Blogue dedicado a pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

30.4.09

JORNALISMO CULTURAL EM CONGRESSO EM S. PAULO

De 4 a 8 de Maio, decorrerá, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), o I Congresso de Jornalismo Cultural (ver minha mensagem de 22 de Janeiro último).

O Congresso vai reunir académicos e jornalistas de renome e que irão reflectir e debater o pensamento contemporâneo, as várias identidades culturais e o caminho percorrido pelo jornalismo cultural no Brasil.

A abertura, em 4 de Maio, conta com a presença do ministro interino do Ministério da Cultura do Brasil, Alfredo Manevy. Também no dia 4, o diretor do jornal El Pais, escritor e jornalista Juan Cruz Ruiz, falará sobre o jornalismo cultural na Europa.

Mais informações sobre o congresso, aqui.

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS: JORNALISMO, OBJECTIVIDADE E VERDADE


Ontem, na Universidade Católica, no ciclo de conferências O Choque das Comunicações (notícia publicada no Jornal de Notícias de hoje).

ARTE & MERCADORIA

Seminário pensamento crítico "a economia para além da economia" no próximo dia 4 de Maio:
18:00 - O autor enquanto produtor, mesa-redonda acerca de um texto de Walter Benjamin. Com António Guerreiro, Francisco Frazão, Pedro Boléo e Marco Martins
19:30 - Conversa com Maurizio Lazzarato acerca de cultura, trabalho, liberalismo, subjectividade.

Ver mais em Unipop.

CARLA BAPTISTA NA HEMEROTECA MUNICIPAL

O CONTEXTO DA IMPRENSA PORTUGUESA DURANTE O MARCELISMO

Hoje, dia 30 de Abril, pelas 18:00, na Hemeroteca, na rua São Pedro de Alcântara, 3, em Lisboa. Carla Baptista é docente na Universidade Nova de Lisboa.

29.4.09

CONTEÚDO DOS MEDIA


The Content of media. Quality, profit and competition é o título do livro mais recente de Alfonso Sánchez-Tabernero, editado pela MediaXXI.

Conforme escreve Alan Albarran no prefácio, o livro de Sánchez-Tabernero procura explicar o que está mal nas indústrias dos media e porque a qualidade dos conteúdos tende a baixar e há necessidade de mais regulação. O autor, docente da Universidade de Navarra, tem estudado a gestão das empresas de media, a liderança, os conteúdos dos media e o tema da qualidade no sector do audiovisual. O livro assenta em três hipóteses: 1) a qualidade do audiovisual tem baixado ao longo das décadas, 2) a procura púbica não tem impedido esse declínio, pelo contrário, o público não mostra preocupações com essa perda de qualidade, 3) a vulgaridade nos conteúdos é um risco para o produtor de conteúdos. Se essas hipóteses são verdadeiras, isso deve-se à falta de concorrência na produção de conteúdo de qualidade, falta de talento dos que fazem os conteúdos, falta de profissionalismo por parte dos gestores e directores das empresas de media. Como forma de ultrapassar estas debilidades, Sánchez-Tabernero entende haver uma oportunidade para experimentar novas formas de gestão.

INDÚSTRIAS CULTURAIS E CULTURAS MINORITÁRIAS DOS PAÍSES IBERO-AMERICANOS

No passado dia 22, os ministros ibero-americanos de Cultura deram um novo impulso à difusão dos idiomas castelhano e português na internet e no mundo da ciência e da tecnologia. Em conferência realizada em Lisboa, os 20 países presentes aprovaram uma declaração onde se defendem as culturas minoritárias da região. Enrique Iglesias, secretário-geral Ibero-americano, indicou que os ministros estão de acordo em que "seria um erro que os países sacrificassem uma fonte de riqueza como são os investimentos nas indústrias culturais" e ressaltou que a cultura não é parte do problema da crise económica "mas pode ser parte da solução" (fonte: Globo.com do dia 22 último).

DESCARREGAMENTOS ILEGAIS NA INTERNET

O presidente da administração da Sociedad General de Autores y Editores (SGAE, Espanha), Eduardo Bautista, entende que as empresas telefónicas devem pagar parte dos direitos de autor pelos descarregamentos feitos pelos internautas piratas, no que chamou de "tarifa inteligente" (Diario de Sevilla, de ontem).

INDÚSTRIAS CRIATIVAS NO PORTO

As indústrias criativas da Região Norte vão ter um financiamento de €40 milhões, revelou anteontem o presidente da Comissão de Coordenação da Direcção Regional Norte, no encerramento da conferência As indústrias criativas na Região Norte, na Fundação de Serralves (notícia de ontem do Jornal de Notícias).

PREJUÍZOS - I

Os proprietários do jornal The Independent procuram investidores interessados na compra do título ou que assumam uma posição de controlo do jornal britânico. Os prejuízos são elevados: cerca de 1,4 mil milhões de euros (fonte: Meios & Publicidade).

PREJUÍZOS - II

A Impresa apresentou, no primeiro trimestre de 2009, prejuízos de 6 milhões de euros, de acordo com o relatório e contas ontem divulgado (fonte: Meios & Publicidade).

RECEITAS

Cinco mil euros foram os lucros na Media Capital no primeiro trimestre, valor que representa uma descida acentuada face aos 4 milhões registados em período homólogo, segundo o relatório e contas anteontem divulgado (fonte: Meios & Publicidade).

Autocarro londrino estacionou em Barcelona

Eis o título de notícia referente ao jogo (e resultado) de futebol entre o Barcelona e o Chelsea (Público). Criativo, sim. Estranho, igualmente.

28.4.09

JOÃO LOPES E O ARGUMENTO NO CINEMA

Hoje, João Lopes, professor, argumentista e jornalista (Diário de Notícias), falou sobre o seu trabalho ao lado do realizador Fernando Lopes. Ao fim da tarde, na Católica, em ciclo de conferências sobre cinema, organizado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC).

“ÍMAN” REPRESENTA PORTUGAL NA 4ª EDIÇÃO DO RAMALLAH CONTEMPORARY DANCE FESTIVAL

O espectáculo de dança Íman, criado no âmbito do projecto nu kre bai na bu onda, considerado pela crítica como o melhor espectáculo de 2008, representa Portugal na 4ª edição do Ramallah Contemporary Dance Festival.



O festival vai de 21 de Abril a 10 de Maio em Ramallah e noutras cinco cidades da Palestina, assim como Jerusalém, Belém, Haifa, Nazaré e Nablus. A apresentação de Íman está programada para o dia 1 de Maio, às 19:30, no Al-Kasaba Theatre & Cinematheque, em Ramallah, e para o dia 3, à mesma hora, no Palestinian National Theatre, em Jerusalém.

[créditos - texto: alkantara@alkantara.pt; imagem: Ana Borralho]

FIM DE TARDE NO PALÁCIO BEAU SÉJOUR (LISBOA)

Diz a organização:

  • Como se estivéssemos no palácio de Don Fabrizio, em Palermo, na Sicília, Itália. Será um fim de tarde diferente, entre leituras do livro, interpretação histórica e visionamento de cenas do filme de Luchino Visconti. Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a sessão terá lugar às 18:00 no Salão Dourado do Palácio do Beau Séjour (Gabinete de Estudos Olisiponenses). Fica na Estrada de Benfica, 368, em Lisboa.
Será servido um lanche de chá com scones. Estacionamento disponível nos jardins do palácio. Inscrição: €12,50. Como colocar a sua inscrição? Leia nas condições.

MUSEU DO DESIGN E DA MODA

Inaugura no dia 21 de Maio.

COMO ENCARAR A DERIVA DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS PARA AS INDÚSTRIAS CRIATIVAS?

Mesa redonda a 21 de Maio, às 15:00, organizada por O Museu Imaginário.

O painel pretende discutir as indústriais culturais e as indústrias criativas sob o ponto de vista das artes, arquitectura e design, debatendo os conceitos de cultura e criatividade, arte e artista, economia e tecnologia e procurando avaliar desafios e consequências que a preponderância crescente das indústrias criativas coloca às diferentes práticas artísticas. Qual o papel e as (novas) responsabilidades das artes, arquitectura e design neste novo quadro? Como pode cada sector ser um efectivo motor para uma nova economia do século XXI, produzir riqueza económica e contribuir para o desenvolvimento sustentado, mantendo-se simultaneamente como um campo de experimentação e reflexão crítica independente?

Com Tiago Bartolomeu Costa (revista Obscena, Lisboa), Pedro Gadanho (arquitecto, docente universitário e curador, Lisboa) e Rosina Gomez Baeza (directora do LABoral_Centro de Arte y Creación Industrial, Gijón, Espanha).

Sobre esta e outras mesas redondas de O Museu Imaginário (Rua Tenente Raul Cascais, 1B, Lisboa) darei mais informações nos próximos dias.

ESCRITA PARA GUIÕES

Os guionistas Rui Vilhena e Joana Jorge organizam um workshop de escrita destinado a guionistas profissionais e potenciais guionistas e dedicado aos formatos que as produtoras estão disponíveis a adquirir actualmente: séries de televisão de baixo custo, com poucos actores e poucos décors. A formação vai decorrer na Casa do Artista (Lisboa), nos dias 23 e 24 de Maio (sábado e domingo).

O ambiente de formação é o da escrita de série de ficção para televisão, com timings reais e equipa formada onde cada aluno tem responsabilidades (elaboração da grelha, escrita das cenas, revisão de texto). Como se vai do storyline ao primeiro episódio de uma série? Que etapas se atravessam? O que é uma grelha de um episódio? Como dividi-la? Que objectivos deve cumprir um primeiro episódio de uma série?

Os dois guionistas assinaram novelas como Ninguém como Tu, Tempo de Viver, Equador, Olhos nos Olhos (Rui Vilhena) e o remake da novela Vila Faia (Joana Jorge, também envolvida nas equipas criativas de Tempo de Viver e Olhos nos Olhos).

Mais informações: Célia Caeiro.

27.4.09

INTERNET E PROIBIÇÃO DE DESCARREGAMENTOS ILEGAIS

  • O debate sobre downloads ilegais é tão antigo quanto a Internet, pelo menos desde que há largura de banda suficiente para deixar passar música e filmes. Mas nenhuma proposta tinha ido tão longe como a que será discutida quarta-feira no Parlamento francês. Propõe-se que, depois de dois avisos, os cibernautas que descarregam música sem pagar fiquem impedidos de aceder à Internet (Isabel Gorjão Santos, Público, 27 de Abril de 2009).

FESTIVAL GRANDE ANGULAR


As inscrições para o Grande Angular - Festival de Jornalismo Televisivo, que distingue trabalhos de Grande Reportagem e Documentário, foram alargados até 15 de Maio. O Festival decorre em 20 e 21 de Junho no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, premiando trabalhos apresentados nas categorias de Melhor Grande Reportagem, Melhor Documentário, Melhor Produção, Melhor Realização, Melhor Imagem, Melhor Edição, Melhor Captação de Áudio, Melhor Sonorização, Melhor Texto e Melhor Narração.

Mais informações aqui.

EXPOSIÇÃO DE JORNAIS, VESTIDOS, LOGÓTIPOS


Estudos de logótipos, jornais, revistas, maquete e vestidos compõem os mais de 340 objectos em exposição, de 6 de Maio a 2 de Agosto, no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), além de esculturas e pinturas de Amilcar de Castro e Willys de Castro, sob curadoria de Lorenzo Mammì.

O IAC fica no Centro Universitário Maria Antonia - Edifício Joaquim Nabuco, na Rua Maria Antonia, 258, em São Paulo. Ler mais em Canal Aberto.

MEDIA - DOS CONTEÚDOS AOS CONTENTORES

Habermas, no seu livro sobre espaço público, apresenta a esfera pública saudável como aquela que tem meios de comunicação de pequena dimensão e não motivados comercialmente. Se quisermos, a comercialização é o resultado do interesse económico próprio mais que o interesse colectivo. Se os media exigem grandes investimentos em capital e organizações grandes e poderosas, a força suplanta a igualdade e a razão. Daí, Habermas se referir à refeudalização da esfera pública (Richard Butsch, 2007, Media and Public Spheres, p. 4).

Será que os novos media, muitos deles de pequena dimensão (sítios, blogues, música e vídeo no MySpace e no YouTube respectivamente), satisfazem as características ideais de cidadania e espaço público habermasiano? Ou esta liberdade criativa e sem censura é limitada pela propriedade do contetor? É que na internet se distinguem claramente os conteúdos e os contentores, as empresas que alojam os conteúdos.

INDÚSTRIAS CULTURAIS NO PARLAMENTO EUROPEU (2008)

  • 2. Salienta que, no quadro da "economia pós-industrial" actual, a competitividade da União também deverá ser reforçada pelos domínios da cultura e da criatividade; neste contexto, convida a Comissão e os Estados-Membros a conferirem prioridade às políticas que se centrem não apenas na inovação comercial mas também na inovação em acções culturais e na economia criativa;
    3. Nota que as indústrias da cultura são entidades fundamentais na prestação de serviços de valor acrescentado, constituindo a base de uma economia do conhecimento dinâmica, motivo por que devem serem reconhecidas pelo seu importante contributo para a competitividade da União Europeia;
    4. Considera que as indústrias culturais, que são uma importante fonte de criação de emprego na União Europeia, precisam de tirar partido, em especial, do talento criativo; exorta, por conseguinte, os Estados-Membros a incentivarem a criação de modalidades novas e inovadoras de formação contínua, capazes de promover a emergência do talento criativo.
Parcela da Resolução do Parlamento Europeu, de 10 de Abril de 2008, sobre as indústrias culturais na Europa (2007/2153(INI)) [texto completo aqui]

26.4.09

PAIXÕES DA ALMA

É o tema da 4ª edição dos Dias da Música (Centro Cultural de Belém, CCB) para 2010, a partir da ideia do livro de René Descartes, com seis fios condutores: admiração, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza. Em 2010, a principal orquestra será a Orquestra Sinfónica Metropolitana de Lisboa (que reune a Orquestra Metropolitana de Lisboa e a Orquestra Académica), com 80 a 100 músicos.

A ocupação dos concertos da 3ª edição, na recta final neste final de domingo, foi de 89,23%, valor superior ao dos anos anteriores, o que ilustra o reconhecimento do trabalho de Mega Ferreira e a sua equipa, após algum afastamento quando se mudou o formato. A 3ª edição custou 700 mil euros, com 300 mil vindos de patrocinadores, 200 mil da venda dos bilhetes e 200 mil do orçamento do próprio CCB. Além dos concertos, registou-se uma novidade este fim-de-semana: as oficinas de música e dança, que trouxeram muitas crianças. Por exemplo, ontem à tarde, era visível a alegria das crianças no jardim das Oliveiras, junto ao edifício onde decorreram os concertos.

