Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

My Photo
Name:Rogério Santos
Location:Lisboa, Portugal

A MINHA CAMPANHA. Leiam jornais de referência em papel. Ouçam fado e hip-hop em CD. Vejam teatro. Apoiem a informação e a cultura portuguesa.



31.1.07

CINEMA NO MUNDO

Ao princípio, foi um blogue destinado a elemento de avaliação da minha disciplina Públicos e Audiências na Universidade Católica, que lhes deu, simultaneamente, muito trabalho e prazer. Agora, o blogue autonomizou-se e dedica-se a publicar informação sobre Cinema no Mundo.

À Sara Mendes, Bruna Santos, Sara Dias e Sofia Conceição os meus parabéns. Ainda bem que descobriram a importância dos blogues como ferramenta de comunicação.

Etiquetas: ,

QUEBRA DE LEITORES DE IMPRENSA


Os índices de audiência da imprensa diária generalista registaram uma quebra homóloga de 8,2% no último trimestre de 2006 (newsletter de hoje da Meios e Publicidade). A informação segue os dados fornecidos pelo Bareme Imprensa (Marktest): os hábitos de leitura da imprensa diária recuaram dos 27,9% entre Setembro e Dezembro de 2005 para os 25,6% no mesmo período do último ano, perda que resulta em menos 189 mil leitores.

Etiquetas: ,

MAIS DE DOIS MILHÕES JOGAM EM COMPUTADOR OU CONSOLA

Há, em Portugal, 2,3 milhões de pessoas que jogam em computador ou consola, diz um estudo recente da Marktest (Consumidor). Isto representa 27,7% do universo com 15 e mais anos.

Destacam-se jovens e estudantes. Dois terços dos jovens entre 15 e 17 anos fazem-no (75,4%), número que baixa para 60,3% nos jovens dos 18 aos 24 anos. Há mais homens adeptos (35,0%) que mulheres (21,0%). Apesar de menores diferenças nos vários pontos do país, é na Grande Lisboa e no Litoral Centro que o número dos que joga computador ou consola é superior à média do universo. Nas classes sociais, a alta e média alta e a alta apresentam taxas superiores à média.

Etiquetas: ,

30.1.07

O RAPAZ DOS DESENHOS NO TEATRO ABERTO

Já aqui fiz alusão à peça em cena no Teatro Aberto, O rapaz dos desenhos, de Michael Healey, em versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos. Fazem parte do elenco Rui Mendes (o rapaz dos desenhos), Luís Alberto e Pedro Granger. Até final de Fevereiro.

Etiquetas:

SÉRGIO GODINHO NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ESPINHO

Amanhã, pelas 21:30, Sérgio Godinho estará presente na Biblioteca Municipal de Espinho, para apresentação do livro Retrovisor. Uma biografia musical de Sérgio Godinho, de Nuno Galopim e lançado pela Assírio & Alvim.

António Costa falará sobre a obra.

Local: Salão Nobre da Piscina Solário Atlântico, Rua 6, em Espinho.

Etiquetas: ,

29.1.07

TEATRO EM ALMADA

Trata-se da 11ª Mostra Teatro de Almada, que vai decorrer de 2 a 28 de Fevereiro. Além do (muito) teatro, há outras actividades, como workshops, noite de poesia e documentário (sobre o teatro em Almada). Ver mais informações em www.almadadigital.pt.

Etiquetas:

EXPOSIÇÕES


Na Culturgest, até 25 de Março. A imagem de cima pertence a Bruno Pacheco (Lisboa, 1974), artista que trabalha com telas sobre óleo e sobre papel até objectos e vídeos. Já a de baixo é de Ben Callaway (Bristol, 1979), artista que usa vídeos documentais e os manipula.

Etiquetas:

28.1.07

ESTOU RIQUINHO!

Segundo o sítio Business Opportunities, o Indústrias vale quase 95 mil dólares. Não é nada mau (embora não saiba como se chega a um cálculo deste tipo).

Aceito ofertas de compra!


Etiquetas:

CINEMA

A semana passada era a dupla Woody Allen/Scarlett Johansson, esta começa a ser Leonardo diCaprio.

Scoop já vi, Diamante de sangue só o trailer. Johansson ligada ao realizador Allen, DiCaprio a Martin Scorsese; se quisermos, aquela modelada pela finura do intelectual novaiorquino e aquele pelo olhar impiedoso que retrata a violência humana.

DiCaprio, nascido em 1974, ficou conhecido mundialmente pelo filme Titanic, embora com nome já firmado antes. Diz o Observer de hoje que DiCaprio em pessoa é gentil, polido, conta piadas e olha directamente o interlocutor. No cinema, é uma força da natureza.

[capas dos suplementos "Y", "6ª", "Actual" e "Review"]


Etiquetas:

CAFÉ

O café - bebida e espaço - constitui uma das coisas mais habituais do mundo. Pelo menos para nós. Um português, onde quer que vá fora do país, tem o "vício" do café. E, regressado a casa, lembra sempre o sabor gostoso do café de máquina, "cheio", "curto", "pingado", "italiana", que se toma no café de bairro ou junto ao emprego.

Mas não só os portugueses. Bryant Simon, um investigador americano andou, durante um ano, a observar o comportamento dos consumidores de café da cadeia Starbucks. O resultado será publicado no livro Consuming Starbucks, a sair em 2008.

Uma caixa da página do Observer de hoje sobre o assunto, assinado por David Smith, dá-nos conta da cronologia do café na Europa (ou a partir de olhos londrinos, se quisermos). Assim, no ano de 1554, os cidadãos de Constantinopla abrem lojas de venda de café, chegando os grãos da bebida à Inglaterra em 1652. Na década seguinte, os cafés tornam-se um fenómeno social e, até finais do século, esses espaços são bons locais para trocar informação (Habermas diria que os cafés são locais de manifestação da opinião pública, com a leitura de jornais e discussão dos seus temas). Já por volta de 1700, os cafés entram em queda (presumo que em disputa com o chá, mas o texto é omisso).

A recuperação dá-se nos anos 30 e 40 do século passado, graças a, simultaneamente, um ambiente revolucionário e um fluxo nostálgico. Depois, instala-se a Starbuck, como se houvesse um antes e um depois. Considera Bryant Simon: se a Starbuck não introduziu o café nem o bom café, deu-lhe uma identidade.

