domingo, 9 de maio de 2010

FUTEBOL E AS CIDADES

Agora que acabou o principal campeonato de futebol, ganho pelo Benfica, faço uma análise, embora reconheça faltas na sua “cientificidade”: a relação entre os clubes de futebol e o desenvolvimento das cidades (dentro do conceito de indústrias criativas). Apesar do novo campeão ser de Lisboa, a cidade perdeu uma equipa, o Belenenses, que desce de divisão. Também a área metropolitana do Porto teve uma equipa a descer de divisão, o Leixões, de Matosinhos. Lembro-me de Lisboa ter cinco clubes na Primeira Divisão, embora já há muitos anos (Benfica, Sporting, Belenenses, Atlético, Oriental). Por seu lado, o Porto contava com três equipas (Porto, Boavista e Salgueiros). Em cada uma destas cidades, as equipas que desapareceram ou estão em escalões secundários representavam bairros ou zonas populares, quando o futebol ainda não era uma indústria.

Os clubes são fundamentalmente do litoral do país, reflectindo a diferença entre litoral e interior. Despromovido o Leixões, a cidade (área metropolitana do Porto) fica com um único clube (Porto) e o distrito com mais um (Rio Ave), prova da perda de força económica e social daquela zona do país. Lisboa mantém o Benfica e o Sporting mas perdeu o Belenenses, o que significa uma perda – embora não tão significativa (até porque o novo campeão provém desta cidade). O Minho aparece com uma boa representação (Braga, Guimarães, Paços de Ferreira). É certo que há crescimento em cidades como Braga mas o distrito tem igualmente muitos problemas económicos, pelo que tenho alguma dificuldade em provar a minha “cientificidade” da relação dos clubes com o desenvolvimento das cidades. À medida que descemos para sul, algumas cidades junto ao litoral mantêm os seus clubes: Coimbra (Académica), Figueira da Foz (Naval), Leiria (Leiria), Setúbal (Setúbal). Ou vêem-nos regressar, como Aveiro (Beira Mar). Há mais duas áreas geográficas importantes pelo turismo: Madeira (Marítimo, Nacional) e Algarve (Olhanense e o agora regressado Portimonense).

Do interior do país (Alentejo, Beiras, Trás-os-Montes) ou dos Açores não resta nenhum clube. Os últimos, se não me falha a memória, foram Campomaiorense (Campo Maior), Santa Clara (Açores) e Chaves (Chaves). Já há muitos anos que Évora ou Viseu não têm clubes na Primeira Divisão – e aqui as cidades têm registado crescimento económico e urbano, o que contraria a minha “ciência”.

À PROCURA DE LUGAR PARA VIVER

Sam Mendes, realizador inglês de Beleza Americana (1999) e Revolutionary Road (2008) regressa com Um Lugar para Viver (Away We Go, 2009; no Brasil, com o título Distante Nós Vamos), filme com John Krasinski (Burt Farlander), Maya Rudolph (Verona de Tessant), Maggie Gyllenhaal (LN Fisher-Herrin), Melanie Lynskey (Munch Garnett), Allison Janney (Lily) e Jeff Daniels (Jerry Farlander), escrito por Dave Eggers & Vendela Vida.

A história é sobre um casal, Burt e Verona, que vai ter um bebé e fica com medo. Têm mais de 30 anos mas não possuem uma vida organizada em termos de empregos e necessidades básicas. Procuram familiares e amigos antigos por diversos locais dos Estados Unidos e Canadá, mas não encontram uma família que lhes sirva de modelo. No final, voltam a partilhar um com o outro que o tempo e o espaço são preciosos para eles.