[informações recolhidas através da audição da Antena 2]

ANA PANKRATOFF

Hanna te mord é uma das músicas do primeiro álbum de Ana Pankratoff, bailarina e cantora francesa de ascendência russa, em vídeo realizado por Grégoire Erchoff e com os bailarinos Stéphanie Chatton, Julien Desplantez, Gaelle Mangin e Sodadeth San. Tori Amos, Gainsbourg, Ryuichi Sakamoto, David Sylvian e Erykah Badu são algumas das inspirações musicais da cantora e compositora.



Dela, mais vídeos aqui e músicas aqui.

NOVAS TENDÊNCIAS NO JORNALISMO: CULTURA & ECONOMIA

Dos newspapers aos news-sites, encontro-pequeno almoço, no dia 7 de Maio, às 10:00, na Avenida da Liberdade, 180 B, em Lisboa. Lê-se na informação enviada pela organização:

  • O Jornalismo Cultural é uma profissão jornalística que relaciona factos relacionados com a Cultura, relatando diversas manifestações nas áreas da artes visuais, música, cinema, teatro, televisão, literatura, etc. Reflectem ainda sobre os movimentos culturais, aspectos históricos e políticas culturais relacionando-as, contextualizando-as e interpretando-as.

    A globalização, aliada ao desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação, veio relançar o protagonismo da comunicação social e o seu efeito de sentido, podendo intervir positivamente na (re)formulação da vida quotidiana, contribuindo para o esclarecimento dos leitores e dos espectadores sobre as grandes mudanças que ocorrem tanto a nível local, nacional como internacional. Por esse motivo, é premente convocar aqueles que se debruçam sobre estes temas desafiando um leque restrito de profissionais da comunicação social para reflectirem connosco o novo paradigma das Indústrias Criativas [Arquitectura, Mercado, Artes Visuais & Antiguidades, Audiovisuais, Televisão & Rádio, Artes Performativas & Entretenimento, Cinema & Vídeo, Design, Escrita & Publicação, Moda, Música, Software Educacional & Lazer, Publicidade, Gastronomia] que queremos implementar, adaptando-o à realidade portuguesa em geral e, em particular, à Área Metropolitana de Lisboa (zona de influência deste projecto), tentando incentivar um debate tão alargado quanto possível nos órgãos de comunicação, para que seja possível contribuir para dar uma resposta às seguintes questões:

    1. Pode a Área Metropolitana de Lisboa aspirar a ser uma plataforma de acolhimento para Novos Talentos e Projectos Inovadores? Quais os mecanismos de desenvolvimento que lhe devem estar associados, nomeadamente ao nível da Revitalização Urbana e ao uso das Novas Tecnologias ?

    2. Qual a diferença entre Indústrias Culturais e Indústrias Criativas?

    3. Como entendem ser possível compatibilizar a liberdade de criação artística (arte pela arte) com a "pertinência comercial" exigível aos conteúdos culturais na era das TIC’s?

    4. Como interagir entre os conceitos de Arte, Tecnologia e Empreendedorismo?
Interlocutores: André Dourado, Michael da Costa Babb, e Luís Serpa.

25.4.09

35 ANOS ATRÁS

Há 35 anos, o alferes A. era o oficial de dia num quartel do norte de um país africano colonizado por Portugal. Chegara há pouco tempo ao local. Quando lhe telefonaram a indicar a existência de um golpe de estado em Portugal, ele receou o pior. Os media locais demoraram a informar dos acontecimentos em Lisboa e no resto do país. Nos três meses seguintes, as tropas de A. sofreram mais ataques e emboscadas do que antes de Abril de 1974. Depois, quando portugueses e nacionalistas começaram a falar em independência do país africano, as lutas cessaram. O alferes A. quase que poderia jogar às cartas com oficiais do movimento armado do país africano. Quando ele regressou a casa, encontrou um país com liberdade e já profundamente envolvido num novo ciclo de vida política.


Pelo perfil da mulher, que usa dois colares de contas e um vestido com flores em fundo branco, não se consegue saber mais do que um rosto sério e atento, mas escapa-nos a razão do olhar. O autor da imagem a preto e branco, que poderia dar um razoável retrato etnográfico, deve ter usado uma lente com pequena profundidade de campo. Fora de campo, parece haver árvores; à esquerda, ergue-se um artefacto de que não se compreende o significado por falta de elementos; as silhuetas por detrás da mulher indicam vegetação com algum porte, o que denota uma paisagem da savana africana. Que história pessoal transportava a mulher? Como viveu o fim da colonização portuguesa? Quando acabou a festa de então? Que novos problemas e alegrias?

24.4.09

MUSEUS

Para 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, o tema proposto pelo ICOM é Museus e Turismo. Este é exactamente o tema das VII Jornadas do ICOM-Portugal, a realizar em 27 e 28 de Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Ver mais informação em ICOM Portugal.

TELEVISÃO ESPANHOLA

O governo espanhol prepara uma medida para retirar a publicidade da televisão pública na totalidade. A TVE previa obter €455 milhões em 2009 nesta rubrica. Em contrapartida, espera-se que as estações privadas (Antena 3, Cuatro, Telecinco e La Sexta) invistam 5% dos seus lucros no cinema espanhol e em séries de televisão. A legislação a aprovar indica também que as empresas de telecomunicações (como a Telefonica) vão aplicar 0,9% dos seus investimentos em serviços audiovisuais. A semana passada o primeiro ministro Jose Luis Rodriguez Zapatero anunciara um corte drástico nas ajudas à televisão estatal, embora sem detalhes.

UMA COLABORAÇÃO DO PÚBLICO

Laurinda Alves escreveu a última coluna no jornal Público de hoje. Ela conta a razão: contenção de custos do jornal levam este a prescindir da sua colaboração semanal. Recordo que acontecera o mesmo com a revista que ela dirigira, a Xis, anteriormente editada com o jornal Correio da Manhã. Curiosamente, escreve ela, isto acontece na mesma semana em que lançou um livro com textos saídos no Público e no blogue que mantém, plataforma onde agora colocará exclusivamente novos escritos.

O comentário aqui no blogue é apenas constatar a perda que a colunista provoca ao sair do jornal. A opinião é, segundo o meu olhar, cada vez mais essencial, pois os colaboradores são escolhidos por reflectirem pontos de vista diferentes. Os jornais já não dão notícias (novas), pois a impressão do papel acarreta muitas horas separadas da ocorrência que narram. O centro dos jornais é crescentemente a reflexão e as perspectivas dadas por esses colaboradores externos à redacção. Uma saída de colunista é, assim, uma perda dupla.

CÓPIAS ILEGAIS NA INTERNET

No próximo dia 27 de Abril, às 11:50, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Meglena Kuneva, Comissária Europeia do Consumo, vai receber o MAPiNET (Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet). Em causa estarão questões que se prendem com cópias ilegais de conteúdos digitais através da internet.

ECOS DA BIENAL DE SÃO PAULO

162 mil visitantes em 37 dias de exposição na 28ª Bienal de São Paulo foi um grande sucesso, escrevem os organizadores:

  • A nossa [bienal] é uma bienal histórica: condicionada a trajetória das Exposições Universais do Século XIX e início do Século XX, da imigração desse evento espetacular da Europa às Américas.
    A nossa bienal é um caso singular: uma transposição do modelo original de bienal (Bienal de Veneza/final de século XIX) realizado por Ceccilio Matarazzo meio século depois na cidade de São Paulo, uma cidade mercantil em perpétua transformação vivenciando uma ascensão e crescimento exponencial, mas, naquele momento, ainda na periferia do capitalismo. Por curiosidade cabe dizer que no caso Norte Americano, fenômeno que desperta interesse semelhante foi o de uma transmutação: a criação de um novo modelo de museu: o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque em 1939.
Para continuar a ler, clicar aqui.

23.4.09

CONVERGÊNCIA NOS MEDIA

Hoje, o jornalista António Granado (Público) deu uma conferência sobre convergência, que dividiu em quatro pontos. Quanto ao primeiro, identificou a convergência entre empresas, como a fusão de grandes conglomerados de media. Exemplos: aquisição de papel quando há vários jornais num grupo; deslocação de um só enviado a um acontecimento fora do país com peças escritas para os vários media do grupo. Mas há igualmente desvantagens, como mais permeabilidade a pressões externas, como a retirada de publicidade ou a menor independência dos jornalistas.

O segundo ponto é o da convergência entre media, com integração de redacções (breaking news e online versus redacção do jornal em papel). Exemplos: se os editores de economia e de política, ou de outras áreas, passarem a empregar jornalistas da redacção online para fazerem simultaneamente os trabalhos para o jornal online e o jornal em papel, esvaziam a estrutura da redacção online; o fotógrafo pode desempenhar também o papel de operador de vídeo. Mas há ainda muitos exemplos de redacções dos media em papel e online separadas.

O terceiro ponto é o da convergência de dispositivos, como o telemóvel e a internet. As notícias surgem primeiro nesses dispositivos, enquanto os jornais perdem leitores e e a rádio igualmente ouvintes ou fragmenta-se; mesmo a televisão já não alcança a faixa etária dos 18-30 anos. Os media clássicos podem dar notícias mais desenvolvidas e com outras perspectivas. Os exemplos dos cadernos "P2" e "Ípsilon" do Público em papel foram apresentados como boas opções.

O último ponto é o da convergência entre produtores e consumidores, estes últimos conhecidos como as pessoas anteriormente conhecidas como audiência. A facilidade no acesso a ferramentas de internet e a participação cívica permitem esse esbatimento entre quem faz e quem recebe. Um dos momentos históricos foi a criação da Blogger em Agosto de 1999 (em breve comemora-se uma década de existência dos blogues). Seguiram-se o jornalismo participativo, o jornal OhmyNews, a participação de blogueiros nas convenções partidárias americanas em 2004, o livro Nós os Media de Dan Gillmor.

Mas António Granado chamou também a atenção para os mitos provocados pela convergência. O primeiro é o da redução da dimensão das redacções. Se um gestor fala em convergência, esta é uma forma de cortar custos. Ora, uma redacção habituada a fazer um produto (jornal em papel) que se vê compelida a fazer mais (papel, online, vídeo, podcast), isso significa mais trabalho ou perda de qualidade. Se a redacção se reduz, os resultados não serão bons. O segundo mito é o das redacções estarem cheias de pessoas com grande criatividade que podem adquirir novas especializações. Ora, andar com uma mochila cheia de dispositivos para escrever, registar em som e imagem, fotografar ou fazer vídeo, é excessivo para um jornalista. O profissional multi-tarefas e multi-especialidades pode querer dizer que a qualidade do trabalho nunca passa de mediana.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA EM CASTELO BRANCO


Os 15 anos do Primavera Musical, Festival Internacional de Música de Castelo Branco, comemoram os 200 anos da morte e nascimento de, respectivamente, J. Haydn e F. Mendelsohn, com dois concertos: Voces Caelestes e Ana Mafalda Castro; Quatuor Psophos. Presentes também Largos Horizontes com os Drumming-Grupo de Percussão, com Estou-me(a) Marimbar, e o guitarrista de jazz, Martin Taylor, a solo. Igualmente presentes o duo Naoko Nebl (harmónica) e Andreas Nebl (acordeão) e os vencedores do FOLEFEST 2009, o Trio Accordarchi. O programa contará ainda com a pianista portuguesa Luísa Tender e a Orquestra Sinfónica da ESART, dirigida por Rui Massena, e os solistas Carlos Guilherme e Ana Ester Neves, numa Gala de Ópera realizada no largo da Devesa. De 6 de Maio a 6 de Junho. Para saber mais, ver o blogue Primavera Musical.

22.4.09

SEXTO E SÉTIMO ANÚNCIOS DO PÚBLICO

Não tenho a certeza se são os sexto e sétimo anúncios da actual campanha do jornal Público, editados anteontem e ontem, ou se foram entretanto publicados outros. A última referência à campanha ocorreu no passado dia 9, aqui.


Um anúncio, com um homem dentro de fato de astronauta, destaca as secções do jornal: internacional, nacional, local. Outro anúncio, com a imagem de outro homem jovem de gravata levemente desapertada e mangas arregaçadas e com uma máquina (telemóvel?) na mão, aponta para a economia, uma das principais secções do jornal.

As cores são esbatidas, as imagens têm falta de definição, as fotografias são tiradas de baixo para cima, tornando mais imponentes os indivíduos, significando autoridade, responsabilidade, convicção. O Público Sou Eu, diz a assinatura da mensagem, o que corrobora a atitude dos fotografados.

Numa das mensagens, escrevi "a quem se destina realmente a campanha? Aos leitores do jornal em papel? Aos leitores mais jovens"? Sim, parece-me ser essa a resposta: campanha dirigida aos leitores masculinos jovens do jornal. Mas esses já não estão na internet? Fico com dúvidas.

NOVA PEÇA NO TEATRO ABERTO


O Deus da Matança, de Yasmina Reza com encenação de João Lourenço, estreia em breve na Sala Azul do Teatro Aberto. Filipe Duarte, Joana Seixas, Nuria Mencía e Paulo Pires serão os quatro actores a ver na peça.

Dois rapazes andaram à pancada e um deles partiu um dente ao outro. Os pais encontram-se para falar com calma sobre o incidente e as consequências que ele terá para os dois rapazes. Na peça, Yasmina Reza, autora francesa, analisa o universo da família com mistura de humor e crítica social.

JAZZ NA RÁDIO


No próximo sábado, dia 25 de Abril, das 20:00 às 24:00, a Rádio Europa Lisboa (90,4 Mhz) assinala a data em que Ella Fitzgerald faria 92 anos, no programa As Vozes do Jazz. O tema de abertura da emissão será Let’s Begin, criação de Jerome Kern e Otto Harbach. Edição de Ricardo Belo de Morais.

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Congresso em auditório

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Aplausos em concerto

O CINEMA SEGUNDO JOÃO MARIA MENDES


Culturas Narrativas Dominantes. O Caso do Cinema é o novo livro de João Maria Mendes, em edição da Universidade Autónoma de Lisboa, escola onde o autor ensina. O texto segue-se à obra monumental publicada em 2001 pela MinervaCoimbra, Por Quê Tantas Histórias - o Lugar do Ficcional na Aventura Humana, que versa igualmente o cinema.