Em Portugal, certamente, existem também identidades em algumas marcas: Brasileira, Nicola, Delta. À marca falta o estabelecimento, com identidade forte (tirando a Brasileira). Esperando historiadores e sociólogos do café e dos seus hábitos de consumo.

Etiquetas:

VIR A LISBOA EM MARCHA LENTA


Ed Gillespie, o "evangelista" das viagens lentas - que usam todos os meios de transporte excepto o avião - vai dar uma volta ao mundo em Março próximo. No topo da agenda, a poluição e o aquecimento global.




Um dos pontos importantes desta notícia do Observer de hoje (texto de Juliette Jowit) é a comparação de tempo de deslocação entre Londres e Lisboa versus poluição. De avião, demora 2:35 horas e polui 0,18 toneladas de dióxido de carbono. De comboio (Waterloo-Londres a Portsmouth, 1:32 hora), de barco (Portsmouth a Bilbau, 29:00 horas) e de comboio (Bilbau a Lisboa, o tempo que quiser, se parar em várias cidades espanholas) e polui 0,028 toneladas.

Venham, visitantes, venham a Lisboa! De marcha lenta, se quiserem. A cidade é bonita.

Etiquetas: ,

27.1.07

FEDRA

A peça de Racine, aqui traduzida por Vasco Graça Moura, conta a trágica história de Fedra (Beatriz Batarda), que se apaixona por Hipólito (Pedro Carmo), seu enteado, no momento em que Teseu (Alexandre de Sousa), marido daquela e pai deste, foi considerado morto, após uma longa viagem. Hipólito desprezou Fedra e Teseu acabaria por aparecer.



No texto incluído no desdobrável que acompanha a peça, Vasco Graça Moura fala da peça como pertencendo ao "teatro para ler", com texto em poesia, o que torna difícil a adaptação para os nossos tempos (para actores e espectadores). Isso verificou-se na fria recepção do público (a segunda salva de palmas, na representação de ontem à noite, surgiu porque as actrizes Sara Carinhas (Arícia) e Kjersti Kaasa (Isménia) apareceram no palco em tempo oportuno - nunca estivera integrado num público tão alheado.

Ouvi críticas cá fora, que considerei justas: o texto ouve-se muito mal, em especial nos primeiros diálogos. Com as personagens sempre em grande tensão, próximas da parede, e no fundo do palco, com representação muito estática, devido à história, a peça é muito "dura" e menos perceptível do que o desejável.

Uma correcção que os actores e actrizes terão de fazer se querem que a peça corra bem até 18 de Fevereiro.

Gostei do cenário. A parte da esquerda lembrou-me a pintura de Giorgio de Chirico. E, no primeiro diálogo em que entra Beatriz Batarda, o nome principal na peça, quando recebia uma raio de luz pela esquerda, lembrei-me dos pintores pré-rafaelistas. A porta ao fundo do cenário organiza adequadamente o espaço, em termos de profundidade, cor e dramatismo. Já não percebi tão bem os grafismos no chão.

Etiquetas: , ,

QUEM OUVE A RDP?

No programa desta semana Em nome do ouvinte, José Nuno Martins ouviu o director da RDP, Rui Pêgo, a propósito do balanço da rádio pública em 2006.

Sobre a Antena 1, considerou-se que, apesar da geração mais velha ser a mais fiel, o canal de rádio quer-se reposicionar para abranger um segmento mais juvenil, entre os 35 e 55 anos. O provedor e o director de antena estiveram bem nas questões e nas respostas. Igual reposicionamento está a procurar uma estação comercial, a Renascença, o que significa uma guerra de audiências entre as duas estações.

Sobre a Antena 2, houve muita informação. Primeiro, a mudança de imagem que se tem operado nos últimos tempos, com novos programas de autor e estabilização de segmentos, abandonando o estilo tradicional e implantando um discurso aligeirado e com improvisação. Isso significa uma alteração de profissionais, com a entrada de novos e de maior formação académica.

O provedor colocou questões pertinentes, escudado em emails de ouvintes: críticas ao tempo (muito) dedicado ao jazz, ao trabalho de Rafael Correia (Lugar ao Sul). Mais objectivo me pareceu a crítica a programas monográficos como Raízes, de música do mundo ou étnica, em que se passa um disco inteiro e se lê o que vem na capa do disco. O director defende a abertura às correntes contemporâneas, mas o seu discurso posterior aponta para a queda do programa Raízes (à hora de almoço). Estou de acordo com a necessidade de reformulação do programa de música do mundo, pois também me parece um modelo de difícil manutenção.

Por essa altura do programa do provedor, ouvi uma expressão surpreendente de Rui Pêgo: "Não estou contente, se não demitia-me". Não percebi o alcance da expressão, dada a possibilidade de uma leitura dupla e contraditória.

Sobre uma crítica à falta de programas de debate, Rui Pêgo lembrou os que já existem - e realçou a sua qualidade -, casos de Ana Sousa Dias, João de Almeida e Luís Caetano (Um certo olhar). Sobre este último, acho-o de uma grande inteligência, acuidade e actualidade, o que implica uma longevidade do formato e do seu realizador.

O director de programas deu uma notícia que me deixou muito contente: para o Verão, volta o teatro radiofónico. Pena que o seu realizador, Eduardo Street, já não o possa acompanhar. Pelo menos, fica a justa homenagem.

Na próxima sexta-feira, continuará o balanço de 2006 na rádio pública. E, conquanto o centro da conversa entre José Nuno Martins e Rui Pêgo seja a Antena 3, haverá igualmente destaque para a Antena 2, a propósito do programa Rittornello, de Jorge Rodrigues, envolvido em polémica nos últimos tempos.

Confesso que gostei de ouvir o director de programas e percebi melhor a importância do papel do provedor, pois há alguém que coloque, com serenidade, objectividade e conhecimento, perguntas que o ouvinte gosta de saber. Fico a aguardar a sua análise sobre o caso do programa Rittornello, dadas as altas expectativas que tenho.

Etiquetas:

26.1.07

TEXTURAS


Texturas é uma revista espanhola que pretende "gerar um espaço de análise, debate, reflexão e opinião crítica no tocante ao universo do livro e à leitura, edição e processos de criação nos seus diferentes momentos, sem esquecer os direitos de propriedade intelectual e, por conseguinte, as oportunidades, ameaças e desafios que as novas tecnologias nos estão a oferecer. Como conclusão, um panorama muito aberto para uma revista que o quer «apanhar» [na teia]".