Aparentemente, não é um filme tão violento como os outros dois que nomeei acima, em que todas as personagens são pérfidas e anormais. O novo filme centra-se na história do casal que vai ter uma criança mas vive fora dos padrões comuns: isolados numa zona rural, partilhando uma profunda amizade e amor sem traumas e críticas, partem à procura de "integração" e do receio de falhanço face a esses padrões comuns. Mas, à medida que vão descobrindo que os outros casais têm problemas profundos, eles continuam a entender-se e os minutos finais do filme são quase ingénuos pela esperança dada pela mensagem da história. Durante todo o filme há diálogos e cenas que põem o espectador bem disposto - ouvi muitas gargalhadas, embora as não compreendesse, porque o filme é demasiado sério para nos rirmos das histórias das personagens.

A violência reside aqui. O casal - com uma mensagem bonita de amor, compreensão e solidariedade - está isolado. Todas as outras personagens aproximam-se das personagens dos outros filmes de Sam Mendes, com problemas de foro psicológico ou de mau relacionamento social bem identificados, a que se associa um modo de vida de periferia urbana e de elevado consumo. Cada família visitada por Burt e Verona é como que um quadro que o realizador explora e parte para outro, mostrando os evidentes desequilíbrios. Em cada relação, há um crescendo de tensão que termina na ruptura, com retoma do ciclo numa outra geografia, como se fosse um manual de sociologia explicando as diversas correntes em que ela se divide, com a mesma ou diferente metodologia para dar os mesmos resultados.

sábado, 8 de maio de 2010

GREEN PAPER ON CULTURAL AND CREATIVE INDUSTRIES

GREEN PAPER: Unlocking the potential of cultural and creative industries

  • In the recent decades the world has been moving at a faster pace. For Europe and other parts of the world, the rapid roll-out of new technologies and increased globalisation has meant a striking shift away from traditional manufacturing towards services and innovation. Factory floors are progressively being replaced by creative communities whose raw material is their ability to imagine, create and innovate (read more below).

MUPIS (2)






A vinda do Papa Bento XVI a Portugal vai decorrer na próxima semana (Lisboa, Fátima, Porto). Já há diversos mupis com referência à sua vinda. Escutar, esperar, confiar, rezar, amar - verbos usados nos cartazes.

GRAFFITI TUGA (2)

MUPIS (1)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

INVESTIMENTOS PUBLICITÁRIOS

A RTL, a maior empresa comercial de audiovisual da Europa, com sede no Luxemburgo, informou ter duplicado lucros no primeiro trimestre de 2010 em termos de investimentos publicitários (€ 197 milhões, antes de juros, impostos e amortizações, comparados com € 87 milhões no mesmo período de 2009). As receitas (volume de negócios) cresceram 10% (passando para € 1308 mil milhões). A empresa pertence ao conglomerado alemão Bertelsmann, também proprietário da estação britânica Channel Five e da francesa M6 e de estações de rádio. O aumento de investimentos publicitários também se deve verificar noutros grupos de media na Alemanha, França e Reino Unido [via Media Network].

quinta-feira, 6 de maio de 2010

BRASIL-PORTUGAL EM PROGRAMA DE TELEVISÃO


Escreve Juliana Iorio no seu blogue Brasil X Portugal:

  • No último dia 25 de Abril a RTP2 dedicou 24 horas da sua programação à apresentação de documentários produzidos por autores portugueses. Eu gravei aqueles que mais me interessaram, sobretudo os que falaram da relação entre Brasil e Portugal, e descobri, entre eles, o primeiro episódio de um programa que acaba de estreiar e será transmitido tanto "Lá", no Brasil, quanto "Cá", em Portugal. "Lá e Cá" é um programa produzido pelos jornalistas Carlos Fino (Portugal) e Paulo Markun (Brasil), que irá ao ar pela TV Cultura, no Brasil, aos Domingos, às 21h00 (horário de Brasília) e pela RTP2, em Portugal, também aos Domingos, às 19h00 (horário de Portugal). Espero que este programa tenha vindo para ficar! É pena que a televisão portuguesa não dedique mais tempo da sua programação à apresentação de documentários... De qualquer forma, se passarem novamente, aconselho vivamente os seguintes: "Buenos Aires, Hora Zero"; "Estou Lá?!" e "A Semente do Ouro Negro".
[obrigado a Fernando Paulino, por me ter chamado a atenção para o programa]

FUTEBOL NA TVI

Nas duas próximas épocas da Primeira Liga de futebol, haverá 30 jogos anuais transmitidos pela TVI (excepto as partidas entre Benfica, Porto e Sporting, a transmitir pela Sport TV). Nos dois anos mais recentes, foi a RTP que teve o exclusivo. A SIC não apresentou qualquer proposta.

