS PARA A CULTURA EM LISBOA


Estratégias para a Cultura em Lisboa, Palácio Galveias, dia 29 de Junho, 18:00.

JORNADAS DE ACTUALIZACIÓN BIBLIOTECARIA 2009


Las "Jornadas de actualización bibliotecaria 2009" tendrán lugar el lunes día 29 de junio en el I.E.S. Albarregas de Mérida (Camino Viejo Mirandilla, s/n. 06800). Su propósito es proporcionar un primer acercamiento a los variados recursos de animación a la lectura en bibliotecas que se pueden desarrollar a partir de técnicas de escenificación y relato oral, ilustración y recursos de narratividad y difusión textual literaria. Para ello, una serie de formadores en diversas técnicas de uso de la voz, expresión corporal, recursos de ilustración narrativa, narratividad activa y elementos de difusión literaria impartirán diversos talleres al respecto. Queremos con ello que sean unas jornadas intensas y de carácter eminentemente práctico, que ofrezcan a los asistentes actividades, recursos y técnicas específicos con los que poder implementar, en el futuro, la dinámica bibliotecaria en lo que hace al fomento de la lectura y la literatura.

Email:
lecturaextremadura@lecturaextremadura.com

PRÉMIO DE JORNALISMO

Mais informações aqui.

O FUTURO DA TVI

Os media fervilham de notícias sobre a TVI. Se, na semana passada, o tema era a possível candidatura do director-geral José Eduardo Moniz a presidente do Benfica, agora o centro da notícia é a eventual venda de acções da TVI a empresas de telecomunicações.

Assim, segundo o Diário Económico, como se lê no Público Última Hora, "A operadora de telecomunicações espanhola, Telefónica, poderá vir a ter influência de gestão na TVI. Isto porque a dona da TVI, a Prisa está a negociar uma parceria com a MediaPro, uma empresa audiovisual que controla os direitos de transmissão do futebol espanhol, e também com a própria Telefónica, visando reforçar a sua estrutura de capitais". Segue-se outra frase que diz: "fonte oficial da Telefónica admitiu um acordo com a Prisa significará que o grupo terá influência sobre a Media Capital e sobre a TVI, mas assegurou que não pretende servir-se disso para fazer pressão sobre a PT, empresa na qual controla 10 por cento do capital".

Já o jornal i, que dedica duas páginas ao tema, indica que a PT lidera investidores na compra de 30% da dona da TVI, com a corrida aberta a outros grupos como Controlinveste e Ongoing. Numa das peças, onde indica que, devido à sua separação da Zon (antiga PT Multimedia), a PT ficou fora da área dos media, lê-se que a empresa de telecomunicações pretende regressar, agora que tem televisão por cabo e investimentos em fibra óptica e na televisão digital terrestre. O jornal i, que informa que a PT tem dinheiro para compras, pois fez uma emissão obrigacionista, conclui no sentido do do Diário Económico: a entrada da espanhola Telefonica no negócio da TVI, através da Prisa, preocupa a PT, desejosa de garantir o acesso a mais conteúdos audiovisuais.

Agora, vêm-se com mais clareza a movimentação de Moniz para o Benfica e o aumento das acções da Impresa (SIC) na Bolsa de Valores, ocorrências da semana passada. Os players mais poderosos estão a movimentar-se, o que significa, nos próximos dias, mais acontecimentos importantes para o redesenho das indústrias culturais e audiovisuais em Espanha e em Portugal.

A RÁDIO EM TESE DE DOUTORAMENTO DE LUÍS BONIXE

Como escrevi aqui, na Universidade Nova de Lisboa, Luís Bonixe defendeu ontem em provas públicas a tese A informação radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A internet como cenário emergente.

A dissertação tinha como centro avaliar as notícias da rádio como construção social da realidade, no caso da rádio a construção sonora da realidade. Foi também objectivo identificar momentos importantes da história recente do jornalismo radiofónico, bem como analisar os noticiários das nove horas nas três principais estações de informação: Antena 1, Renascença e TSF. Finalmente, o trabalho de Bonixe fez a comparação entre notícias da rádio hertziana e da internet. Na prova, Luís Bonixe obteve a nota máxima.



Na minha arguência, fiz referência a estudos da rádio, conforme abaixo escrevo:

O nosso conhecimento médio sobre a reflexão da rádio não ultrapassa os textos de Brecht, Lazarsfeld e Arnheim. Contudo, se seguirmos a síntese de Michael C. Keith, em "Writing about radio: a survey of cultural studies in radio" (2008, livro Radio cultures. The sound medium in American Life), ficamos com uma perspectiva muito ampla sobre estudos da história da rádio feitos por académicos e jornalistas. Se, no começo, os académicos e os críticos viam a rádio como um meio experimental, popular e frívolo, após as conversas à lareira do presidente americano Roosevelt, no começo da década de 1930, os académicos viram o meio como uma força cultural e um instrumento de mudança. Depois, um programa radiodifundido no Halloween de 1938, representando uma invasão de marcianos, por Orson Welles, provou o poder do meio.

De entre os trabalhos iniciais, relacionando audiências e radiodifusão, surgem os de Hadley Cantril (1982, Invasion from Mars) e Hugh Malcom Beville (1939, Social ramifications of the radio audience). Censura e liberdade aparecem em Harrison Summers (1939, Radio censorship). Estudos fundamentais seriam os de Hadley Cantril (1982, Invasion from Mars) e Mathew Chappel e Claude Hooper (1944, Radio audience measurement). O livro de Lazarsfeld e Patricia Kendall (1948, Radio listening in America: the people look at radio – again) é uma pedra de toque, enquanto Charles Siepmann (1950, Radio, television, and society) fornece um enquadramento valioso do meio num contexto sociocultural.

Os artigos não focam tanto o papel cultural da rádio e centram-se mais na indústria, na actividade comercial, na sua concretização e nos aspectos de produção. Os livros de Erik Barnouw (1966, 1968, 1970, A history of broadcasting in the United States) discutem tópicos como género, raça, religião. A primeira publicação académica é o Journal of Radio Studies. A história da rádio por Michele Hilmes (1997, Radio voices: American broadcasting, 1922-1952) e algumas monografias de Michael C. Keith (1995, Signals in the air: native broadcasting in America; 1997, Voices in the purple haze: underground radio and the sixties; 2000, Talking radio: an oral history of radio in the television age; 2001, Sounds in the dark: all night radio in American life) são elementos fundamentais para a compreensão da rádio. O livro de Susan Douglas (2000, Listening in: radio and the American imagination) oferece uma compreensão sobre a influência cultural da rádio. E David Hendy (2000, Radio in the global age) associa a influência cultural do meio num contexto global. O capítulo de Keith segue a linha de Michele Hilmes (2001, Only connect: a cultural history of broadcasting) quando ela questiona: qual o contexto do desenvolvimento da rádio? Que mistura de forças sociais, culturais e tecnológicas emergem da rádio?

Depois, Keith analisa os textos publicados sobre história da rádio, a partir dos seguintes elementos: género, raça, religião, família. Se trabalhássemos sobre Portugal, um aspecto como raça seria redefinido por causa do Império colonial, acrescentando-se um outro elemento forte: a censura.

Em termos de política, Keith entende que a explosão do talk radio nos anos 1990 foi responsável pela mudança da paisagem política americana no começo dessa década. Gini Graham Scott (1996, Can we talk? The power and influence of talk shows) emprega uma sondagem de audiência para determinar a influência dos animadores dos talk radios na opinião pública. Richard Hofstetter e Christopher Gianos (1997, “Political talk radio: actions speak louder than words”) examinam a hierarquia social dos ouvintes dos fóruns da rádio. Alan Rubin e Mary Step (2000, “Impact of motivation, attraction, and parasocial interaction on talk radio listening”) examinam o efeito de atracção, motivação e interacção nos ouvintes dos talk radio.

22.6.09

AUDIOLIVROS E PEÇAS RADIOFÓNICAS

Um seminário de Criação e produção de audiolivros e peças radiofónicas vai decorrer no Goethe-Institut Portugal, no próximo dia 25 de Junho, às 18:00. Segundo o Instituto Alemão, "visa uma abordagem aos processos e metodologias de criação e produção do audiolivro. Desde a criação do projecto, à escolha das vozes, passando pelos métodos de gravação e sonoplastia, serão debatidas as questões que tornam o audiolivro um produto com um enorme futuro no actual panorama das indústrias culturais".

O Goethe-Institut Portugal fica no Campo dos Mártires da Pátria, 37, Lisboa.

CONFERÊNCIA SOBRE A RÁDIO

Conferência de Jean Lebrun, A Rádio, o Acesso Doméstico e a Revolução digital, amanhã, dia 23 pelas 19:00, no Auditório do Instituto Franco-Português (Avenida Luís Bivar, 91, Lisboa). Lebrun é jornalista e produtor na rádio pública France Culture (Culture Matin, Pot-au-feu e Travaux Publics; actualmente É coordenador da emissão documental Sur les Docks e A voix nue.

INVESTIGAR A HISTÓRIA DOS MEDIA (I)

Um livro fundamental para quem queira estudar a história dos media é o editado por Donald G. Godfrey, Methods of historical analysis in electronic media (2006), com diversos contributos.

Um deles pertence a Louise M. Benjamin, em "Historical evidence: facts, proof and probability". A investigadora parte do princípio que as fontes primárias tradicionais incluem evidência original não filtrada – registos escritos, materiais impressos e escritos, registos pessoais publicados e não publicados, documentos oficiais, fontes orais intervenientes no acontecimento, fotografias, registos de rádio e televisão, registos de televisão por cabo, fontes dos novos media, histórias orais e elementos físicos (como os aparelhos de rádio ou de televisão).