Os editores da revista são José María Barandiarán e Manuel Ortuño. O escritório da Trama Editorial fica no Monte Esquinza 28, 28010 Madrid (sítio em breve: http://www.revistatexturas.com). Para informação geral, contactar info@revistatexturas.com; para enviar artigos e comentários redaccion@revistatexturas.com; para publicidade e assinaturas promocion@revistatexturas.com.

A Texturas vai existir em papel, com periodicidade quadrimestral (três números por ano), e também na internet, não como apenas edição electrónica, mas com uma nova versão, para ganhar cumplicidades. No número inicial, Roger Chartier escreveu sobre Librerías y libreros: historia de un oficio, desafíos del presente e José María Barandiarán sobre Edición, ¿independiente o interdependiente?, entre muitos outras colaborações. Análise de livros, importância das tecnologias na edição actual, tertúlias e comentários preenchem outros pontos da publicação.

Boa sorte a Barandiarán e Ortuño pela aventura.

Etiquetas: , ,

OBERCOM

Retrospectiva da área da comunicação: 2000 - 2005, research report do Obercom, editado com a newsletter de hoje, pretende "fornecer aos leitores um quadro quantitativo tão abrangente quanto possível da área da comunicação em Portugal, [com] dados recolhidos e tratados pelo OberCom, a partir de diversas fontes, como o INE (Instituto Nacional de Estatística), a APCT (Associação Portuguesa para o Controlo da Tiragem e Circulação) e a Marktest, e também recolha própria de elementos, desde o ano 2000 até 2005, com o objectivo de traçar uma retrospectiva do desenvolvimento dos sectores da comunicação, nas suas diferentes vertentes".

A investigação analisa os seguintes sectores: investimento publicitário, televisão hertziana, de cabo e por satélite, com perfis de públicos, cinema, vídeo, rádio, imprensa, comunicações móveis e acesso à internet.

Fica, nos quadros seguintes, a representação gráfica de públicos de televisão, um estímulo para ler o documento de Carla Martins e Gustavo Cardoso, para o Obercom.

RESPOSTA A UM COMENTÁRIO (SOBRE A VERSÃO BETA)


Já tenho uma versão do Indústrias no Wordpress há muito tempo. Mais de metade dos textos do Indústrias está lá. Contudo, esqueci quer a palavra de acesso quer o endereço do blogue. Tenho de me organizar e tomar nota de tudo num caderno azul.

ALTA DEFINIÇÃO

A fim de dar a conhecer as estratégias de aplicação em alta definição da Sony, esta multinacional realiza um workshop, no próximo dia 30, à Av. do Mediterrâneo - Ed. Sony, Parque das Nações, Lisboa, com programa abaixo detalhado. A alta definição (HD) está a alterar os processos de trabalho, da produção ao arquivo e distribuição.

A inscrição prévia é feita aqui, podendo obter mais informações através do email bpe.portugal@eu.sony.com.

Programa
11H - XDCAM
Produção e Worksflow - Caso prático cliente Sony
Caso DUVIDEO - Apresentação do workflow desde aquisição a arquivo passando pela pós produção. Impacto da introdução do meio não-linear nos processos de trabalho da produtora (Vitor Marques - Duvideo)
MOG Solutions - Apresentação de alguns casos práticos de clientes XDCAM com Soluções MOG+XDCAM (Vitor Teixeira - Mog Solutions)
15h - HDV Utilização em Produção- Preparação da câmara, HVR Z1, para rodagem.
(Testes de sensibilidade, e de latitude).
- Decisões estéticas/cromáticas, para a construção da imagem. (Influências, filtros utilizados, etc.).
- A rodagem. (Equipamentos e equipa).
Francisco J. Vidinha: Director de Fotografia. Professor na Escola Superior Artística do Porto, (E.S.A.P.). Professor no curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação, da Universidade do Porto.

VERSÃO BETA


Por minutos, pensei que a migração para a versão Beta do blogue (agora com entrada pelo Google) iria correr mal - e o blogue ficaria em silêncio infinito.

Claro que a máquina americana é cega e não reconhece os sinais ortográficos. O que significa trabalho suplementar para alterar as informações nas colunas laterais.

SE NÃO HOUVER MAIS DANOS.

25.1.07

POLIR QUALIFICAÇÕES


Pergunta a Open University (Reino Unido):

Por que quer estudar connosco?
- pela carreira?
- por interesse pessoal?
Por que tipo de curso está interessado?
- cursos de iniciação?
- cursos de curta duração em arte/ciência/tecnologia?
- licenciaturas?
- pós-graduações?

A Open University é a maior universidade da Europa, indica o desdobrável (220 mil estudantes por ano). Áreas incluidas: humanidades, gestão, computação, engenharia, direito, ambiente, saúde, matemática, ciência, ciências sociais.

Logo: publicidade inteligente.

AUDIÊNCIAS DE RÁDIO EM 2006

  • Os gostos das audiências mudam, e é o que querem as estações que melhor as conhecem (Bernard, 1998, tradução livre a partir da citação colocada no blogue NetFM, de anteontem).
Segundo a Marktest, via Diário de Notícias de hoje, baixou a audiência de rádio (audiência acumulada de véspera) no último trimestre de 2006 - de 4,9 milhões para 4,6 milhões. Mantiveram audiências Mega FM (1,6%), Antena 1 (4,9%). Subiram Rádio Comercial (de 6,3% no último trimestre de 2005 para 6,9%), Best Rock FM (de 0,9% para 1,0%), Antena 3 (de 3,4% para 3,5%) e Antena 2 (0,5% para 0,6%).

AS RÁDIOS MAIS OUVIDAS E OS FORMATOS DE PROGRAMAÇÃO

  • O documento mais importante sobre a radiodifusão em Portugal, a Lei da Rádio, mostra que, entre as dez rádios mais ouvidas em Portugal, existem cinco generalistas e cinco temáticas.

    Se no actual contexto da rádio contemporânea a existência de cinco temáticas não surpreende, espanta que, estando os fundamentos da rádio generalista em declínio, esta forma de programar se apresente tão pujante.