CAMPO DAS LETRAS

A Campo das Letras foi uma prestigiada editora com sede no Porto. Editou muitos títulos da área de comunicação. Um dos meus livros - A fonte não quis revelar - teve a chancela daquela editora. Agora desaparece num processo de insolvência. É com mágoa que recebo a notícia.

AMERICAN FAMILY, DE DAVID ALAN HARVEY

Até 1 de Junho, na EFTI Escuela de Fotografía. Centro de imagen (Madrid)*, encontra-se exposta a exposição American Family do fotógrafo americano David Alan Harvey.


  • Nos últimos dois anos, tenho viajado de carro pelo meu país para fotografar famílias americanas. Este é um trabalho em desenvolvimento que espero concluir dentro de mais dois anos. Comecei este projecto, porque queria explorar as relações familiares e espero reunir uma espécie de álbum de família colectivo. Trabalhei com película de médio formato, a preto e branco e a cores, tal como os álbuns de fotos de família. Todo este trabalho parte do meu primeiro álbum de família que fiz aos 14 anos. A exposição e o livro Off for a family drive, incluirá fotos de grande formato e pequenos instantâneos. A minha intenção não foi fazer retratos profissionais, mas sim fazer com que este trabalho se assemelhe, tanto quanto possível, a um álbum de família.
 David Alan Harvey (1944, San Francisco, EUA). Membro da agência Magnum Photos desde 1997, e colaborador da National Geographic Magazine, é um clássico fotógrafo documentalista. Interessa-se mais pela integridade do tema que pelos aspectos técnicos e procura minimizar a sua presença para não influenciar as situações que fotografa. Das suas obras, destacam-se Cuba (2000), Divided Soul (2003) e Living Proof (2007). É editor da revista online Burn.

[textos sobre a exposição nos jornais El País e Público (Espanha)]

* EFTI Escuela de Fotografía. Centro de imagen fica na Calle Fuenterrabía, 4 e 6, Madrid. Metro: L1. Menéndez Pelayo ou Atocha Renfe.

 [imagens e texto de Carlos Filipe Maia, a quem agradeço as informações]

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MARCA

Branding: a gestão da marca é um livro de António Mendes, e que representa uma parte da tese de mestrado do autor. No livro, aborda questões fundamentais da marca, como o processo contínuo de construção através das actividades das organizações a que a marca pertence e as percepções de consumidores e outros públicos, os seus elementos, como nome, logótipo, símbolo e slogan, e a função da marca nos vários públicos (consumidores, vendedores).

Para António Mendes, a marca é um valor para quem a detém. Além dos fluxos financeiros que significa, traz também vantagens em termos de valor intangível, como prestígio e notoriedade. Daí ele falar de capital de marca. Um terceiro ponto é dedicado à gestão de marca, como implementação de mecanismos estratégicos, coerência na sua manutenção e alianças de marca.

António Mendes é, desde 2002, director de programas da RFM, líder de mercado em termos de audiências de rádio pertencente ao grupo Renascença. Igualmente ensina Marcas e Comportamento do Consumidor no IADE, editor do livro (2009). Encontra-se a preparar o doutoramento no ISEG na área de marketing e marcas.