Louise Benjamin chama a atenção para o modo como cada escola de historiadores recria o passado. Pode ler-se este como uma evolução da sociedade e uma explicação e avaliação positiva de contributos individuais e colectivos para o desenvolvimento (escola desenvolvimentista). Mas pode haver igualmente uma interpretação de progresso, através de noções de tensões ideológicas, em que o passado foi palco de lutas pela mudança social, progresso e democracia. A premissa fundamental da história cultural é que os eventos acontecem e os actores operam nos acontecimentos em interrelação com o seu ambiente ou cultura. A escola da nova esquerda adoptou a teoria marxista a uma história cultural e social progressiva. [A escola do determinismo tecnológico atribui um peso enorme ao desenvolvimento tecnológico].

A história não é simplesmente a descrição de narrativas de histórias individuais, mas uma declaração de assunções e métodos consciente e articulados totalmente, com recurso a generalizações, conceitos e teorias (plural), que carecem de experimentação por métodos empíricos, com um sujeito complexo mas definível e sempre em busca de novas fontes e meios de as explorar.

Os historiadores preferem o uso de materiais originais e não publicados. Colecções de manuscritos podem conter todos os tipos de documentos pessoais, desde correspondência pessoal, memorandos e relatórios até diários pessoais, registos familiares e álbuns ou livros de recortes. Estes materiais são bons para os historiadores. Bibliotecas, arquivos e repositórios como ficheiros de sociedades históricas e famílias privadas abrigam e preservam materiais de fontes originais.

Outro dos textos pertence a Michael D. Murray, onde escreve sobre registos de história oral, sobre a memória humana. As histórias orais consistem em entrevistas conduzidas com pessoas que têm ou tiveram conhecimento e experiência directa ou indirecta com uma área específica. A história oral tem um longo passado na história universitária, que podemos remontar ao uso do gravador de som desde o final da II Guerra Mundial. Com a introdução do gravador de som, a história oral foi adicionada às metodologias – uma forma de pesquisar informação até aí limitada pela tecnologia. As entrevistas de história oral fornecem uma nova dimensão como parte do registo histórico. Elas são planeadas, transcritas para publicação e preservadas como parte da evidência histórica para historiadores e investigadores no futuro.

A maior crítica que se possa estabelecer ao valor da evidência de uma entrevista de história oral, continua Michael D. Murray, relaciona-se com as falhas de memória, por aproximação ao objecto, ou tentativas de distorção a realidade histórica para elevar a própria reputação, e influência do tempo e espaço na memória. Assim, alguns relatos são melhores do que outros em termos de história oral. A segunda crítica principal tem a ver com a proximidade do entrevistado face ao objecto de investigação. A memória fornecida pelos entrevistados transporta naturalmente uma perspectiva pessoal. A percepção é a sua realidade e não necessariamente a verdade histórica. Entrevistar alguém por próximo de um acontecimento é uma experiência única devido aos contributos específicos. O necessário é distinguir pontos de vista e verificá-los posteriormente em termos de investigação complementar. Se se provar que a história é verdadeira, a história oral fornece colorido na narrativa manuscrita e na documentação primária.

[continua]

21.6.09

TEMAS QUE O BLOGUEIRO DEIXA PASSAR

Não é que o blogueiro ande distraído, mas a verdade é que há temas de momento e de muito interesse em que não produzo uma linha de reflexão. Eles seduzem-me mas acho que toda a gente fala deles e algumas pessoas melhor do que eu. Assim, do caso Maddie McCann escrevi raramente e depois de sair da agenda (13 de Abril de 2008, 12 de Março e 2 de Maio de 2009), de Susan Boyle é a primeira vez que aqui escrevo o nome, das eleições europeias recentes apenas coloquei cartazes partidários e da gravíssima situação actual do Irão também não dei nota.

Mas esta semana ocorreu um tema interessante para análise em termos de media e das indústrias culturais, o caso José Eduardo Moniz, director-geral da TVI e que apareceu como putativo candidato a presidente do Benfica, um dos mais importantes clubes de Portugal e, possivelmente, a melhor marca desportiva do país.

O clube de futebol, com falta de sucessos nos anos mais recentes, resolveu nas últimas semanas ser campo de notícia. Assim, foi despedido o treinador e contratado um novo, e o presidente do clube decidiu marcar eleições antecipadas. Formou-se uma oposição, liderada por um antigo director do departamento de futebol, o qual não se podia candidatar visto não ter anos suficientes de sócio do clube, o que acontecerá mais para o final do ano. Este opositor terá convidado José Eduardo Moniz a ser o seu candidato. A televisão mostrou Moniz a sair de uma reunião e a prometer falar mais tarde. O dia dessas imagens foi quinta-feira. No dia seguinte, Moniz marca uma conferência de imprensa onde diz que não se candidata pois não tem tempo para trabalhar um programa adequado. O Expresso de ontem indica que a administração deste último canal, pertença da Prisa, gostaria de ver Moniz sair do canal, pelo preço que ele custa em termos de remuneração e porque a sua mulher, Manuela Moura Guedes, lidera o noticiário das sextas-feiras onde critica regularmente o governo. O próprio governo gostaria de afastar o casal, exactamente pelas posições que têm tomado.

Não conheço mais pormenores do que o que vi e li, mas o desenrolar de episódios origina interpretações várias e ricas de pormenor. Moniz está há dez anos na TVI, tendo ganho tudo o que poderia ter ganho, suponho. A TVI era um canal com fraca audiência e tornou-se o maior, desde meados da década, além de ter uma máquina de produção de ficção como o país nunca teve. Por isso, com objectivos mais que alcançados, é admissível que ele queira experimentar outro desafio. O Benfica pode ser um desafio ainda maior. Além de que ele tira vantagens desta exposição. Prova internamente que pode sair da TVI para abraçar um novo projecto, com mensagem para os patrões espanhóis que teriam dificuldade em arranjar um gestor tão capaz, e eleva a autoconfiança dos benfiquistas, descrentes do passado recente e do actual presidente, mas sem alternativa na oposição.

Segundo as notícias recentes, a Prisa está com maus resultados nos seus media, com prejuízos nos jornais e nas rádios em Espanha. Em Portugal, as rádios da Media Capital (Comercial, M80, Rádio Clube) têm sido noticiadas estar à venda, surgindo potenciais compradores como Luís Montez (Radar, Oxigénio), mas não passando a informações mais concretas. Vender a TVI, a actual geradora de muita riqueza, a acontecer, é uma vantagem para amortecer os prejuízos mas um erro pois se perde a fonte de receita.

A notícia mais bombástica é a que saiu no Expresso, do grupo da SIC, canal privado concorrente da TVI, o que tem um significado específico. Se Moniz sair da TVI certamente que os resultados deste canal baixam. Para a SIC isso seria uma muito boa notícia, carente de aumentar audiências. Aliás, esta semana, a Impresa, grupo da SIC e do Expresso, teve uma significativa (e estranha) recuperação na bolsa.

Do mesmo modo que a recandidatura do presidente do Benfica e a contratação de novo treinador trouxeram ânimo aos adeptos do clube, a revalorização das acções da Impresa e a possibilidade do principal gestor do canal concorrente sair foram boas notícias para a Impresa. Esperemos os próximos dias, que podem incluir uma impugnação judicial à antecipação de eleições no clube desportivo, e que leve Moniz a repensar a situação ou surgir um novo quadro no Benfica.

Uma coisa me parece certa: com a atitude de Moniz, reafirma-se uma relação muito próxima entre televisão e futebol. Não sei se isto é bom para a televisão. Sem esquecer as ligações sempre complexas com a política.

FILA PARA GELADO

O solstício de Verão veio muito quente. Nada melhor do que comer um bom gelado para apaziguar o calor. Por isso, justifica-se a fila à porta da loja dos gelados (Av. da Igreja, Lisboa, hoje ao fim da tarde).

TESE DE DOUTORAMENTO EM RÁDIO

Amanhã, pelas 11:00, na Universidade Nova de Lisboa, Luís Bonixe defende em provas públicas a tese A informação radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A internet como cenário emergente. Luís Bonixe é professor coordenador na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre.

BLOGUE SOBRE CINEMA

Filmmaker Magazine

SOBRE O PÚBLICO

  • Já não sabemos se a nossa redacção fecha amanhã e ainda temos que ler Helena Matos (Alexandra Lucas Coelho, Público de hoje, p. 3 P2).

A segunda parte da frase é compreensível de imediato, pois representa um juízo de apreciação. A jornalista escreve sobre a colunista Helena Matos e ilustra os erros do último texto desta. A ser verdade o que está impresso, é uma machadada na reputação de Helena Matos.

Já a primeira parte da frase de Alexandra Lucas Coelho é mais complexa. Ao escrever "Já não sabemos se a nossa redacção fecha amanhã", o seu significado é doloroso. Pode querer dizer que a confiança na continuação do jornal é incerta, sentida mesmo entre os seus mais categorizados jornalistas.

O Público é um dos meus jornais diários (comprados), desde o seu início: 1990. O seu actual director, José Manuel Fernandes, assumiu o cargo em 1 de Setembro de 1998, quase a festejar 11 desses 19 anos de existência do jornal. O jornal, como qualquer outro produto cultural, mudou bastante ao longo dos anos. Reconheço que está mais bonito (tem ganhos prémios de design), mas não consegue ter superavit e perdeu muitos dos jornalistas de referência (Vicente Jorge Silva, Jorge Wemans, Joaquim Fidalgo, Adelino Gomes, Ana Sá Lopes, para dar conta de alguns nomes), o que significa uma perda da memória colectiva cultural de um jornal. As notícias recentes de perda de valores salariais ou rescisão por parte dos colaboradores (colunistas) e igual tentativa nos redactores, a par da concorrência recente de um novo diário (i, embora os oito mil exemplares vendidos diariamente por este novo jornal, segundo me disseram, não sejam muito "concorrenciais") e quebra de vendas generalizadas dos media impressos, não deixa muito espaço para esperanças. A nota de Alexandra Lucas Coelho pode ser um grito, um apelo.

TEATRO PLAYBACK


O espaço SOU (Lisboa) recebe um workshop de iniciação ao Teatro Playback nos dias 20 e 21 de Junho, das 14h às 18:30. É um trabalho interessante para actores e estudantes de teatro, psicologia e animação social. O workshop é ministrado por José Marques, fundador e orientador do Teatro Imediato, o primeiro grupo português que pratica este tipo de teatro interactivo, baseado no psicodrama, e que procura aproximar as pessoas e criar um espírito de comunidade entre elas.