    Mais: essas cinco rádios estão entre as sete mais ouvidas em Portugal: RFM (1º), RR (2º), RC (3º), Antena 1 (5º) e Antena 3 (7º). No entanto, não é preciso dominar muito bem a teoria (ou a prática) da programação radiofónica para saber que:

    - Um desses canais, RFM, é uma segmentação empresarial de um outro, a RR (e isso pressupõe sempre uma escolha de público-alvo em detrimento de outros);

    - A Rádio Comercial tenta «imitar» a RFM;

    - Antena 1 e Antena 3 são segmentações de público do mesmo grupo (RDP) e que esta última é uma rádio jovem, essencialmente musical (o que pressupõe que a primeira não dispute o mesmo público, mas outro, menos jovem) [...]
Este é o começo do texto As dez rádios mais ouvidas em Portugal: os formatos nas estratégias de programação, de João Paulo Meneses [cheguei ao documento via A Rádio em Portugal, blogue de Jorge Guimarães Silva]. Aconselho a sua leitura.

INVISIBLE RED


O endereço é Invisible Red. Segundo o seu autor, Hugo Tornelo, trata-se de "um blogue que aborda temas como o Marketing de Guerrilha, os novos media, Arte contemporânea, Cultura e Arte Urbana". Bilingue (em português e inglês).

QUALQUER SEMELHANÇA COM A FICÇÃO É PURA REALIDADE


Claro que queria escrever que qualquer semelhança com a realidade é pura ficção.

Isto a propósito de uma informação que me chegou de fontes geralmente bem desinformadas, caso de Olavo Aragão (http://freelance.weblog.com.pt). A propósito de uma "jornalista" chamada "Rute Monteiro", aquele profissional revela ter novas revelações. E colocou um vídeo.

Confesso que me assaltaram dúvidas. Afinal, há três prisioneiros e não uma só. Depois, a rapariga parece-me bem vestida, maquilhada e com uma tinta tipo colacao, daquele achocolatado que as crianças gostam. Em terceiro lugar, não há qualquer vestígio de ambiente violento (bandeiras, indivíduos façanhudos com armas, gritos, legendas em árabe, imagens mal amanhadas). Será que o vídeo é verdadeiro?

No dia 19, eu fizera já referência ao "desaparecimento" da "jornalista" no Líbano. Fico à espera de mais dados dessas fontes geralmente mal informadas, LOL.

24.1.07

MEMORIAMEDIA

MEMORIAMEDIA é um sítio que "tem como objectivo fixar e divulgar por meios multimédia momentos da tradição oral Portuguesa e dos países Lusófonos". MEMORIAMEDIA "mostra também momentos vídeo de artes cénicas".

Cabacinha, Três mocinhas, Azeite e vinagre, Marido da bruxa, Genro bêbado, Perdizes e Lobo esfomeado são alguns dos contos tradicionais apresentados em vídeo.

Este projecto, de José Barbieri, que aconselho a que visitem
aqui, tem o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, do Ministério da Cultura (Delegação Regional do Alentejo), Instituto de Estudos de Literatura Tradicional e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

O projecto combina, assim, elementos tradicionais (contos alentejanos, por exemplo, de Beja, Cuba, Serpa) com multimedia.

NÃO VI O LIVRO, MAS LI O FILME

NÃO VI O LIVRO, MAS LI O FILME é o colóquio internacional organizado pelo Centro de Estudos Comparatistas (CEC), nos próximos dias 19 e 20 de Abril, dentro da linha de interdisciplinaridade desenvolvida nos colóquios do CEC, genericamente intitulados ACT (Alteridades, Cruzamentos, Transferências).


Do call for papers, encontram-se as seguintes justificações para o colóquio:

"Num momento em que, em numerosas Universidades Portuguesas, se vão integrando, cada vez com maior incidência, os Estudos de Cinema, quer numa vertente comparatista (Cinema e Literatura), quer numa dimensão mais estritamente cinematográfica, pensando o Cinema no contexto dos Estudos Artísticos ou das Ciências da Comunicação, torna-se premente repensar a importância de tais estudos, discutir denominações e historiar o trabalho já realizado. Trata-se de pôr em contacto todos os que, nas Faculdades de Letras e de Ciências Humanas, leccionam cadeiras de cinema, bem como os estudantes que elaboram (ou elaboraram) dissertações de Mestrado e de Doutoramento, na área, com o objectivo de trocar experiências e de estudar caminhos conjuntos a seguir, mantendo embora, eventuais diferenças de enfoque".

O call for papers decorre até 25 de Fevereiro de 2007 (prazo limite), devendo os mesmos ser enviados para cinemaeliteratura@fl.ul.pt, com resumo da comunicação e título (máximo 10 linhas), em formato word, e curriculum vitae (máximo 1 página) . Para além do email, os contactos são: Rita de Oliveira Correia (Centro de Estudos Comparatistas), Faculdade de Letras de Lisboa -Cidade Universitária - 1600 – 214 Lisboa, telefone 217920085 e fax 217960063. A organização pertence a Mário Jorge Torres (Universidade de Lisboa).

No colóquio, haverá duas conferências plenárias, por especialistas estrangeiros (Robert Stam, da Tisch School of Arts, New York University, e Marc Cerisuelo, da Université de Paris VII, Denis Diderot ), duas mesas-redondas com especialistas portugueses (a primeira com professores que ensinam cadeiras de Cinema em universidades portuguesas e a segunda com cineastas) e sessões com comunicações livres (mediante call for papers e selecção prévia das propostas submetidas à apreciação).

TRÊS HORAS E MEIA DE CONSUMO DIÁRIO DE TELEVISÃO


Em 2006 e em média, cada português viu 3:30:05 de televisão por dia (dados da Marktest Audimetria/MediaMonitor), menos 2 minutos e 4 segundos que o ano anterior.

Dezembro foi o mês de maior consumo de televisão e Maio o menor.

As variáveis que mais influenciam o consumo de televisão são idade e situação no lar. Os maiores consumidores são: por região, os residentes no Grande Porto, com 3:45:11; por classe social, os indivíduos da classe baixa, com 4:20:09; por sexo, as mulheres, com 3:47:48; por idade, os indivíduos com mais de 64 anos, com 4:57:25; por situação no lar, as donas de casa, com 4:10:05.

Ao invés, os jovens e os indivíduos das classes alta e média alta apresentam menores índices de audiência de televisão.



23.1.07

HISTÓRIA DO JORNALISMO NOS ANOS 60


Fernando Correia e Carla Baptista. Jornalistas: do ofício à profissão. Mudanças no jornalismo português (1956-1968) - livro da Editorial Caminho a ser lançado em Março

Hoje, decorreu mais uma sessão do II Seminário de de Cultura de Massas em Portugal no Século XX, na Universidade Nova de Lisboa, falando Carla Baptista e Fernando Correia sobre Os anos sessenta como um período de viragem no jornalismo escrito português.