OS MEUS LIVROS

A edição de Maio, que traduz o regresso da revista Os Meus Livros, traz duas entrevistas, a Pedro Tamen (poeta, tradutor e antigo editor e administrador da Gulbenkian) e Jorge Silva (director de arte da Leya), fala da reabertura da livraria Buchholz e das redes sociais e o seu papel na divulgação de livros.

terça-feira, 4 de maio de 2010

TERREIRO DO PAÇO

O novo piso do Terreiro do Paço e a estrutura que vai albergar o altar para a missa do Papa no próximo dia 11 (imagens de telemóvel em 2 de Maio de 2010).

TEATRO - AGORA A SÉRIO

Agora a Sério é uma peça de Tom Stoppard, traduzida e encenada por Pedro Mexia e apresentada no Teatro Aberto (Lisboa). Pedro Lima, São José Correia, João Reis, Ana Brandão, Nuno Casanovas, Diana Costa e Silva e Afonso Lagarto interpretam.

A peça conta a história de Henry, um dramaturgo dividido entre duas actrizes, Charlotte e Annie, uma peça de teatro dentro do teatro, como evidencia a primeira cena. Comédia de uma forte destreza verbal, como reconhece o tradutor e encenador, Agora a Sério fala de amor e atracção sexual, com situações que se repetem (como a cena do comboio). A peça tem um forte registo autobiográfico.

Stoppard nasceu na República Checa em 1937, indo com dois anos para Singapura, passando pela Índia em 1941 até se fixar na Inglaterra em 1946. Trabalharia como jornalista e crítico, antes de começar a escrever para rádio e televisão. Em 1966 publicou um romance. Depois experimentou a escrita para teatro, notabilizando-se nessa área.

ENSINO DO JORNALISMO

DIA E NOITE DOS MUSEUS

No Dia Internacional dos Museus, a 18 de Maio, o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS, Av. Luisa Todi, 162, Setúbal) convida as escolas, instituições e público a participar. O projecto deste ano visa, de forma lúdica e criativa, promover o conhecimento e a prática arqueológica, etnográfica, patrimonial e artística. O Dia estende-se à noite.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PASSEAR NA PRAÇA

dias, sonhei que morava nesta praça onde se passeia e conversa durante o dia e até à noite, se comem gelados e churros e os jovens se sentam no chão.

MUSEU CASA LIS, SALAMANCA

Por volta do ano de 1900, um novo movimento artístico nascia em várias cidades europeias, a arte nova: Paris, Bruxelas, Berlim e Viena. Miguel de Lis, após viagens pela Europa, encomendou ao arquitecto Joaquin de Vargas, a construção de um edifício em Salamanca, inspirado naquela corrente modernista, quase em frente ao rio Tormes. As linhas arquitectónicas do novo edifício provocaram uma larga discussão nos habitantes da cidade. Mas a beleza do interior é ainda mais entusiasmante, com galerias de vidro e ferro e decorações florais e cenas do quotidiano carregadas de simbolismo. Don Miguel pouco tempo de vida teve para usufruir da casa, pois morreu em 1909. O local entrou em decadência pouco depois, mas a autarquia de Salamanca recuperou o edifício, hoje um magnífico espaço a visitar. É aqui que entra Manuel Ramos de Andrade, coleccionador inato de arte nova e art déco que comprou as suas peças ao longo de uma vida inteira e as doou à cidade, mais tarde, e que se apresentam no museu.