Para além da formação propriamente, os participantes do workshop poderão tomar parte nos ensaios do Teatro Imediato dos dias 17 e 25 de Junho. Estes ensaios decorrem na Oficina da Pessoa, também em Lisboa, a partir das 20:30. A Oficina da Pessoa fica na Avenida 5 de Outubro, 122, 3º dto (junto ao Oculista das Avenidas), em Lisboa.

20.6.09

SOBRE A FOTOGRAFIA

Quando voltei a olhar para uma das fotografias da pequena colecção que Eduardo Cintra Torres me enviou e que abaixo coloquei, dei-me conta do seu valor sociológico e estético.

Em primeiro lugar, o olhar do fotógrafo sobre a composição principal: os quadros de Claude Monet (série: passeio de senhora com chapéu de sol), uma senhora numa cadeira de rodas e um homem a fotografar a senhora e os quadros. A fotografia de Cintra Torres é basicamente uma imagem sobre a imagem, uma recomposição, um olhar cultural prévio, uma conotação. Talvez seja contrário ao espírito da semiótica, mas a denotação aparece depois da conotação. O fotógrafo da fotografia que coloquei debruçou-se sobre o olhar do outro fotógrafo.

Em segundo lugar, imagina-se uma fotografia capturada pelo fotógrafo que aparece à direita na imagem. Trata-se de uma imagem feita para recordar depois. No início das fotografias com anónimos populares, eles olhavam hirtos para a câmara. Esta era lenta na fixação da imagem e exigia contenção de movimentos. Depois, com a massificação da fotografia, surgiam imagens de amigos em confraternização e em festas, desorganizadas em termos de enquadramento, ou de famílias, com posicionamento bem vincado em termos de hierarquia ou grupo etário (as crianças à frente, o pai ou a mãe em lugar bem destacado no enquadramento da imagem). Por vezes, os fotografados aparecem à frente, ou enquadrados por, (de) um monumento importante de uma cidade visitada, marca do cosmopolitismo. Eram fotografias que se reproduziam em papel e se colocavam em molduras (aprendi a usar o termo francês passepartout), marcas de um tempo ou acontecimento, em que as pessoas eram o elemento principal. A fotografia tirada no museu de Orsay é de uma variante deste tipo: o monumento é substituído por pinturas, possibilidade permitida pela massificação das máquinas digitais, com melhor adaptação a condições de luz e a permissão em museus para fotografar os objectos. A senhora de idade fotografada fica com uma recordação para mostrar a amigos e familiares: a visita ao museu, com uma forte identificação.

Em terceiro lugar, e decorrente da segunda ideia, o acesso à obra de arte, a pluralidade de reproduções nas diversas indústrias culturais, a facilidade de fazer uma imagem com uma máquina digital ou telemóvel (que me parece o caso), terminam de uma vez por todas com a ideia de aura, conceito de Walter Benjamin, a dificuldade de conhecer e aceder a uma pintura ou a uma qualquer imagem que não estivesse dentro do nosso espaço geográfico. Benjamin referia-se à democratização da imagem trazida pelo cinema e, claro, pela fotografia, mas ainda produzida por artistas, técnicos, especialistas. Agora, todas as pessoas podem fazer imagens, acumulam-se dezenas ou centenas ou milhares de imagens sobre um assunto ou acontecimento, há uma maior circulação dos indivíduos pelas cidades do mundo. Ao invés da aura, que dava um cunho de único (e por isso venerável), nasce uma bulimia, provocada pela multiplicação de imagens, sem selecção ou hierarquia das imagens (qualidade, envolvência, oportunidade, significado). O objecto fotográfico não tem valor universal mas apenas individual.

A quarta ideia decorre igualmente das segunda e terceira ideias: o uso social da imagem. Como se guardam imagens no Flickr, no Picasa, no Sapo, no Facebook ou noutro sítio qualquer, ficamos com um grande acervo que permite o estudo das classes sociais, etárias e geográficas. A fotografia está para além do aparelho que fotografa; ela reside muito no olhar que fotografa. Pela fotografia, conhecemos modas, rituais e costumes, valores, relações sociais. Quase que conseguimos fazer história e sociologia de um ano ou de uma região, olhando e estudando essas múltiplas imagens.

Este é um aperitivo para a leitura de O Visual e o Quotidiano, livro organizado por José Machado Pais, Clara Carvalho e Neusa Mendes de Gusmão.

CONSTANÇA LUCAS


O mais recente postal ilustrado recebido de São Paulo. Obrigado.

Para memória futura.

O ARTISTA COMO TRABALHADOR

No Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE), encontra-se disponível para download o texto de Idalina Conde, Artists as Vulnerable Workers. Nele, indica-se que os artistas são trabalhadores vulneráveis quanto a contingências profissionais (subemprego, trabalho intermitente e múltiplo, contratos precários, baixos salários em certas categorias) mas também em termos de identidade dependente exposta a formas específicas de poder simbólico, desigualdade e processos de reconhecimento.

O texto pode ser lido integralmente aqui.

PARIS SEGUNDO O OLHAR DE EDUARDO CINTRA TORRES

Agradeço ao Eduardo a permissão da edição destas imagens no meu blogue. Elas, que reflectem um curioso "Olhar Vivo" (título da coluna que ele mantém aos sábados no jornal Público) sobre Paris, mostram imagens de rua e dos museus D'Orsay (vanguardas artísticas de passagem do século XIX para o XX) e Quai Branly (arte africana).

19.6.09

VAGA TGI 2009

A Marktest vai lançar este mês a vaga de 2009 do estudo Target Group Index (TGI), a qual permite o "desenvolvimento de análises evolutivas, identificação de tendências a par de análises centradas nos consumos de média de um determinado target com base nos dados TGI Fusão" (informação da empresa promotora). Assim, esta informação traça o perfil do consumidor, além da penetração de produtos, serviços e marcas para 17 áreas de actividade, 240 categorias de produtos e 3000 marcas.

CREDIBILIDADE DAS NOTÍCIAS NA INTERNET

A mais recente sondagem da Zogby International indica que a maioria dos americanos vê a internet como a melhor fonte de informação. A investigação indica que, quando há apenas uma fonte de informação para as notícias, 56% de adultos indicam a internet. Ler mais em editorsweblog.org (texto de ontem).

CRUZADA CONTRA A PIRATARIA DA INTERNET

Na sequência de propostas legislativas que querem penalizar o descarregamento ilegal de ficheiros (e/ou sua comercialização), que o parlamento francês tem estado a discutir nos últimos meses, o parlamento holandês quer discutir a mesma questão. Uma comissão pluripartidária concluiu que são os mais jovens os que fazem mais descarregamentos sem pagamento de direitos de autor (ler mais em EUobserver, de ontem).

Curiosamente, a Suécia, nas recentes eleições europeias, elegeu um deputado ligado ao movimento Partido Pirata que preconiza a liberalização total no acesso e descarregamento de ficheiros da internet.

17.6.09

NOVOS LIVROS

A ler e a comentar posteriormente. Para já, felicito os autores pela edição dos seus trabalhos.

LANÇAMENTO DO ROMANCE DE MARTA AMADO


Marta Amado lançou hoje o seu primeiro romance intitulado Vidas Desencontradas, com chancela da Papiro, na livraria Barata (Lisboa).

Além da literatura, está ligada ao teatro (peça Vertigens 2.9, a estrear depois de amanhã; ver aqui). Marta Amado começou a perceber que queria ser escritora quando teve aulas de Escrita Criativa na licenciatura.

Foi bom revê-la, assim como à sua colega Sofia Palma e outras antigas alunas da licenciatura de comunicação da Universidade Católica.

A DERIVA DA ZON

A Zon é a empresa que fornece o serviço de televisão por cabo e internet cá em casa. Este mês, incluiu um valor de telefone. Ao inquirir a empresa, foi-me dito que havia uma campanha de adesão gratuita que termina esta semana. Não fiz qualquer contrato de adesão mas a empresa decidiu previamente activar a "minha" linha e fazer-se pagar por isso. Tal postura não é muito digna de uma empresa com responsabilidade social. Há meses, foi um corte de serviço de internet durante quase duas semanas, nunca explicado nem com apresentação de desculpas; agora é a conta de um serviço que não requisitei.

A Zon está em deriva perigosa.

RELATÓRIO INGLÊS SOBRE A MUTAÇÃO DOS MEDIA

O relatório Digital Britain, publicado ontem à tarde no Reino Unido, dá conta das observações governamentais face à rápida alteração tecnológica na indústria dos media, reconhecendo simultaneamente a necessidade de apoiar a "função civil vital do jornalismo" tendo em conta a pressão económica.

O relatório refere modelos financeiros: além do modelo comercial, o crescente uso das tecnologias por parte dos editores não tem repercussão económica directa. Há o reconhecimento de modelos alternativos, como os de organizações sem fins lucrativos, propriedade da comunidade e de media de comunidade. Além disso, a emergência de sítios comunitários de notícias, em projectos de grandes empresas como 4ip e Screen West Midlands, são vistos como bons para o "pluralismo e expressão local à medida que o financiamento comercial diminui nos media tradicionais". Mas, ao mesmo tempo, reconhece-se que as estruturas existentes se desintegram mais depressa que as emergentes se consolidam, de modo a que as notícias tenham credibilidade e os projectos viabilidade. O governo inglês afirma o seu compromisso com uma imprensa livre e independente e espera a continuação da auto-regulação que assegure imparcialidade e objectividade.

[a partir de texto agora publicado pela editorsweblog.org]

TEATRO RADIOFÓNICO


No sábado passado, Eduardo Cintra Torres publicou, no jornal Público, mais um "folhetim na rádio" (em episódios). Do texto, retiro duas parcelas:

Em Portugal, o teatro radiofónico surgiu nos anos 1930 na Emissora Nacional, do Estado, mas o primeiro folhetim só surgiu após a Segunda Guerra. Nem por acaso foi As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis. [...] Depois das Pupilas fizeram-se folhetins na rádio de 1954 a 1974. A maioria baseou-se em argumentos originais de Alice Ogando, Odette de Saint-Maurice e outros, mas as adaptações realizadas revelam a relação forte com o folhetim jornalístico: Camilo, Dumas, Walter Scott, Dickens e Júlio Dinis.