Como eu previa, foi uma belíssima sessão. Trabalho já concluído e pronto a publicar em Março próximo, com o título Jornalistas: do ofício à profissão. Mudanças no jornalismo português (1956-1968), editado pela Caminho, os autores apresentaram alguns dos seus pontos essenciais.

Factores tecnológicos, históricos e dentro do próprio campo mediático foram assuntos desenvolvidos. Por exemplo, a máquina de escrever entrou na redacção do Diário Ilustrado em 1956, vulgarizando-se apenas na década posterior. Até aos anos 50, os telegramas das agências eram distribuídos por estafeta, aparecendo depois o telex, mas funcionando apenas num sentido, o da agência noticiosa para os jornais. O fax e o gravador portátil (ainda muito pesado) surgem também no período estudado. E é também nessa época que os jornalistas passam a deslocar-se de viatura para alguns serviços de exterior, aproveitando as furgonetas que faziam o trabalho de envio de jornais.

A razão das balizas históricas do trabalho a publicar explicam-se rapidamente. 1956 é o ano de arranque do Diário Ilustrado [que eu fiz uma mais que curta alusão no passado dia 10
aqui] , diário precursor de um conjunto de renovações: redacção jovem, com habilitações literárias a nível da licenciatura, novo modelo empresarial apostando no outsourcing (a impressão era feita na tipografia do jornal O Século), meios tecnológicos (máquina de escrever para todos os jornalistas), corpo de fotógrafos (Eduardo Gageiro começaria ali a sua frutuosa carreira) e arranjo gráfico cuidado e inovador. Para completar as mudanças, faltaria ao Diário Ilustrado admitir mulheres na sua redacção.

Já 1968 é o ano da mudança de primeiro-ministro, com a subida de Marcello Caetano ao poder e a esperança de alteração de regime político, que ficaria por fazer. Nos anos subsequentes - e o trabalho recente de Ana Cabrera (Marcello Caetano: poder e imprensa) ilustra isso - ocorreriam profundas alterações no campo jornalístico: lei da imprensa de 1972, mudança da tipografia de chumbo a quente para o offset no Diário de Lisboa em 1971, compra de jornais por empresas capitalistas.

A entrada da televisão (1957) e a criação do jornalismo radiofónico, enquanto nascia a concorrência entre jornais, marcam ainda a história dos jornais, caso dos de Lisboa. Fernando Correia e Carla Baptista estudaram em especial os vespertinos (Diário Ilustrado, Diário de Lisboa, Diário Popular, A Capital), jornais onde se verificariam maiores alterações. E estabeleceram uma geografia bem precisa do negócio do jornalismo, o Bairro Alto, espaço que significa convívio, debate de interesses, identidade profissional dos jornalistas. Num tempo em que os tipógrafos tinham muita força enquanto classe laborial e a censura existia de modo pesado. Aliás, os Serviços de Censura funcionavam perto (no actual Solar do Vinho do Porto), o que "facilitava" a deslocação de provas entre jornal e entidade censória. Os jornais empregavam contínuos para fazerem essas "entregas" de modo rápido. Um deles chamava-se Carlos Lopes, mais tarde conhecido mundialmente como campeão de atletismo.

22.1.07

AINDA SOBRE O WRESTLING (TEXTO MEU)

Ler igualmente Ana Filipe, em O Sesimbrense (16 de Janeiro):
  • "Batista, Cena, King Booker, Under taker… Dizer estes nomes ou falar chinês com alguns pais será quase o mesmo, mas os mais novos sabem quem são todos estes heróis das lutas “a fingir”, assim como todos os golpes do Wrestling.Basta ir a uma escola na hora do intervalo e é ver os meninos ou a tentar imitá-los, ou a jogar com os bonecos. A violência está na televisão, está nos recreios, e também nas salas de aula. A culpa não é só da televisão, é acima de tudo da educação, do que as crianças aprendem em casa e sobretudo do que não aprendem por falta de tempo dos pais".
Texto completo aqui.

JORNALISMO PORTUGUÊS NOS ANOS SESSENTA

Amanhã, dia 23, pelas 18:00, decorre mais uma sessão do II Seminário de Cultura de Massas em Portugal no Século XX, na Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna, 26 C, torre, 7º andar).

O tema é Os anos sessenta como um período de viragem no jornalismo escrito português e os autores são Carla Baptista e Fernando Correia. Os dois investigadores estão a concluir um estudo alargado sobre este tema, tendo já publicado alguns artigos.

Carla Baptista é docente na Universidade Nova de Lisboa e Fernando Correia desempenha funções como docente na Universidade Lusófona, além de chefe de redacção das revistas Vértice e Jornalismo e Jornalistas e autor de livros sobre jornalismo.

Recomendo vivamente a presença nesta sessão do seminário, pelo trabalho já desenvolvido pelos autores. A entrada é livre.

MUDANÇAS NO PÚBLICO

No Público, António Granado, até agora chefe de redacção, passa a coordenar a edição do publico.pt, em substituição de José Vítor Malheiros, que ascende à direcção do jornal. A edição on-line irá funcionar como se fosse uma editoria do jornal.

Desejo boa sorte ao António, nesta sua nova função no jornal!

PÚBLICOS DE CINEMA

Emmanuel Ethis publicou, em 2006, Sociologie du cinéma et de ses publics, livro onde considera o cinema como a prática cultural mais popular e que atravessa todas as categorias sociais.

Dividindo os públicos de cinema em três categorias - assíduos, regulares e ocasionais (p. 40) -, o autor francês regista duas localizações cinéfilas: 1) afastada, constituida pelos festivais, um tempo de encontro e de temática (filme fantástico, curtas-metragens, policial), que remete para um tipo de sociabilidade, e 2) ultra-proximidade, a do cinema em casa (com o DVD) e que remete para outro tipo de sociabilidade [nos seus textos, o Observatório de Actividades Culturais, de Maria de Lurdes Lima dos Santos, chamaria, respectivamente, prática cultura de saída e doméstica]. O cinéfilo reconhece especialmente os actores cuja carreira no ecrã coincide com o período de frequência mais intensa nas salas de cinema, entre os 18 e 35 anos (p. 109).