Mendes vê uma dupla face no cinema: produtor massivo de conteúdos para as indústrias culturais, actividade de arte e ensaio; paradigma desconstrutivo europeu e paradigma reconstrutivo californiano; cultura narrativa dominada e cultura narrativa dominante; organização da intriga e do enredo ou plot e forma de argumento ou script. Mas dedica maior atenção ao cinema narrativo, à sua auto-reflexividade e à rede de relações com outras technês artísticas como a literatura e o teatro. Parte da distinção platónica da diegesis e da mimesis e (quase que) chega a Mikhail Bakhtin, que nas décadas de 1930 e 1940 estudou a novela e sustentou a sua polifonia e cacofonia, com diversos registos discursivos e montagem de vozes, e que se pode aplicar ao cinema.

O livro está dividido em oito partes e estruturado em 79 textos, dando uma ideia de fragmento, de aleatório, de desconstrução. Cinema "europeu" e "americano" (as aspas significam uma certa apropriação de territórios pelo autor), referências constantes aos textos clássicos dos gregos (literatura, filosofia, arte), revolução dos modernos e dos contemporâneos (vanguardas, hipertexto, intermedialidade), estudos de caso (os filmes Matrix, por exemplo) e cinema de arte e de autor são alguns dos pontos específicos deste trabalho de João Maria Mendes.

Fico no ponto 36 ("Arquétipos" e indústrias culturais, pp. 84-88). Mendes convoca os seguintes autores para além dos inevitáveis Theodor Adorno e Max Horkheimer: Roland Barthes, Jean Baudrillard, Edgar Morin, Francis Balle, Léo Bogart, Herbert Marcuse, Guy Debord. Critica nomeadamente este último, ao considerar que as suas posições são conservadoras (preferência por uma cultura erudita e aristocrática e por ignorar a diversidade e qualidade de conteúdos). Mas já não refere David Hesmondhalgh, Justin O'Connor, Enrique Bustamante, Ramon Zallo, nem sequer Patrice Flichy ou Bernard Miège, o que ilustra um pensamento centrado na França pós-estruturalista de Deleuze mas pré-1990. Uma categoria curiosa, e que João Maria Mendes encontra em Bogart, é a distinção entre indústrias pesadas e indústrias culturais (ligeiras ou ultra-ligeiras), casos do cinema, da televisão, da rádio e da imprensa, na perspectiva dos instrumentos produtivos e das mercadorias produzidas (p. 85).

21.4.09

ESPAÇO CAMPANHÃ

Com exposição Está a morrer e não quer ver. Artistas: Ana Deus, André Cepeda, André Sousa, António Caramelo, António de Sousa, Arlindo Silva, Beatriz Albuquerque, Carla Filipe, Carlos Noronha Feio, César Figueiredo, Cristina Regadas, Der Fehler, Eduardo Matos, Fidalgo de Albuquerque, Francisco Eduardo Roldão, Isabel Ribeiro, Israel Pimenta, João Marçal, José Almeida Pereira, Luís Figueiredo, Manuel Santos Maia, Marco Mendes, Mauro Cerqueira, Miguel Carneiro, Nuno Ramalho, Paulo Mendes, Pedro Magalhães, Rita Castro Neves, Samuel Silva + Bolos Quentes, Sónia Neves, Vera Mota, Teixeira Barbosa.

No próximo dia 25 de Abril, haverá uma sessão especial. Às 15:00, lançamento da publicação Está a morrer e não quer ver, de Mauro Cerqueira; às 16:00, conferência Uma mudança de vida, por Ana Cristina Assis; às 18:30, concerto Hinos para a Europa dos 27, por Marçal dos Campos.

O Espaço Campanhã fica na rua Pinto Bessa, 122, Armazém 4, Porto.

CONFERÊNCIA SOBRE CULTURA E CONFLITO

A II Conferência do CECC sobre Cultura e Conflito realiza-se nos dias 7 a 9 de Maio, na Universidade Católica Portuguesa. Elisabeth Bronfen, Daniel Dayan, Tamar Liebes, Vera Nünning, Sonja Altnöder e Guido Isekenmeier são alguns dos convidados estrangeiros. No primeiro dia, é lançado o novo livro de Daniel Dayan (organização), O Terror Espectáculo. Terrorismo e Televisão, pelas 18:30.

LAURA BULGER E O FILME SLUMDOG MILLIONAIRE

Hoje, a professora Laura Bulger deu uma conferência sobre o livro e a adaptação ao cinema de Slumdog Millionaire. O vídeo seguinte mostra uma parcela dessa conferência, organizada por Eduardo Cintra Torres e o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica.

A LEITURA DE LIVROS EM SONDAGEM DA MARKTEST

O dia 23 de Abril assinala o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, instituido pela UNESCO. A Marktest associou-se e fez uma sondagem (803 entrevistas realizadas pelo Fonebus):
  • 36,9% dos inquiridos neste estudo revelaram estar a ler um livro ou tê-lo feito no último mês, em contraste com os 63,1% de entrevistados que respondeu negativamente a esta questão. As percentagens de adeptos dos livros sobem junto das mulheres (40,7% delas referiu ter lido ou estar a ler algum livro), dos indivíduos entre 35 e 44 anos (48,0%) e dos residentes na Grande Lisboa (42,8%) e no Grande Porto (42,0%). Entre as classes sociais, encontramos, como referido, mais diferenças, com os valores a oscilar entre os 64,5% observados junto dos que pertencem às classes sociais alta e média alta, os 41,9% junto dos indivíduos da classe média e os 22,7% junto dos que pertencem às classes média baixa e baixa.


34,6% dos entrevistados preferem romances, seguindo-se 13,9% que lêem livros técnicos-científicos. Equador (Miguel Sousa Tavares) é o título mais referido quando aos entrevistados foi pedida a recordação de um livro lido recentemente.

20.4.09

ANDY WARHOL


O mundo da pintura de Andy Warhol (1928-1987) não é apenas o da pop art, não se reduz ao espírito optimista do american way of life, em que se revelam os ícones da Coca-Cola, das latas Campbell, Marilyn Monroe, Elvis Presley ou Elizabeth Taylor. É também a da cadeira eléctrica, dos acidentes de viação, das séires Death and Disasters (Warhol, Miroir du Grand Monde, catálogo pequeno da exposição, p. 6).

Após ter concluído a licenciatura em design em Pittsburgh, mudou-se para Nova Iorque e começou a trabalhar como ilustrador de revistas como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker. Fazia ainda anúncios publicitários e montras de lojas. Warhol ia frequentemente ao cinema, gostando em especial de Shirley Temple e de Judy Garland. Imortalizou esta, mais a filha Liza Minnelli, nas suas pinturas. Muitas outras estrelas de cinema, assim como empresários e outras celebridades, procuraram-no para serem pintados por ele. A imagem começava com uma sessão de fotografias, onde os modelos eram maquilhados, com eliminação de toda as imperfeições. Cada pintura custava 25 mil dólares, baixando para 15 mil caso houvesse uma segunda obra.

The Factory foi, a partir de 1962, escritório e fábrica, agência de publicidade e espaço de inspiração teatral, musical e plástica para Warhol. Lou Reed e John Cale cantaram a Factory em Songs for Drella (espécie de vida romanceada de Warhol e das suas relações interpessoais). Warhol está por detrás do êxito da banda The Velvet Underground e Nico (Christa Päffgen, 1938-1988; Nico é o anagrama de icon e foi-lhe dado Andy Warhol) e da capa do disco The Velvet Underground e Nico, transformado no álbum da banana. O motivo, verdadeira transfiguração do banal em obra de arte pop, alarga-se a uma audiência muito maior que a das serigrafias que o autor realizava (Warhol, Miroir du Grand Monde, catálogo pequeno da exposição, p. 24). Data dessa época a amizade com a banda inglesa The Rolling Stone e o seu vocalista Mick Jagger.

O fascínio do cinema em Warhol leva-o a comprar equipamentos fotográficos e cinematográficos. Em 1963, roda Sleep, captação silenciosa do sono do poeta John Giorno, facto escandaloso para a época. Em simultâneo, Warhol associou-se a músicos minimalistas como La Monte Young, Philip Glass e Steve Reich. Warhol desenvolveu uma incarnação plástica das estruturas minimalistas da música. Escândalo semelhante provocariam as suas pinturas Camp, auto-retratos drag em 1981, a partir de fotografias Polaroid.

Mas o que mais ficou da obra pop de Warhol foram os acrílicos sobre tela representando Marilyn Monroe, séries repetitivas da mesma imagem a que o pintor deu tonalidades e cores diferentes. Colocadas numa parede como aparece na presente exposição do Grand Palais em Paris adquirem uma ressonância de grande espectacularidade. Sim, Andy Warhol foi uma super-estrela do sistema das estrelas, uma celebridade no que fazia e no que dizia. Mas continua a inspirar toda a gente, como a capa do número de sexta-feira do caderno "Ípsilon" (jornal Público). Seria Elvis Presley (acrílico de 1963) um cowboy ridículo ou um ícone cheio de glamour?


E o que poderíamos dizer dos quadros de Ileana Sonnabend (1973), Sonia Rykiel (1986), Debbie Harry (cantora dos Blondie) (1980), Carolina Herrera (1979), Marella & Giovanni Agnelli (1972)?

19.4.09

AS PISTAS DO MYSPACE

Esta semana, abandonei as rádios de FM e de internet e experimentei o MySpace. Fiz uma espécie de mapeamento da chanson française (designação demasiadamente abrangente) e fiquei contente com o que vi e ouvi. Incluo Louisa Baïleche, Camille, Anaïs, Lena Ka, Maltès (banda constituída por Lo, Jocelyn Dupuis, Michal Sanchez, Didier Thery, Yvan Ackerman, Jimmy Montout, Emilio Castiello, Yann Cotty), Marie Cherrier, Yan, Julien Déniel, Christian Alazard, Sarah Caillibot, Stéphane Cadé (mais grunge que chanson, com a canção De l'amour et de l'air em vídeo no filme de Nicolas Charmel) e Zut Zoe, da cantora e actriz Elodie Vom Hofe (companhia Scena Nostra) e do músico e compositor Laurent Roussel (em vídeo do France Ô Folies Asnières 2008).




O MySpace é um rede social, onde cada músico ou banda incluem cinco ou seis músicas, vídeos de concertos, fotografias e slideshows, com links para amigos e colegas de profissão e comentários de fãs, alguns de outros músicos, o que permite a (re)construção de tendências musicais. O MySpace, que possibilita ainda a promoção de discos e concertos, com letras de canções, publicita correntes estéticas de países de língua não inglesa, quebrando a hegemonia da pop anglo-americana patente nas rádios portuguesas, por exemplo. As estéticas ou estilos que se ouvem são próximos dos anglo-americanos dominantes, o que ilustra a universalidade de gostos sem pôr em causa particularidades linguísticas e influências locais ou nacionais. É uma montra obrigatória para quem faz música: consagrados e novos valores. A geração mais jovem, de cultura digital, ao aceder a um meio que combina sons, imagem fixa e em movimento, mais próxima dos seus fãs, encontra aqui um novo e poderoso canal de distribuição e publicidade, sem necessidade de grandes financiamentos e aparatos técnicos.

INSTITUTO NACIONAL DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS

Com esta designação, existe uma instituição com sede na Rua Cirilo Conceição Silva, 3, em Luanda, Angola. Além do nome e da palavra "cinemas", não consigo descobrir mais nada.

ANIVERSÁRIO DO BLOGUE CONVALOR

convalor, o blogue de Txetxu Barandiarán sobre livros, leitura e cultura, chega aos cinco anos de vida no próximo dia 26. Diz Barandiarán: "cumpliré cinco años en esto del mundo del blog que es casi como situarse al borde de la jubilación".


Jubilação ou segunda geração, o facto é que o blogue original já deu sequência a outro, o Elogio de la Librería, com mais especificidade.

Parabéns ao Txetxu Barandiarán.

18.4.09

CORTES ORÇAMENTAIS NA CULTURA? ESTIMULA-SE A CRIATIVIDADE

É a ideia central do texto de Joana Gorjão Henriques no "Ípsilon" (Público) de ontem.

Alguns apontamentos com base no texto da jornalista: 1) maior procura de bens e serviços culturais e menos apoios estatais, com mais modelos concorrenciais, 2) nos Estados Unidos, o National Endowment for the Arts conseguiu um reforço de 50 milhões de dólares, porque no país há 100 mil grupos de arte não lucrativos que empregam 6 milhões de pessoas e contribuem com 167 mil milhões de dóares por ano para a economia americana, 3) necessidade de aparecerem novos pensadores e críticos de arte, 4) uma época de decadência traduz-se habitualmente em florescimento da cultura e da arte, 5) distinção entre produtos analógicos e materiais versus digitais e imateriais, 6) a geração totalmente digital, que já chegou ao mercado de trabalho e a posições de poder, mostra uma grande agilidade nos media, gosta de modelos de colaboração e de conversas e menos de conferências.

O LIVRO DE JOAQUIM FIDALGO SOBRE ÉTICA E AUTO-REGULAÇÃO


Joaquim Fidalgo foi jornalista fundador do Público, jornal que apareceu em Março de 1990. Antes, trabalhara no Jornal de Notícias (1980-1983) e no Expresso (1983-1989). No Público, fez parte da sua direcção e administração, até 1996, e foi redactor-principal e editor-chefe. De Outubro de 1999 até Setembro de 2001, foi provedor do leitor deste último jornal. Em 2002, abandonou o jornalismo enquanto actividade principal, para se dedicar a tempo inteiro ao ensino e à investigação na Universidade do Minho. Em 5 de Janeiro de 2007, defendeu com brilhantismo o seu trabalho de doutoramento (não fui a Braga assistir a essa prestação de provas, mas relatei o acontecimento no link acima).


Da actividade de provedor de leitor, publicara os principais textos na colecção da MinervaCoimbra dirigida por Mário Mesquita. Título: Em Nome do Leitor. As Colunas do Provedor do "Público" (2004). Da introdução desse livro retiro as seguintes palavras: "Contribui ela [a figura do Provedor do Leitor] para uma efectiva melhoria dos jornais que temos, e para uma genuína interacção entre os "media" e os seus públicos, ou não faz muito mais do que aliviar a consciência das empresas jornalísticas - quando não dos próprios jornalistas".

O ano passado, na colecção da Porto Editora sobre comunicação, publicava O Jornalista em Construção. Informava a apresentação: "Este livro constitui a primeira parte da tese de doutoramento em Ciências da Comunicação por mim defendida em Janeiro de 2007, na Universidade do Minho, e cujo título é O lugar da ética e da auto-regulação na identidade profissional dos jornalistas". Destaco, do índice, os seguintes elementos: definição da profissão de jornalista, processo de profissionalização, princípio da diferenciação da profissão, jornalismo industrializado, estatuto de jornalista, responsabilidade social do jornalista, tecnologias da informação e alargamento do campo jornalístico.