OBERCOM

Faz agora onze anos que foi publicitada a criação da comissão instaladora do Obercom (Observatório da Comunicação), conforme se pode ler no artigo do jornal Público de 18 de Junho de 1998.


O Obercom nasceria no ano seguinte (26 de Abril de 1999), tendo como seu director executivo o professor Francisco Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa). Os seguintes directores seriam Luís Landerset Cardoso e Gustavo Cardoso, o actual responsável.

16.6.09

METODOLOGIAS NOS MEDIA


Em texto hoje publicado no jornal Público, Estrela Serrano (membro da ERC) escreve sobre metodologia para supervisão do pluralismo nos media realizada por académicos de universidades europeias. Os indicadores, segundo o texto, baseiam-se num conjunto de seis "domínios de risco": condições básicas (liberdade de expressão, regulação independente, literacia para os media), propriedade dos media, tipos e géneros dos media, pluralismo cultural, pluralismo político e pluralismo geográfico. Estrela Serrano indica ainda a existência de três tipos de indicadores: económicos, jurídicos e sociodemográficos.

ECONOMIA DA CULTURA

Uma investigação recente do National Endowment for Science, Technology and the Arts (NESTA) (Reino Unido) indica que o sector cultural poderá crescer 4% entre 2009 e 2013, o dobro do estimado para o resto da economia. Ler mais em Razias Arthouse (o blogue de Razia Iqbal sobre arte e cultura) e One Cold Hand NYC.

ARTE DE RUA EM STAHL


No século XX, dois movimentos artísticos foram da rua para o museu, a Pop Art (caso de Warhol) e o Fluxus (caso de Marchetti, imagem retirada do sítio do museu Vostell Malpartida), hoje vistas como épocas clássicas da arte moderna. A diferença entre as duas é fundamentalmente de marketing, com a primeira a ter uma audiência mais vasta e a segunda a permanecer relativamente obscura.

O mesmo pode acontecer com a arte de rua, após a comercialização dos "artistas" do graffti - os grafiteiros como gosto de chamar -, segundo a conclusão de Johannes Stahl [imagem em baixo] em livro recentemente editado pela h.f.ullmann e chamado Street Art (2009, p. 145). Claro que os grafiteiros mudam, ao passarem da parede da rua para a tela do museu, com a posição de ilegalidade e espécie de sociedade secreta compensada pela visibilidade artística, o sujo face ao limpo. Stahl chama de arrogante a posição assumida pelos grafiteiros quando se autonomeiam como Alta Arte Popular Urbana ou Arte de Metropolitano ou Arte Pós-Graffiti (p. 151). O spray perde a mensagem política, se a tinha, e adquire o estatuto de bonita imagem.



No meu entendimento, têm de se fazer mais investigações sobre esta matéria. Ao pós-moderno e virtual (a cultura digital) opõem-se as novas corporeidades como os graffiti e as tatuagens (a híbrida cultura analógica e moderna).

Johannes Stahl estudou história de arte, literatura alemã, filosofia e urbanismo nas Universidades de Bona e Marburg (1978-1985). Até 1991, foi crítico de arte. Mais tarde, trabalhou na Bonner Kunstverein e na Escola de Artes Visuais de Leipzig, sendo actualmente pesquisador no College of Art and Design da universidade Burg Giebichenstein (Halle, Alemanha).

15.6.09

HÁ DEZ ANOS

O grupo Valentim de Carvalho inaugurava um moderno estúdio de televisão, tendo os três operadores de televisão como clientes principais [Manuel Pinto (coord.) (2000). A Comunicação e os Media em Portugal. Cronologia e Leituras de Tendências. Braga: Instituto de Ciências Sociais, p. 243] (ver aqui história da empresa).

FESTIVAL DE CURTAS-METRAGENS DO PORTO

A segunda edição do PORTO7 – Festival Internacional de Curtas-metragens do Porto – 2009, que decorreu entre 10 a 14 de Junho, no Museu Nacional Soares dos Reis, premiou as seguintes obras:

1) Competição Internacional de Curtas-metragens – filmes de ficção
1.1) Prémio Estrella Damm - Melhor Curta-metragem – This place the roads have not
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, realizada e produzida por Tofigh Amani, Irão, 2008 (imagem ao lado).
1.2) Prémio Avilajet - Melhor Argumento Original – Tart, realizada por Martin de Barra e produzida pela Underground Films, Irlanda, 2008.
1.3) Melhor Actor – Pharaoh Anderson-McRay, em Basket Bronx, realizada por Martin Rosete e produzida pela Kamel Films/Estafarte, Espanha, 2009.
2) Competição de Curtas-Metragens Porto7 – Curtas-metragens de ficção, sob o tema Porto.
2.1) Prémio IPJ – Jovem Realizador (até 25 anos) – Diogo Abrantes, com o filme Lonesome Cowboy, produzido por Sandra Caetano, Portugal, 2008.
3) Competição Internacional de VideoClip – Melhor vídeoclip (realização) – City of Noise, realizado por Mitch Barany e produzido pela Saved by Radio para a banda The Summerlad, Canadá, 2009.
4) - Competição Internacional de Animação – Melhor curta-metragem de animação –Pozytywka – Music Box, realizada por Patrícia Figueiredo e produzida pela Academia de Belas Artes de Cracóvia, Polónia, 2008.
5) Menções Honrosas do Júri – Transit, realizado por Chris Roche e produzido pela Pogo Films, Reino Unido, 2009, e Paris sur Mer, realizado por Munir Abbar e produzido pela Fiftyseven Morocco, Marrocos, 2007.


[informações e imagens fornecidas pela organização]

FESTIVAL DAS COMPANHIAS DE TEATRO

Terminou ontem, em Campo Benfeito (Montemuro), o III Festival das Companhias Descentralizadas, organizado pelo Teatro de Montemuro e que contou com a participação de outras companhias de teatro profissional: A Escola da Noite (Coimbra), ACTA (Algarve), Centro Dramático de Évora, Companhia de Teatro de Braga e Teatro das Beiras (Covilhã).

A ideia do Festival das Companhias surgiu em 2005, na sequência dos contactos estabelecidos entre as seis companhias de teatro, organizadas informalmente em Plataforma de debate, intercâmbio e colaboração. Entre Faro (2005), Braga (2008) e agora Montemuro, o modelo do Festival aperfeiçoou-se, nomeadamente com a introdução de iniciativas paralelas à apresentação dos espectáculos, no âmbito da formação e nos momentos de reflexão sobre áreas directamente relacionadas com o trabalho dos grupos, ao nível artístico e em matéria de política cultural.

O Festival incluíu a apresentação de um espectáculo por companhia, um workshop de escrita criativa com o dramaturgo Abel Neves, um workshop de teatro a cargo do grupo anfitrião, um debate sobre "O teatro na descentralização" e contactos com uma associação cultural do concelho de Castro Daire.

Da realização, as companhias de teatro lamentam a ausência da DGArtes e recomendam medidas aos decisores políticos , de que respigo algumas: 1) retomar a discussão com os agentes culturais sobre o modelo de financiamento público às artes, 2) cumprir o programa de Governo quanto à dotação orçamental do Ministério da Cultura (cerca de 1% do orçamento do Estado), 3) diferenciar o apoio a estruturas de criação dos apoios a projectos pontuais e a novos criadores, o que implica a definição objectiva do conceito de "companhia", 4) racionalizar os financiamentos públicos, 5) envolver a Administração Central, as autarquias e as estruturas de criação numa análise séria das condições que os espaços teatrais do país oferecem para a criação e a apresentação de espectáculos.

[texto baseado em comunicado das companhias de teatro acima identificadas]

PEÇA DE TEATRO EM ESTREIA


A peça Vertigens 2.9, que estreia dia 19 de Junho no Palco Oriental, "promove um jogo duplo, onde os personagens procuram manipular uns aos outros, ao mesmo tempo que deixam cair a máscara social, revelando vertiginosamente aquilo que são". Texto de Sergi Belbel, com tradução de Inês Câmara Pestana e dramaturgia e encenação de Pedro Barão. Com interpretação de Ana Domingos, Daniela Oliveira, Madalena Vaz Pinto, Marta Amado, Pedro Caseiro, Ricardo Sá e Rui Dionísio. A peça estará em representação até 19 de Julho (6ª, sábado e domingo, às 22:00), no Palco Oriental, Calçada do Duque de Lafões, 78, Beato, Lisboa.

14.6.09

JÚLIO POMAR EM ALGÉS

Inaugurou no dia 2 deste mês, no Palácio Anjos, em Algés, uma sua exposição. Vale a pena visitá-la.


No desdobrável que acompanha a exposição, Maria Arlete Alves da Silva escreve que o pintor e Manuel Brito, o coleccionador das obras patentes no Palácio, estabeleceram uma longa amizade de 40 anos. Apresenta-se obras indo de 1943 a 2003.

Para mais informações, ver o programa da RTP2 Câmara Clara e consultar o sítio do CAMB (Centro de Arte Manuel de Brito).

INDÚSTRIA DE VIDEOJOGOS NA ÁSIA

A China e a Coreia do Sul anunciaram um acordo de cooperação e coordenação na indústria dos videojogos em Changzhou, na província de Jiangsu. Changzhou é uma base das indústrias criativas e o acordo ilustra o interesse da China em criar uma importante indústria de entretenimento digital. Os dois países agora em cooperação projectam o desenvolvimento de jogos online a uma escala ainda maior que a existente.

Fonte: sítio World warcraft, de ontem

CAÇADEIRAS


Histórias de Caçadeira é um filme de Jeff Nichols, com Michael Shannon, Douglas Ligon e Barlow Jacobs.