O capítulo mais interessante deste livro é, para mim, o que trata do cinema na cidade, em especial a sua arquitectura e sociologia de públicos (pp. 28-41). Diz Ethis que a história social do cinema é inseparável da construção, transformação e desaparecimento de salas de cinema.

Inicialmente, quando o cinema era espectáculo de feira e de saltimbancos, falava-se alto durante a projecção, mudava-se de lugar e aplaudiam-se cenas. Depois, para garantir o sucesso do novo cinema, a sala passou a ter uma arquitectura institucional - semelhante à da câmara municipal, teatro, escola, biblioteca, estádio ou, hoje, o centro comercial - e os seus responsáveis trataram de "educar" os públicos, significando códigos sociais mínimos. O neoclassicismo de alguns cinemas (fachada, interior) alargou-se a outros estilos (art deco, modernismo). É aquilo a que Emmanuel Ethis designa por cine-palácios. Estou a pensar em alguns cinemas portugueses, como o Éden e o S. Jorge em Lisboa e o Coliseu no Porto. Então, ir ao cinema representava, para os seus públicos, prestígio que se aproximava do teatro ou da ópera.

Já os anos de 1970 marcariam nova alteração. As profundas transformações urbanas, através do desenvolvimento sistemático dos arredores das grandes cidades e da chegada de novos habitantes, trouxeram também os promotores das indústrias culturais. Dentro dos centros comerciais implantar-se-iam salas multiplexes, com várias salas num só sítio oferecendo vários filmes. Em Portugal, o ano de 1985 seria marcante (adesão à então CEE, no final do ano, primeiro hipermercado Continente, centro comercial das Amoreiras, começo do alargamento do conceito de auto-estrada). Ao mesmo tempo, instalava-se a ideia de "cinema permanente", com sessões contínuas. Era um rude golpe nos cine-palácios e, também, em cinemas de bairro e em associações como os cineclubes, cujos públicos se constituiam em torno do "cinema de arte". Isto sem falar na concorrência da televisão, a partir da massificação nos anos 1970 (em Portugal, mais precisamente em 1977, há trinta anos, a novela Gabriela prendia a atenção do país inteiro).

Ethis chama a atenção para um pormenor interessante. No tempo do cine-palácio, circulava normalmente uma só cópia de um filme. Este apresentava-se em regime de exclusividade durante duas a três semanas, após o que ia para salas mais distantes do centro urbano, numa espécie de segunda exclusividade. Num terceiro tempo, as pequenas salas de bairro e das outras cidades recebiam o filme. Da exclusividade à distribuição poderia decorrer um grande período de tempo. Havia uma relação - quanto maior o sucesso do filme, mais tarde chegava às salas das pequenas salas e com a cópia muito estragada pelo número de exibições feitas.

Para acabar, destaque para a análise que Ethis faz às estrelas de cinema, as quais já ocuparam outro importante sociólogo francês, Edgar Morin. Cada geração possui um repertório de estrelas, diz Ethis (p. 83). Instrumento de base instituido pelo cinema americano desde 1910, a estrela ocupa um lugar central em muitas outras cinematografias nacionais. A estrela interessa particularmente à sociologia do cinema, dado que toca múltiplos aspectos sociais constitutivos do objecto cinematográfico.

A estrela transporta uma aura mágica, que dá a ilusão que ela chegou a uma posição determinada porque foi eleita. Deste modo, a estrela está, simultaneamente, longe do fã que a idolatra, devido ao seu estatuto, mas mais próximo deste do que qualquer outro actor. Podemos, assim, concluir que o modo de existência da estrela é um discurso estético e social, acrescenta Ethis, que nos encaminha para a compreensão do estatuto do fã. A mitologia das estrelas situa-se numa zona mista e confusa, entre crença e divertimento.

Emmanuel Ethis dirige o departamento de Ciências da Informação e da Comunicação da Universidade de Avignon

21.1.07

O TRABALHO DO PROVEDOR DO LEITOR

  • Diário de Notícias de hoje, pág. 41 (jornalista Susana Pinheiro): Acha que o provedor pode ser a ponte entre o leitor e o jornal?

    Joaquim Fidalgo: Acho que o provedor de leitor pode ser um dos elementos. Na tese comecei pelo provedor, mas a partir do provedor estudei sobretudo as questões da auto-regulação inscritas na lógica da prestação de contas que, por sua vez, se inscrevem na lógica da responsabilidade dos jornalistas que se inscreve no sentido ético dessa profissão.
Este é um excerto da entrevista feita pelo Diário de Notícias a Joaquim Fidalgo, um dos fundadores do jornal Público, onde mais tarde assumiu o cargo de provedor de leitor, agora docente na Universidade do Minho, a propósito da sua recente defesa de tese de doutoramento. A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

WRESTLING

Eu já desconfiava do aumento da violência provocado pelo novo programa de televisão sobre a modalidade de luta greco-romana à americana. Trazido pelo director de programas da SIC, Francisco Penim, para a tarde de domingo do canal generalista, medi o êxito junto de crianças e adolescentes aquando do recente "espectáculo" de wrestling no Campo Pequeno (começo deste mês), pelas imensas filas de jovens que compravam bilhete e pela enchente na área de restauração do centro comercial. Muitas crianças eram acompanhadas pelos pais, em sinal significativo de aprovação. Anteriormente, o wrestling provocara uma enchente no Pavilhão Atlântico, o que voltará a acontecer provavelmente em meados de Junho.

O jornal Público dedica quase duas páginas da edição de hoje ao tema. Imitando Batista e outros, as crianças agarram os amigos pelo pescoço e atiram-nas ao ar ou ao chão. Ou saltam em cima delas.

Há uma forte ligação entre televisão, videojogos e espectáculos - em Portugal, está já montada toda a cadeia de valor de uma indústria cultural. E com fortes influências na saúde dos seus fãs. Por verem na televisão, nos videojogos e nas performances das estrelas da luta em espectáculos ao vivo, as crianças acreditam que têm capacidade de imitar os heróis. Podendo, facilmente ir parar ao hospital, como já alertam a Associação para a promoção da Segurança Infantil e a Associação dos Consumidores dos Media, diz o artigo da jornalista Bárbara Wong.

PORTUGAL, ÂNIMO


Portugal precisa de ânimo.