GRAFFITI TUGA

domingo, 2 de maio de 2010

JOÃO CANIJO E A SUA (NOSSA) FANTASIA LUSITANA

  • A cebola pode comer-se de várias maneiras: crua, cozida, assada. A batata é a sua irmã. A batata tem um companheiro: o bacalhau.
O som off do documentário provoca a gargalhada nos espectadores do filme. Não se trata de asserção filosófica nem de ingenuidade, mas sim o reflexo da memória de um tempo em que a ruralidade se pintava com cores de harmonia e sucesso, o glorioso passado chegava para mostrar a nossa grandiosidade, os altos dignatários nacionais recebiam em cerimónia diplomática os embaixadores dos países beligerantes (Inglaterra e Alemanha). Ou da alegria triste como o testemunho de Saint-Exupéry acrescentava: os refugiados da Segunda Guerra que ele viu em Lisboa e Estoril encontravam um país quase totalmente alheio ao que se passava na Europa e envolto na construção de uma grande fantasia, que parecia fazer de Portugal distinto do resto do mundo. Os outros testemunhos (Alfred Döblin, Erika Mann) revelam ainda mais do país que acolheu esses refugiados que procuravam destino do outro lado do Atlântico. Os documentários sucessivos que João Canijo nos mostra na sua Fantasia Lusitana revelam como éramos sessenta ou setenta anos atrás e como há muito paralelismo com a actualidade.

Escreveu Vasco Câmara no Público: "quando se vê Fantasia Lusitana logo se percebe que Canijo fez sua uma proposta exterior: um olhar sobre uma «noite escura» portuguesa. Imagens de arquivo como um espelho: cai a redoma protectora do passado, as imagens estão próximas, o suficiente para interpelarem o presente. Começa por ser anedótico, mas a meio da viagem somos capazes de nos vergar perante o peso. Canijo, esse, diverte-se. Sem a ficção e sem pacto com personagens".

Diz o realizador:
  • Quando estava a escrever a nota de intenções do "Mal Nascida", saiu "Portugal, medo de existir" do José Gil. O que eu estava a tentar escrever nessa nota era aquilo, dito por alguém que passou mais anos a pensar sobre as coisas e que as sabe exprimir melhor do que eu. E antes de ler o livro já tinha como epígrafe da nota uma frase de um taxista de Lisboa que me levou a um restaurante. Disse-me que o restaurante era muito bom, que, pois claro, não há cozinha como a portuguesa, e depois, claro, que o cozido à portuguesa não há em mais nenhuma parte do mundo. Eu não lhe disse nada, mas podia dizer que o prato nacional madrileno é o cozido, há em todo o mundo, depende é dos enchidos que lá se metem. Mas o mais genial foi quando disse: "Veja lá que eles lá fora nem sequer sabem o que é um caldo Knorr". Como diz o José Gil, pior do que a ausência de forma é a arrogância de se julgar forma. É isto: uma falta de educação secular. Um problema que não está remediado, antes pelo contrário, está agravado. A massificação do ensino foi mal feita, a falta de educação é maior do que no meu tempo do liceu. Isto não é saudosismo. É que já nem as referências mitificadas os miúdos da idade do meu filho têm. E a ignorância dos professores é muito maior do que a do meu tempo (Público online).
Nas imagens do filme de Canijo, ganham relevo as ruas da baixa de Lisboa cheias de gente, as cantigas populares, a exposição de 1940 com uma linguagem asséptica das realizações monumentais, os discursos de Salazar e as multidões nas manifestações. Mas nada nos é mostrado sobre a industrialização ou as actividades comerciais e de artesãos. Apesar de os documentários da época serem muito ideológicos, conseguimos ler as forças e as fraquezas do regime - voltado para o passado, estranhando os costumes dos estrangeiros em trânsito pela cidade porque havia um fechamento nacional sobre si mesmo, com festas e cantigas que escondiam a pobreza e a ignorância que as estatísticas nos informam. Depois, durante muitos anos, as imagens que se conheciam de Portugal no estrangeiro eram as de viúvas vestidas com preto carregado o resto da vida, ruas sujas e sombrias, homens pouco barbeados, eléctricos circulando por ruas íngremes na Graça e na Mouraria, a torre de Belém.

sábado, 1 de maio de 2010

FEIRA DO LIVRO LISBOA 2010


Este ano, a Feira do Livro de Lisboa tem uma happy hour: das 22:30 às 23:30, de segunda a quinta-feira, há pavilhões de editores que vendem livros com desconto de 50% (a segunda imagem mostra José Miguel Sardica a apresentar o livro de Ricardo Gouveia O Século na crise do ultimato, editado pela Universidade Católica Editora).