Nesse livro, fez uma abordagem teórica da sociologia das profissões e dos paradigmas que nas últimas décadas do século XX foram objecto de estudo e debate. Seguindo de perto o texto de Maria de Lurdes Rodrigues sobre profissões, Fidalgo destacaria a diferenciação do jornalista, com "delimitação de um território próprio, distinto do de outras actividades que «faziam» o jornal e tributário de uma lógica de funcionamento também particular" (pp. 70-71). Ao estudar o jornalismo industrializado, o autor olhou a situação em França, nos Estados Unidos, em Portugal e em Espanha.

O livro de 2008 era a entrada para O lugar da ética e da auto-regulação na identidade profissional dos jornalistas (2009), agora publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação para a Ciência e tecnologia. Trata-se da componente empírica do doutoramento, debruçada sobre o Provedor do Leitor enquanto instância auto-reguladora, onde estudou "as opiniões, relações e sentimentos dos jornalistas relativamente a tal figura". Para perceber melhor o pensamento dos jornalistas, Joaquim Fidalgo conduziu um inquérito junto de jornalistas de três diários nacionais (que não incluiu na presente obra).

Na nota explicativa, Fidalgo indica:

  • O objectivo central da investigação proposta é tentar compreender os contornos e as especificidades da profissão de jornalista (uma profissão reconhecida como tal e institucionalizada há escassas décadas), seja nos modos como ela é encarada e tratada pelos seus directos protagonistas, seja nos modos como ela é olhada e julgada pelo todo social em que está inscrita e com quem interage" (p. 18).
Do índice, extraio os seguintes elementos ou capítulos: especificidade dos traços profissionais no jornalismo, centralidade do desafio ético e deontológico, responsabilidade social e regulação da actividade jornalística (regulação, hetero-regulação e auto-regulação) e provedor do leitor.

O ponto de partida é saber se o jornalismo é ou não uma profissão. O ponto de chegada (pp. 446-478) é constatar que a profissão do jornalista é uma construção situada e datada, o trabalho de comunicação do jornalista estabelece uma forma de poder, o conhecimento veiculado pelos media traz implícita uma atribuição de sentido e uma vinculação social, além de um poder de falar, a comunicação mediática é lugar privilegiado de debate público, a profissão exige uma ética e um saber próprio, o saber profissional e modelo de competência, carregados de responsabilidade social, verificada através da prestação de contas com mecanismos de auto-regulação e co-regulação, com devolução ao público e cidadãos do lugar de co-protagonista no processo de comunicação mediática, de ouvir e falar, com ética de recepção, sem esquecer a ética da empresa e escrúpulo deontológico, com identidade situada na organização e na profissão, e um suporte inicial, a formação.

17.4.09

CONGRESSO DA SOPCOM

Hoje, foi o segundo dia do congresso da SOPCOM, em Lisboa.


A minha comunicação à mesa de História dos Media chamou-se A Relação das Tecnologias de Informação e dos Media nos Últimos 40 Anos. Retiro três parágrafos da comunicação:

Hilmes (2002, 2008), Keith (2008) e Sterling e Keith (2008) produziram excelentes perspectivas da história dos media electrónicos, que sigo, apesar da realidade nacional não ser coincidente com a história internacional dos media. Hilmes (2002) divide a história dos media em períodos de 10 anos como se fossem ciclos de renovação de tendências, perspectiva aparentada à de Smith (1999), que discursa sobre o tempo da aceitação económica de uma tecnologia. Winston (1998) e Bolter e Grusin (2000) são menos acutilantes na ideia diacrónica e determinista da história e o livro coordenado por Keith (2008) tem preocupações em temas como programação, construção da nação, comunidades e política, cultura e religião.

Já Keith (2008a) destaca os estudos sobre a história da rádio focados, por exemplo, em inquéritos à opinião pública e análise das agências governamentais e das empresas radiofónicas. Keith evidencia o modo inicial como académicos e críticos viam a rádio como meio experimental, popular e frívolo. Contudo, no começo da década de 1930, após a transmissão das conversas à lareira do presidente americano Roosevelt, começaram a encará-la como dotada de força cultural para a mudança. O programa radiodifundido no dia do Halloween de 1938 por Orson Welles, representando uma invasão de marcianos, provou o poder do meio. Keith (2008a) analisa ainda a história da rádio a partir de elementos como género, raça, religião e família, seguindo a preocupação sentida noutro trabalho (Keith, 2008), já assinalado.

Quanto a Daniel, Mee e Clark (1999) e Morton (2004), dão destaque ao registo magnético, com os seus pioneiros e inventores. A gravação constitui uma área fundamental no desenvolvimento dos media electrónicos, da rádio e da televisão aos computadores e à internet, do gravador de som e da cassete ao disco rígido, com uma diversificação de produtos, naquilo a que Daniel, Mee e Clark (1999) chamaram desenvolvimentos relacionados e Winston (1999) designou de redundâncias (os formatos de vídeo VHS, Beta e 8 mm, por exemplo, levando a uma grande guerra comercial). Morton (2004), para além da história do registo musical e do destaque de aparelhos como o fonógrafo, o gravador magnético e o óptico, estudou igualmente as estratégias comerciais e as lutas de patentes.


O vídeo mostra a comunicação de Francisco Rui Cádima, intitulada Para a História do Pluralismo na RTP: Análise de Deliberações e Estudos da AACS e da ERC.


1º VAGA DE AUDIÊNCIAS DA RÁDIO EM 2009

Dados relativos ao primeiro trimestre de 2009 indicam que a RFM se mantém como a estação de rádio mais ouvida em Portugal, com um reach semanal de 29,5%, uma audiência acumulada de véspera de 14,7% e share de audiência de 23,6% (fonte: Marktest). Seguem-se a Rádio Renascença, a Rádio Comercial e a Antena 1. Ver a notícia completa aqui.

16.4.09

SOPCOM

Está a decorrer o VI congresso da SOPCOM, em Lisboa. A imagem mostra uma mesa da manhã, constituída por Cristina Ponte, Erik Felinto, Joaquim Fidalgo, Gonzalo Abril, Paquete de Oliveira. O vídeo regista uma parcela significativa da comunicação de Paquete de Oliveira, antigo presidente da direcção da SOPCOM e professor universitário, actual provedor do telespectador da RTP.




Na conferência inaugural desta manhã, Miquel de Moradas falou sobre o serviço público de televisão e de rádio e da necessidade de mudança de paradigma, com o surgimento do serviço público das redes multimedia. Isso significa, para ele, o fim do broadcasting enquanto se começam a avaliar as consequências da televisão digital terrestre.

O entendimento que faço da proposta de Moradas implica a venda das frequências, até agora um bem público. Embora nunca fosse do domínio público gratuito, pois a licença de emitir numa frequência foi sempre organizada pelos Estados e por organismos internacionais, a passagem para o digital pode implicar uma privatização das frequências e o seu aluguer por valores mais altos, dado o uso comercial delas. A rádio e a televisão usavam as frequências atendendo a valores educacionais e de entretenimento, de democracia e de serviço público - ou seja, havia uma função social de base.

No entanto, vivemos num novo contexto, o da internet (blogues, redes sociais), de maior pluralismo (as ferramentas de produção são muito acessíveis, económica e tecnologicamente, embora surjam vozes reclamando regulação), o que pode equilibrar a perda do uso social das frequências hertzianas.

Das mesas em que estive presente, saliento as comunicações de Luís Bonixe (rádio e sítios da internet de rádio), Dora Santos Silva (jornalismo cultural) e José Luís Garcia e Sara Meireles Graça (jornalismo e jornalistas no contexto do actual capitalismo). A imagem seguinte foi retirada da comunicação de Dora Santos Silva.

VASSILY KANDINSKY


"As grandes pinturas que tomam gradualmente forma dentro do meu coração" são palavras de Vassily Kandinsky escritas numa carta à sua mulher Gabriele Münster em 1915 e que se referem aos trabalhos que planeava e expressam o seu pensamento íntimo face à pintura.

A exposição patente no Centre Pompidou (Paris) de 8 de Abril a 10 de Agosto resulta da apresentação de obras do pintor russo Vassily Kandinsky (1866-1944), pertencentes maioritariamente ao Centre Pompidou (Paris), ao Städtische Galerie im Lenbachhaus (Munique) e Solomon R. Guggenheim (Nova Iorque), num total de algumas centenas de pinturas de grande formato e que o pintor criou entre 1907 e 1942, complementadas com desenhos adquiridos recentemente pelo Musée National d'Art Moderne.

O centro da exposição é o ano de 1921, quando o pintor se exilou na Alemanha. Mas vêem-se igualmente obras iniciais, num estilo a que chamei de expressionismo icónico (influência da pintura de imagens em forma de ícones nas igrejas ortodoxas), pinturas feitas após a sua chegada a Munique em 1908, a Primeira Guerra Mundial, o regresso à Rússia revolucionária (onde tomou parte na intervenção de vanguarda do regime soviético), a sua chegada à escola da Bauhaus em Weimar (1922) e em Berlim (até ao encerramento em 1937), a sua residência em Paris. Do que vi, gostei particularmente das obras feitas no arco histórico de 1909 a 1913, onde há uma surpreendente viragem de estilo e que, a meu ver, tornam Kandinski um dos pintores mais importantes do século XX e fazem da exposição no Centre Pompidou uma das mais importantes a nível europeu este ano.

Kandinsky estudou direito e economia na Universidade de Moscovo, defendendo tese de doutoramento em 1895. No ano seguinte, com 30 anos, viajou para Munique para aprender pintura. Deixou a carreira académica e encontrou Gabriele Münster, com quem passou a viver. O casal viajou pela Europa, nomeadamente por Amsterdão, Viena e Roma. Também esteve na Tunísia. Em 1906, foi a vez de visitar Paris; longe dele estaria a ideia de ali morar e viver os anos finais da sua vida.

O período de 1896-1907 foi de incursões em "desenhos pintados" e pequenas paisagens resultado das viagens que fez. Em 1908, regressava a Munique, onde começou um período de grande intensidade - o período que acima assinalei como o que mais me impressionou. É o período do Blaue Reiter, com Franz Marc, onde abandona lentamente a figuração. A exposição mostra, sem dramatismo mas com uma enorme alegria, essa transição. Em 1911, surge a primeira pintura abstracta, Bild mit Kreis (Pintura com um Círculo), composição de massas coloridas de diferentes densidades. O começo da Guerra em 1914 levou Kandinsky a regressar à Rússia. A um período de euforia sucede um tempo de crise. Sem estúdio e materiais, ele volta-se para o desenho e a aguarela.

Após a Revolução de Outubro de 1917, Kandinsky pinta de novo. Em 1921, viaja para a Alemanha, com a sua terceira mulher, Nina, e aí permanece até 1933. Como escrevi acima, aceita colaborar com a Bauhaus de Walter Gropius, onde se deixa influenciar pelas inclinações racionalistas da escola e pelo trabalho de Paul Klee, que conhece e com quem partilha a ideia da arte aberta para o espiritual. A ascensão do nazismo leva-o, após indecisões, a rumar até Paris (Neully-sur-Seine). Esta mudança reveste-se de um novo período de desânimo: os nazis consideraram degenerada a sua arte. Os seus trabalhos foram retirados dos museus: Guggenheim negociaria a compra de vários destes trabalhos, transportados para Nova Iorque.

[texto a partir do desdobrável que acompanha a exposição, que, anteriormente, esteve patente em Munique. Após a saída de Paris, Kandinsky será mostrado em Nova Iorque, a partir de 18 de Setembro. O catálogo da exposição contém a reprodução das obras expostas e textos de, nomeadamente, Annegret Hoberg, Riccardo Marchi, Vivian Endicott Barnett, Angelika Wiessbach, Matthias Haldemann, Tracy Bashkoff e Christian Derouet]

15.4.09

NOVO LIVRO DE ANTÓNIO PINTO RIBEIRO

À Procura da Escala, na Livraria Pó dos Livros, em 28 de Abril, às 18:30.

DOUTORAMENTO DE ARONS DE CARVALHO


Como escrevi abaixo, Alberto Arons de Carvalho defendeu hoje provas públicas de doutoramento sobre a especificidade portuguesa do serviço público de televisão (SPT), provas ocorridas na Universidade Nova de Lisboa. Para o docente desta universidade, autor de livros sobre ética e deontologia do jornalismo, deputado e antigo secretário de Estado da área da comunicação social, a discussão sobre o SPT tem resvalado para a dualidade entre o dispositivo de controlo político do partido no poder e os interesses dos canais comerciais.

O agora doutor, que obteve a nota máxima nas provas, comparou o SPT português com o de outros países europeus como Holanda, Alemanha e Inglaterra, por oposição ao modelo americano. Tendo concluído pela não existência de um só modelo europeu, Arons de Carvalho apresentou uma tese composta de duas partes fundamentais: 1) perspectiva histórica em três fases (fundação da televisão e monopólio, concorrência, digital), 2) aspectos mais importantes do modelo (governação, financiamento, regulação).

Das conclusões do trabalho hoje defendido, anotei as seguintes: em muitos países europeus persistiram modelos governamentalizados; a passagem do período de monopólio para a concorrência gerou crises de identidade em termos de financiamento; apesar de Portugal possuir um regime autoritário na década de 1950, a RTP, a televisão pública, tinha capitais privados na sua constituição (tornados capitais de Estado em finais dessa década, por desistência das entidades privadas); a televisão comercial começou tardiamente em Portugal devido ao período de transição de regime político e anos seguintes (décadas de 1970 e 1980) e porque se reuniu então um consenso de 2/3 do total do parlamento para aceitação do serviço privado; o SPT está já nas novas plataformas multimedia, registando o sítio da RTP a maioria de visitantes dos sítios de televisão.

A uma pergunta do júri sobre se não considerava o modelo de SPT esgotado, Arons de Carvalho entende haver futuro para o serviço público. A partir da existência de serviços fornecidos com as novas plataformas, com transmissão não linear de modo a permitir uma programação feita pelo telespectador, o SPT continua essencial para fornecer serviços a minorias, com formatos específicos de programas e garantia de cultura nacional. Curiosa ainda uma outra observação: nos documentos fundadores da RTP, fala-se de serviço; com Marcelo Caetano, que no final da ditadura usou a televisão para finalidades de propaganda, surgiu o conceito de serviço público.