O relatório "Observador Cetelem 2007" sobre consumo em doze país da Europa não traça um quadro optimista de Portugal (hoje no El Mundo, jornal de Madrid). O indicador de ânimo é mesmo um desânimo, o que significa que os discursos optimistas dos governantes embatem na descrença dos seus concidadãos.

O Reino Unido está no oposto. Em 2006, os ingleses foram os que mais viajaram e compraram electrodomésticos e viaturas, enquanto nos próximos meses 45% têm intenção de amealhar dinheiro e 54% acreditam que irão consumir mais. O fascínio pela internet é também o maior da Europa: metade pensa adquirir produtos pela internet, com 16% a comprarem alimentos por esse meio. Até 2010, o Reino Unido espera crescer 2,1% ao ano.



LAZER, CULTURA E TEMPOS LIVRES A SUL DE LISBOA


Na passada quarta-feira (17 de Janeiro), o Diário de Notícias publicou um caderno a que chamou "Especial Cidades". Retiro informações de duas dessas páginas, dedicadas a "Depois do trabalho. Lazer a sul com um pé em Lisboa", assinadas por Marina Almeida.


Primeiro, são duas páginas de bom gosto estético, com belas fotografias de Nuno Fox e Diana Quintela. Depois, os textos, curtos, identificam perspectivas diferentes (espaços culturais, grandes superfícies de consumo, projecto específico cultural) a seguir a um texto de enquadramento (sociológico e político). Terceira ideia: apesar de haver já uma oferta nos concelhos na margem sul do Tejo face a Lisboa, a população mais exigente ainda precisam de vir à capital para consumir cultura (teatro, cinema, exposições).

Quarto, e mais importante, é o nomear dos principais espaços de cultura, lazer e consumo, dentro de uma perspectiva impressionista que é a do jornalismo, orientado para informação das grandes massas. Assim, Marina Almeida realça as seguintes actividades: Ilustrarte (Barreiro), Festival Internacional de Teatro de Almada (já na 24ª edição), Festival Internacional de Percussão, Música e Dança Portugal a Rufar, Seixal Jazz (bianual) [ou será bienal?], Festival de Música Antiga dos Capuchos e Festival de Cinema de Tróia (Festróia).

No espaço dedicado à Ilustrarte (Bienal Internacional de Ilustração para a Infância), fica-se a saber que começou em 2003, da mão de dois químicos (Eduardo Filipe e Ju Godinho) e com apoio da Câmara Municipal do Barreiro, contando, actualmente, com a presença dos melhores ilustradores a nível mundial, criando "uma pequena legião de seguidores". A jornalista refere a existência de 80 associações de cultura, recreio e desporto, só no Seixal, algumas delas centenárias como a Sociedade Filarmónica União Seixalense.

Como quinto ponto do "Especial Cidades" quanto a cultura, destaque para a existência das grandes superfícies (hipermercados e centros comerciais), com atenção focada no Almada Fórum, de mais de 74 mil metros quadrados, 280 lojas e 700 mil potenciais clientes e consumidores. Aqui, a FNAC e o Continente são as lojas de maior volume de vendas. Mas há ainda espaço para o recente Rio Sul Shopping e o Freeport de Alcochete, o que significa uma mudança radical nos hábitos de consumo e permanência das populações situadas do outro lado do rio.

20.1.07

JORNALISMO CONTEMPORÂNEO

Joaquim Vieira vai lançar o livro Jornalismo contemporâneo. Os media entre a era Gutenberg e o paradigma digital, no próximo dia 5 de Fevereiro, pelas 21:00 horas, no café Nicola (Praça D. Pedro IV - Rossio, Lisboa).

Antigo director da RTP e director-adjunto do Expresso e actualmente presidente do Observatório de Imprensa, assim como autor de conhecidos e bem feitos livros-álbum sobre a história contemporânea portuguesa, Joaquim Vieira publica o resultado de curso sobre jornalismo contemporâneo realizado no Centro de História Contemporânea e Relações Internacionais (CHRIS).

A obra será apresentada por Vanda de Sousa (Universidade Independente).

ARTIGOS DE REVISTA

Na revista Ciberlegenda, da Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro, Brasil), de Dezembro último, Ana Lattanzi (UERJ) tem um artigo intitulado Blogs, Flogs, Orkut: mediações digitais de pertencimento comunitário. Do resumo, extraio o seguinte:
  • O que nos interessa, neste artigo, é evidenciar as experiências vividas pelos jovens moradores da comunidade da Candelária, no complexo de favelas da Mangueira, e a relação com o espaço de habitação, seu significado e a "força do lugar" no cotidiano vivido, face às ordenações tecnológicas contemporâneas e à compressão tempo-espaço. Para isso, faremos uma breve digressão histórica para a contextualização da gênese urbanística da comunidade da Candelária, bem como estabeleceremos uma discussão conceitual sobre lugar e comunidade. Por fim, apresentaremos uma reflexão sobre o uso de tecnologias digitais.
No mesmo número, e entre outros, Ilana Feldman (UFF) escreve sobre Reality show: um paradoxo nietzschiano (ver aqui) e Tatiana Verônica Bezerra Galvão (UFPE) sobre Hip Hop e mídia: negociando interesses e ampliando conceitos (ver aqui).

BABEL

Violência, nudez, conteúdo sexual e consumo de drogas estão entre as indicações da classificação do filme Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu. Com Brad Pitt, Cate Blanchett e Adriana Barraza em papéis principais, o filme retrata um mundo global e cruel, em que um pequeno acontecimento num sítio pode ter consequências graves noutro. Uma espingarda oferecida por um japonês que caçou com um marroquino acaba por ser usada para atirar sobre uma americana, impedindo esta de regressar aos Estados Unidos, onde a ama dos filhos vai ao México para o casamento do seu próprio filho e se vê impedida de regressar ao país onde trabalha.

Claro, a história é muito mais complexa do que isto, mas o importante é fixarmo-nos nalguns pormenores. Por um lado, a reflexão sobre o desenvolvimento das sociedades. Em Marrocos, vive-se ainda pela sobrevivência. Adolescentes guardadores de cabras experimentam os ritos de passagem: a puberdade e a manifestação das pulsões sexuais aliam-se à procura de afirmação e reconhecimento de força física inerente aos adultos que o uso correcto da espingarda poderá proporcional. E, ao mesmo tempo, o modo honrado como o guia recolheu a mulher americana ferida e o marido e recusou uma recompensa monetária traz-nos a um universo são em que os valores morais e espirituais ainda prevalecem.