A história é simples: dois ramos de uma mesma família (filhos do mesmo pai mas de duas mães diferentes) odeiam-se e empreendem uma luta violenta que começa no funeral do pai e acaba na morte de um irmão em cada ramo. A história passa-se no Arkansas, em terras de produção de algodão.

O movimento do filme é lento com igual sentido em termos de tensão. A fotografia e a música do filme acompanham esse dispositivo. Parece que nada se passa naqueles sítios, mas acompanhamos o pensamento, as dificuldades, os sentimentos das personagens. A história tem um núcleo reduzido de personagens, aliás centra-se num dos ramos da família, o mais problemático, com questões de jogo, desemprego, instabilidade psicológica. Nesse sentido, o filme é tendencioso, mas os espectadores devem gostar mais deste ramo "sujo" do que do ramo "limpo" da família. O primeiro ramo da família trata-se, entre si, de modo peculiar: Filho, Rapaz e Criança, dando conta da graduação em termos de idade. Para além dos dois núcleos de família desavindos, há um outro elemento, um rapaz chamado Shampoo, uma espécie de alcoviteiro que vai informando o ramo "sujo" do que o outro ramo planeia fazer ou já fez. Este é o elemento que traz dinâmica à história, pois as suas curtas intervenções levam a atitudes de confronto com o outro ramo.

Para mais informações, ver Ípsilon (Público), com texto de Vasco Câmara e trailer.

13.6.09

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

A noite foi ontem: sardinhas, marchas, uma volta pela Costa do Castelo.

12.6.09

INDÚSTRIAS CRIATIVAS EM DISCUSSÃO EM LOUGHBOROUGH

Os trabalhadores das indústrias criativas têm experiências de trabalhos não remunerados ou estágios que se reproduzem em vários anos de actividade ou "ganchos", más práticas que se detectam um pouco por todo o lado. Porquê? Eis um dos tópicos do encontro de 10 de Julho em Loughborough. Ver mais informações aqui.

PORTO ANTIGO

11.6.09

EMIGRANTES


Saturei o original, procurando eliminar as carências da imagem. A profundidade de campo da imagem, a partir da teleobjectiva, ficou muito estreita: quase que só foquei o rádio que o homem protege sobre as pernas, certamente o seu bem mais precioso. Há alguma apreensão no rosto desfocado da mulher mais próxima da câmara (ou está ela a olhar para algo à sua direita, como também parece com o indíviduo que se senta perto de si?). Ao contrário, a mulher no fim do banco atende à conversa do grupo de cinco homens de casaco e em pé. O homem em pé mais à esquerda parece envergar um chápeu (ou boné), mas a imagem não elucida suficientemente. O edíficio é de granito escuro. As malas à volta das pessoas sentadas indicam o destino longínquo de chegada. São emigrantes a caminho de França, em meados da década de 1970 (de conjunto de imagens que estou a recuperar, a partir de diapositivos de filme).

ISABEL BOTELHO


Últimos dias da exposição de pintura de Isabel Botelho, Assim no Céu como na Terra, na Galeria Municipal Palácio Ribamar, em Algés, até 14 de Junho.

PÓS-GRADUADOS EM INDÚSTRIAS CRIATIVAS E CULTURAIS

São admitidos estudantes de doutoramento nas áreas de indústrias criativas e indústrias culturais no departamento de Ingês da City University de Hong Kong.

Contacto: Dr. Alice Chan
Department of English
City University of Hong Kong
Tat Chee Avenue
Kowloon
Hong Kong
Email: enalice@cityu.edu.hk

SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA

Bem - disse Macário, aproximando-se - então amanhã temos o anel pronto. A que horas?
0 caixeiro não respondeu e começou a olhar fixamente para Macário.
- A que horas?
- Ao meio-dia.
- Bem, adeus - disse Macário. E iam sair. Luísa trazia um vestido de lã azul, que arrastava um pouco, dando uma ondulação melodiosa ao seu passo, e as suas mãos pequeninas estavam escondidas num regalo branco.
- Perdão! - disse de repente o caixeiro.
Macário voltou-se.
- 0 senhor não pagou.
Macário olhou para ele gravemente.
- Está claro que não. Amanhã venho buscar o anel, pago amanhã.
- Perdão! - disse o caixeiro. - Mas o outro...
- Qual outro? - disse Macário com uma voz surpreendida, adiantando-se para o balcão.
- Essa senhora sabe – disse o caixeiro. - Essa senhora sabe.
Macário tirou a carteira lentamente.
- Perdão, se há uma conta antiga...
O caixeiro abriu o balcão, e com um aspecto resoluto:
- Nada, meu caro senhor, é de agora. É um anel com dois brilhantes que aquela senhora leva.
- Eu! - disse Luísa, com a voz baixa, toda escarlate.
- Que é? Que está a dizer?
E Macário, pálido, com os dentes cerrados, contraído, fitava o caixeiro colericamente.
O caixeiro disse então:
- Essa senhora tirou dali um anel. - Macário ficou imóvel encarando-o. - Um anel com dois brilhantes. Vi perfeitamente. - O caixeiro estava tão excitado, que a sua voz gaguejava, prendia-se espessamente.

- Essa senhora não sei quem é. E tirou-o dali...
[...] De repente, soltando o braço de Luísa, disse-lhe baixo:
- Vai-te.
- Ouve!... - disse ela, com a cabeça toda inclinada.
- Vai-te. - E com a voz abafada e terrível: - Vai-te. Olha que chamo. Mando-te para o Aljube. Vai-te.
- Mas ouve, Jesus - disse ela.
- Vai-te! - E fez um gesto, com o punho cerrado.
- Pelo amor de Deus, não me batas aqui - disse ela, sufocada.
- Vai-te, podem reparar. Não chores. Olha que vêem. Vai-te!
E chegando-se para ela disse baixo:
- És uma ladra!
E voltando-lhe as costas, afastou-se, devagar, riscando o chão com a bengala.
À distância, voltou-se: ainda viu, através dos vultos, o seu vestido azul.
Como partiu nessa tarde para a província, não soube mais daquela rapariga loura.



[Singularidades de Uma Rapariga Loura, conto de Eça de Queiroz, texto retirado do sítio Instituto Camões]

No filme de Manoel de Oliveira, se o primeiro plano é muito longo (o revisor do comboio verifica os bilhetes de todos os passageiros da carruagem, mostrando o ambiente: um a ler o jornal, um casal, que depois percebemos serem estranhos um ao outro, a paisagem fora das janelas, o baloiçar do comboio), são rápidas as imagens finais, em que Macário [Ricardo Trêpa, neto do realizador] expulsa Luísa [Catarina Wallenstein]. Parece que a história acaba de modo abrupto. Macário, um contabilista, apaixonara-se por Luísa, que vivia na casa em frente onde aquele trabalhava. Macário fez fortuna em Cabo Verde e preparou o casamento com a rapariga, até o tio o aprovava e dera sociedade na sua empresa, mas a cleptomania de Luísa fê-lo abandoná-la e acabar, assim, um longo sonho.

A história é curta mas os planos do filme dão uma acertada medida da sua duração. Penetramos num mundo de valores antigos, o do final do século XIX (embora o realizador o tenha actualizado a história para os dias de hoje), onde severos códigos de honra e de servir se confrontam com pequenos trapaceiros, personagens díspares mas reais de uma Lisboa em decadência, vistas pelo olhar fino e cínico do escritor. Ambientes requintados, ainda barrocos, planos muito geométricos com câmara fixa, uma violência contida nas relações entre personagens, a simpatia pela personagem principal, são algumas das ideias que me ficaram do filme. O plano quase final mostra Luísa sentada, de pernas afastadas (e que se vê no cartaz do filme), numa imagem de mulher que perdeu precocemente a juventude e o encanto e envelheceu, sozinha e afastada dos outros. Por um lado, o homem trabalhador, honesto e apaixonado; por outro lado, a mulher bonita mas pueril e vivendo de expedientes. Se no conto, Macário vai para a província, no filme vai de comboio para o Algarve, e onde narra a história a uma senhora desconhecida (Leonor Silveira). A duração da viagem funciona como marcador da duração da história.

10.6.09

A ARTE PARA MANUEL CASTRO CALDAS

Retiro a biografia de Manuel Castro Caldas de um sítio ligado à Gulbenkian: (n. 1954, Lisboa - Portugal). Estudou pintura (Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e Whitney Museum of American Art Independent Study Program, Nova Iorque) e História de Arte (New York University/Institute of Fine Arts, Nova Iorque). Principal responsável pela Colecção de Arte Portuguesa Contemporânea da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Lisboa. Desde 1994, Director Executivo do Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa, onde fundou o departamento de História e Teoria de Arte e onde ensina e detém a responsabilidade pedagógica do Curso Avançado de Artes Plásticas. Regulares comissariados de exposições, textos de catálogo e participações em conferências e colóquios.

Manuel Castro Caldas editou, no final de 2008, o livro Dar Coisas aos Nomes. Escritos Sobre Arte e Outros Textos, na Assírio & Alvim, com selecção de textos e prefácio-entrevista de Philip Cabau e Maria João Branco.

São duas décadas de textos seleccionados, somos informados logo no começo do livro. Textos associados a exposições individuais de artistas consagrados, primeiras exposições, em contextos diversificados. O prefácio-entrevista é o perfeito guião para conhecermos o autor. Ele diz: ""E se a prática for o centro da aprendizagem (é o caso, no Ar.Co), o treino teórico é o processamento desse tipo de informação por um corpo já inteiramente dedicado ao fazer" (p. 13). Quando os entrevistadores indicam que os textos do autor têm poucas referências ao cinema, à música e às artes performativas, responde: "Há áreas em que prefiro ser amador, como dizia Roland Barthes. [...] A escultura é imensamente antiga, a pintura (que para nós é para todos os efeitos a pintura de cavalete) é de ontem, embora tenha alcançado uma proeminência inédita [...] Depois interessei-me pelo desenho, tendo entendido que ele está em todo o lado" (p. 27).