SONIA RYKIEL


Até meados deste mês, o Museu de Artes Decorativas de Paris (moda, têxtil e publicidade) tem uma exposição dedicada à costureira Sonia Rykiel, nascida em 1930.


Com 17 anos de idade, ela foi trabalhar como modelo para um armazém parisiense de têxtil. Mais tarde, casou com o dono de uma loja de roupa elegante, Sam. Quando estava grávida, em 1962, ainda não havia roupa apropriada para mulheres no estado dela, pelo que começou a desenhar os seus próprios modelos.

Um livro sobre ela diz que Rykiel consagrou-se ao essencial: a arquitectura do vestuário e ao movimento do corpo, uma mulher que passe na cidade ao encontro do namorado ou vá buscar o seu filho à escola sem ficar presa aos gestos e movimentos (Genevieve Lafosse Dauvergne, 2003, La Mode Selon Sonia Rykiel, p. 13)

Além de costureira, ela também tem escrito livros, casos de Et je la voudrais nue, Célébration, Collection terminée. Em 1980, foi votada como uma das dez mulheres mais elegantes em todo o mundo. Andy Wharol fez um célebre quadro dela, que também pode ser agora visto em Paris.

PUBLICIDADE TELEVISIVA

No mesmo Museu de Artes Decorativas (Paris), está igualmente uma exposição temporária sobre publicidade de televisão nos últimos 40 anos (1968-2008). Aqui, dá-se conta das diferenças de estéticas (os anúncios mais antigos são mais ingénuos e voltados para as marcas, de modo simples), tecnológicas (distinguem-se os anúncios analógicos e digitais). As marcas são francesas, de grande prestígio, da aviação aos telemóveis, de perfumes e canetas a produtos de alimentação.

Pela visão daquelas peças, percebe-se o quanto importante é a publicidade - para além do reclame, significa uma maneira de ver o mundo, de marca com valor universal, cultural e económico. São produtos de consumo diário, de prestígio ou de estímulo ao consumo (as viagens). Muitos anúncios são realistas, outros apelam a mundos sociais inexistentes e oníricos. Outros, como o da Amnestia Internacional, revelam um mundo duro, violento e trágico. A publicidade é, como o cinema, campo de muitas perspectivas e com narrativas variadas.

Com a exposição, a publicidade ganha corpo, torna-se menos marginal na programação da televisão. É uma arte a rever, e a estudar. Embora com mais dificuldade que a publicidade impressa, dada a maior inacessibilidade aos arquivos audiovisuais (pelo menos em Portugal).

SOBRE O JORNAL A CAPITAL


O tema de capa do número mais recente da JJ - Jornalismo & Jornalistas é o cartoon de imprensa. Mas retenho o texto de Daniel Ricardo sobre a história do jornal A Capital (1968-2005).

O director e o director-adjunto do Diário de Lisboa e alguns jornalistas haviam saído daquele jornal por discordância com a administração, que pretendia instalar uma máquina offset para impressão do jornal. Norberto Lopes e Mário Neves e os jornalistas que os seguiram acabariam por fundar A Capital, comprando o título à família Covões, proprietária do Coliseu dos Recreios, por um preço simbólico, com a condição de não trairem os valores republicanos. O primeiro número vendeu cem mil exemplares, correndo tudo bem até 1970. Mais jornalistas e máquinas de escrever para a redacção reflectiam o bom momento.

Depois, em 1971, dá-se uma profunda alteração, provocada pela quebra de vendas. Marcelo Caetano, então primeiro-ministro, conversava com um seu parente, administrador do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa: "Toda a imprensa da manhã nos apoia; desgraçadamente, os vespertinos são contra nós. A Capital está numa situação de pré-falência. Peço-lhe que a compre e a faça seguir uma linha editorial semelhante à da Época" [jornal afecto ao partido único, que apoiava Caetano].

Mas a redacção manteve-se unida e não permitiu desvios da linha editorial. Entretanto, a mudança de regime político, em 1974, alterou o rumo do jornal, seguindo o espírito de então. Nos últimos anos de existência, já esta década, o jornal passou por transformações, uma delas a de sair como matutino e como jornal da região de Lisboa. Desde a década de 1980, era visível o esgotamento dos jornais saídos às duas da tarde: a televisão e a mudança de hábitos (residência fora de Lisboa, o que implica um movimento de vaivém diário, com perda de tempos livres). Após o desaparecimento de jornais emblemáticos como Diário de Lisboa e Diário Popular, foi a vez de A Capital.

A Capital ficou como o primeiro jornal a eleger um conselho de redacção, tornando-se espaço de debates sobre a ética da profissão.

14.4.09

HISTÓRIA DA CIÊNCIA EM PORTUGAL

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior lançou em 31 de Janeiro um programa de estímulo ao desenvolvimento da História da Ciência em Portugal e de valorização do património cultural e científico do País. Entre outros objectivos, o programa inclui o estímulo de uma rede efectiva de cooperação temática em História das Ciências com a organização de um encontro anual de História da Ciência em Portugal, fomentando estratégias prioritárias e alianças internacionais.

O encontro será promovido pela FCT e pelo Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em dois dias (a acordar entre 21 e 24 de Julho) no Centro Científico e Cultural de Macau, à rua da Junqueira, 30, em Lisboa. As inscrições realizam-se através do acesso a
FCT ou email para FCT.

SESSÃO DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL FILHOS DE LUMIÈRE

No dia 16, às 19:00, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema. Para ver melhor, clicar em cima da imagem.

TESE DE DOUTORAMENTO DE ARONS DE CARVALHO

Amanhã, na Universidade Nova de Lisboa, às 10:00, Alberto Arons de Carvalho defende provas públicas de doutoramento sobre a especificidade portuguesa do serviço público de televisão.

Arons de Carvalho é docente daquela universidade, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, autor de livros sobre ética e deontologia do jornalismo, deputado e antigo secretário de Estado da área da comunicação social.

ASSOCIAÇÃO ESPANHOLA DE JORNALISTAS ASSOCIA-SE A CAMPANHA DA FEDERAÇÃO EUROPEIA DE JORNALISTAS

A associação espanhola de jornalistas, a FAPE, associou-se ao apelo da European Federation of Journalists para que as autoridades da União Europeia apoiem a imprensa em termos de fundos públicos. A FAPE já contactou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e os grupos políticos do parlamento europeu para que sejam tomadas medidas que protejam as empresas face às quebras nos investimentos publicitários.

A responsável da European Federation of Journalists, Arne Koening, pediu acções antes que seja tarde de mais, pois o jornalismo é um esteio da democracia europeia, devendo ter mais e melhores apoios que a banca e a indústria automóvel. A FAPE lembra que, entre Junho de 2008 e Abril de 2009, 2221 jornalistas perderam o seu emprego em Espanha devido à recessão.

A HISTÓRIA DO BRASIL SEGUNDO SÉRGIO BUARQUE DA HOLANDA


A Espanha e Portugal são, como a Rússia e os países balcânicos (e em certo sentido também a Inglaterra), um dos territórios-ponte pelos quais a Europa se comunica com os outros mundos (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, p. 31).

Mais à frente, Sérgio Buarque de Holanda afirma a longa e profunda associação à Península Ibérica, em especial a Portugal, uma das principais razões da escrita deste tão importante livro datado de 1936 e revisto em profundidade em 1947.

Antes da redacção do livro, o escritor e professor universitário estivera em Berlim, onde tomou contacto com a sociologia alemã e a epistemologia histórica, com Dilthey e Rickert nomeadamente, onde forjou as raízes de um pensamento moderno, equiparado a outros autores da geração de 30, como Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior. Dez anos após Raízes do Brasil, o autor editava Monções, e, no intervalo temporal entre essas obras, exerceu uma enorme actividade de crítico literário e crítico das ideias no Rio de Janeiro e em São Paulo. O interesse do sociólogo transmutava-se em trabalho de historiador.

Obra pequena, de 160 páginas, Raízes do Brasil compõe-se de sete capítulos. Para além do primeiro (Fronteiras da Europa), destaco os capítulos 2 (Trabalho & Aventura) e 4 (O Semeador e o Ladrilhador). O autor divide os povos e os indivíduos em dois tipos, trabalhador e aventureiro, o primeiro aparentado ao holandês e o segundo ao português. Este foi ao Brasil buscar riqueza mas sem muito trabalho, fazendo uma agricultura de pouca profundidade (sem aplicação do arado) (p. 49). O açúcar era um tipo de agricultura adaptado a esse esforço do português. Outra característica do português salientada por Sérgio Buarque de Holanda é a do pouco orgulho em termos de raça, o que significa grande plasticidade social face ao outro (p. 53) - a adaptação ou o desenrascanço, acrescento eu. O autor fala em "suavidade dengosa e açucarada", referindo-se à cultura que deixamos no Brasil, visível na arte e na literatura, em Setecentos e no rococó (p. 61). O grande latifúndio era o centro do poder, face às pouco desenvolvidas cidades (com excepção do Recife, cidade muito colonizada no tempo da ocupação dos holandeses, durante o período filipino).

Mais à frente, Sérgio Buarque de Holanda distingue os portugueses dos espanhóis, exactamente pelo modo como estes últimos constroem as cidades, centralizadas ou centralizadoras, codificadas, uniformizadas, simétricas, com a plaza mayor como espaço de onde emana toda a relação de ordem e força. O autor compara a história estável de Portugal com o país vizinho, ameaçado pela contínua luta de erosão, com catalães, bascos e aragoneses a procurarem sacudir a influência do centro político (p. 116). O português é mais "desleixado", deixa-se ficar no litoral, não penetra no interior. Olhando para a geografia actual, digo eu, os dois países continuam bem distintos: Lisboa fica no litoral, Madrid no centro do país. Mas o semeador vai perder o lugar para o ladrilhador, o latifundiário cede poder ao urbano, mas sem deixar representação política. A sociedade agrária dissolvia-se lentamente no terceiro quartel do século XIX.

As novelas de índole histórica repetem à saciedade o peso do terratenente face ao político da cidade, enovelado em favores e cumplicidades. A história do Brasil repete a de Portugal, mas a posse da terra é distinta. A nossa aldeia não tem equivalente ali, a cultura intensiva e com recurso a mão de obra escrava marcou a história do país do outro lado do Atlântico.

Mensagem dedicada a Fernando O. Paulino, de Brasília, que conhece muito bem a história de Portugal - e me quer "obrigar" a saber igual quantidade sobre o seu país.

13.4.09

SARA CAILLIBOT

Em 2007, Sarah Caillibot descobriu, através da internet, os Rencontres d'Astaffort, da Associação Voix du Sud, criado por Francis Cabrel. Juntamente com Zed Van Traumat, ela ganhou o prémio do Centre des écritures de la chanson 2008. Pour la suite on s'en fout e Parano, esta de Christian Alazard, são duas das mais conhecidas músicas de Sarah Caillibot. No último link, podem escutar-se outras músicas de Alazard, director musical da cantora.

pour la suite on s'en fout

CORÍN TELLADO

Faleceu ontem Corín Tellado (Maria del Socorro Tellado Lopez), que escreveu mais de quatro mil novelas de cordel, fotonovelas e romances, de que se venderam 400 milhões de cópias em todo o mundo. Muitas das fotonovelas, em estilo cor-de-rosa e com heroínas pobres e frágeis, com amor, ciúme e infidelidade como temas permanentes, foram publicados em Portugal, nomeadamente pela Agência Portuguesa de Revistas, a preto e branco, durante a década de 1960 e seguinte.

FESTIM - FESTIVAL INTERMUNICIPAL DE MÚSICAS DO MUNDO

De 29 Maio a 24 Julho, em programação partilhada em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, surge a primeira edição do festim - festival intermunicipal de músicas do mundo. Começando em Águeda, desde 2002, a associação cultural d'Orfeu alarga a sua actividade a outros concelhos, num projecto a quatro anos. Os vinte concertos envolvem músicos da Índia, Guiné-Bissau, Espanha, Holanda, Brasil, Colômbia e Canadá. Ver mais no blogue do festim.

TEATRO IBÉRICO


O Teatro Ibérico, à Rua de Xabregas, 54, em Lisboa, promove a apresentação da prova pública dos alunos do CPT (Curso Permanente de Teatro), em segunda fase (Teatro Clássico) no dia 19 de Abril, pelas 18:30.

Ao longo de 27 anos de existência, o Teatro Ibérico tem resistido na cena portuguesa, com trabalhos dedicados à montagem de espectáculos, cursos e eventos culturais. Ver mais no blogue do teatro.

10.4.09

BOA PÁSCOA

Desejo a todos(as) leitores(as).

COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA PORTUGUESA DA DÉCADA DE 1950


Batalha de Sombras é o título da exposição e do catálogo actualmente presente no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), com uma colecção de fotografia portuguesa dos anos 50 (pertença do Museu de Arte Contemporânea - Museu do Chiado). O texto principal pertence a Emília Tavares, também a curadora da exposição [dela escrevi já aqui, sobre o seu livro de 2002, A fotografia ideológica de João Martins (1898-1972)].

Escreve Emília Tavares que a fotografia patente foi produzida entre 1946 e o final da década seguinte, quando a fotografia estava muito ligada ao Estado Novo e surgiam novos panoramas não associados ao regime (p. 27). O ano de 1946 coincidiu com a I Exposição Geral de Artes Plásticas, quando se preparava a teorização do neo-realismo, enquanto o surrealismo também se desenvolvia. Emília Tavares chama a atenção para a particularidade específica do neo-realismo, mais voltado para a literatura, e que olhava a fotografia com receio da forma sem conteúdo (p. 51).

A fotografia seria aproveitada pelos arquitectos no seu volume Arquitectura Popular em Portugal, editada em 1961 (e curiosamente apoiada pelo SNI, organismo do Estado Novo). O tema dos socialmente desfavorecidos ganhava mais expressão, numa linha que vinha desde meados da década de 1940.

Outra linha trabalhada pela curadora da exposição foi a dos concursos e exposições de fotografia, o salão fotográfico (p. 55) e as revistas da especialidade. Ela elege autores simultaneamente fotógrafos como Eduardo Sena, pertencente ao Foto-Clube 6x6 e impulsionador da Secção de Fotografia da CUF do Barreiro, e Franklin Figueiredo, co-fundador do Grupo Câmara de Coimbra. No contexto da fotografia amadora, discutem-se posições sobre a fotografia artística e os processos de avaliação. Estes fotógrafos amadores pertenciam à média burguesia e a profissões liberais (médicos, engenheiros, advogados).

MÚSICA BRASILEIRA COM SONS DA JAMAICA


ORQUESTRA BRASILEIRA DE MUSICA JAMAICANA, Ska, Reggae e Afro-beat.