TÍTULO DE NOTÍCIA

Na página 14 da edição de hoje do jornal Público, leio o título Indústrias culturais indignadas com afirmações de Mariano Gago sobre pirataria. Falta o predicado, que poderia ser o verbo estar, antes da palavra indignadas. Não vejo o sujeito no título da notícia. Claro que as indústrias culturais são actividades feitas por homens, empresas ou associações, as(os) quais podem ser sujeito de acção, mas não as actividades em si.

CONTRA A PIRATARIA DIGITAL

O MAPiNET (Movimento Cívico Anti Pirataria na Internet) teve um blogue activo entre Novembro de 2008 e Dezembro de 2009 e apresenta-se como associação com a missão de "promover a tomada de consciência dos cidadãos e organizações para a problemática da cópia ilegal de conteúdos digitais, através da Internet, e intervir pela preservação dos direitos de propriedade e exploração económica de obras compreendidas no direito de autor e nos direitos conexos, na defesa dos interesses dos seus membros e contribuindo para a valorização e reconhecimento da importância das obras culturais". Agora, afirma-se "grupo que agrega os principais representantes das indústrias culturais e dos artistas em Portugal" (Público online) e protesta contra a "declaração de Mariano Gago, em que o ministro afirma que «a pirataria tem sido desde sempre uma fonte de progresso e uma fonte de globalização»". Isto depois da associação que representa os clubes de vídeo indicar ir processar o Estado "pela sua inacção e complacência perante a pirataria na Internet" (Público online). Neste mesmo texto do jornal online, "A Associação de Comércio Audiovisual de Portugal (ACAPOR) emitiu um comunicado em que afirma que «as declarações feitas em Madrid pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, dizendo que a pirataria é 'uma fonte de progresso', são a demonstração cabal de toda a política de interesses que minam a indústria criativa»".

Se o ministro disse o que as associações afirmam, ele não esteve bem. Pena que algumas das entidades  que surgem nestas notícias não actuem de forma permanente e não criem eventos para uma maior consciencialização cívica da questão.

MARCAS CORPORAIS

Marcas que marcam. Tatuagens, body piercing e culturas juvenis é um texto de Vítor Sérgio Ferreira que corresponde a versão da tese de doutoramento que ele apresentou no ISCTE em 2006. O ponto central desta interessante investigação é o das marcas feitas/deixadas na juventude, numa mobilização radical do corpo manifestada em tatuagens e piercings aliada a valores e representações sociais. O autor fez pesquisa de terreno, procurando captar os portadores de corpos marcados (p. 21), entre 1999 e 2003. Os 15 entrevistados foram recrutados em estúdios de tatuagem e body piercing de Lisboa, com recolha de informação que durou entre três horas e meia e seis horas. Os entrevistados tinham uma trajectória identificada com grupos de estilo motard/byke, rock'a'billy, heavy metal, black metal, punk, skinhead, gótico, hardcore, straithedge, skinhead e techno (p. 26).

Prestei maior atenção a um subcapítulo, intitulado "Da contestação à celebração: éticas e pragmáticas de um estilo de vida escapatório" (pp. 211-225), onde se procura perceber que estilos e valores de vida desses indivíduos. Vítor Sérgio Ferreira indica que o modelo de corporeidade deixado nos projectos de marcação corporal correspondem a uma estética de divergência, a uma ética de dissidência e ao valor da autenticidade, como se fosse uma remoralização da vida quotidiana, por oposição, por exemplo, à família e aos progenitores. Com liberdade e quebra de padrões, reconhecimento da diferença, uma certa anarquia radical de valores misturada com direitos culturais particularistas (p. 212) e uma deriva por "rotas exóticas" de experimentação.