Muitos artistas passam pelo seu livro: Ana Jotta, Jorge Martins, Manuel da Costa Cabral, Ana Hatherly, Jorge Queiroz, João Queiroz, Pedro Sousa Vieira, Rui Chafes, Rui Sanches, Fernando Calhau, Tereza Seabra, Susana Solano e José Pedro Croft, entre outros.

Fico-me no texto que dá o título ao livro, onde escreve: "O encontro com as coisas é feito em torno da linguagem: antes do nome, depois do nome" (p. 164). Continua, a propósito de Miguel Branco: "A linguagem transformou-se em força especial - abstracta, integrante, materna -, acolhendo primeiro a perturbação, aceitando depois cada criatura como um novo irmão".

Este livro é um belo objecto cultural. Vale a pena comprar e ler devagar os textos. Muitos destes são acompanhados por imagens das obras, sem cor original e a escala reduzida, que servem como marcadores de referência (p. 28). O papel é de grande qualidade, mas a combinação do papel e da tinta deixa uma sensação desagradável, com cheiro a peixe.

9.6.09

INTERVENÇÕES URBANAS EM MATOSINHOS

Em Rede/ESAD (Intervenções Urbanas em Matosinhos) . Para saber mais, ler aqui.

FRASE DO DIA

  • Acho que precisamos de pensar porque o design visual, auditivo, táctil e estético é tão importante numa classe do infantário e não é considerado num seminário de doutoramento em indústrias culturais!
[Mark Dziersk (VP Design Brandimage) a JamesEd, de James Piecowye (pode ouvir-se aqui)]

CALL FOR PAPERS PARA NÚMERO DO CATALAN JOURNAL OF COMMUNICATION & CULTURAL STUDIES

Entrega de propostas de artigos para o próximo número do Catalan Journal of Communication & Cultural Studies. Deadline: 15 de Julho. Saber mais: aqui. Principal Editor: Enric Castelló, Rovira i Virgili University, Catalunha, Espanha. Áreas:

  • CJCS’s approach is multidisciplinary, publishing articles dealing directly or through a comparative frame with media and communication history, media and cultural policies, audience and reception studies, cultural and national identity, media discourses, intercultural communication, sport and media, language and media language uses, new media and the internet, gender studies, cinema, popular culture, media and cultural industries, public relations, advertising, tourism and cultural heritage.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS NA ESCÓCIA

Um relatório publicado recentemente sobre a Escócia (encomendado pela Highlands and Islands Enterprise, HIE, e realizado pela Ekos, uma consultora independente) dá conta da importância das indústrias criativas naquela região do norte da Europa. Segundo Marc Hindley, do sítio Moray Firth Live, de ontem, tem crescido muito o número de empregos, sendo o sector identificado pelo governo como um dos seis de maior potencial de crescimento económico. Espera-se que o valor das indústrias criativas cresça até 7% na economia nos próximos cinco anos.

APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE JACINTO GODINHO NO DIA 15 DE JUNHO

8.6.09

CULTURA E INDÚSTRIAS CULTURAIS

  • A cultura está hoje no centro de todos os debates da nova ordem mundial. A perspectiva pela qual se olha a cultura está associada ao debate pemanente e ao confronto de opiniões, não apenas entre o liberalismo económico e a defesa de valores universais, mas também entre o contributo pragmático da concorrência livre e a filosofia do serviço público. A questão central é o cnfronto entre a noção de cultura como serviço oferecido pelo mercado e a ideia de cultura com bem público, que é a base da democracia. Não podemos esquecer que quando falamos de cultura, da sua importância e crescimento, [também falamos das] culturas industriais que se revelam como máquinas poderosas aptas a gerar riqueza e desenvolvimento económico. O papel essencial das indústrias culturais é obter crescimento económico, liberdade de expressão e preservação da diversidade cultural.
[adaptação livre de parcela do texto ontem publicado em Back in the EUSSR]

CONVENÇÃO SOBRE MÚSICA POP

O c-o pop ou Convenção da Cultura Pop dirige-se a toda a gente que se envolve no planeamento e criação do futuro da música. Vai decorrer em Colónia (Alemanha), de 12 a 16 de Agosto próximo.

MÚSICA EM CHICAGO

O autor do blogue Art and Culture in Chicago tem um amor enorme pela sua cidade. Não resisto a citá-lo: "A herança musical de Chicago constrói-se numa forte fundação de blues, soul, jazz e gospel. [...]. Chicago é também conhecida por ser o local de nascimento da música House em finais da década de 70. Mais tarde, em meados da década de 80, a House tornou-se nacionalmente popular em discotecas [...]. Nessa altura, Chicago era igualmente um centro para o punk e a new wave. Esta influência continua no rock alternativo dos anos 1990. A cidade foi um epicentro para a cultura rave desde os anos 80. [...] Hoje, Chicago é local de uma influente cena do Hip-Hop".

Mas o melhor é ler o texto todo aqui.

CINEMA EM ESTUDO DO OBERCOM


"Os indicadores revelam uma larga quebra na transição de 2004 (71085245,37 !) para 2005 (66337376,05 !) no valor global das receitas, sendo depois essa Para uma análise mais profunda sugerimos o artigo de Susana Alexandra Freire “As Práticas de Recepção Cultural e os Públicos de Cinema Português” disponível na revista Observatório (OBS*) de 2009 (Obercom) queda inflectida, com um crescimento até 2008 (69894631,81) – mas sem alcançar as marcas de 2004 (Figura 1). Paralelamente, a presença dos espectadores nos cinemas decresceu também acentuadamente de 2004 para 2005 (de 17127813 para 15754111), assistindo-se um acréscimo em 2006 (16367429) com nova inflexão no saldo total até 2007 (16318335) e descendo ainda mais em 2008 (15979240). O que revela que o preço médio dos bilhetes aumentou dos 4,15! em 2007 para os 4,37! em 2008 (Figura 2). Resumindo, assistimos a um decréscimo do número de espectadores nas salas de cinema desde 2004. Por outro lado, as receitas cresceram, mas só a partir de 2005, comportamento que só poderá ser explicado pelo aumento do preço médio dos bilhetes, ou seja, menos espectadores mas a pagarem mais".

O texto continua
aqui.

INDÚSTRIAS CULTURAIS EM SANTA FE

O Centro de Pesquisa Económica da Universidad do New Mexico havia produzido um estudo em 2002 sobre as artes, indústrias culturais e turismo cultural da cidade de Santa Fe. Apesar de antigo, o estudo refere mais de mil milhões de dólares de actividade, 12567 empregados (17,5 % do total do emprego da cidade de Santa Fe), pagando 231,5 milhões de dólares em salários.

[fonte: FineArtPublicity.com, de ontem]

FUSÃO A CAMINHO DE DOIS CANAIS DE TELEVISÃO EM ESPANHA

O sítio Oje, em notícia do passado dia 5, anunciou que as empresas espanholas Prisa/Sogecable (proprietária do canal Cuatro) e Mediapro (proprietária do canal La Sexta e que pertence à holding Imagina, que também detém a empresa Globomedia) chegaram a acordo para acabar com o conflito existente nos anos mais recentes sobre os direitos de transmissão de futebol da liga espanhola. Isto pode indiciar a eventual criação de uma holding audiovisual. A nova holding poderá ter impacto nos negócios que essas empresas têm em Portugal, nomeadamente na TVI.

7.6.09

MUDE


O MUDE (Museu do Design e da Moda, à Rua Augusta, Lisboa) abriu muito recentemente as suas portas, albergando a colecção Fernando Capelo (anteriormente no CCB). Dos objectivos do museu, "Constituir um pólo museológico que dê a conhecer a todo o público, nacional e estrangeiro, a evolução do design do século XX até à actualidade" [imagem do interior do museu retirada do sítio do MUDE]. Dos públicos, "O museu dirige-se a todo o público através de uma programação variada e de espaços de encontro e lazer".

No CCB, havia uma grande parte da colecção exposta. Apesar de bem apresentada, ela perdia-se no espaço do Centro. Agora, o que se vê é uma parcela mais pequena da colecção mas de um modo mais agradável. Podemos dizer que há mais espaço. O próprio interior do edifício, um antigo banco, conservou alguns dos elementos antigos, adaptando a forma a uma nova função. Por exemplo, o balcão do banco funciona como marcador de itinerários. Ontem, quando visitei o museu, fiquei agradavelmente surpreendido com o número de visitantes. Claro que abriu agora e a entrada é gratuita até 1 de Julho, mas a localização do museu e a importância da colecção principal que alberga são dois elementos que auguram um grande sucesso.

Esta semana, inaugurou a exposição temporária intitulada em português Ombro a Ombro, com cerca de 250 cartazes políticos, com a maior parte desses cartazes oriundo de uma colecção de Zurique, onde esteve patente até Fevereiro passado. É interessante, até porque contradiz uma ideia que expressei aqui no dia 31 de Maio, pois muitos dos cartazes mostrados possibilitam leituras ricas em termos de semiótica e de sociologia, nomeadamente.

Cito, para além dos inevitáveis retratos e cartazes de Mao, Lenine, Guevara, Schwarzenegger e Obama, os de Mitterrand, Nixon, Soares e da líder da Ucrânia Yulia Tymoshenko (imagem retirada do sítio Hyperbolic Chamber). Ou as fotografias de Francesco Vezzoli (imagens retiradas do sítio New York).

SENSIBILIZAÇÃO ATRAVÉS DE CARTAZES


Velhos cartazes da municipalidade de Pádua (Itália).

6.6.09

MARROCOS


Encantador de serpente (Marraquexe, Marrocos)

VIANA DO CASTELO - FESTAS DA AGONIA


Ensaios de cor.

CHIADO (LISBOA)

METEORA (GRÉCIA)

Do meu diário quase gráfico, retiro a seguinte informação: "os Meteoros, rochas de dimensão gigantesca, constituem uma das curiosidades mais célebres da Grécia. Empoleirados nos seus cumes, entre o céu e a terra, os monges construiram conventos, datados do século XIV. Os mosteiros podem ser visitados, mas é preciso ter pernas de aço para subir aqueles rochedos. Os mais belos mosteiros são os de Meteoron, Aghios Varlaam e Aghia Triada". Não fui a pé, mas um autocarro levou-nos lá (imagens de filme de diapositivo de 35 mm, feitas em 13 de Agosto de 1988).