"Idealizada pelo músico e produtor Sérgio Soffiatti e o trompetista Felippe Pipeta, em 2005 e só colocada em prática" em 2008. "A ideia inicial era tocar música jamaicana de raiz, ska, rocksteady e early reggae, mas logo veio a ideia de tocar clássicos da música brasileira nesses estilos" (cortesia: Roberta Martinho e OBMJ).

9.4.09

OUTRA ANÁLISE DOS ANÚNCIOS DO PÚBLICO

Também Eduardo Cintra Torres escreveu sobre os anúncios do jornal Público, aqui (Jornal de Negócios, de hoje). Escreve o crítico de televisão, autor e professor:

  • Antes de analisar os anúncios vale a pena anotar o paradoxo desta e de outras campanhas de media (incluindo o Jornal de Negócios): publicitam-se a si mesmos nas suas páginas através de publicidade. Em vez de usarem o seu género ontológico — as notícias —, os media recorrem à linguagem comercial e simbólica da publicidade. É um estranho fenómeno pelo qual o jornalismo reconhece à publicidade um maior poder de notoriedade e de transmissão de valores do próprio jornalismo, para mais pela linguagem comercial.
Mas Cintra Torres não descobre, como eu, as razões destes anúncios e o público-alvo que eles pretendem atingir.

QUINTO ANÚNCIO DO PÚBLICO

Na realidade, é o sexto, mas o de ontem não contou, pois era igual ao primeiro, excepto nas páginas que ocupou.


O anúncio de hoje é o mais desalinhado. Tem a marca do caderno "Inimigo Público"; por isso é "Que se torce, que se contorce, que se parte a rir". É o caderno que está no papel e na internet. As imagens que constituiam sinal constante (com Barack Obama e a mulher) deram lugar a inserções do caderno e o seu sítio na internet.

Às interpretações que coloquei nos dias anteriores, junto outra: a publicidade tem por alvo os que lêem o jornal em papel. Mas o incentivo é igualmente um perigo: a migração da leitura para a internet, mais económica.

FOTOGRAFIA COMO ARQUIVO E UTOPIA


A exposição Arquivo Universal. A condição do documento e a utopia fotográfica moderna, no Museu Colecção Berardo (Centro Cultural de Belém), reflecte sobre o documento e o documentário, que aparecem simultaneamente no campo artístico, nas ciências sociais, no direito e na historiografia (sigo de muito perto o Guia da Exposição, com texto original de Jorge Ribalta e versão portuguesa de Clara Távora Vilar e Nuno Ferreira de Carvalho). Ao longo do século XX adquire significados diferentes.

A exposição não se propõe fazer uma história mas micro-histórias. O documento associa-se às lutas pelos direitos civis, a ideia e desenvolvimento do Estado-Providência e a produção de imagens sobre os desfavorecidos.

O documento aparece na história da fotografia no primeiro terço do século XX, com o começo da hegemonia da fotografia na imprensa ilustrada e vai até ao fim do mesmo século com o advento da máquina digital, que questiona o realismo fotográfico. A fotografia, ao cruzar os discursos da arte moderna e do positivismo filosófico e científico e conjugar documento e arquivo, estabelece o que o comissário da exposição chama utopia fotográfica moderna e que é responsável pelos debates ao longo das décadas de 1920 e 1930 em torno da factografia e do produtivismo.

Mas, ao arquivo, sucede a desmaterialização, o espectro da imagem, com a introdução da tecnologia digital na fotografia. Conclui Jorge Ribalta que o Photoshop e a máquina digital acabam com o realismo fotográfico.

A MULHER SEM CABEÇA

Não se sabe se Verónica (Vero) atropela um cão ou um homem. Nos dias seguintes, ela está estranha, não se recorda de nada, que tem duas filhas, que é médica. A passagem por uma noite num hotel não é confirmada tempos depois.

Escreve o crítico de cinema do Público, Vasco Câmara: "Como o espectador de um filme que não entende". Por instantes, apeteceu-me ir embora. Depois do atropelamento, a câmara fixa-se no rosto de María Onetto, a actriz que faz de Vero. Parece que não se passa nada, além do ruído do embate. A sequência no hospital, a cena anterior de uma festa com mulheres e crianças, as crianças indígenas brincando à face da estrada levam-nos lentamente a perceber, a imaginar o que terá acontecido. Quando o marido aparece com um animal morto, parece um homem quase primitivo, um marginal. Só lentamente nos apercebemos do seu estatuto (médico), das relações sociais.

Mulher sem Cabeça, filme da argentina Lucrecia Martel, leva-nos aos "insondáveis labirintos da percepção" (Vasco Câmara). Vale a pena ver o filme e ler a entrevista à realizadora no Ípsilon de sexta-feira passada.

ADORNO VISTO POR ARON

  • As minhas relações com Horkheimer, Adorno e Pollock foram mais mundanas do que intelectuais. Em 1950, reencontrei Horkheimer, "rector magnificus" da Universidade de Frankfurt. Visivelmente feliz pela vingança do destino, teve a honra de receber o Chanceler Adenauer de visita à cidade. Convidado pela Universidade, eu tinha no mesmo dia um discurso "an die deutschen Studenten".

    A Escola de Frankfurt gozava de certa notoriedade, até mesmo de prestígio, no mundo anglo-saxónico. Justo regresso da moda intelectual? Esta mereceria mais do que a relativa obscuridade que tinha antes de 1933? Pode ser. Testemunha, por sorte ou azar, dos últimos anos de Weimar e também da audiência que a Escola de Frankfurt encontra hoje, interrogo-me sobre as causas do actual sucesso, assim como do lugar da Escola na Alemanha pré-hitleriana.

    Horkheimer vinha de famílias abastadas da burguesia de Frankfurt. Pollock, que geria os fundos do Instituto, e Adorno, o mais impressionante de todos pela sua cultura, pelo seu conhecimento de música e pela dificuldade do seu estilo, vinham do mesmo meio social. Todos, incluindo Marcuse, que na época não estava na primeira fila da Escola, se reclamavam, de um ou de outro modo, herdeiros de Marx. Politicamente, não apoiavam nem a social-democracia nem o Partido Comunista. Nada fizeram para salvar a República. Quando foram obrigados ao exílio, não hesitaram na direcção. Reconstruíram o "Institut für Sozialforschung" nos Estados Unidos, onde conduziram inquéritos sociológicos de que os mais célebres foram consagrados à família e à "personalidade autoritária". M. Horkhemer, W. Adorno, mais filósofos que sociólogos, misturavam crítica económica e crítica cultural da sociedade capitalista, como fez H. Marcuse de seguida, a quem os estudantes escolheram como mestre nos anos 60 e a quem garantiram a glória (p. 77).

  • Nos anos 60, Horkheimer tomou uma atitude hostil aos movimentos estudantis que exaltavam Marcuse, pois estava reduzido, à falta de um proletariado revolucionário, à Grande Recusa. Adorno, professor em Frankfurt, ficou profundamente afectado pelas manifestações hostis a seu respeito.

    Actualmente, J. Habermas representa outra geração, embora se ligue à Escola de Frankfurt. Também ele incorreu na cólera dos revoltados, por ter empregado a expressão "fascismo vermelho" a respeito deles. Na Alemanha de hoje, parece-me que a teoria crítica tem uma influência limitada. No mundo anglo-americano, o interesse acrescido pelo marxismo estende-se aos descendentes ilegítimos. A combinação de análise económica e denúncia moral convém mais aos radicais americanos do que aos marxistas puros (p. 78).
Livro: Raymond Aron (2007). Memórias. Lisboa: Guerra e Paz

O PODER DA CULTURA

Coordenação: Leonardo Brant


Local: Ateliê Brant Associados, Rua Prof. Frontino Guimarães, 302, Vila Mariana, São Paulo, próximo ao metro Vila Mariana.

8.4.09

UM OLHAR SOBRE PETER KOGLER

Em exposição no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém.

CAMPANHA NA INTERNET PARA SALVAR JORNAL DE MINNEAPOLIS

Os empregados do jornal de Minneapolis Star Tribune lançaram anteontem uma campanha online na tentativa de salvarem o jornal, na bancarrota desde o começo do ano. "Com o Star Tribune na bancarrota, a principal fonte de informações do Minnesota está em perigo", foi escrito numa mensagem da internet em savethestrib.com: "Nós, os jornalistas que escrevemos, fotografamos, editamos e apresentamos as notícias diariamente, lançamos esta campanha porque acreditamos que o Star Tribune é um recurso essencial para a comunidade e demasiado valioso para que se perca".

Impressionantes são os contributos de muita gente importante daquele local dos Estados Unidos num vídeo que se pode ver no sítio da internet acima identificado: para Maria Jette, soprano, o que lê em primeiro lugar é a banda desenhada; Kieran Folliard, dono do Irish Pub Kieran, gosta de ler a opinião; Daniel Slager, editor, começa por ler a secção de desporto, o mesmo acontecendo com R.T. Rybak, o presidente da câmara de Minneapolis.

BIOGRAFIAS


Um dos programas que me impus foi ler biografias de homens do centro da Europa que marcaram o século XX em termos culturais, políticos e sociológicos. Das leituras, não procurei o destaque que deram às indústrias culturais mas ao modo como viram a Europa e contribuiram para a sua transformação ao longo das décadas desse século nas artes e nas indústrias ligadas à cultura. Escolhi três homens muito cosmopolitas, de diferenciamentos políticos entre eles. As suas biografias são notáveis - claro que os biografados fazem sempre uma revisão da história que os colocam em posição confortável, central, dos acontecimentos que narram e de que são actores. Por coincidência, os três biografados são judeus, que assistiram com horror à ascensão e aumento de poder do nazismo.

Dois tiveram um percurso social, profissional e intelectual em diversos países - e de que já aqui fiz destaque. Eles foram Hobsbawn e Canetti (igualmente fiz breves referências à moda e ao jazz em Hobsbawn). Ambos escreveram em alemão, mas, além da Alemanha, passaram por países como Inglaterra e Áustria, o que os levou a escrever em inglês (ou mesmo em francês). O terceiro biografado é Raymond Aron, com a particularidade de ser comparado com o seu "pequeno camarada" Jean-Paul Sartre. Francês, ele também passou pela Alemanha, onde ensinou e escreveu, e pela Inglaterra, onde esteve aquando do período da Resistência francesa à ocupação alemã.


De entre os temas que escreve, destaco a percepção que tem da Segunda Guerra Mundial, o caminhar ao lado do general De Gaulle e o lento afastamento de ambos, a combinação das actividades de jornalista, professor universitário e político, o envolvimento no jornal de direita Le Figaro, a corrosão da amizade com Sartre, o igual afastamento face a Paul Nizan, a relação com André Malraux, a guerra na Argélia e a sua defesa da independência daquele antigo território ultramarino da França, as posições francesas e as suas sobre a NATO e a União Europeia, a relação da França com o país do meio (Alemanha), a amizade com Henry Kissinger, a sua posição face ao Maio de 1968, as muitas conferências e livros, a sua oposição ao marxismo (apesar de escrever sobre Marx), a ideia da decadência do ocidente (pelo menos da Europa).

Se especulei que Hobsbawn e Canetti poderiam ter-se encontrado em Viena, creio que Hobsbawn e Aron nunca se cruzaram. Pelo menos politicamente: Hobsbawn foi comunista até quase ao final da sua vida, mas passou por um longo e febril afastamento dessa opção; Aron sempre foi da direita francesa. Ou, então, passaram um pelo outro em Londres, nos finais da década de 1930 ou primeiros anos da década seguinte. Ambos estiveram muito junto dos poderes, Hobsbawn mais do universitário, Aron mais do político e do universitário. É evidente a ligação de Aron ao poder político, ele gostaria de ter sido o príncipe que aconselha o monarca: "Muitas vezes me encontrei com Giscard d'Estaign antes da eleição de 1974" (p. 485), "Alertar os chefes da maioria e convencê-los de que podiam e deviam impedir um proprietário, fortemente endividado, de provocar a saída de alguns grandes nomes que adornavam o Figaro" (p.a 473), "O Presidente da República [d'Estaign] desaconselhou-me, se bem me recordo, de deixar o Figaro" (p. 471), "Do Eliseu e de Matignon vinha uma discreta pressão a favor do magnata que assentara a sua fortuna no Autojournal" (p. 465).

Em Raymond Aron noto uma nostalgia ou mágoa no final da sua vida, em especial quando fala da decadência da Europa (também verifiquei esse sentimento nas outras biografias). Aron publicou as suas memórias em 1983, mas, ao lerem-se algumas páginas, há uma grande actualidade: a crise financeira, o défice da balança de pagamentos americana, o envelhecimento da população, a alteração dos sistemas sociais (antes do capitalismo, as aldeias da China eram quase autosuficientes, controladas à distância pelo imperador, escreve ele algures).

Falta-me ler o segundo volume das memórias de Canetti, ainda não publicado pela editora. O mais político (o que mostra melhor como se faz a política) é o livro de Aron, o livro mais bem escrito é o de Hobsbawn, o que conta melhor a realidade intelectual é o de Canetti. Se a Europa acelerou a sua decadência no século XX, os mesmos biografados assinalam os momentos mais emocionantes do nosso velho Continente: a união económica, apesar das variadas línguas e posições estratégicas, a cultura humanista, as cidades cheias de história, a sabedoria da sua filosofia e o encanto da sua música, as vanguardas estéticas. O cinema começou na Europa, os jornais são uma invenção europeia, a música mais importante nasceu na Europa, a Europa chegou ao resto do mundo (embora com posições erradas de colonialismo e imperialismo).

7.4.09

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO

O Diário de Notícias de hoje (p. 46 da edição em papel) indica que a televisão por cabo teve, no domingo passado, o melhor resultado de sempre (22,3% da audiência). Razões explicadas no texto assinado por Tiago Guilherme: transmissão de futebol (na SportTV), Panda (o domingo não se articula com as férias das crianças, como diz o texto, embora nestes dias haja mais espectadores do canal de desenhos animados) e consumo crescente do cabo (mais lares ligados ao cabo). O texto indica a subida lenta mas segura do total da audiência nos canais de cabo: 13,3% em Fevereiro, 14,7% em Março, 16,9% nos primeiros dias de Abril. No domingo e por canal, o cabo apareceu assim por ordem decrescente de audiência: SportTV1, SIC Notícias, Panda, AXN, TV Record, Hollywood, RTP Memória, FoxLife, RTPN, SIC Mulher.