O mesmo americano mostra a sua violência em país estrangeiro, pela demora em ver a sua mulher ser socorrida. Quase ao mesmo tempo, os seus pequenos filhos estão presentes em cenas de violência perpetradas por concidadãos seus a mexicanos que entram na fronteira. O imperialismo americano está presente neste contraste. Uma outra imagem de comparação que me ficou (dentro da ideia de imperialismo) é o uso da força e da violência da polícia. Um país menos desenvolvido (Marrocos) e um país desenvolvido (Estados Unidos) têm a mesma estrutura mental de polícia: perseguir, violentar, resolver rapidamente mesmo que independentemente dos danos colaterais. Mas as vítimas são os cidadãos dos países menos desenvolvidos: em casa ou na fronteira do seu país.

As histórias sobre o Japão mostram outra violência, a das palavras, das imagens e do silêncio. Talvez sejam as mais perturbadoras e, em simultâneo, as mais ternas. A sexualidade está patente de uma forma mais cruel que nas cenas entre marroquinos e entre mexicanos (nível mais perto da normalidade, se assim se pode chamar). No retrato que Alejandro González faz do Japão, nota-se uma grande decadência de costumes, em que a uma sociedade de abundância corresponde uma grande falta de afectos. A principal história no Japão também anda em torno da puberdade e do relacionamento com o Outro (sexual), com a procura de aceitação da diferença (reconhecimento, entre os rapazes, da condição de surda-muda da rapariga).

Apesar da desigualdade no olhar os vários países desta Babel - não em edifício onde os homens falam as línguas mais estranhas mas a nível planetário -, há um olhar moderno: as televisões, os helicópteros e, em especial, o belíssimo travelling do plano final, lembrando as elegantes naves do filme Guerra das Estrelas ou os filmes de Wim Wenders. E o corte som-silêncio quando a rapariga surda-muda entra numa discoteca. O silêncio num momento de grande ruído mostra o quanto diferente é o mundo interior e o mundo exterior, em que a pele do indivíduo guarda uma fronteira quase tão igual à fronteira física entre países.

A Babel é, pois, um filme sobre as diferenças e as fronteiras que se estabelecem entre os homens e dentro do indivíduo, quando o corpo humano começa a crescer dentro de si - a passagem do estado de criança para o de adulto.

19.1.07

COMENTÁRIO DO PROVEDOR DO LEITOR DO PÚBLICO E NOTA DA DIRECÇÃO DO JORNAL SOBRE O CASO DE PLÁGIO

Recebi ontem, e agradeço, o seguinte email de Rui Araújo, provedor do leitor do jornal Público, a propósito da minha mensagem colocada no passado dia 16.

  • Caro Rogério Santos,

    Permita-me contestar esta sua afirmação:

    "(...) ao publicar as trocas de email com a jornalista acusada de plágio, acho que deu passos além do razoável (coluna de anteontem)."

    FACTOS

    1- A troca de e-mails foi divulgada, inicialmente, pela jornalista (11/01/2007) e não pelo Provedor do Leitor do PÚBLICO.

    Clara Barata transmitiu essa correspondência à Direcção do PÚBLICO, Conselho de Redacção e Provedor.

    "2- A Direcção do jornal divulgou - pouco depois - esse mesmo documento da jornalista no site do jornal - http://blogs.publico.pt/provedor/ <http://blogs.publico.pt/provedor/> - antes de o provedor publicar a sua crónica."

    3- O provedor só publicou a sua crónica no dia 14...

    Acho que lhe devia esta explicação.

    Melhores cumprimentos,

    Rui Araújo

    Provedor do Leitor do PÚBLICO
Entretanto, a Direcção do jornal decidiu, ontem mesmo, emitir uma nota sobre o caso (ver blogue do Provedor do Leitor). Nele lê-se nomeadamente: "A Direcção considera que o presente caso ilustra que determinadas regras não se encontram suficientemente clarificadas ou interiorizadas, comprometendo-se perante os leitores a esclarecê-las e a fazê-las cumprir por toda a Redacção e a apurar e aplicar regras de controlo de qualidade mais apertadas".

Lê-se ainda: "Neste caso particular, a Direcção considera que a jornalista Clara Barata errou ainda ao utilizar como fonte a Wikipedia. Esta enciclopédia online, apesar da qualidade de muitas das suas entradas, não pode ser usada como fonte devido a dois factores:

- é possível a qualquer pessoa alterar o seu conteúdo e há, por essa razão, o risco de colher uma citação após uma alteração incompetente, um acto de vandalismo ou uma brincadeira de um dos seus autores.

- os autores da Wikipedia são anónimos, não sendo por isso possível avaliar a sua idoneidade, independência ou competência.

A Wikipedia pode ser usada como ferramenta de pesquisa de informação pelos jornalistas (como directório ou apontador), mas apenas porque cita outras fontes, muitas delas idóneas, que podem ser consultadas directamente".

Sobre o provedor, "A Direcção não se pronuncia por princípio sobre a actuação do Provedor em exercício. A Direcção sempre considerou e continua a considerar que esta posição é a única que permite um livre exercício da magistratura do Provedor e considera essa liberdade de acção essencial à independência de que se deve revestir o seu trabalho".

Sobre a jornalista: "A Direcção discutiu o levantamento de um processo disciplinar à jornalista Clara Barata e decidiu não o fazer".

Como procedimento futuro, "Nos próximos dias serão dados a conhecer e submetidos a discussão da Redacção, e dos seus representantes no Conselho de Redacção, princípios e procedimentos mais claros nestes domínios. Esses princípios e procedimentos, uma vez adoptados, passarão a ser considerados parte integrante do Livro de Estilo do PÚBLICO".

DESAPARECIMENTO

: ) : ) : )

Freelance é um blogue de jornalismo independente dirigido por Olavo Aragão (olavo.aragao@hotmail.com). Na sua edição de hoje, Olavo Aragão dá conta do desaparecimento de uma jornalista portuguesa no Líbano.

Trata-se de Rute Monteiro, residindo há alguns anos no Brasil (no estado de Mato Grosso do Sul) e sequestrada no Líbano em Outubro do ano passado.

Escreve o blogueiro-jornalista: «Junto com a declaração dos sequestradores, várias fontes referiram aexistência de uma fita de vídeo mostrando a jornalista portuguesa com outros dois jornalistas italianos e afirmava ainda que