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS-METRAGENS DO PORTO


O Festival Porto7 decorre de 10 a 14 de Junho no Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto). A organização recebeu este ano mais de 350 curtas-metragens para selecção, oriundas de 41 países de todo o mundo.

CRIAR 2009

Criar 2009 é o sítio de Criatividade e Inovação do Ano Europeu 2009, onde se convida à participação de um concurso, ganhando € 1000, através do envio de vídeo com uma ideia criativa de duração máxima de 5 minutos (sendo a duração recomendada de 3 minutos).

5.6.09

SPOTS RADIOFÓNICOS

O anúncio de rádio "Plenstansflored", para a Staples, criado pela agência Leo Burnett, cujo texto (copy) é da autoria de Erik Rosa, foi o grande vencedor de 2008 na 1.ª edição dos Spot - Prémios de Publicidade na Rádio (notícia publicada no Diário de Notícias de hoje; para ler a notícia completa, clicar no link atrás mencionado).

EXPOSIÇÃO DE CARTAZES POLÍTICOS

Quase 250 cartazes políticos, muitos deles pertencentes a colecção suíça, podem ser vistos a partir de hoje no Museu do Design e da Moda (MUDE), na antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta, aqui em Lisboa. O título da exposição, que se prolonga até Outubro, é Ombro a Ombro. Podem ser vistos cartazes de líderes como Kennedy, Che Guevara e Salazar. O objectivo da exposição, disse a directora do museu, Bárbara Coutinho, é mostrar como a imagem dos políticos do século XX foi construída e desconstruída [a partir de take da agência Lusa]. Além do do Museu do Design de Zurique, há cartazes pertencentes a entidades como Comissão Nacional de Eleições, Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, Universidade de Aveiro e Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

LEITURA ELECTRÓNICA

A DPA (Digital Publishing Alliance), ligada ao Instituto de Jornalismo Reynolds, propõe-se criar um consórcio de leitores electrónicos (e-readers) para editores de jornais e outros fornecedores de conteúdo. A DPA, que inclui 32 membros (entre eles New York Times, Los Angeles Times, Washington Post, e a Newspaper Association of America), tem trabalhado em termos de apresentar até final deste mês uma proposta. A leitura em plataforma electrónica pode vir a ter peso semelhante ao das leituras em papel, internet e telemóvel.

RECOMENDAÇÕES PARA A IMPRENSA

O American Press Institute recomenda um conjunto de cinco pontos para a recuperação da indústria da imprensa (ver em editorsweblog.org, de ontem), em que o primeiro considera a migração, no conteúdo online, do acesso gratuito para o pago, em três opções: micropagamentos, subscrições e modelo híbrido. Ler na totalidade aqui.

4.6.09

EUROZINE

Hoje saiu mais uma newsletter do Eurozine.

O tema principal é sobre a China e tem a ver com os acontecimentos de há precisamente 20 anos na Praça de Tiananmen (
China through Zhuangzi's third eye. Twenty years after Tiananmen, the country is both different and same).

A ler.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS EM S. JOÃO DA MADEIRA

"A Câmara Municipal de S. João da Madeira fechou negócio com a imobiliária Sanjimo e comprou quatro parcelas do parque industrial da Oliva. Os edifícios da torre, dos esmaltes e o de fabricos gerais são agora propriedade municipal, por 2.570 mil euros, preço que resulta de um longo período de negociações com os proprietários e está dentro das avaliações que a câmara efectuou.

"O projecto da câmara para o complexo da Oliva prevê a instalação de um centro de indústrias criativas, do lado esquerdo (de quem se dirige para norte), com espaço para incubadora de empresas, residência de artistas e oficinas, e área de exposição do lado direito. Será aqui que estará exibida a colecção de telas de José e Norlinda Lima, assim como outras exposições temporárias".


[fonte: Labor.pt, edição de hoje]

SPOTS RADIOFÓNICOS

"Hoje ao fim do dia será conhecido o grande vencedor do SPOT, o primeiro concurso de anúncios radiofónicos. O grande prémio e os prémios parcelares SPOT são uma iniciativa conjunta de três grupos de comunicação com forte presença no meio rádio: Controlinveste, Grupo Renascença e Media Capital Rádios.

"Fiz parte do júri que votou na semana passada o grande prémio, mas quando escrevo desconheço ainda qual dos oito reclames a concurso terá ganho. Isso não é o mais importante quando cabe antes do mais saudar esta louvável iniciativa das empresas de rádio, que permite dar atenção e premiar uma publicidade que por natureza não tem, literalmente, visibilidade. Não a vemos. Passa. O próprio universo publicitário a tem desprezado enquanto conteúdo criativo".


[parcela do texto de Eduardo Cintra Torres, hoje no Jornal de Negócios]

ROMANCE DE MARTA AMADO


A Marta Amado fez a licenciatura de Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa. Foi minha aluna. Lembro-me do seu trabalho de qualidade (ao escrever com outras colegas sobre Morangos com Açúcar). Depois de concluído o curso, contactámos por email, em especial por causa do romance que estava a escrever. Tinha dúvidas - sobre o que escrevia, como publicar. Eventualmente, dei-lhe um conselho. Escrevi aqui (28 de Maio de 2008, há um ano precisamente) que ela procurava uma editora, assim como sobre o seu blogue Palavras Soltas.

Hoje, fiquei contente ao saber que o livro dela vai ser lançado. Vai ser no dia 17, pelas 19:00, na livraria Barata, em Lisboa. Chama-se Vidas Desencontradas.

Parabéns, Marta.

UMA NOVA FERRAMENTA DA GOOGLE

Durante a Conferência de Desenvolvimento Google I/O, em San Francisco (27 e 28 de Maio), foi mostrado o Google Wave, um novo serviço de comunicação online, descrito como uma "ferramenta de comunicação e colaboração pessoal". O Google Wave, uma plataforma de fonte aberta, permite aos utilizadores falar em chat e partilhar documentos incluindo ficheiros áudio, vídeos e fotos em tempo real (fonte: editorsweblog.org). O que faz o Google Wave revolucionário é o lado do tempo real. Enquanto as actuais redes sociais possuem um elemento de espera, tipo a pessoa "X está a escrever", o Wave permite aos utilizadores verem o que se passa no momento em que se está a escrever no ecrã.

Escreve Jeff Jarvis, do sítio
BuzzMachine (31 de Maio):

  • Imaginem uma equipa de repórteres - juntos a testemunharem um acontecimento capazes de contribuir com fotografias e notícias no mesmo Wave (anteriormente conhecido como história ou página). Um pode escrever o que já é conhecido; uma testemunha pode acrescentar factos da ocorrência e fotografias; um editor ou leitor pode fazer perguntas. E tudo isto num só endereço, um link para a história, permanentemente actualizado por uma equipa colaborativa.

3.6.09

TEXTO DE ADELINO GOMES SOBRE O LIVRO DE GUSTAVO CARDOSO, RITA ESPANHA E VERA ARAÚJO

No passado dia 25 de Maio, escrevi aqui sobre o novo livro de Gustavo Cardoso, Rita Espanha e Vera Araújo, Da Comunicação de Massa à Comunicação em Rede, lançado três dias antes. Agora, a editora disponibiliza o texto de apresentação de Adelino Gomes, que aconselho a ler como aperitivo para o livro (primeiro, a citação da parte final desse texto e, depois, a sua totalidade na caixa do slideshare):

Um modelo caracterizado pela fusão da comunicação interpessoal e em massa, e que liga audiências, emissores e editores sob uma matriz de media em rede – do jornal aos jogos de vídeo - e que oferece aos utilizadores novas mediações e novos papéis. Este modelo não substitui os anteriores, articula-os. Produzindo novos formatos de comunicação e permitindo ao mesmo tempo novas formas de facilitação de empowerment e consequentemente de autonomia comunicativa. Não sei ainda quais foram ou se as houve. Aquilo que eu digo não tem, como é óbvio, nenhum relevo. Representa apenas a opinião de um prático do jornalismo com incursões estudantis (para mais, serôdias) nesta área. Salvaguardada essa irresponsabilidade de quem não representa mais ninguém nem mais nada do que a sua pessoa e a sua irrelevância institucional e no entanto insiste em pronunciar-se sobre a matéria, não tenho dúvidas nenhumas em repetir publicamente que este texto constitui uma contribuição teórica de altíssimo relevo quando olhamos o estado da arte neste área.

ALKANTARA

Nos dias 13 e 14 de Junho, entre as 16:00 e as 23:00, vai decorrer no Museu do Oriente o programa de apresentação pública dos artistas seleccionados para participar no Pointe to Point - 6º Encontro de dança Ásia-Europa. Mais informações: http://www.alkantara.pt/ [montagem minha de imagens disponíveis na newsletter de Alkantara].

TAPEÇARIAS

O Museu da Presidência da República, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre-Guy Fino, tem patente até 31 de Julho a exposição Nós na Arte-Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea, no Palácio de Belém.


De entre os artistas presentes, destacam-se Vieira da Silva, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Júlio Resende, José de Guimarães, Carlos Botelho, Camarinha, Le Corbusier e Cargaleiro e, de entre os mais jovens, Rui Moreira e Rigo.

CURSO DE DOUTORAMENTO EM COMUNICAÇÃO NA UNIVERSIDADE DO MINHO

São as seguintes especialidades a abrir no próximo ano lectivo:• Semiótica Social• Sociologia da Comunicação e da Informação• Psicologia da Comunicação• Indústrias Culturais• Comunicação audiovisual• Média Interactivos• Cibercultura e Redes de Comunicação• Economia Política da Comunicação• Ética da Comunicação e da Informação• Educação para os Média; Estudos de Jornalismo• Comunicação Estratégica e Organizacional• Comunicação Intercultural• Estudos da Recepção• Comunicação, Consumo e Lazer• Teoria da Cultura• Teorias da Comunicação e da Informação.