CONGRESSOS DE COMUNICAÇÃO EM LISBOA


De 14 a 18 de Abril, realizam-se o 6º Congresso SOPCOM, o 8º LUSOCOM e o 4º IBÉRICO. Os temas das sessões plenárias são: Lusofonia e Globalização, Novos Media e Desenvolvimento, Serviço Público Televisivo, Investigação nas Ciências da Comunicação e Sociedade dos Media.

Ao longo desses dias, decorrem "sessões temáticas que constituem os principais eixos de actividade científica dos congressos e onde serão apresentadas centenas de comunicações" (informação da organização). São mais de 600 participantes pertencentes a instituições de ensino superior na área das Ciências da comunicação, de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Moçambique e Cabo Verde. No último dia, haverá lugar para a mesa redonda com os presidentes das Associações de Comunicação Europeias: Annabelle Sreberny, François Heinderyckx, Miquel de Moragas e Moisés de Lemos Martins.

Resultado desse grande afluxo de comunicações é o intrincado programa, que pode ser lido
aqui. Isto sem contar com o lançamento de livros, com sessão prevista para o dia 14, entre as 21:00 e as 23:00!

O QUARTO ANÚNCIO DO PÚBLICO


"Eu sou o Público dos comentários, das votações, dos fóruns. Eu sou o Público do teclado que não cruza os braços. O Público sou eu". Esta é a mensagem e slogan do quarto anúncio do jornal, na página 7, sem as aspas iniciais e não indicando publicidade no topo da página (como nos dias anteriores).

O quarto anúncio recupera a imagem do indivíduo do primeiro anúncio (óculos de aros de massa), com indefinição na parte inferior da fotografia. No canto esquerdo, imagens dos três suportes de leitura, que funcionam como elementos de continuidade da promoção. Continua a ideia de leitor jovem e ligado às tecnologias electrónicas.

Pergunta de novo: conquistam-se leitores jovens com anúncios em jornal de papel?

ESCOLAS DE VERÃO 2009 NA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

1) Escrita para Cinema e Televisão, pelo professor Paulo Filipe Monteiro (8, 9, 10, 15, 16 e 17 de Setembro, das 18:00 às 21:00)

Programa: O cinema e a televisão são formas de comunicação contemporâneas, que no nosso século tiveram de inventar a sua linguagem. Neste curso breve e predominantemente prático estuda-se como se tem definido e transformado a escrita própria de textos destinados a serem filmados. Trata-se de um género que só pode ser compreendido por relação com a narração e o drama. Para compreender a «narração dramática» dos guiões, trabalham-se as teorias clássicas da narração, as estratégias narrativas de vários tipos de filmes, as personagens, as cenas, os diálogos e técnicas específicas de manipulação do espaço e do tempo. Tudo isto será desenvolvido a partir das sinopses previamente enviadas pelos participantes. Requisitos Prévios: Até final de Maio, os interessados neste curso devem enviar para o e-mail
pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção.

2) Por entre gerações: Os lugares dos media e os desafios da literacia mediática, pela professora Cristina Ponte (coord.) (6, 9, 13, 16, 20 de Julho, das 10:00 às 13:00)

Proposta: A sociedade portuguesa é marcada por profundas diferenças geracionais na relação com os novos meios de comunicação, sendo os mais novos os que mais utilizam as potencialidades comunicacionais da Internet. Por outro lado, nunca se falou tanto na necessidade de uma capacitação para usar criticamente os media – uma capacitação não apenas tecnológica mas também – e sobretudo – na perspectiva dos direitos de participação e de expressão numa dimensão ética e de cidadania.

Mais informações
aqui.

6.4.09

COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA


António Cachola esteve em Londres pela primeira vez em 1973, onde visitou todos os museus que pode. Começava aí o seu interesse pela arte e pelo colecção de obras de arte. Licenciado em economia e com uma pós-graduação em finanças públicas, o seu grande hóbi é a arte, e fá-lo na qualidade de um quase profissional. A abertura do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) com a colecção dele próprio foi um momento de grande alegria. No catálogo de apresentação do museu e da colecção, escreve o próprio António Cachola: "O objectivo não passa apenas pela descentralização da arte ou da cultura mas pela sua naturalização, por transformar a arte em algo natural e acessível a todos" (ver o vídeo, onde registei uma curta conversa com o coleccionador).

A colecção e o museu possuem arte contemporânea portuguesa criada da década de 1980 em diante. Nela observam-se artistas de plano internacional, de que se contam, entre outros, Rui Sanches, Xana, Joana Vasconcelos, Jorge Molder, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Ângela Ferreira, Pedro Calapez, João Pedro Vale, Manuel Botelho, Edgar Martins, Francisco Vidal, Sofia Areal, Ana Vidigal. O director de programação é João Pinharanda.


O MACE abriu em Julho de 2007 num edifício anteriormente hospital da Misericórdia de Elvas, em estilo barroco tardio de meados do século XVIII. A adaptação do edifício para museu teve o contributo do arquitecto Pedro Reis e dos designers Filipe Alarcão e Henrique Cayatte. A colecção tem cerca de 300 obras que se expõem segundo temáticas diferentes.

PARA ONDE VAI A INDÚSTRIA DA MÚSICA

Atender ao que escreve hoje Andrew Dubber, no seu sítio new music strategies, sobre o que se passou na conferência Is This It em Helsínquia.

O TERCEIRO ANÚNCIO DO PÚBLICO


Parece uma recente obsessão minha: atender aos anúncios saídos no Público. Trata-se, contudo, de um exemplo a estudar, o da reflexão da importância dos media electrónicos face aos meios tradicionais, neste caso a internet e o telemóvel em relação ao papel.

Hoje, a publicidade/promoção do meio Público ocupa a página 9, página da direita, a mais visualizada. Está mais à frente no jornal que nos dois dias anteriores, que ocupavam duas das páginas mais importantes, a 2 e a 3. Significa que os autores da campanha estão satisfeitos com o reconhecimento e notoriedade entre os leitores do jornal, reduzindo a dimensão (duas para uma página) e fazendo publicar o anúncio numa página do interior e menos importante por isso.

O slogan mantém-se: "O Público Sou Eu". Mas a mensagem de hoje faz referência aos principais colunistas: António Barreto, Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente, José Pacheco Pereira. Ou seja, a defesa da opinião do jornal (por oposição às notícias, à factualidade dos acontecimentos), numa linha de continuidade face à mensagem de ontem, onde se defendia a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade", mas abandonando, por redundância, o igual peso da informação em papel e em formatos electrónicos, como o anúncio de anteontem. Anúncios diferentes, com zonas iguais de informação, levam-nos a uma narrativa, como se fosse um folhetim.

Isso explica também os modelos humanos que acompanham a publicidade, os rostos - a dois rostos masculinos, sucede-se hoje um feminino. A zona de imagem desfocada ou menos precisa tem hoje outra configuração: a jovem mulher revela apenas o rosto e um a dois dedos da mão direita, envolvida em espuma no banho. O rosto é sereno e o olhar está fixo, algo ensimesmado.

As mensagens contidas nesta série fixam-se, já o escrevi, num público jovem, o alvo aparentemente fundamental da campanha. A mulher de hoje parece mais jovem que a do homem de anteontem. Mas se este me sugeria um intelectual muito virado para as tecnologias electrónicas de informação e o de ontem um jovem que ama as coisas boas da vida, combinando com uma profissão de sucesso e de muitas relações públicas, a mulher do anúncio de hoje encontra-se numa posição de descontracção depois de um dia de grandes decisões no escritório da empresa que dirige ou em que é uma das principais responsáveis.

Os variados formatos - tradicionais e modernos - são meios que interessam a estas personagens. Mas a quem se destina realmente a campanha? Aos leitores do jornal em papel? Aos leitores mais jovens? É uma campanha institucional sem impacto directo na formação de públicos leitores mas que destaca a excelência deste jornal face a outros?

5.4.09

O SEGUNDO ANÚNCIO DO PÚBLICO

Hoje, o Público publicou o seu segundo anúncio nas páginas 2 e 3. Com o slogan O Público Sou Eu, a mensagem de hoje destaca a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade". Para além do que me parece o constante da publicidade - as pequenas imagens no canto inferior esquerdo com três suportes de informação (papel, internet, telemóvel) -, a figura da página da direita é a de um jovem de olhos claros e sobrancelhas acentuadas, representado por apenas metade do rosto. Será que o essencial da publicidade aponta para o público masculino? Como observação, continuam a faltar as aspas iniciais e a indicação de públicidade no topo da página.

LISBOA

Avenida Fontes Pereira de Melo, 12. Prédio há muito abandonado, mesmo ao lado de um hotel recente. Possuía jardim e andar em nível inferior ao da rua, que acompanha a inclinação de terrenos nesse lado da avenida. Para chegar ao centro da casa, um pequeno torreão de duas janelas, usava-se um passadiço, o que confere uma beleza especial ao prédio. Registo a existência de um pequeno pórtico sobre a porta de entrada da casa, outro elemento nobre do edifício.


Em pesquisa na internet, deparo-me com a informação de sede da Tudor nesse endereço. Errado? Ou morada antiga daquela empresa?

MUSEU VOSTELL MALPARTIDA (CÁCERES, ESPANHA)

Wolf Vostell foi um artista plástico que trabalhou materiais industriais decomponíveis (automóveis abandonados, receptores de rádio e televisão avariados, motas já sem utilização, fazendo enormes instalações e intervenções (piano dentro de automóvel, por exemplo). Vostell (Leverkusen, 1932; Berlim, 1998) reflectiu sobre a cultura industrial e de consumo em que os objectos já sem uso vão para a sucata e para a lixeira. Ele quis, assim, dar conta do mundo actual, com grande ironia e nostalgia por formas obsoletas mas que, em simultâneo, provocam o riso e a vontade de brincar.


São conhecidas as séries de Vostell de obras com televisores e automóveis, onde a beleza inicial das formas dos objectos se transforma em lixo, fealdade, inutilidade, desconforto. Podemos ver no seu museu a história dos objectos industriais - e imaginar a sua apropriação e abandono, como quando se tem um brinquedo novo e se lhe dá muita atenção antes de dedicar toda a disponibilidade a um novo brinquedo e se esquecer o anterior. Só a memória, a nostalgia dos momentos vividos antes, nos leva a recuperar os objectos, as colecções de peças que passam na vida individual e se guardam num sótão ou cave. Esta história do design industrial é, em Vogell, diferente de outras colecções de aparelhos e máquinas que encontramos noutros museus. Trata-se de um olhar sobre a obsolescência e a morte dos objectos, estrelas de um mundo de gadgets imprescindíveis num tempo e abandonados noutro. Vogell escava na história do design industrial como se estivesse numa lixeira à procura de objectos ainda recuperáveis (pelo valor do metal, por exemplo).


O automóvel ou o televisor são símbolos dos rituais da vida actual dos homens. A articulação dos objectos representa o princípio da des-colagem que Vogell trabalhou desde 1954, propondo o princípio negativo dos objectos que o espectador habitualmente toma como positivo, num jogo de sombras e de conflitos em que a humanidade corre o risco de mergulhar. Na vida dos objectos industriais, há um permanente processo de construção e desconstrução, o que provoca novos processos mentais. Fundador da vanguarda Hapenning e Fluxus, encontramos neste museu excelentes exemplos desses modos de fazer a arte.


Malpartida de Cáceres, a não muitos quilómetros da cidade, foi local de transumância, com pastores e ovelhas, local onde estas eram tosquiadas para a transformação da lã. Perdida a função inicial, o edifício foi adaptado e beneficia de uma inserção em lugar muito bonito, que funciona também como local de caminhadas para a população e os visitantes. Vostell ficou encantado com o lugar, de onde era oriunda a sua mulher Mercedes Guardado Olivenza, tendo obtido da Junta da Extremadura a ideia de construir o seu museu naquele sítio.

4.4.09

O ANÚNCIO DO PÚBLICO

Talvez devesse haver indicação de anúncio no cimo das páginas 2 e 3 do jornal Público de hoje. É que é publicidade ao próprio jornal.


Talvez devesse também haver uma informação do jornal sobre o anúncio ou sobre a campanha (será que também se estendeu à televisão ou aos mupis?). É que seria útil perceber o porquê do anúncio. Lê-se neste:

Eu sou o Público
do papel para saber tudo,
da Net para saber já
e do telemóvel para saber onde quer que esteja.
O Público sou eu


Na página da esquerda ao fundo sobressaem três suportes da informação: jornal de papel, computador, telemóvel. Na página da direita, com imagem parcialmente desfocada, vê-se um indivíduo de sexo masculino, com óculos de aros de massa, barba curta, alguma falta de cabelo, mas de aparência jovem. A imagem deste é o perfil (ou estereótipo) de indivíduo urbano, leitor de informação e adepto de tecnologias electrónicas de informação, que abandonou o jornal em papel e migrou para o digital. Se ele quer saber informação sucinta, deve usar os media digitais, mas o papel dá-lhe mais informação. Certo, porque o papel ainda é meio mais portátil e legível que os media electrónicos. Errado, porque os textos em papel podem ser em tamanho mais pequeno que os da internet (dei um exemplo quando escrevi sobre o museu da rádio, aqui).

Aparentemente, a publicidade representa o novo posicionamento do jornal, reflectindo as mudanças de direcção anunciadas no mês passado e que procura ter igual peso nos vários suportes, uma medida ousada e que pretende ganhar leitores em suportes (digitais) para compensar a lenta perda de leitores em papel. Percebe-se isso na página da esquerda do anúncio. Mas isso significa, se olharmos para a página da direita, que apenas os jovens adultos masculinos são um público a conquistar? Ou vêm outros e diferentes anúncios? E a legenda do anúncio é uma citação? Onde estão as aspas no começo do texto?

O TEATRO DO PORTO SEGUNDO NUNO CARINHAS

Hoje, o Público traz uma importante entrevista com Nuno Carinhas, o novo director artístico do teatro São João, do Porto (entrevista de Inês Nadais).

Retenho algumas ideias: 1) vai continuar a convocar grupos e criadores e a fazer o balanço dessa intervenção, 2) o TeCA (Teatro Carlos Alberto) é para produções mais pequenas, com repertórios contemporâneos e experiências de grupos independentes, 3) o Mosteiro de São Bento da Vitória vai ter mais actividade, 4) quer estruturar a ligação com as escolas artísticas, caso da Fábrica (espaço cedido pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo a grupos emergentes), 4) continuará a acolher o FITEI e possivelmente o FIMP, 5) sobre a vizinhança do teatro, que tem pouca relação com este, ele pretende uma reflexão dos repertórios que o interessem (embora sinta uma grande dificuldade), 6) o seu primeiro espectáculo como director artístico será o Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente.