A perspectiva caótica ou niilista perante o futuro social, continua o sociólogo, alia-se à consciência da transitoriedade inerente à condição juvenil - e aos considerados atributos de inconformismo e irreverência. A ética da celebração é isso mesmo: hedonismo, gozar intensivamente, experimentar, ir ao limite. Os tempos de lazer convocam práticas diversas: ouvir música, consumir drogas leves e álcool dentro de uma forte solidariedade convivial fundada em redes de afinidades (p. 216). A música é, dos consumos juvenis, a mais importante linha de afectos e experiências, conforme os entrevistados de Vítor Sérgio Ferreira respondem, em termos de marcas de comunidades de gosto. Além disso, as modalidades de apropriação musical dos jovens não se esgotam em torno da escuta mas também no pólo da produção, na performance criativa em torno de projectos musicais vividos mais de modo convivial que em busca de uma profissionalização (p. 220).

A partir do mundo da música, os jovens orientam o seu universo estético, com influências dos grupos de que são fãs, e que servem para marcar o seu próprio corpo. A transição para a vida adulta e os marcadores sociais que estão associados (entrada no mercado de trabalho, autonomia habitacional, conjugalidade e parentalidade) conduzem a uma menor frequência de espaços nocturnos e ao abrandamento da vivência celebratória da vida e da dimensão exodomiciliar (p. 224). Quando regressam a esses locais, há uma evidente nostalgia dos tempos passados [o vídeo seguinte mostra o corpo de uma jovem e a história das suas tatuagens, e que já coloquei noutro local do blogue. Ver ainda o post de 24 de Abril último].

Leitura: Vítor Sérgio Ferreira (2008). Marcas que marcam. Tatuagens, body piercing e culturas juvenis. Lisboa: ICS

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O PRÉMIO DOS DEOLINDA

Os Songlines Music Awards 2010, organizados pela revista inglesa Songlines, premiaram os portugueses Deolinda, na categoria "Newcomer", com o álbum Canção ao Lado. Também na lista final de nomeados estiveram os luso-suecos Stockholm Lisboa Project (que se apresentam hoje no Montijo e amanhã em Cascais), na categoria "Cross-Cultural Collaboration", e Lura, cantora de origem cabo-verdiana mas nascida em Lisboa, na categoria "Best Artist". Mais informação aqui.

MUTAÇÕES DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS (III)

O cinema em Portugal foi, política e culturalmente, marcado pela lei 7/71, com um sistema de apoio à criação de obras. Então foi previsto o IPC (Instituto Português de Cinema), actualmente ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual). Em 1974, com a mudança de regime, houve alterações, com o Estado a assumir o papel de produtor das obras cinematográficas. Depois, na altura de Manuel Maria Carrilho como ministro da Cultura, o objectivo passava pela produção nacional anual de 20 longas-metragens. Em 2004, dava-se corpo a nova legislação no cinema, criando-se um Fundo de Investimento ao Cinema e Audiovisual (FICA), com uma taxa de financiamento a cobrir pelos canais de televisão mas também por distribuidores de cinema e de televisão por cabo, em especial o último sector referido, pois se tem tornado o centro de actividades e de lucros na cadeia de valor do audiovisual e do cinema. O FICA entrou em actividade em 2007, mas, pouco tempo depois, colocava-se o problema do financiamento, tema de críticas recentes, como nos chegam dos media.

Assim, em Portugal, há dois meios principais de financiamento do cinema: o ICA (com orçamento anual de 16 milhões de euros e voltado para o apoio artístico de projectos cinematográficos a concurso) e o FICA (com objectivos mais comerciais de apoio). Além desta área de financiamento, que procura trazer estabilidade ao sector (apesar das críticas), é importante assinalar transformações na área do audiovisual, como a existência de cursos universitários para formar criadores e a base de produção de conteúdos de ficção na televisão desenvolvida pela TVI durante o período em que José Eduardo Moniz esteve à frente daquela rede. Também a aposta em conteúdos de língua portuguesa tem sido um objectivo, e que se reflecte na empregabilidade. Um estudo recente, de Augusto Mateus, apontou para que, por 100 euros que o Estado investe, retornam 30 por via de impostos (IVA, IRS).