Candidaturas abertas até 30 de Junho, presencialmente ou por correio electrónico (
sec-cicom@ics.uminho.pt). Mais informações: http://www.comunicacao.uminho.pt.

EVENTO MULTIDISCIPLINAR EM MONTEMOR-O-NOVO

JOVENS PORTUGUESES NA CINEMATECA FRANCESA

Nos dias 4 e 5 de Junho, doze jovens dos 12 aos 17 anos, oriundos de Lisboa, Alhos Vedros e Serpa, vão apresentar na grande sala Henri Langlois da Cinemateca Francesa, em Paris, os quatro filmes finais que resultaram do trabalho de iniciação ao cinema em que participaram ao longo do ano lectivo 2008/2009. Para saber mais, ver Os Filhos de Lumière.

ARTE E BIOGRAFIA

JOANA VASCONCELOS

Ontem. fomos visitar o ateliê de Joana Vasconcelos, às voltas com a organização de uma exposição para 2010. Foi uma visita enriquecedora a ouvir e a ver as obras de uma das artistas mais conhecidas em Portugal.

2.6.09

AINDA OS FIVES

Na mensagem anterior, escrevi que não encontrei o cartaz da Optimus com a indicação da rede social Messenger. Claro que já tinha visto o cartaz mas perdi o seu rasto. A imagem abaixo mostra o terceiro cartaz. Onde poderia estar o público-alvo da campanha, para além do centro comercial e do metro? Na praia, claro, a procurar trocar o pseudónimo (nick) da rede. Gosto da campanha nos mupis.

MANDA FIVES

Enviar fives significa enviar mensagens ou fazer comentários na rede social hi5. Enviar "fives" do shopping quer dizer que o centro comercial é um espaço social onde os fãs do hi5 se encontram amiúdes vezes e onde enviam mensagens com frequência. O outro anúncio aponta para a rede social Facebook e para o metro, meio de transporte urbano existente em Lisboa e no Porto (o ideal da frase do anúncio seria "manda faces" ou "manda books", para se aproximar do outro; assim, dá um ar de maior solenidade ou seriedade ao Facebook, com "actualização do perfil"). Hi5, Facebook, centro comercial e metro são valores e espaços que apontam para uma faixa etária precisa, os jovens, a cujos consumos os novos aparelhos pretendem apelar, ainda por cima com um desconto no preço do aparelho (a terceira rede social dos anúncios é o Messenger, mas não descobri qualquer cartaz).

Lembro-me do texto de David Bolter e Richard Grusin, Remediation. Understanding new media (2000) [ver minha mensagem
aqui]. Uma das estratégias da remediação é a imediacia [imediacy] ou imediacia transparente, estilo de representação visual cujo objectivo é fazer esquecer ao espectador a presença do meio (tela, filme fotográfico, cinema) e acreditar que ele está na presença de objectos de representação. A mensagem SMS e o envio de imagens, nos novos telemóveis, são substituídas pelo uso das redes sociais que incorporam essas facilidades todas mas dentro de um sistema organizado externamente ao aparelho.

Outra característica dos aparelhos publicitados é a miniaturização do teclado. As letras já não aparecem por ordem alfabética mas seguindo a norma qwert dos teclados dos computadores. A segunda
das estratégias da remediação é a hipermediacia [hypermediacy], estilo de representação visual cujo objectivo é lembrar ao espectador o meio que ele usa para ver. O telefone é uma função no meio de várias. Aqui temos o telemóvel que parece um computador. Ou a fusão dos aparelhos, produto procurado há diversos anos.

1.6.09

MEMÓRIA DO FADO

Retiro do Diário de Notícias de hoje (texto de Nuno Galopim):

  • Gravações de finais dos anos 20 e inícios dos anos 30 de Ercília Costa e de Maria Alice, e um conjunto de temas originalmente registados por Amália Rodrigues nos anos 50, correspondem aos três primeiros volumes de uma nova série de edições discográficas que a partir de hoje chega às lojas. [...] Ercília Costa (1902-1985) foi a primeira fadista portuguesa a ter grande exposição internacional, tendo realizado digressões em França, Estados Unidos e Brasil, e mantido também uma carreira como actriz de revista e, mais tarde, no cinema. As suas gravações são quase todas anteriores a 1950 e, por isso, um tanto esquecidas nos nossos dias. No disco agora editado são recuperados o seu histórico Fado de Alfama, entre outros, em gravações de 1920 e 1930. Maria Alice (1904-1997) foi outra das primeiras vozes do fado a conhecer gravação. Cantou em diversas casas de fado e chegou a actuar no Brasil. O disco desta colecção que lhe é dedicado recorda-a em gravações efectuadas entre 1929 e 1931.

Escreve ainda o jornalista:

  • Os discos de 78 rotações por minuto não correspondem ao mais antigo dos formatos usados pelo mercado discográfico mas, depois de uma etapa em que os fonogramas surgiam em cilindros, o disco acompanhou a expansão da indústria da música à escala global. A produção em grande escala na velocidade 'standard' de 78 rotações iniciou-se em 1925, mantendo-se ainda activa depois de o aparecimento do LP (em 1948), desaparecendo dos mercados ocidentais em meados dos anos 50 (sobrevivendo na Índia até aos anos 60).

O REGRESSO DA POLAROID


Prossegue a onda do regresso das tecnologias retro. Agora é a vez da Polaroid, a máquina que tira fotografias instantâneas. As máquinas digitais pareciam ter remetido as polaróides para o museu do tempo.

Mas, eis que surge um biólogo austríaco, Florian Kaps, que comprou a fábrica da Polaroid em Enshede por dois milhões de euros e procura servir as cerca de mil milhões de máquinas em todo o mundo. Vanessa Rato conta a história no Público de anteontem, indo buscar informações ao New York Times de 26 de Maio (aqui com fotografia de Kaps a segurar uma máquina).

TWITTER

Dizem as más línguas que o Twitter está a fechar os endereços. No meu caso, já não acedo há mais de três dias.

SOBRE A EXPOSIÇÃO OBSCENA: 2 ANOS EM IMAGENS


  • Em 2009 queremos marcar os dois anos de existência da Obscena-revista de artes performativas com um conjunto de iniciativas que nos levem junto dos leitores e ampliem o trabalho que temos vindo a desenvolver. Foi nesse quadro que pensámos numa exposição de fotografias que desse conta dos rostos que ao longo destes dois anos foram a notícia, o tema ou o pretexto para um artigo. Juntámos o melhor das imagens propositadamente criadas para as páginas virtuais e impressas da OBSCENA, acrescentámos-lhe algumas das cartas brancas de alguns dos artistas visuais que tão generosamente acederam ao nosso convite e revolvemos o arquivo em busca das fotografias inéditas para montar uma exposição que é não mais do que um pretexto para que nos siga por mais um ano (texto da organização).
Contactos: Quarta Parede - Associação de Artes Performativas da Covilhã, Rua Celestino David, Lote 4, r/c dir., Covilhã, email: qp@quartaparede.pt

TEXTOS SOBRE TEORIA JORNALÍSTICA


O número de Março traz um texto importante sobre a produção de notícias (hard e soft news, notícias de acontecimentos e de contextualização), de Pablo J. Boczkowski. Estuda o impacto desses tipos de notícias nomeadamente em ambiente de redacção online, com análise do principal jornal da Argentina, Clarín.com, em 2005 (tráfego diário de 400 mil visitantes únicos).

Boczkowski conclui pelo quase desaparecimento da distinção na produção de notícias hard e soft, substituído por novas distinções como diferenças de tempo, origem da informação e uso de ferramentas de comunicação na redacção. A aceleração da cobertura de notícias de ruptura e o alargamento dos ritmos temporais do trabalho editorial conduzem a novas práticas jornalísticas, falando-se em inovação mediática.

LIVROS E MERCADO DO LIVRO


As biografias estão em alta nas editoras, indica o número de Junho de Os Meus Livros. Dirigida por João Morales, a publicação aposta também na divulgação de novas editoras, como a Booksmile, a Fio da Palavra e a Vogais & Companhia, a primeira voltada para os livros ilustrados, a segunda apostando nomeadamente na história e na cultura moderna, a terceira nos livros infantis e juvenis.

Ao contrário, Jorge Azevedo, responsável pela distribuidora Sodilivros, entende que se publica demasiado em Portugal e faltam livrarias independentes. Muitos dos livros, diz, duram dois a três meses. Razão: o excesso de edição ocupa os espaços das livrarias. Mais: 50 a 60% das encomendas provêm de Lisboa e Grande Lisboa; a Bertrand, Fnac e hipermercados representam 70% do mercado.

O MELHOR ARGUMENTO EM DEFESA DA LEITURA DE JORNAIS

Ler um jornal quer dizer saber o que se passa no mundo. A leitura aprofundada de um jornal permite-nos obter mais informação que um noticiário de televisão, sem a correspondente imagem que nos emociona frequentemente. Além disso, o jornal tem classificados (bolsa de emprego) e informação sobre os filmes e as farmácias de serviço, além dos resultados desportivos.

Contudo, há um argumento ainda mais forte para ler jornais. É que uma investigação agora publicada menciona que a melhor forma de relaxamento dos indivíduos é ler o jornal. Mesmo que a leitura não ultrapasse seis minutos, os níveis de stress reduzem dois terços. A investigação levada a cabo pela Universidade de Sussex mostra que ler as palavras de um jornal ou livro faz melhor e mais depressa que andar a pé ou beber uma chávena de chá. Os psicólogos indicam que a mente humana, ao concentrar-se na leitura, reduz as tensões nos músculos e no coração.

Fonte: The Argus, de anteontem.

PUBLICIDADE NA TELEVISÃO ESPANHOLA

Conforme já havia escrito aqui, o governo espanhol introduziu mudanças nos modos de financiamento da televisão pública (TVE), eliminando a publicidade paga. Por seu lado, as televisões em sinal aberto entregam 3% das receitas operacionais brutas e as televisões por assinatura 1,5%. A notícia não especifica o caso das televisões autonómicas, cujos défices são acentuados.

Fonte: Meios & Publicidade.