TWITTER, DE NOVO

Ontem, escrevia aqui sobre a hipótese da Twitter ser comprada pela Google. O jornal Público adianta hoje que nenhuma das empresas se pronunciou sobre o facto, podendo tratar-se de um boato que partiu do sítio TechCrunch. Esperemos pelos próximos dias para saber se foi um balão de ensaio ou uma fuga de informação, ou mera especulação.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS SEGUNDO LUÍS SERPA

Conforme já aqui escrevi, o galerista Luís Serpa está a projectar uma agência autónoma para gestão de indústrias criativas na Área Metropolitana de Lisboa. A agência será lançada a 12 de Maio, na Culturgest. Para Serpa, as áreas ou disciplinas associadas às indústrias criativas são: arquitectura, mercado das artes visuais e antiguidades, audiovisuais (televisão e rádio), artes performativas e de entretenimento, cinema e vídeo, design gráfico e de produto, escrita e publicação, moda, software educacional e lazer, publicidade e gastronomia.

[fonte: RTP]

3.4.09

STONE ROSES

Hoje, Nuno Galopim escreve sobre os Stone Roses, banda de Manchester que editou o álbum de estreia há vinte anos. Em Manchester e nessa época, já tocavam os New Order, Inspiral Carpets e Happy Mondays (fonte: Diário de Notícias). Ver e ouvir I Wanna Be Adored (Live at Blackpool) aqui.

Nuno Galopim escreve regularmente no blogue sound + vision.

ARTISTAS UNIDOS REGRESSAM AO EDIFÍCIO DA CAPITAL?

Os Artistas Unidos, dirigidos por Jorge Silva Melo, ganharam a acção contra a Câmara de Lisboa que despejara a companhia de teatro do seu espaço (edifício do antigo jornal A Capital). Mas parece duvidoso que voltem ao Bairro Alto, pois no edifício não se fizeram as obras necessárias à segurança (fonte: Público).

PINTURA NA INTERNET

arteportugal é uma galeria exclusivamente online com obras de arte de 15 artistas contemporâneos, lançada pelo galerista Pedro Lopes Vieira. Pretende ter um âmbito internacional e promove exposições na internet. A primeira exposição, de José Nuno Lamas e Valter Ventura, pode ser vista até 27 de Maio (fonte: Diário de Notícias).

HAPPY HOUR NO CHIADO

Até ao dia 6 de Maio, o Chiado (Chiado ao Fim da Tarde) está mais atraente: descontos em lojas, menus especiais em cafés e restaurantes, animação musical e outros eventos. Segurança e limpeza das ruas e grafftis são outras novidades. Por detrás de algumas destas iniciativas está a Associação de Valorização do Chiado (fonte: Diário de Notícias).

GOOGLE PREPARA-SE PARA COMPRAR A TWITTER

A Google está em conversações finais para comprar o serviço de microblogues Twitter (ver TechCrunch de ontem). Isto após uma investida da Facebook, meses atrás, que fracassou. As mensagens de 140 caracteres estão a atrair muita gente, incluindo empresas e celebridades.

2.4.09

TWITTAR

Twittar: usar o Twitter. Presente do indicativo: eu twitto, tu twittas, ele twitta (etc.).

Extracto de alguns segundos da minha lista de Twitter hoje à noite. As mensagens entrecruzam-se. Penso em duas realidades (e mais uma, a desenvolver).

Por um lado, parece-me a escrita automática dos surrealistas. Claro que não há conexão, pois se trata de uma torre de Babel. Quanto mais ligações mais as mensagens parecem estranhas. É isso, o Twitter é a ferramenta informática mais anarquista que conheço. Cada qual é livre de escrever e dizer o que quer, como se estivessemos num speaker's corner, cada qual com seu banquinho ou megafone ou cartaz.

Por outro lado, precisamos de renovar a teoria matemática da informação. Agora, múltiplos emissores encontram-se numa praça onde têm receptores prontos a interpretar mensagens de 140 caracteres. Não há ruído mas manifestação de muitos para muitos. A redundância (repetição) vê-se quando uns fazem de correio a outros (exemplo: a dívida da SPA). Na nova teoria da informação um emissor torna-se receptor que se torna emissor.

Pensando melhor: Charles Sanders Peirce explicaria melhor o funcionamento do Twitter: a semiose. Ou procurar um psicanalista, para ver o que cada um quer dizer com as suas mensagens curtas: o entendimento e a compreensão dos outros, dos que os lêem.

Para quem quer emagrecer ou engordar aqui deixo a tabela de calorias dos alimentos.
What? The Policeman do what to you?? Kiss you?? Crazy situation ... LOL
How Toxic Colleagues Corrode Performance the impact of incivility on performance
3D TV urgently needs a broadcast standard.
CDBaby was the first profiting from the long tail.
Springer Is Not for Sale, Says CEO. Only looks to involve a third partner.
In an ironic twist of fate, I discover that the object of my affection is a curvaceous black stubborn stupid idiot male.
eheheh A NIVEA faz Publicidade Altamente Enganosa!!! Devia ser Processada! Aquelas raparigas dizem q têm 50 anos Y n têm + de 35/37!!
OECD makes available tax haven list.
Vale a pena ver.. deve ser algum marciano para atrair aquilo
When you get to the point where you really understand your brain, it's probably obsolete.
Take me down to the paradise city Where the grass is green And the girls are pretty Take me home (Oh, won't ... ♫)
Indie blogs, CC licensed music aggregators, recommendation tools, crowd funding communities...
Sorry, Officer, I didn't realize my radar detector wasn't plugged in.
«Pesquisa: você leria o blog de um(a) advogado(a)?»
Se é português, chamam-lhe Jesualdo, c/intimidade de qm toma 1 copo ao fds.Se é sueco, chamam-lhe Sven-Goran Eriksson.O respeitinho é lindo.
Here's my theory: there's no money in major-based online music but there's a sustainable model out there for non-major online music services.
10 razões para vigiar os putos (crianças) quando estão na net...bom artigo!
Even with your temper, in your need to control, I see you and I know your goodness. This was the nicest thing I read today! How sweet
vou desligar y ligar ... n consigo fazer RT'S ... Já volto!!!! Eu sem RT n posso passar ... né?
Meatloaf Layer Cake w/ Mashed Potato Frosting & Decorative Ketchup Piping.
I kissed a policeman today. I felt I had kissed the whole army. He took 300 Eur from my pocket away... speed ticket!
Namechk.com: Check to see if your desired username or vanity url is available at dozens of popular Social Networking & Bookmarking websites.
The $2 Trillion Question: Will Investors Buy the Government's Toxic Asset Plan?
Hi. Kiss Girl ... How are you today ... Many kisses or Not??
Obama já evoluiu: as construtoras automóveis afinal até podem falir. Prontos, levaram uns biliões antes, mas that's change...
SPA deve 41,2 milhões de euros a associados - e os piratas somos nós!
Nunca conseguem dizer a mesma coisa duas vezes seguidas
eu enganei-me e nao era esse o link q queria mandar, mas sim este da entrevista completa:
Curioso como Candida Almeida e Pinto Monteiro tem a mesma forma confusa e embrulhada de falar
No Man Is an Island: The Promise of Cloud Computing
POST: SPA deve 41,2 milhões de euros a associados - e os piratas somos nós!
hiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii there! finally! Have you been on some kind of hungover?
[dica da noite] A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. (Platão) EG: Eu me amo!
POST: YouTube bloqueia videoclips musicais na Alemanha.

EXPOSIÇÃO NO TEATRO DA TRINDADE

Inaugura amanhã, dia 3, pelas 18:00, a exposição Parte do seu Mundo, de Manuel Santos Maia. À noite, há a projecção de de Alheava Filme na Sala Bebé (Avenida).


7 DAYS PROJECT é um projecto de circuito independente (de Margarida Mendes) com oportunidade a jovens artistas de diversas áreas que expõem trabalhos durante sete dias consecutivos, no espaço Round The Corner, no Teatro da Trindade (Lisboa).

FELIPE UGALDE GANHA O II PRÉMIO COMPOSTELA

O ilustrador mexicano Felipe Ugalde foi o vencedor da segunda edição do Prémio
Internacional Compostela de Álbuns Ilustrados. O júri destacou a sua riqueza técnica, estética e literária. Além do prémio pecuniário, o autor terá o seu livro publicado nas cinco línguas peninsulares até final deste ano. Para saber mais, ver o sítio Kalandraka.

TAMBORES NA NOITE

O soldado Kragler regressa da guerra para o reencontro com Anna. Mas ela cansara-se de esperar e festejava o anúncio do casamento Friedrich Murk. Murk tornara-se próspero, vindo do nada, ao contrário do soldado, sem um vintém. Aos olhos dos pais de Anna, esta deveria renunciar à imagem de Kragler. "Já morreu e está enterrado há muito", dizia mais o pai que a mãe, com esta subjugada aquele.


Tudo muda quando Kragler regressa quatro anos depois da partida, ele que estivera prisioneiro em África. Consegue abalar as convicções de Anna, dividida entre o passado já longínquo e o presente. A argumentação entre os pais de Anna e Murk por um lado e o soldado por outro ocupam lugar central na peça de Brecht. Como pano de fundo social, a revolta de Rosa Luxemburgo e dos seus espartaquistas, mentores de uma nova sociedade, a comunista, na Berlim saída recentemente da Primeira Guerra Mundial, em que a Alemanha perdera.

Foi uma das primeiras peças de Brecht, que ele quis retirar depois das suas obras completas, por considerar ser imatura. Ele tinha pouco mais de vinte anos e ficara admirado com o sucesso de Tambores na Noite, peça estreada em 1922. Escreveu: "Esta peça foi representada em cerca de 50 palcos burgueses. O sucesso foi grande e apenas provou que eu tinha batido à porta errada". E, mais à frente, continua: "Esta revolução [a dos espartaquistas] seguiu-se a uma guerra que rebentara por causa do esgotamento nervoso dos diplomatas e que terminara por causa do esgotamento nervoso dos militares".

A partir de 1974, Brecht é encenado regularmente em Portugal. Tambores na Noite foi levado à cena em 1976 pela Cornucópia. O autor alemão foi também representado nos palcos do Teatro Aberto (inaugurado com O Círculo de Giz Caucasiano, de Brecht), D. Maria, Comuna. Quando estava a escrever Tambores na Noite, o autor estava dividido. No seu diário de 23 de Agosto de 1920, escreveu: "Estive a ditar Tambores na Noite. O terceiro acto está bem, à excepção de alguns detalhes. O quarto, um bastardo, um bócio, uma planta que se transformou num matagal. Foi uma noite de balanços". Essa divisão era ainda mais nítida na vida sentimental de Brecht, a balancear entre Bi (Paula Banholzer, mãe do seu filho Frank) e Hedda Kuhn. Sem falar em Anni Bauer, de quem escreve: "Certa vez, , Anni Bauer aparece no atelier, à noite, bebemos schnaps debaixo do candeeiro veneziano, dedilho as cordas do violino, beijo-a, torno-me ousado, mas ela cheira a rapariga pobre, e mando-a de volta para casa. Tenho medo também da gonorreia".

Talvez, por influência sentimental, a peça mostre, além de uma burguesia amedrontada pelos conflitos internos, expressa pela postura do casal Balicke, a fraqueza das mulheres, sempre maltratadas nas relações com os homens: prostitutas, uma esposa submissa, uma filha procurando romper com a tradição mas incapaz de fazer a ruptura.

A peça, agora em cena no teatro de S. João, no Porto, é dirigida por Nuno Carinhas, indigitado para substituir Ricardo Pais à frente do teatro. Os actores das personagens principais são Emília Silvestre, Sara Carinhas, Pedro Almendra, Jorge Mota e Paulo Freixinho. O jornal "Manual de Leitura" traz textos importantes de Cláudia Fischer, a tradutora da obra, Rui Bebiano, João Barrento, António Guerreiro e Walter Benjamin, entre outros.

1.4.09

SELOS

Aqui, nunca reflecti sobre selos (escrevi uma ocasião sobre uma exposição, aqui, mas sem referência ao conteúdo).

A vinda de uma carta do Brasil fez-me olhar com atenção para essas pequenas estampas, no caso imagens representando profissões, a de sapateiro e de manicure, desenhos de Hector Consani, cujo sítio vale a pena visitar, apesar de pequeno em informação. Consani desenhou outras profissões: barbeiro, carpinteiro, engraxador (engraxate, no Brasil).


O desenho é simples: a cabeça é redonda, os cabelos parecem os raios de sol de um desenho de criança, os olhos e a boca são representados por um único círculo preto, o fato-macaco alterna com a bata do barbeiro, cada profissional usa uma t-shirt (camiseta, no Brasil), os braços e os dedos das mãos parecem uma forquilha, há três a quatro cores bem definidas. Mas este minimalismo de traços contém toda a informação, além da data e do preço do selo.

Se convocasse a história da arte, encontraria elementos do expressionismo, da pop art e da banda desenhada. Uma só vinheta de Consani conta uma história de vida, um estado de alma, uma profissão e a sua designação local (ou nacional), a relação do profissional com a sua actividade: a bancada, a cadeira, as ferramentas, por vezes o cliente, mostrado de lado ou de costas.

Além disso, o selo é uma pequena peça que chega a outras partes do mundo e leva a arte e a informação do país emissor. O selo é um excelente embaixador da cultura moderna.

CONVERSA NO ESPAÇO ILIMITADO, RUA DE CEDOFEITA, 187, 1º, PORTO

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE JORNALISMO LITERÁRIO: UMA PERSPECTIVA PRÁTICA

8 e 9 de Maio, na Escola Superior de Comunicação Social, Lisboa

POEMA VISUAL DE CONSTANÇA LUCAS


Blogue: Imagem e Palavra

VARIACIONS AL-LELUIA


A fotografia é de Juan Carlos García e ilustra o Espectáculo Variacions Al-leluia, da Cia. Lanònima Imperial/Barcelona, Espanha, a representar em 8 e 9 de Abril. No TD - Teatro de Dança - Secretaria de Estado da Cultura, APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, Avenida Ipiranga, 344 - Subsolo, Edifício Itália - São Paulo (metro: República).

O Lanònima Imperial tem direcção de Juan Carlos García. O elenco e cenografia do espectáculo pertencem a Olga Clavel, Yester Mulens, Miryam Mariblanca, Mürfila e José Menchero, e a direcção musical a Oriol Rosell e Mürfila.

O grupo vai ao Brasil a convite do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.