Dados recentes da actividade do cinema em Portugal em 2009 apontam para um preço médio de bilhete de cinema de 4,7 €, um total de 577 ecrãs de cinema, sendo 180 digitais, com 73 milhões de € em receita, 82,3% de quota de mercado repartida por três exibidores (a Lusomundo lidera nos mercados da distribuição e da exibição e tem ainda uma forte presença na televisão por cabo), com 50 obras nacionais prontas em 2009 (14 longas-metragens) e que representam (dos 15 filmes nacionais estreados) apenas 2,5% do mercado, um dos mais baixos em toda a Europa. Por resolver, e dada a rápida mutação dos ecrãs para o digital, um modelo de apoio às pequenas salas, nomeadamente fora de Lisboa (o caso do Alentejo é dramático, com Évora a não ter uma única sala de cinema, mas também no Porto, onde a quebra de ecrãs dentro de edifícios na cidade baixou muito nos anos mais recentes). Desde 2007, há um projecto em discussão. É que se, em 2009, o analógico representava 68% do mercado de salas, estima-se que o digital possa ultrapassar este ano o sistema mais antigo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

GREEN PAPER ON CULTURAL AND CREATIVE INDUSTRIES

  • Green Paper on "Unlocking the potential of cultural and creative industries": The consultation is open to individual citizens and organisations and in particular national, regional or local authorities, the European institutions and associations from the cultural and creative industries. Period of consultation: from 27.04.2010 to 30.07.2010.

    Objective of the consultation: The objective of this consultation is to gather views on various issues impacting the cultural and creative industries in Europe, from business environment to the need to open up a common European space for culture, from capacity building to skills development and promotion of European creators on the world stage. The responses to the consultation will inform the Commission and help it ensure that EU programmes and policies involving cultural and creative industries are "fit for purpose".
More information: European Commission Culture.

EXPOSIÇÃO DE DESENHO HUMORÍSTICO EM LISBOA

No dia 3 de Maio, pelas 17:30, inaugura na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho de Lisboa a exposição O Jogo da Política Moderna!, que "constitui uma excelente oportunidade para, a partir do desenho humorístico e da caricatura política e social publicada na imprensa pelos humoristas portugueses da época, mergulhar na política" da I República Portuguesa. Peças das colecções municipais, algumas até inéditas (Hemeroteca Municipal de Lisboa e Museu Rafael Bordalo Pinheiro) [informação da organização].

INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMMUNICATION

July, 12-19, 2010

Bitola, Macedonia Hosted by COMMUNIS and International Slavic Institute in Bitola, Macedonia

The International organization for research, training and development COMMUNIS is pleased to announce a five days international and multidisciplinary conference dedicated to the Language of Communication. We are welcoming broad participants, including researchers, educators, students, professors, NGO representatives and other interesting institutional representatives to present their papers, to share their research results and to discuss in all offered topics and sessions. This conference will focus the various types of communications (interpersonal, nonverbal, mass-communications, organizational etc.) between people, groups and organizations in general and the education, economy, history, politics, electronic media, arts (performing art especially) as a part of particular sciences.

The interactivity in those fields of interests enters the aspects of interdisciplinary which is generating new context and completely different observation of the problems and situations not recognizable before. Also, The Language of Communication is a kind of understanding the tendency of cross-culturality as very important and very attractive research point for the modern scientists. Topics of the conference:

1. Mass media and Political Communication
2. Gender and Communication
3. Public opinion and Communication
4. The Rhetoric of Violence
5. Media and Children Education
6. Voting in Transitional Countries (Media Approach)
7. New Media and Former Communists Countries
8. Politics, Nationalism and Media
9. Interculturality and Racism
10. Religion and Media
11. TV and Early Children Education
12. Electoral Campaign and Media
13. Film and Politics
14. Interculturalism and Domestic Politics
15. Family Communications in Eastern and Western European Countries

More information: here